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Ricardo Andrade

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Expo Animal convidou Braga a conhecer animais de todas as espécies

Sara Jorge e Rodrigo Abreu

Milhares de pessoas acorreram a esta importante exposição e o entusiasmo era sentido quer por concorrentes e seus treinadores, quer pelo público em geral que pôde, de igual modo, viver esta adrenalina, natural em qualquer competição.
No final, todos são vencedores. Mesmo não garantindo o troféu, os concorrentes de quatro patas mostraram, durante os diferentes concursos, o empenho e a determinação de um trabalho de equipa prolongado e contínuo entre treinador e cão ou gato.
Além dos concursos, diferentes expositores permitiram dar a conhecer esta área tão abrangente, onde era possível contactar com profissionais ligados à saúde, alimentação, bem-estar, higiene e alimentação animal e entidades especializadas – e apaixonadas – pelas mais diversas espécies. Isto porque cães e gatos não eram os únicos convidados do certame. Um espaço dedicado a animais exóticos convidava todos os visitantes a conhecer mini pigs, corujas, águias, sardões, dragões barbudos, cobras, entre muitos outros. Miúdos e graúdos, ainda que por vezes receosos, combatiam medos para ver de perto estas espécies, que tão impressionam como fascinam. No final, o balanço era positivo, porque o que efetivamente interessava era conhecer profundamente estas espécies. Missão cumprida! Flashes vinham de todo o lado para eternizar os momentos.
A organização da Expo Animal é já uma realidade anual e um dos eventos mais relevantes do setor. O ano de 2015 foi já a 10ª Exposição Canina Nacional de Braga e a 7ª Exposição Canina Internacional de Braga. Este evento mostrou ainda a sua grandiosidade ao contar com a presença de cães e gatos no mesmo espaço, algo inédito em Portugal. Aliás, importa, neste contexto, referir o papel determinante da Royal Canin, que se empenhou em conjugar as duas espécies num só certame. E o resultado tem sido um sucesso. Braga já não consegue imaginar um evento sem a participação destes que são os animais de companhia mais comuns entre as famílias portuguesas.

expoanimalO compromisso da Royal Canin
“Querem mais um motivo para visitar a cidade da Porta Aberta e das Catedrais?” O repto foi lançado pela Royal Canin e a verdade é que foram muitos os que não quiseram perder esta oportunidade especial e aproveitaram um fim de semana de sol para passarem pelo Parque de Exposições de Braga. E lá estava a Royal Canin de braços abertos para recebe-los, com uma equipa de sorriso constante no rosto e pronta para fazer com que esta experiência fosse única.
Este foi um evento especial, não só para o visitante. Mais do que um momento ideal para toda a família, a Expo Animal é o ponto de encontro entre os apaixonados pelos fiéis amigos de quatro patas. “Esta é uma oportunidade única para as pessoas conseguirem conviver tanto com cães como com gatos. Tivemos cerca de 200 gatos e 800 cães por dia, de variadas raças. Além disso, foi possível o contacto entre criadores e proprietários desses animais”, explicou em conversa com a Revista Pontos de Vista Rodrigo Abreu, Delegado Técnico Comercial do Canal de Criadores da Royal Canin Portugal. Daí que, para uma marca como esta, deixar de se associar a eventos desta natureza é algo impensável. E estar em Braga é também especial, sendo este já um evento marcado no calendário. “A Expo Animal é uma referência em Braga e é das exposições com maior afluência de público. A cada ano que passa a organização é melhor e é cada vez mais atraente para as pessoas. É uma referência em Braga e todos já sabem que nesta data podem ver os animais”, reforçou o responsável.
expoanimal5Pelo Parque de Exposições de Braga passaram pessoas com gostos, interesses, idades bastante díspares mas com algo em comum: a paixão pelos animais. A Revista Pontos de Vista conversou com uma em particular. Sara Jorge, membro da equipa de Telesales da Royal Canin Portugal, tem um gosto especial por eventos como este e estar ali durante aqueles dias não foi de todo um sacrifício. Porquê? “Quero partilhar o meu entusiasmo com o público. Este tipo de eventos são uma ótima oportunidade para a marca contactar com os donos e transmitir a nossa filosofia. Faz parte da nossa missão educar e permitir aos nossos clientes contactarem com os nossos criadores de cão e de gato”, respondeu entusiasticamente a responsável.
Das dúvidas que chegam, a questão da obesidade animal tem ocupado uma atenção especial. Este distúrbio nutricional tem merecido a preocupação dos donos que chegam à equipa da Royal Canin com um conjunto de perguntas: “o alimento que estou a fazer é o mais adequado? Tenho de controlar a dose diária? Posso fazer complemento com alimento húmido? Estou a cometer algum pecado com as guloseimas?”, descreveu Sara Jorge. Para todas as dúvidas, há uma resposta pronta e esclarecedora de uma equipa de profissionais, de apaixonados, de pessoas que vestem diariamente a camisola e que assumem uma filosofia espontaneamente: “o animal em primeiro lugar”.

Impacto da crise nos cuidados a ter com animais de estimação
“Noto precisamente o contrário. Cada vez há uma maior procura por informação e uma crescente preocupação com o animal e o seu bem-estar. Acredito que o público está hoje mais informado e sabe que a alimentação é preponderante para a saúde do animal e, por isso, há uma aposta muito grande nesse sentido”. (Sara Jorge)

“No que respeita à alimentação, esta ajuda a não ter problemas mais tarde e é importante na prevenção. O alimento é a base para uma vida saudável e uma longevidade e os donos dos animais estão conscientes disso, preocupando-se com a alimentação.” (Rodrigo Abreu)

expoanimal9O que foi possível encontrar no stand da Royal Canin?
– Espaço de aconselhamento: foram promovidas sessões de esclarecimento e aconselhamento nutricional para todos os donos de cães e gatos para que saibam qual o alimento mais adequado para o seu animal;
– Espaço de animação infantil: o público mais pequeno deu asas à sua imaginação, aderindo com entusiasmo às diversas atividades lúdico-pedagógicas;
– Passatempos: Roda do conhecimento (foram testados os conhecimentos do público com questões relacionadas com a nutrição e alimentação do animal) e Jogo das chaves, a partir do qual o participante se habilitou a um, dois ou três meses de alimentação gratuita.

Revista Pontos de Vista – Como é que a Royal Canin se prepara para este tipo de eventos?
Rodrigo Abreu – Em primeiro lugar, a marca tem de garantir que o evento vai de encontro à sua política de bem-estar animal. Este é o principal fator para decidir se a Royal Canin vai estar presente ou não. Se não chocar com fatores como o bem-estar e a liberdade do animal, então estaremos presentes, tentando de forma proativa educar e transmitir os valores da marca.

“Queremos melhor comunicação, mais informação, mais coerência”

Francisco Ponciano

Dedicando-se a soluções de comunicação digital, a Semente nasceu em 2005. Com que missão? Como têm conseguido estar à altura dos crescentes desafios nesta área?
Desde 2005 que aplicamos o nosso conhecimento em tecnologias de informação, no desenvolvimento de aplicações de comunicação corporativa, digital signage e interatividade.
Acreditamos que as nossas soluções ajudam a melhorar o funcionamento das empresas. Porque dão resposta às necessidades de comunicar em tempo útil. e com o impacto pretendido. Criámos novas soluções, acrescentámos opções para acompanhar a crescente necessidade de resposta. O trabalho de uma década junto de diversos clientes, com necessidades distintas, permitem-nos hoje afirmar que possuímos uma ampla e sólida experiência na área da Comunicação Digital.

Num mercado em permanente progresso, o Digital Signage apresenta-se como um novo modelo de comunicação, mais dinâmico. Qual a importância deste tipo de soluções no seio da Semente?
O progresso do mercado está assente na exigência que cada um de nós, enquanto consumidor, coloca no dia a dia. Queremos melhor comunicação, mais informação, mais coerência.
Ao contrário de outras formas de comunicação, a Comunicação digital é flexível, interativa, útil, eficaz e até divertida.
Permite uma distribuição dinâmica de conteúdos, para uma audiência segmentada. Comunica no momento e local certo para informar, sugerir e auxiliar nas decisões de compra. Estes objetivos motivam-nos na procura de uma melhoria contínua das soluções que desenhamos.

Adaptabilidade é a principal definição do M Box. Este é um produto que pode ser usado para diferentes finalidades, mantendo a identidade empresarial do cliente. O que importa saber sobre a M Box?
Imagine a nossa solução M Box, não como um produto, mas como uma caixa de ferramentas de comunicação. Para cada tarefa ou projeto de comunicação, utilizamos apenas as mais adequadas. Implementamos soluções diferenciadas e largamente testadas em aplicações de pequena e grande escala, a nível nacional. Por exemplo, as redes de canais REN, BP, CTT, Ikea, e Mar Shopping.
O retorno do investimento em comunicação surge pela redução de custos operacionais, pela eficácia e coerência da comunicação, e pela melhoria da imagem global da empresa.
A performance, qualidade e fiabilidade dos sistemas de comunicação cresceu exponencialmente. Os computadores, monitores e sistemas operativos, acompanharam essa evolução. As nossas soluções não dependem de qualquer hardware específico, por isso adaptam-se. As primeiras aplicações M Box, continuam a funcionar em pleno. Agora mais rápidas e eficazes.

Encarada como uma poderosa ferramenta de comunicação que integra várias tecnologias, o Digital Signage é cada vez mais um meio necessário para responder aos atuais desafios da informação e da publicidade digital?
A Comunicação Digital atravessou a fronteira que separa um produto “nice to have” de um produto “must have”. As empresas sentiram a capacidade de converter uma audiência cativa numa sala (típico ambiente do setor público) – em clientes. Ou aumentam o volume médio de compra por cliente (mais comum no setor privado).E se a comunicação é integrada com a informação de gestão de fila de espera, a apresentação de conteúdos torna-se vital para o bom funcionamento dos serviços. Porque ordena, distrai e informa. Reduz stress no atendimento e facilita a comunicação. A publicidade digital comunica o conteúdo no momento adequado.

Na sua opinião, que barreiras importa derrubar para que este modelo de comunicação seja mais aceite? Qual tem sido o vosso papel?
A principal barreira é explicar que a mudança para digital não é só deixar de usar o papel. Importa fazer perceber às empresas que têm muito a ganhar com uma comunicação eficaz e direcionada. Liberta recursos, melhora a imagem e gera negócio.
O nosso papel tem sido explicar, demonstrar e implementar estratégias de comunicação que atinjam os objetivos. É vantajoso ter uma rede de comunicação que auxilia o cliente, melhora – e reforça – a imagem da empresa.

Com as constantes evoluções tecnológicas, qual é a estratégia de atuação da Semente para continuar a sua afirmação? Podemos esperar novos serviços e produtos?
Alargámos a oferta de soluções de comunicação, com novos produtos. Entre eles, uma solução de alarmística, informação e gestão de movimentos de carga e descarga em cais de mercadorias: a M Cais. Permite a gestão dinâmica, em tempo real, dos movimentos de cada porta. Identificados e sinalizados para facilitar o processo de logística.
Mas a estratégia de afirmação da Semente passa pelo reforço do contacto com o cliente na Loja, de uma forma inteligente. É a comunicação que se adapta ao cliente. É ela que lhe desperta os sentidos. E que motiva e impressiona. Oferece a experiência de “ver” além do exposto. Reconhece o género e apresenta a melhor oferta para aquela pessoa. Utilizamos “beacons” (emissores de baixa energia Bluetooth) para promover o uso o uso das APP nos Smartphones).

Aqui as necessidades são transformadas em resultados

Manuel Amorim

Em termos de custos, sabe quanto representa os gastos com recursos utilizados na pesquisa de informação? De acordo com a agência Datamonitor, 10%. E por ano, quanto tempo pensa que é necessário para encontrar informação mal arquivada? A IDC (International Data Corporation) respondeu: são necessárias seis semanas por ano. Se informação é poder, o que é necessário fazer para que, com esse conhecimento, se tenha vantagem competitiva?
A gestão documental, por muitos encarada como uma forma de equilíbrio administrativo, financeiro e produtivo, é a solução para as perdas de tempo e de recursos, financeiros e humanos e, como tal, a Revista Pontos de Vista foi conhecer a empresa pioneira em Portugal na implementação deste modelo. Tudo começou em 1995, tal como recordou Manuel Amorim, Presidente da ANO, Sistemas de Informática e Serviços. “Nesse momento a gestão documental era ainda um embrião em termos de ideia e de soluções que existiam no mercado, sendo que uma das primeiras entidades públicas a implementa-la foi a Câmara Municipal de Castelo Branco, num evento que contou com a presença da ANO”, recuou o responsável. A tecnologia evoluiu mas não sozinha. Também as necessidades e os negócios sofreram autênticas revoluções e no setor das tecnologias da informação vinte anos são sinónimo de profundas transformações. Daí que, a partir do arranque, há duas décadas, inovação e atenção às tendências do mercado tenham sido as linhas matrizes que têm regido a atuação desta equipa e no campo da gestão documental muito trabalho tinha de ser feito.
A ANO é das empresas com uma carteira de clientes com os mais altos padrões de exigência em termos de gestão documental e gestão de processos. Com cerca de 70% de clientes do setor público, esta equipa tem plena consciência da complexidade destes ambientes e abraçou o desafio. “Revolucionamos a forma de olhar a informação. Colocamos dois atores no centro da gestão documental e de processos: o cidadão ou cliente (no caso de ser uma entidade pública ou privada respetivamente) e o decisor que poderá ser o Administrador ou um Presidente de Câmara, por exemplo. Quem está no centro do circuito é um colaborador que deve ter a informação, a agilidade e as ferramentas que facilitem o seu trabalho. De um lado está o cidadão que tem de ter a informação que precisa em cada momento, do outro lado está o decisor que tem de ter acesso a todo o conteúdo para poder tomar as decisões mais corretas”, explicou Manuel Amorim.

XXXV Colóquio Nacional ATAM – 4 a 7 novembro -Viana do Castelo
XXXV Colóquio Nacional ATAM – 4 a 7 novembro -Viana do Castelo

FutureDoc é “o primeiro de uma nova geração”
Inovação faz parte do ADN desta empresa e, respeitando essa filosofia, a ANO apostou numa nova geração de produtos e soluções na área da gestão documental que respondem à necessidade de desmaterialização do papel. Assim nasceu o FutureDoc, “uma nova e inovadora solução que dá um salto para o futuro”. Assumindo-se como “o primeiro de uma nova geração”, o FutureDoc passa pela simplicidade do interface, às novas funcionalidades e à aposta na personalização do ambiente.

Portugal como referência
Graças a empresas como esta, Portugal é um exemplo a seguir na área da gestão documental e do governo eletrónico. O “eGovernment Factsheets”, publicado em março último, assim o comprova. Portugal não está aquém, pelo contrário. Fica na linha da frente, muito acima da média dos países europeus, no campo da prestação nacional no domínio do governo eletrónico. Mas falha, como tantos outros países, numa vertente em particular: as pessoas, a formação e a visão delas sobre a informação. “Desmaterialização pode ser visto por uns como uma evolução mas pode também ser encarada como uma perda de poder”, ressalvou Manuel Amorim e, como tal, na hora de implementar um projeto de gestão documental, importa dar um especial tratamento às pessoas. “Elas são o centro de tudo”, acrescentou o Presidente da ANO, recordando um episódio vivido em Pernambuco, no Brasil: “há quatro anos implementamos lá este sistema e curiosamente nos dias de formação as pessoas desapareciam. Tivemos de colocar uma carrinha a fazer a recolha pela cidade porque havia muito receio. Os chefes tinham medo de perder poder e os funcionários tinham receio de mostrar as suas deficiências”. Importa, por isso, concentrar energias e recursos na formação das pessoas uma vez que o sucesso ou insucesso de um projeto dependerá sempre delas.

Gestão documental é vista como uma “commodity”
Se, por um lado, a principal dificuldade consiste em transmitir a ideia de que a desmaterialização é uma oportunidade para a empresa se reinventar, por outro lado, as vantagens saltam bem à vista. Fugindo ao senso comum, Manuel Amorim não acredita que a primeira mais-valia esteja associado ao ROI (Retorno sobre o Investimento) uma vez que nem sempre é possível fazer essa análise exata e correta. Para um gestor importa sobretudo levantar duas principais questões: “se tenho, quais são as vantagens? Se não tenho, quais são as desvantagens?” A gestão documental como uma ferramenta transversal a todas as profissões, setores de atividade ou departamentos, é sinónimo de rapidez e de competitividade. “Se os meus concorrentes adotaram, eu estou em desvantagem porque eles consultam informação, têm um contexto dos documentos de uma forma mais rápida e, portanto, estão posicionados à minha frente para poderem agir contra mim”, contextualizou o responsável. Rapidez no acesso à informação e nas respostas ao mercado são, por isso, os dois principais chavões.
E é com confiança que a ANO tem conseguido dar essas respostas. Mais uma vez, se informação é poder, os clientes têm de depositar nesta entidade total e integral confiança. E a confiança não se compra, conquista-se. Não se descreve em palavras mas traduz-se em ações. A nível empresarial ou estatal, a ANO tem nas suas mãos informações muito sensíveis e protege-las é uma missão diária que se interliga, em primeira instância, com as práticas internas da organização, a começar pela certificação ISO 27001, o padrão e a referência internacional para a gestão da Segurança da Informação. “Esta norma criou uma maior consciência na equipa do quão importante é a informação. Temos um auditor interno e outro externo e é ainda feita anualmente uma auditoria por parte de uma entidade estrangeira que verifica se o conjunto de práticas está de acordo com a norma”, descreveu. Desde muito cedo que a ANO investiu na qualidade e na segurança dos seus processos e procedimentos e é essa garantia que tem procurado passar em todas as suas ações, tendo ainda, além desta, a Certificação de Qualidade ISO 9001.

Exigência na contratação
Desde o cuidado na seleção de perfis até aos parâmetros obrigatórios ao nível técnico e pessoal, a ANO é uma das empresas mais exigentes ao nível da contratação de pessoal. Mas há desde logo uma tendência. “Para mais de 60% das pessoas que cá trabalha este foi o seu primeiro emprego. Damos preferência a jovens licenciados porque permite fazer uma seleção mais criteriosa das pessoas, das atitudes e do seu desenvolvimento técnico”, explicou Manuel Amorim. Apesar de não ser regra, esta tem sido uma forte aposta da ANO, marcando presença em feiras especializadas nesta área, como por exemplo a Feira Internacional de Emprego da Universidade do Porto (FINDE.UP).
A exigência em termos técnicos é também crucial, não estivéssemos numa empresa que, tecnologicamente falando, caminha muito rápido. “Os nossos colaboradores têm de ter uma capacidade de não acomodação, o que nas áreas de desenvolvimento e programação não é muito fácil. A pessoa adapta-se a um programa e vai ficando fora do mercado sem ter consciência disso”, ressalvou o responsável. A par disso, e ao mesmo nível do desempenho, a ANO valoriza as atitudes. “A falha numa vertente é a falha nas duas”, reforçou Manuel Amorim. Depois disso, cabe à organização acarinhar os seus recursos humanos e apostar neles, tal como comprova o plano de investimento em formação que terminou em 2013 e cujo valor rondou os 200 mil euros.
No momento, além de estar a ser moldado um novo plano de formação interna, são ambiciosos os “céus” por onde a ANO se quer aventurar. Não falando do futuro mas de algo que já está a acontecer, Manuel Amorim mencionou o Projeto e-Freguesias. “Implementamos a gestão documental, de processos e os portais de atendimento em mais de 1200 freguesias. Trata-se de uma ideia que será potenciada para outras áreas dentro do mesmo conceito que consiste em trabalhar com organizações que, por si só, são pequenas e têm poucos recursos mas, num ângulo mais macro, têm uma grande dimensão”, evidenciou. Desburocratizar, desmaterializar e simplificar são os três eixos deste ambicioso projeto com a assinatura ANO.
Se estes 21 anos de existência foram construtivos, os próximos serão promissores. “Os nossos objetivos passam pelo fortalecimento da nossa presença no mercado nacional, pela aposta na disponibilização de serviços em SaaS (Software as a Service) e pela consolidação no mercado internacional, sobretudo nos países lusófonos e em alguns países europeus na área da contratação eletrónica, nomeadamente em Madrid com a abertura para breve de um escritório”, concluiu Manuel Amorim. Depois disso, a ANO seguirá naturalmente o seu rumo consoante a evolução do mercado.


Principais produtos e serviços:
– FutureDoc (Gestão Documental);
– GSP (Gestão e Seguimento de Processos);
– anoGov (Plataforma eletrónica de contratação pública);
– inovAqua (Gestão comercial de água e resíduos);
– anoBi (Business Intelligence);
– SGA (Software de gestão de atas e reuniões);
– SMOT (Sistema de monotorização do terreno);
– Software de contraordenações;
– Portais;
– Cartão de Munícipe.

Principais certificações e distinções:
– ISO 9001:2008;
– ISO 27001:2013;
– CMMI;
– PME Líder;
– Prémio “Melhor software de produtividade” para o STC – Software de Trânsito e Contraordenações (2002).

No desenvolvimento de tecnologias a ANO conta com o apoio das seguintes entidades:
– INOV (Projeto SMOS – Sistema de Monitorização de obras via satélite);
– INESC-ID (Projeto SiTAF: Software de transcrição de voz);
– UTAD (Projeto interoperabilidade e usabilidade da Plataforma Eletrónica de Contratação Pública anoGov e Catálogos Eletrónicos no âmbito do PEPPOL).

Mensagem do Presidente da ANO, Manuel Amorim
“Orgulhamo-nos do percurso da ANO, com mais de duas décadas de existência. Agradecemos aos nossos clientes a confiança que em nós depositam, reafirmo que é por eles que mantemos vivo o nosso dinamismo e a nossa capacidade de inovação e, por isso mesmo, posso também reafirmar que: os problemas dos nossos clientes são os nossos desafios!”

ANO em números
– Mais de 35 milhões de euros investidos em software;
– 30% da faturação investida em investigação e desenvolvimento de novos produtos;
– Mais de 700 clientes;
– Mais de cem mil utilizadores.

“Encontro de Utilizadores” – Istambul
Istambul é considerada a “cidade onde o ocidente e o oriente se encontram e que sempre soube acompanhar os tempos, renovando e reinventando-se”. Este foi, por isso, o palco escolhido para um encontro onde a ANO deu a conhecer a sua aposta numa nova geração de produtos e a estratégia da empresa para o futuro no passado mês de abril (18 a 21). Durante o evento, houve lugar ao lançamento oficial do primeiro produto desta nova geração: o FutureDoc, “o primeiro de uma nova geração”. Paralelamente, o encontro ficou marcado pela promoção e partilha de informação entre todos os intervenientes.

A Estatística ao serviço da Educação

Luísa Canto e Castro Loura

Melhores Dados, Melhores Vidas! É este o lema da segunda edição do Dia Mundial da Estatística. É um facto que, com o avanço da tecnologia, o processo de recolha de dados ficou extraordinariamente facilitado e há agora que canalizar um maior esforço para a sua organização e interpretação, tendo sempre como objetivo último contribuir com mais e melhor informação.

Imaginem as lições que não se poderão tirar de todos os dados que vão alimentando anualmente os sistemas de informação do Ministério da Educação e Ciência: dados sobre mais de 2 milhões de alunos – idades, escolaridade dos pais, apoios e bolsas, resultados escolares; dados sobre mais de 180 mil docentes – formação de base, horas letivas, horas para apoio e tutoria, horas para gestão. E, ainda, dados sobre percursos no ensino superior, percursos na investigação, níveis de publicação científica, despesa em I&D no Estado, nas Instituições de Ensino Superior e nas Empresas.

É este o grande desafio para a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência: os dados só são úteis quando se transformam em informação. E é aí que deverá entrar a Estatística enquanto “arte de fazer falar os dados”.

Mas, perante bases de dados de tão grande dimensão, como agilizar o seu tratamento estatístico? Como promover a utilização de metodologias estatísticas mais sofisticadas que permitam revelar padrões, fazer benchmarking e tornar estes dados efetivamente úteis às escolas, às instituições de ensino superior, às famílias e a toda a sociedade?
Estando o país num período de grande contensão financeira houve que apostar fortemente no desenvolvimento dos recursos internos da DGEEC: dotando as equipas técnicas de conhecimentos sobre as mais recentes ferramentas de exploração de bases de dados; desenhando um plano de formação que conduzisse a uma maior capacidade interna para desenvolver estudos estatísticos; organizando seminários e fóruns de discussão sobre os trabalhos em curso.

E houve também que tornar mais ágil o acesso às bases de dados por parte dos investigadores. O seu papel é absolutamente crucial nesta ambição de delas retirar o máximo possível de ensinamentos sobre o que determina a maior eficácia educativa e sobre o que estará subjacente a percursos escolares de sucesso.

A investigação estatística na área da Educação debate-se com uma questão de fundo que é característica das ciências sociais: a sua principal variável de interesse – o nível de conhecimentos adquiridos pelos alunos – não é passível de ser medida diretamente, classificando-se, por isso, como variável latente. Os valores que se obtêm após aplicação dos instrumentos de medida (testes/exames) estarão certamente correlacionados com os da variável latente de interesse mas a identificação da forma como se estrutura essa correlação está longe de ser uma questão de resposta imediata. Perante esta dificuldade de medição do nível de conhecimentos, a avaliação de todos os alunos através de um mesmo exame é a única forma que um professor tem para comparar o nível e progresso dos seus próprios alunos com o nível e progresso dos restantes alunos do país e, assim, ajustar e aperfeiçoar as suas estratégias de ensino.

Os exames nacionais têm, pois, uma importância chave na construção de indicadores que permitam mostrar a cada escola, não só os seus pontos fortes (por comparação com todas as outras) como, também, aqueles onde necessita de um maior reforço e atenção. Exemplo de um desses indicadores é o da “progressão relativa”, disponibilizado no portal Infoescolas (www.infoescolas.mec.pt). A “progressão relativa” foca-se nas disciplinas de Matemática e de Português e, em termos gerais, o que se calcula para cada uma das disciplinas é a progressão dos alunos da escola, face à média nacional, entre o 4.º e o 6.º ano de escolaridade, entre o 6.º e o 9.º ano de escolaridade e entre o 9.º ano e o 12.º ano de escolaridade. A média nacional serve de fasquia, igual para todos, avaliando-se, para cada aluno, a subida ou a descida em relação a essa fasquia entre o ano de entrada e o ano de saída. Agregando para todos os alunos da escola, estabelece-se assim um indicador que reflete, de algum modo, a capacidade desta em dotar os seus alunos de conhecimentos que lhes permitam ter resultados nos exames que os coloquem numa melhor posição relativamente à média nacional que aquela em que estavam à entrada.

Já para se tirar conclusões estatísticas sobre a eficácia das estratégias de ensino, uma simples comparação de médias é, em geral, insuficiente, pois há que ter em conta a diversidade dos pontos de partida dos alunos e os possíveis impactos do ambiente escolar, o que obriga ao desenvolvimento de modelos com um elevado grau de complexidade. O potencial para investigação é virtualmente ilimitado e, sendo disso consciente, tem a DGEEC dado prioridade à promoção de formas ágeis que permitam o acesso seguro aos dados por parte dos investigadores, garantindo o indispensável apoio técnico. Neste momento de comemoração de mais um Dia Internacional da Estatística, fica aqui o apelo aos investigadores para que apostem nesta área de indiscutível importância para o avanço da sociedade.

“Temos de reforçar o ensino da estatística”

Maria Eduarda Silva

Na missão assumida desde o início pela Sociedade Portuguesa de Estatística de promover, cultivar e desenvolver no nosso país o estudo da estatística, as suas aplicações e ciências afins, quais são as limitações que vão encontrando? O que tem impedido uma maior consciencialização acerca da real importância desta disciplina?
É uma questão cultural. As mentalidades demoram a mudar: estatística são números e os números não interessam. O mundo está a mudar rapidamente e a literacia estatística será para a próxima geração o que o saber ler e escrever foi para as gerações passadas. O sistema de ensino é o local privilegiado para passar a mensagem. À semelhança de outros países temos de reforçar o ensino da estatística, em particular o ensino pós-graduado. Aqui deparamo-nos com dificuldades porque mestrados e doutoramentos, em geral trabalhos multidisciplinares, estão dependentes de um sistema de investigação robusto na área. E têm-se observado nos últimos anos cortes gravosos e discriminatórios quer a grupos de investigação, quer em projetos e bolsas de doutoramento em estatística, colocando em causa a formação de especialistas que uma sociedade moderna e desenvolvida requer.

Com a realização do congresso anual, de seminários, a publicação do Boletim Informativo da SPE, não esquecendo o Prémio Estatístico Júnior 2015, entregue numa sessão aberta que decorreu na FNAC de Santa Catarina no Porto, a SPE coloca a estatística na ordem do dia. Importa promover uma maior união entre profissionais da área e não só para que exista um maior interesse por esta área?
Esta é uma questão que nos tem preocupado. Os nossos sócios não são apenas docentes com carreira universitária ou matemáticos pois encontram-se estatísticos em todos os setores e áreas de atividade. É necessário estabelecer pontes duradouras entre todos os interessados. A SPE quer potenciar estas ligações e fazer do congresso um fórum privilegiado para isso.

Num momento em que os portugueses atravessam um período conturbado na procura de emprego, importa estimular nos jovens um maior interesse por esta área, encarando-a como um futuro caminho profissional? Qual tem sido o papel da SPE neste sentido?
Estamos a entrar numa época de um tremendo crescimento na procura de profissionais de estatística, dada a globalização na recolha de dados possibilitada pelas novas tecnologias. A profissão “Cientista de Dados” foi alcunhada de profissão mais sexy do século XXI. Mas também na área governamental se vai sentir fortemente a necessidade de estatísticos uma vez que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável vai requerer um grande esforço de estatísticos em todo o mundo. Por exemplo, recentemente o INE procedeu ao recrutamento de 20 especialistas…

No passado dia 20 de outubro assinalou-se mais uma vez o Dia Mundial da Estatística. Neste e em todos os dias do ano, que mensagem continua a ser urgente passar?
Em 2013 celebrou-se o Ano Internacional da Estatística e, desde então, multiplicam-se as iniciativas sobre uma ciência que faz parte do quotidiano de todo o cidadão. Mas o poder político reconhece também a importância dos dados estatísticos e da sua fiabilidade como instrumento indispensável à elaboração de políticas com vista ao desenvolvimento sustentável das nações e à erradicação da pobreza. A SPE e outras sociedades congéneres assinaram uma declaração que apela a que: todos os sistemas estatísticos oficiais sejam devidamente financiados; o investimento em investigação e formação em estatística seja reforçado; o apoio à recolha de informação seja complementado com o apoio à sua transformação em informação útil e usável. A mensagem é sintetizada no lema: Melhores Dados, Melhores Vidas.

Para o futuro, qual continuará a ser a estratégia e a linha de atuação da SPE para que a estatística deixe definitivamente de ser vista como uma “ciência invisível” e seja valorizada como parte integrante de todos os quadrantes da sociedade?
A visibilidade da estatística requer um trabalho continuado. Por exemplo, a  iniciativa Explorística, que ganhou o prémio Best Cooperative Project Award in Statistical Literacy 2015, destina-se a promover a literacia estatística junto dos mais jovens. Os Prémios Estatístico Júnior promovem a atração de jovens talentos para a estatística. Mas queremos mais. Queremos que o tecido empresarial entenda o valor acrescentado que a estatística pode ter nas suas decisões de investimentos e que cada vez mais nos procurem. É necessário estabelecer pontes duradouras entre a indústria e a academia. Recentemente, o INE criou a carreira de especialista estatístico. Estamos, pois, a caminhar para que em Portugal a estatística adquira o reconhecimento social que já tem noutros países.

Resolução Alternativa de Litígios de Consumo: novas regras e novas coimas

Margarida Roda Santos

Entrou em vigor no passado dia 23 de setembro o Decreto-Lei n.º 144/2015, de 8 de setembro, relativo à resolução alternativa de litígios de consumo (RAL) não obstante estabelecer um período de seis meses para que as entidades visadas se possam adaptar. Transpõe-se assim a Diretiva 2013/11/EU a qual, e bem assim a legislação nacional, deve ser interpretada e aplicada em conjugação com o Regulamento 524/2013, sobre a resolução de litígios de consumo em linha (“online”) (RLL), que entrará em vigor em janeiro de 2016, e que introduz também mais uma sigla ao direito do consumo, para além da sigla RAL.
A possibilidade de resolução alternativa de litígios de consumo via centros de arbitragem, no que diz respeito a litígios nacionais, bem como a utilização dos mecanismos de resolução alternativa de litígios de consumo transfronteiriços, via Centro Europeu do Consumidor, não são novas para a realidade portuguesa. Mas também não foi a inovação objetivo, mas sim uma maior harmonização entre os Estados-Membros, introduzindo uma organização à escala comunitária, em rede, atribuindo competências transfronteiriças às entidades de RAL, e impondo uma muito maior divulgação destes meios junto dos consumidores.
Um consumidor, independentemente do seu Estado-Membro de residência, poderá mais facilmente recorrer a RAL para procurar ver resolvido um qualquer litígio que o oponha a um comerciante localizado noutro Estado-Membro, sendo que para compras na Internet o próprio procedimento passa a ser iniciado através de um formulário online – a via RLL – que é posteriormente remetido a uma entidade de RAL nacional.
Relativamente à solução adotada no direito nacional é importante salientar que o novo Decreto-Lei permite que as entidades de RAL cobrem aos consumidores uma taxa “de valor reduzido” para assegurar um procedimento de RAL. Esta solução vem ao encontro da recente realidade em Portugal, uma vez que o Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Lisboa que, historicamente, sempre assegurou a gestão dos litígios de forma gratuita, em março de 2015 implementou uma taxa inicial de € 10 para a fase de medicação e, não sendo obtido acordo na fase de mediação, uma taxa de arbitragem para montantes acima de € 200, variável em função do valor do litígio, entre € 20 e € 40.
Há ainda que referir que o novo Decreto-Lei também permite às entidades de RAL recusar o tratamento de um litígio caso o consumidor não tenha tentado previamente contactar o fornecedor ou prestador de serviços em questão, para expor a sua reclamação e procurar resolver o litígio, pelo que é recomendável que os consumidores procurem sempre contactar primeiro as empresas com vista à resolução dos problemas que possam surgir.
Em teoria, todas estas medidas servem para reforçar a confiança dos consumidores no mercado único, especialmente no comércio eletrónico, mas em nossa opinião, só teriam efetivo efeito se a RAL fosse obrigatória e não apenas facultativa como já sucedia, o que não foi alterado pelo novo Decreto-Lei, antes complicando e introduzindo mais obrigações aos comerciantes que já voluntariamente aderiam ou que pretendam agora aderir. Com este novo regime, os comerciantes que pretendam transmitir confiança aos consumidores, aceitando vincular-se à partida a entidades de RAL, ficam agora obrigados a informar os consumidores relativamente às entidades de RAL disponíveis ou a que se encontram vinculados por adesão ou por imposição legal decorrente de arbitragem necessária, devendo ainda informar qual o sítio eletrónico na Internet das mesmas.
Estas informações devem ser prestadas de forma clara, compreensível e facilmente acessível no site dos comerciantes, caso exista, bem como nos contratos de compra e venda ou de prestação de serviços entre o comerciante e o consumidor, quando estes assumam a forma escrita ou constituam contratos de adesão, ou ainda noutro suporte duradouro. O não cumprimento desta obrigação acarreta uma coima de valor entre € 5.000,00 e € 25.000,00.
A experiência diz-nos que os comerciantes que pretendem dificultar a resolução de litígios com consumidores, optam por não se submeter a entidades de RAL, ou seja quanto a este ponto nada vem o regime alterar pois a submissão a entidades de RAL continua a não ser obrigatória. Para aqueles cuja ética comercial passava já por normalmente se submeter a centros de arbitragem, e que queiram apresentar essa sua política aos consumidores como uma vantagem, esta lei gera apenas novas obrigações e coimas pelo incumprimento, ou seja pode até ter o efeito perverso de desincentivar a submissão às entidades de RAL, o que é claramente contra o que deveria estar na mente do legislador quando transpôs a Diretiva.
Seria de muito maior importância e relevância – e a Diretiva permite margem para tal – que se estabelecesse, para o comércio eletrónico, a submissão obrigatória dos comerciantes a entidades de RAL, mantendo o direito de recorrer aos tribunais para pôr em causa decisões desfavoráveis. Esta opção traria efetiva melhoria da confiança dos consumidores no comércio eletrónico.

Engenharia de Materiais apresenta-se à sociedade

Paula Vilarinho e Manuela Oliveira com Luís Gil, Vice-Presidente da SPM

O objetivo fundamental do evento prende-se com a extrema necessidade de se dar a conhecer esta engenharia, essencial no dia-a-dia de qualquer ser humano. A presidente da SPM considera ser “obrigação” da instituição divulgar esta ciência e “torna-la visível e entendível para o público em geral”. Porque “os materiais são transversais a todas as áreas”. Desde a cadeira onde nos sentamos à roupa que usamos, refere. E sendo uma engenharia que nos acompanha desde a criação do Mundo, mas com papel próprio apenas desde os anos 50, o conhecimento por parte da sociedade civil é mais diminuto. Deste modo, é importante a organização de momentos que permitam transmitir a relevância dos materiais e, nomeadamente, do que tão bom se faz em Portugal. Académicos, profissionais da área e público em geral são convidados a participar num evento que se dedica inteiramente aos Materiais que acompanham o desenvolvimento humano, social, tecnológico e económico.

Por outro lado, o certame pretende também eleger e congratular as melhores teses  de mestrado no âmbito da Engenharia de Materiais desenvolvidas nas instituições universitárias nacionais. Este ano, a SPM atribuiu o prémio a Ana Correia, do Departamento de Ciência dos Materiais da Universidade Nova de Lisboa, pela sua tese “A Second-Order ∑∆ ADC using sputtered IGZO TFTs with multilayer dielectric”  [ver caixa de texto]. Esta e outras teses que estiveram igualmente a concurso pelo seu mérito e qualidade enquanto trabalhos de investigação são apreciadas durante o Encontro por um júri especializado e, de igual modo, por diferentes players da indústria. Isto porque, segundo Paula Vilarinho, esta apresentação de trabalhos permite “mostrar [aos industriais] o que de bom se faz” nas universidades e centros de investigação em Portugal, na área de Ciência e Engenharia de Materiais. Deste modo, académicos poderão conhecer aqueles que serão, provavelmente, os seus futuros empregadores. Manuela Oliveira concorda com a opinião da presidente da SPM e afirma que estes eventos são fundamentais “para transferir o conhecimento para as empresas. A inovação é feita nas empresas, mas é preciso que o conhecimento chegue lá”. Esta é uma preocupação clara da SPM, que tenta aproximar estes dois mundos unidos pela engenharia de materiais. Porque este é, na opinião da presidente da SPM, um casamento perfeito: “a indústria tem um papel muito bem definido, produzir com a melhor qualidade e nas melhores condições”. Por sua vez, “a ciência tem uma função diferente, deve apresentar soluções novas para os problemas” existentes na indústria. E neste sentido um trabalho conjunto seria o ideal, apesar de ser uma missão difícil não apenas em Portugal, mas em todo o mundo. Por este motivo é tão importante que entre a SPM e Ordem se criem parcerias e eventos, como o Dia Mundial dos Materiais e o Encontro Nacional do Colégio de Engenharia de Materiais. E Paula Vilarinho explica porquê: a SPM está mais próxima da investigação e desenvolvimento e a Ordem está mais próxima dos engenheiros”. E uma vez que estes “desenvolvem normalmente a sua profissão na indústria”, o casamento entre as duas entidades torna-se crucial para a evolução da área.

Balanço do Encontro

Manuela Oliveira fez um balanço entusiástico sobre aquele que foi o XV Encontro Nacional do Colégio de Engenharia de Materiais e o Dia Mundial dos Materiais 2015. Além do momento dedicado às teses a concurso, o evento dedicou-se também ao debate sobre a importância na economia nacional dos materiais polímeros, cerâmicos e cortiça.. O debate contou com a presença de profissionais do sector, investigadores, académicos e alunos. A Secretária-Geral da SPM ressalva a interesse destes acontecimentos, pela importante partilha de conhecimentos e experiências entre os vários atores da área.

Um dia que vale por dois

SPM e Ordem dos Engenheiros coligaram-se no sentido de comemorar um dia que vale por dois, porque, desde 2003, o Encontro acontece anualmente numa organização conjunta entre as duas instituições e na data em que se comemora o Dia Mundial dos Materiais. É celebrado na primeira quarta-feira de novembro e resulta de uma ideia avançada pela FEMS – The Federation of the European Materials Societies, que imediatamente teve o apoio incondicional da SPM e do Colégio de Engenharia de Materiais da Ordem dos Engenheiros. A missão deste dia passa por mostrar a nível global a importância desta área e promover uma comemoração alargada às diferentes sociedades e instituições ligadas à engenharia de materiais.

Prémio SPM

Ana Correia
Ana Correia

A edição de 2015 contou com cinco teses a concurso. Contudo, e apesar da qualidade de todos os projetos, apenas um pôde ser congratulado com o primeiro prémio da SPM: “A Second-Order ∑∆ ADC using sputtered IGZO TFTs with multilayer dielectric” [“Um conversor analógico digital de segunda ordem, usando transístores de filme fino de óxido multicamada depositado por pulverização catódica”], da autoria de Ana Correia, do Departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Ana Correia explica que “este projeto combina Ciência dos Materiais e Engenharia Eletrotécnica para implementar, pela primeira vez, um ∑∆ ADC (conversor analógico-digital) de 2ª ordem, usando TFTs (transístores de filme fino) de óxido”. “Após otimização do circuito, as simulações do ADC demonstraram, em relação aos principais parâmetros de desempenho dinâmicos, valores melhores que os permitidos por outras tecnologias de filme fino, como orgânicos ou mesmo silício policristalino de baixa temperatura (LTPS)”. Assim, refere a autora, este trabalho “implementa, pela primeira vez, TFTs de óxidos num ∑∆ ADC (conversor analógico-digital) de 2ª ordem, representado assim um forte impulso na integração desta tecnologia em circuitos e sistemas com elevado grau de complexidade” e promove “o desenvolvimento de novas arquiteturas adaptadas à tecnologia”.

A SPM atribuiu ainda duas menções honrosas. Bianca Castanheira Caratão, do Departamento de Física da Universidade do Minho, foi gratulada com a primeira menção, pelo trabalho “Desenvolvimento e fabrico de estruturas para aplicações biomédicas por electrospinning”. E Paul Grey, do CENIMAT/i3N da Universidade Nova de Lisboa foi distinguido com a segunda menção honrosa pelo seu projeto “Development of Electrochromic Thin-Film Transistors on Flexible Substrates” [“Desenvolvimento de transístores eletrocrómicos de filme fino em substratos flexíveis”].

Quem é Paula Vilarinho?

Formada em Engenharia Cerâmica e do Vidro e doutorada em Ciência e Engenharia de Materiais, Paula Vilarinho é uma profissional reconhecida na sua área não apenas em Portugal, mas a nível internacional. Encontra-se entre as 100 mulheres cientistas que mais e melhor contribuíram para o desenvolvimento internacional dos Materiais Cerâmicos. Esta nomeação é-lhe atribuída por Lynnette D. Madsen, diretora do programa em Cerâmicos da National Science Foundation (NSF) dos Estados Unidos da América (EUA), no seu livro “Inspirational Profiles of Successful Women: Ceramic and Glass Scientists and Engineers”, editado em 2015.
Além de Presidente da Sociedade Portuguesa de Materiais, Paula Vilarinho acumula ainda funções como Professora Associada da Universidade de Aveiro; Coordenadora do Grupo Eletrocerâmicos do CICECO – Aveiro Institute of Materials; Coordenadora Portuguesa do Programa das Tecnologias Emergentes no âmbito da parceria Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT) e Universidade do Texas, em Austin, EUA; Diretora de Curso de Estudos em Engenharia de Materiais da Universidade de Aveiro; Membro do Comité Científico do Programa de Doutoramento em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade de Aveiro.

ASL Associados, uma empresa onde se trabalha com paixão

Equipa ASL

Sempre que seja viável, António Lessa defende “categoricamente” a reabilitação urbana. Porque reabilitar “significa respeitar os edifícios e a sua originalidade, mas dotá-los de condições de conforto, de bom desempenho acústico e térmico, entre outras valências”. Porque reabilitar significa dar uma nova vida aos centros das cidades e às zonas históricas. No Porto, cidade onde se encontra sediada a ASL Associados, houve um “conjunto de fatores” que promoveram a reabilitação em detrimento da construção de raiz. Após lidar com uma situação de desertificação, foi necessário promover o regresso não apenas de habitantes, mas também de turistas. Neste contexto, os voos low-cost tiveram aqui um papel determinante. Por outro lado, a queda dos financiamentos, a crise económica e o empenho por parte dos agentes políticos permitiram um novo olhar sobre a cidade invicta.

Deste modo, a reabilitação tornou-se um conceito cada vez mais procurado e, neste sentido, a ASL Associados apresenta-se como o parceiro ideal. António Lessa assume que, no âmbito da reabilitação urbana, se diferenciam da concorrência pela experiência neste tipo de projetos, pelo “diagnóstico” realizado aos edifícios e pela visão integrada que têm do projeto. Neste contexto, António Lessa adianta que “nos dois últimos anos fomos responsáveis pelos projetos de 50 prédios, só no centro da cidade do Porto”.

A reabilitação pretende manter os materiais e estruturas existentes recuperando-as e reforçando-as, para se manter os detalhes de época, aliando a introdução de novos elementos capazes de satisfazer e adaptar o edifício às necessidades contemporâneas de habitação.
Por outro lado, assumem ainda o papel de gestores de obras, através do qual executam a fiscalização e o acompanhamento total do projeto. Um terceiro fator que coloca a ASL Associados numa posição de destaque é a realização de “projetos ao nível das várias disciplinas da engenharia”, seja “engenharia civil, eletrotécnica ou mecânica”. Sónia Gomes afirma que a grande mais-valia é a possibilidade de o cliente “falar com um único interlocutor”. E, neste contexto, refere a importância de uma equipa organizada, flexível e com condições para comunicar entre si. António Lessa reitera esta afirmação, explicando que “com a ASL, fala com o coordenador de projeto” e, desta forma, assegura-se a compatibilidade de especialidades, há uma melhor comunicação e a possibilidade de se perder informação é mais reduzida”.
Neste sentido, e para apresentar uma melhor qualidade de serviço, a empresa começou em 2012 a trabalhar com o Revit, um software BIM, direcionado para profissionais das áreas de engenharia. Este programa permite trabalhar com as distintas engenharias e assegurar “total compatibilidade” entre si, explica o engenheiro.

ASL há 10 anos sempre a crescer
A ASL Associados não se concentra apenas na reabilitação urbana, integrando com a mesma idoneidade projetos de construção de raiz, na área hospital, industrial, escolar e em complexos desportivos. Neste sentido, a empresa divide-se em diferentes unidades de negócio: projeto, certificação energética, fiscalização de obras, laboratório de ensaios acústicos e check-up. Pela postura com que olham os projetos a desenvolver, uma postura íntegra, baseada na qualidade e numa aliança entre estética e conforto, entidades públicas e privadas veem já a ASL como parceira de confiança. Recentemente projetaram a nova sede da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o Hotel Pestana, na Praça do Comércio, em Lisboa, a ampliação da fábrica da Imperial, em Vila do Conde, o complexo desportivo de Ramalde, a reformulação da Escola dos Castelos, entre outros projetos. Têm ainda projetos em curso em Moçambique, Angola e Brasil, designadamente seis estações de comboio na zona de São Paulo.

Certificar para melhorar
Atualmente, a ASL Associados encontra-se em processo de obtenção da certificação ISO 9001:2015, que permite garantir que todas as metodologias de trabalho estão perfeitamente documentadas”, prestando serviços “de forma consistente e coerente”, cumprindo os requisitos legais aplicáveis, garantindo a satisfação do cliente explica Sónia Gomes. Esta certificação permite ainda “proteger a ASL contra perda de conhecimento e melhorar o desempenho e a eficácia da organização”, garante. Num momento em que a empresa se encontra em fase de consolidação, esta certificação vem promover a identificação de situações a melhorar, algo que, na opinião de António Lessa, é “extremamente gratificante”.

Como pode o Portugal 2020 catapultar as empresas de uma economia periférica?

João Machado

Foi no final de março deste ano que, finalmente, o Portugal 2020 abriu a sua porta às empresas através de um manancial de instrumentos de apoio financeiro designados de ‘Sistemas de Incentivo’. Desde esse momento, nenhum stakeholder da economia portuguesa ficou indiferente a este programa, desde empresas-estrela do setor das Tecnologias de Comunicação sediadas em Lisboa, às fábricas de bens de consumo sediadas nas regiões beirãs, passando pelo entrepreneur-to-be que há muito que estuda o mercado e a melhor forma de iniciar o seu pequeno projeto.

O Portugal 2020 é, nada mais, nada menos que o programa que enquadrará a aplicação dos fundos comunitários em Portugal para o período de 2014-2020. Durante este período Portugal vai receber cerca de 25 mil milhões de euros que serão canalizados para a economia nacional sob a forma de estímulo ao crescimento e à criação de emprego. Com uma regulamentação que, no seu essencial, é semelhante à que vigorava no antigo programa 2007-2013 (que ficou conhecido com o QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional), foram definidos como prioritários, quatro domínios de intervenção para a implementação do programa Portugal 2020: I) Competitividade e Internacionalização; II) Inclusão Social e Emprego; III) Capital Humano; IV) Sustentabilidade e Eficiência no uso dos recursos.
Constituindo algumas novidades face ao programa do QREN, o Portugal 2020 destaca-se do seu antecessor devido ao maior número de atividades económicas envolvidas, na introdução de métodos de custeio mais simples e na introdução de processos de reembolso de despesas bastante mais facilitados. Contudo, o processo de candidatura permanece bastante semelhante.
Considerando a maior exigência técnica do Portugal 2020, este programa também faz uso de um processo concursal, no qual terão de ser submetidas as candidaturas até uma data determinada pelo mesmo. As datas em questão são apresentadas nos calendários previsionais que são publicados com bastante antecedência (mas que, até ao momento, pouco foram respeitados).
Relegando para segundo plano as polémicas com a suspensão dos Vales Simplificados na zona de Lisboa devido a um elevadíssimo número de candidaturas rececionado pelas Autoridades de Gestão dos Programas Operacionais, o Portugal 2020 reúne as condições indicadas para ser, não apenas um instrumento catalisador de uma maior proficiência técnica e humana na economia interna, mas também uma plataforma de oportunidades de apoio à internacionalização dos produtos e serviços das empresas portuguesas.
Já ninguém duvida que Portugal possui uma economia recheada de bens e serviços de qualidade elevada, com características diferenciadoras e capacidade de incorporação nos mercados internacionais. Todavia, a imutável condição de player periférico, associada a uma carga fiscal altíssima e a uma recente situação macroeconómica deveras desfavorável, tem travado o crescimento da economia e abafado, consideravelmente, o ímpeto empreendedor do povo português. A emigração em massa registada nestes últimos anos foi apenas uma das inúmeras consequências deste cenário!
O Portugal 2020 surge então como uma lufada de ar fresco junto da comunidade empresarial nacional ao permitir que as empresas vejam diversos tipos de despesas comparticipadas por Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEAMP e FEADER) geridos pela Comunidade Europeia, mediante a apresentação de um projeto futuro bem fundamentado e alinhado com os princípios-base de um Sistema de Incentivo entre as dezenas existentes. Para este programa, salvo algumas exceções, mantém-se o princípio de que o pagamento dos custos previstos na candidatura, por parte destas instituições à empresa candidata, apenas terá efeito mediante a justificação dos mesmos através de faturas pagas ou outros documentos contabilísticos de valor probatório equivalente.
Os agentes económicos nacionais ficam, desta forma, com acesso a uma ferramenta financeira que lhes permite promover a sua competitividade, através do aumento das próprias capacidades técnicas, humanas e operacionais, contribuindo diretamente para o aumento e aperfeiçoamento da capacidade de produção. Por outro lado, as portas da internacionalização também ficam entreabertas com a disponibilização de diversos Sistemas de Incentivo que permitem a comparticipação das elevadas despesas inerentes a uma campanha de internacionalização de uma marca ou empresa e que no passado tantas vezes inviabilizaram esse ‘sonho’ aos empresários portugueses. Na atualidade, com todos estes processos significativamente mais ágeis e as comparticipações a fundo perdido para a internacionalização a ascenderam aos 45%, as empresas portuguesas encontram no programa Portugal 2020, a oportunidade perfeita para iniciarem a exportação dos seus bens ou serviços e aumentarem os seus volumes de negócios para níveis impensáveis para a realidade interna.
Em clima de retoma económica previsional, o programa Portugal 2020 propõe-se assim a contribuir significativamente para a estabilização do tecido empresarial nacional, apoiando-o financeiramente na sua internacionalização e contribuindo para que o mesmo possa almejar níveis de receitas muito superiores. No que diz respeito às consequências tanto no curto, como no médio-longo prazo, as mesmas são imensas e diversificadas. Não obstante, destacamos a consequência principal das economias em crescimento sustentado: a necessidade imensa de indivíduos para trabalhar!

“Reabilitar é ir ao local, conhecer, cheirar, sujar-se”

“O Porto está na moda”. Cláudia Machado, Arquiteta de formação e profissão, não se cansou de recorrer frequentemente a uma expressão que é hoje o cartão-de-visita de uma cidade que fica na memória quer pelo ambiente acolhedor quer pela riqueza do seu património. E é esta riqueza que se pretende preservar. Com a elevação da zona histórica à condição de Património da Humanidade da UNESCO em 1996, pequenos passos começaram a ser dados mas apenas há cerca de oito anos se tem conhecido na íntegra o verdadeiro conceito de reabilitação urbana nesta cidade. Da Sé à Ribeira, hoje, passear por velhas ruas que outrora não eram convidativas tem um sentido diferente e, para tal, muito tem contribuído a atuação da CPPM Arquitectura, um atelier criado em 2006 e que assumiu desde logo como setor estratégico de desenvolvimento a grande temática da reabilitação urbana.

Cláudia Machado
Cláudia Machado

“Arquitetura é uma área bastante abrangente. Temos que conhecer a legislação e saber de construção, o que exige um grande estudo não só do edifício em si mas de todo o processo de construção”

Respeitando sempre, quer seja num projeto de pequena ou maior envergadura, a preexistência e o Património edificado, a CPPM Arquitectura aposta num serviço completo de acompanhamento de todo o processo de licenciamento até à fase de obra, tal como explicou Cláudia Machado, fundadora do gabinete. “Muitas pessoas têm um edifício mas não conhecem o potencial do mesmo e procuram-nos. Fazemos esse estudo prévio e acompanhamos todo o processo, desde licenciamento até à obra”, evidenciou. Mais do que fazer um bom projeto, ir ao local é o fundamental. Não se pode correr o risco de “desenhar sobre incertezas” mas importa “estudar o edifício”. “Para mim é impensável fazer um projeto sem antes realizar um levantamento. Reabilitar é ir ao local, conhecer, cheirar, sujar-se”, defendeu a arquiteta. Só “vestindo a camisola” a CPPM Arquitectura conseguirá prestar um serviço digno a um cliente que muitas vezes desconhece o processo e tem, por isso, que encontrar um parceiro que o ajudará em todas as fases. Isso exige do arquiteto muito mais do que conhecimento de arquitetura. Assim, quer seja para um escritório, um empreendimento turístico, uma moradia ou edifícios de habitação, o processo é sempre o mesmo. “Arquitetura é uma área bastante abrangente. Temos que conhecer a legislação e saber de construção, o que exige um grande estudo não só do edifício em si mas de todo o processo de construção”, definiu Cláudia Machado. Em consonância, em todos os espaços com os quais trabalha há sempre uma preocupação: manter a identidade do edifício. Claro que tudo dependerá do estado de conservação do mesmo mas, sempre que seja possível, a CPPM Arquitectura reaproveita elementos, o que também se traduz numa poupança na construção.

O papel do arquiteto na reabilitação

Inevitavelmente ou não, a verdade é que a reabilitação urbana está hoje na ordem do dia e veio para ficar. Com a crise que se fez sentir no setor da construção civil, este “renascimento dos centros urbanos” trouxe um novo paradigma para a arquitetura portuguesa e, neste novo mundo, qual é o papel assumido pelo arquiteto? “A cidade é feita de arquitetura. O nosso principal desafio prende-se com o método construtivo. Durante muitos anos existiu a construção nova, em altura e em betão. Hoje temos que ter a noção de que não podemos fazer reabilitação nos centros históricos da mesma forma. Deste modo, grande parte dos construtores e arquitetos há mais tempo no ativo tiveram de alterar os seus métodos de trabalho e a sua forma de construir”, partilhou Cláudia Machado em conversa com a Revista Pontos de Vista. E, apesar do boom que se tem feito sentir nos últimos anos, a verdade é que, na perspetiva da arquiteta, tal não se tem traduzido numa diminuição da taxa de desemprego dos jovens licenciados nesta área que, de acordo com algumas estatísticas, é das mais altas da Europa. “Não acredito que a reabilitação tenha trazido mais trabalho, sobretudo aos mais jovens, uma vez que os clientes acabam por procurar arquitetos com mais experiência. Estamos a falar de reabilitação, que exige algum conhecimento construtivo que quando acabamos um curso não possuímos. Falo por mim. Comecei há dez anos e ainda tenho muito para aprender”, defendeu.

“Hoje temos que ter a noção de que não podemos fazer reabilitação nos centros históricos da mesma forma”

E a aprendizagem é constante numa área que ainda tem algumas lacunas ao nível da legislação em vigor. “Grande parte da nossa legislação foi feita para construção nova e nos edifícios a reabilitar nem sempre conseguimos cumprir grande parte das disposições. Já houve alguns progressos com a publicação da lei da reabilitação (DL 53/2014) onde se define um regime excecional para reabilitação de edifícios, mas seria importante haver uma revisão do Regulamento Geral das edificações Urbanas, mais adaptado à reabilitação”, afirmou. Mesmo assim, ao nível do Porto, a arquiteta elogia a atuação da autarquia portuense que muito tem apostado na reabilitação da cidade, não só ao nível da arquitetura, destacando a reabilitação do eixo Mouzinho/Flores, “um exemplo de como o urbanismo pode cativar e atrair as pessoas”.

Saindo do cenário geral da cidade para o universo particular da CPPM Arquitetura, Cláudia Machado não esconde o carinho especial por um projeto com o cunho deste gabinete. Trata-se de uma obra na Praça de Parada Leitão que terminou este ano mas que está a ser estudada desde 2007. “Fica na memória porque começou para ser um hotel e depois acabou por ser algo completamente diferente, sendo agora dois estabelecimentos de restauração e bebidas. O resultado foi bem melhor do que o previsto”, colmatou a arquiteta. É esta “dedicação” e “amor à causa” que Cláudia Machado continuará a abraçar porque só assim será possível afirmar-se num mercado onde todos querem entrar mas só os melhores ficam.

Alguns serviços da CPPM Arquitectura:

– Levantamentos arquitetónicos, tipológicos do edificado e topográficos;
– Pedidos de informação prévia;
– Projetos de licenciamento;
– Projetos de execução (mapa de acabamento, mapa de vãos, medições e cadernos de encargos);
– Consultoria na área da reabilitação e património;
– Fiscalização;
– Acompanhamento de obra e assessoria técnica; entre outros.

 

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