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Ricardo Andrade

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“A NOSSA PRIORIDADE FOI SEMPRE GARANTIR A SEGURANÇA DAS PESSOAS”

A Universidade de Coimbra (UC), é hoje um mais das mais prestigiadas instituições de ensino em Portugal, com, naturalmente, um forte impacto também a nível internacional. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, que caraterísticas reúne a instituição que perpetuam na mesma uma dinâmica de excelência e qualidade ao nível do ensino?
Tendo completado 730 anos de existência em março do corrente ano, a missão da Universidade de Coimbra (UC) assenta em três pilares nucleares: ensino, investigação & inovação, e desafios societais. No entanto, todos estes pilares se cruzam na lógica da internacionalização, que se apresenta como uma ferramenta estratégica de reforço e consolidação do prestígio da Universidade de Coimbra no mundo. Não por acaso fomos recentemente considerados a instituição portuguesa melhor colocada no “The University Impact Rankings” do Times Higher Education (62ª posição), destacando-se a 17ª posição no indicador “Saúde e Bem-Estar”, o terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Analisando o novo normal em que mundo vive hoje, provocado pela pandemia da COVID-19, que impacto teve este cenário na orgânica da instituição e como têm procurado contornar as dificuldades provocadas pela mesma?
A Universidade de Coimbra foi uma das instituições de ensino superior que rapidamente se adaptou e contribuiu para atravessarmos o estado de emergência com melhores soluções, flexibilizando-se e reformatando-se. Os planos de contingência foram amplamente divulgados e de modo bilingue. Para além disso, a UC tem tido um papel de destaque no combate à Covid-19, oferecendo, entre outras coisas, serviços médicos e laboratório de diagnóstico. A nossa prioridade foi sempre garantir a segurança das pessoas, salvaguardando o percurso académico dos nossos estudantes. O ensino remoto foi rapidamente implementado e assimilado positivamente por toda a comunidade académica.

Os alunos do ensino superior a estudar no estrangeiro viveram momentos de stress e ansiedade durante a pandemia. A UC também teve alunos que passaram momentos difíceis e, se sim, de que forma os procurou apoiar?
A Universidade de Coimbra através dos serviços responsáveis pelo acompanhamento destes estudantes estabeleceu um plano de monitorização por mensagem eletrónica, pelas redes sociais e, sempre que necessário, por telefone. A monitorização foi contínua e manteve-se até ao final do ano letivo. Nalgumas situações, houve necessidade de contactar a rede de serviços consulares e as linhas de emergência criadas para o efeito. Na generalidade, os nossos estudantes sempre souberam que estávamos prontos para os ajudar e tivemos uma preocupação de acompanhar as diferentes regras que cada país adotou.

As universidades só agora começaram a reabrir e a mobilidade internacional é ainda uma sombra do que foi sendo, contudo é necessário continuar a promover um programa de excelência e valor. O que tem estado a ser preparado por parte da UC no sentido de continuar a dar seguimento a este programa?
A excelência dos programas de mobilidade deve-se à qualidade da oferta formativa e esta mantém-se, com matriz fundamentalmente presencial. O próximo ano letivo está a ser preparado tendo em conta a realidade da pandemia e constrangimentos decorrentes desta. O acompanhamento próximo do estudante e dos docentes que os orientam, com o apoio das associações de estudantes, nomeadamente a Associação Académica de Coimbra (AAC) e o Erasmus Student Network farão, como é hábito, toda a diferença. Teremos as mesmas sessões de acolhimento dos estudantes, respeitando as regras de saúde pública estabelecidas pelos órgãos competentes.

Como forma de resposta às circunstâncias excecionais provocadas pela pandemia COVID-19, que tem colocado graves constrangimentos e limitações à realização das vossas atividades, a Comissão Europeia vem permitir a possibilidade de implementação de mobilidades virtuais e mistas (presenciais + virtuais) no âmbito dos projetos aprovados. Parece esta uma solução adequada?
O regime misto previsto pela Comissão Europeia é uma solução compreensível no contexto atual. No entanto, não podemos esquecer que o espírito Erasmus, passa pela mobilidade presencial de intercâmbio de experiências e imersão numa cultura diferente. Continuamos a pensar que essa mobilidade física é possível e desejável, mesmo em tempos de pandemia. Um estudante em Coimbra (cidade e universidade) encontrará um ambiente seguro e acolhedor, pelo que devemos olhar de forma positiva para esta nova realidade.

A via digital será ainda mais essencial no domínio do Erasmus+? Como se tem vindo a preparar para este novo modelo a Universidade de Coimbra?
A Universidade de Coimbra foi das primeiras instituições no país a estabelecer o ensino digital. Um estudante Erasmus incoming é um estudante nosso, pelo que usufrui dos mesmos direitos dos estudantes regulares. A via digital será essencial para a desmaterialização e desburocratização dos processos e também aqui a nossa instituição tem dado passos muito relevantes.

Poderá este programa de mobilidade perder a sua essência, se apostarmos em demasia numa dinâmica digital e virtual?
A essência do programa é a verdadeira cidadania europeia, sentirmo-nos em casa em qualquer país europeu. A Comissão Europeia defende a dinâmica virtual, sem nunca abdicar da mobilidade presencial, absolutamente essencial para a partilha de valores e multiculturalidade, pelo que entendo que este programa pode ter novas facetas sem perder identidade.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor, afirmou que haverá uma redução do número de estudantes em programas de mobilidade como o Erasmus, devido à pandemia de Covid-19. Que impacto terá esta redução?
O verdadeiro impacto só pode ser medido no final do próximo ano letivo, pois as instituições de ensino superior funcionam por semestres e havendo mais épocas de candidaturas, haverá no seu conjunto uma nova dinâmica que devemos avaliar como funcionará, sendo neste momento precoce adiantar números.

Com todas estas alterações, pode o Programa Erasmus+ ter o seu futuro em risco?
Não creio, é um programa com mais de 30 anos, bem consolidado, que já perpassou gerações, que não alcança apenas estudantes, mas também docentes e técnicos. Pensar as instituições de ensino superior atualmente fora do contexto europeu é recuar muito em tudo o que se alcançou. Apenas com mobilidade se criam redes inteligentes que produzem conhecimento, inovação e empreendedorismo.

Quais são os grandes desafios da Universidade de Coimbra no que concerne a este programa?
Continuar a promover a mobilidade com os patamares de qualidade que o novo programa Eramus previsto para 2021-2027 ambiciona, de inclusão, sustentabilidade e introdução do novo Erasmus Without Paper, de desmaterialização dos processos.
O processo de internacionalização da Universidade de Coimbra integra os princípios do Espaço Europeu da Educação, emergindo como condutor do crescimento, da solidariedade e da coesão da União Europeia, contribuindo decisivamente para a economia do conhecimento. ▪

“CIDADÃS(ÃOS) MAIS INFORMADAS(OS) SERÃO NECESSARIAMENTE CIDADÃS(ÃOS) MAIS CONSCIENTES DA REALIDADE QUE AS/OS RODEIA”

A AJP – Associação das Juízas Portuguesas surge em 2018, devido à necessidade sentida de promoção e defesa da situação profissional das mulheres magistradas. De que forma debateram o tema e como chegaram à conclusão de que se deveria abraçar esta associação?
A ideia da AJP surgiu num grupo de magistradas após estas se terem apercebido da existência em diversos países de associações de juízas, destinadas a prosseguir, representar e defender os direitos das magistradas judiciais e das mulheres em geral. Considerando que em Portugal a profissão foi franqueada às cidadãs há mais de 40 anos, mas que se mantêm dificuldades específicas nos exercício e integração funcional das mulheres, entenderam as juízas em causa ter chegado a hora de se organizarem em termos semelhantes.

Em diversos países já existiam associações de juízas destinadas a representar e defender os direitos das mulheres magistradas. Sentem que, em Portugal, este caminho ainda só agora começou? Que objetivos se propuseram a concretizar no âmbito desta representação?
O caminho foi sendo anteriormente percorrido, mas em moldes individuais e, por isso, muito penosos. A AJP pretende contribuir para o debate democrático e aberto na sociedade portuguesa, em particular no sistema de Justiça e nas magistraturas, com vista à promoção e defesa da mulher enquanto magistrada, no exercício funcional a que se dedicou profissionalmente.

A International Association of Women Judges, fundada nos Estados Unidos, é atualmente integrada por 4000 membros, em mais de 100 países. Quão importante é para Portugal, que a AJP também integre na organização? Que mais-valias trará ao nosso país?
A mais-valia da integração da AJP numa associação desta natureza é facultar à magistratura portuguesa um contacto estreito com a realidade de outros países, aprendendo a diagnosticar problemas, contribuindo para a formação e aplicação de medidas de combate à discriminação de género no meio em que opera.
Num mundo cada vez mais global e interativo, a partilha de experiências e de conhecimentos beneficiará a sociedade em geral dado que o contacto com a realidade alargada permitirá ao judiciário uma maior permeabilidade e compreensão dos diversos fenómenos sociais que contêm formas de discriminação de género, assim possibilitando uma resposta mais eficaz na prossecução da igualdade.

Acreditam que a reflexão e partilha de experiências entre Juízas são algo significativas? De que forma promovem esta cooperação mútua entre colegas da mesma profissão?
A partilha de experiências e a reflexão sobre a realidade não só permitem aquilatar da normalidade das diversas práticas, bem como da sua desejabilidade, no sentido de conformação destas com valores fundamentais vigentes. Facultam ainda um correto diagnóstico das práticas, permitindo libertar a análise do casuísmo inerente a cada situação, facilitam a compreensão da realidade e, finalmente, promovem o estabelecimento de soluções.
A AJP encontra-se empenhada em estabelecer o diálogo, troca de experiências e reflexões, pretendendo gerar um clima de confiança entre juízas, através das ações que empreendeu e que, num futuro próximo, irá concretizar, promovendo fóruns sobre temas que surjam como importantes para as magistradas e mulheres em geral, e bem assim através da realização de conferências ou diálogos com profissionais de saúde, de segurança e da área laboral, que permitam que, sem constrangimentos, as associadas se sintam confortáveis para contribuírem com as suas experiências e/ou visões para uma sociedade mais equilibrada e justa.

Como podem descrever a desigualdade de géneros dentro dos tribunais? Consideram que, apesar dessa mesma desigualdade, existe algum tipo de evolução entre os tempos?
Em termos salariais, há um escrupuloso cumprimento da lei no que toca à igualdade de género, mas, no momento da avaliação da prestação funcional, todas as questões relativas à maternidade e ao papel da mulher acabam por refletir-se negativamente. Na verdade, ainda é raro que um juiz homem use das prerrogativas de parentalidade. No caso das mulheres, além de serem penalizadas na avaliação, a maior parte das vezes não são substituídas no período de licença, pelo que o trabalho acumula-se. E até as juízas que não são mães são penalizadas, exatamente por não o serem, sendo questionadas quanto ao facto de não produzirem mais atentas essas circunstâncias.

Estarem presentes ativamente é algo a que se comprometeram desde logo e prova disso mesmo é a futura formação online que se intitula como “exposição online: conhecer riscos, mitigar vulnerabilidades”, a realizar-se no dia 9 de setembro. Qual é o objetivo desta atividade e o que importância terá no percurso das participantes?
O mundo digital em que vivemos oferece desafios que são pouco conhecidos pela grande maioria dos cidadãos. Ora, a vulnerabilidade, que acompanha o desconhecimento é algo que deve merecer atenção, de modo a diminuir os riscos da vida online, permitindo-nos ser mais conscientes dos prós e contras da utilização destes valiosos instrumentos de socialização.
Cidadãs(ãos) mais informadas(os) serão necessariamente cidadãs(ãos) mais conscientes da realidade que as/os rodeia e, portanto, poderão conduzir as suas vidas com maior responsabilidade, quer na vertente pessoal, quer no exercício funcional.

Gostariam de deixar uma mensagem e um convite a todas as mulheres magistradas que, também elas, queiram abraçar a AJP?
Numa sociedade cada vez mais focada na funcionalização do ser humano, é fundamental não se perder de vista que somos muito mais do que meros fatores de produção. Depende da nossa disponibilidade e empenho nas causas sociais e nos valores civilizacionais, de que tanto nos orgulhamos enquanto cidadãs, a sua atualização diária e concretização prática na vida de todos. Se o exercício da judicatura indicia já um relevante interesse pelos valores em apreço, não nos esqueçamos que nós, magistradas, somos cidadãs de pleno direito e por isso – também – destinatárias diretas da Constituição da República Portuguesa, a qual jurámos cumprir quando iniciámos a nossa carreira enquanto magistradas.

O que podemos esperar da AJP no futuro? Quais os desafios que se avizinham?
Os desafios são muitos e não são específicos das mulheres juízas. Terão especificidades próprias da profissão, a exigirem respostas que atendam a tal.
A AJP tem em curso um leque de atividades, tais como a realização de estudos sobre a mulher juíza e sobre a exaustão e depressão laboral na judicatura, passando pela colaboração com escolas, do primeiro ciclo até ao secundário, a fim de promover a igualdade de género e a desconstrução de paradigmas que com aquela contendam.
Há todo um conjunto de atividades que extravasam o judiciário e que se inscrevem no escopo da AJP, enquanto associação de intervenção cívica, que a breve trecho será devidamente anunciado. ▪

TPMC a celebrar 25 anos de história

A TPMC é uma empresa direcionada para o investimento, cujo objetivo é apoiar os seus clientes em futuros negócios nacionais e internacionais. Fundada em 1995, e 25 anos depois, que análise deste período? “O balanço de todos estes anos é muito positivo”. Foi assim que Tânia Castro respondeu prontamente à nossa interrogação, enchendo-se de orgulho por estar à frente de uma equipa que descreve como “profissionalmente preparada” para qualquer adversidade. A nossa entrevistada admite ainda que, quem trabalha com o exterior, acaba por ter sempre maiores desafios – mas também mais aliciantes, uma vez que a política da TPMC não permite que se rendam às vicissitudes.
Para Tânia Castro, o que de mais importante retira de todos estes anos de atividade, é “termos hoje clientes que estão connosco desde o primeiro dia, o que significa que o nosso serviço tem a qualidade que ambicionamos oferecer”, acrescentando que “querem ser reconhecidos pela qualidade do nosso trabalho e não porque temos os melhores preços ou porque somos os mais rápidos”. Confiança, resiliência e assertividade são as palavra-chave para um percurso repleto de sucessos.

“DAS ADVERSIDADES SURGEM AS OPORTUNIDADES”
Antes de existir a nova realidade intitulada por Covid-19, o método de trabalho da TPMC já era, na sua maioria, à distância, uma vez que o serviço internacional é o seu meio mais comum. “O nosso trabalho é todo em back office, já usávamos ferramentas que são hoje indispensáveis para contactar à distância, muitas das nossas reuniões já eram por videoconferência e toda a equipa já estava preparada para trabalhar em casa”, explica a nossa interlocutora. No entanto, este método nunca foi o mais favorável, na sua opinião, ao invés da visita física aos seus clientes, considerando ainda que, embora não seja possível viajar para já, assim que seja exequível, retomarão as viagens assim como as conferências previamente adiadas. O objetivo numa fase pós pandemia é equilibrar o trabalho presencial com o back office.
Uma das dificuldades sentidas na TPMC e que, ainda hoje, é um entrave, é o atraso nos correios. “Um envelope que de Lisboa para a Madeira demorava no máximo dois dias, neste momento pode demorar três semanas, algo que retarda todos os processos”. Contudo, outros métodos se arranjaram e, segundo Tânia Castro, “não há trabalho que não esteja a ser concretizado – com maior ou menor celeridade”.
Com uma análise mais profunda sobre a atual conjuntura pandémica, a Diretora Geral da TPMC, utiliza a expressão «das adversidades surgem as oportunidades», uma vez que, nos piores meses da mesma, não houve falta de trabalho – algo que infelizmente aconteceu em muitos setores. E porquê? Segundo a nossa entrevistada, Portugal começou a ser visto com outros olhos: o mercado internacional passou a reconhecer o seu potencial. “Além de todas as ótimas e diferentes características já por todos conhecidas no nosso país (gastronomia, clima, paisagens, entre muitas outras), ficou reconhecido como um exemplo, na organização, na tomada de decisão, na saúde pública e principalmente na segurança”. A segurança é hoje em dia – e mais do que nunca – um elemento inquestionável na qualidade de vida dos cidadãos.
Prova disso mesmo é que, a TPMC tem recebido contactos de pessoas curiosas sobre a vida em Portugal: como é que funciona? Como é que é o ambiente? Quando é que me posso deslocar? São alguns dos exemplos, mas não só. Ao contrário do que se esperaria perante uma crise económica, a empresa recebeu vários pedidos de vistos gold, de residentes não habituais e de vistos de trabalho – curiosamente. “Não tenho dúvidas nenhumas que os setores ligados ao investimento, como o imobiliário, não decaíram tanto como estávamos à espera”, explica a nossa interlocutora, acrescentando que “os próximos meses vão ser muito relevantes. Vamos ter algumas certezas e esclarecer muitas dúvidas”.

“QUEREMOS CONTINUAR A CRESCER SUSTENTADAMENTE”
Desde o primeiro dia que todos os profissionais da TPMC se dedicam aos seus clientes e às suas necessidades, sejam elas de expansão do negócio, fiscais, administrativos, legais ou de quaisquer outros setores. Para Tânia Castro a cronologia da mesma tem sido feliz, querendo continuar a olhar para o futuro num formato de esperança, mas, ao mesmo tempo, de forma consciente. “Podemos esperar ainda mais persistência, mais trabalho, mais qualidade. Queremos continuar a promover a Madeira, a promover os benefícios fiscais portugueses, a atrair investimento para Portugal, a gerar oportunidades na criação de postos de trabalho. Queremos continuar a crescer sustentadamente”.
Um dos muitos motivos de orgulho para a nossa entrevistada são os Recursos Humanos da empresa, podendo-se “gabar” – e bem – que nunca tiveram – nem quiseram – prescindir dos seus trabalhadores. “O capital humano é o ativo mais importante para nós. Sem eles, não estaríamos onde estamos, não duraríamos 25 anos nem esperaríamos durar muitos mais”, conclui.

HIDROGÉNIO E O SEU (IMPORTANTE) PAPEL NA SOCIEDADE

O hidrogénio está a ser considerado como uma aposta de alternativa aos combustíveis fósseis e à eletricidade. Quais são os cursos e/ou especializações que o Instituto Superior Técnico de Lisboa oferece e de que forma têm vindo a promover o tema?
A aposta no hidrogénio e o oxigénio, como alternativa aos combustíveis fósseis, baseia-se no facto do hidrogénio ser um vetor energético e por isso, uma forma de armazenar eletricidade e calor. No que diz respeito ao IST, estão a ser dinamizadas formações ao nível dos diversos Mestrados, nomeadamente, Engenharia Mecânica, Engenharia e Gestão de Energia, Engenharia Química entre outros, e também através do desenvolvimento de temas para teses de Mestrado, que constituem o último semestre dos cursos.

Analisando o panorama nacional, de que forma temos vindo a criar medidas e iniciativas que nos levem a olhar para o hidrogénio como algo importante em Portugal?
Olhando para o panorama energético nacional, especialmente no que diz respeito aos combustíveis fósseis, verificamos que temos uma total dependência das importações de combustíveis, tal como praticamente toda a Europa, excetuando a Noruega. Nesta medida, Portugal tal como todos os outros países com forte dependência no petróleo tem de encontrar soluções alternativa, autossustentáveis e limpas, que possam contribuir para a sua segurança energética futura. Assim, Portugal necessitará de garantir formas de fornecimento de energia limpa ao comércio e indústria, residências e serviços e principalmente para a mobilidade no sector dos transportes. É nesta medida que o hidrogénio será uma importante forma de armazenar energia elétrica e térmica para satisfazer todas as necessidades energética do país e garantir um acesso energético competitivo e economicamente viável, que contribua para uma sociedade descarbonizada, autossustentável, alimentada pelas ilimitadas energias renováveis.

Quais são as vantagens que identifica na utilização do hidrogénio e que adversidades se avistam nas suas soluções de mobilidade?
As principais vantagens para a mobilidade: o rápido abastecimento dos veículos (5 min); a redução de custo dos veículos nos últimos 10 anos (a queda de custo 60€/kW para produções anuais de 100000 uni/ano); a autonomia superior a 500 km por deposito sem aumentar o peso do veículo (com baterias pesam quase 4 toneladas); a abundância das matérias primas para produção das pilhas de combustível (lítio e o cobalto são matérias primas escassa); possibilidade de gerar industria produtiva nacional em torno de toda a cadeia de valor do hidrogénio e oxigénio verde (construção de eletrolisadores e pilhas de combustível, sistemas de combustão, turbinas a hidrogénio para produção de energia elétrica em larga escala, sistemas de tanques de armazenamento, compressores, veículos, etc.).
As principais desvantagens: falta da infraestrutura de base para o abastecimento dos veículos, que implicará investimentos em infraestruturas de distribuição e abastecimento (implementação lenta atrasa a adoção); regulamentos limitam o desenvolvimento de uma indústria de hidrogênio verde por ser algo recente e uma tecnologia mais estabelecida em pequena escala.

Acredita que Portugal já possui sentido de responsabilidade e compromisso em relação a este tipo de tecnologia?
Seja em Portugal seja no resto de mundo, eu acredito que vamos ter que transitar da económica dos hidrocarbonetos paro o hidrogénio e que vai acontecer de forma gradual e progressiva. Por isso acredito no nosso sentido de responsabilidade. Sendo um país democrático este tema vai ser largamente escrutinado pelos meios de comunicação social, espero eu, com a informação de qualidade, apresentado os detalhes técnico económicos corretos desta grande oportunidade que não podemos perder. Se não o fizermos, vamos ter que compra feito a outros que se antecipar e nos relegaram para consumidores de tecnologia final. Eu acredito que este último cenário nos vai sair mais caro a médio longo prazo.

Quais são os passos que ainda faltam dar para que a vertente do hidrogénio seja reconhecida e se promova como o combustível do futuro?
Organizar eventos (seminários, conferências, debates televisivos, aulas, formações de divulgação) com jornalistas, professores, investigadores, engenheiros, alunos de engenharia, alunos em geral, gestores de empresas, publico em geral. Promover informação de qualidade e escrutinável, junto dos meios de comunicação social.
Demostrar através de cálculos técnicos bem fundamentados para os operadores/comercializadores de energia que operam no mercado, que a produção de hidrogénio e oxigénio através de eletrólise é um processo extremamente rentável e maduro (90000 horas de operação). A venda dos gases produzidos no eletrolisador alcalino e provenientes de energia renovável têm um valor de mercado elevado: Hidrogénio vale entre 1500 e 10000 €/tonelada de H2 e o oxigénio industrial vale cerca de 100€/tonelada e o oxigénio médico mais de 5000€/tonelada.

TELETRABALHO mais seguro

Apesar do impacto inicial que a pandemia da Covid-19 desencadeou, é hoje um dado adquirido que dificilmente os nossos hábitos de trabalho voltarão a ser os mesmos. Um dos impactos mais visíveis é, para alguns setores mais do que outros, a inevitável adoção abrupta do teletrabalho.
No entanto, o trabalho remoto ou teletrabalho, muda a forma como as empresas têm que abordar a segurança para que possam manter todos os seus ativos em condições seguras, fiáveis e de confiança.
De forma alusiva é como se tivéssemos aberto as portas de um cofre, carregando uma parte das barras de ouro para o exterior, mas mesmo assim as nossas vidas dependem de manter todas as barras seguras, as que ainda estão dentro do cofre e as que estão no exterior. Pequenas alterações no paradigma da segurança podem fazer uma grande diferença e, inclusive, reduzir custos. São vários os novos desafios que a adoção abrupta do teletrabalho trouxeram à Segurança de Informação e à Cibersegurança em especial, contudo gostaríamos de salientar os seguintes:

1. Os funcionários passam a trabalhar fora do escritório, logo sem toda a proteção que existia na empresa, nomeadamente a nível do tradicional perímetro de segurança;

2. As empresas começaram a utilizar novas tecnologias de forma frequente, por isso, necessitam de ter tempo para as conhecer e implementar de forma segura e eficiente;

3. Com as novas necessidades tecnológicas relacionadas com o teletrabalho, as empresas veem-se obrigadas a adquirir e/ou desenvolver novas plataformas a um ritmo nunca antes visto, criando assim lacunas graves de segurança aplicacional;

4. O dimensionamento de soluções de acessos seguros como as VPNs – que estavam tipicamente desenhadas para que apenas alguns utilizadores pudessem trabalhar remotamente – tiveram de ser alteradas com ao aumento exponencial de utilizadores remotos, criando assim problemas de performance e licenciamento;

5. Os departamentos de segurança e de sistemas de informação depararam-se com um novo dilema: recuperar a falta de visibilidade que perderam sobre o que acontece nos computadores individuais versus a nova liberdade e experiência do utilizador;

6. O crescimento exponencial de ataques dependentes de interação humana, como o phishing e ransomware, faz com que os utilizadores estejam ainda mais expostos fora do perímetro;

7. Para muitos utilizadores, a ténue separação entre o que é pessoal e o que é trabalho no mesmo equipamento, pode dar origem a vários problemas de segurança aumentando assim a superfície de ataque.

Mas o que fazer para garantir um teletrabalho seguro? Esta é a questão que muitos gestores colocam, já que os recursos existentes revelaram-se na maioria das vezes escassos e sem capacidade operacional efetiva para as novas ameaças.

A Cipher desenvolveu um conjunto de soluções específicas para estes novos tempos e os seus desafios disruptivos. Soluções de escala como VPNaaS1 e EDRaaS2 permitem, numa questão de dias ou até de horas, aumentar a sua capacidade de trabalho remoto de forma segura, garantindo não só acessos confiáveis como endpoints (computadores e dispositivos móveis) monitorizados e protegidos 24×7. Consciencializar e formar os seus utilizadores para temas gerais de cibersegurança ou até mesmo para os já famosos “covid related-attacks”, não precisa de ser uma dor de cabeça e um projeto penoso. A Cipher pode entregar-lhe este tipo de apoio chave-na-mão!
Não tenhamos dúvidas que os ataques aumentarão, as vulnerabilidades irão continuar a crescer, pelo que é crucial entender se a segurança deve continuar a ser feita internamente ou se faz sentido externalizar a segurança para uma empresa especializada na área. O facto é que a experiência e a visão globalizada tem um papel crucial numa resposta efetiva e célere a um ataque informático. Por exemplo, apenas durante os três primeiros meses de pandemia a Cipher detetou mais 30 000 indícios de ataques específicos relacionados com a Covid. Isto num universo de centenas de milhões de indícios de ataques monitorizados. Uma empresa externa especializada dar-lhe-á a escala que falta à sua equipa interna, permitindo através de um modelo de trabalho conjunto minimizar dependências e riscos, mas simultaneamente maximizar a proteção. Garanta que essa empresa tem capacidade de monitorização e resposta a incidentes, de avaliar e testar a sua infraestrutura e de garantir a tríade de segurança3 à sua informação, para qualquer que seja o seu novo desafio, dando-lhe sempre visibilidade de tudo o que acontece na sua organização. Por exemplo, quando está lidar com aquela nova aplicação web que teve apenas três dias para expor à Internet, por forma a garantir a capacidade laboral da sua empresa em modo remoto.
A Cipher especificou um conjunto de serviços focados em dar resposta a este desafio, sem ter que despender do tempo e recursos que a tradicional segurança aplicacional requer – uma abordagem holística e contínua que garantirá os mais elevados padrões de segurança.
Não se esqueça de utilizar essa parceria para fazer uma revisão e manutenção de políticas e processos, de forma a tornar os ambientes tão simples e resilientes quanto possível e de garantir a conformidade e continuidade do seu negócio. Aproveite este tempo para analisar os seus negócios com o que aprendemos nos últimos meses, faça análises de impacto para ajudar a entender os produtos e / ou serviços que fornece e as dependências (técnicas e outras) que eles possuem.
As organizações que compreenderem como podem isolar potenciais impactos às suas operações e serviços, serão as que sobreviverão às consequências desta pandemia.

OPINIÃO DE MIGUEL BROWN, CIPHER EMEA SALES DIRECTOR // DOGNÆDIS BUSINESS DEVELOPMENT DIRECTOR, SÉRGIO ALVES, CIPHER EMEA CTO // DOGNÆDIS CTO, FRANCISCO NINA RENTE, CIPHER GLOBAL CTO // DOGNÆDIS CEO

1 Virtual Private Network as a Service
2 Endpoint Detection and Response as a Service
3 Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade.

“O GeoPortal permite o acesso ao conhecimento”

O LNEG lançou o novo GeoPortal da Energia e Geologia. Para contextualizar o nosso leitor, que iniciativa é e que mais valias apresenta?
Os GeoPortais são instrumentos chave na disponibilização de informação georreferenciada, cada vez mais importante para o conhecimento da nossa Terra. Esta nova plataforma integra funcionalidades avançadas para tratamento, pesquisa, interoperabilidade e disponibilização de informação, capacidade para comunicar com outras infraestruturas de dados espaciais permitindo um conhecimento muito mais aprofundado e atualizado do nosso planeta. O nosso GeoPortal apresenta como mais valia ser aberto ao exterior permitindo acesso ao conhecimento e aos serviços na internet, passíveis de georreferenciação e destina-se a público diverso: cientistas; poder autárquico, para apoio ao planeamento, por exemplo pela consulta da informação sobre os recursos e riscos geológicos; Governo, para delineação de estratégias sobre os recursos, minerais e fontes de energia renovável; turismo, através da disponibilização dos Geossítios; empresas no apoio aos planos de lavra ou de implantação de projetos; para o público em geral.
Este GeoPortal, da Energia e Geologia que substitui a anterior infraestrutura, facilita o acesso aos dados e informação espacial através de várias funcionalidades; catálogo de Metadados, Bases de Dados e Visualizador de Mapas e ainda a secção de Dados Abertos para descarregamento. Foi desenvolvido no contexto da diretiva europeia INSPIRE (INfrastructure for SPatial InfoRmation in Europe). Para alargar o público a atingir são disponibilizadas duas aplicações para dispositivos móveis. Está em linha com os requisitos mais avançados da sociedade digital, sendo dinâmico para futuras evoluções.

Este projeto assume-se como uma nova infraestrutura com informação georreferenciada das diferentes atividades do LNEG. Esta é uma forma de “abrir” mais a instituição à sociedade? Sentiam esta lacuna?
De facto, a ideia de devolver de forma ágil à sociedade informação que resulta de dinheiros públicos tem vindo a amadurecer e a última Comissão Europeia ao lançar o conceito “Open science, Open Innovation, Open world” e o aparecimento da Plataforma European Open Science Cloud (EOSC) vieram confirmar a oportunidade do projeto. O LNEG definiu uma estratégia de abertura ao exterior porque considera que saber partilhar é a chave do sucesso e reforçou acordos de colaboração com os congéneres, participa em consórcios para ganhar escala e disponibiliza de forma aberta toda a sua informação não sujeita a confidencialidade. Não diria que tínhamos uma lacuna, mas que, estando atentos à evolução do ecossistema em que nos movemos, necessitávamos de plataformas que possibilitassem essa abertura.
Este projeto resulta do acompanhamento da evolução tecnológica e da estratégia definida. E sim, a determinação foi abrir portas do conhecimento para o que foi preciso encontrar financiamento. O projeto foi financiado pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionalização e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Este novo GeoPortal da Energia e Geologia vem substituir a anterior infraestrutura. Quais são as principais diferenças entre ambos?
As diferenças entre as duas infraestruturas são basicamente duas: (1) tecnológica, ocorreu uma migração e atualização de uma infraestrutura com mais de dez anos baseada em código obsoleto e (2) de postura perante a sociedade, tornar esta possibilidade de partilha amigável e acessível. O acesso em dispositivos móveis é agora possível o que muito facilita por exemplo o trabalho de campo, foram desenvolvidas duas aplicações móveis para o cidadão, APP Cartografia Geológica e APP Geossítios. Está previsto ainda desenvolver na fase II mais melhorias com conteúdos 3D e deteção remota

Este desafio e projeto significa que a instituição está a dar passos mais fortes no domínio da digitalização?
Não poderia ser de outra forma e não teríamos cumprido a nossa função nesta era COVID se não estivéssemos preparados. Há alguns anos começamos por digitalizar todo o nosso acervo documental para que o seu acesso fosse possível por via digital. Apostamos em ferramentas de simplificação dos processos e interoperabilidade estando em linha com os nossos congéneres do pelotão da frente.

De que forma é que esta nova plataforma vem acrescentar valor ao repositório do LNEG?
A informação e o conhecimento só têm valor se forem passíveis de ser utilizados e de fácil acesso. O novo portal é uma ferramenta simples que permite o acesso à informação por todos os interessados.

O que podemos continuar a esperar por parte do LNEG de futuro?
Continuar a apostar na digitalização e responder de forma eficaz aos nossos parceiros desde o Governo à sociedade civil.

“A IDEIA É A DE CRIAR VALOR ACRESCENTADO DE FORMA DURADOURA PARA OS NOSSOS CLIENTES”

A Bâloise conta com uma vasta experiência no mercado, estando firmemente enraizada no tecido económico, sendo, portanto, um player de prestígio e reconhecimento. Qual tem sido o elemento chave para a vossa cronologia repleta de sucessos?
Fundado em 1863, em Basileia, na Suíça, o Grupo Bâloise expandiu-se gradualmente a nível internacional, particularmente no Grão-Ducado do Luxemburgo no final do século XIX. Ao abrigo da Livre Prestação de Serviços, a comercialização e distribuição de contratos de seguros de vida começou em 1996.
A Bâloise Vie Luxembourg conseguiu adaptar-se e definir o seu posicionamento, bem como os seus objetivos de acordo com a conjuntura do momento. A chave do nosso sucesso é esta agilidade na adaptação a um ambiente em constante mutação sabendo prioritizar o cliente, respeitando os seus projetos e necessidades. Não se trata apenas de cobrir riscos ou de subscrever um seguro, mas de responder a necessidades cada vez mais generalizadas num ambiente social em constante mudança criando um valor acrescentado para os nossos clientes.

A Bâloise é caraterizada por serviços de qualidade, transparência e respeito. Tendo em conta a atual conjuntura derivada à Covid-19, como se reinventaram sem comprometer tais particularidades?
Não foi uma questão de nos reinventarmos, mas sim de nos adaptarmos às contrariedades que nos foram impostas pela situação sanitária, e de nos mantermos ao mesmo tempo próximos dos nossos parceiros e clientes. Por conseguinte, entrámos em contacto com estes de forma expedita, para os informar do encerramento temporário dos nossos escritórios, mas também da disponibilidade das nossas equipas. Todas as medidas foram postas em prática para assegurar a continuidade do negócio e assegurar que os nossos colaboradores pudessem trabalhar eficientemente a partir de casa. Assim, pudemos garantir a mesma disponibilidade e qualidade de serviços para os nossos parceiros e clientes mesmo sem as reuniões e serviços presenciais.

De que forma é que tiveram de promover um formato distinto, com as mudanças provocadas pela pandemia da Covid-19, no que concerne ao relacionamento com o vosso cliente?
Encontrarmo-nos com os clientes presencialmente não era possível, nem como tal organizarmos eventos. Não sabemos ainda quando será possível fazer seminários de novo “como antes”.
Mas isso não constitui um obstáculo para comunicarmos de forma eficiente e de nos mantermos próximos dos nossos clientes. Em vez de eventos presenciais, organizámos webinars (workshops online) sobre as questões da atualidade e temas relevantes.
A situação da COVID também acelerou certos processos de digitalização. Temos a sorte de estar numa atividade onde tudo pode ser gerido remotamente. Esta tem sido a nossa forma de operar durante anos, uma vez que é a própria essência da Livre Prestação de Serviços no âmbito dos seguros; isto é, a comercialização de contratos de seguro de vida num país onde não se tem escritórios físicos. Intensificamos o contacto com os nossos parceiros, para lhes mostrar que estávamos do seu lado mesmo neste período difícil, continuando, assim, a responder às suas preocupações e questões diárias.

Fazendo uma análise mais global, de que forma é que o setor dos seguros e as suas tendências irão mudar face ao atual panorama?
A pandemia levou a que uma grande parte da nossa sociedade tivesse de parar temporariamente. Por conseguinte, as famílias portuguesas tiveram tempo para analisar a sua situação e rever a orientação que pretendiam dar ao seu património. Vimos claramente um aumento na preocupação das famílias HNWI (High Net Worth Individuals) no âmbito do planeamento sucessório e reorganização patrimonial nos últimos meses.
A Bâloise oferece contratos de seguro de vida unit-linked associados a fundos de investimento que podem ter como ativos subjacentes os chamados fundos “clássicos”, produtos derivados, fundos imobiliários, Private Equity ou fundos de Private Equity, mas também fundos sustentáveis. Isto aplica-se aos clientes que desejem fazer uma transição através da integração dos critérios dos fundos de investimentos ESG (com critérios ambientais, sociais e de governo de sociedades) nos seus investimentos. Esta é uma tendência que vinha a ser observada já antes da pandemia, mas que se intensificou claramente durante a mesma.
A pandemia despertou claramente a consciência e a necessidade de analisar a natureza deste tipo de investimentos e criar estruturas patrimonais mais adaptadas à realidade atual das empresas e das famílias.

Não estão presentes apenas no Luxemburgo, sendo que trabalham com parceiros bancários e de distribuição altamente bem-sucedidos, selecionados para vender soluções em vários países da União Europeia. Qual foi o vosso novo método de trabalho, tendo em conta a exigência da sociedade e das adversidades que enfrenta?
Em poucos dias conseguimos assegurar a mesma qualidade de serviço para os nossos parceiros e clientes. As reuniões através de videoconferência têm-se tornado mais frequentes. A comunicação, tanto entre as nossas equipas como com os nossos parceiros, tem sido constante. Aliás, não sofremos um declínio na atividade. Pelo contrário, o volume de negócios foi mais elevado em comparação com o mesmo período em 2019. Conseguimos igualmente assegurar aos nossos clientes a possibilidade de realizarem operações de forma eletrónica (assinatura digital) e, devido ao confinamento, desenvolvemos igualmente a possibilidade de efetuarmos a venda dos nossos produtos à distância.

A Bâloise disponibiliza soluções personalizadas de seguros de vida. Consideram que se tornou, atualmente, um tema mais consciente na sociedade global? Acreditam que o coronavírus despertou o sentido da sua importância?
Os Contratos de Seguro de Vida luxemburgueses sempre foram atrativos para clientes abastados e cujo objetivo é proteger o seu património, mas também transmiti-lo.
A pandemia COVID permitiu aos clientes parar para pensar e interrogarem-se qual a direcção que pretendiam dar ao seu património. Para muitos, isto levou claramente a uma tomada de consciência da necessidade de planear adequadamente a sua sucessão. Durante este período constatámos que o número de pedidos relacionados com o planeamento sucessório aumentou à medida que as pessoas tinham mais tempo e pensavam no assunto.
Esta crise apenas serviu para realçar uma necessidade já existente. Uma necessidade urgente de regularizar situações que não estavam claras.

Que género de seguros podemos encontrar na Bâloise? Na vossa opinião, quais são os mais pertinentes para assegurar tranquilidade na sociedade? De que forma é que a vossa oferta prima pela capacidade de diferenciação e de promover valor?
Há mais de 20 anos que a Bâloise Vie Luxembourg distribui Contratos de Seguro de Vida Unit-linked e soluções de investimento inovadoras e personalizadas destinadas a clientes exigentes cujo objetivo visa conjugar a gestão, a preservação e a transmissão do seu património com toda a tranquilidade.
A ideia é a de criar valor acrescentado de forma duradoura para os nossos clientes. Temos equipas dedicadas ao planeamento patrimonial, selecção de ativos financeiros e estruturação de produtos. É uma verdadeira cadeia de valor integrada para a análise de pedidos que nos permite propor a solução mais adaptada à situação do cliente.
E a nossa oferta está a dar frutos uma vez que na praça Luxemburguesa somos a Empresa de Seguros líder na emissão de prémios no mercado português.

No domínio da orgânica da marca, de que forma é que a inovação e a aposta nas novas tecnologias são um pilar essencial da vossa dinâmica e relacionamento com o mercado?
Na Bâloise Vie Luxembourg damos uma grande importância à inovação. Temos um departamento de inovação interna dentro do Grupo Bâloise no Luxemburgo, que é responsável por analisar as tendências do mercado e identificar os pontos-chave que nos permitem criar ferramentas de valor acrescentado para os nossos clientes. Assim, criámos um processo de inovação inhouse que é largamente promovido dentro da empresa e apoiado com vários programas. Os nossos colaboradores são uma força central da empresa e uma fonte de novas ideias e não hesitamos em estabelecer parcerias com empresas externas, se necessário, ou em investir em start-ups.
Ouvir o mercado e confiar em tecnologias fiáveis é essencial para trazer o máximo de informação e transparência possível aos nossos clientes. A ideia é facilitar e automatizar os fluxos de comunicação a fim de acelerar todos os processos, desde a subscrição até à gestão das operações do dia a dia do contratos de seguro.

Essa aposta inovadora também se reflete na vossa capacidade de apresentar novas ofertas no que concerne a seguros?
Quando pensamos em inovação pensamos sempre em novas tecnologias. Na Bâloise além de analisarmos as tendências de inovação a nível tecnológico, é-nos igualmente possível analisar as tendências atuais da inovação em geral.
Também nos preocupamos com o bem-estar financeiro dos nossos clientes. É neste quadro que estabelecemos, em fevereiro de 2020, uma parceria com a Etika (associação luxemburguesa sem fins lucrativos, cujo objetivo é promover finanças sustentáveis e éticas). Estamos atualmente a desenvolver em parceria com esta associação uma oferta de fundos internos coletivos 100% sustentáveis, que podem ser subscritos através dos nossos Contratos de Seguro de vida e que serão uma estreia no contexto luxemburguês. Este é um exemplo do que conseguimos alcançar com o nosso processo de inovação inhouse.

Olhando para o vindouro, quais são os principais desafios da marca e de que forma é que podemos continuar a esperar da mesma um sentido de transparência, rigor e proximidade com quem vos procura?
O Contrato de Seguro de vida luxemburguês continua a ser um dos mais atrativos na Europa devido ao mecanismo do triângulo de segurança, que confere um nível de proteção acrescido aos Tomadores do Seguro e à estabilidade do Luxemburgo.
Com o objetivo de satisfazer a necessidade de transparência, a Bâloise continuará o seu processo de digitalização, que inclui a assinatura online e o acesso do cliente à sua carteira através do seu espaço online.
Mas é também necessário responder às preocupações e à consciência ainda mais presentes com a crise sanitária: o desenvolvimento de soluções de otimização e estruturação patrimonial, bem como de finanças sustentáveis e fundos de investimento socialmente responsáveis, são áreas de desenvolvimento importantes para a Bâloise.

PANDEMIA: NOVOS DESAFIOS MUNDIAIS COM PLAYERS LOCAIS

OPINIÃO DE IOLANDA MOUTA MENDES, ADVOGADA E SÓCIA FUNDADORA DA PEREIRA MOUTA MENDES E ASSOCIADOS

A Pereira Mouta Mendes e Associados está a inovar, colocando à disposição dos seus clientes diversos meios de comunicação digitais, encontrando-se, neste momento, a preparar uma plataforma digital para facilitar o acesso à informação processual por parte dos seus Clientes. A Covid-19 veio impactar o Mundo de um modo abrangente e decisivo e o mundo do Direito não foi exceção. A Pereira Mouta Mendes e Associados, com uma vasta experiência e competência em distintas áreas do Direito, com especial relevância no direito societário e comercial, bem como, na recuperação económica de empresas e pessoas singulares, sentiu um aumento da procura, por parte de empresas e particulares, com dificuldades em cumprir com as suas obrigações financeiras e fiscais, em resultado da queda abrupta de receitas e salários. O facto de a economia ter estagnado repentinamente veio colocar desafios de tesouraria e orçamento em distintas empresas e famílias, com especial impacto nos setores ligados ao Turismo, como a restauração, hotelaria, entretenimento e organização de eventos. A quebra entre as distintas cadeias de distribuição e fornecedores de bens e serviços acarretou enormes prejuízos para a economia nacional como um todo, com especial incidência nos setores já referidos. O impacto económico/financeiro/social desta crise provém de um “Black Swan” ou Cisne Negro e tem consequências que se podem arrastar por décadas. A única forma de reanimar a economia, que de momento se encontra ligada à máquina, é desconfinando, estimulando o consumo com redução de impostos, apoiando o tecido industrial português e as PME, que são os principais empregadores do país. Urge promover um aumento do investimento estrangeiro privado na economia, com especial incidência na economia verde e outras indústrias de elevado valor acrescentado. Há distintos e efetivos mecanismos de recuperação de empresas, em que a negociação com os credores e a elaboração de um plano de recuperação, podem efetivamente salvar a empresa sem a necessidade da ajuda estigmatizante do Estado. O programa PER (Processo Especial de Revitalização), destinado às empresas, é um bom exemplo de que negociações entre credores e empresas, com intervenção judicial mínima, chegam a bom porto, permitindo às empresas viáveis adquirir fôlego financeiro, manter postos de trabalho, inovar e continuar a produzir riqueza apesar das dificuldades sentidas. É necessário que as empresas e pessoas singulares ultrapassem o estigma do falhanço e procurem ajuda com antecedência, ao invés de protelarem o recurso a um mecanismo de recuperação, o que pode comprometer o resultado das negociações de forma irreversível. O ordenamento jurídico português permite a recuperação de empresas de distintas formas, assim como de pessoas singulares. Como exemplos, podemos referir ainda o RERE (Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas), que, embora decorra em ambiente extrajudicial, tem o handicap de apenas vincular os Credores que nele decidam participar, pois, o acordo de reestruturação que eventualmente for aprovado só vai produzir efeitos em relação aos credores que tiverem aderido ao RERE e que tenham aprovado o acordo. Deste modo, o acordo não vincula os credores que não tenham aderido ao RERE nem os credores que não tenham aprovado o acordo, pelo que, para estes, os respetivos créditos permanecerão inalterados, sem qualquer perdão. Não obstante, sempre que as Finanças (Autoridade Tributária) e a Segurança Social forem credoras do devedor ou mantenham com este um acordo de pagamento em prestações têm obrigatoriamente de participar nas negociações que se realizarem ao abrigo do RERE, mesmo que não tenham subscrito o protocolo de negociação. De referir ainda o PEAP (Processo Especial para Acordo de Pagamentos), destinado apenas às pessoas singulares, que tem inúmeras vantagens, como a suspensão imediata das ações executivas, a manutenção do património do Devedor e a vinculação de todos os Credores ao Plano de Pagamentos que venha a ser aprovado.
A Pereira Mouta Mendes e Associados, cumprindo com o seu apanágio de colocar os interesses dos clientes em primeiro lugar e contribuir para o bem-estar e prosperidade da sociedade e economia portuguesa, neste momento singular da História da Humanidade, continuará a promover serviços de excelência de consultadoria financeira e de apoio a empresas e pessoas singulares, moldados e adaptados a cada caso e às suas especificidades e necessidades. Neste novo entorno, completamente disruptivo, colocam-se novos desafios de comunicação e liderança que levarão a uma aceleração da progressiva digitalização dos serviços, uma área em que a Pereira Mouta Mendes e Associados está na linha da frente. ▪

“ESTAMOS PRESENTES NO MERCADO COM UM SENTIDO DE MISSÃO”

A missão do ING Luxemburgo é atender da melhor forma às necessidades dos seus clientes, ajudando-os a estar sempre um passo à frente na vida e nos negócios. Qual tem sido o elemento chave para a concretização de tais objetivos?
O estar sempre um passo à frente na vida e nos negócios é o nosso lema, é uma forma de estar neste banco. O ING no Luxemburgo é um banco multifacetado, tem a capacidade para servir com qualidade todo o tipo de clientes, desde grandes a médias empresas, independentes a particulares, tem uma grande diversidade cultural nos seus empregados, um pouco à imagem do mundo global no qual vivemos e isso é uma grande vantagem para o cliente se sentir compreendido.
Se tiver que destacar o elemento chave para estar à frente na vida e nos negócios, penso que será o sentido de missão que nós, funcionários, temos presente no dia a dia. Adicionalmente estamos sempre à escuta dos nossos clientes e o parecer deles é-nos muito importante e até temos por hábito praticar vários inquéritos (NPS, PACE, ING International Survey…) para medir a sua satisfação.

O ING Luxemburgo destacou-se já por diversas vezes nas edições do Great Place to Work, ocupando a primeira posição no ranking entre empresas com mais de 500 funcionários. Quão gratificante isto significa na vossa metodologia de trabalho?
É factual, o banco ING obteve por diversas vezes posições de grande destaque no ranking do Great Place to Work. Sobre esta temática apenas posso responder por mim, ou seja, é um banco no qual me permitem ser eu próprio, ouvem as minhas opiniões, tenho facilidade em aceder a qualquer pessoa do banco não existindo aquelas barreiras hierárquicas rígidas. Assim sendo, acabamos por nos conhecer quase todos e tornámo-nos mais próximos, cria-se um sentimento de confiança, e isso nos dias que correm tem muito valor. Depois ainda existem as numerosas formações que nos são facultadas que também ajudam a continuar a evoluir.

Mantém o papel de instituição financeira global, com uma forte base europeia. Que mais-valias identifica nas relações e ligações com Portugal? De que forma trazem até ao país o apoio e estímulo ao progresso económico e social?
No caso do ING no Luxemburgo não existe um apoio direto ou estímulo ao progresso económico e social de Portugal. Podemos no entanto considerar que de forma indireta o fazemos pela numerosa população portuguesa residente no Luxemburgo, ao apoiar as diversas pessoas ou famílias portuguesas nos seus projetos locais. Acabamos por lhes facilitar acesso a um certo conforto de vida, que depois lhes permitem por exemplo passar as suas férias em Portugal e aí sim contribuir para a economia portuguesa.

Considera que o facto de o ING Luxemburgo ter colaboradores portugueses em cargos de liderança, constrói uma ligação forte com a comunidade portuguesa no Luxemburgo? O que concretizam diariamente para fomentar tal ideia?
Somos de facto alguns portugueses com cargos de chefia no banco, essencialmente gerentes de algumas das nossas 16 agências. No entanto isso é apenas uma pequena parte do total dos empregados portugueses que aqui trabalham. O empregado luso é transversal a todos os serviços e departamentos do ING no Luxemburgo.
Pessoalmente acho gratificante um banco desta dimensão ter tantos colaboradores portugueses, isso também é bem demonstrativo da vontade do ING estar próximo da comunidade portuguesa que já ultrapassa largamente os cem mil habitantes no Luxemburgo.

Atenta que a importância do posicionamento do cliente português, tem oferecido inúmeras vantagens à organização? Que vantagens reconhece?
As vantagens são muitas, mas sobretudo quando se fala de clientes portugueses falamos na sua essência de pessoas trabalhadoras, humildes, com sentido de honra muito apurado, daí serem muito cumpridoras das suas obrigações. É óbvio que uma clientela com estas caraterísticas é apetecível para qualquer instituição financeira.

Vivemos atual e mundialmente um momento atípico estabelecido pela Covid-19. De que forma é que tiveram de promover um formato distinto no que concerne à proximidade com o vosso cliente? Qual foi a reação dos clientes ao momento?
O banco ING no Luxemburgo tem, há largos anos, processos digitais de qualidade e houve por isso uma capacidade notável de adaptação ao momento, onde mantivemos os serviços sempre funcionais até durante a fase mais crítica da pandemia, em que privilegiámos contactos via e-mail e telefone, os nossos MyING e MyING Pro que são as nossas aplicações de Web-banking e que são de muito boa qualidade, tudo somado permitiu-nos estar sempre presentes para os nossos clientes.
De destacar que os clientes também ajudaram muito durante esta fase, tiveram sempre um comportamento adequado, respeitando o distanciamento social, o uso da máscara, mesmo aqueles que tinham algumas dificuldades em aderir ao mundo digital fizeram os esforços necessários para aceder às nossas aplicações MyING:

A vossa estratégia passa por crescer em segmentos selecionados e investir fortemente na liderança digital. Considera que, neste âmbito, este conceito vos coadjuvou a estarem mais bem preparados para as adversidades da pandemia? Que outras medidas?
Sim, sermos um banco com forte cariz digital permitiu que mesmo em fase de confinamento o banco continuasse a estar acessível. No entanto para evitar contágios, reduzimos o máximo possível a passagem dos clientes nas agências, sendo necessário marcação prévia para aceder a parte dos nossos serviços.
Outra medida importante foi o facilitar o acesso ao teletrabalho para os nossos colaboradores e muitos de nós iniciaram uma nova experiência que é a de trabalhar a partir de casa. Saliento que a capacidade de adaptação de todos foi posta à prova e no final foi um sucesso.

Fazendo uma análise mais profunda, qual foi o impacto do novo coronavírus na Banca e que soluções prevê para fazer face às tendências mais custosas?
O impacto da pandemia na sociedade é neste momento impossível de medir, até porque ainda não acabou, como para todos os setores o mesmo se aplica à Banca em geral. Penso que o coronavírus poderá ter acelerado tendências de trabalho que já existiam, tais como vídeoconferências, vídeochamadas, teletrabalho, web-banking. Talvez o caminhar cada vez mais para estas ferramentas possa ajudar as empresas a otimizar os custos operacionais e assim a ultrapassarem esta fase difícil.

Atendendo ao futuro, quais são os principais desafios do ING Luxemburgo e de que forma é que podemos continuar a esperar do mesmo os compromissos que assumem na sociedade?
O principal compromisso do ING no Luxemburgo é continuar a prestar um serviço de excelência aos seus clientes, estar próximo deles e acompanhá-los nos seus projetos.
O mundo atual não tem tempo e exige que nos adaptemos rapidamente aos novos desafios que aí vêm e tudo iremos fazer, com sentido de missão, para estar à altura do que se espera de um banco de dimensão mundial como é o Banco ING.

“PRETENDEMOS UM CRESCIMENTO SUSTENTADO, DE FORMA A NUNCA PERDERMOS CONTACTO COM O NOSSO MAIOR ATIVO”

A Reis & Pellicano procura obter resultados com qualidade, integridade, dedicação, rigor e eficiência. Quando e de que forma a sociedade de advogados se estabeleceu no mercado?
A nossa fundação teve como força motriz a clientela estrangeira que, por um lado, pretendia mudar-se de armas e bagagens para Portugal ou, por outro lado, aqui queria investir, continuando com os seus centros de interesses principais fora do país. O perfil do cliente internacional procura aconselhamento jurídico que perceba e interprete as diferenças culturais e que consiga responder às suas necessidades de forma rápida, eficiente e diligente. Constatámos que a procura estrangeira pretende soluções de investimento feitas à medida e que a nossa experiência internacional poderia ser um contributo no mercado. O Dr. Daniel dos Reis, é luso-canadiano e tem experiência profissional no Reino Unido e no Brasil, atuando principalmente no Direito Imobiliário e ARI-Golden Visa. Já o Dr. Rodolfo Pellicano tem uma vasta experiência internacional superior a 20 anos fora do Brasil: o seu país de origem. Isto em países tão diversos como os Estados Unidos, Suécia, Coreia do Sul, Angola e agora Portugal, atuando essencialmente em Direito Empresarial, Direito Fiscal e Direito migratório de multinacionais.
Atendendo à experiência internacional de ambos e à crescente procura internacional dos últimos anos, constatámos que havia espaço no mercado para criar uma sociedade de advogados focada na procura estrangeira e que tivesse em consideração os aspetos multiculturais de clientes externos. A sociedade foi assim fundada no início de 2019 e tem-se afirmado e crescido de forma estruturada, tendo sido, desde a constituição, iniciados processos de recrutamento de advogados que partilhassem do perfil internacional, mas que de algum modo completassem as valências dos sócios. Pese embora a situação pandémica, constatamos a necessidade de adicionar à equipa já existente pelo menos mais dois advogados até ao final do ano. Pretendemos um crescimento sustentado, de forma a nunca perdermos contacto com o nosso maior ativo, os clientes que depositam confiança nos nossos serviços.

Num mercado (cada vez mais) competitivo, de que forma os vossos serviços primam pela capacidade de diferenciação?
Global Mindset! Essencialmente o grande diferenciador da RP – International Lawyers passa pela experiência internacional dos sócios. O caldo cultural absorvido fora de Portugal permite colocar-nos no lugar do cliente e partilhar dos seus anseios, urgências e necessidades principais. Essa pré-disposição leva-nos a saber dar resposta apropriada à procura provinda de culturas muito diversas. Existe assim, um conhecimento de base dos sistemas de valores dos clientes, assim como das preocupações típicas partilhadas de cada cultura, o que é essencial para criar uma relação de confiança sólida para quem pretende investir em Portugal.

Sabemos que se trata de uma sociedade de advogados multicultural, cujos profissionais possuem diferentes valências complementares, o que lhes permite uma atuação internacional levando em consideração os diferentes aspetos culturais dos seus clientes. O que quer isto concluir?
Na RP – International Lawyers não é só o facto de todos falarmos diferentes línguas que nos distingue, mas sim a capacidade de perceber as preocupações efetivas de cada cliente quando se estabelece ou investe noutro país. Essa visão global permite-nos entender os receios dos nossos clientes e explicar todos os passos necessários para atingir os fins a que se propõem. Como tal, levamos sempre em consideração as diferenças culturais para adaptarmos a nossa prestação de serviços, ao mesmo tempo que também explicamos as especificidades culturais de Portugal. Pese embora tenhamos sempre uma abordagem específica para cada cliente, temos um fio condutor comum: atendimento rápido e diligente.

Tendo clientes em todas as partes do mundo, de que forma se reajustaram à realidade desafiada pelo novo coronavírus?
Na verdade e na prática não sentimos muita diferença na nossa operação do dia a dia. Isto porque a grande maioria das vezes estabelecemos a relação de confiança e o mandato antes mesmo dos nossos clientes virem a Portugal. Como tal, já estávamos totalmente preparados para trabalhar à distância, essencialmente através do email e ferramentas tecnológicas como o Skype, Teams e WhatsApp que permitem contacto instantâneo com qualquer parte do mundo. No entanto, começámos a sensibilizar os nossos clientes de que os tempos médios de conclusão dos processos, devido à grande maioria dos serviços públicos estarem em funcionamento sujeito a agendamento prévio e/ou em teletrabalho, aumentaram sensivelmente (por mais simples que sejam!).

Em que áreas de prática da Reis & Pellicano a Covid-19 teve maior impacto?
No aspeto positivo, essencialmente sentimos um acréscimo de interesse nos pedidos de nacionalidade portuguesa em geral, especialmente de judeus sefarditas, assim como em pedidos de assistência jurídica na aquisição de imobiliário para investimento em Vistos Gold. Como tal, apesar da situação pandémica que muito afetou o mercado jurídico, felizmente, não sentimos qualquer decréscimo de solicitações. No aspeto negativo, a pandemia Covid-19 trouxe-nos desafios como a dificuldade de coordenação de staff em teletrabalho ou dificuldade e demora no atendimento em serviços públicos.

Falemos dos Vistos Gold. Como nos pode explicar o facto de o investimento através dos mesmos ter (quase) triplicado face ao ano anterior, tendo em conta a atual pandemia?
A nossa leitura da situação é a de que momentos de incerteza geram aumento de procura por locais que forneçam segurança e tranquilidade. Como a reação de Portugal à pandemia foi rápida e o país é visto no exterior como um local seguro sanitariamente, isso levou a que fossemos mais procurados por estrangeiros que já equacionavam investir em território luso. Ademais, devido à incerteza que paira no ar, percecionamos uma quebra de procura interna generalizada no mercado imobiliário. Percecionámos também uma quebra no mercado estrangeiro no tier inferior ao dos Gold Visa. Estas situações conjugadas fizeram com que houvesse um movimento interessante de reajuste dos preços do mercado imobiliário, o que tornou o nosso setor dos Gold Visas ainda mais atrativo para quem pretenda investir neste ano. Tudo isto conjugado com as expetáveis mudanças legislativas que se avizinham para os Gold Visas, fizeram com que muitos estrangeiros investidores antecipassem a sua decisão de investir em Portugal em 2020.

Prevê que os cidadãos estrangeiros continuem a obter os Vistos Gold? Quais são os benefícios que analisa?
Prevemos que a procura continue alta, pese embora exista forte concorrência de outros mercados dentro da Europa. Isto porque a hipótese de obter a nacionalidade portuguesa ainda sopesa aquando da escolha de Portugal nos programas de Gold Visa disponíveis, especialmente para cidadãos Brasileiros ou da África do Sul que têm alguma ligação ancestral a Portugal. A valorização dos preços dos imóveis nos últimos anos tem demonstrado que Portugal é um local atrativo para investidores no ramo imobiliário. Ademais, a possibilidade de deter uma autorização de residência europeia, com toda a liberdade de movimentos que tal proporciona, acrescida da necessidade de apenas permanecer sete dias por ano em território nacional, continuam a ser pontos valorizados pelos clientes estrangeiros, mesmo considerando a existência de regimes de Golden Visa externos com valores de investimento menores ou mais céleres na análise dos processos.

A Reis & Pellicano admite que nunca houve tantos cidadãos estrangeiros a querer residir em Portugal. Em relação aos Vistos Gold, como abordam a temática junto dos seus clientes? Trata-se de um processo, também ele, multicultural?
Cumpre-nos a nós, enquanto profissionais que lida com estrangeiros que pretendem investir ou residir em Portugal, explicar o modo como as entidades públicas funcionam e analisam os processos (e os respetivos tempos de análise, que são uma preocupação efetiva e transversal a todos os nossos clientes). Esclarecer integralmente sobre o passo-a-passo do processo de investimento, desde o pedido de NIF até ao eventual pedido de nacionalidade (decorrido o prazo legal, que neste momento se cifra em 5 anos), passando pelas renovações das autorizações de residência e formas de rentabilização do ativo. Portanto, efetivamente o processo é multicultural em todos os aspetos, seja da nossa parte enquanto prestadores de serviços mandatados, para agir em nome dos nossos clientes, seja também da parte dos clientes que passam pelo processo de aprendizagem das especificidades culturais portuguesas.

Que desafios futuros podemos esperar da Reis & Pellicano para garantir o compromisso com o cliente?
Essencialmente pretendemos garantir um compromisso entre o crescimento sustentável e um atendimento personalizado e célere, que permita aferir as necessidades dos clientes e prestar um serviço de aconselhamento técnico individualizado e de excelência. Notamos que muitos de nossos clientes primam por um atendimento com respostas objetivas e com a agilidade que cada um deles espera. O desafio que enfrentamos é não perder o foco, mantendo a relação de confiança que foi estabelecida com a clientela existente, visto que em muitos casos os clientes nem sequer vivem em Portugal, confiando assim as suas vidas e ativos, aos seus advogados, como é caso de muitos detentores dos Vistos Gold.

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