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Rita Duarte

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Quatro “noivas de conveniência” portuguesas constituídas arguidas

As quatro portuguesas, entre os 20 e os 30 anos, foram identificadas pela investigação do SEF como “noivas de conveniência”, refere a organização em comunicado. Todas elas terão aceitado casar com cidadãos estrangeiros a troco de pagamentos, deslocando-se a país estrangeiro para realização do casamento.

“Mulheres com especiais carências económicas eram o alvo preferencial da organização que as recrutava em bairros do Grande Porto e da cidade de Braga”, locais onde decorreu a operação do SEF, refere-se. No desenrolar da chamada operação Zebra, quatro homens foram também constituídos arguidos e detidos pelos crimes de casamento de conveniência e de auxílio à imigração ilegal, em cumprimento de mandados de detenção do Departamento de Investigação e Ação Penal.

Entre os detidos encontra-se o principal cabecilha da rede, um cidadão estrangeiro naturalizado português, bem como estrangeiros que recorreram à organização criminosa quando vieram para Portugal.

A operação envolveu 68 inspetores e conduziu à apreensão “prova documental dos crimes praticados pelos agora arguidos – bilhetes de avião, passaportes e transferências internacionais de dinheiro -, resultante do cumprimento de nove mandados de buscas domiciliárias”. As diligências são o culminar seis meses de investigação delegada no SEF pelo Ministério Público.

Os detidos vão apresentar-se no Tribunal de Braga, para primeiro interrogatório judicial.

Cameron jogou tudo e descobre agora em Bruxelas se pode reclamar vitória

David Cameron

Com tanto em jogo, deixaram de se ouvir as críticas a “chantagem britânica” e os líderes europeus insistem que se trabalhará noite dentro e manhã fora para garantir que David Cameron sai de Bruxelas com um acordo capaz de convencer os seus eleitores, sem beliscar os princípios fundamentais da UE e as preocupação vitais dos restantes Estados.

Para ninguém a jogada é tão decisiva como para o primeiro-ministro britânico que, depois de ter aceitado como boa a proposta apresentada no início do mês pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, não pode regressar a Londres com um acordo que dilua ainda mais as exigências que fez em Novembro. Pior, só o fracasso das negociações, o que seria uma prenda para os eurocéticos, a começar pelos do seu próprio Partido Conservador, e um desaire irreparável no esforço para vencer o referendo à permanência do país na UE.

Um cenário intermédio continua em cima da mesa – a realização de uma cimeira de urgência no final do mês, para dar mais tempo aos negociadores de partir as pedras que continuam no caminho de um acordo. Mas com as sondagens a indicarem que há cada vez mais eleitores a pensar votar “não” no referendo à UE (há valores díspares e a fiabilidade dos estudos ainda não recuperou do fiasco das legislativas, mas a média dos inquéritos indica que a vantagem do “sim” se está a estreitar), Cameron precisa rapidamente de um acordo para conseguir realizar a consulta já em Junho – Downing Street agendou uma reunião do Governo para a tarde de sexta-feira, na qual, a haver acordo, será anunciada a data da votação.

Os últimos dias de negociações foram frenéticos – Cameron foi a Berlim, Paris e Bruxelas, Tusk a meia dúzia de capitais que são vitais para um acordo – e o tom das declarações ganhou dramatismo. Nos corredores da diplomacia ficou claro que, apesar do entendimento de que há uma base para acordo, não tinham ainda sido ultrapassadas as divergências sobre aqueles que são os dois pontos mais polémicos da renegociação: os países mais pobres, com os de Leste à cabeça, estão preocupados com os apoios sociais que Londres poderá recusar aos seus emigrantes no país; Paris teme que Cameron obtenha poder de veto sobre as iniciativas para uma maior integração da zona euro ou fique em condições de isentar a City da regulamentação financeira europeia.

A 24 horas do início da reunião, a chanceler alemã foi o mais longe que podia no apoio a Cameron e à imprescindibilidade de um acordo. “Penso que é do nosso interesse nacional que o Reino Unido continue a ser um membro ativo numa União Europeia forte e bem-sucedida”, disse Angela Merkel no Bundestag, ao explicar aos deputados aquela que é a posição da maior economia da UE.

A chanceler, que tem sido a principal aliada de Cameron, recusou a tese de que Cameron usou a renegociação apenas para calar os eurocéticos do seu partido, ao afirmar que em Bruxelas não vão estar “apenas os interesses particulares britânicos” e que “vários pontos [levantados por Londres] são justificados e compreensíveis”. Sobre a contenciosa proposta para limitar os apoios aos trabalhadores comunitários, disse ser “evidente que cada país membro deve poder proteger o seu sistema social contra os abusos”. Disse concordar com a afirmação, simbólica para Londres, de que nem todos os países estão obrigados a caminhar no sentido de uma maior integração política e afirmou que não deve existir discriminação nas relações entre os membros da zona euro e os restantes, mesmo que aqueles devam ser capazes “tomar decisões por si só”.

Também o primeiro-ministro francês veio dizer que Paris, apesar das reservas que ainda tem, não consegue imaginar a UE sem o país do outro lado do Canal da Mancha. O “Brexit” “seria um choque para a Europa com consequências difíceis de imaginar”, afirmou Manuel Valls, sublinhando como Merkel que a permanência britânica “é do interesse da Europa, da França e do Reino Unido”. A Leste, há sinais de que pouco mudou: o primeiro-ministro checo, Bohuslav Sobotka, disse que está disponível para chegar a um acordo, mas “não à custa dos cidadãos do país – Praga, como os países vizinhos, quer que os cortes no apoio aos imigrantes se restrinjam ao Reino Unido e não aceita que se apliquem a quem já lá reside.

Tusk prometeu enviar uma nova proposta de acordo aos Estados-membros ainda na noite desta quarta-feira e agendou um “pequeno-almoço inglês” para a manhã de sexta, antecipando que as negociações não fiquem terminadas durante a madrugada anterior. “Cameron precisa de uma decisão por isso penso que conseguirá alguma coisa”, nem que seja preciso prolongar as negociações até ao almoço, disse à Reuters um diplomata europeu. Uma urgência que a primeira-ministra finlandesa, Juha Sipila, resumiu de forma clara: “Creio que chegaremos à unanimidade. Se o Reino Unido deixasse a UE seria uma catástrofe, em termos económicos e em muitos outros sentidos, para a União Europeia”.

Testosterona melhora função sexual nos homens com mais de 65 anos

Mas, até agora, os resultados só tinham confirmado que a terapia hormonal fazia aumentar os músculos e diminuir a gordura. Para a função sexual, a capacidade física e a vitalidade, não havia conclusões consistentes.

Por isso, em 2014 iniciou-se um estudo norte-americano alargado para testar se a terapia hormonal melhora aqueles e outros aspetos da saúde em homens com mais de 65 anos e com uma concentração baixa de testosterona. Os primeiros resultados mostram que a hormona melhora a função sexual, segundo um artigo publicado nesta quarta-feira na revista “The New England Journal of Medicine”.

“Os benefícios foram bastante convincentes para a função sexual”, diz Thomas Gill, um dos responsáveis pelo estudo e médico especialista em geriatria da Universidade de Yale, citado num comunicado desta instituição, uma das 12 que fizeram parte dos Testosterone Trials (Ensaios de Testosterona). Algo que nunca tinha sido concluído até agora.

O estudo divide-se em sete ensaios, que além de terem testado a função sexual, a capacidade física e a vitalidade, também tentaram perceber se a administração de testosterona teria um efeito positivo nas capacidades cognitivas, na anemia, na densidade óssea e na acumulação de placas nas artérias coronárias. Os resultados dos últimos quatro ensaios só vão ser publicados lá para 2017 ou depois, segundo a informação que Thomas Gill deu ao PÚBLICO.

Um ano de terapia

A testosterona é a hormona masculina por excelência. É produzida em células dos testículos e durante a puberdade é responsável pelo desenvolvimento sexual. Nos homens adultos, é necessária para a produção de espermatozoides, além de estar associada ao desejo sexual. Mas com o envelhecimento, a quantidade de testosterona vai diminuindo, o que leva à andropausa e pode diminuir a mobilidade dos homens, a função sexual e a vitalidade.

O estudo decorreu ao longo de um ano. Dos 51.085 homens com mais de 65 anos recrutados, apenas 790 (1,5%) puderam integrar o estudo. A principal limitação era o nível de concentração de testosterona no sangue. Um homem na casa dos 30 ou dos 40 anos poderá ter cerca de 500 ou 600 nanogramas por decilitro (um nanograma é um milésimo de milionésimo do grama) de testosterona. Esta concentração pode variar naquela idade, mas vai descendo à medida que as décadas passam.

O estudo exigia que só participassem homens que tivessem menos de 275 nanogramas de testosterona por decilitro de sangue. Os participantes escolhidos tinham de ter “uma concentração baixa de testosterona por nenhuma outra razão além da idade e tinham de ter problemas clínicos para os quais essa concentração baixa pudesse estar a contribuir”, explica-se no estudo, que integrou dezenas de investigadores.

Nem todos os homens que participaram puderam fazer parte de cada um dos sete ensaios. No caso da condição física, era preciso que os participantes tivessem dificuldade em andar e subir escadas. Os participantes que não sentiam especial dificuldade fizeram os testes físicos à mesma, mas não pertenciam ao núcleo duro deste ensaio. Esta subtileza teve importância nos resultados, mas já lá vamos.

Parte dos participantes recebeu um gel com testosterona para aplicar na pele, outra parte recebeu um gel que era um placebo. Ao fim de três, seis, nove e 12 meses, fizeram os testes para cada um dos sete ensaios. Pelo meio, também foi medida a concentração de testosterona. No caso dos homens que receberam a hormona, as doses foram ajustadas para “manter a concentração dentro da variação dos homens jovens”, explica o artigo.

O único resultado claramente positivo foi na função sexual: os homens tratados com testosterona tiveram em média mais atividade sexual, mais libido e a função eréctil melhorada.

No caso da condição física, não houve melhorias no núcleo duro do ensaio – os homens que tinham dificuldades de locomoção e que tomaram testosterona (191 dos 392 que receberam a hormona). Estes não passaram a andar de forma mais rápida do que os homens também com dificuldades de locomoção do grupo que tinha aplicado o placebo. Mas quando a equipa incluiu os homens que não tinham problemas de locomoção, então a aplicação de testosterona proporcionou uma pequena melhoria na condição física.

“É possível que aqueles que tenham sido incluídos no núcleo duro tenham dificuldade em andar por causa de outras razões que não a da concentração baixa de testosterona”, diz Thomas Gill ao PÚBLICO, tentando explicar aquele resultado, que o surpreendeu. “Além disso, a testosterona atua em primeiro lugar nos músculos, e caminhar depende de outras coisas como o equilíbrio, a coordenação e as dores.”

Em relação à vitalidade, a testosterona não diminuiu o nível de fadiga nos participantes. Mas os homens que foram tratados com testosterona sentiram “um pequeno mas significativo benefício em relação ao estado de espírito e aos sintomas depressivos”, lê-se no artigo, o que pode ser importante a nível clínico.

Mas para se saber se a terapia hormonal pode vir a ser prescrita, será preciso fazer ensaios clínicos com mais pessoas e mais prolongados. Embora não tenha havido efeitos adversos associados ao uso de testosterona, um ano ainda não é suficiente para analisar os possíveis efeitos do uso prolongado desta hormona importante.

Barack Obama prepara viagem a Cuba no próximo mês

Barack Obama

A concretizar-se, Obama tornar-se-á no primeiro Presidente dos Estados Unidos no ativo a pisar a ilha em mais de 80 anos.

Segundo a ABC News, o anúncio oficial da viagem vai ser feito hoje na Casa Branca por um alto quadro do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

A visita a Cuba constituiria o culminar do processo de normalização das relações anunciado por Washington e Havana em 2014, e a primeira desde a de Calvin Coolidge, em janeiro de 1928, que se deslocou à ilha para a Sexta Conferência Anual dos Estados Americanos, em Havana.

Segundo a ABC (American Broadcasting Company), a viagem está prevista para 21 e 22 de março, antes de Obama seguir para a Argentina.

Fonte oficial norte-americana, que também falou sob a condição de anonimato, confirmou à agência AFP que o anúncio da visita de Barack Obama a Cuba, inserida numa viagem à América Latina, vai ser feito hoje, bem como que esta terá lugar “nas próximas semanas”.

O antigo Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter foi a Cuba em 2002, ou seja, 20 anos depois de deixar o cargo, a convite do ex-líder cubano Fidel Castro.

Presidente do Eurogrupo afirma existirem “preocupações graves” com Portugal

Jeroen Dijsselbloem

Em audiência no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Jeroen Dijsselbloem, afirmou que “existem preocupações graves”, reportando-se às previsões de Inverno sobre Portugal, que tiveram por base o esboço de Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) apresentado a 22 de janeiro, antes das alterações e da aprovação da Comissão Europeia.

“Se olharmos para a última previsão de inverno, também para Portugal, existe uma razão para essa preocupação e como sabem Portugal saiu do programa (de resgate) sem quaisquer garantias em termos de linhas de crédito”, disse Dijsselbloem, para referir ser “crucial” que o país “se mantenha independente do ponto de vista financeiro e isso exige que tenha acesso aos mercados”.

“O Governo está consciente da situação, manifestou o seu empenho forte e sincero para cumprir o pacto”, afirmou.

O responsável do Eurogrupo respondia a uma intervenção de Markus Ferber, do PPE, que lembrou “preocupações” pela proposta do OE 2016 “não só ter sido apresentada demasiado tarde”, mas também por incluir um “conjunto de compromissos eleitorais que tinham que ser implementados”.

Além da Comissão Europeia, “também houve preocupações no Eurogrupo”, disse o eurodeputado, acrescentando a pergunta sobre o que o conjunto de países da zona euro vai fazer para garantir que Portugal cumpre a “definição, aprovação e execução do OE”, uma vez que o país “não deverá cair de novo numa situação problemática”.

Acerca da entrega do documento orçamental, Dijsselbloem admitiu ter “obviamente chegado tarde, por razões que são compreensíveis”, numa referência ao processo de formação do novo executivo, na sequência das eleições legislativas de outubro.

O responsável recordou ainda o processo de “discussões intensas” entre Lisboa e a Comissão Europeia devido ao “hiato demasiado grande sobre onde estava o Orçamento e onde deveria estar o Orçamento”.

“A Comissão fez bem, manifestou as suas preocupações e disse às autoridades portuguesas que deviam fazer mais para estarem de acordo com o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e também, o que é talvez ainda mais preocupante, que Portugal se mantinha o acesso aos mercados”, referiu.

Dijsselbloem recordou que o assunto português, e de outros países em risco de não cumprirem o PEC, será reanalisado na primavera, aquando das novas previsões económicas.

Governo dá novas medidas sociais sem impacto orçamental ao BE e ao PCP

A 16 de Março será a votação final global. De acordo com as informações a que o PÚBLICO teve acesso, estas medidas não irão aumentar a despesa nas contas públicas.

O objectivo do Governo é cumprir assim os acordos bilaterais que assinou com o BE, o PCP e o PEV e manter a meta estabelecida de que seria devolvido poder de compra às pessoas. O Governo está convicto de que “é possível no quadro europeu, viver melhor em Portugal”. Para realizar as suas metas tem assim de negociar em permanência na frente europeia, mas também na frente interna com os partidos que o suportam parlamentarmente.

Estas medidas deverão ser aceites como compensação à esquerda pelo facto de o Governo ter sido obrigado, nas negociações com a Comissão Europeia, a deixar cair a redução da TSU para as pessoas com rendimentos até 600 euros, que tinha sido reintroduzida nos acordos bilaterais pelo BE, depois de o PS ter abandonado a versão inicial de baixa da TSU permanente para patrões e por oito anos para trabalhadores. A baixa da TSU das empresas foi recuperada entretanto por proposta das confederações patronais e é aprovada nesta quinta-feira em Conselho de Ministros.

Fora do OE

As negociações estão ainda a decorrer, mas o PÚBLICO sabe que o Governo está disponível para aceitar uma ou duas medidas das já anunciadas pelo PCP e que esta semana foram anunciadas para a discussão na especialidade pelo líder parlamentar do PCP, João Oliveira. O Governo inclina-se a aceitar a redução da taxa máxima do IMI de 0,5 para 0,4%, tendo em conta que esta medida não afeta o Orçamento de Estado diretamente e que apenas atinge as principais câmaras.

Outra proposta do PCP que poderá ser aceite é a de que este ano não haja aumento das propinas no ensino superior. Mais difícil de concretizar parece ser a adopção da progressiva gratuitidade dos manuais escolares e as alterações das condições do subsídio social de desemprego.

Também este ano deverá ir para a frente ano o alargamento da tarifa social de energia para consumidores com vulnerabilidade económica proposta pelo BE, que incluirá a tarifa social que existe desde os Governos de José Sócrates e que é suportada pela EDP Produção, bem como o apoio social extraordinário que foi acrescentado pelo Governo de Passos Coelho e que é suportado pelo Orçamento do Estado.

A novidade na proposta do BE é que os custos da medida sejam suportados apenas pela EDP Produção e que saiam do Orçamento, onde representavam um encargo de seis milhões de euros. A expectativa é de que a medida usufruída por cem mil pessoas possa ser muito alargado, já que a ela terão direito automático os utentes abrangidos pelo abono de família de 1.º e 2.º escalão, pelo complemento social de idosos, pensão social de invalidez ou de velhice, subsidio social de desemprego, rendimento social de inserção.

A sombra da dívida

Com o OE 2016 encaminhado, o Governo prepara-se para a próxima ronda de negociações com a Comissão Europeia e com os parceiros parlamentares sobre o que deverão ser as opções orçamentais para 2017. O primeiro embate é já em Abril na previsão do semestre europeu.

De acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, as negociações parlamentares “têm corrido bem, têm funcionado”. O Governo informou o BE e o PCP das negociações com Bruxelas e tem havido preocupação do BE e do PCP em apresentar alternativas fiscais para arrecadar receita. O PCP e o BE têm pedido dados para fazerem a sua avaliação das contas públicas e fazerem as suas propostas, as quais obedecem à leitura que estes partidos fazem dos dados económicos, assim como às prioridades e às opções próprias e não coincidentes com as do PS, mas a negociação tem sido possível.

O Governo não está, porém, disponível para vir a introduzir qualquer tópico sobre reestruturação da dívida externa, pública ou privada, nas negociações com a Comissão Europeia. Esta posição foi reafirmada ao PÚBLICO por um membro do Governo, reagindo ao que é a posição aprovada no plenário nacional de sábado da Plataforma Unitária do BE, corrente interna que integra Catarina Martins, Marisa Matias, Mariana Mortágua, Francisco Louçã, João Semedo, José Manuel Pureza, Jorge Costa, José Soeiro, José Gusmão, Pedro Soares.

No comunicado da reunião de preparação da posição da Plataforma Unitária sobre a estratégia do BE a aprovar na Convenção deste ano, pode ler-se: “O Novo Banco e a dívida são, a curto prazo, pontos de divergência e potencial conflito com o PS e o Governo, para os quais nos devemos preparar”. E concretizando, o documento afirma que “a dívida é um brutal constrangimento à política económica, ao investimento público, às políticas de emprego e ao financiamento do estado social”, concluindo:” Sem outra política para a dívida, muito dificilmente o OE de 2017 continuará o sentido de mudança que, mesmo mitigada, encontramos no OE deste ano. A reestruturação da dívida continua no centro da nossa alternativa.”

Em breve, vai ser constituído o grupo destinado a estudar a sustentabilidade da divida externa, pública e privada, um dos grupos saídos das negociações com o BE. Mas, de acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, “se o BE insiste nesta questão, é confrontado com o não do PS”. Mais, o mesmo membro do Governo frisou: “O BE sabe que a experiência de confrontação já fracassou com a Grécia e com o partido irmão do BE, o Syriza, pelo que o BE não pode deixar de ter isso presente”. E o mesmo membro do Governo concluiu: “O BE tem que ter em conta que se o seu objectivo é sair do euro, o Governo não tem esse objectivo.”

O membro do executivo sustentou ainda que o Governo nunca falará em renegociação da dívida em público e “quando o Governo vier a falar com Bruxelas sobre a renegociação da dívida, fá-lo-á sempre nos bastidores, em privado, e deixará que seja a Comissão Europeia e as instituições a tomar a iniciativa de anunciar qualquer decisão nesse domínio”. Isto porque, rematou “o PS é um partido europeísta e não mudará nisso”. E indo mais longe, este membro do Governo contra argumentou: “Se a execução orçamental correr bem, não vejo como é que BE pode pôr em risco a manutenção do Governo. Se quiser correr esse risco, está à vontade, mas enquanto houver melhoria das situação das pessoas, não há campo para o Governo cair.”

Gerir as negociações do OE2016 com a Comissão Europeia e com o BE, o PCP e o PEV, parece estar a ser mais fácil para o primeiro-ministro do que fazer passar a sua mensagem na comunicação social. Para ultrapassar essas dificuldades, o Governo decidiu passar por cima dos jornais, rádios e TVs e falar diretamente ao povo. Assim, colocou na rua 16 ministros durante o fim de semana para explicarem o OE2016. E ele mesmo gravou um conjunto de vídeos em que defende a bondade das suas medidas.

Explosão na capital da Turquia em zona de edifícios militares

Ancara

Foi ouvida há pouco uma forte explosão em Ancara que foi igualmente escutada em várias zonas da capital turca.

Segundo a estação CNN Türk, a explosão, ainda de causa desconhecida, deu-se perto de uma zona de edifícios militares em Ancara. Haverá feridos. A agência Dogan News está a avançar que a explosão foi causada por um veículo armadilhado que tinha como alvo um autocarro militar.

Nas redes sociais já foram divulgadas imagens de uma coluna de fumo no centro da cidade.

DBRS diz que ‘rating’ de Portugal está “muito estável”

Bandeira de Portugal

“Desde que o Governo não se desvie do caminho traçado em termos orçamentais e que o crescimento continue a corresponder, Portugal parece estar muito estável”, disse hoje Fergus McCormick, chefe de Ratings Soberanos da DBRS, referindo-se à avaliação que a agência faz da notação de risco da República portuguesa.

A DBRS é a única agência de ‘rating’ que coloca a dívida soberana de Portugal em nível de investimento – para a Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch é considerada lixo – permitindo que o país beneficie do programa de compra de ativos do Banco Central Europeu e que a sua dívida possa ser aceite como colateral. Este programa é fundamental para que o país consiga financiar a juros mais baixos tanto as administrações públicas, como os bancos, empresas e consumidores.

Numa teleconferência realizada hoje, Fergus McCormick reconheceu que os analistas da DBRS não estão “satisfeitos com a reversão de algumas medidas” de reforma que tinham sido aplicadas pelo Executivo de Passos Coelho, mas assegurou que o desagrado “não é o suficiente para mudar” a nota que é atualmente atribuída ao país.

Aliás, a DBRS ficou agradada com a garantia de que haverá “espaço para medidas adicionais se a consolidação orçamental começar a derrapar”. O responsável dos ‘ratings’ soberanos notou também que “o défice português é relativamente baixo” e que isso retira alguma da preocupação com o país. Além disso, considera “ambiciosa” a meta de redução do défice de 2,2% do PIB.

Sobre a dívida pública, McCormick defende que o facto de as perspetivas de crescimento serem “robustas” faz com que seja plausível esperar “pelo menos uma estabilização” do rácio da dívida face ao PIB, ou até mesmo “um ligeiro declínio”. E argumenta com a projeção de crescimento de Espanha – o principal parceiro comercial de Portugal – para este ano, em torno de 3%.

Costa confia numa “boa solução” para o aeroporto Sá Carneiro

António Costa

António Costa, que falava aos jornalistas à margem de uma sessão da “Volta Nacional Simplex”, uma ação participativa do “Simplex 2016”, destinada a ouvir autarcas, empresários e cidadãos sobre os principais constrangimentos com que se deparam na administração pública.

Confrontado com declarações do Presidente da Câmara do Porto em que este criticou a indefinição na postura da TAP, quanto ao Aeroporto Sá Carneiro, o primeiro-ministro remeteu esclarecimentos para o final da reunião que hoje terá com Rui Moreira, mas mostrou-se esperançado em que seja encontrada uma solução.

“Encontraremos certamente uma boa solução para aquilo que é estratégico, não só para o Porto como para o país, para que seja mantida no Aeroporto Sá Carneiro uma base aeroportuária, que ajude a internacionalização de toda a região norte e da cidade do Porto e permita continuar a servir cada vez melhor as necessidades da economia do país”, declarou.

O primeiro-ministro escusou-se a tecer mais comentários sobre as declarações do autarca, com quem reunirá da parte da tarde, prometendo “ouvir com toda a atenção as queixas e reclamações que a Câmara do Porto tem a apresentar”.

“Temos tido uma excelente relação com a Câmara do Porto e assim vamos continuar a ter. Uma das regras para que corra bem é que as conversas se façam no lugar próprio e não através da comunicação social”, disse.

António Costa recusou igualmente falar da possibilidade de a Ryanair explorar as rotas que a TAP explorava com base no Aeroporto Sá Carneiro: “Não vou estar a fazer comentários sobre rotas nem substituir aqui a conversa que terei com o presidente da Câmara do Porto, com quem tenho audiência esta tarde”, respondeu, quando questionado pelos jornalistas.

Industriais de lacticínios criticam “guerrilha” de Espanha ao leite luso

“Demarcamo-nos, evidentemente, de ações deste género, mas cumpre-nos alertar para a eventualidade de acontecerem atitudes de retaliação dos produtores portugueses em relação aos camiões carregados de leite provenientes de Espanha que todos os dias circulam em Portugal”, afirmou Paulo Leite.

Na noite de segunda-feira, um camião português que transportava leite foi barrado e despejado em Lugo, na Galiza, por produtores locais.

Para Paulo Leite, este incidente contribuiu para “inflamar” ainda mais os ânimos dos produtores nacionais.

Segundo a ANIL, desde maio de 2015 que a Polícia Autonómica Galega tem em curso uma campanha de controlo do leite e derivados provenientes exclusivamente de Portugal, “com o pretexto de comprovar a rastreabilidade do leite que chega em camiões cisternas e embalado, para que tanto a origem como o processo de transporte e chegada ao destino cumpram com todos os requisitos legais”.

“Até agora, não foi detetada qualquer anomalia no leite português em termos de saúde pública, de qualidade ou de legalidade”, afirmou Paulo Leite.

Para este responsável, o que está verdadeiramente em causa é uma “estratégia protecionista” do leite espanhol, inserida numa “guerrilha comercial” que visa travar a entrada do produto português.

“O leite português cumpre todas as normas, não tem qualquer problema de qualidade nem de legalidade”, reiterou.

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