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Rita Duarte

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Alzheimer, uma resposta Global e Integrada

Equipa NeuroSer

Com o aumento da esperança média de vida, existe uma preocupação crescente com o envelhecimento da população e com uma futura “epidemia mundial de demências”. Existem, de facto, razões para tal?
Realmente, fala-se muito na preocupação com o envelhecimento da população, ainda que esta preocupação se esfume muitas vezes nas palavras e raramente se consolide em atos de verdadeiro interesse social. A idade avançada é um período frágil da vida que carece de quase tanta atenção como aquela que é dada no início da vida, pois o envelhecimento do corpo torna-o mais vulnerável do ponto de vista biológico. Criam-se assim oportunidades para o desenvolvimento de diversas formas de patologia, nomeadamente aquela que se relaciona com a função cerebral, em que se incluem as demências. A este propósito, é necessário que cada um de nós se consciencialize de que, num futuro, mais ou menos próximo, todos temos grandes possibilidades de vir a cuidar de alguém que nos é querido e que venha a sofrer de demência, ou que alguém venha a cuidar de nós.

Alexandre Castro Caldas
Alexandre Castro Caldas

Parece existir elevado “pudor” em falar de doença de Alzheimer ou de outras demências em Portugal, existindo até algum estigma associado. Tal não levará a que se perca tempo precioso, nomeadamente para um diagnóstico precoce?
Segundo os resultados de um inquérito recente, apoiado pela Direção Geral de Saúde e pela Associação Alzheimer Portugal, a demência constitui uma das doenças mais temidas pelos portugueses, logo atrás do Cancro e do AVC. Os inquiridos referiram também que a sua perceção é de que a maioria das pessoas na comunidade considera que estas pessoas deixam de poder participar em atividades de caráter social, o que reflete que existe, efetivamente, ainda um estigma associado a esta patologia. Ainda assim, têm sido dados passos importantes no sentido de tentar divulgar e de melhor informar as pessoas sobre a patologia. Um diagnóstico precoce pode revelar-se de grande utilidade para se tentar prolongar o mais possível a independência e autonomia da pessoa e também para ajudar a família a lidar com a evolução da doença.

Perante um diagnóstico de doença de Alzheimer ou de outra demência, sabendo que à data não é possível parar a sua evolução, que soluções existem?
De um ponto de vista farmacológico, existem medicamentos que permitem ajudar a controlar alguns dos sintomas, ainda que não exista qualquer fármaco que permita reabilitar ou parar a evolução da patologia. Com efeito, os livros de textos médicos relatam com minúcia os mais ínfimos detalhes moleculares que justificam o que é observável e propõem soluções parciais, claramente insuficientes face às expectativas dos que acompanham os que sofrem de demência. De um ponto de vista não farmacológico, é importante que a pessoa se mantenha o mais possível ativa, que se evite o isolamento social, assim como que se evite uma “institucionalização precoce”. Sempre que possível, a permanência da pessoa no seu ambiente familiar é de grande relevância, não só para a própria pessoa, mas também para a família, que, com a institucionalização precoce, vê muitas vezes a sobrecarga física ser ultrapassada pela sobrecarga emocional. Neste âmbito, as soluções integradas de proximidade assumem importância cada vez maior.

Que tipo de soluções integradas de proximidade?
Importa relembrar que a demência não afeta de igual forma todas as pessoas e que, mesmo para uma única pessoa, os impactos na funcionalidade vão variando ao longo do tempo. Neste sentido, uma abordagem integrada que agregue várias valências, permitindo uma intervenção de um ponto de vista cognitivo, físico, emocional e social é útil e necessária. Já começam, a surgir entidades em Portugal, como é o caso do NeuroSer, que procuram dar uma resposta especializada e integrada orientada para pessoas com demência e as suas famílias, nomeadamente em regime de ambulatório, compreendendo as limitações, mas, sobretudo, explorando as potencialidades e promovendo o mais possível a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida da pessoa. Nestes casos, a flexibilidade e o conhecimento da patologia são importantes para se conseguir lidar com situações naturais de recusa, assim como alterações de humor e comportamentais, sem comprometer os objetivos da intervenção, que deve ser percebida numa lógica de continuidade e não pontual ou de reabilitação clássica. Tal implica, naturalmente, recursos humanos em quantidade e com formação especializada.

Estamos a falar de que recursos humanos e de que tipo de intervenções?
Para que exista verdadeiramente uma abordagem integrada, estamos a falar do envolvimento de médicos, neuropsicólogos, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, auxiliares, entre outros, que devem trabalhar em conjunto e partilhar os diversos pontos de vista no estabelecimento e avaliação contínua do plano de intervenção. É necessário compreender que a abordagem clássica falha por vezes nestes casos. A título de exemplo, de que serve pedir a uma pessoa numa fase mais avançada da demência para levantar o braço dez vezes, se nisso ela não vê utilidade e interesse? A resposta esperada nestes casos pode ser de recusa e, se acompanhada por insistência, uma recusa com agressividade. Tal não implica, no entanto, desconsiderar o importante papel que as intervenções podem ter, havendo que delinear uma intervenção que, ainda que com objetivos muito concretos, se adapte à situação, aos interesses e à história de vida da pessoa.

Mais concretamente…
Mais concretamente, em função da pessoa e da fase da demência, tal poderá passar por uma intervenção mais tradicional, através da realização de sessões mais estruturadas de estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia da fala, consoante as funcionalidades afetadas ou em risco, ou por uma intervenção mais flexível, ecológica e global que inclua a realização de atividades ocupacionais, do interesse da pessoa, planeadas e orientadas por um ou mais dos especialistas antes referidos, como uma deslocação à mercearia do bairro, a um jardim ou mesmo a um museu, a realização de uma atividade de culinária, de jardinagem, de bricolagem, uma sessão de leitura conjunta, atividades com música, como a dança, o canto ou apenas escutar. Se bem planeadas e acompanhadas, através destas atividades podem ser alcançados importantes objetivos, como promover a participação e estimular novas ideias e associações; intervir ao nível a orientação, pessoal, temporal e espacial; melhorar as funções motoras, entre as quais a força e o equilíbrio; estimular a comunicação, facilitando a interação social e familiar; e contribuir para a autonomia e o bem-estar da pessoa e da família.

Por várias vezes aqui foi referida a família. Qual o seu papel?
A sociedade gerou novos conceitos, modelos e designações, das quais se destaca a designação de cuidador, considerado nuns casos formal, noutros informal, sendo que o informal é o familiar que ao mudar de nome muitas vezes se despe dos afetos e da dificuldade dos lutos. Se não forem devidamente acompanhados e apoiados os familiares, sobretudo os que assumem o papel de cuidador informal, entram em sobrecarga física e emocional, acabando também eles por adoecer. Para além de um acompanhamento emocional, assume relevância a partilha de conhecimento e de formas de atuação. O reforço das capacidades e competências contribuirá para as famílias poderem melhor adaptar a sua forma de atuar a cada circunstância e para manter a qualidade das relações familiares.

Coimbra Comunidade do Conhecimento e Inovação na Resposta ao Envelhecimento

João Malva

Portugal irá enfrentar o grande desafio do envelhecimento. Em 2060 seremos um dos países mais envelhecidos do mundo e, em contrapartida, atingiremos uma das mais baixas taxas de natalidade. A emigração apenas reforçará este cenário negativo. O número de pessoas com mais de 85 anos irá crescer rapidamente e teremos uma sociedade onde idosos cuidam de idosos. Neste contexto, é premente contornar este perfil demográfico e criar soluções que possam dar resposta ao nível “da magnitude deste desafio”, explica João Malva. Esta capacidade de reversão será concretizada com “uma articulação entre políticas de natalidade, de apoio à família e ao emprego”, de modo a reter jovens talentos e impulsionar o crescimento da população ativa. Para isso, é importante uma articulação entre os serviços públicos e privados, questão na qual o Estado português terá um papel determinante: “as políticas de saúde e de educação são fundamentais”, “o nosso país tem dois ministérios muito distantes, que só se tocam muito pontualmente – a Saúde e a Solidariedade Social – e é preciso que as respostas sejam integradas, porque um idoso frágil ou doente é precisamente alguém que precisa de ajuda social”, defende o coordenador. Por outro lado, é igualmente indispensável “a resposta civil, ou seja, o modo como os cidadãos, as empresas e as estruturas de um modo geral se associam”. De facto, a resposta encontra-se na dinâmica social entre os diferentes atores e numa simbiose intergeracional, na qual jovens e idosos cooperam no sentido de encontrar soluções capazes de dar resposta aos desafios futuros.
A sociedade atual tem igualmente a missão de dotar crianças e jovens de estilos de vida saudáveis e ativos, que lhes permitam, no futuro, entrar na senioridade física e psicologicamente robustos e independentes.

Ageing@Coimbra

Este consórcio foi criado através de uma parceria entre a Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal de Coimbra, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes e a Administração Regional de Saúde do Centro, com o crucial apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Surge no âmbito desta premência de compreender os desafios trazidos pelo envelhecimento; de criar boas práticas que se repliquem para outras regiões da Europa, através da Parceria Europeia de Inovação para o Envelhecimento Ativo e Saudável; e de abrir horizontes a outras entidades, cujo foco seja a investigação e desenvolvimento de soluções que promovam o envelhecimento ativo e saudável; e vejam na tecnologia um veículo para a criação de novas oportunidades – porque os recursos tecnológicos são parte fundamental do desenvolvimento de meios de apoio ao envelhecimento. Deste modo, é possível criar sinergias entre o empreendedorismo, o acesso ao emprego e o desenvolvimento económico e a procura de novos serviços e produtos a pensar no cidadão sénior.
Assim, os projetos, multidisciplinares, procuram dar resposta a um conjunto de grupos de ação, resultantes de um desafio lançado pela Europa, com o objetivo de “encontrar parceiros comprometidos em desenvolver boas práticas e, neste processo promover Regiões Europeias de Referência”. Adesão à terapêutica; prevenção de quedas; prevenção da fragilidade; cuidados integrados e monitorização remota de saúde; e serviços amigos do idoso são, então, os cinco grandes grupos de ação do Ageing@Coimbra.
Atualmente, a vasta equipa, especializada em distintas áreas do saber, integra diferentes projetos no âmbito da “polimedicação, prevenção da fragilidade e das quedas e cuidados integrados”. João Malva refere, no contexto da polimedicação, a importância de uma maior atenção a idosos isolados ou com problemas de memória, que perdem o controlo sobre a sua medicação. Deve promover-se uma interação mais ativa entre especialidades, de modo a que os pacientes não acumulem quantidades desnecessárias, e prejudiciais de medicamentos. Por outro lado, é fundamental promover a adesão à terapêutica, assegurando o respeito pelas indicações dos profissionais de saúde.
Importa ainda salientar os dois projetos bandeira em desenvolvimento no Ageing@Coimbra e que se complementam entre si: “a criação de um Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, que valoriza o conhecimento sobre o envelhecimento”. Porque o acesso a um saber aprofundado relativo a esta temática permite uma maior qualidade e adequação das soluções a desenvolver. Perspetivando ainda este espaço como parte integrante numa cidade amiga do idoso, o consórcio pretende ainda transformar parte das cidades em campo da vida, onde os “cidadãos mais idosos se sentem plenamente integrados, com aprendizagem ao longo da vida, participação na criação e desenvolvimento de produtos juntamente com jovens empreendedores, cuidados médicos personalizados e apoio social integrado com a saúde”.
Deste modo, e com base no seu desempenho de excelência e desenvolvimento de projetos fundamentais para a sociedade, o Ageing@Coimbra pretende continuar a crescer e a fomentar novas parcerias que promovam o progresso nesta área.
O futuro continuará a passar por “replicar as boas práticas que se geram, para que mais cidadãos pela Europa possam usufruir destas, com os objetivos de viver melhor, de forma independente e ativa durante mais tempo”. E, como consequência deste aspeto, “elevar o potencial económico dos produtos e serviços baseados em conhecimento avançado, criando uma nova geração de empreendedores”.

Coimbra, Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável

Coimbra é considerada pela Europa Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, baseando o seu percurso num desenvolvimento de projetos e soluções. Questionado sobre os motivos que levam esta zona do país a ser considerada e respeitada pela Europa, João Malva não hesita em responder. “A Região Centro tem várias particularidades interessantes e talvez por isso a Comissão Europeia tenha olhado com tanta atenção para o AGEING@COIMBRA”. A diversidade populacional e ambiental são aqui fatores de destaque, nomeadamente “o equilíbrio demográfico no litoral associado à assimetria no contexto rural”, “a heterogeneidade em termos de ambientes físicos, desde planícies a zonas montanhosas”. E todo este contexto “cria vários laboratórios vivos que permitem aos jovens inovadores encontrar soluções para aqueles ambientes que são facilmente replicáveis noutras regiões da Europa”.
Por outro lado, não podemos deixar de mencionar o papel da Universidade, as incubadoras e centros tecnológicos, as unidades de investigação, entre outras entidades de máximo relevo nesta área que se inserem na zona Centro de Portugal.

“Para que haja envelhecimento ativo e saudável, é necessário aumentar o conhecimento sobre o mesmo”

Maria Vaz Patto

O envelhecimento é uma preocupação crescente da nossa sociedade e torna-se premente promover a investigação, de modo a melhor compreender os desafios desta faixa etária. A FCS-UBI tem vindo a desenvolver um excelente trabalho neste âmbito, através de distintos projetos. Como define a postura da instituição neste contexto?
A FCS-UBI tem um interesse profundo na investigação e no acompanhamento do envelhecimento, quer pelo seu papel na educação dos futuros médicos, quer pela sua consciencialização da necessidade de promover um envelhecimento ativo e saudável.

Luis Taborda Barata, Presidente desta faculdade, afirmou em 2014: “a nossa visão é: que não seja a faculdade, que não seja o hospital, que não seja a câmara, que não seja o lar a fazer ou a tomar medidas isoladas, mas todo o tecido social”. De que modo a faculdade tem contribuído para este envolvimento entre os diferentes atores que visam responder às questões relacionadas com o envelhecimento?
A FCS tem contribuído para esse envolvimento através de projetos com parceiros variados. Inserida numa região demograficamente muito envelhecida, teve, em termos de ensino, a preocupação de fornecer aos seus alunos conhecimentos na área da Geriatria, tendo sido, em 2001, o primeiro curso de Medicina em Portugal a inserir o Módulo de Geriatria obrigatório no seu currículo. Posteriormente, através do mestrado em Gerontologia, forneceu formação pós-graduada a médicos e a outros profissionais de saúde e de outras áreas de conhecimento, permitindo, assim, a capacitação de recursos humanos numa área carente de profissionais qualificados para melhoria da qualidade de vida do idoso. Finalmente, alguns cursos de formação curta, em aspetos distintos de cuidados ligados ao envelhecimento, irão ter início em breve.
Em termos de investigação e de intervenção na comunidade, foram já iniciados ou estão em fase de pré-implementação vários projetos integrados, focando aspetos de envelhecimento ativo e patológico, envolvendo outros parceiros, nomeadamente outras faculdades da UBI, autarquias, residências sénior, farmácias, Institutos Politécnicos e unidades de saúde.

Que projetos têm atualmente em prática no sentido de melhorar a qualidade de vida do idoso e permitir-lhe um envelhecimento mais ativo e saudável?
Para que haja envelhecimento ativo e saudável, é necessário aumentar o conhecimento sobre o mesmo. Assim, na FCS, a formação tem estado a estender-se a várias classes profissionais, bem como ao próprio idoso e seus cuidadores. Temos um projeto de “Educação para a saúde”, dirigido a idosos, em parceria com residências sénior, com grande sucesso. Pretendemos continuar a melhorar essa oferta e, através de parcerias já estabelecidas, alargá-la e dirigi-la para os interesses do idoso e das instituições que o acolhem. Também temos projetos com coortes de idosos, para telemonitorização e farmacovigilância. Um outro projeto envolve alunos de Medicina a acompanhar regularmente idosos durante cerca de 2 anos.

O Laboratório de Neurofisiologia Clínica da FCS tem sido determinante no campo da investigação, nomeadamente no contexto de patologias neurológicas, como a Demência, a Doença de Parkinson ou o Acidente Vascular Cerebral. De que forma podemos associar estas doenças ao envelhecimento e, assim, preveni-las junto dos idosos?
A senescência e as suas alterações fisiológicas e fisiopatológicas aumentam a predisposição para este tipo de patologias. O Laboratório de Neurofisiologia Clínica da FCS tem-se dedicado ao estudo destas alterações e à influência de medidas de prevenção, mas também tem tido a preocupação de inserir os resultados obtidos nas reuniões que temos com idosos, o que lhes permite ter uma ideia acerca da sua saúde e discutir medidas de prevenção.
Há que ressaltar as atividades práticas das associações de alunos da faculdade junto da população idosa da região e que frequentemente dizem respeito à prevenção daquelas patologias.
Finalmente, várias ações surgem através de colegas de Medicina Geral e Familiar docentes da FCS, que também estão envolvidos em projetos de investigação e intervenção comunitária, o que permite uma ação muito mais concreta sobre a população mais idosa e uma melhoria marcada nos cuidados a oferecer.

Os vossos projetos têm mostrado resultados que podem ter aplicações diretas no âmbito clínico. De que benefícios concretos estamos a falar para os doentes inseridos nesta faixa etária?
A melhoria na qualidade de cuidados de saúde geriátricos, na aplicação da terapêutica, nomeadamente novas abordagens, e no acesso a cuidados preventivos. Também o acesso a diagnósticos e tratamentos mais diferenciados e que, pela presença da FCS, se tornaram muito mais acessíveis. Por exemplo, no próprio Laboratório de Neurofisiologia Clínica ou no recentemente inaugurado Centro Clínico e Experimental em Ciências da Visão, da FCS, ou mesmo através da UBIMedical.

A abrangência das áreas de investigação do Laboratório de Neurofisiologia Clínica permite uma colaboração estreita entre profissionais, nacionais e internacionais, ligados a diferentes áreas que não apenas a medicina. Esta partilha de conhecimentos tem sido importante para o progresso das vossas investigações?
A colaboração multidisciplinar e multiprofissional é fundamental e desenvolvemo-la através de interações com médicos, outros profissionais de saúde, engenheiros e professores de educação física, entre outros. Atualmente, temos connosco uma nutricionista doutorada brasileira, estudante de pós-doutoramento e temos sido visitados por alunos de várias universidades (México, Holanda, Venezuela), através de convénios. Assim, os projetos que estamos a desenvolver baseiam-se em equipas multidisciplinares e internacionais, cujas experiências diferentes contribuem para enriquecer as nossas abordagens.

O envelhecimento continuará a ser parte dos desafios sociais do futuro? Qual será o papel da FCS-UBI neste âmbito?
A seguir as linhas demográficas recentes, vai chegar uma altura em que vamos estudar o “caso raro do adulto jovem”, já que a maioria de nós será idoso! As mudanças sociais e políticas que este envelhecimento gradual da população vai trazer são enormes. Assim, o papel das instituições de ensino superior como a FCS, interessadas em estudar e avaliar os vários aspetos ligados ao envelhecimento, é muito importante. A FCS quer continuar a aprofundar a sua intervenção e inovação na investigação, formação, monitorização, prevenção e outros aspetos do envelhecimento, nomeadamente através do aumento das suas colaborações nacionais e internacionais. Em termos de envelhecimento, o futuro vai ser seguramente interessante.

“PREZAMOS A INOVAÇÃO E A SEGURANÇA E O CALCITRIN FAZ PROVA DISSO HÁ SEIS ANOS”

Pedro Baptista

Qual é visão e a estratégia da empresa Viva Melhor, que comercializa o Calcitrin?
A empresa Viva Melhor desenvolve há 10 anos, em Portugal, soluções educativas e suplementos alimentares .
Com as publicações que editamos visamos especialmente a reeducação alimentar e a adoção de estilos de vida saudáveis que, na sua essência, significam a definição de Saúde da OMS como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e enfermidades”.
Na sociedade atual é de grande relevância uma alimentação saudável e equilibrada, dado que a principal fonte de doença no ser humano é mesmo a alimentação e o estilo de vida.
A saúde compra-se principalmente no supermercado e nos restaurantes com os ingredientes que escolhemos para a nossa alimentação. Os suplementos alimentares têm também um papel importante, pois muitas vezes as escolhas nutricionais deficientes criam a necessidade de complementos de reequilíbrio e foi nesta perspetiva que a Viva Melhor se posicionou neste setor.  Com o desenvolvimento tecnológico e científico aplicados à nutrição, os suplementos alimentares são uma realidade incontornável da atualidade.

A vossa empresa cresceu discretamente mas hoje tem uma posição forte no mercado dos suplementos alimentares. Como desenvolveram este percurso?
Ao longo de uma década sempre padronizámos a nossa atuação por valores de inovação e segurança no que fazemos, por isso temos procurado estar na linha da frente em todas as áreas: investigação e desenvolvimento, transparência publicitária, produtos credíveis e de alta qualidade, que têm sido uma referencia no mercado. Consequentemente a notoriedade da nossa marca tem vindo a crescer, afirmando o seu valor e criando um elevado capital de confiança junto do público.

Recentemente foram objeto de um ataque violento do Bastonário dos Farmacêuticos. Maurício Barbosa diz que o Calcitrin faz publicidade enganosa. Como interpretam esta ação? Como reagem?
Foi com muita surpresa que no passado mês de dezembro assistimos a essa intervenção, vendo o principal responsável de um organismo que deveria ser um exemplo das boas práticas de informação em saúde protagonizar uma sequência de intervenções lamentáveis para denegrir o nosso produto.
As declarações proferidas foram, na substância e no estilo, verdadeiramente ofensivas para a nossa Marca e a alegação de supostas questões publicitárias foi por nós entendida como mero pretexto para a mediatização, inclusive porque partia de uma argumentação legalmente errada.
Todas as praticas publicitárias da nossa empresa cumprem os normativos legais, e com referência ao Calcitrin em particular,  as chamadas “alegações de saúde” veiculadas na publicidade estão conformes ao estipulado pela AESA – Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, em Portugal representada pela DGAV.

Um dos vetores do discurso do Bastonário era o dos riscos do produto para a saúde e o bem-estar das pessoas. Que comentário vos merece?
Esse discurso não faz sentido algum e a prova disso é que, na sequência das declarações polémicas do Bastonário, emitiu a DGAV um comunicado em 22-12-2015 onde clarifica de forma ampla o enquadramento legal do suplemento alimentar Calcitrin há seis anos no mercado e dos benefícios que o seu consumo alega “para a manutenção dos ossos normais”.
Os suplementos alimentares são géneros alimentícios e, como tal, o seu consumo nas dosagens recomendadas não pode ter risco para a saúde nem atentar de alguma forma contra o bem-estar dos consumidores, senão o seu enquadramento legal não poderia ser o de um suplemento alimentar.

Segundo a vossa comunicação, os produtos Viva Melhor são fabricados em Portugal, segundo padrões de qualidade certificada.
Temos orgulho de poder afirmar que os nossos produtos são produzidos em ambiente certificado com as mais elevadas exigências de controlo de qualidade, em instalações fabris modernas, tecnologicamente bem equipadas e com certificação GMP (Boas Práticas de Fabrico).

Ao longo destes seis anos de comercialização do Calcitrin já tiveram alguma queixa/reclamação?
Não. Absolutamente zero reclamações. Até hoje só temos relatos positivos. A comprovação dos benefícios vem da utilização e num produto como o Calcitrin, com as características de qualidade que tem, é normal a satisfação dos clientes.
O nosso produto só pode ser adquirido diretamente à Viva Melhor, através do telefone, com entrega rápida e cómoda em casa do cliente e essa relação de proximidade com o consumidor também nos ajuda a perceber claramente as expectativas e satisfação dos utilizadores do suplemento.
Aliás, associado ao produto existe um serviço de apoio permanente ao cliente que se chama VIGIA, e que em caso de alguma questão ou dúvida o consumidor pode através de um simples telefonema ser atendido por uma equipa de farmacêuticos e outros profissionais qualificados,  e esclarecer as suas questões. É por tudo isto que temos um alto índice de satisfação.

Há quem defenda que há um problema de regulação dos suplementos e que seria mais eficaz concentrar a tutela na mesma instância que regula os medicamentos. Que comentário vos merece esta ideia?
Somos um operador totalmente comprometido com o respeito pelas normas em vigor, sejam elas nacionais ou europeias. Por isso, o que nos importa não é quem regula, mas que a regulação cumpra os requisitos de profissionalismo e isenção que se esperam de quem exerce a autoridade pública.
Entendemos muito simplesmente que é justo todos termos a expetativa de que as autoridades devam agir de acordo com as Leis e que estas devem respeitar os princípios básicos do Estado de Direito. Por isso, é importante que os reguladores demonstrem disponibilidade para compreender as atividades sem se deixarem condicionar por poderes menos transparentes ou por interesses setoriais. Temos confiança plena em que assim aconteça.
Enquanto operador no setor dos suplementos temos um dever de cidadania empresarial que cumprimos escrupulosamente e fazemos tudo o que está ao nosso alcance para superar as exigências legais, mantendo um padrão elevado de resposta técnica aos normativos. É também esta a nossa forma de nos diferenciarmos e capitalizarmos a confiança dos consumidores.

Os portugueses podem estar descansados e tranquilos relativamente ao Calcitrin? Existem testes comprovados da sua qualidade e segurança?
O nosso produto é fabricado em Portugal num laboratório farmacêutico credenciado e como tal sujeito às mais rígidas normas de qualidade.
Para além de todos os lotes deste produto serem controlados em processo de fabrico, regularmente as autoridades competentes analisam a conformidade dos mesmos, sendo que a última análise efetuada pela DGAV ao Calcitrin foi em novembro de 2015 e os resultados confirmam a conformidade do produto. A ASAE e o Infarmed, também já analisaram o Calcitrin.

O Calcitrin foi designado um produto Cinco Estrelas 2016 na categoria «Suplementos Alimentares para a Densidade Óssea». Esta é a prova da aceitação do produto pelos portugueses?
A distinção obtida pelo Calcitrin denominado “produto Cinco Estrelas”, vem reforçar o facto de o Calcitrin ser um produto de referência e merecedor da confiança do consumidor.
A prova mais consistente é a que o mercado dá, com os milhares de consumidores que utilizaram este suplemento alimentar ao longo dos últimos seis anos e que confirmam e testemunham os benefícios do produto.

“O Calcitrin pode afirmar a sua qualidade superior porque é produzido em ambiente certificado”

Maria do Céu Costa

Podemos livremente escolher qualquer suplemento alimentar sem efeitos prejudiciais para a saúde?
Sim, por definição do que é um género alimentício. É um facto cientificamente comprovado que as nossas escolhas alimentares afetam a nossa saúde. O velho ditado, nós somos o que comemos, é verdade. Cada célula do nosso corpo foi criada a partir dos alimentos que ingerimos, da água que bebemos e do ar que respiramos.
Além de nutrir o nosso corpo, um suplemento, que é um alimento como qualquer comida, também afeta a qualidade das nossas vidas, a nossa aparência, humores, peso, energia, o processo de envelhecimento e a nossa saúde geral e bem-estar.
Por isso existe uma roda dos alimentos com um prato padrão e proporções aconselhadas, em função da idade. Para ter um corpo saudável é necessário ingerir diariamente nutrientes de todo o tipo de alimentos da roda alimentar.
O suplemento surge como complemento de falhas nessa ingestão, portanto com o objetivo de suplementar uma dieta que não cumpre com as recomendações para um regime alimentar saudável.

Então porque é que em dezembro passado a OF instaurou uma providência cautelar para travar os anúncios publicitários ao suplemento alimentar Calcitrin MD Rapid?
Não sei!… não falei com a OF e penso que ainda hoje está por esclarecer. Foram escritas muitas coisas que não fazem sentido. Desde o primeiro momento dessa notícia – que ocorreu com um Comunicado da Ordem dos Farmacêuticos – é afirmado que o Infarmed veio desaconselhar o consumo de produtos contendo cálcio para a prevenção ou tratamento de doenças. Ora o Calcitrin MD Rapid, sendo um suplemento alimentar que contem cálcio não tem a finalidade de prevenir ou tratar alguma doença.

Mas o Bastonário insinuou que estava a ser promovido como medicamento…
Tanto quanto li, vi e ouvi não é verdade nem poderia legalmente sê-lo. Nesse aspeto estamos de acordo com o que o Infarmed informou e que é verdadeiro e sabido por todo o setor alimentar: estes produtos “não são medicamentos” e não “previnem, tratam ou diagnosticam doenças ou os seus sintomas”.
Não é esse o propósito de um suplemento alimentar e, por isso, não é o Infarmed, como Autoridade de Saúde, quem autoriza e fiscaliza estes produtos. A autoridade competente é a Direção-Geral de Agricultura e Veterinária, a quem os suplementos alimentares são notificados, e cumpre à ASAE a sua fiscalização, visto que são classificados como géneros alimentícios.

E porque é que tem cálcio?
Tem cálcio para suprir as falhas de alimentos do grupo 1 da roda dos alimentos – o grupo dos produtos lácteos e derivados. Quem não consome leite ou iogurtes, por exemplo, porque não gosta, ou evita manteiga e queijo pela gordura saturada. Como o cálcio é imprescindível, deve ser ingerido diariamente “para a manutenção de ossos normais” como está escrito na embalagem do Calcitrin.

Mas isso não está em contradição com as acusações de que esse cálcio pode, como foi afirmado pelo Bastonário da OF, constituir uma ameaça à saúde e bem-estar dos cidadãos pois pode levar a lesões graves e de difícil reparação?
Está, no sentido em que parece não ter sido percebido o tipo de produto em causa e como é ingerido – neste caso um suplemento alimentar – bem como a quantidade de cálcio de que estamos a falar. A dose diária recomendada na embalagem é de 372,8 mg de cálcio, ou seja, o correspondente a duas fatias de queijo light! Para quem come queijo, duas fatias pode ser o consumo do pequeno almoço ou de um lanche. O que se pretende é que esse consumo de cálcio se proporcione, de forma suplementada, a fim de contribuir para suprir essa falha nas refeições diárias e assim contribuir para a manutenção dos ossos normais!

Significa, afinal, que o Calcitrin é só para quem não come leite e derivados?
Não, de maneira alguma! Aliás, essas recomendações não são decididas pelos operadores económicos! Os especialistas da alimentação saudável é que estudam estas matérias e têm emitido orientações para toda a Europa a pedido da Comissão Europeia, desde que foi criada a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA- European Food Safety Authority).
No caso do cálcio há vários estudos, todos públicos e disponíveis no site da EFSA sob a forma de opiniões que acabam por ter as conclusões – que nós seguimos rigorosamente – publicadas em regulamentos no Jornal Oficial da União Europeia.
Estes são assuntos muito importantes, pois os operadores não colocam no mercado os seus produtos de forma leviana, levam muito a sério a saúde dos consumidores europeus, até porque as questões de responsabilidade são centrais no nosso sistema de regulação!
Mas voltando a quem precisa de cálcio, em boa verdade é toda a população, porque o cálcio e o fósforo são necessários para a deposição mineral e manutenção da saúde óssea durante toda a vida! E o Calcitrin não tem só cálcio, também tem fósforo, 220,8 mg na dose diária, ou seja o que existe em uma posta de 89 g de salmão cozido!

Nesse caso, porque é que a OF instaurou uma providência cautelar para travar os anúncios publicitários e considerou até que o consumo destes produtos constitui uma ameaça à saúde e bem-estar dos cidadãos pois pode levar a lesões graves e de difícil reparação?
Bom, eu sou farmacêutica e inscrita na OF, mas ainda não tive oportunidade de falar com os meus colegas para esclarecer essa questão, muito importante pelo impacto causado, tanto mais que é conhecido que a Ordem dos Farmacêuticos apresentou, no final de 2011, uma edição das Normas de Orientação Terapêutica onde recomenda Suplementos de Cálcio e Vitamina D como forma de prevenção da osteoporose e em complemento terapêutico do tratamento de fraturas provocadas por esta doença.
Cabe aqui dizer que existem vários medicamentos aprovados contendo cálcio, esses sim, na sua maioria com doses diárias recomendadas de 900 a 1200 mg de cálcio na posologia, realmente elevadas, e que, em linha com o que muito bem  afirmaram o Infarmed e a OF, se compreende que os mesmos “não são isentos de riscos para a saúde, quando utilizados em quantidades excessivas, ou, por exemplo, em indivíduos com doenças renais ou a tomar outros medicamentos”. Aliás, o folheto informativo desses medicamentos alerta nesse sentido.

Não deveria o Suplemento Alimentar ter também um Folheto para informar o consumidor sobre alguns perigos?
Não tem porque a Autoridade de segurança alimentar não considera que deva ter. Mas informa logo na rotulagem! Ao nível exigido…. para o equivalente a duas fatias de queijo light! A legislação em vigor em Portugal é muito exigente nessa matéria. Se reparar, a embalagem de Calcitrin está cheia de informação, desde “Os suplementos alimentares não devem ser utilizados como substitutos de um regime alimentar variado”, “Não exceder as dosagens recomendadas” até “O produto não deve ser utilizado …quando estejam descritas interações de outros produtos com qualquer um dos constituintes da formulação”.

Parece então que houve alguma confusão sobre o que é um medicamento e o que é um suplemento alimentar… não existem suplementos em farmácias?
Claro que existem, há farmácias cujos outdoors estão cobertos de publicidade a suplementos alimentares!

Em concreto, qual é a base científica consistente que argumenta as vantagens dos suplementos de cálcio?
Vários estudos científicos analisados pela EFSA permitiram concluir que se o fornecimento de cálcio através da ingestão alimentar diária for insuficiente para satisfazer as exigências fisiológicas observa-se uma redução na massa óssea, o que conduz a osteopenia e osteoporose, e um aumento do risco de fratura associada.
Na sua qualidade de Autoridade de Segurança Alimentar a EFSA recomenda uma ingestão de 950 mg / dia para adultos de ≥ 25 anos e publicou um regulamento europeu com as recomendações, a que se chama em Portugal alegações, que os suplementos alimentares  de cálcio devem fazer à população alvo quando destinados a suprir carências. O Calcitrin garante 1/3 das necessidades de ingestão diária de cálcio, pressupondo que o restante é ingerido nos alimentos comuns ao longo do dia.

E numa relação benefício/ riscos, como é que o suplemento de cálcio atua no organismo?
Substitui uma refeição como fonte de cálcio….garante a satisfação das necessidades de cálcio para manutenção dos ossos normais com risco nulo avaliado pela Autoridade (EFSA) que definiu um Nível máximo de ingestão tolerável (UL-Upper Level) de 2 500 mg que foi tolerado sem efeitos adversos considerando todos os ingredientes na dieta e suplementos com cálcio, com base em diferentes estudos de intervenção de longa duração,.
Há outros ingredientes da alimentação que ajudam em todo este equilíbrio: a vitamina D, o fósforo e outras como a K em quantidades dentro dos valores diários recomendados e a vitamina C, que contribui para o funcionamento normal do colagénio para o normal funcionamento das cartilagens.

Qual é o enquadramento desse regulamento europeu que referiu na legislação  nacional,  para esta categoria de produtos?
Esse regulamento europeu bem como muitos outros são diretamente aplicáveis em todos os Estados-Membros para assegurar livre circulação de géneros alimentícios seguros e sãos, e regras idênticas da União Europeia em matéria de rotulagem alimentar, informação correta e proteção do consumidor.

Em Portugal a qualidade destes produtos tem verificação regular e confiável?
Em Portugal não há uma avaliação dos pedidos de notificação dos suplementos alimentares como existe em outros países, por exemplo a Bélgica. Ou seja, os operadores informam toda a composição dos suplementos e as alegações de saúde que consideram fundamentadas, e o processo de notificação não prevê obrigatoriedade de uma opinião da Autoridade sobre o produto. Daí que a qualidade deva ser demonstrada aos consumidores por cada operador, como fator de diferenciação e livre escolha.
O Calcitrin pode afirmar a sua qualidade superior porque é produzido em ambiente certificado, com as mais elevadas exigências de controlo de qualidade, em instalações fabris modernas, tecnologicamente bem equipadas e com certificação GMP (Boas Práticas de Fabrico), que também estão aptas ao fabrico de medicamentos.

Afinal pode então haver riscos para a saúde derivados do consumo habitual destes suplementos?
Apesar de seguros, por definição, os alimentos podem interferir com um medicamento que se esteja a tomar. O alho interfere com o efeito dos anticoagulantes, e até um simples sumo pode interferir com medicamentos na terapia oncológica. As pessoas polimedicadas têm maior potencial para as chamadas interações alimento-medicamento e devem estar atentas a sintomas invulgares e falar com o seu médico.

Varizes dos membros inferiores: Uma solução técnica nova

Sérgio Sampaio

As varizes dos membros inferiores são consensualmente reconhecidas como podendo ter consequências em vários planos.

Os problemas de saúde a elas associados podem manifestar-se como complicações agudas mas também sob a forma de um agravamento progressivo e insidioso. Sintomas como cansaço e sensação de peso e sinais como edema, de predomínio vespertino e estival, podem ir-se instalando e aumentando de intensidade, acabando por comprometer consideravelmente a qualidade de vida.
Este situação associa-se também a preocupações de imagem, sobretudo no sexo feminino. A simples presença de varizes torna-se facilmente algo de muito inestético, pelo volume e/ou pela cor dos trajetos venosos anómalos. Mas mais do isso, a evolução da doença acaba por provocar alterações estruturais da pele de determinadas zonas das pernas. Essas áreas podem tornar-se pigmentadas, atróficas e fragilizadas, chegando mesmo a ulcerar em situações mais graves.
Ao longo dos tempos, muito tem mudado no modo como se trata a doença venosa.
Durante décadas, a cirurgia de “stripping” (dita aberta ou clássica) constituiu o principal modo de tratamento da insuficiência troncular das Veias Safenas. Surgiram entretanto métodos que apresentam eficácia pelo menos igual, com um grau de invasividade inferior. Tais alternativas consistem na ablação endovenosa térmica (por LASER ou radiofrequência) destas veias. Embora possam evitar a anestesia geral, obrigam sempre à utilização de anestesia local de tumescência – no fundo ao envolvimento de todo o vaso a tratar por um soluto anestésico. Este passo visa evitar dor durante a intervenção, mas também prevenir a transmissão de calor a estruturas vizinhas (pele, nervos, entre outro).

Mais recentemente surgiu um novo método: o encerramento adesivo endovenoso.
Em que consiste? De um modo muito simplificado, pode ser descrito como o encerramento da veia que desejamos eliminar, injetando uma determinada substância adesiva (um cianoacrilato) através de um cateter. A quantidade de adesivo injetada é diminuta – na verdade uma fina lâmina entre as duas paredes da veia colapsada (graças à compressão externa entretanto exercida de modo coordenado). A veia assim eliminada acaba por se transformar numa estrutura cicatricial residual, virtualmente indetetável.
Todo o procedimento é efetuado sob controlo ecográfico intraoperatório: a punção, o cateterismo, a injeção e a compressão da veia a tratar. Este é  um dos aspetos essenciais (como em todas as técnicas endovenosas, aliás) para garantir precisão e segurança durante a intervenção.
Por cada veia safena a tratar, a pele é assim perfurada apenas uma vez.
Os cianoacrilatos são vastamente usados como adesivos tecidulares ou agentes de oclusão vascular noutras aplicações clínicas desde há cerca de 30 anos. Durante este período, foi possível confirmá-los como substâncias desprovidas de efeito mutagénico, pirogénico, hemolítico, sensibilizante, irritante ou citotóxico. Por outras palavras: são inócuos.
Embora se trate de uma técnica recente, foi já objeto de várias publicações, incluindo um ensaio clínico aleatorizado e controlado (em que se comparou o encerramento da Veia Safena Grande por este método e por efeito térmico da radiofrequência). O encerramento adesivo endovenoso apresenta algumas vantagens potenciais: a anestesia de tumescência, mandatória nos métodos que recorrem ao calor, é aqui desnecessária – não há queimaduras a prevenir e a injeção do adesivo é indolor. Este facto representa maior conforto durante a intervenção (não se procedem às várias punções com vista à injeção do soluto tumescente) e maior rapidez.
Também o uso de meias de compressão elástica, sempre obrigatório durante algum tempo em todas as outras técnicas, pode aqui ser dispensado.
Este método foi desenvolvido com vista ao tratamento da insuficiência troncular da(s) veia(s) safena(s), mas a sua utilização já foi descrita também no encerramento de veias perfurantes, em localizações anatómicas variadas.
Importa no entanto realçar que não se deve falar de “um método” de tratamento das varizes como clara e genericamente superior, quando comparado com os outros. A escolha de uma opção terapêutica tem que considerar muitas variáveis. Alguns exemplos: a anatomopatofisiologia subjacente às varizes que pretendemos tratar; o facto de estarmos perante varizes nunca antes operadas, ou pelo contrário recidivadas; a idade, o sexo e o hábito corporal do doente; as expectativas estéticas; as patologias coexistentes; a premência do retorno à atividade habitual. Determinadas situações clínicas podem inclusive justificar a combinação de várias técnicas num único procedimento.
As várias dimensões que importa avaliar e as diversas soluções que podem ter que ser discutidas fazem desta patologia um desafio a encarar por uma estrutura que incorpore toda a tecnologia e know-how implicados nas fases de diagnóstico e terapêutica.

Excelência e rigor na indústria farmacêutica

Rita Ferraz da Costa

O Grupo, constituído por Ferraz, Lynce (1924), Iberfar (1951) e Logifarma (1997) distingue-se pela longevidade, confiança, reconhecimento dos clientes e também pela sua abrangência na cadeia de valor do setor farmacêutico. Representam, desenvolvem, fabricam e distribuem medicamentos. As três empresas fazem já parte da história da indústria farmacêutica com um percurso marcado pela excelência, determinação e rigor.
Conheça os motivos que as levam a ser um caso de sucesso num setor em constante dificuldade, sendo consideradas pelo IAPMEI PME Líder desde 2009 – estatuto conferido às empresas que se distinguem pela sua solidez financeira, qualidade e liderança da gestão.

A indústria farmacêutica é um mercado de máxima relevância para a saúde, contudo sujeita a desafios e constrangimentos que por vezes testam a “persistência” das empresas presentes neste setor. As margens comerciais cada vez mais reduzidas, a presença dos genéricos e a crescente exigência da regulação criam um caminho difícil à sustentabilidade e crescimento deste mercado.
Há que ter vontade de vencer os desafios, de forma hábil para que as empresas se mantenham de forma bem-sucedida no mercado. O grupo de empresas Ferraz, Lynce, Iberfar e Logifarma, embora tenha tido um percurso que lhe permitiu algumas vantagens nos momentos da crise económica, assume que foram necessárias três reestruturações na empresa Ferraz, Lynce. Rita Ferraz da Costa afirma que o pior pertence ao passado e que estão agora numa fase de crescimento quer do número de colaboradores, quer do valor das vendas. “A nossa forma de estar no mercado assentou sempre num trabalho diferenciador ao nível da preparação cuidada dos delegados de informação médica que sempre transmitiram aos médicos, com segurança e confiança, as vantagens dos nossos produtos face aos da concorrência. A classe médica confia no Ferraz, Lynce e isso para nós é um selo de excelência. Como diz o slogan, «Ferraz, Lynce, a promover saúde desde 1924»”.

Uma relação de confiança

As diferentes marcas internacionais continuam a depositar nesta equipa toda a confiança para representar em território português os seus medicamentos. “As empresas que representamos em Portugal sempre estiveram, e estão, satisfeitas com o nosso desempenho, rigor e cumprimento de toda e qualquer cláusula contratual”, garante a administradora do Grupo. O Iberfar, para além de ter o Ferraz, Lynce como cliente, fabrica para mais 11 clientes. O cumprimento do prazo de entrega do produto acabado, em conformidade com todas as exigências das Boas Práticas de Fabrico (GMPs) é o foco e um fator diferenciador que tem permitido alargar o número de clientes e também o número de mercados para os quais os atuais clientes exportam.
“Para além disso somos flexíveis. Caso surja alguma necessidade inesperada por parte de um cliente, sabemos, porque o testámos, que temos capacidade para trabalhar a três turnos, o que garantirá a entrega atempadamente”, garante Rita Ferraz da Costa.

Uma marca em expansão

Ferraz, Lynce, PME Líder desde 2009, surgiu como uma empresa cuja área de atuação se baseava na representação de terceiros. A sua qualidade rapidamente se revelou, conduzindo à produção de medicamentos para essas empresas em Portugal. Daí ao desenvolvimento de produtos próprios foi um pequeno passo.
O desenvolvimento de medicação não sujeita a prescrição médica com a marca Ferraz, Lynce é a prioridade. A diretora-geral da empresa explica qie “estamos a desenvolver e a introduzir no mercado, um por ciclo quadrimestral, medicamentos tradicionais à base de plantas e suplementos alimentares, adequados às necessidades de mercado assim como à nossa dimensão. As vantagens em desenvolver e promover produtos próprios são enormes”. Estes produtos poderão ser, assim que tenham escala, fabricados pelo Laboratório Iberfar, o que será também uma enorme mais-valia para o grupo de empresas.
Por outro lado, a proximidade, o conhecimento do funcionamento de todo o processo de fabrico por parte dos responsáveis pelas várias áreas que fazem parte do fluxo e ainda a celeridade com que podem ser tomadas decisões (Administração comum) é, como se sabe, um valor incontestável.
“Há que fazer um trabalho de excelência no lançamento dos novos produtos no mercado nacional para que venhamos a ter algo de bom para aliciar distribuidores estrangeiros a promovê-los no seu país”, refere Rita Ferraz da Costa. E assume que, “dadas as dificuldades a que fomos sujeitos, tivemos, sob pena de termos de fechar a empresa, de tomar decisões duras e atempadas que [como referido anteriormente] passaram por três reestruturações nos anos de 2011, 2013 e 2014 com o propósito de adequar os custos com as equipas de Marketing e Vendas à realidade. Estamos certos de que não teriam sido evitáveis e é com satisfação que nos encontramos de novo a aumentar as nossas equipas, com critérios de seleção rigorosos, para que consigamos fazer crescer a empresa, com base na estratégia em curso”.
A Ferraz, Lynce e a Iberfar têm recorrido, desde 2009 até à data, à contratação de estagiários ao abrigo dos programas de estágios do IEFP. O grau de empregabilidade destes estagiários é de 65% (o que corresponde a um aumento de 24 colaboradores).

O Ferraz, Lynce, dada a sua longevidade e a contratação de tantos estagiários, ficou com uma equipa de vendas com uma enorme discrepância de idades. “É muito enriquecedor para qualquer das faixas etárias e também um ponto forte para o lançamento dos novos produtos próprios”, acredita a diretora-geral.

O futuro de um grupo em constante desenvolvimento

O Laboratório Iberfar, igualmente PME Líder desde 2009 – o que “tem ajudado na negociação dos financiamentos necessários junto à Banca” – e contemplado, em 2014, com um prémio de Excelência atribuído pelo IAPMEI, tem feito nestes últimos anos enormes investimentos para que os seus equipamentos e infraestruturas sejam de excelência e ao nível do “estado da arte” da indústria farmacêutica, cumprindo as exigências dos reguladores, dos clientes, do mercado nacional e também dos mercados internacionais. Desde 2009 até hoje, o peso relativo das exportações quadruplicou. Atualmente, 40% da fabricação da empresa é destinada ao mercado externo. Num setor onde a concorrência é cada vez mais dura há que apostar, obrigatoriamente, na diferenciação e na exportação.
Em 2014, o Laboratório Iberfar conseguiu um financiamento atribuído pelo antigo QREN pelo investimento feito numa funcionalidade inovadora e exclusiva à data em Portugal na linha de embalagem, algo que Rita Ferraz da Costa considera uma “lança em África”, devido à pouca atenção dada pelos Governos às empresas do setor privado. “E estamos neste momento com uma candidatura ao programa Portugal 2020”, assume.
O aumento das exigências dos reguladores, dos clientes e dos novos mercados obrigam a que esta indústria seja cada vez mais inovadora, o que exige investimentos elevadíssimos. Na área dos aprovisionamentos e FSE’s, foi conseguida uma enorme redução de custos resultante de um trabalho persistente e rigoroso assente, sempre, na garantia de manter a qualidade dos mesmos.
Por outro lado, o Iberfar acabou de lançar um novo canal de comunicação a nível internacional, a Pharmaceutical Technology, uma plataforma tecnológica com divulgação  mundial,  que visa informar quem é quem e o que faz  no campo do fabrico e tecnologia farmacêutica. Esta plataforma gera proximidade entre fabricante, decisores de outras empresas, potenciais clientes, assim como dá  visibilidade e credibilidade junto dos profissionais do setor e do público em geral.
A Logifarma, empresa de distribuição, é um caso de sucesso. “É o maior operador logístico em Portugal e tem atualmente, como fator exclusivo e diferenciador, uma frota própria, respeitando todas as exigências necessárias ao transporte de medicamentos”, conta a administradora do grupo. Em 2015, ano em que comemorou 10 anos, a Logifarma tornou-se o único operador logístico que assegura aos seus clientes a distribuição nacional de produtos farmacêuticos em bi-temperatura, num investimento que ascendeu a 1,5 M€. A operação ficou assim controlada na totalidade. “Logifarma Total, distribuição em conformidade com a necessidade”.
O Lean 6Sigma tem sido utlizado desde 2007 por todas as empresas do Grupo com o propósito da constante melhoria dos processos operacionais e de eliminar todo e qualquer desperdício, o que tem contribuído para um trabalho e desempenho cada vez mais adequados ao bom funcionamento das empresas.

Áreas de intervenção

O Ferraz, Lynce representa e promove medicamentos sujeitos a receita médica de terceiros em Portugal, promove medicamentos sujeitos a receita médica próprios, medicamentos não sujeitos a receita médica de terceiros e próprios, suplementos alimentares e dispositivos médicos que lhe asseguram “a promoção da saúde” e a satisfação da classe médica por verem controladas as patologias dos seus doentes.
“A título de curiosidade, a marca Laevolac, trabalhada por nós há 46 anos, pela sua enorme eficácia e pela enorme confiança que a classe médica lhe reconhece é a 17ª marca mais conhecida no top 100 da indústria farmacêutica” (fonte: hmR), afirma Rita Ferraz da Costa.

Rita Ferraz da Costa

A administradora do grupo afirma ainda que gosta do que faz, o que sustenta no respeito que tem pelo trabalho feito pelas gerações anteriores (estão na quarta geração) e por ter como missão fazer crescer os negócios, criar postos de trabalho e acrescentar valor à economia portuguesa. Para além de acumular as funções de Administradora Delegada e ser responsável pelo departamento de Recursos Humanos, é também Diretora-Geral do Ferraz, Lynce, o que lhe permite estar mais próxima da equipa e participar mais ativamente nas campanhas de marketing e na criação dos slogans, maioritariamente da sua autoria, o que lhe agrada imenso.

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i-medical, um novo conceito de integração de informação na Saúde

João Paula, João Guedes de Oliveira e Cristiano Machado

A i-medical foi criada em 2011 por 3 promotores e duas capitais de risco, uma portuguesa e outra de origem inglesa, que foram fundamentais não só no capital como na experiência que trouxeram, tendo efetuado um aumento significativo de capital com a Capital de Risco Portugal Ventures na busca de crescimento e internacionalização. O percurso dos promotores na área de Imaging Healthcare IT (IH-IT) foi todo feito na Siemens, sendo que as suas competências eram complementares e fundamentais para a criação estruturada de um novo projeto. João Guedes, o CEO da i-medical, foi responsável pelas Departmental Solutions, nas quais estavam incluídas as Imaging Management Solutions, tendo vasta experiência em implementação de soluções em ambiente hospitalar, na qual a Siemens era líder de mercado em Portugal. João Paula, COO, foi o primeiro especialista de aplicação em Portugal, tendo um profundo conhecimento de produto, mercado e das necessidades clínicas na utilização deste tipo de plataformas. Cristiano Machado, CTO, vem dos Professional Services, sendo responsável pela interoperabilidade de sistemas e tendo estado em inúmeras implementações.
O inicio da empresa foi também o começo da aprendizagem do que é criar, manter e fazer crescer uma start-up no contexto empresarial e económico Português, e da visão externa que existe desse contexto. Foi necessário criar de raiz um produto tecnológico complexo para um mercado muito pouco tolerante a falhas e mudanças, assegurando desde o primeiro dia que havia músculo financeiro para suportar essa criação. É também critico para as start-ups explorar múltiplas estratégias em paralelo, manter uma visão de médio/longo prazo e estar consciente que a procura de mercados externos tem que acontecer desde o primeiro dia; e estar também consciente que para que isso se consiga, a empresa e os promotores têm que se preparar a vários níveis: ter soluções escaláveis para mercados maiores; estudar esses mercados, definir e implementar estratégias viáveis (o processo de exportação é muito caro); procurar constantemente novas fontes de financiamento que sustentem as suas estratégias.
Nos últimos anos temos sentido que o alerta que existe para a iniciativa de criação de start-ups em Portugal aumentou drasticamente. Os espaços de incubação e aceleração de empresas, a informação e network que permite aceder a investidores, estão cada vez mais ativos. A Portugal Ventures também teve um papel fundamental em “agitar” este espaço, criando programas de investimento em strat-up tecnológicas, em criar redes internacionais, quer com os seus painéis de avaliação quer com parcerias com Hubs (como em San Francisco, Boston ou Berlim) e ajudar os novos empresários a montar e pensar os seus negócios.
A geografia de Portugal na Europa bem como a sua dimensão tornam difícil competir no espaço internacional, e se há algo que temos de reconhecido e comprovado valor é o nosso “Brainware” tecnológico. Acreditamos que as apostas em start-ups tecnológicas vão dar frutos a médio prazo permitindo a expansão fora de fronteiras.

Sabíamos que tínhamos que efetuar a validação de mercado e produto, tendo sido para isso fundamentais os nossos clientes beta (que ainda hoje se mantêm como clientes i-medical). Portugal sempre esteve na linha da frente relativamente a IH-IT, sendo apenas ultrapassado por alguns países da Europa do Norte (o primeiro sistema de Telerradiologia sobre exames de TAC foi feito em Portugal). Esta maturidade dava-nos garantias quanto à capacidade do mercado e dos nossos clientes de validar a nossa solução e modelo de negócio, o primeiro dos muitos passos do processo para crescimento e exportação.
Os modelos de negócio e as soluções que estavam (e em parte ainda estão), disponíveis para o mercado IT para a gestão de fluxos e dados imagiológicos clínicos, têm-se mantido bastante semelhantes praticamente desde que começaram, no início da década de 90: assentam em múltiplas plataformas para endereçar um único fluxo (com vários atores clínicos e não clínicos), e modelos de negócio de venda de infraestrutura, licenciamento convencional e grandes custos de evolução e manutenção. Mas desde então, tudo mudou: a relação que temos com a tecnologia, a internet, a conectividade social, a mobilidade, em todos os seus aspetos, e o crescimento exponencial das infraestruturas de comunicações.

Como tal desenvolvemos uma plataforma que gere todos os processos associados ao diagnóstico clínico baseado em imagens médicas, explorando o melhor do mundo do PACS (Picture Archiving and Communication Systems) e do RIS (Radiology Information System). Somos a única empresa que endereça na mesma plataforma, os fluxos desde a prescrição de exames imagiológicos passando pela realização e o diagnóstico sobre os mesmos até à disponibilização de resultados para os pacientes e médicos ou entidades prescritoras. E fazemo-lo “portalizando” a plataforma por perfil de utilizador, em ambiente web puro, cloud-based com ferramentas de gestão e monitorização transversais e ainda com “social connectivity” que permite a interação em tempo real entre utilizadores.

Na i-medical acreditamos profundamente na desmaterialização de estrutura, investindo em comunicações para suportar soluções cloud ou host-based. Acreditamos que para vender valor acrescentado, temos que vender “inteligência”, plataformas que “compreendam” os fluxos, as necessidades, que espelhem em tempo-real o negócio e a performance do mesmo bem como a dos seus participantes. Acreditamos também em comercializar esta plataforma como um serviço, potencialmente num modelo de Software as a Service (SaaS), do que vender produto, licenças, hardware e contratos de manutenção.
Acreditamos ainda que as soluções têm cada vez mais que ser agnósticas ao hardware e Sistemas Operativos, têm que estar preparadas para trabalhar em dispositivos móveis (smatphones ou tablets), pelo que temos apostado em desenvolvimento assente em HTML5, a primeira linguagem verdadeiramente transversal a todos os Browser.

O modelo de negócio permite um alinhamento de objetivos entre fornecedor e cliente; deixa do lado do fornecedor a gestão da estrutura bem como a garantia de confidencialidade e segurança de dados; deixa do lado dos clientes a procura da melhoria da produtividade e dos serviços prestados aos seus pacientes.
Adicionalmente a crise e o aumento da competitividade faz com que as empresas procurem cada vez mais as ferramentas que lhes permitam obter KPI’s de eficiência e produtividade, bem como soluções inteligentes que lhes permitam tomar decisões de gestão.
A nossa plataforma e modelo de negócio apresenta-se como particularmente interessante para as clínicas privadas que prestam serviços para múltiplas entidades, publicas e privadas, utilizam recursos bastante móveis e flutuantes, e que têm a necessidade de disponibilizar resultados clínicos para diversos atores desde os médicos até aos pacientes.
Esta tem sido a nossa aposta para o mercado Português onde já temos uma amostra expressiva de clientes. Estamos também preparados para crescer para projetos mais ambiciosos nomeadamente com as Administrações Regionais de Saúde, Sociedade Portuguesa de Radiologia e com Hospitais, sendo este o nosso desafio Nacional para 2016.

A saúde em Portugal tem uma qualidade extraordinária quer do ponto de vista clínico quer do ponto de vista de serviço. Sabemos que há ainda muito a fazer em termos de eficiência, mas a evolução dos últimos 20 anos tem sido extraordinária. Pré-crise de 2009, os gastos médios com a Saúde em Portugal estavam abaixo da Europeia e com uma qualidade bem superior. Nos últimos anos houve regressão em alguns aspetos, como na relação com os prestadores de serviços externos, mas também evolução noutros, como na procura da melhor eficiência financeira. Existe também uma grande consciência relativa à forma como as tecnologias da informação podem ter um papel importante na melhoria da eficiência e da qualidade dos serviços prestados.
Este contexto pode representar uma oportunidade para empresas como a i-medical.

Temos também clientes fora de Portugal, nomeadamente em Espanha, onde já trabalhamos com Serviço Andaluz de Sanidad. Suportado nesta experiência, este é um mercado onde queremos crescer. Mas a nossa ambição para 2016 não fica por Espanha. Estamos a preparar a expansão para o Sudoeste Asiático, para o qual temos uma parceria em vias de fechar, que pensamos ser um mercado de oportunidade para nós: tem as vantagens de ser um mercado em crescimento, com fortes investimentos estatais e privados; tem já uma razoável e crescente estrutura de comunicações; e é ainda um mercado aberto e flexível para empresas ocidentais de pequena dimensão, algo bastante diferente de outros mercados muito competitivos e maduros como os Estados Unidos ou o Japão.

Os principais objetivos da i-medical são apostar permanentemente no desenvolvimento de novas soluções e continuar a procurar formas sustentadas de crescer e expandir para novos mercados apoiados em produtos e serviços diferenciados.

Numa indústria competitiva, a CMAS destaca-se

Com soluções orientadas para a inovação, a CMAS é composta por equipas dedicadas, focadas no negócio das telecomunicações e que acompanham o cliente em todas as necessidades. Que características fazem parte da vossa identidade e que têm permitido que a CMAS esteja entre as melhores na sua atividade?
A identidade da CMAS tem sido sempre caracterizada pelo empenho em criar competências e pela disponibilidade de partilhar a nossa visão de gerar valor em todas as soluções que produzimos com os nossos clientes. O forte conhecimento em todas as áreas em que nos integramos, onde temos profissionais a colaborar com os nossos clientes, e a vontade de ultrapassar constantemente os desafios a que nos propomos e que nos são feitos fazem-nos acreditar que o expertise adquirido na área das telecomunicações pode ser transportado para outras áreas e indústrias. Diria que o nosso foco é fortalecer a relação dos nossos clientes com os seus clientes e procurar traduzir isso em experiências inovadoras. É com esta vontade que trabalhamos todos os dias com os nossos parceiros.

Entre as soluções que disponibilizam, de que forma se concretiza o vosso ciclo de atuação: análise, implementação e suporte?
Tentamos cobrir sempre todo o ciclo de vida, desde o acompanhamento do cliente no levantamento de requisitos até ao suporte dos seus sistemas, quer sejam desenvolvidos e implementados pela CMAS, quer sejam sistemas que o cliente já disponha.

A CMAS está em quinto lugar no ranking nacional do Relatório 2015 EMEA 500 Technology Fast Track da Deloitte. Num mercado tão competitivo e volátil, o que significa estar entre as melhores empresas de tecnologia desta região?
É sempre uma grande honra. É o terceiro ano consecutivo que temos esta distinção e conseguirmos estar entre empresas dinamizadoras e que são reconhecidas por criarem valor numa área que traduz inovação e de elevada competição, só nos enche de grande orgulho e premeia a excelente equipa de profissionais que fazem parte da empresa.

Acredita que este reconhecimento tem sido também encarado por outras empresas como uma inspiração para que também elas apostem sistematicamente na inovação e no seu crescimento sustentado?
Acreditamos que sim. Num mundo global, existir uma distinção por parte de uma entidade globalmente reconhecida, só pode servir de inspiração para que outros possam atingir esses níveis.

Com empresas e empresários que têm conseguido competir com os melhores do Mundo, Portugal tem demonstrado que é um país inovador. No entanto, o que é preciso fazer para que mais do que cinco organizações portuguesas integrem este top 500 da Deloitte?
Portugal é um país com excelentes condições para a criação de nichos e de clusters. É um excelente país para que as start-ups possam iniciar e desenvolver o seu processo de crescimento. Acredito, no entanto, que falta dinamização para que, internacionalmente, o trabalho efetuado por estas equipas/empresas seja reconhecido e potencie o desenvolvimento de negócios internacionais pois só assim é possível ter um crescimento efetivo.

O top 5 dos países mais representados é muito idêntico ao de 2014, incluindo a França, o Reino Unido, a Noruega, a Holanda e a Suécia. O que é que Portugal tem a aprender com estes mercados?
São mercados globais ou então que têm uma dinamização interna bastante grande. São mercados que dão grande foco ao que é feito internamente e focados na expansão internacional desses agentes. Portugal é um mercado interno bastante mais pequeno e que ainda não tem implementada a cultura (salvo raras exceções) de criar dinamismo internacional.

Competir através da inovação num mercado tão competitivo e dinâmico não é fácil. Para o futuro da CMAS, que desafios acredita que terão de enfrentar para que continuem a fazer parte deste ranking e, mais do que isso, para que continuem a responder às necessidades dos seus parceiros?
Dinamizar e inovar para que os nossos parceiros atuais ou futuros (que mais do que clientes, consideramos parceiros) possam continuar a acreditar em nós e na nossa qualidade. Acreditar que podemos desta forma continuar a aumentar o nosso volume de negócios, continuar a potenciar crescimento e procurar aumentar o nosso leque de competências.

Eu Reduzo, Tu Reciclas, Ele Reutiliza

Jorge Coelho

Desta forma, hoje a Reciclagem é um processo incontornável para um bom equilíbrio ambiental, dado que o número de equipamentos nos vários setores económicos rapidamente ficam obsoletos tornando-se excedentários e, por sua vez, um resíduo que carece de tratamento adequado. Sobre estas e outras matérias, a Revista Pontos de Vista falou com Jorge Coelho e Ana Coelho, respetivamente CEO e Diretora de Comunicação da Reciclinfor – Reciclagem Informática, numa conversa onde ficamos a conhecer o trajeto de uma marca que tem crescido paulatinamente e, acima de tudo, tem tido a capacidade de se adaptar às mutações e exigências do próprio mercado da reciclagem e não só.
Tudo passa por ciclos, e foi desta forma que se começou também a desenhar a dinâmica da Reciclinfor, que deu início à sua atividade em 1998 no domínio do setor dos resíduos metálicos e não eletrónicos. Porquê esta mudança de «agulhas»? O CEO da marca explica, “o convite surgiu através dos próprios colaboradores da empresa que lançaram a possibilidade de ficar com alguns dos equipamentos informáticos funcionais”, visto que nesse tempo os equipamentos eram bastante dispendiosos, “conseguíamos realizar valores mais baixos, despoletando assim a procura. Entretanto com a evolução do negócio optamos por criar uma empresa apenas focada na comercialização deste tipo de equipamentos e assistências técnicas, denominada por Servitek”, esclarece.

“Reciclinfor e Servitek são independentes”

Será legítimo afirmar que a Reciclinfor «alimenta» a Servitek? Para Ana Coelho
a resposta é muito clara, atualmente a Reciclinfor não alimenta a Servitek. A maior parte dos equipamentos é adquirida a grandes grupos empresariais e uma grande parcela resulta da importação.

A Reciclinfor esta focada na área da reciclagem de todo o tipo de resíduos elétricos e eletronicos, maioritariamente no âmbito do universo empresarial, continuando assim a alargar o leque de clientes que contam com este tipo de serviço. “Qualquer empresa que se queira desfazer do seu parque informático e que este esteja minimamente atual, nós valorizamos e até, em determinados casos e se existir uma grande quantidade de equipamentos obsoletos, podemos atribuir valor”, revela Jorge Coelho.
Recolher, triar e encaminhar para reciclagem são três das etapas do processo da Reciclinfor. Questionamos os nossos interlocutores se, de entre os produtos recolhidos qual a percentagem dos que são eliminados e dos que regressam ao mercado por intermédio da Servitek? “No início da nossa atividade, há 18 anos atrás, cerca de 80 a 90% dos equipamentos eram comercializáveis, sendo o restante direcionado para a reciclagem. Entretanto os valores inverteram-se e agora assistimos ao oposto, ou seja, apenas 10 a 15 % dos equipamentos recolhidos são comercializáveis e os restantes reciclados”, salientam, justificando esta mudança com a constante exigência do utilizador limitando o tempo de vida útil dos equipamentos.

Sensibilizar para reciclar

O grande objetivo da Reciclinfor passa, inevitavelmente, por aumentar a Reutilização e Reciclagem de componentes Informáticos contribuindo assim para um planeta mais verde. As ações de sensibilização assim o dizem e a sociedade começa a ter outra consciência para estas realidades de proteção do meio ambiente e do futuro das gerações vindouras, mas ainda falta muito caminho. “As pessoas estão mais sensibilizadas, mas por outro lado existe outra dificuldade, ou seja, essa responsabilidade ambiental perde-se quando chega «à algibeira» do comum dos cidadãos e isso acaba por inibir as pessoas de o fazer com maior frequência. Seria interessante que se criassem iniciativas com locais fixos para se depositar e recolher esses equipamentos. Poderia ser uma boa solução”, afirma Jorge Coelho, lembrando que ainda estamos bastante atrasados relativamente ao que se pratica nesta área ao nível de outros congéneres europeus.

“Trabalhar nesta área dá-nos um prazer imenso”

Os desafios na Reciclinfor nunca cessam, sendo que o último passou pela mudança de instalações, dos anteriores 400 para os atuais 800 metros quadrados, aportando um peso superior à marca, que pretende continuar a recolher equipamentos gratuitamente na zona da grande Lisboa, embora também o faça em outras áreas do país, mediante uma avaliação prévia. Pretendemos continuar a prestar um serviço de qualidade e transparente junto de cada cliente, seja na Reciclinfor ou na Servitek, esse é o nosso foco. Trabalhar nesta área dá-nos um prazer imenso, até porque sentimos que, com o nosso contributo, andamos a «arrumar a casa e o próprio país» e estamos a colaborar com o meio ambiente que é essencial para a vida humana”, concluem Jorge e Ana Coelho.

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