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Vanessa Ferreirinha

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“ESTAMOS EM PORTUGAL PARA FICAR E PARA CRESCER APOIANDO O CRESCIMENTO DA ECONOMIA PORTUGUESA”

Yilport-Richard Mitchell

A YILPORT é hoje um dos principais players no âmbito da gestão portuária, marcando a sua dinâmica por um vasto sentido de excelência e qualidade em prol do mercado e respetivos parceiros. Como tem sido realizado este crescimento e de que forma é que a marca tem vindo a contribuir para um setor cada vez mais profissional e positivo?

A YILPORT, uma das holdings do grupo turco YILDIRIM, tem feito desde a sua constituição em 2004 um percurso de consolidação no mercado internacional de gestão portuária, posicionando-se em 2019 como o 12º operador portuário mundial e tendo a ambição de atingir o top 10 até 2025. O crescimento tem acontecido por via endógena e de desenvolvimento de negócio com parceiros na sua maioria globais, mas também via aquisição de novos terminais em diferentes geografias, como foi o caso dos 8 terminais que operamos na Península Ibéria (seis em Portugal e dois em Espanha). À aquisição segue-se um processo de desenvolvimento e investimento nos Terminais que passam a fazer parte do portfolio, de forma a uniformizar o standard de qualidade do Grupo, sem descurar as especificidades de cada unidade de negócio e do país em que se insere.

A marca assume uma vasta cobertura da fachada Atlântica, tendo uma forte ação em Espanha e Portugal, onde operam com oito terminais. No sentido de contextualizar o nosso leitor, em que bases tem estado assente a estratégia de crescimento da marca?

A estratégia de crescimento dos terminais da YILPORT Iberia passa por fortalecer a rede de terminais via modernização e serviços complementares que damos aos clientes, complementando a oferta de serviços portuários aos operadores económicos, importadores e exportadores da região oeste de Espanha e Portugal, mas não só: desenvolvendo a conectividade e estando atentos a projetos logísticos e de serviços complementares que adicionem valor.

No ano transato, 2019, a YILPORT Iberia assumiu um investimento de 122 milhões de euros em Portugal, mais concretamente ao nível do terminal de contentores de Alcântara, prolongando o período de concessão até 2038. Portugal é fundamental na prossecução dos desideratos da marca? Porquê que o nosso território assume esta relevância na vossa orgânica e estratégia?

O investimento que refere, com o qual a YILPORT se comprometeu e cujo projeto está neste momento em processo de avaliação pelas autoridades competentes (Agencia Portuguesa Ambiente) para poder avançar é, juntamente com o Projeto de Expansão do Terminal de Contentores Sul em Leixões já em curso, exemplo da estratégia de elevar os Terminais aos padrões internacionais de operação e serviço. A aposta nos terminais em Portugal, dado o seu potencial de negócio foi assumida desde a aquisição em 2016 e tem vindo a ser vincada através dos investimentos e planos tornados públicos. Continuamos a considerar, no caso específico do Terminal Liscont de Lisboa (Alcântara) que foi referido, que tem todas as condições para vir a ser o verdadeiro motor de desenvolvimento daquela que é a área de maior concentração económica do país, captando de novo o interesse das maiores linhas de navegação mundiais. Na YILPORT Iberia os terminais são predominantemente gateway o que significa que se dirigem a cargas com origem e destino em Portugal e Espanha e dessa forma são Terminais com negócio mais sustentável. A posição geoestratégica aliada ao mercado interno da Península Ibérica e reforçada pelo know-how das equipas constituem os terminais da YILPORT Iberia como fundamentais na estratégia de consolidação e crescimento do Grupo.

Estão presentes em Portugal desde 2016, e contam com um vasto corpo de recursos humanos. Nesta senda de crescimento, quão importantes têm sido os vossos recursos humanos na caminhada da marca até ao topo? De que forma é que esta relevância é visível no quotidiano da marca?

Durante o processo de aquisição e nos anos que se lhe seguiram, foi possível identificar o já referido know-how nos vários terminais, que sendo diferentes e em muitos casos complementares no sentido da oferta aos clientes, também o são em termos do conhecimento técnico e de negócio, potenciando uma gestão colaborativa entre os vários terminais da rede e uma cada vez maior eficiência na gestão de recursos. Do mesmo modo tem sido possível apostar na formação para boas práticas, segurança e valorização dos recursos técnicos. As pessoas são, sem dúvida, fator chave do desenvolvimento e da estratégia.

Hoje sabemos que a inovação é fundamental em qualquer setor, sendo que o segmento portuário não «escapa» a esse desígnio. Neste sentido, quão importante tem sido a inovação no crescimento e evolução da marca?

A inovação está sempre no horizonte da YILPORT e da YILPORT Iberia, seja ao nível da integração nos Terminais do que de melhor se faz ao nível de sistemas e equipamentos nos quais este sector é particularmente intensivo seja por exemplo na participação ativa junto de clientes, autoridades ou outros stakeholders, em projetos de desenvolvimento de plataformas que permitam melhor comunicação, melhores fluxos de informação e, naturalmente, melhor agilidade de processos e melhor serviço aos clientes. A inovação e a modernização têm sido pilares essenciais no crescimento da marca e na consolidação do mercado.

Enquanto especialistas no âmbito da gestão portuária, o que vos diferencia perante outros operadores? O investimento e a modernização nos terminais em que operam são duas premissas essenciais no vosso crescimento?

São sem dúvida duas premissas chave. O que diferencia a YILPORT nos vários mercados, e a Península Iberia não é de todo exceção, é que a nossa aposta se direciona à conjuntura, não é uma aposta de curto prazo. O investimento que propomos na modernização dos terminais tem visão de futuro e pretende dotar os terminais de estruturas duradouras e ao mesmo tempo dinâmicas, que apoiem o crescimento dos agentes económicos, das indústrias, das regiões e do país. Como o nosso Presidente, o Sr. Robert Yuksel Yildirim, já teve oportunidade de dizer: “estamos em Portugal para ficar e para crescer apoiando o crescimento da economia Portuguesa”.

 

A terminar, quais são os grandes desafios da marca para 2020 e de que forma é que a inovação e os recursos humanos da marca serão vitais nestes objetivos?

Os desafios em 2020 serão certamente os da consolidação dos nossos serviços face às exigências do mercado e dos nossos clientes, ultrapassando também os desafios pontuais relacionados com o lançamento de novos projetos e o seu contexto aos vários níveis. A nossa equipa atenta e empenhada em gerir o negócio, as operações e a evolução do mercado é fundamental para atingirmos os objetivos ambiciosos que foram traçados.

“CONTINUAREMOS FOCADOS NO NOSSO MAIOR ATIVO QUE É A PLENA SATISFAÇÃO DOS NOSSOS CLIENTES”

Paulo Ferreira

A PRF – Gás Tecnologia e Construção assume-se como um dos principais players no domínio da prestação de serviços de engenharia, construção e manutenção, em todas as áreas dos gases combustíveis. No sentido de contextualizar o nosso leitor, como é que a marca perpetua a diferença na relação e atuação com o mercado em prol da satisfação de clientes e parceiros?

A PRF sempre teve o seu foco na satisfação total do cliente. O rigor e a ética, a qualidade e a segurança, sempre foram os nossos principais valores. É desta forma que fomos crescendo desde 1991, acumulando em 2020, 30 anos de experiência na área do gás.

Para que esse desiderato seja concretizável, de que forma é que a PRF tem vindo a apostar fortemente no domínio da inovação e das novas tecnologias? Quão fundamental tem sido essa aposta inovadora e como é que essa filosofia tem impacto no mercado?

A par da qualidade, da capacidade de realização, da permanente disponibilidade e constante crescimento, para mantermos a competitividade e abraçar novos desafios, a empresa foca-se e acompanha permanentemente a inovação nesta área, apostando na formação de quadros e apresentando soluções inovadoras aos nossos clientes. Como resultado, criámos novas áreas de serviço para acompanhar a transição energética (Hidrogénio) e monitorização remota dos projetos implementados pela PRF (plataforma Webcop 24/7).

Portugal assumiu em 2016 o objetivo de alcançar a neutralidade carbónica em 2050. A estratégia que reúne as condições necessárias para que esse objetivo seja exequível, encontra-se materializada no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Olhando para o que tem vindo a ser realizado, sente que Portugal está preparado para essa mudança? Que lacunas ainda identifica e que urgem alterar?

Portugal, a par do resto do Mundo, caminha nesse sentido apresentando já várias oportunidades e projetos para atingir esse objetivo. Na nossa visão, a solução não pode, nem deve passar apenas pelo governo e legislação, mas parte também de iniciativas privadas e consciencialização de cada um, tendo todos que percorrer esse caminho.

É também este um desígnio da PRF e por isso temos investido bastante. Desde o gás natural e do GNL, do biogás e ao biometano, incluindo ainda o hidrogénio, a PRF tem vindo a desenvolver projetos nestas novas formas de energia, quer seja para as diversas formas de mobilidade, em substituição de outros combustíveis verdadeiramente mais poluentes, quer seja para a injeção e mistura nas redes de distribuição de gás natural até às diversas formas de produção de energia elétrica.

Alcançar a neutralidade carbónica envolve uma concertação de vontades e um alinhamento de políticas, de incentivos e de meios de financiamento. Sente que estes pilares estão criados e assumidos para chegarmos a bom porto?

A descarbonização profunda da economia exige, para além de competências analíticas e ferramentas adequadas, o envolvimento alargado e a colaboração de todos os atores, com vista à análise e discussão das opções e estratégias de mitigação, e à definição de trajetórias de baixo carbono para a economia nacional.

A PRF, enquanto player deste processo está preparada e, apesar de existir compromisso do governo em prosseguir nessa caminhada, sentimos que, para que as metas sejam efetivamente cumpridas, é necessário que o alinhamento de políticas e de incentivos continue e que penetre verdadeiramente na sociedade empresarial e na sociedade civil. Vide, como exemplo, o papel do estado Alemão que recentemente aboliu as portagens para camiões que circulam a GNL (Gás Natural Liquefeito).

Na sua opinião, quais são os verdadeiros caminhos para a transição energética em Portugal e a contribuição para a neutralidade carbónica e como tem a PRF contribuído para esse desígnio?

Os caminhos para acelerar a transição energética no país passam por aumentar a eficiência energética e a utilização de energias menos poluentes.

A nossa área de atuação apresenta e executa projetos que contribuem para tal desiderato, nomeadamente na construção de Unidades Autónomas de Gás (UAG´s), que levam Gás Natural onde este não se encontra através de gasoduto e na construção de Postos de Abastecimento para GNL (Gás Natural Liquefeito) e GNC (Gás Natural Comprimido).

A redução da nossa pegada ecológica continua a ser uma preocupação constante também na PRF. Entre várias medidas que temos implementado, com vista à melhoria da nossa eficiência ambiental, adquirimos recentemente uma frota de veículos a GNV. Apesar de muito jovem e ainda com poucos quilómetros percorridos, esta frota de veiculas a GNV já demostrou a grande vantagem desta solução, não só em termos da importante redução de emissões, como também pela importante redução nos custos de exploração da referida frota, especialmente pela importante redução do custo do combustível.

A estratégia de transição energética desenhada pelo Governo, a ser implementada na próxima década, encontra-se plasmada no Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030). Portugal comprometeu-se com a Comissão Europeia a alcançar uma meta de 47% de energia de fonte renovável no consumo final bruto de energia até 2030. São números plausíveis? Os players privados serão fundamentais neste domínio?

Os números apresentados, apesar de otimistas, são exequíveis com o empenho de todos os envolvidos.

Obviamente que os players, onde, obviamente nos incluímos, serão absolutamente fundamentais para se atingir tal objetivo, quer pelos estudos de engenharia, de projeto, de construção e de manutenção e assistência que poderão pôr em prática tais medidas. Neste aspeto, a PRF está na linha da frente para tal contribuição.

Como é que conseguimos tirar maior partido das energias de fonte renovável, reduzir significativamente o uso de combustíveis fósseis e alcançar uma maior eficiência energética em todos os setores de atividade?

Ultrapassar obstáculos tecnológicos e criar regulamentos e políticas regulatórias é essencial para que o “investimento verde” continue a crescer.

Por exemplo, no setor dos transportes, os esforços de sustentabilidade deverão pressionar e impulsionar as indústrias de transporte e aviação a investir em energias menos poluentes, mais ecológicas e em biocombustíveis, estabelecendo regulamentações de emissões ainda mais rigorosas.

 

Quais são os principais desafios da PRF para 2020? O que podemos continuar a esperar da vossa parte perante o mercado?

A descarbonização da economia é cada vez mais uma necessidade, e os gases renováveis são cada vez mais uma parte importante da solução para esta transição energética. A PRF não é alheia a esta necessidade e os projetos com gases renováveis como o Hidrogénio e o Biometano, vão tendo cada vez mais na PRF um peso e uma importância relevante.

O foco no cliente e na qualidade dos equipamentos e serviços que prestamos, aliado ao pleno cumprimento dos compromissos assumidos, continuarão a ser o nosso principal objetivo. Mais do que crescer, continuaremos focados no nosso maior ativo que é a plena satisfação dos nossos clientes.

2020: ANO DE TRANSFORMAÇÃO ECOLÓGICA NAS EMPRESAS

LISPOLIS-Cíntia Costa

A preocupação ambiental é crescente nas empresas. O LISPOLIS, enquanto gestor da comunidade, tem vindo a recolher sugestões e integrar cada vez mais medidas que melhorem a vida dos colaboradores das 129 empresas que acolhe e simultaneamente possam contribuir para uma pegada mais ecológica.

Em 2019 foi lançado o Plano Nacional Integrado Energia-Clima, que tem como objetivo definir linhas de atuação para o Horizonte 2030. A sua visão estratégica passa por “promover a descarbonização da economia e a transição energética visando a neutralidade carbónica em 2050, enquanto oportunidade para o país, assente num modelo democrático e justo de coesão territorial que potencie a geração de riqueza e uso eficiente de recursos”, de acordo com o documento.

As empresas têm aqui um papel fundamental a desempenhar, através da aposta na eficiência energética, na mobilidade sustentável, na redução do consumo de recursos fósseis e na reciclagem de materiais reutilizáveis.

O LISPOLIS assinou o documento de Compromisso de Lisboa Capital Verde Europeia 2020, criado pela Câmara Municipal de Lisboa com o objetivo de envolver as diferentes entidades da cidade na transformação em curso no setor ecológico. Este compromisso inclui um conjunto de medidas que devem ser integradas no dia a dia de pessoas e empresas locais até 2030.

Capital Verde Europeia 2020

Em 2018, Lisboa foi escolhida como Capital Verde Europeia 2020, uma iniciativa que reconhece o trabalho desenvolvido na cidade durante a última década, mas que serve igualmente como mote para um maior compromisso no que toca à adoção de medidas com um impacto positivo para o ambiente urbano. O objetivo será melhorar vários aspetos da vida urbana de moradores e trabalhadores na cidade de Lisboa até 2030.

Lisboa assinou o Pacto dos Autarcas para o Clima e Energia, o Acordo de Paris e a Rede C40 Cities, e desenvolveu autonomamente o Plano de Ação para as Energias Sustentáveis e o Clima (PAESC), aprovado em Câmara e na Assembleia Municipal, por unanimidade. A 11 de janeiro foi lançado oficialmente o programa de atividades planeado para este ano, que conta com medidas como a plantação de árvores em vários pontos do município ou a inauguração do Museu da Reciclagem (ReMuseu) em Alcântara.

Eficiência Energética nos Edifícios

O LISPOLIS tem acompanhado a preocupação energética e concebido alterações na gestão e utilização dos edifícios. As lâmpadas das salas e espaços comuns dos edifícios que nasceram em 1994 foram substituídas gradualmente por leds, que permitem economizar energia e manter a qualidade da iluminação. Paralelamente, têm sido instalados sensores de presença nas instalações sanitárias, de modo a evitar que as luzes estejam ligadas sem necessidade.

As janelas serão também gradualmente substituídas por forma a acumular mais energia dentro das várias salas através do isolamento térmico, criando assim menor desperdício energético.

Um dos edifícios LISPOLIS, o Edifício Empresarial 3, conta ainda com um SGT (Sistema de Gestão Técnica), que permite controlar por zonas a temperatura das salas, consoante a exposição solar diária. Este dispositivo permite assim a gestão mais inteligente da iluminação e dos equipamentos de ar condicionado, através da medição da temperatura no exterior e interior do edifício, evitando o gasto supérfluo de energia.

Estas requalificações dos edifícios integram o plano de sustentabilidade do LISPOLIS que vem dar resposta às novas exigências ambientais da comunidade, uma adaptação que vem em linha com a inovação das empresas aqui instaladas, que requerem um espaço cada vez mais modernizado e ecológico.

Em 2020, o LISPOLIS fará uma campanha ativa de consciencialização de todos os utilizadores dos espaços para uma poupança energética a nível dos consumos: apagar luzes e desligar equipamentos de ar condicionado quando não se encontra ninguém nas salas, evitar o uso do elevador e desligar os equipamentos que não estão a ser utilizados (como carregadores de telemóvel) das tomadas elétricas.

Aposta na Mobilidade Sustentável

A Mobilidade Sustentável tem sido um tema de debate desde que se iniciou o conceito de Cidades Inteligentes. O sonho de uma cidade conectada e com mobilidade multimodal e partilhada tem vindo a ganhar expressão através das muitas startups desenvolvidas para o efeito, bem como a adoção crescente de veículos elétricos.

O LISPOLIS questionou as empresas sobre a utilização de veículos elétricos através de um inquérito e 31% indica que pretende integrar uma ou mais viaturas na sua frota em 2020.

A promoção de condições para o carregamento destes veículos ecológicos é uma preocupação do LISPOLIS, que tem vindo a realizar estudos sobre a viabilidade da instalação de pontos exteriores para utilização comum junto de vários parceiros. Em 2020, espera-se um avanço neste sentido, com a criação de lugares específicos no parque de estacionamento comum para o carregamento destas viaturas.

No sentido de fomentar a utilização de meios mais ecológicos e evitar o uso do automóvel particular, o LISPOLIS disponibiliza à entrada de cada edifício um espaço exclusivo para motos e bicicletas.

Em complemento a estas medidas, o LISPOLIS tem vindo a apostar na criação de parcerias com plataformas de mobilidade partilhada: o Drive Now tornou-se parceiro LISPOLIS, com a oferta de condições especiais para que as empresas instaladas no Polo Tecnológico de Lisboa possam utilizar este serviço como preferencial nas deslocações dentro da cidade de Lisboa, para reuniões ou eventos fora do seu local de trabalho.

Além desta parceria, foi recentemente criada uma relação com a Lime para instalação de três hotspots no Polo Tecnológico de Lisboa que vêm dar resposta ao last mile de estudantes da Universidade Europeia e a colaboradores das restantes empresas instaladas entre as estações de metro (de Carnide, Pontinha ou Telheiras) e o LISPOLIS.

Antes disso, o LISPOLIS havia também apostado na criação de um projeto piloto com trotinetes elétricas da Z-Floating, projeto vencedor do programa de aceleração Smart Open Lisboa que contou com o patrocínio da Ferrovial. Esta iniciativa permitia fazer a ligação metro-LISPOLIS de uma forma gratuita para colaboradores das empresas e estudantes.

Economia Circular

A redução do desperdício de recursos é uma das grandes prioridades do LISPOLIS. Têm sido instalados equipamentos redutores em torneiras e autoclismos dos edifícios geridos pelo LISPOLIS. Tem também vindo a ser adotada a medida de zero desperdício de plástico, por exemplo através da utilização de chávenas de loiça para o café ao invés de copos de café de plástico de utilização única.

Em 2019, o LISPOLIS instalou, em parceria com a European Recycling Platform, ecopontos de pilhas, toners, lâmpadas e equipamentos eletrónicos, para que as empresas e colaboradores possam reciclar de forma apropriada os dispositivos que já não têm utilidade.

A implementação de ferramentas cada vez mais digitais vem também apoiar a medida de redução do desperdício do papel. A adoção da fatura eletrónica foi um grande passo no sentido da digitalização de processos.

Está a ser igualmente estudado um processo de reciclagem dentro das próprias empresas, que possa ser integrado num serviço de limpeza geral.

Planear o Futuro

A consciencialização para a transformação ecológica é um trabalho da maior importância junto de colaboradores e responsáveis das empresas. O LISPOLIS, como gestor de espaços e da comunidade, tem aqui um papel fulcral na criação de documentos de fácil acesso para diagnóstico e implementação de medidas mais “verdes” nos comportamentos.

Ainda há muito trabalho para fazer, mas 2020 marca o ano em que a transformação ecológica ganha uma maior dimensão nas empresas e é preparado o trabalho a realizar nos próximos anos.

É URGENTE FAZER A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

José Cruz Vilaça e Paulo Sande

Embora na última década tenha existido uma narrativa contínua da política pública sobre o desígnio nacional de se evoluir para uma economia de baixo carbono, e para o aproveitamento dos recursos endógenos renováveis – aliás suportada por vários documentos técnicos que demonstram o seu custo-eficácia e impacto positivo na economia – a verdade é que não assistimos a qualquer alteração estrutural da matriz energética nacional.

Segundo o sócio-administrador da Cruz Vilaça Advogados, a contínua desaceleração económica, o aumento das temperaturas globais e a crescente frequência e intensidade de choques relacionados com o clima pressionam cada vez mais, a necessidade urgente desta mudança radical no sistema global de energia há muito tempo programada.

“Estamos num ponto crucial perante uma das áreas de transformação da sociedade moderna e é necessária a mudança. Este é um problema que envolve a sobrevivência do planeta e a preservação da biodiversidade, e, portanto, é de realçar que esta é uma mudança inevitável, que já todos percebemos, ou já devíamos ter percebido. Não é possível continuar a brincar com coisas sérias”, assegurou o presidente da APDEN.

No entanto, sem estratégias políticas apropriadas, os custos e benefícios serão distribuídos de maneira desigual dentro e entre países. Por isso, a cooperação internacional e uma “política coordenada a nível global” são cruciais para responder aos desafios energéticos globais, como as alterações climáticas e a proteção do ambiente.

A aposta nas energias renováveis surge como uma opção essencial e prioritária no combate à dependência energética nacional. Quem já meteu as “mãos à obra” foi a Europa, atual líder neste processo, que desde cedo, percebeu a importância de agir ao tentar criar o verdadeiro mercado único de energia à sua escala. “Este mercado único energético, é essencial para a competitividade, o crescimento e o bom funcionamento da economia europeia e para a nossa independência e segurança energética, colocando a Europa na vanguarda da sustentabilidade, eficiência energética e luta contra as alterações climáticas”.

“Claro que uma mudança de paradigma como esta, em termos energéticos e ambientais, implica transformações, investimentos e custos. E claro está, que temos de encontrar uma solução para esta equação muito complicada, isto é, assumir o objetivo e o impacto da mudança, minimizando quanto possível os custos, porque substituir produção energética e combustíveis fósseis por fundos de energia renováveis, é caro”.

Segundo Cruz Vilaça, se todos avançassem ao mesmo ritmo, numa ação concertada em espirito de cooperação internacional, era certamente muito mais fácil. Mas não é isso que tem acontecido. “Enquanto uns avançam, outros recuam e enquanto uns estão conscientes do desafio, há outros que o negam”, afirma.

Quando questionado sobre se a politica em Portugal é coerente, o presidente da APDEN, afirmou que “Portugal tem recursos humanos e naturais de que outros países não dispõem. O nosso país tem sol, tem mar, tem vento e tudo isto, são fontes de energia renováveis. Estamos numa posição e em condições para alinhar positivamente e decididamente neste caminho. O facto de sermos um membro ativo e positivo da União Europeia faz com que não possamos sequer deixar de participar na definição e na execução das politicas. Acima de tudo, acho que não temos angústias nem obstáculos insuperáveis neste caminho. Temos sim, vantagens e recursos para o fazer”.

Para Paulo Sande, a questão fundamental é “a busca de equilíbrio”, uma vez que estamos a falar de um tema com interesses conflituantes, sobretudo em setores que entre si têm bastantes semelhanças (integrar sociedades e economias) e ao mesmo tempo tantas diferenças (indústrias, agricultura, transportes). Para o advogado, ainda mais importante que isso, é a vida das pessoas e a forma como elas vão aceitar a mudança de paradigmas, uma vez que isso, implica de facto muitas transformações.

Quando questionados sobre os grandes desafios desta mudança, os entrevistados afirmaram convictamente que “o desafio é moldar e preparar as pessoas para a grande mudança de paradigmas e tornar acima de tudo, a transição energética uma realidade”.

“AJUDAR PESSOAS A REALIZAR SONHOS E PROJETOS DE VIDA”

Carlos Calhaz Jorge

Com uma experiência de mais de trinta anos, podemos afirmar que olha para a área da Reprodução com especial interesse?

Claro que sim. Não só porque tem preenchido quase toda a minha vida profissional, mas também porque é extremamente estimulante dos pontos de vista técnico/científico e humano.

O que fez com que se dedicasse em pleno a esta área da Medicina?

Inicialmente foram sobretudo os aspetos técnico-científicos que entrevia enquanto aluno de Medicina. Depois teve também enorme peso a consciencialização profunda de quão importante o seu objetivo final, isto é, ajudar pessoas a realizar sonhos e projetos de vida.

Considera que no campo da Medicina da Reprodução, as técnicas terapêuticas para casais com problemas em procriar sofreram enormes progressos nos últimos anos?

Não sei bem o que se considera os “últimos anos”. Mas a Medicina da Reprodução em geral, incluindo aspetos médicos, cirúrgicos e as técnicas de Procriação Medicamente Assistida, foi e é um campo em profundo progresso no conhecimento científico e nas alternativas terapêuticas que possibilita a quem dela precisa.

Há limitações na eficácia de todo o tipo de tratamentos essencialmente resultantes de um protelar da idade em que se procura ter filhos. Este fenómeno social, baseado em opções obviamente legítimas, conflitua com a redução natural na nossa espécie da capacidade reprodutiva à medida que os anos das senhoras aumentam. Tal circunstância começa a ser importante depois dos 35 anos e torna-se extremamente marcada depois de completados os 40 anos. Nos homens não há aparente redução da fertilidade a não ser em idades muito mais elevadas.

Acredita que estas técnicas vieram possibilitar expectativas muito positivas quanto à resolução da maioria dos problemas de infertilidade?

Há mais de 8 milhões de crianças nascidas no mundo em resultado de tratamentos de Fertilização in vitro (FIV) ou microinjecção de espermatozóides (ICSI). Isso significa muito para um enorme número de beneficiários destas técnicas. Se é possível a resolução da maioria dos problemas de infertilidade, é impossível saber. Depende de muitas variáveis.

Alguns números indicam que a infertilidade conjugal atinge, na população mundial, cerca de 10 a 15% dos casais em idade fértil. Acha que esta percentagem tem vindo a subir ou a diminuir nos últimos anos?

Não há quaisquer dados fiáveis que permitam afirmar que a infertilidade está a aumentar no mundo em geral.

O problema é que no mundo ocidental o fenómeno da parentalidade tardia tem vindo a acentuar-se e isso, como disse atrás, é um fator muito importante na dificuldade em se engravidar, mesmo sem qualquer doença subjacente, já que resulta de alterações no núcleo das células reprodutoras femininas – os óvulos, que já estão contidas nos ovários no momento do nascimento.

Considera que os portugueses estão devidamente informados quanto aos procedimentos, soluções e tratamentos para a infertilidade?

Infelizmente penso que não. Este é um tema a que a maior parte das pessoas só é sensível quando “lhe cai em sorte”.

Por exemplo, foram feitas várias campanhas no sentido de esclarecer que seria desejável engravidar antes dos 35 anos da mulher, que fumar é um péssimo hábito também pelas repercussões negativas na capacidade reprodutiva de homens e mulheres, que a obesidade é igualmente um fator negativo quer para engravidar quer para o evoluir da gravidez quer para a saúde da criança a nascer, que o consumo de álcool é muito prejudicial aos intuitos de engravidar. Mas não me apercebi de qualquer valorização por parte da sociedade.

Por um Portugal amigo das crianças, das famílias e da natalidade concorda que deve haver um maior alargamento do apoio médico em situações de infertilidade?

Com certeza que sim. Numa época em que por razões sociais e financeiras uma parte da população decidiu não ter mais filhos, há um subgrupo de pessoas (os inférteis) que continua desejoso de realizar os seus projetos de vida e se vê confrontado com restrições imensas no acesso aos tratamentos. Nomeadamente as listas de espera para FIV/ICSI são completamente inaceitáveis.

“É POSSÍVEL IDENTIFICAR A CAUSA DA INFERTILIDADE EM TODOS OS CASOS”

Mário Sousa

Como e quando surgiu a paixão por esta medicina?

Estava a investigar a fisiologia do ovócito humano no INSERM (Paris) quando me solicitaram ajuda para colaborar com a equipe clínica encarregue de promover o desenvolvimento da Medicina da Reprodução em França. Conseguimos o primeiro bebé ICSI em França, e premiéres mundiais tais como determinar o mecanismo de ativação do ovócito na ICSI, o que permitiu estender rapidamente o sucesso da técnica, e obtivemos o primeiro bebé com recurso a células precursoras dos espermatozoides. Já em Portugal conseguimos outras premiéres mundiais tais como a maturação in vitro de células germinativas, a aplicação do diagnóstico genético preimplantação à PAF, a descoberta dos genes que controlam a espermatogénese e a descoberta de imprinting alterado nos pacientes inférteis. Ao mesmo tempo encetei um período de intensa crítica nacional, o que mudou o panorama português na RMA.

Não há números exatos, mas dizem dados oficiais que os problemas de fertilidade afetam um em cada seis casais no mundo, durante a vida reprodutiva. Estes números são um grande desafio para a Medicina de Reprodução laboratorial? Trata-se de uma especialidade em constante evolução?

A percentagem no mundo ocidental é de 10-15% dos casais em idade reprodutiva, envolvendo situações relativamente simples de resolver até situações muito complexas, persistindo um número considerável de casais não devidamente diagnosticado e tratado. Apesar de intensa divulgação, a infertilidade continua a ser um tabu, e muitos pacientes perdem anos mal diagnosticados e tratados. A orçamentação e especialização das equipes continua a ser um aspeto descurado. Esta especialidade encontra-se em constante evolução a nível laboratorial e clínico.

Em Portugal, existe maior percentagem de infertilidade feminina ou masculina?

No último artigo submetido, observamos que a causa da infertilidade era em 40% de fator exclusivamente masculino, em 41% de fator exclusivamente feminino e em 19% de causa mista.

Esterilidade é o mesmo do que infertilidade?

O termo esterilidade (incapacidade total de gravidez) já não se usa. Usa-se apenas o termo de infertilidade.

É possível identificar as causas da infertilidade? Como é feito o diagnóstico?

É possível identificar a causa da infertilidade em todos os casos. Os casos denominados idiopáticos (sem diagnóstico) necessitam de uma análise do genoma.

Fases do diagnóstico:

História detalhada da vida pessoal e familiar: são críticos a idade, a etnia, o desenvolvimento sexual, a vacinação, a alimentação, o estilo de vida, a profissão e qualquer outra doença.

Exame físico: malformações anatómicas genitais, alterações sexuais secundárias.

Exames auxiliares de diagnóstico: visam avaliar o estado geral do casal em relação a todas as funções corporais, o estado dos órgãos sexuais e sua regulação endócrina e exclusão de infeções ocultas. Incluem-se neste grupo a avaliação das trompas de Falópio, do útero e da cavidade uterina, o espermograma e diversos testes genéticos.

Podemos afirmar que a infertilidade ocorre quando um dos membros do casal, ou ambos, têm problemas físicos que afetam o processo de reprodução?

A infertilidade é uma doença resultante da falência orgânica dos órgãos reprodutores. Porém, há causas de origem psíquica.

Hoje, felizmente, o leque de tratamentos é variado e os avanços na ciência permitem tratar a maioria dos casos de infertilidade. Que tipos de tratamentos existem hoje em Portugal? Qual a taxa de sucesso dos mesmos?

Indução de ovulação:

Taxas de sucesso: 10-15%

Inseminação intra-uterina:

Taxas de sucesso: 10-15% (com espermatozoides do próprio, IIU homóloga: 10%; com espermatozoides doados, IIU heteróloga: 15%).

Fecundação in vitro (FIV):

Taxas de sucesso: 52% (≤ 34a: 73%; 35-39a: 46%; ≥ 40a: 31%).

Microinjeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI):

Taxas de sucesso: 36% (≤ 34a: 46%; 35-39a: 46%; ≥ 40a: 21%).

Biopsia testicular para extração de espermatozoides (TESE): A taxa de sucesso de recuperação de espermatozóides testiculares depende da causa (0-80%)

Taxas de sucesso: 48% (≤ 34a: 55%; 35-39a: 38%; ≥ 40a: 17%).

Aspiração testicular para extração de espermatozoides (TESA):

Taxas de sucesso: como TESE.

Diagnóstico genético preimplantação (DGPI):

Taxas de sucesso: 60%.

Seleção de embriões sem aneuploidias (PGTA): Taxas de sucesso: 62%.

Seleção de embriões sem alterações cromossómicas (PGTRS): Taxas de sucesso: 62%.

Seleção de embriões sem alterações génicas (PGTM): Taxas de sucesso: 80%.

Cultura prolongada de embriões até à fase de blastocisto. Taxas de sucesso: como FIV e ICSI.

Doação de ovócitos (FIVDO).

Taxas de sucesso: 65% (≤ 34a: 100%; 35-39a: 63%; ≥ 40a: 60%).

Doação de espermatozóides (FIVD). Taxas de sucesso: inferiores à da FIVDO. Depende da causa feminina.

Doação de embriões. Taxas de sucesso: inferiores à da FIVDO. Depende da causa feminina e masculina.

E ainda, a criopreservação de ovócitos espermatozóides e embriões; protocolos de estimulação específicos; freeze-all; scratch; eclosão assistida; activação do ovócito; diferenciação in-vitro de ovócitos; infusão de fator de crescimento; empréstimo benévolo de útero; marcadores de receptividade endometrial; estudo de imunocompatibilidade linfocítica parental (kir); estudo de imunohistocompatibilidade parental (hla); criopreservação de tecido ovárico e testicular; transplante de tecido ovárico e testicular; transplante de útero; acupunctura; atividades de relaxamento.

Trata-se de uma situação que transporta uma pesada carga emocional. Muitas vezes, a infertilidade gera sentimentos de frustração pessoal e familiar, chegando a causar problemas ao nível da inserção social. Como se lida com a infertilidade?

Para se lidar com esta situação tem de ser culto, extremamente humano e profissional. O casal infértil chega com a angústia de não conseguir descendência, de não conseguir carregar no seu ventre o feto (bebé) desejado, de ser diferente, de ser diminuído, de ser marginalizado, com baixa autoestima. É um casal fragilizado, frequentemente hostilizado pela família, amigos e empresa onde trabalham. Escutar atentamente. Averiguar a solidez da relação. Sugerir consulta de psicologia da reprodução perante sinais de depressão ou ansiedade descontrolada. Delinear um procedimento de diagnóstico. Apresentar os tratamentos, explicando e ilustrando a sua lógica, sequência, taxas de sucesso e insucesso, e as complicações. Apresentar os locais e colegas alternativos. Referenciar de imediato se a situação ultrapassa as nossas competências. Nunca avançar sem um diagnóstico estabelecido. Usar o tratamento internacionalmente mais adequado ao caso em questão. Nunca persistir no mesmo tratamento perante falha. Estar a par de todas as alternativas tecnológicas quer de diagnóstico, quer de tratamentos.

ONDE NASCE A VIDA

Sérgio Soares

Porquê a escolha pela área da medicina reprodutiva?

A escolha pela área da Ginecologia e Obstetrícia (GO) foi inicialmente motivada pela atração pela Obstetrícia. Com o tempo e as oportunidades surgidas ao longo da Graduação e da Pós-graduação em GO, fui-me aproximando da Medicina Reprodutiva, que é uma subespecialidade dentro dessa área.

Como se diagnostica a infertilidade na IVI?

Cada caso é avaliado de modo individual, com o cuidado na recolha, num primeiro momento, de todos os dados do historial dos doentes que possam ter alguma relevância: tempo de infertilidade, histórico reprodutivo, história de saúde da família e do doente e resultados de análises, exames e tratamentos já feitos. Frequentemente, é preciso depois pedir algum tipo de análise e/ou exame complementar. Ou seja, todas as especificidades de cada caso devem ser tidas em conta e analisadas à luz do mais atualizado conhecimento médico.

Quais são as principais causas da infertilidade? Em que medida é que a idade pode afetar?

As principais causas são os problemas na produção espermática e na função ovárica. Essa última é dramaticamente afetada pela idade. Muito cedo na vida da mulher (poucos após os 30 anos, por incrível que pareça!), o rendimento reprodutivo começa a cair exatamente pela diminuição da qualidade dos óvulos. Depois dos 35 anos, essa queda é evidente. Como dá-se a circunstância de, atualmente, muitas mulheres começarem a pensar no projeto reprodutivo após os 35 anos, dita conjunção é extremamente negativa para a eficácia reprodutiva. Lamentavelmente, essa questão da perda precoce da qualidade da função ovárica é muito pouco difundida, não é de domínio público. Como outra causa importante da infertilidade, mencionaria a endometriose.

Embora não existam estatísticas específicas para Portugal, vários estudos indicam que nos países ocidentais a infertilidade afeta um em cada sete casais em idade reprodutiva, o que corresponde a cerca de 14% da população. Estes números têm vindo a suavizar?

Não há razão para acreditar numa diminuição da prevalência dos problemas reprodutivos. Ao contrário: como mencionei anteriormente, o adiamento do projeto reprodutivo tende a fazer com que a consecução do mesmo se veja dificultada para uma fração cada vez maior da população.

Estar emocionalmente forte é um fator importante para que os tratamentos de reprodução assistida sejam um sucesso. Como enfrentar a descoberta de que tem um problema de infertilidade?

É um fator importantíssimo. A caminhada na busca de um filho com a ajuda da Medicina pode-se fazer, em alguns casos, longa. Nesses, o desgaste psicológico é muito grande! Um casal que viria a alcançar o seu objetivo pode mesmo desistir dele pelo desgaste emocional. Um apoio psicológico especializado ao longo do caminho deve ser sempre oferecido ao doente e é, muitas vezes, fundamental.

Considera que o estado emocional da pessoa que se submete a um tratamento de reprodução assistida é de vital importância no percurso e resultado do mesmo?

Pode ser de vital importância no percurso. Não há evidências de que, em tratamentos como a inseminação intrauterina ou a fertilização in vitro, o estado emocional tenha grande impacto na taxa de sucesso por tratamento. Mas, como comentei anteriormente, tal suporte pode estar vinculado à probabilidade de sucesso na medida que, nas caminhadas de mais longa duração, é muito maior o risco de desistência se há uma desestabilização emocional. Essa pode por em risco inclusive a relação do casal.

A medicina é uma ciência em constante mutação e adaptação – o que faz com que de novas teorias saiam novas terapêuticas, técnicas e por isso novos materiais. Que desafios e oportunidades considera que são então esperados para esta área “onde nasce a vida”?

Os desafios são muitos, porque são muitas, e sempre serão, as perguntas ainda sem resposta, os problemas para os quais não há solução fácil. Temos muito a aprender sobre o quê é que determina a qualidade dos “atores principais dessa peça” (óvulo, espermatozoide e endométrio – o tecido que reveste a cavidade uterina, onde o embrião implanta). Depois de um maior aprendizado sobre os determinantes da sua qualidade, virá o aprendizado de como corrigir carências qualitativas, quando essas estiverem presentes. Uma pergunta respondida leva à seguinte, numa história sem fim.

“NO MEU TRAJETO PROFISSIONAL A MR SURGIU POR UMA FELIZ COINCIDÊNCIA”

António Barbosa

Porquê a escolha destas duas áreas de diferenciação?

A MR é uma das áreas de subespecialização dentro do campo mais vasto da Ginecologia/ Obstetrícia, ela própria também uma área de especialização dentro do campo de conhecimento da Medicina. O especialista em MR dedica a sua atenção à investigação e tratamento do casal infértil tendo nesse contexto a possibilidade de recorrer às técnicas de reprodução assistida –FIV (fertilização in vitro) e ICSI (injecção intracitoplasmática de espermatozóide). Infertilidade, considera-se a situação do casal que após um ano de relações sexuais frequentes e desprotegidas, não alcança a gravidez. No meu trajecto profissional a MR surgiu por uma feliz coincidência: o meu interesse especial pela cirurgia endoscópica, no meu caso muito ligada à investigação e tratamento da infertilidade feminina, fez com que acabasse por me dedicar em especial ao campo da MR.

É médico na COGE-Clinica da Santa Casa da Misericórdia de Espinho. De que forma é que gerem a vossa atividade valorizando um atendimento personalizado à medida de quem vos procura?

Sendo a COGE-CSCME uma clínica privada, cada casal que nos procura é encarado como um caso único, especial, sendo a sua abordagem diagnóstica e terapêutica um “fato à medida”. O casal é, em todas as etapas do tratamento, sempre acompanhado pelo seu médico. Mesmo na eventualidade de ser necessário o recurso a outras especialidades, o acompanhamento personalizado é um aspeto central do atendimento.

Quais são para si as principais causas de infertilidade?

As causas são múltiplas e muitas vezes associam-se no mesmo casal, mas as que ocorrem com mais frequência são o fator masculino, os distúrbios ovulatórios e a insuficiência ovárica (muito relacionada com a idade). Evidentemente que as obstruções das trompas e as patologias uterina e pélvica também surgem, mas com menor expressão.

Considera que os fatores psíquicos são causadores de infertilidade?

Por si só não se pode dizer que são causadores de infertilidade, mas estão sempre presentes e são motivo de grande sofrimento para o casal. Se não forem tratados, interferem com o sucesso terapêutico podendo mesmo ser o motivo para o abandono do tratamento.

Acredita que a infertilidade tem a haver com a diminuição da natalidade em alguns países?

Existe uma correlação entre a diminuição da natalidade e a infertilidade, mas, não podendo afirmar que esta é a causadora, será pelo menos um fator associado. Há outros motivos para a diminuição da natalidade que passam por fatores sociais: para além dos casais que decidem ter só um filho ou mesmo não ter filhos, a questão da idade em que se decide ter o primeiro filho é de importância crítica e isso prende-se muito não só com as perspectivas de vida do indivíduo com também, em grande medida, com políticas sociais (ou falta delas).

Quais são os recursos e serviços disponíveis na COGE?

Na COGE estão disponíveis as técnicas de RMA – FIV, ICSI (com ou sem doação de gâmetas), criopreservação de gâmetas e/ou embriões- Indução de ovulação, Inseminação artificial. No âmbito do diagnóstico e tratamento da infertilidade também é efectuado o estudo da permeabilidade das trompas por ecografia com contraste e a cirurgia endoscópica do útero e a laparoscopia (ex.: dor pélvica, suspeita de endometriose). Relativamente ao estudo do fator masculino, na COGE são também realizados espermogramas e biópsias testiculares.

Há solução para a maior parte dos casos? Qual a taxa de sucesso dos tratamentos?

Há solução para a maioria dos casos se bem que nesta área da medicina temos a ingrata tarefa de explicar ao casal que o sucesso implica frequentemente a repetição dos tratamentos. Mesmo quando tudo parece correr bem nem sempre o desfecho é o desejado. As taxas de sucesso variam muito de acordo com o escalão etário e a gravidade de cada situação, mas genericamente podemos dizer que na FIV/ ICSI a taxa de sucesso varia entre 35 a 50% enquanto na Inseminação intra-uterina anda pelos 10 a 15%.

Qual a diferença entre infertilidade primária e secundária?

Considera-se a infertilidade primária quando no casal nunca ocorreu qualquer gravidez; secundária, se já ocorreu uma gravidez anteriormente, mesmo que não tenha havido nascimento de um nado-vivo.

“A IERA CONTINUARÁ A APOSTAR NA INOVAÇÃO, NA PERSONALIZAÇÃO, NO LEMA «A SAÚDE PESSOA A PESSOA»”

IERA-José António Dominguez, Ana Aguiar, Eduardo Rosa E Mafalda Rato Leal

Instituto Extremeño de Reproducción Asistida (IERA), assume-se hoje como um dos principais players no domínio da fertilidade em Portugal, sendo responsável por conseguir tornar melhor a vida das pessoas que sofrem com a infertilidade. Neste sentido, e apenas para contextualizar, como é que a IERA tem vindo a promover, a crescer e a proporcionar aos pacientes uma experiência totalmente individualizada e personalizada?

Mafalda Rato Leal (MRL) – Em consonância com a missão, visão e valores do grupo Quironsalud, centramo-nos nos cuidados de saúde e na promoção do bem-estar das pessoas, colocando à sua disposição um serviço de saúde na medicina reprodutiva da mais alta qualidade, procurando ser reconhecidos por pacientes, médicos e instituições.

Apostamos na participação em plataformas digitais, para estar mais próximos dos pacientes e estamos em constante contacto e colaboração com profissionais da área das diversas subespecialidades que complementam o estudo diagnóstico e evolução tecnológica das técnicas de PMA.

Somos uma equipa multidisciplinar e empenhada, apostada em personalizar a relação médico/doente e as condutas diagnósticas para uma atitude terapêutica individualizada a cada contexto reprodutivo. Temos vindo a apostar na incorporação de novos e atuais teste de diagnóstico nos campos da imagem/ecografia, da genética, da receptividade e disbiose endometrial e da avaliação contínua da qualidade e desenvolvimento dos embriões, de forma a oferecer uma individualização de tratamento que possibilite o melhor desfecho reprodutivo.

Quão importante é capacidade que o IERA tem seguindo uma linha de personalização, onde cada caso é um caso? Essa proximidade e dedicação são fundamentais para o paciente se sentir seguro e assim a probabilidade de sucesso aumentar?

José António Dominguez (JAD) – Se todo o seguimento terapêutico for realizado numa perspetiva multidisciplinar e de forma individualizada, certamente possibilitará aos pacientes sentirem-se mais confiantes para gerir as suas expectativas, avaliar as suas limitações e motivações, minimizando obstáculos.

Acima de tudo consideramos que o importante é ajudar os pacientes a conhecer e a identificar as etapas de um ciclo de tratamento para que possam avaliar as suas implicações futuras sobre decisões conscientes e informadas.

A tecnologia tem sido o grande aliado da evolução na área da Medicina da Reprodução, tornando o processo mais qualitativo, mas é igualmente importante apostar numa relação de confiança paciente/Centro que promova a melhor adesão aos exames de diagnóstico, à aplicação terapêutica e ao reforço da gestão de expectativas. Na IERA, facultamos o proporcionar de uma experiência positiva, baseada na disponibilidade e na confiança que conduz à redução da carga psicológica inerente a cada etapa do projeto parental e, consequente, como está demonstrado, a uma melhoria do desfecho reprodutivo. Promovemos a aplicação de protocolos de PMA, clínicos e laboratoriais individualizados, p.ex. optimizando, a cada caso, o momento da transferência embrionária com vista ao maior potencial de gravidez.

Como analisa o atual panorama luso no que concerne às questões relacionadas com a temática da infertilidade? Que lacunas ainda urgem identificar e ultrapassar?

Ana Aguiar (AA)-  Nos últimos anos temos assistido ao decréscimo da natalidade no nosso país (apesar de, no último ano esta tendência se ter invertido) que na maioria das vezes é o reflexo do adiamento na concretização do projeto parental.

Vivemos numa época em que se invertem prioridades dando primazia a metas profissionais, sociais e à estabilidade económica; uma época em que o diagnóstico e terapêutica de doenças graves, nomeadamente na área oncológica, doenças crónicas e infecciosas controladas com terapêutica, permitem perspetivar um desejo reprodutivo futuro.

Em Portugal há recursos disponíveis nas diversas áreas de atuação, seja no contexto da oncofertilidade, preservação da fertilidade, doação de gâmetas e embriões, rastreios e estudos genéticos no âmbito de doenças ou risco de transmissão aumentada, bem como na implementação de tecnologias de última linha no campo laboratorial da PMA, idênticas às disponibilizadas a nível global.

Uma grande lacuna da nossa sociedade é o desconhecimento sobre a sua saúde reprodutiva, proteção e preservação da mesma e a aposta num projeto reprodutivo atempado.

Outras das principais lacunas prendem-se com os tempos de espera para tratamento no Sistema Nacional de Saúde e, com a baixa disponibilidade de gâmetas doados no banco público, sendo este uma necessidade e único recurso terapêutico disponível para alguns pacientes que encontram resposta maioritariamente nos centros privados de reprodução assistida.

Em termos legislativos temos uma das leis mais permissivas e participação do SNS no que se refere à aplicação das técnicas de PMA e recurso a gâmetas doados e embriões, mas falta legislar acerca do recurso à maternidade de substituição.

No domínio da infertilidade, sente que atualmente existe uma carência elevada de relacionamento e diálogo entre entidades estatais e players privados deste setor? Esse diálogo será importante para o presente e futuro desta área ou não vê o mesmo como algo essencial para o setor?

Eduardo Rosa (ER) – As entidades estatais por intermédio da entidade reguladora da atividade de PMA em Portugal, o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), estabelecem com os respetivos centros nacionais, quer públicos quer privados, reuniões periódicas, normas de funcionamento e aprovação de diferentes tratamentos, uma relação de comunicação atempada, com resposta a dúvidas e adequação de informação para consentimento informado dos pacientes, pelo que o relacionamento e diálogo existe. Entidades médicas como a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e associações de doentes com destaque para a APF – Associação Portuguesa de Fertilidade e a Mulherendo – Associação Portuguesa de apoio a mulheres com endometriose são players imprescindíveis no estímulo ao desenvolvimento científico dos centros e no alertar da sociedade para a saúde reprodutiva e para a necessidade das mudanças legislativas que têm sido implementadas.

O Diálogo e a transmissão de informação entre centros e entidades estatais são sempre importantes, pois permitem uma conduta de acordo com orientações nacionais, com normas de atuação uniformes e uma avaliação atempada das necessidades e recursos disponíveis em cada centro.

Entre os diversos Centros, públicos ou privados, existem já protocolos estabelecidos como p. ex. a partilha de equipamentos laboratoriais em situações específicas e o transporte de gâmetas e embriões.

A articulação entre centros do SNS e alguns centros privados que facilita o acesso a técnicas de PMA a casais em espera há pelo menos 12 meses no SNS está implementada, mas uma mais estreita relação de entidades reguladoras/estatais e centros privados, poderia eventualmente estabelecer o seu alargamento para a máxima optimização dos tempos de espera para tratamento.

As tecnologias e a inovação têm sido dois aliados essenciais nesta área. Assim, quão importante tem sido esta vertente inovadora no sucesso da IERA? De que forma promovem a mesma e qual o impacto que tem no alcançar de resultados positivos?

MRL – Na IERA os avanços científicos comprovados no campo da medicina da reprodução e das técnicas e sistemas laboratoriais da procriação medicamente assistida condicionadores de um melhor desfecho reprodutivo, são elementares na atividade do nosso centro.

 A IERA LISBOA foi pioneira na integração do sistema GERI em todos os seus tratamentos de PMA. Este sistema combina a mais recente tecnologia no respeita à estabilidade das condições de cultura embrionária com o acompanhamento dos embriões em tempo real, através da integração de câmaras fotográfica especiais. Desta forma podemos monitorizar os embriões em contínuo, sem nunca os destabilizar e reproduzir vídeos de todo o processo com rigorosa avaliação do desenvolvimento em cultura.

Realizamos a avaliação contínua do desenvolvimento embrionário de todos os embriões em cultura e promovemos, quando indicado, a seleção embrionária baseada no estudo genético dos embriões.

 Na IERA dispomos ainda de recursos de imagem atuais para avaliação uterina e da permeabilidade tubária, pouco invasivos e confortáveis para as pacientes.

Recorremos quando necessário a métodos de diagnóstico molecular, microbiológicos e exames genéticos no âmbito da recetividade endometrial e implantação embrionária para a transferência de embriões de forma personalizada ao perfil de recetividade da mulher, incrementando a probabilidade de implantação dos embriões e, consequentemente de gravidez, e diminuindo o risco de aborto.

Realizamos avaliação, seleção e estudo genético de potenciais dadores de gâmetas de acordo com as mais recentes evidências. Temos um programa de oncofertilidade e de avaliação do potencial reprodutivo com avaliação individualizada.

Ainda no âmbito da inovação, este setor, a par de outros, encontra-se em constante mutação, ou seja, é necessário estar atento a novas tecnologias que surgem, métodos, iniciativas, entre outros. Como é que IERA promove essa busca incessante por novas tecnologias no âmbito das técnicas de reprodução assistida?

JAD – Para além do cuidado assistencial, a IERA promove várias atividades profissionais que permitem ampliar o foco da nossa atuação e ao mesmo tempo contribuem para o contínuo avanço a que assistimos nas técnicas de PMA.

Este avanço observa-se em várias frentes, desde a diversificação de opções terapêuticas, passando pelo surgimento de novos complementos ao diagnóstico, valorização do bem-estar e promoção de uma vivência positiva por parte dos pacientes, até à evolução tecnológica dos procedimentos e técnicas de laboratório.

No campo das técnicas de PMA, a IERA tem incorporado nos seus laboratórios procedimentos, protocolos e tecnologia de última geração, como é o caso da vitrificação, seleção avançada de espermatozoides, biópsia da trofectoderme de blastocistos e tecnologia time-lapse para cultura e monitorização do desenvolvimento embrionário em tempo real. A frequência com que surgem novos procedimentos e tecnologias é cada vez mais elevada. A sua relevância e aplicabilidade têm de ser discutidas e validadas multidisciplinarmente, num enquadramento científico que nos permita avaliar, de forma critica e construtiva, o potencial benefício que delas podem advir para os pacientes.

São as universidades parceiros de excelência no âmbito da investigação em prol deste setor? A IERA assume algum protocolo ou entendimento com universidades nesse sentido?

AA – A IERA quironsalud é um Centro tradicionalmente ligado à investigação. Para além da formação de embriologistas é parceira da Fundação para a Investigação e Formação em Reprodução Assistida (FIFRA) e da Fundação Centro de Cirugía de Mínima Invasão Jesús Usón (CCMIJU), com as quais, sob a tutela académica da Universidade de Extremadura promove o Curso de Especialista Universitário em Reprodução Assistida que vai já na sua 6ª edição.

 

Quais são os principais desafios em Portugal no domínio da Procriação Medicamente Assistida (PMA) e qual o nível de evolução da mesma?

ER – Julgo que o adiar do início do projeto parental, que é uma realidade diária, nos coloca um desafio temporal importante. Daqui surge a necessidade de delinear estratégias de atuação conjunta entre os distintos profissionais de saúde, que agilizem o encaminhamento de pacientes e a redução do tempo entre o primeiro contacto com o medico assistente, o diagnóstico de infertilidade e o início do tratamento, pois o tempo é passageiro.

Penso que devemos também olhar com atenção para as zonas do país em que o acesso a consultas de infertilidade é por si só um desafio. O que nos traz a outro desafio: a dificuldade em proporcionar, de forma idêntica a todos os beneficiarios, um acesso equalitário a gâmetas doados e a técnicas de diagnóstico genético.

No campo legal, o desafio continua centrado na legislação sobre a maternidade de substituição.

Não menos importante é o compromisso que temos para com as novas gerações. Julgo que um importante desafio é divulgar. É importante identificar os motivos que levam a que, na era da informação global, seja tão dificil educar para a saúde reprodutiva. É para nós consensual a ideia de que, seja através de campanhas de informação promovidas pelo SNS, pela SPMR, associações de pacientes ou Centros de PMA, o importante é informar a população, especialmente a que está ou se aproxima da idade fértil. E essa informação passa não só pela consciencialização de que existe uma idade fértil, mas também para a divulgação das técnicas, protocolos médicos e opções enquadradas na Medicina da Reprodução às quais podem aceder quando se deparam com a dificuldade de concretizar o desejo de parentalidade.

No domínio da PMA que técnicas estão disponíveis e quais os níveis de sucesso?

MRL – Os níveis de sucesso das diferentes técnicas variam em função da idade, sobretudo da idade feminina e do fator de infertilidade, sendo que quando falamos em sucesso, p.ex. das técnicas de fertilização (FIV e ICSI), falamos em várias taxas: taxa de sucesso da fertilização, do desenvolvimento embrionário ou mesmo da sobrevivência de gâmetas e embriões depois de serem criopreservados. No entanto, quando comparamos as várias técnicas, FIV, ICSI e transferência de embriões congelados, estas não diferem significativamente em termos de sucesso gravidez e bebé nascido, se compararmos mulheres na mesma faixa etária, com fatores de infertilidade idênticos.

Para além destas técnicas clássicas de PMA, podemos hoje utilizar diversas estratégias de tratamento que implicam, p.ex. na área da andrologia, a recolha e seleção avançada de espermatozoides – que permitem identificar os gâmetas masculinos com maior viabilidade, e a lavagem de espermatozoides que permite que pacientes infetados com HIV e Hepatite possam beneficiar destas técnicas fora do contexto da infertilidade e alcançar, com sucesso, o nascimento de um bebé saudável, ao mesmo tempo que evitam a trasmissão horizontal da infeção.

No campo da embriologia é possível recorrer a equipamentos mais evoluidos tecnologicamente (GERI) que, por serem mais estáveis e estarem equipados com câmaras fotográficas time-lapse, permitem uma cultura individualizada e reduzem o stress celular, o que se reflete num maior número de embriões que evoluem em laboratório até ao 5º/6º dia de desenvolvimento, com efeito positivo nas taxas de gravidez.

Por sua vez, o sucesso desta metodologia, a que damos o nome de “cultura prolongada”, permite-nos, pôr em prática estratégias mais personalizadas não só para portadores de doenças genéticas, como para mulheres acima dos 39 anos, e/ou com outros antecedentes, por exemplo, falhas de implantação e aborto recorrentes. Para estes pacientes existem técnicas como o PGT, que nos permitem avaliar os embriões quanto à sua carga genética ou cromossómica, atingir melhores taxas de gravidez reduzindo o número de tentativas por ciclo, diminuir a taxa de aborto e potenciar o nascimento de bebés saudáveis.

Por último a implementação de técnicas específicas de criopreservação, como é o caso da vitrificação, permitem-nos aumentar o sucesso de todos os procedimentos que involvam a necessidade de congelar gâmetas ou embriões. O sucesso desta técnica permite-nos desenhar estratégias personalizadas a pacientes com diferentes necessidades, sejam elas ajustar o momento da transferência embrionária, preservar a sua fertilidade ou recorrer a bancos de gâmetas e embriões proporcionando uma resposta mais rápida e possível aos beneficiários da doação de oócitos, espermatozóides ou embriões.

Quais são as principais causas da infertilidade em Portugal? É legítimo afirmar que a infertilidade é, cada vez mais, considerada uma doença com relevância em termos de saúde pública, com consequências sociais, económicas e psicológicas? A sociedade já tem essa noção?

JAD – Em Portugal as causas de infertilidade são as mesmas de outros países da Europa. Está globalmente estabelecido que no contexto de infertilidade do casal, um terço serão condições femininas (endometriose, disfunção ovulatória, endócrinos e anatómicos), um terço masculinas (relacionadas sobretudo com a produção e qualidade dos espermatozóides e disfunções erécteis) e o restante terço condições comuns e a denominada infertilidade inexplicada ou idiopática (10-15%) quando não se consegue estabelecer o fator causal. Cada um destes fatores beneficia das diferentes modalidades de tratamento existentes.

 A infertilidade foi declarada uma doença pela OMS em 2010 e afeta milhões de pessoas em todo o mundo, de tal forma que as estimativas sugerem que entre 10 a 15% dos casais em idade reprodutiva sejam inférteis.

Se observarmos a percentagem de casais que recorrem a tratamentos e os que adiam o projeto reprodutivo num contexto de infertilidade por dificuldade no acesso e condições apercebermo-nos de que o nosso SNS não está preparado para dar resposta a tantos pedidos de ajuda terapêutica num espaço de tempo desejável e realista. E sim nesse sentido acreditamos que é um problema de saúde pública.

Se considerarmos a visão da Dra Ana Magina, psicóloga da IERA Lisboa, e da abordagem de que a infertilidade tem sido ao longo dos últimos anos integrada num contexto psico-sociologico e económico, poderemos admitir que de facto terá igualmente um forte impacto não só na estrutura do casal como em todos os contextos que integram o equilíbrio do seu quotidiano e da sua qualidade de vida e uma grande parte da sociedade não tem essa noção até se deparar com a dificuldade em cumprir o seu desejo parental.

Quais são os grandes desafios do IERA para o futuro e como vê o futuro da PMA?

MRL – Ser mais um Centro espanhol no mercado português e posicionarmo-nos de forma diferenciadora, marcada pela personalização da Medicina da Reproduçao é para nós um desafio constante que se torna também na nossa missão.

Para que a tradição de qualidade e atendimento ao paciente se mantenham em constante evolução, a IERA continuará a apostar na inovação, na personalização e no acompanhamento clínico, psicológico e informativo baseado no lema que nos caracteriza como parte integrante da Quironsalud – A saúde pessoa a pessoa.

À MEDIDA DE CADA CASO

Luís Ferreira Vicente

Considera que a infertilidade, um problema de saúde pública, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, está a aumentar nos países industrializados?

Sim, temos assistido a esse aumento. Isso pode dever-se a um adiar da gravidez nas mulheres, para depois dos 35 anos, altura em que se inica o declínio natural da fertilidade. Para além disso, há uma maior exposição ambiental a substâncias que reduzem a fertilidade feminina e masculina (os chamados disruptores endócrinos).

Concorda que as razões apontadas para o aumento da infertilidade são sobretudo de ordem biológica, mas também social e psicológica?

A nossa saúde é um todo e compreende todas as razões que apontou. Países industrializados, com maior preocupação social a longo prazo, (como os países nórdicos ou a Alemanha, por exemplo), já investem, há muitos anos, na promoção da natalidade. Isso implica medidas sociais de apoio á gravidez antes dos 35 anos, por exemplo.

É mais comum do que se julga?

A maior prevalência é real e não apenas resultante duma maior procura de cuidados médicos por maior conhecimento dos doentes. Duas avaliações, em França e nos Estados Unidos, demonstram que há uma redução da qualidade dos gâmetas masculinos, nos Bancos de dadores dos anos 80 para agora.

No Centro de Procriação Medicamente Assistida (CPMA) do Hospital Lusíadas de Lisboa, como é que dão resposta a este problema de infertilidade?

Nos Centros dedicados a esta área em Portugal damos todo o apoio na investigação das causas de infertilidade e sua correção. Esta, pode ser conseguida através de tratamentos de procriação medicamente assistida (inseminação intra-uterina e fertilização in vitro), ou implicar a realização de cirurgias ginecológicas ou urológicas.

Como não resolvemos a infertilidade apenas com técnicas de procriação medicamente assistida, criámos nos Lusíadas um dos primeiros Centros em Portugal de avaliação e tratamento multidisciplinar integrado da endometriose. O Centro especializado em Endometriose reúne todos os Especialistas no mesmo Centro de forma a se encontrar a melhor solução para as mulheres com endometriose.

Assumiu recentemente que “todos os dias há atualizações nesta área, o que permite que seja possível definir as melhores práticas para cada caso e, assim, aumentar as taxas de gravidez”. Que soluções e práticas são estas?

Esta área é muito estimulante em termos de atualizações e investigação médica e laboratorial. Temos de nos atualizar e estudar permanentemente. As novidades que surgem da investigação afetam na área médica as formas de estimulação ovárica, protocolos de tratamento que otimizem a resposta e a personalização dos tratamentos. Na área laboratorial, afetam os meios de cultura, a forma de congelamento com maior sobrevivência dos embriões, critérios de classificação embrionária…entre outras inovações.

Como é que é possível escolher o melhor ovócito, embrião e endométrio e a altura ideal para se fazer a transferência de embriões, de forma a diminuir a taxa de insucesso?

O laboratório de embriologia é a peça fulcral nos tratamentos. São importantíssimas as condições em que se encontram os embriões “in vitro”. Atualmente, as condições de time-lapse, (em que os embriões estão a ser avaliados continuamente), tem fornecido imensos parâmetros de avaliação que terão de ser valorizados, de forma a se atingirem os citérios de avaliação que são mais preditivos da ocorrência de gravidez.

Do ponto de vista endometrial, estão ser conhecidos os parâmetros que nos indiquem a janela de implantação do endométrio. Nas situações de falhas de implantação de repetição, podemos avaliar a janela de implantação personalizada, de forma a se conseguir a gravidez.

A fase de desenvolvimento do embrião em que se faz a transferência para o útero depende de vários fatores que devem ser integrados: o número de embriões disponível, o seu desenvolvimento em cultura prolongada, os resultados anteriores.

Como é que apresentam soluções de Procriação Medicamente Assistida (PMA) à medida de cada caso?

Atualmente, a Medicina tende a adequar de forma personalizada os tratamentos aos doentes e não tratar da mesma forma todos os eles. Na nossa área isso é cumprido à risca: Protocolos de tratamento “tailored” ou adequados aos nossos casais: tratamento dirigido à causa da infertilidade, tipo de resposta do ovário, idade da mulher,…, resposta em tratamentos anteriores. De facto, um tratamento “feito à medida” e não “pronto a vestir”.

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