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Vanessa Ferreirinha

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A TECNOLOGIA É APENAS A FERRAMENTA, A PRIORIDADE É O NEGÓCIO

Nuno Rosa, Diretor de Marketing e Operações da Masterlink

Ao longo do seu percurso, a Masterlink procurou sempre melhorar a sua competitividade pela via tecnológica, o que levou à evolução do produto e consequente evolução dos serviços. “Fomos mudando e sofisticando a forma como ajudamos os nossos clientes a transformarem-se. A transformação digital é, acima de tudo, a adaptação ou mudança do negócio do nosso cliente, tendo por base o potencial tecnológico disponível”, referiu o nosso entrevistado.

A sistemática procura pela inovação, por parte da Masterlink, resultou num percurso consolidado em criar soluções de negócio. As suas dinâmicas vieram continuadamente a sofisticar-se, tornando o seu conceito cada vez mais robusto e mais completo, dando primeiro origem a um conjunto de componentes de software, direcionados para a automação de processos de negócio. “A determinada altura começámos a ter a peça de software que nos permitia ir para o mercado com uma proposta de valor interessante sem estar continuamente, em cada nova oportunidade, a desenvolver tudo de raiz.”

Este processo de transformação, por parte da organização, permitiu à empresa assumir-se como uma software house e como uma empresa monoproduto, com uma tecnologia proprietária, que atua no mercado apenas e exclusivamente com o seu produto e que se propõe trabalhar através de uma rede de parceiros.

A Plataforma Masterlink

Após um longo e sustentado caminho de evolução, com o objetivo de democratizar a capacidade de criar soluções em contexto web e facilitar a automação de processos tornando o ambiente de negócio mais organizado e menos complexo, surge a Plataforma Masterlink – uma ferramenta de TI que se adapta à dimensão e necessidades de cada negócio pela sua flexibilidade, fácil acesso e sem a necessidade de saber programar. Sendo uma plataforma no-code, tem por base o foco na experiência do utilizador não técnico, mas também permite dar resposta a necessidades especificas, através de APIs que permitem a clientes e parceiros estenderem a plataforma.

Para Nuno Rosa, a plataforma foi-se encadeando e desenvolvendo ao longo dos anos. “A plataforma foi surgindo de uma forma faseada, até que, a determinada altura, fomos percebendo que tínhamos a “cola” necessária para unir vários módulos e, aí sim, percecioná-la como uma plataforma. O facto de ser uma plataforma no-code é importante porque não requer pessoas altamente especializadas para a poder utilizar/parametrizar. Esta ferramenta permite que as empresas tenham autonomia e esse é um fator decisivo. Torna-se duplamente motivador – quer para as pessoas especializadas em tecnologia, como para as que não entendem de tecnologia – porque conseguimos trazer estas últimas ao “jogo” e levá-las a participar na transformação digital da sua organização.”

É uma ferramenta “horizontal”, transversal a qualquer tipo de negócio, logo pode ser utilizada em qualquer setor no mercado nacional ou internacional. Este produto adapta-se às necessidades do negócio de cada cliente, tendo a sua proposta de valor sustentada no desenvolvimento de soluções e com benefícios, tais como: autonomia, no-code, redução de custos, flexibilidade e rapidez na adaptação a novas necessidades.

“Se antes a velocidade a que o negócio se ajustava sempre foi muito importante e crítica para o seu sucesso, agora é brutal porque estamos num mundo mais global, mais digital, mais célere. (…) queremos disponibilizar a ferramenta que permite ao negócio caminhar para o digital na sua velocidade, deixando de ficar refém de procedimentos morosos e metodologias tradicionais do desenvolvimento de software, abraçando em definitivo abordagens efetivamente ágeis: iterativas e incrementais.”, afirma Nuno Rosa.

Aposta na internacionalização

Resiliência, inovação e ambição, foram as três palavras escolhidas por Nuno Rosa para definir a Masterlink, que pretende ir ainda mais longe, apostando na internacionalização para o futuro a curto/médio prazo. “No modelo em que estamos, o mercado nacional é extremamente exíguo para crescer como produto. (…) necessitamos de escala e, para que isso seja uma realidade, temos de ganhar mercado. Estamos a dar os primeiros passos em direção a um mercado de proximidade e, assim que consolidarmos a nossa posição e tirarmos daqui algumas aprendizagens, vamos crescer para o resto do mercado e, honestamente, estamos a pensar no mercado global.”

É neste crescimento sustentado para o mercado global, que a Masterlink vai querer continuar a manter a sua estratégia de crescimento na transformação digital. https://www.masterlink.pt/

Quero ser contactado pela Masterlink  

O PAPEL DO BUSINESS INTELLIGENCE NAS EMPRESAS

José Rui Gomes e Bruno Paula Cardoso, respetivamente Presidente da APBI - Associação Portuguesa de Business Intelligence/IT Manager na Universidade do Minho e Big Data & Business Intelligence Specialist @Indra

A Associação Portuguesa de Business Intelligence (APBI) é hoje uma importante referência ao nível da contribuição que tem dado na divulgação do ambiente de Business Intelligence (BI) e do fomentar da sua implementação nacional. De que forma é que este trabalho tem vindo a ser realizado e que análise perpetua em Portugal do BI?

José Rui Gomes (JRG) A APBI pretende estabelecer um canal aberto e neutro, através do qual profissionais de BI, empresários, reguladores, académicos e responsáveis do setor público e governamental podem debater e resolver problemas comuns, visando a democratização do BI. A APBI procura ser a ponte entre os profissionais e o público em geral, esclarecendo dúvidas, traduzindo conceitos técnicos para linguagem acessível e fornecendo uma plataforma valiosa, para a constituição de redes de contatos, geração de oportunidades e trocas de conhecimentos, de modo a valorizar a capitalização e valor dos seus ativos.

De acordo com sua missão, a APBI patrocina fóruns de debate sobre BI, quer nacional quer internacional, onde utilizadores, reguladores e académicos se reúnem para discutir questões críticas. A título de exemplo podemos mencionar o I-data onde somos parceiros e as recentes conversações com 2nd Business Intelligence, Analytics and Data Management Summit on October 22-23, 2019 in Vienna, Austria.

Estamos em algumas das redes sociais (linkedin, Facebook, entre outros) de forma a esclarecer questões que nos são apresentadas. Pretendemos demonstrar o valor da informação para empresas e economias nacionais, servir como recurso de divulgação de padrões, tendências, desenvolvimentos tecnológicos e melhores práticas do setor.

Na era da informação, um problema que atinge muitos empresários é o excesso de dados disponibilizados sobre uma diversidade de assuntos que chegam até eles. Assim, o que é que as empresa podem ganhar com o Business Intelligence?

Bruno Paula Cardoso (BPC) O principal objetivo de uma boa solução de Business Intelligence é dotar os empresários de um novo poder: o poder do conhecimento e sua valorização. Atualmente uma pequena ou média empresa, faz investimentos substanciais em sistemas operacionais, para registo de dados. Ora, há uma grande diferença entre dados e informação. Os dados em bruto, só por si, não têm qualquer utilidade. O que o BI faz é transformar esses dados em informação valiosa, para suporte à tomada de decisão. O BI evidencia os pontos fortes e fracos de cada negócio, permite detetar riscos e oportunidades, e tem inúmeras aplicações, desde o desenvolvimento de campanhas de marketing dirigidas, a uma eficaz gestão de stocks, passando pelo controlo da produtividade e redução de custos. No mundo atual, extremamente competitivo, já não é possível gerir negócios com base na intuição, o conhecimento dos factos é crucial para o sucesso das empresas.

Sente que hoje o empresário português tem maior consciência e recetividade para as vertentes relacionadas com as mais valias do BI ou continua a trabalhar mediante o modelo da tentativa e erro, desperdiçando assim o seu tempo e dinheiro?

JRG O tecido empresarial português, tem mudado muito nos últimos anos e tem rejuvenescido. Atualmente há uma enorme procura de analistas de dados, sendo já uma das profissões mais requisitadas. Como consequência dessa procura, o número de licenciaturas na área, tem aumentado exponencialmente e a média de entrada nas universidades mais conceituadas, está ao nível de medicina.

A verdade é uma, o desenvolvimento tecnológico não pode ser travado e quem não evoluir, será irremediavelmente ultrapassado pelos concorrentes. Os hábitos de consumo mudaram, e se antes a relação produtor-distribuidor-cliente estava mais que consolidada, atualmente o consumidor está cada vez mais ativo e independente. Consegue alcançar e adquirir um produto, qualquer produto, de forma quase autónoma, em qualquer parte do mundo, sem grande esforço. A esta realidade, junta-se todo um mundo novo, onde as informações pessoais e desejos de cada consumidor estão acessíveis e a indústria, aplica este conhecimento no desenvolvimento de produtos cada vez mais direcionados para o gosto individual.

Neste contexto, a única forma de ter um negócio de sucesso, é implementando mudanças significativas, que valorizem o capital humano e que, sobretudo, consigam superar as expetativas de cada consumidor, da forma mais personalizada possível, quase exclusiva. Nada disto se faz sem informação e este é um facto que as empresas portuguesas começam a entender, ainda que lentamente.

Para onde pode e deve caminhar o Businesse Intelligence?

BPC As tendências tecnológicas em rápida evolução, como machine learnig e cloud storage management, terão grandes impacto nas soluções de BI, bem como a tendência para a democratização do acesso a estas tecnologias.

O BI convencional será substituído, por um serviço que deteta automaticamente os dados relevantes e interessantes, através da conjugação de técnicas de machine learning e inteligência artificial. Por outro lado, os utilizadores procuram, cada vez mais, soluções de self-service BI. Num futuro a curto prazo, qualquer pessoa, independentemente da sua capacidade técnica, poderá utilizar confortavelmente o BI.

A forma de armazenamento dos dados também irá mudar a curto prazo. A ascensão do Big Data – conjuntos de dados extremamente grandes que precisam de ser organizados e analisados – e a mudança para tecnologias móveis, conduzirão, inevitavelmente ao cloud storage. A incrível escalabilidade e o baixo custo do cloud storage associado ao aumento da velocidade das comunicações com o 5G, são perfeitamente adequados aos desafios impostos.

Este panorama aporta também uma realidade, ou seja, a escassez que ainda existe ao nível de profissionais relacionadas com Big Data e Gestão de Informação, cenário que o universo empresarial necessita. De que forma é que a APBI tem vindo a cooperar a criar no sentido de promover a existência destes profissionais?

JRG A APBI aposta na colaboração, entre as empresas e o ensino superior. De facto, houve um grande aumento do número de cursos de ciência de dados nas universidades, e, na nossa opinião, as empresas devem estabelecer relações de trabalho com o mundo académico, sempre que possível.

A APBI estabelece relações com os diretores de departamento e professores das universidades, e ajuda a descobrir e encaminhar para as empresas jovens promissores. Também é importante promover junto das empresas estratégias robustas de recrutamento e uma cultura de parcerias, que valorizem os futuros profissionais, aumentem a qualidade da formação ministrada nas universidades, adequando-a à procura do mercado e contribuam para captar mais jovens para este setor profissional.

Quais são os grandes desafios de futuro que prevê para a APBI?

JRG A APBI continuará a promover o estudo e a utilização de Business Intelligence, por meio de programas de divulgação, desenvolvimento profissional, e redes de profissionais, investigadores e utilizadores finais. A aproximação entre o mundo académico e o mundo empresarial é uma forte aposta da APBI.

Por outro lado, num mundo cada vez mais complexo, em que são usados indiscriminadamente chavões como “business intelligence”, “machine learning”, “big data”, “inteligência artificial”, é crucial esclarecer as empresas e os potenciais utilizadores das tecnologias, sobre o seu real significado. Pretendemos, portanto, reforçar o nosso papel como “tradutor” isento. A APBI é a instituição à qual as organizações poderão recorrer para identificar a melhor solução, para o seu caso específico.

Pretendemos também ser uma plataforma de apoio para os novos profissionais da área, que serão alvo de uma pressão de mercado sem precedentes. Pretendemos contribuir para a divulgação das oportunidades formativas e ofertas de emprego, mais aliciantes, assumindo um papel fundamental na valorização profissional desta classe de profissionais.

“NUNCA FOI TÃO SEGURO BEBER ÁGUA DA TORNEIRA EM PORTUGAL”

Francisco Silvestre de Oliveira, Presidente do Conselho de Administração da Águas do Ribatejo

A Águas do Ribatejo assume responsabilidades na área de sete municípios que serve, sendo, portanto, um importante pilar no que concerne à qualidade da água desses locais. No sentido de contextualizar o nosso leitor, como é que a Águas do Ribatejo tem vindo a perpetuar um serviço assente em pilares como a qualidade e a excelência da água? 

A Águas do Ribatejo (AR) é uma empresa intermunicipal, com capital 100% público, detido pelos Municípios de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas. Garantir a segurança e a qualidade do abastecimento de água e do tratamento de águas residuais, com uma gestão sustentável dos recursos, são premissas fundamentais para a AR. Resultado desta preocupação é a construção de 11 Estações de Tratamento de Água e a construção e requalificação de mais de 30 ETAR e respetivos sistemas, dotando a região de uma cobertura de qualidade. Durante os primeiros 10 anos de gestão dos sistemas foram investidos mais de 130 M€. As obras e aposta em equipamentos inovadores e técnicos dotados de competências e ferramentas adequadas permitiram atingir níveis de cumprimento a rondar os 100%.

Realizamos cerca de 10 mil análises por ano em laboratório certificado e cujos resultados reportamos à Entidade Reguladora, Autoridades de Saúde, Municípios e Freguesias. Toda a informação é disponibilizada aos nossos clientes e consumidores no nosso site www.aguasdoribatejo.com.

Quando se aborda o tema da água, uma das premissas que é amplamente falada passa pela qualidade da água da torneira. É seguro beber água da torneira em Portugal?

Afirmo com total convicção que nunca foi tão seguro beber água da torneira em Portugal. Dispomos de recursos aquíferos de elevada qualidade e existe uma monitorização permanente dos sistemas.

Por outro lado, temos uma entidade reguladora atenta, exigente e rigorosa que atua de imediato em caso de alguma ameaça. Somos talvez, um dos setores mais fiscalizados em Portugal e ainda bem que assim é.

De que forma é que as Águas do Ribatejo promovem essa qualidade e segurança e porque podem os 150 mil habitantes dos municípios abrangidos pelos vossos serviços estar tranquilos sobre a qualidade de água da torneira?

A AR tem a vantagem de gerir todo o sistema de abastecimento desde a captação à entrega da água nos locais de consumo e ao ciclo completo de recolha e tratamento de águas residuais. Apenas numa parte do concelho de Torres Novas adquirimos água à EPAL, proveniente da Barragem de Castelo de Bode, cuja qualidade é, também de excelência. Como referi, foi feito um enorme investimento na construção e requalificação dos sistemas de abastecimento e saneamento. Temos um quadro técnico e operacional de qualidade que está em permanente formação e atualização e apostamos também na inovação e na partilha de conhecimento com as universidades e centros de investigação.

Sente que Portugal tem vindo a ganhar consciência da importância da água de uma forma natural? Acredita que faltam campanhas de sensibilização no sentido de consciencializar os portugueses para a poupança deste recurso?

Portugal tem feito nos últimos anos uma abordagem muito séria e responsável desta matéria. Já se começam a ver resultados. Existe uma maior preocupação com o uso eficiente da água e com as ameaças da seca extrema. Todavia, os resultados são graduais e teremos de continuar esta aposta e se possível intensificar.

De que forma é as Águas do Ribatejo têm vindo a promover essas ações de sensibilização? Começar pelas escolas é fundamental?

Desde 2010 que estabelecemos protocolos e parcerias com entidades como a Quercus, DECO, Direção Geral de Saúde, APDA, universidades e escolas. Realizámos centenas de ações de sensibilização e formação que permitiram sensibilizar mais de 15 mil participantes. A AR promoveu e apoiou concursos, eventos desportivos, culturais e sociais onde foi vincada a preocupação com o uso eficiente da água e as boas práticas ambientais.

A AR foi também uma das pioneiras na instalação de fontes de água ligadas à rede pública de modo a promover o consumo da água da torneira por ser mais saudável, mais amiga do ambiente e mais económica. Felizmente, hoje existem fontes deste tipo por todo o país.

Têm componentes de educação ambiental e de responsabilidade social fortes, como funcionam ambas? Que investimentos têm sido realizados pela Águas do Ribatejo?

A AR tem como únicos acionistas sete municípios. Todos os resultados positivos alcançados desde 2009 têm sido canalizados para investimento nos sistemas, nos recursos humanos, na investigação e na responsabilidade social.

Temos um tarifário que é dos mais económicos da região e dispomos de tarifário social para famílias economicamente desfavorecidas e para famílias numerosas. As autarquias e instituições sem fins lucrativos têm também um tarifário socialmente responsável.

O que pensa sobre a implementação de projetos de reutilização de águas residuais? Os portugueses vêm o tratamento e a reutilização da água como algo positivo?

No universo da AR há vários exemplos de aproveitamento de águas residuais tratadas para regas e lavagens nas instalações da empresa. Está também a ser estudado o potencial de alargamento desta reutilização. Contudo, temos de ter presente que a viabilidade destas soluções passa por uma análise criteriosa dos investimentos necessários e da existência de procura para essa água, sob pena de estarmos a desperdiçar recursos que fazem falta noutras áreas.

A gestão eficiente e ambientalmente sustentável dos recursos hídricos passa por…? A inovação é fundamental neste desiderato? Como têm aproveitado as valias da inovação na vossa orgânica diária?

A boa gestão da água é uma questão essencial. Num quadro em que a pressão sobre os recursos hídricos será cada vez maior, por força das alterações climáticas, exige-se uma abordagem integrada e transversal a toda a sociedade. A sustentabilidade do recurso Água implica uma visão de médio e longo prazo e, nessa medida, deveria ser objeto de uma discussão e reflexão profundas, envolvendo todos os stakeholders, particularmente a sociedade civil. É necessário que os cidadãos tenham consciência da importância desta matéria, se envolvam neste processo e que depois acompanhem a implementação das medidas e das políticas.

No caso da AR, sempre valorizámos o conhecimento e a competência. Temos um quadro técnico jovem e motivado que se interessa pela investigação na sua área de atuação. Estabelecemos parcerias com várias universidades e entidades nacionais e estrangeiras no sentido de promover a partilha do conhecimento e a oportunidade de estarmos sempre na linha da frente. Abrimos com frequência as portas das nossas infraestruturas e equipamentos para investigações científicas e estudos no terreno.

Quais são, na sua opinião, os grandes desafios que Portugal enfrenta na boa gestão da água?

Em primeiro lugar, e tal como referi, penso que é essencial que exista um maior envolvimento e consciencialização da sociedade sobre a importância deste tema. A redução das perdas de água é, também, uma das grandes prioridades. Há locais em Portugal onde a água não faturada é 70% da produzida. É um drama económico e ambiental. No caso da AR estamos a trabalhar para reduzir as perdas para 20%. Em 2009, quando começámos, o valor era superior a 52%. Hoje, apesar de ainda estarmos ligeiramente acima dos 30%, acreditamos que estamos no bom caminho. É imperioso garantir um abastecimento de água e um tratamento de águas residuais de qualidade mantendo tarifários socialmente justos. Não podemos manter a injustiça de tarifários com diferenças de 100% em função do concelho onde se vive.

Na área do tratamento de águas residuais, quem tem sistema de recolha à porta tem de se ligar. A AR, tal como outras entidades, tem feito enormes investimentos para ampliar os sistemas de saneamento, e dotar a região de infraestruturas modernas e eficazes. Ora, esses sistemas precisam de ter utilizadores para serem viáveis e sustentáveis. Estou em crer que a resposta a estes desafios passa por uma gestão proativa e eficaz dos sistemas, por parte das entidades gestoras, em estreita articulação com as autoridades competentes em matéria ambiental e de gestão dos recursos hídricos, com o poder político e com um envolvimento cada vez maior da sociedade na gestão deste recurso tão valioso, que a todos pertence.

 

“O SETOR ESPAÇO TEM UM IMPACTO ENORME NA ECONOMIA”

Teresa Ferreira, Diretora de Espaço na GMV Portugal

Teresa Ferreira é Diretora de Espaço na GMV Portugal. O que é mais desafiante nesta área? O que a motiva e inspira diariamente?

O espaço é inerentemente um fator de inspiração, um mistério ancestral, fonte de mitos e de crenças, morada de deuses e titãs, foi sempre um desafio para a nossa imaginação. Para além da ciência, da tecnologia e da organização empresarial, a aventura humana está aqui sempre presente. Deparamo-nos diariamente com desafios novos e somos levados a empurrar os limites do que conhecemos. É verdadeiramente inspirador saber que o nosso trabalho tem um reflexo direto no dia-a-dia das pessoas, na mobilidade, na comunicação, na sustentabilidade do planeta ou no uso de novas soluções para gerir o território.

Mas o mais motivante e inspirador para mim é ver a tenacidade das pessoas que me rodeiam a gladiarem-se com estes desafios, os debates improváveis e frutíferos que daí decorrem e sobretudo o foco com que trabalhamos na GMV.

A GMV apela à sensibilização da sociedade no geral para a crescente importância do Espaço na economia de um país. Fale-nos um pouco mais sobre esta questão. Qual é o verdadeiro impacto desta área?

Para além da inspiração que o setor suscita – e que não deve ser de todo menosprezada pelo impacto que tem na educação e atração de novos talentos para o campo das ciências – o setor Espaço tem um impacto enorme na economia. De facto, é um setor que gera emprego altamente qualificado, é exportador e tem um dos maiores retornos de qualidade para o país. O setor Espaço envolve múltiplas disciplinas e assenta na ligação ciência-tecnologia. Por último, os investimentos feitos em Espaço têm um elevado efeito de arrastamento tecnológico para outros setores (como é o caso do velcro).

Acima de tudo, as tecnologias Espaciais trazem enormes benefícios para as pessoas, aqui na Terra. É de facto nas aplicações e produtos oriundos de recursos espaciais onde se encontra o maior valor do negócio. A nossa economia atual está absolutamente dependente de sistemas de navegação por satélite tais como o GPS Norte-americano ou o Galileo Europeu, que controla sistemas energéticos, dita os tempos de transações e aberturas/ fechos de bolsas e nos guia no mar, na terra ou no ar. Usamos tecnologia de satélites na observação da Terra, não só para fins científicos, mas também para medir alterações climáticas, dar apoio à agricultura e gestão de água e florestas, caraterizar o território, avaliar recursos mineiros e controlo do bem-estar ambiental.

Por outro lado, alertam para a importância de se ver reforçada a educação e formação neste setor onde é ainda difícil encontrar recursos. No entanto, Portugal está no bom caminho no que diz respeito ao ensino e formação? Em que patamar nos encontramos?

A alta qualidade da educação e formação em Portugal é sem dúvida um dos fatores mais atrativos para as empresas. Como exemplo, o curso de Aeroespacial do Instituto Superior Técnico atrai os melhores alunos do país e tem muitas vezes das médias de entrada mais elevadas. Dito isto, o setor Espaço é por definição multidisciplinar e requer muitas competências diferentes em áreas como a física, matemática aplicada, telecomunicações, ciência de dados, eletrotecnia, mecânica ou informática.

As universidades Portuguesas estão absolutamente integradas nas redes internacionais e são uma referência em muitas das suas áreas de especialização, o que é fundamental para fomentar o ecossistema. Os alunos cada vez mais aparecem com projetos interessantíssimos e ideias fora da caixa mostrando um espírito de iniciativa muito atrativo para as empresas. Comparando com outras realidades, gostaria de ver as universidades a investirem mais em ações práticas, tanto dentro como fora do âmbito curricular.

A GMV tem assumido um papel de liderança no setor espacial a nível internacional, mas também em Portugal. Quais são as principais áreas em que a GMV opera no mercado nacional?

Para além da área de Espaço, a GMV opera nas áreas de aeronáutica, defesa, segurança, transportes, saúde, telecomunicações, tecnologias de informação e ciber-segurança. Na área do Espaço, a GMV Portugal pauta-se pela liderança da contribuição nacional aos principais programas institucionais e comerciais europeus ao nível internacional. No mercado espacial nacional, uma das áreas de enfoque da GMV é o fornecimento de aplicações e produtos de tecnologia espacial. Seja no mercado de segurança, no acompanhamento da atividade agro-silvícola ou sistemas de transportes inteligentes.

Finalmente, a GMV é um ator ativo nas iniciativas nacionais emergentes relacionadas com o Espaço tais como a construção, desenvolvimento e operação de um porto espacial e o sistema de Vigilância e Rastreio de objetos espaciais (SST: Satellite Surveillance and Tracking) que será instalado na Madeira e nos Açores.

Entre os diversos projetos de Espaço em que a GMV participa, poderia salientar aquele(s) que considera relevantes no momento?

Gostaria de realçar os seguintes projetos a decorrer neste momento na GMV:

1.A GMV está a desenvolver o sistema de controlo automático para o módulo orbital do vaivém espacial Europeu – Space Rider – cuja exploração comercial está prevista para 2025. Para além do módulo orbital (que ficará alguns meses a orbitar a Terra), o módulo de reentrada do Space Rider irá aterrar nos Açores.

2.Na área de New Space, a GMV especializou-se em tecnologia com vista a uma exploração comercial, verde e segura do Espaço, nomeadamente na área de micro-lançadores e remoção de lixo espacial.

3.A GMV tem um papel de destaque na missão HERA cujo destino vai ser decidido em novembro na próxima reunião ministerial da ESA – na qual se definem as políticas e financiamento do próximo triénio. A missão HERA está articulada com a missão DART da NASA e visa o sistema binário de asteroides constituído por Didymain (780 m de diâmetro) e Didymoon (160 metros de diâmetro). Numa primeira fase, a sonda DART da NASA irá colidir com o Didymoon. A sonda HERA da ESA irá em seguida analisar a cratera, constituição do asteroide e desvio da órbita provocado pelo impacto. Será a primeira vez que a humanidade conseguirá alterar a trajetória de um asteroide de forma artificial. Um precursor para a defesa planetária.

4.A GMV tem em Portugal das maiores equipas europeias a fornecer serviços baseados em deteção remota. A nossa equipa participa em dois dos seis serviços do Programa Europeu Copernicus: Serviço de Segurança (Vigilância de fronteiras para FRONTEX e Suporte às ações externas para SATCEN) e do Serviço de Emergência (Mapeamento Rápido).

5.Gostaria ainda de destacar a contribuição da equipa portuguesa para os programas de navegação por satélite europeus (EGNOS e Galileo) não só no segmento de controlo e na área da ciber-segurança, mas também no segmento de missão e do utilizador (incluindo aplicações e serviços).

Quais serão os verdadeiros desafios, num futuro próximo, no que diz respeito ao setor espacial?

O futuro da Investigação em Portugal no domínio do Espaço está estreitamente ligado ao grau de participação do país na estrutura da ESA, o principal promotor do desenvolvimento dos projetos espaciais na Europa, na resposta dos potenciais compradores, empresas e atores institucionais, aos estímulos do mercado e na constante qualificação dos quadros técnicos e investigadores, a principal “matéria-prima” deste negócio.

“OS DADOS SÃO TÃO VITAIS QUANTO O OXIGÉNIO PARA O CORPO DE CADA EMPRESA”

Sérgio Topfstedt, Sócio da empresa Leega Consulting Europe

De forma a contextualizar o nosso leitor, que empresa é a Leega Consulting Europe?

A Leega Consulting Europe é uma empresa de consultoria, especialista em BI, big data e analytics. Tem headquarter no Brasil, em São Paulo e sede em Portugal, na cidade do Porto. A empresa tem 18 anos de existência e tem como principais diferenciais, ser uma empresa com foco 100% em BI, Big Data e Analytics, possuir uma equipa experiente e de alta performance em projetos e ter a mais alta capacidade de execução do mercado de consultoria BI. Sendo conhecedora de algumas das principais indústrias do mercado a Leega com esta vinda para Portugal, torna realidade a sua estratégia de atender todo o mercado europeu. O grande conhecimento pelas tecnologias, experiência em projetos, consultores diferenciados e parcerias globais de peso, tornam-se essencialmente no nosso fator diferenciador para o mercado português.

A Leega é uma referência no que diz respeito a consultoria e serviços há 18 anos, focada em soluções de dados, Analytics e Big Data. Qual a importância que dados e projetos com os mesmos tem ganho nas empresas?

Atualmente, o assunto dados é o principal tema de discussão entre os diretores de qualquer grande corporação, pois que são a base fundamental de projetos chamados digitais destas empresas. A forma como se guardam dados, a sua qualidade, a forma como estes são utilizados e como se retira conhecimento sobre os mesmos para uma melhor tomada de decisão dos gestores, ou para gerar uma nova linha de receita financeira, é onde vive o grande valor dos dados para o negócio de qualquer empresa. Estamos de facto a viver numa era em que é uma tendência que as empresas se tornem digitais e como base, é importante que essas passem a incorporar o conceito de empresa Data-Driven. Esta importância atual dos Dados é tão relevante nas corporações, que entre as 50 das maiores empresas mundiais, 15 delas são empresas que trabalham com dados como seu principal asset, e as sete maiores são empresas totalmente Data-Driven, como por exemplo, a Apple, Google, Amazon, Tesla, Netflix, Uber, Samsung, entre outras. Posso dizer que as empresas que querem continuar a ter lucros e obter destaque frente a concorrência, deverão obrigatoriamente ter uma atenção especial com os seus dados, de forma a otimizar o potencial de dados internos e externos com que trabalham. Para isso, é importante que as empresas estabeleçam um projeto sério, adequado ao negócio e que envolva o conhecimento das tecnologias para todas estas soluções. Atualmente, diz-se que os dados são o novo petróleo da economia da indústria 4.0, eu costumo dizer, que os dados, são algo tão rico quanto o petróleo, mas também tão vital quanto o oxigénio para o corpo de cada empresa.

As empresas estão a apostar cada vez mais em big data e analytics. Estas novas tecnologias têm vindo a ganhar cada vez maior importância no mercado de trabalho digital, e com o avanço tecnológico surge a necessidade de mais recursos especializados. Porque devem as empresas apostar na transformação digital?

Sim, temos um programa de formação interna de recursos e de certificação dos mesmos assim como captação de novos talentos. Já existe uma grande procura por recursos e cabe-nos atender o mercado. Os dados por si só como disse, são importantes, mas são um artigo cru. Somente quando se colocam os dados em contexto, criamos conhecimento e podemos utilizá-los com maestria, de forma a que as empresas possam transformar esse conhecimento em sabedoria e serem bem sucedidas através de lucros. Assentada sobre um detalhado planejamento do fluxo analítico e dos dados existentes, a tomada de decisão da sua empresa pode de fato ser melhor e mais dinâmica, sem depender do fator humano quanto a infraestrutura e capacidade tecnológica. Por isso após mais de 20 anos de experiência, posso garantir que vale apostar na transformação digital

Têm clientes no mercado europeu. Quais os segmentos de mercado que mais procuram os vossos serviços e de que forma garantem o seu sucesso?

Para a Leega, é muito importante estar presente no mercado português e europeu, de forma a trazer a nossa experiência e o nosso conhecimento em Analytics e dados e apoiar as empresas locais. Nós trabalhamos para vários segmentos de mercado, desde a indústria de telecomunicações, serviços e retalho, até grandes bancos e empresas multinacionais. Neste momento, estamos a trabalhar como consultores de grandes projetos com Cloud Analytics, e um dos nossos maiores parceiros é o Google Cloud Platform. Estamos a fazer a migração do Wal Mart de uma plataforma corporativa de EDW em Teradata para o Google Cloud Platform. como garantirmos o sucesso aos nossos clientes? Bem, os nossos consultores são consultores de facto, porque levam consigo a formação da nossa academia BI e eles tem expertise, motivação, postura e relacionamento com os usuários dos nossos clientes. A nossa gestão de projetos é feita por gerentes gabaritados e seguidores de uma metodologia Leega de desenvolvimento. Cada projeto nosso é acompanhado por um escritório de PMO sem custos para o nosso cliente final e por fim temos sócios diretores na operação e gestão dos projetos da empresa.

O tamanho da empresa e desafio de projetos não nos impressiona, porque já realizamos projetos de vulto, temos elogios, clientes referência e temos uma empresa muito assertiva no que toca, entregas, horas e budget.

A Leega é altamente capacitada e oferece as mais variadas soluções, desde consultoria, fábrica de software, outsourcing, formação e workshops. Como é que aplicam as vossas “expertises” em cada um destes serviços? Pode dar um exemplo de uma das suas soluções?

O sucesso de um projeto com análises de dados vem desde o dia em que é concebido. É importante conceituar quais análises serão construídas, para que área e para qual o gestor da empresa. Para isso, é necessário procurar pessoas com capacidades técnicas e conhecimento analítico, para entregas em ciclos mais curtos e rápidos, dando a conhecer esses ganhos de forma a, criar uma cultura de analytics na empresa. Quanto à aplicação das nossas expertises técnicas numa empresa, estas podem ser feitas de duas formas, a de fazermos inicialmente um Assessment para tentar conhecer melhor os objetivos da empresa e da sua estratégia de negócios, e posteriormente , sugerirmos o tipo de solução de projeto, ou sermos chamados para desenvolver um tipo de solução que a empresa já tenha definido como clara necessidade para os usuários de negócios. Falando das expertises posso dar o exemplo de Cloud Analytics. No início da década acreditava-se que a tecnologia de cloud poderia levar aplicações de analytics a um novo nível desde que os serviços baseados em nuvem pudessem suportar volumes massivos de dados e fornecê-los de modo consistente para as empresas. Atualmente, poucos são os que duvidam da capacidade de processamento da nuvem. Visando gerar valor, os dados devem ser coletados, armazenados e analisados por um sistema capaz e confiável. O ambiente de Cloud Analytics permite então que o gestor se concentre apenas nas análises, ao invés de se preocupar também com a infraestrutura que tais análises demandam. Além disso, encurta o tempo para receber insights e elimina as complexidades da análise de dados de maneira segura e sem as limitações de escala e desempenho que os data centers tradicionais carregam consigo. Esta tecnologia tem inúmeras possibilidades, desde analisar qual é o meu best offer numa prateleira de uma rede de catering services a 1000 km de distância do meu escritório e numa latência próxima de 30 segundos, até entender se o último hackathon realizado com a minha equipa de Inovação, gerou níveis mais altos de satisfação medidos por um modelo BI A análise de dados na nuvem traz diversos outros benefícios às empresas como segurança de dados, redução de custos operacionais, além de ganho de produtividade ao setor de TI, uma vez que o operacional está de fato “terceirizado”.

Para finalizar, por onde passam os novos projetos da Leega Consulting Europe?

A Leega Consulting Europe é sustentada por dois pilares principais. Posicionamento no mercado e evolução técnica. Neste momento estamos dentro das metas e objetivos traçados para cada um destes pilares. Crescemos com a vinda para a Europa e esse foi um de nossos passos mais recentes. Para além de estarmos sediados em Portugal, temos também já algumas oportunidades para levar a Leega a outros países da europa. A procura pela expansão e internacionalização é fulcral no futuro e estamos muito preparados para isso. Por isto procurem-nos.

GLOBSER GROUP COMPLETA 20 ANOS

Abílio Silva, CEO e fundador da Globser Group

Após 10 anos de uma carreira feita em Multinacionais como a KPMG e a MARS, nasceu a veia empreendedora com a criação da Globser primeira empresa do grupo em 1999, surgindo no mercado com intervenções de marketing e vendas nas mais diversas áreas de atividade em Portugal. O foco potenciava uma vasta e diversificada experiência operacional contando com uma rede de contatos ativa, de considerável expressão e de elevado potencial e esteve desde os seus primórdios, por opção do fundador, Abílio Silva, dedicada a atividades ecológicas, em que a sustentabilidade ambiental se tornou um dos pilares do negócio, iniciadas com a abertura de uma loja de roupa “greenpeace”.

Projetos inovadores no mercado

Continuamente focado em trazer uma tecnologia inovadora na área ambiental para Portugal, em 2004 após o EURO onde colaborou intensivamente, o CEO e fundador da Globser Group, rumou aos Estados Unidos e através de uma “business opportunity americana”, criou o Masterfranchising “Battery Doctors”, ficando com a exclusividade para Portugal, Espanha e Brasil até aos dias de hoje.

A Battery Doctors destaca-se por ser a única empresa no mercado mundial a fazer manutenção preventiva, corretiva e reutilização/regeneração de baterias de ácido chumbo, através de um processo eletroquímico, abrangendo desde baterias automóvel até ás baterias de empilhadores, onde se concentra 90% da atual atividade.  Este processo patenteado e comprovado obtém uma maior longevidade e operacionalidade dos equipamentos. As vantagens são várias, desde a redução de custos, às melhores práticas ambientais com a reutilização de um resíduo perigoso como é a bateria. “Prestamos um serviço de excelência e damos garantia sobre o mesmo”, assegura o nosso interlocutor.

A procura pela inovação é uma constante para a Globser Group que em 2007 constituiu mais uma empresa, a 2Drive. Um negócio que se tornou representante exclusivo para Portugal das marcas Carver One e PGO, criado para comercializar veículos com caraterísticas únicas, divertidos de conduzir e que consequentemente reduzem as emissões de CO2.

Com a missão de contribuir para uma mobilidade mais sustentável maximizando harmoniosamente a energia elétrica e reduzindo a dependência das energias não renováveis, a 2Drive ambiciona construir uma rede de mobilidade energeticamente mais sustentável, preocupada com o ambiente. E reflete-se através dos valores de dedicação, inovação, agilidade e consciencialização.

“Tivemos um sucesso muito grande com a 2Drive, onde fizemos ações de street marketing, a Volta a Portugal com a Santa Casa, fizemos também eventos com o Rock In Rio, a RFM e a Philip Morris, Microsoft, Meo, WTCC entre outros e tudo correu espetacularmente bem.”

A crise que obrigou a mudança

Contudo, a 2Drive ressentiu-se com a crise em 2009 e a sua atividade ficou estagnada durante alguns anos, assim como, mais duas empresas criadas posteriormente, a Globser Net e a Globser Sports. “Isto tem sido uma travessia do deserto de alguma forma, e nos últimos três anos redirecionamos completamente a nossa atividade”.

Esta mudança obrigou o CEO da Globser Group a mudar alguns paradigmas e a apostar na 2Drive e mais tarde, em 2016 na Globser Tech. “A nossa atividade neste momento, está concentrada essencialmente na 2Drive e na Globser Tech, uma empresa criada mais para a parte técnica e para a parte das novas tecnologias sustentáveis que surgem no mercado.”

Em março deste ano, a Globser Tech tornou-se “partner certificado” da multinacional holandesa EVBox para Portugal. “Através da Globser Tech, estamos neste momento a representar a líder mundial de estações de carregamento de veículos elétricos, a EVbox. Esta é a marca pioneira nesta área com equipamentos de última geração, mais eficientes e com melhor design no mercado, vencedora de prémios mundiais como reconhecimento da excelência e com a vantagem de ter um software fantástico. Queremos estar com os melhores do setor”. O nosso entrevistado, acredita que esta é uma boa aposta, naquele que é um mercado que está ainda a “gatinhar”, mas que se encontra muito bem referenciado em termos de utilizadores per capita para veículos elétricos e a Globser Tech pretende ser uma marca de referência no país.

Um processo contínuo de progresso  e desenvolvimento económico

Ainda no início deste mês, Abílio Silva deu asas a um projeto que já fazia parte dos seus planos para a 2Drive. Ter uma gama completa de veículos elétricos exclusivos para venda em Portugal. Micromobilidade, scooters, motos, carros e até veículos pesados. A 2DRIVE com vários processos de representação em curso, assinou este mês um contrato juntamente com a sua parceira NSDJSV- Innovative solutions com a PICCOLLI – Green Technology, para representar através de um Master Franchising os produtos da marca em exclusividade no mercado nacional. “É um projeto de interesse nacional e estamos entusiasmados porque o futuro vai realmente passar por aqui. A PICCOLI será um parceiro de referencia e trás consigo uma vasta experiencia internacional que iremos incorporar no mercado nacional de onde sairão várias soluções também para o mercado europeu”.

Para a Globser Group, o futuro passa pela ECO mobilidade, e vão continuar a apostar incessantemente na procura de melhores soluções de forma a oferecer produtos e serviços aos seus clientes, sempre com a preocupação na sustentabilidade ambiental e na rentabilidade da sua atividade. “Nós estamos preparados para a mudança, e perfeitamente conscientes com o que vem aí. Os próximos 10 anos serão seguramente mais apaixonantes que os últimos 100 neste setor. Esperemos que os veículos sem emissões se possam disseminar por toda a europa e quiçá pelo mundo inteiro. Isto sim, seria o ideal para podermos defender um planeta que é nosso e que temos a obrigação de cuidar dele para as próximas gerações assegurando o futuro dos nossos filhos e netos. razão pela qual sou convictamente um humilde missionário para um mundo com emissões Zero”.

INTELLCORP CONTINUA EM FASE ASCENDENTE

IntellCorp

Com sede em Lisboa, a IntellCorp assume-se como “um projeto único e raro que incorpora conhecimentos apenas acessíveis a quem alguma vez já pertenceu ao pequeno círculo da comunidade nacional e internacional de informação e inteligência”.

Em Portugal, a IntellCorp salienta ser um caso único. “Somos os primeiros a ser capazes de colocar em prática no terreno as últimas estratégias e táticas de inteligência de modo a oferecermos segurança acrescida e suporte em quase qualquer parte do globo”.

Como aponta na sua página online, a empresa pode “protegê-lo de outro indivíduo, de uma empresa ou até de algum Estado”.  A empresa trabalha com qualquer tipo de cliente.” Trabalhamos para aquele que quer fazer uma diligência prévia, uma verificação de antecedentes antes de fazer qualquer negócio; trabalhamos para aquele que necessita de um serviço de gestão e blindagem de informação delicada seja por qual for o motivo”.  Além disso, salienta o acompanhamento de indivíduos e empresas para expansão em mercados que, muitas vezes, desconhecem. A empresa trabalha também com organismos públicos que, “por qualquer razão, têm necessidade de recorrer ao setor provado dos serviços de informação para obter o tipo de conhecimento que precisam”. Como refere na mesma página, “trabalhamos sempre com interesses particulares individuais, interesses de grupos, lobbies e também para o setor público, muitas vezes com interesses muito fortes que se entrecruzam com interesses particulares, mas também na realidade política, económica, financeira e social de cada jurisdição”.

A IntellCorp dedica-se à área da inteligência, contrainteligência, defesa e segurança, contando atualmente com mais de 70 colaboradores, nomeadamente oficiais, diplomatas, militares e agentes de segurança de altas patentes, operacionais de missões especiais, rangers, marines, entre outras.

NOVA LOJA MIXPÃO EM CASCAIS

Mafalda Silva, sócia-gerente da Mixpão Cascais

A Mafalda Silva é neste momento sócia-gerente da 3ª loja franchisada em Lisboa-Cascais, da marca Mixpão, com um conceito de croissanteria, reconhecida pelos seus deliciosos croissants, jesuítas e lanches salgados. Porquê a aposta na escolha desta marca?

Tanto eu como os meus sócios já conhecíamos a marca, no entanto, a escolha está relacionada com a forma como este tem sido trabalhada. Numa vertente de produto, pela sua diversidade de recheios únicos e também pela qualidade que apresenta. Na vertente de marketing, compreendemos que a marca cedo percebeu a necessidade de criar uma imagem jovem e fresca bem como a importância das redes sociais enquanto poderosa ferramenta de angariação de clientes. Por outro lado, relativamente ao nosso papel, facilmente percebemos que com uma escolha acertada na localização de loja numa zona de forte passagem pedonal e com o devido foco no serviço, facilmente conseguiríamos gerar a vontade de compra e ser bem sucedidos com a conjugação de todos estes ingredientes.

Que história pode ser contada sobre esta ideia empreendedora? Era já um sonho antigo?

Posso dizer que abrir um negócio era um sonho de há alguns anos. Esta ideia não vem desde sempre, pois acredito que a nossa veia empreendedora como tantas outras coisas vem dos nossos genes e das nossas inspirações, da forma como crescemos e somos influenciados. Venho de uma família onde todos adoram criar coisas novas ou pensar em novas formas de fazer as coisas, de reinventar, e isso teve uma enorme peso nas minhas tomadas de decisão em relação ao presente e ao futuro. Porque o empreendedorismo é isso mesmo, ter vontade de desenvolver um projeto e de criar algo de novo.

Aliado ao crescimento profissional e à aquisição de conhecimento, às minhas experiências profissionais e à forma como me fui sentindo mais capaz de estar à frente de um negócio foram criadas as circunstâncias para que tenha surgido a ideia de abrir a Mixpão Cascais. Com dois sócios fantásticos, claro! O Hugo Neto e o Ricardo Martins, cada um com o seu conhecimento e com a sua área de domínio acabaram por criar as condições para a criação deste negócio.

Até agora, quais foram os principais obstáculos/desafios que enfrentou quando decidiu lançar-se no mundo do empreendedorismo com a Mixpão Cascais?

Houve claramente alguns obstáculos, no entanto, o maior de todos e o que mais sentimos quando decidimos abrir este negócio foi o Networking. Quando arriscamos tanto e fazemos um investimento, seja ele de que valor for, temos uma grande necessidade de obter informação fiável que minimize a nossa margem de erro e nos dê confiança para tomar decisões. O Networking hoje é uma ferramenta fundamental, que tem de ser trabalhada, que exige experiência e exige “calo” até porque não deixa de ser uma relação recíproca de dar e receber, e portanto a outra parte procura também em nós essa fiabilidade e confiança que ainda estamos trabalhar e a aprender a transmitir. Por isso, precisamos de ter as pessoas certas do nosso lado e de ir absorvendo o seu conhecimento, a sua informação e a sua própria rede de contactos para podermos expandir a nossa.

Considera que os desafios são maiores quando é uma mulher que decide enveredar pelo mundo dos negócios ou do empreendedorismo?

Sim, acredito que há mais desafios para as mulheres seja no empreendedorismo ou em qualquer papel de liderança. A mulher é associada até de forma cultural a uma figura sensível, frágil, a uma figura “com os pés mais assentes na terra”, que tem que lidar com as responsabilidades em casa. Também não é possível negá-lo quando analisamos o número de mulheres que gerem empresas ou quando nos apercebemos que existem apoios diretamente direcionados ao empreendedorismo feminino. No entanto, acredito que esse paradigma está a mudar e que a mulher sente que tem cada vez mais, ferramentas à sua disposição para tomar esse tipo de decisões e estar à frente de um negócio, e que o papel em casa é dividido, o que propicia a sua dedicação aos negócios. A mulher é vista, cada vez mais, como um elemento forte dentro de uma empresa que procura o seu espaço para tal e que sabe perceber as suas fragilidades e aliar-se das pessoas certas que de alguma forma as colmatem.

O que a inspira e motiva diariamente enquanto mulher e profissional?

Desenvolver projetos ambiciosos, diferenciadores e impactantes. Acredito que em termos profissionais é isso que motiva qualquer pessoa: acreditar que faz a diferença, que toma decisões que fazem crescer a sua empresa e que têm um impacto positivo naqueles que a rodeiam e na sua evolução. Ter a noção que a informação que transmito aos outros é fiável e os inspira. E reciprocamente, perceber que esses projetos me trazem crescimento e satisfação e que a minha tomada de decisão é cada vez mais natural, espontânea e instintiva.

Que características diria serem fulcrais para construir uma carreira profissional nesta área?

Acima de tudo, diria que é preciso ser um verdadeiro analista de informação, apesar de eu não o ser de forma natural. Sou uma pessoa mais dedicada à ação, direcionada para a vertente humana mas senti a necessidade de desenvolver estas competências. Seja por gosto ou por verdadeira necessidade em se tornar um, é preciso sê-lo e essa capacidade deve estar aliada a uma excelente capacidade de organização. Não se pode abrir um negócio, seja ele qual for, sem a capacidade de análise de informação a todos os níveis, sem a capacidade de desenvolver um bom plano de negócios devidamente fundamentado, sem uma boa previsão de vendas e custos, sem desenvolver uma conta exploração e prever diversos cenários, sejam eles, otimistas, pessimistas e realistas. Estas características são fundamentais para garantir a sustentabilidade de um negócio, no entanto, há outras características que têm também um impacto positivo como a curiosidade para procurar sempre mais fontes de informação ou a capacidade de comunicação e a capacidade de antecipação.

A abertura do próximo espaço será em Cascais, ainda neste mês, sendo que estão previstas mais três aberturas no próximo ano em Lisboa e mais duas em 2021. Que expectativas para estas inaugurações e de que forma é fundamental continuar com esta política de expansão?

A Mixpão Cascais está integrada no projeto expansão Mixpão que conta já com 36 aberturas previstas no País de Norte a Sul para 2019, 2020 e 2021 negociadas em 5 meses, o que nos permite compreender a dimensão do projeto de que estamos a falar. Teremos, por isso, um papel preponderante na expansão da marca na zona de Lisboa e à nossa responsabilidade algumas das zonas de maior peso do País como Cascais, Baixa de Lisboa, Picoas ou Saldanha, Oriente e possivelmente Campo Grande. Sabemos que cada loja que abre tem um grande impacto na marca como um todo e a localização e serviço são dois dos pontos que continuaremos a trabalhar, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pela marca no que toca a produto e marketing. Esperamos, por isso, que os nossos clientes correspondam de forma positiva e que sejam o nosso maior veículo de informação e de marketing

Para quem não conhece, visitar a Mixpão Cascais, é…?

Saborear os nossos croissants, jesuítas e lanches, num conceito nobre e premium. É uma nova experiência sensorial em que cada detalhe é desenvolvido a pensar no cliente, desde o design de tubagem, à cor da árvore ou ao serviço e atendimento. Todo o enquadramento é preparado a pensar no cliente com o objetivo de o fazer experienciar momentos de prazer e que este tenha vontade de os repetir e partilhar.

SAGACI RESEARCH: Um parceiro com um verdadeiro conhecimento dos mercados africanos

Susana Lopes da Costa, Moçambique e Angola Country Manager da Sagaci Research

A Sagaci Research é assumidamente um dos principais players do mercado moçambicano, fornecendo serviços para diversos setores de mercado. No sentido de contextualizar o nosso leitor, de que forma é a Sagaci Research tem vindo a contribuir para gerar valor aos seus clientes?

A Sagaci Research é a uma empresa de pesquisas de mercado líder em África, que fornece aos seus clientes informação hiper granular e insights, recolhidos em mais de 30 países do continente, incluindo Moçambique e Angola. A Sagaci Research é uma empresa de pesquisa focada apenas em África, com know-how específico neste continente, o que se reflete, quer nas abordagens e metodologias adaptadas que aplicamos, quer no enquadramento das análises que fazemos. Fornecemos aos nossos clientes informação que espelha a realidade dos mercados africanos, identificando oportunidades de negócio ou de crescimento. Temos experiência nos setores chave e emergentes no continente, o que constitui uma mais valia nas nossa análises e orientações. Fornecemos dois tipos de informação: resultados de pesquisas desenhadas à medida das necessidades de um cliente específico e publicações de relatórios e bases de dados sobre consumo, retalho e as principais indústrias, numa base regular. Estes últimos estão sempre diponíveis e constituem um ótimo ponto de partida ou de atualização de temas genéricos de grande interesse.

Através da informação que recolhemos, apoiamos uma ampla variedade de clientes: empresas multinacionais líder, empresas de consultoria e investidores. O nosso objetivo é fornecer informação que lhes permita tomar as melhores decisões e com maior retorno. Seja no que diz respeito a novos ou atuais negócios. Hoje somos, para muitos clientes de renome, os seus “olhos” e “ouvidos” em África, mesmo quando não estão fisicamente presentes, o que acontece com frequência.

São uma empresa de inteligência de mercado que presta serviços para indústrias de bens de consumo, telecomunicações, serviços financeiros, agricultura, entre outros. De que forma é que perpetuam este fornecimento de informação aos vossos clientes sobre os consumidores e sobre o mercado para avaliar as oportunidades e formular planos de desenvolvimento e estratégias?

O nosso modelo de trabalho baseia-se em algumas especificidades que mostram a forma como damos resposta à necessidade de informação por parte dos nossos clientes:

Apostamos em equipas locais conhecedoras da realidade em cada país, que treinamos intensivamente a nível técnico. Todas as nossas equipas de campo são apoiadas por meios tecnológicos, sendo toda a recolha eletrónica. Isso permite que, diariamente, toda a informação fique disponível a nível central, onde procedemos a análises de qualidade. Nos escritórios centrais (Nairobi, Cairo e Barcelona), dispomos de técnicos especializados em diferentes métodos de análise e em diferentes setores, que analisam os dados e adicionam o nosso pensamento estratégico, com vista a gerar os melhores insights para nossos clientes

Combinamos assim o entendimento local com a experiência internacional, apoiados por tecnologia de ponta, quer durante os processos, quer na preparação e entrega dos outputs. Temos o controlo total de todo o processo, sem sub-contratações em nenhuma fase. Este nosso modelo de trabalho aplica-se em todos os países onde operamos, o que nos permite:

Cobrir o continente com os mesmos standards de execução, permitindo comparabilidade em estudos multi país Uma resposta ágil, flexível e rápida, em consonância com o que exige o dinamismo dos mercados em África.

Da sua experiência e conhecimento, qual é atualmente o potencial de crescimento de Moçambique?

O país continua a enfrentar desafios de várias naturezas, quer sociais, quer económicos, mas o potencial é grande.

Do ponto de vista do consumo e do consumidor assiste-se ao crescimento de uma classe média (maioritariamente jovem) com um perfil muito interessante e atrativo para as marcas. Este movimento faz com que seja premente acompanhar e antecipar as suas necessidades. Por outro lado, a dinâmica do retalho está a evoluir, o que também carece de um diagnóstico constante, como forma de compreender e antecipar tendências e oportunidades. Vemos grandes empresas, por exemplo na área do grande consumo, a reforçarem a sua presença em Moçambique e a aumentarem a sua operação a nível local. Para além de que, a esperada retoma da indústria de exploração de recursos naturais, traz consigo reais oportunidades, com impacto em diversos setores, e cria um clima de maior confiança e todo um quadro mais favorável para a economia

Existem oportunidades que devem de ser mais exploradas? É possível traçar uma evolução desta atividade ao longo dos anos?

Sim, há muitas áreas por explorar ou a carecerem de uma maior exploração do ponto de vista do research. Mas isso irá acontecer com o próprio crescimento do mercado e com a sua maior maturidade. Depende mais do mercado do que das empresas fornedoras de informação.

Quando os mercados crescem e se tornam importantes, os investidores dão-lhes atenção e Moçambique está na mira de muitas empresas multinacionais à espera da estabilidade necessária para muitas apostas. Nessa conjuntura, irão certamente aparecer também muitos players locais e regionais e, nesse sentido, a previsão do crescimento da nossa atividade é boa. A informação de qualidade, disponível em tempo real, vai ser uma vantagem competitiva.

No âmbito da vossa dinâmica, qual a importância das novas tecnologias e da inovação no sentido de capitalizar, ainda mais, a vossa orgânica e consequentemente as valias para os vossos clientes?

Tecnologia e inovação são chave para nós. Mas sempre numa perspetiva do que faz sentido em Àfrica, adaptado a África. Sabemos, por exemplo, que a recolha de informação feita cara a cara com o entrevistado é ainda muito relevante no contexto africano. Assim, continuamos a privilegiar esse modo de recolha vs, por exemplo, paineis online, muito mais usados em mercados mais desenvolvidos. Contudo, desde sempre que utilizamos a tecnologia nessas recolhas, mas ao nível dos instrumentos que usamos para as fazer – os tablets. O nem sempre acontece, ainda hoje, nos mercados desenvolvidos.

Na área do retalho temos investido de sobremaneira em tecnologia de ponta para, por exemplo, mapear os pontos de venda existentes nas principais cidades em África. Dados desta natureza são imensos, mas, ao nível do output, dispomos dessa informação em plataformas interativas que permitem aos nossos clientes olharem diretamente para mapas e dados (apresentados de forma intuitiva) que lhes permitem retirar informação de forma fácil e operacionável.

Apesar de atuarem em diversos setores de mercado, existe algum que tenha maior preponderância no vosso volume de negócios?

Temos particular experiência em bens de grande consumo, mas também cobrimos a banca/ setor finaceiro, telecomunicações, o setor industrial, agricultura, retalho e distribuição, imobiliária, farmacêutica, instituições governamentais e ONG, entre outros. Na nossa perspetiva, considerámos adequado agrupar as áreas de estudo em três grandes categorias, que correspondem ao nosso âmbito de trabalho: Entendimento do consumidor, Entendimento do canal (distribuição) e Dimensionamento e análise dos mercados.

Os estudos de consumidor têm maior preponderância no trabalho que desenvolvemos sendo que, fazemos estudos de diversos tipos, entre os quais: análises aprofundadas de perceção e uso de categorias e marcas; estudos de caracterização e segmentação do consumidor; estudos de satisfação; mystery shopping; estudos de imagem, posicionamento e trackings de marcas; testes de novos conceitos/ produtos/ embalagens; estudos de apoio ao desenvolmento da comunicação e medição do seu impacto. Os estudos de distribuição são também uma área forte para nós e fundamentais para o êxito dos nossos clientes, dada a elevada fragmentação na estrutura da distribuição.

Esta é uma área em que temos investido substancialmente e hoje contamos com uma das maiores bases de dados de lojas de retalho em África com mais de 500.000 pontos de venda identificados em 40 cidades do continente, aos quais fizemos cerca de 200.000 visitas nos últimos 12 meses, para verificação da presença de categorías, marcas, formatos, recolha de preços, entre outros.

No âmbito da CPLP, de que forma é que têm contribuído para o crescimento de relações entre players pertencentes a este espaço da CPLP?

Somos membros de várias câmaras de comércio, quer em Moçambique, quer em Angola. Este vínculo tem sido muito útil no desenvolvimento de iniciativas conjuntas que promovem a notoriedade das empresas, parcerias e formas de cooperação. E isto acontece, quer entre empresas locais, quer entre empresas locais e portuguesas.

Para além disso, a parceria com empresas relevantes que possam complementar o nosso trabalho de pesquisa com outros serviços, de certa forma associados, como por exemplo, empresas de publicidade e consultoria, tem sido também promovido por nós e tem-se revelado uma mais valia, quer para as empresas envolvidas, quer para os nossos clientes, ao poderem encontrar, desse modo, serviços mais integrados.

A vossa aposta ao nível de clientes/parceiros passa também por empresas de génese internacional? Se sim, de que forma é fundamental para as mesmas conhecerem as vicissitudes do mercado em Moçambique para singrarem?

Sim. Como referi, muitos dos nossos clientes são empresas multinacionais e estrangeiras. Moçambique, tal como Angola é, para muitos clientes, um mercado de aposta preferencial ou piloto em alguns projetos/ investimentos. Conhecer o mercado nestes países (os consumidores, a concorrência, a distribuição…) é determinante para que as empresas definam ou adaptem as suas estratégias para o país.

A África “são muitas Áfricas” e, cada país, tem as suas especificidades (por vezes muito desconhecidas e surpreendentes para empresas que estão fora do contexto). Conhecer estas especificidades e, acima de tudo, estar muito aberto ao seu entendimento, sem conceitos ou quadros pré-definidos, é fundamental para o sucesso das estratégias dessas empresas. E nós somos o intermediário ideal para conseguir isso.

Sente que essa necessidade tem aumentado por parte de empresas locais e de cariz internacional?

Em Moçambique a necessidade do conhecimento do mercado aumenta, ainda que lentamente, sobretudo por parte das empresas locais. Viemos de um contexto relativamente recente de escassez de bens, em que o trabalho de marketing era, por não necessidade, inexistente. Hoje já não é assim. Com uma dinâmica de mercado diferente (aos poucos mais competitiva em muitas categorias) e com um consumidor em crescimento (que importa monitorar ao todo o tempo) o conhecimento do mercado e a informação, em primeira mão, será decisivo para quem pretender estar na liderança. E as empresas começam a compreender isso.

O que podemos continuar a esperar por parte da Sagaci Research para o futuro?

A Sagaci Research é a empresa de pesquisa com maior presença em África e queremos continuar a reforçar essa nossa posição e acompanhar o crescimento dos mercados. Continuaremos a desenvolver a nossa operação onde já nos encontramos e entraremos noutros países que sejam relevantes para os nossos clientes. Continuaremos a desenvolver a nossa missão, em que nos propomos a fornecer serviços de market research desenhados especificamente para o mercado africano, sempre com standards internacionais em mente. A qualidade de execução será sempre algo de que não abriremos mão, bem como manteremos sempre um apertado controlo em todo o processo de recolha, independentemente de qual seja a técnica de recolha que usemos. E continuaremos a apostar fortemente nas nossas equipas locais. Temos atualmente cerca de 120 colaboradores de diversas nacionalidades e backgrounds, espalhados pelo continente.

O que é comum nesta equipa é que partilhamos todos a paixão por África e por conhecer as suas especificidades e acompanhar o seu desenvolvimento económico e social. Esse espírito irá sempre fazer parte da nossa essência.

SUSTENTABILIDADE E PAIXÃO PELA ENERGIA LIMPA

Antão Manuel Fortes, Diretor Executivo da Cabeólica

A Cabeólica é uma empresa cabo-verdiana de referência na área da energia eólica assente na inovação tecnológica, que tenta diferenciar-se pela sua preocupação com o bem-estar das comunidades. Esta tem demonstrado ser uma missão bem-sucedida?

A Cabeólica é uma empresa privada, de direito cabo-verdiano, que resulta de uma PPP que visa o reforço da capacidade de produção de energia elétrica no país através de um projeto inovador que materializa as aspirações do país em aumentar a penetração de energias renováveis, mormente a energia eólica, nas redes elétricas concessionadas. É com orgulho que asseguramos que tem vindo a ser bem-sucedida na sua missão principal, apesar dos diversos desafios resultantes de ser o primeiro projeto desse género no país. Ao longo dos quase oito anos de operação, a empresa tem desempenhado um papel importante no reforço das políticas energéticas sustentáveis implementadas no país e tem tido um impacto relevante na redução da importação de combustíveis fósseis para a produção de eletricidade. É o maior projeto de energias renováveis jamais implementado em Cabo Verde, e, também, o primeiro projeto eólico de grande escala executado na região da CEDEAO. A consistência dos resultados apresentados pela empresa e o excelente desempenho conseguido têm sido fatores determinantes na colocação de Cabo Verde entre os países com as maiores taxas de penetração de energia eólica no mundo e o país com a maior percentagem de energia eólica na matriz elétrica em todo o continente africano.

É considerada a principal produtora de energias renováveis na matriz energética de Cabo Verde, produzindo quantidades substanciais de energia limpa para as redes nacionais. É neste sentido que a instituição tem vindo a desenvolver uma maior responsabilidade ambiental e social com os cabo-verdianos?

A entrada da Cabeólica no mercado elétrico implicou a integração nas redes de uma grande quantidade de energia limpa, 100% produzida localmente, reduzindo a dependência do país da importação de derivados do petróleo e da enorme volatilidade dos preços internacionais do barril. A empresa já entregou ao Comprador, a Electra S.A., mais de 590.000 MWh de energia eólica, o que representa, +/- 20% das necessidades de eletricidade do país. Para além dos benefícios financeiros, essa produção faz da Cabeólica a entidade que mais evita as emissões de CO2, contribuindo, assim, para o cumprimento das obrigações do país no combate contra a emissão de gases com efeito de estufa e para a promoção da saúde pública.

A empresa dedica-se ainda a integrar práticas de responsabilidade ambiental e social desde o início da operação comercial, participando na implementação de medidas de conservação da biodiversidade, particularmente no que se refere às espécies endêmicas e ameaçadas. Essa contribuição tem sido gratificante, e inclui uma quantidade significativa de dados relevantes para as comunidades científicas.

Obteve o reconhecimento internacional como uma das melhores parcerias público-privadas na África Subsariana, pelo International Finance Corporation e Infrastructure Journal, juntamente com a atribuição de vários prémios como Prémio Ashden, o Prémio de AfriCAN Climate Good Practice e o Prémio melhor projeto de energia limpa, na 1ª Gala Green Project Award. Que presença assumem estas distinções nacionais e internacionais para a Cabeólica?

A Cabeólica tem sido destacada, ao longo dos anos, pela contribuição para a sustentabilidade, por promover as boas práticas ambientais e por ser um exemplo, tendo em conta que foi o primeiro projeto eólico de larga escala na sub-região; a primeira PPP para as energias renováveis não-hídricas na África Subsariana; o primeiro projeto em um mercado emergente que promoveu um alto nível de penetração de energias renováveis na matrix energética e o primeiro pro­jeto de Clean Development Mechanism registado em Cabo Verde. As distinções atribuídas são bem-vindas e consideráveis incentivos para a empresa e seus investidores, dado que representam os excelentes resultados conseguidos e o impacto na notoriedade e reconhecimento da empresa.

O projeto Cabeólica é o único em Cabo Verde que integra no CDM – Clean Development Mechanism – junto da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Que importância tem a integração do vosso projeto no CDM?

É um orgulho para a Cabeólica ver o projeto reconhecido pelas NU como um projeto CDM. No fundo, simboliza que o projeto está alinhado com o desenvolvimento limpo e com os objetivos mundiais para a mitigação do crescente perigo que as mudanças climáticas representam. Tratando-se de um projeto que foi concebido com o objetivo de ser sustentável a nível ambiental, social e económico, o reconhecimento dessa entidade é um indicador de que os objetivos estão a ser cumpridos.

A integração no mecanismo tem sido igualmente importante porque permitiu a assinatura de um acordo para a venda de Reduções Certificadas de Emissões, que tem gerado rendimentos adicionais canalizados para apoiar as diversas atividades da empresa.

O domínio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), passa sobretudo pela cooperação económica e empresarial. De que forma é que a Cabeólica tem contribuído, no âmbito das suas relações e parcerias, para o crescimento destas relações? No seu entender, o que seria necessário mudar ou por onde se deveria começar?

Por natureza a Cabeólica não está diretamente envolvida em ações de promoção do espaço CPLP. Todavia, tem participado em fóruns internacionais de diálogo e promoção do espaço, nomeadamente na vertente energética. Recentemente, no Africa Energy Forum, que decorreu em Lisboa, foi anunciado o Compacto lusófono, uma iniciativa complementar de Portugal ao New Deal do BAD para “Light up and Power Africa”, direcionado para o espaço lusófono. O objetivo será acelerar financiamentos de projetos bancáveis para o setor energético da CPLP. Cabo Verde já aderiu ao Compacto.

Também de relevar o facto da empresa ser membro da ALER (Associação Lusófona de Energia Renováveis) uma organização internacional facilitadora de diálogo e de partilha de informação relevante desses setores nos vários países que compõem o espaço.

Como tem sido realizado o crescimento e a conquista de mercado por parte da Cabeólica em Cabo Verde?

A iniciativa de desenvolver o projeto da Cabeólica foi lançada pelo Governo de Cabo Verde, num momento em que o país se viu confrontado com elevados custos de produção de eletricidade e um déficit severo na capacidade de produção, resultando em cortes frequentes e duradouros de eletricidade e na procura reprimida. Sendo o maior projeto eólico conectado à rede, o projeto teve todo o apoio para integração rápida no mercado. Embora o comprador tenha, inicialmente, adotado uma abordagem conservadora, foi possível aumentar a taxa de penetração da energia eólica por via da formação e de diálogo contínuo entre as partes. A empresa tem apresentado um desempenho operacional muito positivo, em que 2014 foi o melhor ano de sempre em termos de taxa de penetração a nível nacional (24%) e 2018 o de melhor produção de energia elétrica (85.154 MWh).

Para terminar, quais são os grandes desafios de futuro da Cabeólica e de que forma pretendem continuar a promover uma atuação que assente no vosso lema: “Somos uma empresa de excelência e de referência mundial no setor das energias renováveis, criando valor para os nossos stakeholders e fortemente comprometida com a sustentabilidade”?

A intenção da empresa é evoluir, crescer e implementar mais projetos de energia eólica, muito em linha com as medidas recentemente tomadas pelo Governo, visando o aumento da capacidade instalada em energias renováveis, e com o objeto principal da Anergi, acionista maioritário na Cabeólica e empresa pan-africana vocacionada para o investimento privado em infraestruturas energéticas. Acreditamos, pois, que a empresa está bem posicionada para acompanhar o desenvolvimento do setor, mantendo sempre a competitividade em relação às alterações de preço dos derivados do petróleo para a produção de eletricidade e em relação a outros players que vão entrando no mercado.

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