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Vanessa Ferreirinha

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BCI: A INOVAÇÃO COMO IMAGEM DE MARCA

Banco Comercial e de Investimentos (BCI)

O grande segredo prende-se com o facto de irmos constantemente ao encontro das necessidades específicas dos nossos clientes. O facto de conhecermos muito bem o terreno também facilita muito. Os moçambicanos sentem, cada vez mais, o BCI como o seu banco e o BCI tem correspondido”, referia, há uns meses, um alto responsável do Banco, explicando, de um modo sucinto, a liderança do mercado.

Nascido em 1996 da tenacidade de um grupo de empresários maioritariamente moçambicano, iniciou a sua atividade como banco de investimentos. No ano seguinte, a CGD adquire a maioria do capital, facto que se mantém até hoje.

Em 2008, os acionistas apresentam uma nova Missão e uma nova Visão para o Banco: o BCI deve passar a ser um Banco universal de retalho, vocacionado para servir todos os segmentos do mercado, devendo contribuir para o enorme esforço de bancarização que se iniciava e para o desenvolvimento sustentado de Moçambique e dos moçambicanos, visando a liderança do mercado. É o primeiro banco em Moçambique a lançar propostas de valor para cada um dos principais Segmentos de Mercado, ao nível do Modelo de Atenção e de Atendimento, da Comunicação e da Oferta de Produtos e Serviços. Este reposicionamento estendeu-se igualmente à imagem do Banco. Em termos cromáticos o azul foi substituído pelo laranja, uma cor mais quente e africana, tendo o logótipo sido simplificado e modernizado, abandonando as cores anteriores.

A melhor resposta que o BCI tem dado aos seus clientes é a diversidade de soluções que tem vindo a criar que vão ao encontro das necessidades de cada segmento. É esta variedade de ofertas e de serviços que aproxima o Cliente do banco. Tal como os bons alfaiates que fazem fatos à medida do cliente, o BCI é um banco cada vez mais preparado para servir cada Cliente à sua medida. Para todos procura soluções com vista a melhor satisfê-los.

Entre estas soluções contam-se os desks que são unidades especializadas que garantem o apoio necessário às empresas nacionais e estrangeiras que queiram investir em Moçambique. Entre eles contam-se:

– Desk Internacional (assegura ligações internacionais, presta apoio a empresas estrangeiras que querem investir em Moçambique, possui equipas de especialistas dedicados à Gestão, expansão e internacionalização das empresas moçambicanas).

– Desk Energia (assegura serviços financeiros especializados para o apoio às empresas do sector da energia, gestão de linhas de financiamento para projectos de produção, exportação e comercialização de energia).

– Desk Conteúdo Nacional (assessora as empresas nacionais que pretendem prestar serviços na cadeia de valor dos megaprojetos, ao abrigo das iniciativas de Conteúdo Local, sistematiza o apoio às PME’s em todo o processo relacionado com as certificações exigidas pelos megaprojetos, equipa de especialistas com profundo conhecimento do mercado Nacional).

– Desk Infra-estrutura (apoia a montagem e estruturação de operações para financiamento aos investimentos no sector de infraestruturas).

– Desk Agricultura (providencia soluções de produtos e serviços de apoio ao sector agrícola em Moçambique, a gestão de linhas de financiamento para projetos no sector agrário).

A inovação, sobretudo a tecnológica, tem sido uma das imagens de marca do BCI. O banco tem dado um enorme contributo para a explosão da banca móvel em Moçambique. Em 2018 o BCI registou um crescimento superior a 30 mil adesões por mês, com um número de transações superior a 24 milhões, tendo crescido 55,6% em relação a 2017, o que corresponde a um volume financeiro de 13.589.189.651 milhões de meticais.

Podemos dizer, com segurança, que a contínua aposta do BCI nestes canais tem sido acertada, permitindo estender os serviços financeiros com simplicidade, segurança e fiabilidade a qualquer região do país, integrando com outros operadores, nomeadamente M – Pesa, M – Cash e E – Mola nos seus acordos de interoperabilidade, o que demostra que a procura tem sido atendida, estando em franco crescimento.

Esta importância da banca eletrónica ficou bem patente na recente Oferta Pública de Venda (OPV) das ações da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), onde o BCI fez parte do consórcio bancário escolhido para liderar esta operação. De forma inédita 36% do total de subscritores deu ordens exclusivamente através do telemóvel. Refira-se que este canal teve tal aceitação que no curto período destinado à subscrição, foram obtidos mais de 26 mil cadastros, o que o potencia como um meio privilegiado de transação em bolsa para pequenos investidores, quer seja em transações de mercado secundário desta OPV, quer como de outros títulos que venham a ser aí disponibilizados no futuro. O seu contributo para a inclusão financeira foi ainda maior quando se sabe que permitiu a interoperabilidade não só entre todos os operadores financeiros tradicionais, como também em dois outros de moeda eletrónica, nomeadamente o M-Pesa e o E-Mola.

O BCI tem merecido a confiança da maior parte das empresas moçambicanas com capitais portugueses. Para a criação destes alicerces de confiança não foi alheia a sua sólida estrutura acionista, constituída pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) – o maior banco português e hoje acionista maioritário do BCI – e pelo BPI, outro banco de referência em Portugal. A CGD está presente em 23 países, o que constitui uma excelente plataforma internacional para qualquer banco que a ela esteja associado, como é o caso do BCI. A associação do BCI à Câmara de Comércio Moçambique Portugal tem revelado ser uma aposta ganha devido ao facto de Moçambique ser um dos países que na última década tem registado níveis de crescimento económico dos maiores do mundo e as empresas portuguesas têm estado atentas às oportunidades que Moçambique oferece. Com o fluxo de negócios que se tem registado entre os dois países nos últimos anos facilmente se pode concluir que todos ganham: BCI, Portugal e Moçambique.

“OS CLIENTES ESTÃO NO CENTRO DA NOSSA ESTRATÉGIA”

Luís Rodrigues, CEO do BFI

A solidez, a confiança, a proteção, o respeito, a responsabilidade e a sustentabilidade são a base sobre a qual o BFI opera, promovendo uma relação pioneira no relacionamento com os vossos clientes. Neste sentido, como podemos contextualizar o nível de contributo do BFI em relação ao mercado?

O BFI pretende posicionar-se como a referência da Banca de Investimento e da Banca Privada local, num modelo de negócio que privilegia a banca de proximidade como um elemento diferenciador da sua estratégia, quer numa perspectiva de relevância da oferta desse serviço no sistema financeiro, quer pela certeza e conservadorismo na tomada de decisão que, acima de tudo, advêm da experiência acumulada dos seus profissionais, do conhecimento de cada cliente e do contexto em questão. É um tipo de serviço específico que não se confunde com a banca comercial tradicional – é um serviço, acima de tudo, personalizado para o cliente e complementar para o setor bancário. O BFI tem a particularidade de não querer, estrategicamente, confluir a banca comercial com a banca privada e banca de investimentos. É uma especialização absolutamente necessária para o setor bancário cabo-verdiano.

O facto de se ter tornado pioneiro no mercado, pode ser considerado um dos maiores desafios para o banco devido à responsabilidade que acarreta esta posição?

O grande desafio do BFI é consolidar a sua orientação estratégica. Pretendemos continuar a ser um Banco moderno, com colaboradores comprometidos e resultados sólidos, pautado por um conjunto de valores institucionais e uma gestão sã. O setor bancário em Cabo Verde tem-se desenvolvido extraordinariamente nos últimos anos. Está muito bem servido pela banca comercial tradicional. A estratégia do BFI é consolidar os serviços de banca privada e de investimentos num país em forte crescimento, com grandes oportunidades de investimento, nomeadamente em projetos estruturais, e que conta com um espírito e uma vontade construtiva por parte dos governantes, reguladores e agências estatais, como é exemplo a Cabo Verde TradeInvest, em fazer prosperar a sua economia através da transformação de Cabo Verde numa plataforma no Atlântico Médio para negócios e fluxos de investimentos globais. O BFI é mais um player que se relaciona e representa este propósito.

Para além destes compromissos, que outros aspetos fazem parte da índole do BFI, de forma a manter o seu estatuto de entidade independente e assumidamente comprometido com o cliente?

O BFI é uma instituição detida por investidores, na sua maioria particulares, sem qualquer dependência de outras instituições financeiras. Tem uma gestão quase toda independente do corpo acionista. Como tal, assume que o serviço ao cliente é o pilar da sua atuação. Queremos pensar que somos um verdadeiro parceiro, que protege os interesses de cada cliente, sem qualquer outro interesse próprio para além do de crescer sustentadamente. Nenhum outro interesse subsidia a nossa atuação, para além de prover o melhor serviço ao cliente.

O BFI pretende posicionar-se como um banco inovador na capacidade de satisfazer as necessidades específicas dos seus clientes, contribuindo assim para o desenvolvimento do sistema bancário cabo-verdiano. De que forma é que a inovação tem sido essencial no crescimento da instituição no país?

O BFI tem por ambição desenvolver a sua capacidade operacional através de um maior aperfeiçoamento e integração de processos que permitem ao Banco atender da melhor forma as expectativas dos seus Clientes. Esta política de inovação de processos permite oferecer um maior valor acrescentado aos clientes assim como uma oferta mais competitiva e diferenciada. Aliás, penso terem sido estas as considerações que levaram a Mastercard a autorizar o BFI a ser o primeiro banco no Norte de África a emitir os dois mais prestigiantes cartões de crédito do seu portfolio – o World Elite e o Platinum – um reconhecimento muito importante para o BFI, em particular, e para Cabo Verde, em geral.

Essa aposta numa vertente mais inovadora tem sido essencial no relacionamento com o cliente? Se sim, em que aspetos?

Os Clientes estão no centro da nossa estratégia. Queremos criar a melhor experiência através da nossa presença e abordagem de contato pessoal. Combinando um constante aperfeiçoamento das ferramentas informáticas (CRM e Home Banking) com estratégias mais exigentes de face-to-face pretendemos fornecer aos nossos Clientes um serviço de elevada qualidade e os resultados adequados às suas necessidades. É certo que os clientes BFI estão espalhados pelo mundo, mas estamos sempre próximos. Tentamos aproveitar, ao máximo, as novas tecnologias, desenvolvendo e adaptando novos produtos, tendo em conta o melhoramento da oferta e competitividade do mercado.

Na vossa orgânica, como é realizado o processo de acompanhamento e aconselhamento junto de quem vos procura? Como pode explicar este processo ao nosso leitor? Estão mais direcionados para o cliente particular ou empresarial?

Como já tive a oportunidade de afirmar, a orientação dos serviços que propomos é bipartida: uma vocacionada para empresas – a Banca de Investimentos (onde se inclui a banca corporativa); e, outra, para clientes particulares – Banca Privada. Em qualquer dos casos, a cada cliente é adstrito um gestor de conta ou de projeto. É na criação de uma forte relação com os nossos clientes, baseada na confiança e na transparência, que construímos tanto a base do seu sucesso como do nosso.

Na banca de investimentos, contamos com um conjunto de profissionais, com larga experiência na construção e acompanhamento de projetos, que periodicamente reúnem, em fórum próprio, para, em conjunto, encontrar as melhores soluções para cada situação – recorremos ao brainstorming entre os nossos profissionais para benefício da solução final. Contamos, igualmente, com uma rede global de instituições, nacionais e transnacionais, com as quais mantemos laços estreitos para a angariação de financiamentos, expertise específico e apoio na sindicação de operações. Esta rede global é, igualmente, muito útil na gestão de serviços personalizados para a banca privada, onde adaptamos soluções para cada cliente.

O cliente tem contato direto, único e exclusivo com um “private banker”. De que forma é que os vossos profissionais se adequam às mais diversas necessidades de cada cliente? Este nível de personalização no relacionamento com o cliente marca a diferença perante a denominada concorrência?

O BFI conta com profissionais especializados nos diferentes domínios. O gestor de projetos especializa-se em serviços da Banca de Investimento enquanto que o Private Banker acompanha os clientes Private. O private banker não está sozinho nos processos – qualquer deles trabalha de perto com as várias equipas das diversas especialidades financeiras na busca da melhor solução. Cabe-lhe a ele estabelecer a proximidade com o Cliente. Por esta razão, o BFI, enquanto banco de cariz internacional, tem nos seus quadros profissionais fluentes em português, inglês, francês, espanhol e, mais recentemente, em árabe para que nos expressemos no idioma do cliente. Esta vertente é essencial para posicionar-nos como um banco, embora inserido sobretudo em contextos regionais (como a CPLP, os PALOP e a CEDEAO), verdadeiramente global.

É uma filosofia de trabalho e não necessariamente uma diferenciação.

O BFI assume-se no mercado como uma plataforma inovadora do sistema financeiro. Este posicionamento torna-o um Banco de referência, que estreita a sua ligação com os seus diversos parceiros internacionais. No domínio da CPLP, de que forma é que o BFI tem contribuído, no âmbito das suas relações e parcerias, para o crescimento destas relações?

Os países da CPLP foram os primeiros mercados alvo do BFI e por isso muito importantes para o BFI. Entendemos que a Comunidade reúne características muito interessantes, numa fusão de diferentes estágios de desenvolvimento e de potencialidades. Assistimos e promovemos intercâmbios desses interesses e capacidades, proporcionando oportunidades de investimento e de parcerias.

Considera que a cooperação bilateral entre Cabo Verde e os países integrantes da CPLP no domínio financeiro e não só deveria ser mais fomentada? Considera que existem aspetos que têm de ser aperfeiçoados? Se sim, quais?

Importa que a cooperação seja a nível de todos os países – a CPLP é uma Comunidade. Debruçando na área que melhor conheço, acredito que o projeto da criação de um Banco de Desenvolvimento, de e para a Comunidade, é um (senão, o) projeto que não pode ficar na gaveta. A CPLP é uma comunidade com aproximadamente 300 milhões de pessoas que falam a mesma língua e que têm laços históricos, culturais e de amizade entre si. Ao contrário de todos os outros, é o único bloco geopolítico sem um banco de desenvolvimento a financiar os Estados, as empresas e os bancos comerciais. Não há desenvolvimento sem financiamento das economias e uma instituição como um Banco de Desenvolvimento potenciaria financiamentos justos, não especulativos e com fortes convicções sociais. Este banco reforçará, por certo, o principal objetivo desta união: promover e dinamizar as relações entre as instituições suas associadas. A presente presidência da Comunidade por parte de Cabo Verde pode constituir uma excelente oportunidade. Cabo Verde é uma democracia com uma economia estável, uma taxa de literacia entre a população jovem de 95%, uma moeda estável, que tem paridade fixa com o euro, e uma governação que favorece a estabilidade política.

O ano de 2019 é marcado com a distinção de “Best Investment Bank Cape Verde 2019”, pela Global Banking & Finance Awards. Qual a importância deste reconhecimento para o BFI?

É uma força e um ânimo sobre a estratégia definida para a instituição. É o reconhecimento de que algo de bom está a ser feito. Um reconhecimento à gestão, aos colaboradores e aos serviços que prestamos. Um alento que nos traz confiança e um impulso para que continuemos com mais vontade. Um reconhecimento que importa renovar.

Para quem não conhece, escolher o BFI, é…?

Escolher o Parceiro Ideal.

“A PREOCUPAÇÃO É CRIAR NOVAS TECNOLOGIAS, QUE SIRVAM EFETIVAMENTE OS NOVOS E FUTUROS CONSUMIDORES”

João Paulo Ferreira, Country Manager da Haier Europe – Portugal

A Haier Europe é, cada vez mais, uma marca sobejamente reconhecida a nível mundial, sendo hoje um dos principais players neste domínio. Para conhecimento do nosso leitor, que análise é possível perpetuar da senda de crescimento que a marca tem vindo a delinear?

A Haier enquanto Marca, obteve nos últimos três anos, o crescimento mais rápido no mercado de “home appliances”. Contudo na Europa a história ainda é muito recente, mas tem um potêncial enorme para se afirmar também neste continente, nas várias áreas que opera, porque o produto é realmente de excelente qualidade e com caraterísticas muito inovadoras.

É o Country Manager da marca em território luso. Neste sentido, que avaliação é possível realizar da presença da marca em Portugal e que desafios estão previstos para o nosso país?

Em Portugal a marca Haier começa agora a dar os primeiros passos. As perspetivas são enormes, sendo que o desafio, é tornar a marca, cada vez mais “reconhecida” pela sua qualidade, criando boas experiências para os consumidores.

Muito recentemente, outubro de 2018, a Haier Europe anunciou a aquisição da Candy Hoover, facto que levou a que pelo terceiro ano consecutivo a marca tenha sido o grupo que mais rapidamente cresceu na Europa. Antes de tudo, porquê a aposta na aquisição da Candy Hoover?

A Haier almeja uma posição de liderança na Europa, ao nível do que se passa hoje no resto do mundo. Graças ao grupo Candy, a Haier consegue agora apontar à primeira posição na Europa, onde correntemente se situa na quinta posição.

Em termos de estratégia, o Grupo Candy sumariza todas as caraterísticas que a Haier estava à procura num parceiro para desenvolver a sua presença no mercado europeu e para perseguir os seus objetivos: uma longa história de sucesso, a consolidação da sua presença no mercado e uma forte atitude direcionada para a inovação através de aptidões distintas. Nós também consideramos as sinergias geradas pela integração entre famílias de produtos, o foco comum na estratégia IOT e também as afinidades culturais. A Haier e o grupo Candy partilham uma abordagem empresarial e de inovação semelhantes quanto ao mercado e os consumidores. Estas afinidades/relações, aliadas com o histórico de aquisições por parte da Haier, como o da Fisher & Paykel na Austrália e da GE Appliences nos EUA, contribuíram para facilitar a sua integração. Como resultado, uma forte sinergia é criada, permitindo ao grupo aliado expandir-se em todos os segmentos de mercado e geografias. A Haier respeita a história do grupo Candy e considera que a sua equipa de gestão e todos os seus restantes trabalhadores como um asset precioso nesta aquisição. O modelo de negócio da Haier depende do espírito empresarial, na agilidade e em dar a todos a possibilidade de contribuírem para o sucesso da companhia. Foi isto que a Haier, também, encontrou na Candy: uma companhia muito empreendedora, com uma gestão poderada e dinâmica que encaixou imediatamente com a nossa filosofia.

Uma das estratégias/filosofias que a marcam tem vindo a apostar passa por «ZERO DISTANCE». É legítimo afirmar que este lema vai continuar a acompanhar a marca na sua forma de abordar o mercado e no incremento da proximidade com os clientes/consumidores?

Será mais do que legítimo. Mas esse lema será também um pilar na estratégia das restantes marcas do grupo. Esta é uma filosofia de trabalho da qual não abdicamos. só conhecendo os consumidores e os seu desejos e ambições, podemos criar produtos para serem usados por estes.

Como referi, a inovação está hoje presente em quase todos os campos, sendo ainda uma vertente em constante mutação, o que leva e obriga a as marcas a estarem atentas quase diariamente. Como é que a Haier Europe tem vindo a perpetuar essa dinâmica inovadora e de busca por produtos de vanguarda e de ponta para satisfazer o mercado e assim estar à frente da concorrência? A área do IOT é hoje uma realidade em todos os setores. Nos grandes e pequenos eletrodomésticos, foi o nosso grupo a dar os primeiros passos, nesta área, nomeadamente a Candy. A junção dos dois grupos permitirá que aumente a velocidade de produção e expansão destas tecnologias neste tipo de produtos. A preocupação é criar novas tecnologias, que sirvam efetivamente os novos e futuros consumidores, tendo em conta as suas necessidades e estilos de vida.

A Haier detém seis marcas globais, designadamente Haier, GE Appliances, Fisher & Pakyel, AQUA, Casarte e Leader. Após a aquisição da Candy Hoover, passou a incluir também marcas como Candy, Hoover e Rosières. Existem perspetivas de futuro de apostar em mais marcas?

A política de aquisições do grupo visa sempre a entrada em mercados novos ou menos explorados, bem como marcas ou grupos que façam sentido, e se enquadrem com as nossas ambições e estratégias.

O que podemos continuar a esperar da Haier Europe de futuro? Por onde passam os desideratos da marca e que desafios é que a mesma pretende ultrapassar?

A estratégia passará sempre, por trabalhar para criar produtos e tecnologias que tornem a utilização mais fácil e prática, e que permitam boas experiências para os utilizadores. O grupo Haier quer afirmar-se nos vários segmentos de mercado que trabalha, e pretende alcançar a liderança na Europa, na senda do que já faz em outros continentes.

REIT’S EM PORTUGAL, PRONTOS PARA AVANÇAR?

Miguel Subtil, Managing Director na The K Advisors

Mas de que se trata afinal?

Os REIT (Real Estate Investment Trusts) foram criados nos Estados unidos no inicio da década de ’60, tendo por objetivo proporcionar, aos investidores, acesso a imóveis para rendimento, beneficiando de uma gestão profissional. Este instrumento tem vindo a ser adotado e adaptado com muito sucesso em cerca de quarenta países. Na Europa são inúmeros os exemplos –  França (2003), Alemanha (2007), reino Unido (2007), Itália (2007), Finlândia (2009), Espanha (2009), Irlanda (2013).

Estabelecidos no auge da crise financeira, muitos destes instrumentos não tiveram, de facto, um arranque pujante, dada a enorme pressão sofrida no mercado imobiliário. No entanto, nos últimos cinco anos registou-se um rápido crescimento, existindo em 2017 mais de 200 REITs em operação em 13 mercados europeus, com o valor de mercado de US$ 224 bi (EPRA, 2017).

Em Espanha as SOCIMI (Sociedades Anonimas Cotizadas de Inversión Inmobiliaria) têm registado um crescimento assinalável desde a sua criação em 2009. No entanto, o verdadeiro crescimento só se dá a partir de 2013 com a adaptação do regime de funcionamento, tornando-o mais semelhante ao dos restantes REIT europeus. Dados da EPRA (European Public Real Estate Association) de 2017, referem a existência de 47 SOCIMI ativas com uma capitalização de US$ 23 bi.

A justificação deste sucesso poderá estar nas vantagens, relativamente claras, para os interessados em investir no mercado imobiliário: i) Transparência, associada ao funcionamento de uma sociedade anónima com gestores profissionais e auditores independentes; ii) Diversificação, possibilitando o investimento num portfolio diversificado de imóveis; iii) Rendimento estável, associado a um instrumento com obrigatoriedade de distribuição de dividendos e com um rendimento médio atualmente próximo dos 4% e finalmente iv) Liquidez, associada à simplicidade de venda da participação (ações).

Em Portugal, o regime das SIGI (Decreto-Lei n.º 19/2019), lançado em janeiro deste ano foi agora alterado por apreciação parlamentar publicada este mês na Lei n.º 97/2019. Aqui é (re)definido o regime fiscal aplicável às SIGI, o objeto principal destas sociedades, as regras de composição do ativo e de dispersão do capital (“free float”).

Esta clarificação vem aproximar o regime português do existente noutros mercados, reforçando a sua competitividade e possibilidade de sucesso.

Assim, fica agora consagrado que o regime fiscal das SIGI é o regime fiscal aplicável aos Organismos de Investimento Coletivo, algo que não era referido no regime inicial das SIGI. Com a alteração agora aprovada na Assembleia, os rendimentos de capitais, os rendimentos prediais e as mais-valias auferidas pela SIGI passam a estar expressamente excluídos de tributação em IRC. No que respeita aos investidores (acionistas), os rendimentos distribuídos por uma SIGI a pessoas singulares residentes em território português estarão sujeitos a uma retenção na fonte de 28%, e 25% no caso de distribuição a pessoas coletivas residentes.

Outro aspeto relevante é o objeto da sociedade que é agora clarificado passando a assumir-se que que as SIGI têm por objeto principal “a aquisição de direitos sobre imóveis para arrendamento, abrangendo formas contratuais atípicas que incluam prestações de serviços necessárias à utilização do imóvel” e não “para outras formas de exploração económica” como referido na versão anterior. Nesta versão adota-se uma noção ampla de arrendamento, mais adequada à realidade nacional e às melhores práticas internacionais. Por outro lado, esta nova Lei vem ainda clarificar que estas entidades poderão dispor de subsidiárias que não sejam SIGI, quer em território nacional, quer noutros Estados membros da União Europeia.

Relativamente às regras de composição do ativo este deverá ser constituído de forma a que o valor dos direitos sobre os bens imóveis e participações represente pelo menos 80% do valor do ativo da SIGI e que o valor dos direitos sobre bens imóveis objeto de arrendamento, abrangendo formas contratuais atípicas que incluam prestações de serviços necessárias à utilização do imóvel represente pelo menos 75% do valor total do ativo da SIGI.

Finalmente refira-se que foram também flexibilizadas as regras de dispersão do capital (free-float) com um mínimo de 20% a partir do final do terceiro ano e 25% a partir do final do quinto ano de admissão das ações.

Acertadas as regras estão as SIGI mesmo prontas para avançar?

Sendo a The K Advisors uma empresa de referência na avaliação de ativos, detém um conhecimento profundo do mercado, das características dos investidores, dos ativos e do seu posicionamento. Neste contexto, poder-se-á afirmar que, com estas alterações e correções, este é um instrumento que terá tudo para ser um sucesso também em Portugal. Atualmente, com taxas de juro historicamente baixas, o retorno proporcionado pelo imobiliário é muito atrativo e este tipo de instrumentos com regras claras e transparentes terão, certamente, capacidade de atração de investimento.

As vantagens deste instrumento foram, de resto, publicamente salientadas pela CMVM em diversas ocasiões, considerando-o um mecanismo que “promove a estabilidade do setor imobiliário e, ao mesmo tempo, a renovação de muitos imóveis que precisam dessa intervenção”, e ainda “uma oportunidade de investimento para os investidores, não apenas institucionais, mas também para os individuais”. Ainda segundo Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisboa, “comprar uma ação de uma SIGI dá um leque muito mais alargado de possibilidades de angariação de investidores”, ideia com a qual naturalmente concordamos.

Tudo parece estar de facto pronto para avançar. E agora que o mercado português se deu finalmente a conhecer, deixemo-lo funcionar!

LEI DE BASES DA HABITAÇÃO E AGORA? O IMPERATIVO DA REGULAMENTAÇÃO

Luís Mendes, Membro da Direção da Associação de Inquilinos Lisbonenses

A habitação é um bem socialmente estratégico, que se tornou, nos últimos anos, num fator de lucro considerável, afastando-se rapidamente do seu objetivo principal, a satisfação de uma necessidade social constitucionalmente consagrada. No atual quadro, a produção e a venda deste bem, com os valores de transação e as mais-valias arrecadadas exponenciadas pela especulação, marginaliza todos aqueles que necessitam de habitação, mas tenham mais baixos rendimentos ou sejam carenciados e fragilizados.

A providência de habitação esteve, e está essencialmente entregue ao mercado e à banca, cujos interesses, no geral, não coincidem com os públicos e da população. Progressivamente, a habitação foi e está a ser esvaziada das suas funções social e económica, ao transformar-se num mero produto mercantil e num ativo financeiro e especulativo, muitas vezes sem qualquer uso.

Como resultado desta situação, o arrendamento em Portugal e a habitação pública apresentam taxas com muito baixa expressão em comparação com outros países da Comunidade Europeia. Cerca de 75% das famílias portuguesas têm habitação própria, a segunda maior taxa, com elevado endividamento. A habitação pública representa cerca de 2% do parque habitacional, sendo uma das taxas mais baixas da Europa e muitíssimo distante das necessidades da população. O arrendamento, que deveria ser uma solução, devido às sucessivas políticas de liberalização e desregulação, está descredibilizado e a necessitar de soluções urgentes que garantam estabilidade e continuidade à relação contratual.

Acresce ainda a atitude irresponsável e antissocial do Estado, de Institutos e outras entidades públicas e de Municípios ao alienarem habitação pública, seja em bairros ou seja dispersa, umas vezes ao desbarato e outras competindo e alimentando a especulação, contribuindo para a escassez da oferta e o aumento das rendas, ao invés de a alocarem a bolsas destinadas ao arrendamento a preços comportáveis, primordialmente destinados a famílias de rendimentos médios, a jovens, a estudantes.

Como repetidamente temos colocado, há que estancar a alienação de propriedade pública vocacionada para habitação e se recupere e aloque a existente a bolsas destinadas ao arrendamento, preferencialmente geridas a nível municipal ou intermunicipal, considerando o conhecimento local das necessidades, a dimensão patrimonial e a proximidade decisória.

Por outro lado, e com vista a suprir as insuficiências que comprovadamente já se verificam ou se venham a verificar, justifica-se planear e decidir novas fases de construção de habitação de propriedade pública ou assumir definitivamente o paradigma da reabilitação urbana como norma, e não como exceção.

Reconhecemos que o discurso plasmado na LBH, e sobre a qual versam os presentes comentários, procura responder às diversas questões e problemas da habitação acima referidos. Para tanto, para concretizar no terreno a LBH entretanto aprovada, precisamos de vontade política que mobilize um Orçamento do Estado que, anualmente, consigne as dotações necessárias e suficientes para assegurar o financiamento adequado de modo a acorrer à conservação à reabilitação da propriedade pública, bem como à construção nova que se justifique. Reafirmamos que tem de haver mais oferta pública de habitação para atender às famílias de rendimentos médios, aos jovens, a estudantes e aos grupos mais vulneráveis e em risco social, mas que também contribua para a dinamização do arrendamento, aumentando a oferta, melhore qualidade e pressione as rendas para valores comportáveis.

Em suma, no que respeita aos próximos passos da LBH, impõe-se como imperativo a sua regulamentação em diversos programas com financiamento público, prevendo-se a necessária reconstrução e recomposição do atual paradigma para que se cumpra o desiderato constitucional.

A LBH vem no sentido de colmatar o vazio legal e integrar as definições das várias temáticas, os agentes e promotores envolvidos, os apoios a conceder, a política pública, a intervenção pública ou público-privada, apresentando-se como um documento de fundamental importância e significado para este setor económico e social. Estamos convictos que esta LBH, ao ter eficácia, será um instrumento estruturante ao dispor dos Governos e dos agentes económicos e sociais para enquadrar a legislação complementar e implementar os programas necessários com vista à resolução progressiva e continuada dos problemas habitacionais, na senda do cumprimento de uma verdadeira Política Pública de Habitação.

“UMA FORMA DE CREDIBILIZAÇÃO É O PÚBLICO PERCEBER QUAL O PAPEL QUE UM PERITO AVALIADOR DESEMPENHA E A SUA IMPORTÂNCIA”

Paulo Barros Trindade, presidente da Associação Profissional das Sociedades de Avaliação (ASAVAL)

Fundada em 2010, a Associação Profissional das Sociedades de Avaliação (ASAVAL) representa fundamentalmente as sociedades de avaliação que operam em Portugal. De que forma é que a marca tem vindo a promover um setor mais profissionalizado e direcionado para a credibilidade do mesmo? 

Atualmente as sociedades que integram a ASAVAL representam mais de 70 % do mercado de avaliações realizadas para o setor financeiro. A nossa estratégia tem sido promover o investimento em formação nos quadros técnicos dos nossos associados e dos nossos clientes e acreditar os peritos avaliadores que trabalham com as sociedades ASAVAL com as acreditações internacionais do TEGoVA (Grupo Europeu de Associações de Avaliadores), associação a que pertence a ASAVAL, nomeadamente, REV – Recognised European Valuer e TRV – TEGoVA Residential Valuer. Estas acreditações são reconhecidas internacionalmente e em Portugal, vários clientes já diferenciam as sociedades de avaliação pela existência nos seus quadros de técnicos com estas acreditações. Julgamos que uma forma de credibilização do setor é o publico em geral perceber qual o papel que um perito avaliador desempenha e qual a sua importância. Por isso temos mantido uma presença forte nos media para tentar explicar essa importância. Formação continua especializada, partilha de conhecimento com outros colegas estrangeiros, nomeadamente através dos nossos congressos e seminários e acreditações internacionais, são alguns vectores que têm contribuído para profissionalizar e credibilizar a profissão e para fortalecer a marca ASAVAL.

Numa altura em que o setor imobiliário cresce de forma expressiva no país, qual a importância da Associação e dos seus peritos avaliadores de imóveis, neste panorama atual do setor imobiliário? Quais são os maiores desafios desta atividade?

Os peritos avaliadores têm um papel fundamental na interpretação do mercado e na atribuição dos valores de mercado dos imoveis, quer estejamos numa fase de valorização do ciclo imobiliário, ou não. Atualmente os maiores desafios que a atividade atravessa centram-se na questão dos honorários praticados no setor, que são demasiado baixos e desenquadrados do nível de responsabilidade que os peritos avaliadores têm e das necessidades de investimento em formação e acreditações que são requeridas pelo setor. É incompreensível que na fileira do mercado imobiliário, por exemplo para o caso de um apartamento, uma sociedade de avaliação receba 70 ou 80 euros por uma avaliação, que implica perícia técnica e responsabilidade assumida perante o cliente e o regulador e o mediador que o comercializa, por exemplo, receba 10.000 ou 15.000 euros. Não discuto se os honorários referentes à comercialização são altos ou baixos – serão os que o mercado entende adequados – mas claramente os honorários referentes à avaliação estão completamente desenquadrados, o que tem inclusive afastado da profissão excelentes profissionais. Obviamente que as sociedades de avaliação e os peritos avaliadores enfrentam outros desafios, como a necessidade de normalização da atividade, com adopção de normas internacionais de avaliação, como as EVS (European Valuation Standards); a melhoria e clarificação da lei que regula a atividade de avaliação para o setor financeiro; colmatar a falta de informação publica sistematizada sobre transações de imoveis; a credibilização da profissão, entre outros.

Representam peritos avaliadores de imóveis, que fazem as avaliações na sua maioria para o setor financeiro, que segundo a ASAVAL é o principal cliente. De que forma garantem a total independência dessa avaliação?

As sociedades de avaliação associadas e os seus peritos avaliadores estão sujeitos ao Regulamento de Conduta e Deontologia da ASAVAL, onde os aspectos relacionados com a independência são muito relevados. A própria Lei que regula a atividade é clara quanto aos requisitos de independência dos peritos avaliadores. Julgamos que para assegurar com maior rigor essa independência, será importante clarificar uma fronteira clara entre a atividade de mediação imobiliária e a de avaliação o que, na nossa opinião, a legislação em vigor ainda não faz.

O mercado encontra-se numa perspetiva de evolução positiva de valores. Como e de que forma é que um perito avaliador consegue acompanhar essa evolução, para posteriormente poder atribuir o valor correto ao imóvel?

Um perito avaliador tem de se manter atualizado face às tendências de mercado. Em cada avaliação, uma das componentes do relatório é o estudo de mercado, que o perito avaliador realiza, analisando não só os asking price que estão a ser publicitados, como também desejavelmente as transações realizadas na mesma zona e para o mesmo tipo de imóvel e a tendência que o mercado terá no curto/médio prazo e no longo prazo para aquele tipo de imóvel, por forma a que o Valor de Mercado atribuído traduza não só a realidade do mercado local, à data da avaliação, mas também a sua sustentabilidade no tempo.

A atividade de perito avaliador imobiliário tem vindo a evoluir com as exigências do mercado e das normas europeias. Contudo, Se por um lado todos estão devidamente autorizados a exercer a profissão pela CMVM – Comissão do Mercado de Valores Imobiliários, bastando consultar o site da entidade reguladora, por outro lado não existe qualquer tipo de obrigação para que se faça a aplicação das melhores práticas de avaliação em cumprimento das Normas Europeias de Avaliação. Esta realidade promove, de alguma forma, um sentido de injustiça ou de concorrência desleal?

Aquilo que temos reforçado junto dos nossos clientes, é que os peritos avaliadores não são todos iguais. Não basta estar inscrito na CMVM para assegurar que um perito avaliador tem capacidade para avaliar todo o tipo de imoveis. É aqui que as acreditações internacionais como as REV/TRV poderão ter um papel importante na diferenciação das competências dos peritos avaliadores, sendo que obviamente cada perito deve ter consciência das suas limitações técnicas, se existirem. Também aqui existe uma vantagem na contratação de sociedades de avaliação, pois estas escolhem o perito mais qualificado para realizar a avaliação solicitada. Não obstante na lista da CMVM não existirem diferenciações em relação às capacidades técnicas dos peritos, a realidade é que a maioria dos clientes faz essa diferenciação e muitos fazem-no com base na existência ou não de acreditações internacionais.

Como é que a ASAVAL tem vindo a alterar este panorama?

É um tema que tem de ser mais aprofundado no mercado, tendo a ASAVAL um forte investimento no sentido de explicar aos clientes a importância das acreditações e a diferenciação que permitem fazer. Associado a este aspecto há igualmente a necessidade de reforçar a obrigação de cumprimento de normas internacionais. Até agora a legislação nacional apenas recomenda a adopção das normas internacionais do TEGoVA (EVS) ou do RICS (IVS). Esta legislação deveria evoluir no sentido de tornar a recomendação uma obrigação – é necessário normalizar a atividade. Na ASAVAL, as sociedades de avaliação adoptaram e divulgam o referencial dos EVS, extensível a todos os peritos avaliadores que com estas colaboram.

Encontramo-nos numa fase em que estamos a recuperar em termos económicos (os preços das casas estão a subir), considera que os avaliadores obtêm uma retoma salarial que acompanhe a responsabilidade da sua profissão?

A ASAVAL desde o período de retoma da economia que tem insistido com os clientes dos seus associados no sentido de recuperar os níveis de honorários praticados nas avaliações que existiam antes da crise financeira, sendo que nos últimos 2 anos alguns bancos atualizaram os seus honorários. No entanto e em especial no caso de avaliações com maior complexidade, o nível de honorários praticados chega atualmente a ser menos de 1/3 do que era praticado antes da crise. A atividade de avaliação foi, entretanto, regulada, com a necessidade de os peritos avaliadores internalizarem os custos de regulação, a responsabilidade é maior, pelo que é incompreensível que os honorários estejam ao nível atual. No início da crise todas as sociedades de avaliação contribuíram para a manutenção do setor financeiro, aceitando baixar os seus honorários para fazerem parte da solução, mas na expectativa criada de que os mesmos seriam retomados após a crise, o que tem acontecido de forma muito tímida.

Há 10 anos existiam mais peritos, pois esta era considerada uma atividade complementar. Hoje em dia, os peritos avaliadores dedicam-se exclusivamente a esta profissão. Quantos peritos avaliadores de imóveis acreditados existem atualmente?

A CMVM tem uma listagem de pouco mais de 1.500 peritos avaliadores para o setor financeiro, sendo que se retirarmos as duplicações, ou seja, sociedades de avaliação e peritos avaliadores accionistas dessas sociedades, é provável que o número se aproxime mais dos 1.000 peritos, sendo que estimamos que aqueles que realmente desenvolvem atividade a tempo inteiro e que estão profissionalizados, não serão mais de 500 a 600 peritos avaliadores. Em Portugal se cruzarmos as listas de acreditação de peritos avaliadores da CMVM, Autoridade Tributária e Ministério da Justiça, julgamos que não teremos mais de 2.000 peritos avaliadores, com apenas cerca de um quarto a exercer a tempo inteiro.

Considera que os portugueses sabem avaliar o seu património da melhor forma?

Um perito avaliador atualmente, para além de licenciatura adequada, tem de ter pós-graduação em curso específico de avaliação. Os peritos avaliadores com acreditações internacionais têm obrigatoriamente de realizar 20 horas de formação técnica anualmente, pelo que todo este investimento, bem como a oferta de formação técnica especializada que existe hoje em dia, permite afirmar que os peritos avaliadores portugueses são competentes e sabem da sua profissão. Claro que é fundamental o trabalho continuo de melhoria, através da formação continua.

Para terminar, considera que os valores da avaliação de imóveis vão continuar a subir, ou devem, entretanto, começar a estabilizar ou possivelmente descer?

Na maior parte do Pais verifica-se que os valores estabilizaram, existindo, no entanto, algumas zonas dos grandes centros onde ainda há valorização. Julgo que não obstante as ligeiras valorizações que ainda se verificam nos índices do INE, já estaremos a atingir a fase de estabilização do ciclo imobiliário. Aproveito ainda para referir que o Congresso 2019 da ASAVAL irá realizar-se no dia 8 de Novembro, no Centro de Congressos de Lisboa e que o tema será “O Valor de Mercado como Base de Avaliação” e contará com a intervenção, de entre outras individualidades, do Presidente do TEGoVA – The European Group of Valuers Associations, entidade que a ASAVAL integra.

“CAMINHAR JUNTOS IMPLICA PROSSEGUIR UM FIM – A QUALIDADE DA AUDITORIA AO SERVIÇO DA SOCIEDADE”

CRUZ, AMARAL & ASSOCIADOS, SROC, LDA

Edificada em finais de 2013, a CRUZ, AMARAL & ASSOCIADOS, SROC, LDA tem vindo a perpetuar um legado importante no meio, sendo hoje um player sobejamente conhecido e reconhecido. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, como carateriza o percurso da sociedade ao longo destes seis anos?

A sociedade resultou da cisão de uma outra SROC e da “fusão” de vontade de crescer na auditoria. Fruto da qualidade do serviço prestado, temos conseguido um contínuo crescimento neste mercado, o que tem vindo a possibilitar o alargamento da nossa equipa, tornando-a multi-disciplinar e flexível, e o abraçar de novos projetos e desafios, mantendo como core business a auditoria financeira, mas atuando também nos mercados de consultoria financeira e fiscal.

O Fórum Lisboa, foi palco, do XIII Congresso dos Revisores Oficiais de Contas. Com a temática “Auditoria – Novos Caminhos”, o Congresso, englobará assuntos relacionados com o desenvolvimento das Novas Tecnologias, cibersegurança e globalização. De que forma é que estas questões são importantes para o setor?

Na era em que estamos, o interesse destas matérias é transversal a qualquer setor. Veja-se a recente regulação da proteção de dados. No caso concreto da auditoria, é um desafio que se coloca à auditoria tradicional, onde o uso das novas tecnologias subjacentes aos sistemas de informação e a desmaterialização dos documentos tem vindo a aumentar, a proteção e segurança de dados e comunicações torna-se primordial, de forma a assegurar a disponibilidade, a integridade e confidencialidade da informação.

De que forma é que a OROC trabalha para que a Auditoria esteja na frente dos percursos apresentando soluções e respostas para problemas em constante evolução e mudança?

A OROC é o organismo profissional de todos os auditores, com poderes de regulação e atribuições de interesse público, responsável pelo controlo de qualidade de parte dos mesmos (para outros o controlo é feito pela CMVM). Nestes termos, ela tem um papel decisivo na formação direcionada aos ROC e seus colaboradores, de modo a que sejam absorvidas as dimensões normativas, técnicas e deontológicas da atividade e incorporada a acelerada evolução tecnológica.

Considerando que estamos em tempos de volatilidade e mudanças constantes na realidade económico-financeira global, é papel da auditoria fortalecer as organizações e ajudar a desenvolver as economias?

Sim, o principal desígnio que se coloca aos auditores é o de contribuir ainda mais para a confiança nas organizações e consequentemente nos mercados, criando assim circunstâncias de negócios mais favoráveis e transparentes que permitam às economias desenvolverem-se com maior solidez.

De que forma é que a Auditoria investe em práticas que possam diminuir riscos atuais e futuros de empresas privadas ou de entidades públicas?

A auditoria constitui um pilar de confiança para os agentes económicos. Dispor de contas auditadas é um desiderato elementar para uma legal e saudável prestação de contas dos gestores juntos dos seus stakeholders e do mercado em geral. Exemplo disto, e recorrendo da história, alguns escândalos financeiros abalaram a confiança dos mercados, questionando o papel dos auditores no exercício das suas funções. Os procedimentos de auditoria não garantem em absoluto (mas sim a um nível aceitável) que as demonstrações financeiras possam estar isentas de distorções materiais (lembre-se que são usadas técnicas de amostragem). Assim, para reforçar a confiança nos mercados, diminuindo os riscos das empresas privadas ou de entidades públicas, a Auditoria tem investido em regulamentos e normativos para o exercício da sua profissão bem como da sua supervisão, com o objetivo de minimizar o risco de auditoria, evitando situações comprometedoras do futuro das entidades auditadas.

Aos ROC é exigido mais proatividade e prospetividade por parte das entidades auditadas? É expectável que o auditor vá além da emissão da Certificação Legal das Contas a que estão obrigados pela via regulamentar?

Sim, o velho tema do “expectation gap” dos utilizadores da informação auditada (stakeholders).  Atualmente, a expectativa passa por auditores que incorporem inteligência de negócios e tecnologias às suas obrigações, cada vez mais regulamentadas, indo muito além das análises retroativas às demonstrações financeiras. Veja-se, a título exemplificativo, a adoção de modelos distintos de relatórios de auditoria (consoantes as situações a auditar e os normativos contabilísticos aplicados), a classificação em Entidades de Interesse Público e Entidades de Não Interesse Público e consequentes procedimentos de supervisão, são uma consequência das exigências dos stakeholdes.

“Caminhar Juntos” é um lema. Assumem este lema como uma estratégia? Que desafios é que os ROC se comprometem a assumir no futuro?

Sim, sem dúvida, ainda mais num cenário de globalização. Caminhar juntos com todos os agentes com responsabilidades na qualidade de informação, tal como referiu o bastonário da OROC. Caminhar juntos implica prosseguir um fim – a qualidade da auditoria ao serviço da sociedade. Quanto aos desafios para o futuro, eles passam essencialmente pelo alargamento de competências, dadas as novas abordagens do trabalho suportadas por tecnologia e a crescente exigência regulatória da profissão.

“ESTAMOS A CONSTRUIR E A DESCOBRIR CAMINHOS PARA MELHOR SERVIR O INTERESSE PÚBLICO”

José Rodrigues de Jesus, Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas

No passado dia 12 de setembro, a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC) organizou, no Fórum Lisboa, em Lisboa, o XIII Congresso dos ROC. Como analisa o evento e de que forma é que o mesmo foi uma “montra” da realidade da profissão e da classe?

Como referi no discurso de encerramento, este Congresso trouxe-nos muito trabalho para fazer. Julgo que isso é um balanço muito positivo. Demonstra o interesse de todas as intervenções, a sua pertinência para a nossa profissão. As matérias são transversais, a nossa profissão é transversal, analisamos o relato financeiro das mais diversas empresas ou outras entidades, temos de conhecer as matérias que afetam as empresas – novas tecnologias, desenvolvimento económico, nas relações com a China, no Mundo global, a sustentabilidade, os pontos críticos, as fragilidades, tudo o que foi referido no Congresso merece muita reflexão e muito trabalho de nossa parte.

Saliento o setor público. Foi notória a necessidade de grande atenção à evolução da contabilidade e da transparência na prestação de contas neste setor. Julgo que foi reconhecido o papel importante que nós, Ordem, e os nossos membros podemos ter no apoio a esse desenvolvimento. O que mostrámos sobre nós foi precisamente a nossa consciência do quanto temos de ouvir (somos auditores, o nosso trabalho passa por saber ouvir, bem entendido). Mostrámos a atenção que damos a todos os assuntos. Foi notável a participação dos congressistas, a permanência durante todas as intervenções. Mostrámos ainda o quanto somos acompanhados por entidades exteriores a nós que não são, afinal, exteriores.

O evento teve como tema “Auditoria – Novos Caminhos” e o desenvolvimento e novas tecnologias, a cibersegurança e a globalização. Porquê a escolha deste tema e de que forma é que estas temáticas estão diretamente relacionadas com o quotidiano e a profissão dos Revisores Oficiais de Contas?

A mudança em curso em todas as áreas, afetando a atividade económica, exige de nós capacidade para acompanhar, digo mesmo, na dianteira. Estamos a construir e a descobrir caminhos para melhor servir o interesse público.

Qual tem sido o papel da OROC para que a auditoria esteja preparada para enfrentar os desafios, por exemplo, da inovação e seja capaz de apresentar e fornecer soluções e respostas para os problemas e questões em constante evolução e mudança?

Organizou este Congresso, por exemplo. Permanentemente, temos tido uma oferta formativa muito variada e de elevadíssima qualidade, temos melhorado os nossos processos de acompanhamento dos nossos membros, reforçado a assessoria jurídica e técnica, aperfeiçoado os processos de controlo de qualidade, entre outros. A Ordem acompanha a nível internacional a evolução nas diversas matérias e faz internamente reflexões profundas sobre a profissão, acompanhando a nível nacional as evoluções que se verificam em diversas áreas. Como resultado, procuramos melhorar o apoio aos nossos membros com a emissão de guias técnicos, com a oferta formativa, a assessoria que prestamos. Procuramos também agendar os passos seguintes mais pertinentes para a melhoria contínua deste desenvolvimento que temos sempre em curso.

Qual é o papel que a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas tem na garantia da qualidade da atividade da auditoria? Como é que a OROC tem vindo a aperfeiçoar as competências técnicas e deontológicas dos Revisores Oficiais de Contas?

A qualidade resulta de um conjunto vasto de aspetos. Distribuímos no Congresso um suplemento ao manual das normas de auditoria que, precisamente reflete sobre isso. Não repetindo o que aí consta – até pela extensão, sempre refiro a necessidade de recolher influência positiva de parte de todos os que afetam esta qualidade, incluindo entidades exteriores à profissão. Aliás, no meu discurso de abertura, citei o parágrafo 80 do Anexo 2 desse suplemento: “em ambientes em que a profissão de auditoria não é bem respeitada nem lhe é dada autoridade apropriada, os auditores estarão numa posição mais fraca relativamente aos órgãos de gestão; em ambientes onde a profissão é muito respeitada ou em que lhe é conferida autoridade apropriada através dos mecanismos relevantes, será mais fácil aos auditores demonstrarem ceticismo profissional e fazerem auditorias robustas.”

No plano interno são muitos os trabalhos que desenvolvemos para a garantia da qualidade. Sumariamente: o processo de inscrição de um auditor, designado Revisor Oficial de Contas (ROC), que implica demonstração de conhecimentos técnicos em diversas áreas (auditoria, contabilidade, direito, economia, estatística, ética, por exemplo), realização de prática profissional exigente com o acompanhamento de um patrono (durante três anos), demonstração de idoneidade, de posse de condições para o exercício da profissão com qualidade; a exigência de formação profissional contínua adequada, o apoio técnico, jurídico, ético, etc., prestado pela Ordem, o exercício do controlo de qualidade pela Ordem, o sistema disciplinar, os encontros (os chamados Encontros na Ordem) que mantemos com frequência. Todo este trabalho visa a garantir qualidade na atividade e o aperfeiçoamento necessário que refere.

Permito-me neste ponto esclarecer que, quanto ao aspeto específico do exercício do controlo de qualidade, a Ordem tem neste momento a incumbência de o fazer relativamente a auditores ou outras firmas de auditoria, Sociedades de Revisores Oficiais de Contas (SROC) que não tenham como clientes Entidades de Interesse Público (EIP). O controlo de qualidade a exercer sobre as firmas de auditoria que têm EIP compete à CMVM.

Sente que estes profissionais ainda não aportam o devido e justo reconhecimento? O que é necessário continuar a promover para que isso seja uma realidade imediata?

Não penso isso. Julgo que são reconhecidos nos meios onde atuam. Temos tido provas disso. Por serem chamados, por a própria Ordem ser reconhecida e receber também “feedback” direto desse reconhecimento dos seus membros.  Não se percebe bem isso no que passa para a opinião pública. Não tem sido a nossa postura lutar com o exclusivo objetivo de melhorar a opinião pública. Aliás, concluímos que isso pouco depende de nós. O nosso objetivo tem sido manter a qualidade do trabalho, evoluir onde necessário. A opinião pública deve mudar, para bem de todos nós, para restabelecimento de mais confiança nos mercados. Isso tem de ser feito em resultado de uma atuação conjunta de muitos atores e tem de ser feito a par do fomento sério de maior literacia financeira.

A aposta na qualidade da auditoria depende do nível de competências de cada Revisor Oficial de Contas. Que análise perpetua da formação e conhecimentos nos dias de hoje destes profissionais? Sente que neste capítulo é hoje uma profissão forte e credibilizada?

A auditoria é qualidade. O acesso à profissão, a formação contínua, a aplicação das normas, o controlo por outras pessoas são os esteios da qualidade. A auditoria é uma profissão credibilizada e tudo o que contribua para o seu enfraquecimento é mau para a sociedade, de que os auditores são uma parcela.

Ao nível da formação, que lacunas ainda identifica e como é que a OROC tem vindo a colmatar as mesmas?

O auditor deve obedecer às normas internacionais de auditoria. Uma das exigências dessas normas é a avaliação própria da competência para a realização de um determinado trabalho. Quer isto dizer: o auditor antes de aceitar um trabalho tem o dever de avaliar se tem competência para tal. Isto significa muita coisa, como, por exemplo, a medida de recursos disponíveis, mas inclui saber se tem o conhecimento especificamente necessário para aquele trabalho em concreto. Por exemplo, se o cliente tem uma atividade de comércio muito significativa com a China, poderá importar deter alguma cultura adicional nessa matéria.

Assim, não diria que identificamos lacunas na formação. Cada auditor dedica-se aos trabalhos a que pode abraçar. O que identificamos é muita necessidade de formação para nos prepararmos, para cada um se preparar para novos trabalhos, nomeadamente os trabalhos que nos serão pedidos no futuro ou já presente, resultado do desenvolvimento, globalização, etc. das nossas empresas ou outras entidades. Sobre isso recolhemos uma ajuda inegável neste Congresso e vamos desenvolver muitas iniciativas a partir daí.

De que forma é que a auditoria é hoje um elemento importante da governação e os mais importantes guardiões de um funcionamento adequado dos mercados?

Agradeço a questão. É um assunto sobre o qual importa falar. A governação das empresas merece muita atenção, é muito importante. O auditor é parte dessa governação, entendo que é. Compete ao auditor, também, saber perguntar, saber desafiar (é o termo que se usa, está correto, tem de ser bem interpretado) os membros do órgão de gestão, nos seus pressupostos, p.e., devemos até saber desafiar qual o relato financeiro que mais serve a decisão. Não está em causa qualquer oposição. Trata-se de uma forma de participação na governação. É para isso que serve o relato, para a decisão e o nosso papel é antes de mais aumentar a credibilidade do relato, por isso temos de desafiar os pressupostos, a forma, o conteúdo, a relevância da informação relatada ou a relatar. A governação não pode ser feita de modo devido sem bons relatos e transparência para os seus stakeholders. Há muito mais a dizer nesta matéria, mas julgo essencial deixar salientados estes aspetos. Proceder deste modo corresponde a auxiliar a própria gestão e fiscalização das entidades, públicas e privadas.

Que mensagem gostaria de deixar sobre o XIII Congresso dos ROC e a toda comunidade dos ROC?

Congratulo-me com a excelência das intervenções que nos foram oferecidas pelos digníssimos oradores. Congratulo-me com a casa cheia, todo o dia, com o interesse demonstrado pelas matérias abordadas. Congratulo-me com o acompanhamento que tivemos de parte de tantas entidades, civis, militares, públicas, privadas, da academia, do mundo empresarial.

Todos ficámos conscientes do quanto temos para caminhar. Tomámos as notas devidas. O que temos a seguir é muito trabalho. O que queremos é contribuir para a maior credibilidade da informação, para a maior confiança dos stakeholders, para a sua participação mais ativa, para a defesa do interesse público.

“NOVOS CAMINHOS” para os ROC

XIII Congresso dos ROC "Auditoria - Novos Caminhos"

O Ministro das Finanças, Mário Centeno, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça, a Presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Gabriela Figueiredo Dias e o Ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, marcaram presença enquanto intervenientes, no Congresso que se realizou no dia 12 de setembro em Lisboa.

Em cima da mesa, foram debatidos assuntos relacionados com a nova realidade da auditoria, que mexem com os instrumentos, modelos e as condições em geral do papel dos Revisores Oficiais de Contas.

“É decisivo estar abertos à pluralidade das ferramentas”

A abertura coube a José Rodrigues de Jesus, Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, que afirmou que este é um Congresso com uma caraterística de pós-modernidade. “É isso que queremos. É decisivo estarmos abertos à pluralidade das ferramentas e dos conceitos sofisticados e do modo como a economia e a sociedade estão a evoluir de modo exponencial”. Brilhar positivamente à frente de um quadro de governação de entidades públicas e privadas é um desejo traçado pelos ROC.

“A auditoria, com a autonomia e a independência a que tem de legitimamente arrogar-se, há de ser um elemento importante da governação e, o que é fundamental, de ser vista como tal”, quem o assume é José Rodrigues de Jesus.

Prevê-se que o futuro da economia e das finanças passe por caminhos que serão determinados pela evolução social mas também tecnológica e torna-se primordial para a OROC, estar na frente destes novos caminhos que se avizinham, como forma de obter soluções e respostas para futuros problemas e questões relacionadas com a constante evolução e mudança.

Quem o assume é Óscar Figueiredo, Presidente da Comissão Organizadora do XIII Congresso dos OROC, “em tempos de volatilidade e mudanças constantes na realidade económico-financeira global, é papel da auditoria fortalecer as organizações e ajudar a desenvolver as economias”, disse, referindo que este XIII Congresso“ é o palco privilegiado para a partilha de experiências e conhecimentos com impacto na abordagem dos riscos atuais e futuros da auditoria, seja de empresas privadas ou de entidades públicas”.

O papel insubstituível da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas

O papel importante da auditoria e os principais desafios que se apresentam hoje, à Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, foi o central na mensagem que António Mendonça Mendes, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, sublinhou na abertura do Congresso, “o papel insubstituível que a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas tem na garantia da qualidade da atividade da auditoria. A aposta na qualidade da auditoria depende do nível de competências de cada revisor oficial de contas. Mas também depende do seu grau de independência e da sua adesão a critérios de exigência deontológica. Precisamos e temos profissionais rigorosos, credíveis e idóneos que, pelo seu profissionalismo, criam valor para as empresas e para a sociedade.”

Estas novas exigências apresentam-se atualmente aos auditores, exigindo o reconhecimento de valor por stakeholders e o necessário apoio de gestores e responsáveis de governação, supervisão e fiscalização. Tal como apontou Óscar Figueiredo no encerramento deste XIII Congresso dos Revisores Oficias de Contas, “alguns dos novos caminhos da auditoria passam pela utilização de mais e melhor tecnologia nos nossos processos de trabalho em resposta à constante evolução tecnológica presente nos negócios desenvolvidos pelos nossos clientes, pela aplicação apropriada das normas de auditoria relevantes em cada caso, pelo exercício mais exigente de ceticismo profissional e de julgamento profissional fundamentado e por equipas com capacidades e competências multidisciplinares adquiridas através da educação e da formação contínua. Tudo isto é exigido pelos stakeholders”.

Ao longo do dia, foram vários os painéis com testemunhos de personalidades como o Vice-Presidente do Tribunal de Contas, Ernesto Cunha, o Diretor Geral do Gabinete Nacional de Segurança, António Gameiro Marques e o Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Francisco Miranda Rodrigues que debateram os novos caminhos da economia e dos negócios, da inteligência artificial impregnada nos novos processos, da digitalização e virtualização das transações, formas de armazenar, comunicar e relatar informação e de a propagar à escala global e de manter essa informação protegida. Desafios para aquela que será uma evolução a esperar no futuro.

“A ALTITUDE TEM A SOLUÇÃO ADEQUADA PARA GARANTIR O MELHOR CUSTOMER EXPERIENCE”

Miguel Noronha, Vice-Presidente Executivo da Altitude Software Portugal

Miguel Noronha foi nomeado vice-presidente executivo da Altitude Software para os mercados de Portugal e PALOP. Que objetivos estão agora definidos, a curto prazo, para cada um destes mercados mas sobretudo para Portugal?

A Altitude é uma empresa multinacional de origem portuguesa. Neste momento estamos a reposicionar a Altitude como líder de mercado em Portugal e PALOPs na oferta de soluções de Contact Center.

Após ter vivido oito anos na América do Norte, dedicado exclusivamente ao mercado Americano e Inglês, regressei a Portugal. Agora tenho o prazer de poder trabalhar com decisores e profissionais do nosso mercado. Pretendemos ajudar os nossos clientes, parceiros e potenciais clientes a construir uma estratégia diferenciadora e vencedora para o Customer Journey.

Como caraterizaria o mercado português? A que principais desafios têm de responder atualmente?

O mercado português é muito recetivo ao uso das mais recentes tecnologias para suportar operações. É, inclusive, frequente e muito gratificante verificar que clientes Altitude recebem, amiúde, prémios internacionais pelas operações de serviço ao cliente. É verdade que o mercado português, pela sua dimensão limitada, tem que pesar bem os investimentos que efetua em tecnologia para assegurar o ROI. Existem atualmente dois desafios que receberão seguramente o foco da atenção do mercado: Bots + Inteligência Artificial e a passagem para a Cloud.

Em ambos os casos, a Altitude tem soluções de última geração tecnológica, fruto de uma parceria conjunta entre o nosso R&D e a Microsoft, que dispõem de um aumento de produtividade muito agressiva refletindo-se de forma imediata na qualidade e redução de custo das operações.

Conta já com um percurso de mais de 20 anos na Altitude. Que principais etapas ou marcos da Altitude destacaria aqui?

Iniciei o meu percurso na Altitude na área de serviços, numa altura em que se davam os primeiros passos mundiais na área dos Contact Centers. Foi uma altura em que tive oportunidade de estar envolvido juntamente com profissionais brilhantes da Altitude e dos nossos clientes, no desenvolvimento de soluções muito inovadoras nos mercados da banca, telecomunicações e utilities. Mesmo quando se falava apenas de voz e sempre interligada com centrais telefónicas tradicionais.

Tenho a sorte de ter feito parte da equipa da Altitude em muitas etapas e marcos. A internacionalização que permitiu à Altitude ser um dos líderes mundiais até hoje, sendo escolhida desde cedo como solução de referência de grandes bancos como o ITAU, o Santander, o BBVA ou os maiores BPOs como a Teleperformance, a Transcom ou a Sitel. Tive oportunidade de acompanhar em diferentes posições e geografias (Portugal, Itália, Grécia, Estados Unidos e Canadá) os grandes marcos da Altitude na evolução da sua oferta sempre preconizando o passo seguinte do mercado. A passagem à voz IP que deixou de necessitar investimentos de centenas de milhares de euros com centrais telefónicas para passarem a soluções de voz sobre IP embebidas gratuitamente na Altitude vBox, o email, o web chat, mais tarde o suporte a social media, vídeo, canais de messaging como o Telegram ou FB Messenger, gravações de voz e ecrã, chat e voice bots com ou sem recurso a mecanismos de inteligência artificial para suportar as operações bem como a dos agentes, speech analytics, WhatsApp. A solução é totalmente omnicanal e oferecida quer on Premises quer full Cloud sendo a escolha sempre do nosso cliente. A trajetória da empresa começa com a fundação da SSF (Software para Sociedades Financeiras) em 1988, liderada por Carlos Quintas, engenheiro e empresário português. Nesta empresa, foi desenvolvida a solução Easyphone, um software radicalmente inovador de ligação entre computadores e centrais telefónicas, tendo como primeiro cliente o Banco Nacional no Brasil.

Os anos seguintes são de notável crescimento. Tanto na Europa, onde grandes empresas escolhem a Easyphone para os seus Contact Centers, como na América do Norte, onde a solução é adotada por sociedades financeiras como o Royal Bank of Canada e a John Harland Company (Estados Unidos). Em 1998, é conquistado o cliente 100 e a Easyphone conta com quatro dos dez maiores bancos do mundo entre os seus clientes. Em simultâneo, a empresa iniciou a sua expansão internacional: estabeleceu a sua sede em Silicon Valley e obteve financiamento de capital de risco europeu, com investimentos de dezenas de milhões de dólares. Em 1999 a Easyphone adquire a Intervento, que lhe permite desenvolver uma solução multimédia, adicionando novos canais de contato. Em 2000, a empresa muda a sua identidade corporativa e passa a ser Altitude Software. É lançada a uCI2000, a primeira suíte de software multimédia para CRM centrada na web. Em 2002, a Altitude Software organiza a primeira grande conferência mundial de utilizadores e parceiros dando um grande impulso a este posicionamento inovador. No mesmo período, a Altitude ganha novos investidores, liderados por Gastão Taveira, na época, Presidente da empresa, enquanto a solução Altitude uCI ganha novas funcionalidades e uma grande flexibilidade e capacidade de integração com soluções complementares. Desde 2005 que a Altitude Software tem integrado nas suas soluções inovações tecnológicas, aumentando as funcionalidades do Contact Center. Em 2016 foi anunciado o lançamento do Altitude Xperience, uma nova geração de soluções para Contact Centers, totalmente modular e escalável, que integra todas as interações e canais de contato.

Atualmente, a Altitude Software conta com 16 escritórios, 300.000 utilizadores, mais de 300 funcionários, 90 parceiros de alto nível e mais de 800 clientes, entre os quais empresas como PT/Altice, BBVA, Iberdrola, Mapfre, Santander, Banco Popular, IKEA Teleperfomance, Santander, Pluricall, Yourvoice, Whitestar, Mcall.

A quem se dirige os serviços da Altitude? Porque é que a Altitude se adapta a todas as empresas (pequenas ou de grande dimensão)?

A Altitude Software conta com mais de 26 anos de experiência no mercado de soluções de Contact Center (na cloud e on premise) nas seguintes áreas: Serviço ao Cliente, Telemarketing, Cobrança de Dívida, Help Desk, entre outras. Disponibiliza as melhores soluções na Experiência Cliente, através de tecnologias que interligam todas as interações com o cliente e os pontos de contacto. A tecnologia democratizou-se e a Altitude oferece soluções a preços extremamente competitivos, ROI muito agressivos, seja on premisses seja na cloud, sem qualquer necessidade de investimento Capex ou em equipas técnicas para manter e gerir a solução. Permitimos que empresas de todas as dimensões possam ter a sua solução de Contact Center, adequada à sua atividade e dimensão, podendo facilmente crescer a solução à medida das suas necessidades. Temos clientes com uma posição e outros com mais de 10.000.

Ao longo dos tempos o foco das empresas tem-se alterado e hoje, mais do que nunca, não podemos subestimar a importância de um bom serviço ao cliente. Portanto, que importância assumem hoje os Contact Centers? 

A mudança tecnológica em curso- transição para uma sociedade em que o digital está presente em todos os aspetos da vida quotidiana. Novas tecnologias, novos modelos de interação e crescentes expetativas por parte dos clientes colocam em causa processos estabelecidos e até aqui eficazes. Os tradicionais modelos de contact center não proporcionam níveis de sofisticação, personalização e flexibilidade para responder às necessidades das organizações. São necessárias soluções integradas que implementem modelos de relacionamento omnicanal, recorrendo a ferramentas como as redes sociais.

O foco tem de estar em criar experiências ricas e cada vez mais personalizadas para os clientes, o que implica que os agentes realizem atividades mais diferenciadas e com maior valor acrescentado. Os Contact Centers passarão a centros de gestão e de interação com os clientes. Para que isto seja possível, é essencial qualificar as equipas para estes novos desafios, capacitando-as com competências técnicas e soft skills que lhes permitam gerir mais eficazmente estes processos relacionais, bem como reforçar a automatização de processos, que tem como resultado a utilização de bots. É cada vez maior a utilização de processos automáticos nos contact centers, assumindo um importante volume de trabalho que antes era feito de forma manual. Um exemplo é a distribuição automática de chamadas através do IVR, bem como a introdução de apps, assistentes virtuais que complementam o trabalho diário dos agentes.

Já lá vão os tempos que um Contact Center era um centro de custo. Hoje todos eles, independentemente da sua função, são corretamente considerados um centro de proveito. Um Contact Center é hoje em dia o centro nevrálgico de qualquer empresa e a Altitude tem a solução adequada para garantir o melhor Customer Experience.

E o que dizer sobre a formação e certificação dos profissionais de Contact Center? É aqui se verifica a maior lacuna?

A formação e certificação dos profissionais de Contact Center é fundamental para dotar os profissionais de competências para proporcionar a melhor experiência ao cliente. A Altitude Software tem um programa de formação e certificação de acordo com o perfil dos profissionais de Contact Center.

Como vão ser ou vão ter de ser os Contact Centers do futuro?

Acreditamos que os bots e a inteligência artificial estão para ficar e muito se irá evoluir nessa área e fazemos uma forte aposta no seu desenvolvimento. Os bots de voz e chat ligados a sistemas de inteligência artificial poderão dar apoio não apenas ao cliente final, mas ainda suportar os agentes humanos nas suas operações. Os agentes humanos desempenharão funções chave e de maior valor acrescentado.

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