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MDS colabora no desenvolvimento do setor dos seguros em África

A indústria seguradora em África tem crescido nos últimos anos, tirando partido da baixa penetração dos produtos de seguro, tanto no ramo vida como não-vida, de uma população em rápido crescimento e de um crescimento económico sustentado. As inovações digitais, nomeadamente os pagamentos móveis e sem recurso a numerário, estão a revolucionar a distribuição de seguros e a criar oportunidades em várias áreas de produto como a agricultura, a vida ou a saúde. Para além disso, afiguram-se mudanças sociais, tecnológicas, económicas, ambientais, políticas e regulamentares que virão abalar e dar nova forma ao ambiente concorrencial de seguradores e corretores a operar em África, pelo que as empresas que pretendem desenvolver-se não têm outra alternativa que não seja a adaptação à constante mudança.

Neste ambiente, os corretores têm um papel de crescente importância. Com os produtos de seguros a exigir maior literacia da parte dos consumidores, o corretor é fundamental para construir relações de confiança entre as partes interessadas.

Importância da presença local 

As regiões africanas apresentam uma enorme diversidade. Cada país tem a sua cultura, legislação, regulamentos e ambiente de risco únicos.  Por isso, acreditamos que as soluções locais são a melhor forma de compreender verdadeiramente a complexidade de cada país e subscrever negócios de forma precisa e eficaz. A MDS tem atualmente escritórios locais em Angola e Moçambique e, através dos seus parceiros da Brokerslink está representada em 18 países no continente africano. Cada um destes corretores locais da Brokerslink é responsável pela colocação de riscos de seguro e gestão de sinistros segundo os padrões locais, usando o seu conhecimento local e expertise para oferecer o melhor serviço aos nossos clientes.

No quadro do crescimento contínuo da indústria seguradora, estamos determinados a consolidar e expandir a nossa presença nestes mercados africanos ao longo de 2019. Contudo, existem alguns desafios a considerar…

O aumento de regulamentação nos países africanos pode ser visto como um fator positivo. Uma regulamentação mais exigente e padrões financeiros melhorados, com vários países a envidar esforços no sentido de chegar a modelos semelhantes de governação e regulamentação da gestão de risco, trazem clareza, consistência e segurança à indústria seguradora, o que, por seu turno, aumenta a proteção dada aos consumidores. Em última análise, isto facilitará a operação das empresas regionais e multinacionais, assim como dos corretores.

Contudo, a regulamentação excessiva pode apresentar sérios obstáculos à competitividade. Alguns países procuram estabelecer protecionismo de mercado a diferentes níveis, nomeadamente não permitindo a entrada de seguradoras e resseguradores internacionais, ou exigindo que as seguradoras, antes de mais, cedam o risco a resseguradores locais, dando-lhes prioridade sobre o mercado internacional, o que coloca os intervenientes internacionais em desvantagem.

O cumprimento da regulamentação também representa um grande desafio, sendo que há ainda muito outro trabalho a fazer, tal como melhorar os mecanismos de controlo e agravar as penalizações por má conduta.

Ana Cristina Borges, CEO MDS Re e Brokerslink Regional Manager Middle-East Africa

SACS é o primeiro Cabo Submarino, no Hemisfério Sul, a ligar África à América do Sul

Desde 2009 que a Angola Cables tem vindo a investir e a aumentar as suas infraestruturas. Que balanço é possível fazer da presença da empresa no mercado?

Podemos dizer que o balanço é bastante positivo.

Somos já hoje o maior provedor de IP transito (acesso a Internet) ao mercado angolano. O uso da Internet em Angola aumentou entre 2015 e 2017, de 2.3G para 10.9G. O Angonap Luanda (datacenter da Angola Cables) é o ponto de maior conectividade nacional e internacional, no país. A redução dos custos das ligações internacionais tem sido um fator de ganho do mercado, desde a entrada ao serviço da Angola Cables o custo de 1x STM1 entre Luanda e Londres baixou de cerca de 300.000 USD para 22.000 USD por mês.

A Angola Cables construiu o SACS, South Atlantic Cable System, o primeiro cabo submarino no Hemisfério Sul a ligar diretamente o Brasil à Africa. Este é, de facto, um feito histórico para o continente africano?

Sem dúvida. O SACS é o sistema submarino que irá mudar a história das comunicações mundiais. De agora em diante as redes de dados irão poder interligar-se diretamente através do Atlântico Sul. Os datacenters instalados na LATAM poderão trocar informação com os datacenters ativos em África de uma forma muito eficiente. Este sistema liga Sangano (Angola) a Fortaleza (Brasil) em 63 milésimos de segundo.

As velocidades de transferência de dados serão consideravelmente melhoradas (cinco vezes mais rápido do que as rotas de cabos existentes até agora), reduzindo a latência do Brasil para Angola de 350 para 63 milésimos de segundo.

O SACS oferece alta qualidade de serviço e melhor latência de até 60% em relação às opções atuais de roteamento. O cabo também contribuirá para reduções nos custos de tráfego de dados entre a América do Sul e a África, oferecendo economias para as operadoras que, por sua vez, poderiam ser repassadas aos utilizadores finais e clientes.

Esta nova rota mudará a dinâmica do tráfego da Internet no Hemisfério Sul e, combinado com o Monet e o WACS, alterará drasticamente as opções globais de roteamento de tráfego digital, sobretudo, porque o SACS é uma nova via para dados entre redes, grandes provedores de conteúdo e alguns dos mercados que mais crescem para o consumo de dados.

A entrada em funcionamento do cabo SACS é um salto gigantesco na conectividade transatlântica e terá um impacto profundo na conectividade digital global, ao mesmo tempo em que se espera acelerar a atividade comercial nos setores de TIC e estimular as economias emergentes em África e na América Latina.

O cabo permitirá aos provedores de serviços de Internet e utilizadores africanos um caminho mais direto e seguro para as Américas – sem ter que passar pela Europa. Os provedores de serviços de conteúdo na América Latina também poderão beneficiar-se com a opção de usar a rota SACS para alcançar mercados em África e na Europa, sem utilizar os tradicionais e de alto volume, rotas de tráfego.

Para além deste cabo, a empresa construiu o cabo Monet que liga Brasil aos EUA, estando em curso a construção do Data Center Angonap Fortaleza. Que importância assume mais este passo para a empresa e para o setor das telecomunicações?

O Angonap Fortaleza, trará outra dimensão à rede da Angola Cables. Este datacenter será simultaneamente a landing station dos cabos SACS e Monet para a Angola Cables e para além da grande oportunidade de conexão internacional, terá a possibilidade de ser uma infraestrutura capaz de agregar os conteúdos produzidos no Nordeste brasileiro servindo como ponto de agregação. Neste momento o datacenter já hospeda o ponto académico de troca de trafego da LATAM e poderá igualmente vir a agregar um IXP local.

Fortaleza passará a ser um HUB de interligação internacional de grande referência na LATAM. Para além disso este ponto de atratividade do ecossistema digital, transformará o Ceará numa plataforma importante no desenvolvimento da 4ª revolução industrial no Brasil.

Em Fortaleza, o investimento realizado pela empresa é considerado estratégico pelas autoridades locais, e da maior importância para o desenvolvimento digital e económico da região.

Esperamos assim dotar a região de infraestruturas necessárias para ajudar desenvolver um setor produtivo no Ceará, com base na tecnologia e data, na vanguarda da nova evolução industrial. A construção desta ponte digital Brasil-Angola trará para as duas regiões, a oportunidade de desenvolverem negócios, nas diferentes áreas dos sectores produtivos, como os da agricultura, educação e saúde.

A operadora de telecomunicações de cabos de telecomunicação de fibra ótica tem atualmente dois cabos em construção. Fale-nos um pouco sobre estes empreendimentos.

Qualquer um dos cabos que estavam em construção estão finalizados e a operar tráfego, neste momento.

O Monet liga o Brasil aos Estados Unidos e a Angola Cables (AC) e tem dois pares de fibra neste sistema. Neste sistema a Angola Cables liga ponto a ponto os datacenters MI3 em Baca Raton e MI1 em Miami ao Angonap Fortaleza e ao SP3 de São Paulo. O sistema ficou ativo em Janeiro de 2018 e a AC está já a comercializar neste sistema. Com o SACS e o WACS a AC oferece conectividade direta entre África e os EUA.

O SACS

O sistema tem quatro pares de fibra e uma capacidade teórica atual de 40Tb/s. Este liga o data center Angonap Fortaleza, no Ceará, ao Angonap Luanda, em Angola.

A sua distância é de mais de 6000 km e tem uma latência de 63 milissegundos, ou seja, mais rápido que um piscar de olhos. O seu início de operação foi assinalado na passada quinta feira, dia 27, numa cerimónia em Luanda

A rede da AC operacional, Luanda está conectada a Londres e a Miami com  aproximadamente a mesma latência, cerca de 128 milésimos de segundos. Ao ligarmos estes dois principais hubs de conteúdos, com São Paulo e Joanesburgo, posicionamos Angola como um ponto estratégico para servir a região transatlântica com baixa latência e conexões resilientes.

A Angola Cables é também operadora de data centres, estando em fase de expansão a área de cobertura. Fale-nos também sobre este serviço e dos passos que estão a ser dados.

A AC já opera um datacenter em Luanda. Este está praticamente na sua capacidade máxima de uso e encontra-se neste momento na fase de expansão.

Quanto ao datacenter de Fortaleza este está em fase de conclusão e terá uma certificação de tier3, de forma a poder concorrer no mercado internacional de acordo com as boas normas. Está previsto o seu crescimento e por isso foi concebido a crescer de acordo com a demanda do mercado.

Com o propósito de contribuir para o desenvolvimento tecnológico e para a melhoria do acesso de todos à informação digital, quais diria serem os principais desafios que enfrentam?

O maior desafio que enfrentamos é sempre a capacidade de venda. Para que possamos ser sustentáveis, temos de ser credíveis perante os nossos clientes. Para isso a empresa tem de entregar o que se compromete. Não podemos oferecer o que não temos ou o que não podemos entregar ao mercado. Temos tido sempre o maior cuidado em cresceremos de forma sustentável.  Para nós, a formação dos nossos quadros e acumular de conhecimento com os erros que cometemos tem sido sempre uma das nossas grandes preocupações e desafios. Não é simples estarmos a competir com os grandes operadores mundiais na mesma área de atividade. Contudo a empresa tem crescido e ganho a sua reputação regional. Isto significa que temos feito um bom trabalho.

E quais são as oportunidades que a Angola Cables está a edificar para o continente africano e, em concreto, para Angola?

Cumprir com o nosso objetivo e tornar Angola num HUB de telecomunicações em África.

UE financia combate ao Ébola e à cólera em África

© Reuters

Em resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), a UE vai financiar a Cruz Vermelha com 60 mil euros nas operações no Uganda e 40 mil no Ruanda, num total de 100 mil euros, segundo um comunicado.

Estas ajudas humanitárias destinam-se a prevenir a transmissão do vírus desde a RDC, bem como a financiar a deteção de casos e os preparativos nos países em causa.

Por outro lado, a luta contra a cólera no Zimbabué, doença que desde 06 de setembro já matou 48 pessoas, vai receber um financiamento de 90 mil euros.

Esta verba irá beneficiar 15 mil pessoas que vivem em quatro zonas de Harare afetadas pela bactéria que provoca a cólera.

LUSA

Tunísia: Mais de 200 detidos e dezenas de feridos após segunda noite de confrontos

Em declarações às rádios locais, o porta-voz do Ministério do Interior da Tunísia, Khlifa Chibani, deu conta de pilhagens, incluindo a um supermercado nos subúrbios da capital, Tunes.

De acordo com o mesmo responsável, 49 polícias ficaram feridos durante os tumultos registados na noite de terça-feira em todo o país, pelos quais foram detidas 206 pessoas.

Em Djerba vive a maior comunidade judaica da Tunísia.

Durante a tarde e noite de terça-feira, a polícia e o exército foram destacados para várias cidades da Tunísia, incluindo Tebourba, a 30 quilómetros a oeste de Tunes, onde centenas de jovens saíram para as ruas após o funeral de um homem de 45 anos morto durante os confrontos da noite anterior.

Também hoje, foram lançados dois coktails Molotov foram atirados contra uma sinagoga na ilha tunisina de Djerba, tendo provocado um incêndio no edifício, segundo a agência Associated Press.

Segundo um jornalista no local, a sinagoga estava vazia na altura do incidente e o fogo foi rapidamente extinto.

Estes incidentes são o reflexo do aumento do descontentamento social na Tunísia, em particular contra o aumento do IVA e das contribuições sociais, em vigor desde 01 de janeiro, no âmbito de um orçamento de austeridade para 2018.

O mês de janeiro é tradicionalmente assinalado por uma mobilização social na Tunísia desde a “Revolução de Jasmim” em 2011 que derrubou o regime de Zine El Abidine Ben Ali, e o contexto é particularmente tenso atualmente, com a aproximação das primeiras eleições municipais do pós-revolução, adiadas por diversas vezes e previstas para maio.

A última vaga de contestação social, em janeiro de 2016, na sequência dos protestos desencadeados pela morte de um desempregado que se manifestava em Kasserine, alastrou por todo o país e forçou o Governo a decretar o recolher obrigatório durante vários dias.

LUSA

África precisará de mais 11 milhões de médicos e professores em 2030

No documento, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) refere que, se África mantiver o atual ritmo de crescimento demográfico “sem precedentes”, haverá 170 milhões de novas crianças entre 2017 e 2030, aumentando o número de menores no continente africano para 750 milhões.

“Investir na saúde, proteção e educação deve tornar-se uma prioridade absoluta para África até 2030. Estamos num ponto crítico para as crianças africanas. Fazendo as coisas bem, conseguiremos criar as bases para retirar centenas de milhares de pessoas da pobreza extrema e contribuir para elevar a prosperidade, estabilidade e paz”, lê-se no relatório.

Segundo Leila Pakkala, uma das relatoras e diretora da UNICEF para a África de Leste e Austral, os menores representam quase metade da população atual em cerca de um terço dos 55 Estados membros da União Africana (UA).

Por seu lado, Marie-Pierra Poirier, também relatora e diretora da UNICEF para a África Ocidental e Central, indicou que, segundo as projeções feitas para 2055, o número de jovens poderá atingir os mil milhões.

A UNICEF estima que, se as políticas para promover o emprego e os investimentos – locais e internacionais – no capital humano de África forem bem coordenadas, as próximas gerações terão melhorado quatro vezes a renda per capita.

Caso contrário, adverte a agência da ONU, esta “oportunidade única” será substituída por um “desastre demográfico”, caracterizado pelo desemprego e instabilidade política e social.

Neste sentido, a UNICEF recomenda várias linhas de ação, que passam por melhorar os aspetos relacionados com a saúde, com a adaptação dos sistemas educativos, com o dar acesso aos jovens às novas tecnologias, para que possam aceder ao mercado laboral do século XXI, e com o garantir da segurança face a fenómenos como a violência, exploração, casamento infantil e abuso sexual.

As novas políticas, acrescenta a UNICEF, visam também eliminar as barreiras que impedem as mulheres e crianças de se tornarem membros plenos das respetivas comunidades e igualdade de oportunidades no plano laboral e na vida política.

Segundo a agência das Nações Unidas, o crescimento demográfico exponencial em África explica-se com a menor mortalidade infantil, maior taxa de fertilidade e pelo aumento de mulheres em idade reprodutiva.

O crescimento do total de habitantes do continente africano, segundo as projeções da UNICEF, levará ao aumento dos atuais 1.200 milhões para 2.500 milhões de pessoas em 2050.

Sharing Foundation: há cinco anos em prol da multiculturalidade e da interculturalidade

A Fundação atua em diferentes áreas que vão da educação à cultura, às artes e formação em âmbito regional, nacional e internacional. De forma a elucidar os nossos leitores, que história pode ser contada sobre a origem e o propósito da Sharing Foundation?

A Sharing Foundation é um Fundação de cariz familiar, instituída em homenagem em vida à mãe do nosso Presidente Silvio Santos, no dia do seu último aniversário, a 15 de Outubro de 2013. Baseada na visão de um país melhor com uma juventude educada e formada numa pedagogia diferenciada, alicerçada na meritocracia, mas também promotora de culturas e línguas que fazem parte do desenvolvimento do ser humano. Nem sempre, na nossa sociedade, somos capazes de usar a cooperação como forma de prática de trabalho, não é fácil ao ser humano “despir-se” da sua individualidade e do espírito de sobrevivência que nos caracteriza. Essas competências, chamadas de soft skills, são competências adquiridas na formação, na aprendizagem por um modelo multicultural e intercultural, basilar na Fundação e foi este o espírito que a promoveu.

É diretora geral da fundação e tem um pós doutoramento em Sistemas de Inteligência Artificial, um tema que trouxe para a fundação. Que projetos têm sido desenvolvidos nesse sentido?

A Fundação tem os seus projetos na área da Educação e Pedagogia na temática do multiculturalismo e multilinguismo associados à rede de escolas ao nível nacional bem como ao nível internacional, nomeadamente nos países da CPLP. A investigação na área de Sistemas de Inteligência Artificial tem sido uma das iniciativas trazidas à discussão nos nossos projetos de investigação e em projetos europeus. Acreditamos que a tecnologia pode promover a aprendizagem numa metodologia inclusiva e integradora do aluno. Nos nossos projetos pretendemos demonstrar a intervenção de boas práticas ao nível da inteligência artificial que podem ajudar a gestão de uma boa escola e um novo paradigma de aprendizagem do aluno.

Em Portugal, esta é uma temática que começa a ganhar alguma força… comparativamente com outros países, estamos num bom patamar?

Portugal tem feito um excelente percurso de investigação nesta área há décadas, desde machine learning, robótica inteligente, à inteligência aumentada com aplicação da área da saúde nos centros de investigação. Ligados à aprendizagem, é uma ideia inovadora e completamente revolucionária. Escrever um algoritmo que possa prever se determinado aluno vai ter dificuldades em determinados conteúdos, pode ajudar a gestão da escola a realizar uma intervenção adequada e atempada de modo a prevenir abandono ou insucesso escolar. Os sistemas de inteligência artificial podem fazê-lo, enriquecendo o sistema de ensino de novas ferramentas para ensinar, evoluir e ter sucesso.

Onde nos leva a inteligência artificial?

A inteligência artificial é um meio pelo qual se pretende modelar os pensamentos em processos computacionais. E definir processos mentais como uma expressão algorítmica é de facto algo extremamente ambicionante. E isto leva-nos com certeza ao desenvolvimento da engenharia do conhecimento, uma nova área e provavelmente novos perfis de trabalho serão definidos por este conhecimento. Esta capacidade de um computador reconhecer padrões e definir perfis tendo por base as lógicas humanas e o comportamento humano, vai fazer-nos, a nós como seres humanos, ambicionarmos ir mais longe no conhecimento, aliás uma característica que nos distingue das demais espécies.

Promover a multiculturalidade e o interculturalismo são princípios que estão enraizados na fundação. Através de que meios promovem este comportamento global?

A Fundação trabalha na Guiné equatorial, em Cabo Verde, em Moçambique e colabora com a Rússia, Brasil e países europeus, interagindo assim com outras culturas de uma forma globalizada. Trabalhar com muitas culturas permite-nos desenvolver competências entre culturas. Nos nossos projetos, a cultura é sempre vista a partir de um ponto, e nessa perspetiva, é sempre coordenada e respeitada a vista de outros pontos. E é nesta missão de espírito cultivador que podemos e devemos evoluir e respeitar as diferenças. O Ser Humano evoluiu como espécie porque era diferente e foi necessário adaptar-se à diferença do seu meio para evoluir. Nós, como seres culturais devemos ser capazes de viver nessa diferença, mas acima de tudo, respeitando a vivência da diferença. Isto é basilar e um dos alicerces dos direitos humanos, um meio pela qual a Fundação pretende sempre seguir.

Organizam encontros, seminários e conferências, quais serão as próximas?

Até ao final do ano a Fundação está envolvida na gestão e coordenação de alguns projectos europeus, tendo as acções inerentes a esses projectos as conferências e seminários com as nossas Universidades e Instituições parceiras. Em 2018 celebramos o 5º aniversário da Fundação e pretendemos associá-lo à nossa missão, juntamente com os nossos parceiros de educação e ciência, a promoção deste dia com uma conferência internacional.

Luz e sombra

A ORIGEM DA INDÚSTRIA TÊXTIL AFRICANA – PARTE 1

Madagáscar é conhecida entre os seus habitantes simplesmente como “Mada” e Maurícias como “Mu” – são ilhas ‘irmãs,’ mas que ao mesmo tempo não poderiam ser mais distintas. Ambas estão situadas no oceano Índico, ao largo da costa do sudeste africano; estão separadas de outros países por apenas 1481 quilómetros.

Por um lado, temos as pequenas Maurícias – (com 2.040 quilómetros, incluindo a vizinha ilha de Rodrigues), economicamente prósperas. Por outro lado, Madagáscar, que se estende por mais de 588 mil quilómetros (Espanha tem: 506 000 quilómetros), e que por sua vez tem cinco mil quilómetros de praias celestiais nas regiões costeiras, em grande parte subdesenvolvidas. Ambas são repúblicas independentes, no entanto, são paraísos naturais e foram descobertas por investidores, designers e por vários fabricantes têxteis para servirem de locais de produção. 

Madagáscar o ponto de viragem

O país está atualmente classificado como o 33º na lista das Nações Unidas como sendo um dos países mais pobres do mundo, com um PIB de 1.190,90 euros. Está a começar a ter um desenvolvimento económico sustentável, devido, em grande medida, ao retorno da ajuda internacional, o que tem permitido que alguns grandes projetos fossem reiniciados, tendo em conta a infraestrutura excecionalmente fraca de Madagáscar. Em fevereiro de 2016, o Banco Mundial concedeu uma ajuda anual de cerca de 215 milhões de euros a esta nação insular. O investimento recorrente de capital privado permanece, porém, muito restrito. Devido aos efeitos do furacão El Niño, a agricultura (75% do PIB) sofreu recentemente uma seca extrema: já em 2015, a organização alemã para o desenvolvimento e ajuda humanitária, a Welthungerhilfe, classificou a situação alimentar em Madagáscar como “muito séria”.

Madagáscar é um exemplo do efeito destrutivo do que a instabilidade política e a perda de tratados sobre tratamento comercial favorável podem originar particularmente em países em desenvolvimento. A ilha perdeu a sua importância enquanto opção de produção, por exemplo, quando a importação de mercadorias com a franquia para os EUA foi retirada em 2010 (os volumes de exportação têxtil para os EUA atingiram 288 milhões em 2004).

Um país que já estava prestes a tornar-se no exportador mais importante de têxteis da região subsariana para os EUA e para a Europa sofre assim um colapso que tomou grandes proporções com a agitação política em 2002.

Investidores como Eddie Bauer, Dockers, Gap, Levis, Li & Fung e Mast cancelaram as operações de compra locais e olharam para outras direções. Em 2014, o valor das exportações têxteis para os EUA estava apenas nos 15 milhões. Entretanto, e com a revisão do AGOA, (African Growthand Opportunity Act) pelos EUA em 2014, a página virou e chegado o melhor resultado em termos comerciais, Madagáscar também ganhou com isso.

Madagáscar está também inserido no “Centro de Comércio e Investimento da África Oriental”, criado em 2013 pela US-AID como parte da iniciativa Trade Africa.

O centro fornece, não apenas ajuda financeira, como também projetos locais, o que resultou numa melhoria da competitividade em diversas indústrias e, portanto, na promoção do comércio bilateral com os EUA, assim como do comércio entre os países participantes daquele que é o mercado global.

Isto “levou a que o presidente Hery Rajaonarimampianina, no seu discurso de abertura na ‘Origem África em Antananarivo‘, em novembro de 2016, se referisse ao país como a “terra das oportunidades“. Neste momento os presságios começaram a ser favoráveis.

Desde a eleição do primeiro governo democrático em 2014, o que fez com que Madagáscar voltasse a fazer parte da AGOA, estima-se que foram criados 35 mil novos empregos. Com a reintegração da AGOA, as exportações têxteis para os EUA, feitas a partir de aproximadamente 90 páginas web de produção, aumentaram em média 160% por ano, para 43 milhões em 2015 e para cerca de 80 milhões nos primeiros nove meses de 2016.

Em exportações para a Europa, Madagáscar beneficiou no âmbito do programa EBA (“Everything But Arms”) sob proteção do acordo SPG (Esquema de Preferências Generalizadas). Isto permitiu que a exportação têxtil para a UE tivesse crescido para 336 milhões de euros em 2015.

O atual governo reconhece o potencial económico oriundo da indústria têxtil que alcança os 24 milhões de habitantes da república e que estão entusiasmados por fazerem parte do plano de construção de uma cidade têxtil no país. Com isso esperam-se 200 mil novos postos de trabalho criados para os cinco anos subsequentes. Este é também uma via para a modernização das redes rodoviária e elétrica que são extremamente pobres naquela que é a quarta melhor ilha do mundo.

Como Eric Robson, CEO do Conselho de Economia de Desenvolvimento de Madagáscar, explicou, o plano é em grande parte uma iniciativa de capital privado, para a qual o governo disponibilizará uma área de um milhão de metros quadrados. Detalhes como a localização e a data de início de construção são ainda pormenores desconhecidos.

Maurícia na vanguarda 

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Lingerie de alta qualidade feita em “Mada” e em “Mu” Modelo: “Allegra” da coleção Aima Dora, produzida por Nouvelle Lingerie Mauricienne Lt ée

Com um PIB localizado na faixa média (pequena relativamente à área), é a maior de acordo com os critérios do Banco Mundial. A Maurícia é um dos principais estados de África. O FMI previu um crescimento de 3,9% da economia em 2016. Esta tendência ascendente consistente pode ser analisada desde a transformação económica. Enquanto ex-nação agrária, que se concentrou na produção de matérias-primas como o açúcar, a Maurícia tem agora uma economia diversificada e fundamentada nos quatro pilares: agricultura, turismo, indústria têxtil / indústria de confeções e serviços financeiros. No entanto, ainda se verifica uma limitação no crescimento da indústria das confeções.

Além disso, e tendo em vista uma continuação, existe ainda uma tendência de clientes para os baixos custos salariais, com ordenados que estão abaixo da dignidade humana, tendo em conta a realidade do custo de vida. O país terá que crescer e corrigir o que está mal. Uma costureira ganha cerca de 0,75€ por hora (28 rupias mauricianas). Felizmente, os investidores começam a estar atentos a este tipo de situações.

Subhas Ramchurn, Diretor Gerente de Shivani Fabricação disse: “Na Maurícia, não pretendemos ser empregadores que pagam mal – não estamos a concorrer com Bangladesh ou com o Camboja. Temos uma reputação a manter, quer ao nível da confiança no cumprimento de prazos de entrega ou pelos níveis de qualidade assegurados.

Os empresários mauricianos, formados e que trabalham para o Governo, dependem cada vez mais da inovação tecnológica para encurtar os prazos de entrega e reduzir consumos de energia. O Grupo Firemount, por exemplo, que inclui a FM Denim, está atualmente a investir em produção mais eficaz – Jasper Conran, Calvin Klein e Tommy Hilfiger, são alguns dos clientes.

Amedee Darga, Presidente do Conselho de Organização de Promoção Comercial Enterprise Mauritius, faz uma análise relativamente ao mercado: “Há quatro décadas que estamos em desenvolvimento de uma indústria cuja ambição não é competir internacionalmente mas sim garantir confiança e qualidade ao mais alto nível. Ser um fornecedor confiável que pode corresponder às demandas de abastecimento de forma responsável e flexível “. Ao beneficiar de exportações isentas de impostos para a Europa sob os termos da UE-ESA (Oriental e Sul África), e de um acordo de parceria económica com os Estados Unidos através da AGOA, as exportações têxteis maurícias em 2015 estavam na ordem dos 625 milhões (55% das exportações totais), quase duas vezes mais que o valor que a indústria em Madagáscar alcança.  As exportações têxteis para o Reino Unido, no entanto, estão atualmente no valor de 353 milhões e, devido ao Brexit, é esperado que caiam 10%. As 250 empresas têxtil do país empregam, atualmente, cerca de 44 mil trabalhadores.

Projeto Sekool

Nouvelle Lingerie não é o único a beneficiar do potencial oferecido pela grande, mas incrivelmente pobre, ilha – irmã de Madagáscar. Por esse motivo, foi criado o Projeto SEKOOL  como apoio à educação escolar. De acordo com a ONU, cinco das seis crianças malgaxes não frequentam a escola. A iniciativa SEKOOL da NLM criou e equipou uma escola, não muito longe da fábrica, e oferece apoio no ambiente familiar de forma a garantir a frequência e progresso diários. Foi lançado também um projeto chamado “Arte da Educação” como apoio às crianças nas atividades desportivas e artísticas.

Soluções auxiliadas por computador: uma obrigação para as empresas Maurícias 

Nos mercados emergentes de ‘sourcing’ africano, o uso de soluções automatizadas na produção têxtil e no desenvolvimento de produtos ainda está numa fase embrionária, no entanto, as empresas maurícias têm investido fortemente no rigor, na eficiência e na qualidade dos sistemas auxiliados por computador desde o início do século XXI. O aumento dos custos de mão-de-obra originou um apoio sustentado para este desenvolvimento, que tem sido essencial em “Mu”, de forma a manter a competitividade, apoiada por uma forte presença local do fornecedor e líder de tecnologias relevantes, o que também é uma valiosa fonte de serviço e formação. Para garantir que o desenvolvimento de produtos e de modelos produz um ajuste perfeito, o Grupo NLM conta com o software AccuMark da Gerber Technology cujos moldes são produzidos inteiramente “com recurso a esta excelente ferramenta de CAD” – uma avaliação direta da empresa. Para um estendimento essencial sem tensão, a empresa depende inteiramente da Gerber Technology, através do uso do estendedor de tecido automatizado XLs50. “Com o cortador Z7 Gerber e o software Accu-Nest pré-instalado para otimizar o plano de corte podemos alcançar a eficiência de utilização do material, sem mencionar precisão, que esperamos da confeção automatizada”, acrescenta Joël Desnoix, que se mudou da DIM para a NLM em janeiro de 2016 e que trouxe consigo 30 anos de experiência com a Gerber e outros sistemas. Em resposta aos altos níveis das necessidades do mercado, a Nouvelle Lingerie sofreu uma reorganização em 1999, projetada para duplicar a sua capacidade de produção. Como resultado da pesquisa, decidiu-se dividir a produção em dois lugares, o que resultou na fundação de L’Avenir S.A.R.L. e de uma outra linha de apoio à produção na ilha vizinha, Oldac S.A.R.L. “Madagáscar possui uma mão-de-obra altamente talentosa que abraça entusiasticamente a formação e está pronta para a ação”, disse o australiano Alma Stanonik à TN. “Claramente que existem alguns imprevistos”, diz, “mas, de modo geral, são possíveis de gerir e, na pior das hipóteses, eles têm as suas compensações em comparação com qualquer uma das alternativas”. Além disso, Alma reconhece que o recrutamento de trabalhadores qualificados está a tornar-se uma tarefa cada vez mais difícil. O NLM Group emprega atualmente cerca de 700 pessoas nas duas ilhas.

A nossa sugestão de viagem pérola do Oceano Índico

Primeiramente colonizada pelos holandeses, depois pelos franceses e finalmente pelos britânicos, a ilustre República das Maurícias manteve a sua herança. Quase todos os mauricianos falam francês, inglês e crioulo. São 87 religiões e variantes que vivem pacificamente lado a lado aqui, neste multicultural e maravilhoso lugar do oceano Índico. Com praias celestiais e águas azul-turquesa, os recifes de toda a ilha oferecem fantásticos spots de mergulho, apesar do branqueamento dos corais causado pelo furacão El Niño.  Há ao dispor uma vasta oferta hoteleira de luxo de hotéis mundialmente consagrados, tudo isto num espaço tão pequeno.  “Tudo o que precisa fazer é incorporar o seu próprio estilo e imbuir-se com a vida até ao último detalhe”, explica Francis Longueve. Após um número de cargos interessantes em gestão hoteleira, Longueve, um francês, gerente do aclamado resort Maradiva Villas Resort & Spa e do Sands Suites Resort and Spa, de 4 e 5 estrelas ambos, em Flic-en-Flac no oeste da ilha, agora trabalha e vive com sua família na ilha paraíso. Os hóspedes do Maradiva de cinco estrelas podem esperar puro luxo: falamos de 65 moradias espalhadas pelos jardins tropicais do resort, cada uma delas. Opulento e com generosos espaços exteriores e interiores, bem como piscina privada; os seus interiores são uma mistura de reminiscências do passado colonial da ilha com a modernidade contemporânea. Aprecie o pôr-do-sol no Breaker‘s Bar com uma vista deslumbrante para a montanha de Le Morne – e tem aí uma forma ideal de imergir no lado ensolarado da vida. Os melhores restaurantes com a melhor oferta da excelente cozinha local e mediterrânea. O chef do restaurante Cilantro envolve a sofisticação da cozinha indiana para lá da imaginação; o melhor sushi pode ser apreciado sob o olhar atento do mestre do balcão circular do Teppanyaki Couters. Terá uma experiência onde será completamente acarinhado pela equipa altamente preparada e à qual se acostumará depressa. Mas isto não é tudo. Pode ainda usufruir de um mordomo pessoal. Crianças pequenas são bem-vindas, ao contrário do que acontece em muitos hotéis por considerarem que os mais novos perturbam o bom ambiente. Para elas foi pensado e criado um miniclube. Com base numa filosofia indiana este “oásis” prima pela tranquilidade e bem-estar, por isso mesmo, existem spas para todos os tipos de tratamentos, com direito a consultar um médico ayurvédico. Não encontrará a arte de nada fazer de uma forma tão agradável quanto aquela que lhe oferecemos aqui no Maradiva Villas Resort & Spa. Poderá também considerar disponibilizar alguns dos seus dias para assistir à próxima Conferência África Origem e Exibição – que decorrerá em Port Louis, a capital maurícia. Realiza-se em setembro de 2017, entre os dias 25 e 29.

Migrantes abandonados no deserto estão desaparecidos

A OIM adiantou que o alerta foi lançado por um grupo de 24 migrantes, provenientes da Nigéria, do Senegal e da Costa do Marfim, que sobreviveu a tempestades de areia.

No total, o grupo de migrantes era composto por 75 pessoas.

A OIM vai transferi-los ainda hoje para o centro de acolhimento de Dirkou, depois de antes os ter levado para Seguedine, onde um dos sobreviventes acabou por morrer.

Mais de 600 migrantes foram salvos pela OIM desde abril de 2016 no Níger, a principal rota para migrantes da África Ocidental em direção à Europa.

Nenhum de nós é igual até que todos nós sejamos iguais

“Uma em cada três mulheres em todo o mundo sofrerá violência física e / ou sexual durante a sua vida, e quase um terço das raparigas em alguns países em desenvolvimento são casadas aos 15 anos de idade”.

Com este vídeo “incrivelmente poderoso” os dois grupos de campanha pedem que as pessoas tomem medidas contra o sexismo global.

“Pobreza é sexista” é o nome do vídeo e pretende transmitir a ideia de que as mulheres de todas as idades têm ouvido “não” um pouco por todo o mundo, todos os dias. 

Vários cenários são apresentados: uma menina que nasce com a conotação negativa de “não” ser um menino, uma criança que lhe é dito que não pode concentrar-se nos seus próprios interesses, e uma menina forçada a um casamento arranjado.

Cada cena é baseada num aspeto diferente que as mulheres enfrentam na sociedade de hoje. “Você não precisa ser uma menina em Uganda para entender o que significaria ser retida na escola por estar com o período”, explica o diretor criativo do ONE, Meagan Bond.

“Nenhum de nós é igual, até que todos nós sejamos iguais” e é pedido às pessoas que tomem uma posição.

Fonte: Independent

FAO pede 109 milhões de dólares para ajudar 23 milhões de africanos afetados pela seca

A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) pediu pelo menos 109 milhões de dólares para ajudar 23 milhões de pessoas na África Austral, que se deparam com a pior seca dos últimos 35 anos.

A semanas de começar a preparação da terra para a próxima época agrícola, a agência das Nações Unidas explicou em comunicado que este montante se destina a fornecer sementes, fertilizantes, equipamentos e outros bens e serviços aos pequenos agricultores e criadores de gado da região.

O objetivo, acrescentou, é que na próxima época agrícola consigam produzir alimentos suficientes para evitarem ficar dependentes da ajuda humanitária até meados de 2018.

“Os agricultores têm de conseguir plantar até outubro e, se não o conseguirem, teremos mais uma colheita reduzida em março de 2017, afetando severamente a segurança alimentar e nutricional e as vidas na região”, alertou a organização no comunicado.

Dois anos consecutivos de seca, incluindo a pior dos últimos 35 anos, que se verificou este ano, deixaram quase 40 milhões de pessoas na região em risco de insegurança alimentar até ao início do próximo ano.

Todos os países estão afetados, mas seis Estados – Botsuana, Lesoto, Malaui, Namíbia, Suazilândia e Zimbabué – já declararam emergências nacionais devido à seca, enquanto a África do Sul declarou o estado de emergência em oito das suas nove províncias e Moçambique declarou um alerta vermelho de 90 dias em algumas zonas do sul e do centro do país.

Na terça-feira, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) declarou a seca um desastre regional e apelou à ajuda da comunidade internacional.

O apelo da SADC refere que são precisos 2,7 mil milhões de dólares para ajudar todos os setores da economia da região a recuperar da seca deste ano, dos quais ainda falta financiar 2,4 mil milhões de dólares.

Na ocasião, o presidente do Botsuana e, por inerência, da SADC, Seretse Khama Ian Khama, disse que as avaliações mais recentes “indicam que o número de pessoas em insegurança alimentar é de cerca de 40 milhões, o que representa cerca de 14% da população total” da comunidade.

Segundo o comunicado da FAO de hoje, o plano de resposta daquela agência da ONU cobre 10 países – Lesoto, Madagáscar, Maláui, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué – que pediram assistência específica.

“Os altos níveis de desemprego e o abrandamento do crescimento económico significam que a principal forma de as pessoas acederem à alimentação é através daquilo que elas próprias produzem. Ajudá-las a fazê-lo irá fornecer um apoio inestimável numa região onde pelo menos 70 por cento da população depende da agricultura para viver”, disse o coordenador da FAO para a África austral, David Phiri, citado no comunicado da organização.

“Temos de retirar o máximo desta pequena janela de oportunidade e garantir que os agricultores estão prontos para plantar até outubro, quando começam as chuvas”, acrescentou.

A seca atual deve-se ao impacto do fenómeno El Niño e os seus efeitos deverão atingir o nível máximo entre janeiro e março de 2017, estima a FAO.

Além dos danos na agricultura, que exacerbaram a malnutrição crónica na região, a seca matou mais de 640 mil cabeças de gado no Botsuana, Suazilândia, África do Sul, Namíbia e Zimbabué, devido a falta de pasto, falta de água ou surtos de doenças.

Teme-se que no final deste ano ocorra o contra fenómeno do El Niño, o La Niña, que deverá trazer chuvas abundantes, o que poderá ser positivo para a agricultura, mas também comporta o risco de de cheias, que poderiam destruir a produção e ameaçar o gado.

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