Inicio Tags África

Tag: África

Estudo aponta falhas na prevenção e deteção do VIH na África subsariana

Os dados constam de um estudo do Instituto de Higiene e Medicina Tropical que será apresentado na terça-feira em Lisboa e que caraterizou a prevalência de infeção pelo VIH/sida em comunidades imigrantes em zonas de maior vulnerabilidade social e exclusão do distrito de Lisboa.

Mais de metade dos participantes nunca tinha realizado um teste antes e mais de um terço com resultado positivo ao VIH não tinha conhecimento de que eram portadores da infeção, segundos dados parciais a que a agência Lusa teve acesso.

Os autores do estudo vincam que se trata de uma amostra específica de imigrantes, em particular situação de vulnerabilidade social e de exclusão, e que não espelha a realidade da infeção pelo VIH nos imigrantes em Portugal.

Além disso, indicam os investigadores, os dados alertam para a necessidade de melhorar o acesso a serviços de saúde, incluindo na área sexual, aumentando também a cobertura do teste para o VIH na população imigrante.

Outros dados do estudo indicam que mais de metade dos participantes não sabe onde realizar os testes do VIH e indica não ter recebido preservativos gratuitos no último ano.

A investigação, solicitada e financiada pela Direção-geral da Saúde (DGS), contou com a participação voluntária de 790 imigrantes da África subsariana residentes em Portugal. Os participantes responderam a um questionário e fizeram o teste rápido para o VIH.

Cabo Verde. Vírus do zika chega pela primeira vez a África

A Organização Mundial de Saúde confirmou esta sexta-feira que o vírus do zika que circula em Cabo Verde é afinal da mesma estirpe do que circula no continente americano, mais concretamente no Brasil. É assim a primeira vez que a estirpe do zika, responsável pelos problemas neurológicos e microcefalias, é detetada em África.

“As descobertas são preocupantes porque é a prova de que o surto se está a espalhar para lá da América do Sul e que está às portas de África”, afirma Matshidiso Moeti, diretor regional da Organização Mundial de Saúde para o continente africano, citado na página oficial da OMS. “Esta informação irá ajudar os países africanos a reavaliar o nível de risco e a aumentar os níveis de preparação”, acrescenta.

Segundo o comunicado da OMS, o primeiro passo é aumentar o nível de risco para mulheres grávidas e promover as medidas de proteção para evitar as picadas do mosquito, e a transmissão pela via sexual. Também a vigilância sobre as malformações, como a microcefalia, deve aumentar.

FMI volta a ser solução para financiamento dos países africanos endividados

A descida de preço das matérias-primas está a obrigar vários países africanos a recorrerem ao FMI, que até há pouco tempo tinha sido substituído pela banca comercial, cujos empréstimos são agora incomportáveis, escreve o jornal britânico Financial Times.

“Um pouco por toda a África, os países que até há pouco tempo não precisavam do Fundo Monetário Internacional (FMI) como credor de último recurso estão a engolir o orgulho”, lê-se na edição de hoje do Financial Times, num artigo com o título “Tempos difíceis empurram africanos de volta para o FMI”.

O artigo apresenta os exemplos de Angola, Moçambique, Zimbabué, Nigéria e Gana, entre outros, para defender que o recurso aos sistemas de financiamento do FMI são agora menos difíceis que nos anos 80 e 90, quando vários países foram obrigados a recorrer ao FMI e tiveram como resposta um conjunto de medidas de austeridade que tornaram o Fundo altamente impopular no continente.

“Há menos estigma em pedir ajuda ao FMI, em parte porque o Fundo já não é tão rígido em enfiar medidas neoliberais pela garganta abaixo dos países, sendo agora mais cuidadoso na proteção da saúde, educação e programas de alívio da pobreza”, escreve o jornalista que assina o texto, David Pilling.

O artigo defende que o recurso ao FMI por esta altura é mais fácil também porque as condições macroeconómicas do continente melhoraram significativamente face ao panorama dos anos 1980 e 1990, mas nalguns países, como Angola, o tempo perdido é notório.

“Angola, cujos governantes esbanjaram milhares de milhões de dólares durante os preços altos do petróleo, é o último a provar o remédio do FMI”, que deverá viajar para o país durante os primeiros quinze dias do próximo mês para definir as medidas e o montante da ajuda que Angola pediu ao abrigo de um Programa de Financiamento Ampliado.

Moçambique, que está em conversações com o FMI sobre como recuperar a credibilidade depois de ter admitido que escondeu empréstimos de 1,4 mil milhões de dólares, também é um dos países citados no texto do FT, que diz que “alguns governos africanos regressaram aos maus hábitos”.

A deterioração das contas públicas, no entanto, é geral no continente, diz o jornal britânico, lembrando um estudo da consultora McKinsey, segundo o qual o défice orçamental foi, em média, de 6,9% em 2015, mais do dobro dos 3,3% registados em 2010, e a balança corrente passou de um resultado positivo de 0,4% para um défice de 6,7% entre 2010 e 2015.

Reservas internacionais angolanas sobem em novembro

Bandeira de Angola

Os dados constam de um relatório mensal do Banco Nacional de Angola (BNA) e indicam ainda que entre janeiro e novembro, Angola viu estas reservas, necessárias para garantir nomeadamente as importações nacionais de matéria-prima ou de alimentos, reduziram-se 7,3 por cento, fruto da crise da cotação internacional do petróleo, que diminuiu as receitas angolanas e a entrada de divisas no país.

No total, estas reservas perderam 1,9 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) em onze meses, segundo cálculos feitos pela Lusa.

De acordo com dados disponibilizados pelo BNA, as RIL eram de 27.276 milhões de dólares (25,1 mil milhões de euros) em 2014, de 31.154 milhões de dólares (28,6 mil milhões de euros) em 2013, de 30.828 milhões de dólares (28,3 mil milhões de euros) em 2012 e de 26.321 milhões de dólares (24,2 mil milhões de euros) em 2011.

Na revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015, aprovado em março e que surgiu face à forte quebra nas receitas com a exportação de petróleo, o executivo angolano já previa uma descida dessas reservas para garantir cinco meses de importações, face à média anterior de seis meses.

Contudo, o Governo admitiu entretanto terminar o ano de 2015 com reservas necessárias para garantir mais de seis meses de importações.

As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, atividade que representa cerca de 98% do total das exportações do país.

O setor garantiu em 2013, segundo o Ministério das Finanças, 76% das receitas fiscais angolanas, mas o seu peso deverá descer este ano para 36,5% devido à forte redução da cotação do crude no mercado internacional.

Na crise petrolífera de 2009, as RIL angolanas reduziram-se até aos 13 mil milhões de dólares (11,9 mil milhões de euros), o que obrigou o Governo angolano a pedir um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional no valor de 1.375 milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros).

BPI avança para separação das atividades do BPI em África apesar de oposição de Isabel dos Santos

Isabel dos Santos

De acordo com o comunicado enviado esta segunda-feira à CMVM, onde o BPI dá nota de que foi hoje apresentado a registo o projeto de cisão simples da instituição, os últimos contactos com Isabel dos Santos foram infrutíferos, depois de já em Outubro a empresa ter manifestado a sua oposição ao procedimento.

“Estas conversações decorreram de forma construtiva mas até ao momento não permitiram alcançar os ajustamentos aos termos da cisão que permitissem conciliar aquele objectivo com os aspetos de ordem regulatória que se torna necessário acautelar”, refere o comunicado.

O processo avançou pela mão do conselho de administração, apesar do voto contra do administrador Mário Silva (que representa a Santoro, acionista do BPI também controlada por Isabel dos Santos), “considerando que a operação de cisão em apreço tem em vista solucionar a ultrapassagem do limite dos grandes riscos [exposição a países onde o BCE não reconhece que haja uma supervisão semelhante à da zona euro]”.

Contudo, o BPI recorda no comunicado que a obtenção do acordo da Unitel no BFA é indispensável ao avanço do procedimento, e que a cisão depende também do BCE confirmar que a operação permitirá ao banco cumprir com o limite de grandes riscos, de autorização prévia do Banco de Portugal, do Banco Nacional de Angola e do Banco de Moçambique, e da aprovação por CMVM e Euronext Lisbon da admissão a cotação das ações da nova entidade.

O Banco Nacional de Angola, por seu lado, garantiu a 10 de dezembro ao BPI que só deliberará sobre o processo depois de alterado o acordo parassocial entre o banco liderado por Fernando Ulrich e a Unitel, que proíbe atualmente a transmissão de participações detidas por estes no BFA.

Será ainda necessária luz verde da CGD no que diz respeito à participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e a confirmação da Autoridade Tributária e Aduaneira, de que a operação de cisão beneficia do regime da neutralidade fiscal. “Foram já apresentados todos os pedidos das autorizações e consentimentos acima identificados”, garante o mesmo documento.

Em Outubro, segundo o banco, a Unitel referiu existirem “alternativas que poderiam otimizar os interesses de ambas as partes e que estava disponível para as analisar e discutir”. O comunicado não refere quais são essas alternativas e acrescenta que houve conversações com a Unitel, com os espanhóis do CaixaBank e
a Santoro Finance com vista a “ajustamentos aos termos da cisão” para que se alterasse esta posição da Unitel.

A proposta do BPI prevê que sejam destacadas do banco as participações sociais em instituições de crédito africanas (nomeadamente os 50,1% no Banco de Fomento Angola, os 30% do Banco Comercial e de Investimentos e a totalidade do BPI
Moçambique) e a constituição de uma nova sociedade.

O BPI apresentou hoje junto do Registo Comercial o projeto de cisão-simples do Banco BPI que vai ser submetido a aprovação em assembleia geral de acionistas e obrigacionistas. Além do projeto de cisão hoje divulgado na CMVM, o banco refere ainda que vai disponibilizar um documento “equivalente a um prospeto relativo à admissão à negociação das ações da sociedade a constituir por efeito da cisão”.

Barclays pondera sair de África

De acordo com a edição de hoje do jornal britânico Financial Times, o líder do grupo, Jes Staley, que tomou posse no início deste mês e que deverá apresentar a nova estratégia global do grupo até março, está a ponderar o que fazer com os ativos africanos, sendo que nenhuma decisão está ainda tomada.

O presidente do grupo financeiro “tem levado questões sobre a oportunidade estratégica dos abrangentes ativos que o grupo financeiro britânico tem em África, mas nenhuma decisão está ainda tomada, dizem pessoas com conhecimento da matéria”, escreve hoje o FT.

Ainda de acordo com o jornal, a estratégia global que será apresentada aos investidores deve contemplar a redução de milhares de empregos na área da banca de investimentos, nomeadamente na Ásia, e é neste esforço de consolidação que se inserem os ativos africanos.

Entre os países lusófonos africanos, o Barclays tem presença apenas em Moçambique, que não é mencionado no texto do jornal, estando também na África do Sul, Quénia, Ilhas Maurícias, Botsuana e Zâmbia.

O grupo britânico detém 62% do Barclays Africa Group, que está cotado na bolsa de Joanesburgo e que tem um valor de mercado de 4,5 mil milhões de euros.

As perspetivas económicas para África deterioraram-se este ano devido à quebra dos preços das matérias primas e ao abrandamento do crescimento da China, com o Fundo Monetário Internacional a prever uma expansão de apenas 3,75%, o nível mais baixo desde 2009.

Já este mês, a Fitch desceu a avaliação do crédito soberano da África do Sul para apenas um nível acima de ‘lixo’, ao passo que a Standard & Poor’s desceu a Perspetiva de Evolução para Negativa, amentando o risco de que o país possa cair para o nível abaixo da recomendação de investimento.

EMPRESAS