Inicio Tags Aldi

Tag: Aldi

Driada é a primeira marca premium da Promol, a conceituda fábrica de velas

A Promol foi fundada em 1976 por empresários caldenses, mas durou pouco tempo em mãos portugueses. Dois anos depois foi comprada por dois investidores alemães que mudaram a pequena unidade de produção de velas para a Zona Industrial das Caldas, onde construíram uma fábrica de dez mil metros quadrados.

A década de oitenta foi de permanente crescimento, com o grupo alemão Aldi (praticamente o único cliente da empresa) a assegurar o escoamento de toda a produção. Hoje, a Promol ganha novo lanço e já é autónoma na escolha dos seus mercados.

Teresa Cruz chegou à empresa em 2009, com um percurso marcado pela área financeira, entrou na Promol para dirigir o departamento financeiro e o de recursos humanos também.

“Licencie-me em Gestão de Empresas no ISCTE e terminei o curso em 2002, na altura decidi que queria começar a minha carreira em auditoria. Comecei pela KPMG (uma rede global de firmas profissionais que prestam serviços de auditoria, fiscalidade e consultoria) e depois abracei um projeto enquanto assistant controller na área da hotelaria. Segui o percurso normal de quem se forma como financeira. Em 2009 cheguei à Promol onde dei o meu primeiro grande salto. Fui contratada para a área financeira, uma área que já dominava mas a par veio um outro grande desafio: fiquei responsável também pela área de recursos humanos”. Levada sempre pelo espírito de aceitar sempre um desafio, mesmo quando não fazia ideia do que se iria passar, arregaçou as mangas e já lá vão quase dez anos.

A parte financeira e a de recursos humanos podem ser áreas que colidem entre si. Como é que se contorna esta gestão?

Apesar de a parte dos recursos humanos estar ligada à financeira, através dos processamentos de salários e de recrutamento, a parte de gerir pessoas e emoções não é nada fácil. Tem de existir uma sensibilidade diferente porque são áreas opostas. Uma é sobre números e a outra são emoções.

Há uma história que me ficou na memória, a frase de uma senhora durante uma reunião que eu tinha organizado para me apresentar: “Está preocupada com as pessoas? Então não vai ficar cá muito tempo!”. Esta foi uma situação caricata mas que revelou muito sobre como os colaboradores encaram quem está em cargos de liderança. Acredito que a liderança deve ser exercida de forma a manter as pessoas unidas e não o contrário. Apesar de ser difícil mudar a mentalidade das pessoas para um estilo mais emotivo, aos poucos as coisas tomam o seu rumo. Porém, ao mesmo tempo tem que haver a rigidez de não desviarmos o caminho dos números que têm de ser cumpridos em termos de produção. Encontrar o equilíbrio entre ambas as partes é o mais complicado. As pessoas não são números e há que conhecê-las.

Daquilo que tem observado ao longo dos anos e, dada a sua experiência, de que forma caracteriza as empresas portuguesas em termos de género?

Nunca me senti prejudicada pelo género, pude sempre dar a minha opinião. Quando comecei a trabalhar na Promol éramos liderados por um alemão e cuja cultura considero que está a anos-luz de muitas mentalidades de empresários portugueses. No entanto, hoje sou liderada por um português que mostra uma mentalidade igualmente alargada.

A minha opinião sobre a maior parte do tecido empresarial português é um pouco negativa. Acredito que não existem mais mulheres em cargos de liderança, não por falta de capacidade, mas pelo medo que alguns empresários têm de ser ultrapassados. Uma mulher consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo e eu entendo que isso possa ser assustador. Porém, se a mulher estiver convicta daquilo que vale nada a para. E para uma mulher ter essa certeza tem de parar e pensar.

Depois existe a questão de quando se alcança a liderança, a sociedade tende a obrigar a mulher a ser um pouco agressiva para impor o seu espírito de liderança. Elas têm que mostrar o dobro do que eles mostram, a parte familiar é muitas vezes um problema – o que é completamente inaceitável – ou seja, existem várias situações em que as mulheres são pressionadas e isso resulta numa progressão de carreira vedada.

Como é pertencer a uma empresa de produção de velas com uma dimensão europeia?

Já trabalhei com americanos, espanhóis e mais recentemente com nórdicos. E todos são diferentes entre si. Os prazos ou são muito bem cumpridos ou não são. No entanto, os portugueses são encarados como um dos povos com mais capacidade de trabalho e eu concordo inteiramente. Somos os mestres do desenrasque. Se tivermos de entregar uma encomenda à última da hora, as pessoas são extremamente flexíveis e dispostas. De forma geral, somos muito trabalhadores e por isso a nossa relação, seja com que país for, é sempre uma boa experiência.

A Promol lançou uma nova marca premium, a Driada, e convidou-a a ser responsável. Como está a ser este desafio?

Este desafio fez-me sair da minha zona de conforto, que é algo que eu adoro. A Driada está ser desafiante porque ser responsável pela marca é sobretudo lidar com a área comercial, área com a qual nunca tinha lidado.

A Promol teve recentemente autorização para procurar os seus próprios mercados e então decidimos aproveitar e realizar uma reformulação em toda a empresa.

Lançámos então a marca premium Driada, destinada a um segmento de mercado de luxo, uma segunda marca a 5ense destinada ao grande consumo e a Promol Candle que se submete a gerir uma loja que serve para representar coleções anteriores que pretendemos escoar para o mercado nacional. A lógica é lançar um produto de uma marca nacional que pertence a um setor muito maduro e onde a inovação é muito pouca. Além disso é um mercado muito pressionado pela China que faz muito e mais barato. No entanto, quem experimenta não volta a comprar porque a qualidade prevalece. O consumidor português já não só à procura do melhor preço.

O consumidor português já não procura só o melhor preço.

EMPRESAS