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Aviões estão a afetar a qualidade do ar em Lisboa

Foto Sapo 24

A qualidade do ar em várias zonas de Lisboa está a ser afetada pelos aviões do Aeroporto Humberto Delgado, diz um estudo divulgado esta terça-feira, 3 de setembro. O problema são as partículas ultrafinas que podem pôr em risco a saúde.

Trata-se de uma investigação de Margarida Lopes publicada na revista científica “Atmospheric Pollution Research”. Foi feita no departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade.

Neste estudo, Margarida Lopes alerta para os perigos das partículas ultrafinas. “São bastantes prejudiciais para os pulmões, mas não só, porque passam para a corrente sanguínea e daí chegam a qualquer parte do corpo”, disse a investigadora à Agência Lusa, citada pelo jornal “Observador”.

De acordo com as conclusões, as partículas estão associadas aos aviões e afetam as pessoas sobretudo na área do aeroporto de Lisboa. No entanto, há outros locais que são rotas aéreas habituais que também sofrem deste problema, como é o caso do Campo Grande ou das Amoreiras. As partículas ultrafinas são 18 a 26 vezes mais elevadas em áreas onde passam aviões.

Estas partículas — que são 700 vezes mais pequenas do que um fio de cabelo — não são monitorizadas e não têm um valor limite estabelecido por lei. Têm sido associadas a doenças neurológicas e “problemas no desenvolvimento fetal e cognitivo das crianças”.

É um problema mais grave para todos aqueles que trabalham no aeroporto ou junto dele e que estão expostos a elevadas concentrações de partículas ultrafinas.

 

Fonte: New In Town – Nit

Portugal em risco elevado de escassez de água, diz estudo internacional

Fonte DR

De acordo com um estudo do projeto Aqueduto do World Resources Institute – uma organização sem fins lucrativos sedeada em Washington, nos EUA, e financiada por fundações, Governos, ONG e organismos internacionais -, esses 17 países, que representam um quarto da população mundial, usam pelo menos 80% das suas reservas de água a cada ano, com a agricultura, as indústrias e os municípios a representarem a maior fonte de pressão sobre as suas reservas de água.

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água.

Os autores do estudo sublinham que uma margem tão reduzida entre oferta e procura como a que se verifica nos países mais pressionados deixa-os mais vulneráveis a variáveis como secas ou um maior uso das reservas de água, sendo cada vez maior o número de países que passam por um ‘Dia Zero’, ou seja, em que ficam sem acesso a água canalizada.

“A escassez de água coloca sérias ameaças à vida humana, à sua subsistência e à estabilidade económica. Isso está prestes a piorar, a menos que os países tomem medidas: o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização estão a provocar uma maior procura por água, enquanto as alterações climáticas podem tornar mais variável a precipitação e a procura”, refere o relatório.

Sobre o Médio Oriente e o Norte de África, a região do mundo mais pressionada nesta matéria, o estudo aponta que a reutilização de águas residuais poderia gerar uma nova fonte de água potável, tendo em conta que 82% das águas residuais nestes países não são reutilizadas.

Na Índia aumentam as preocupações com as reservas ao nível do subsolo, para além das preocupações com as reservas à superfícies: os aquíferos estão a esgotar-se, em grande parte devido ao uso para regadio.

“As conclusões do estudo Aqueduto contextualizam esta crise: a Índia ocupa o 13.º posto na lista de países mais pressionados pela escassez de água em termos globais e a sua população é três vezes superior à população combinada dos 17 países mais pressionados no mundo”, lê-se no relatório.

O estudo, que também analisa regiões dentro de países, indica, por exemplo, que a África do Sul, que em 2018 evitou por pouco o ‘Dia Zero’, ocupa uma posição na lista fora dos países mais afetados — 48.º lugar, correspondente a um risco médio-elevado de escassez de água -, mas a zona da Cidade do Cabo é uma zona de enorme pressão e rivaliza em termos de regiões ameaçadas com países inteiros.

O estudo indica que viver pressionado pela falta de água não tem que ser uma fatalidade e que inverter essa situação depende em grande parte da gestão que se faz dos recursos.

Para além de exemplos de alguns países que já tomaram medidas para evitar a falta de água nas torneiras, como a Austrália que cortou para metade o consumo doméstico para evitar um ‘Dia Zero’, o estudo apresenta recomendações genéricas, aplicáveis à generalidade dos países, como apostar em técnicas de regadio eficientes, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e tratar e reutilizar águas residuais, para que deixem de ser encaradas como desperdício.

O estudo Aqueduto analisou a situação em 164 países, para os quais era possível ter dados utilizáveis pelo modelo de análise usado, refere o estudo.

 

Fonte LUSA

Presente e futuro da saúde respiratória serão debatidos no IX Congresso da Fundação Portuguesa do Pulmão

 

Nesta reunião magna serão discutidas as doenças respiratórias que têm atualmente um maior impacto social, nomeadamente o cancro do pulmão e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), que integram a lista das doenças com maior mortalidade em Portugal, e ainda o impacto da genética e do ambiente na saúde respiratória.

Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, estará presente na conferência de encerramento deste evento, na qual irá abordar o futuro da saúde em Portugal, sob o tema “Saúde 2030”.

Neste congresso onde serão apresentados e discutidos dados sobre o presente da saúde respiratória e ideias para construir um melhor futuro para a saúde em Portugal, a Fundação Portuguesa do Pulmão reforça a importância do diagnóstico precoce da DPOC, propondo a realização de espirometrias a todos os fumadores antes dos 40 anos de idade e debatendo a possibilidade de modificar a epidemiologia desta doença.

O congresso incluirá um painel sobre o cancro do pulmão, onde será feito um balanço da evolução do diagnóstico e tratamento desta doença oncológica, mas também apresentada a visão do futuro que os profissionais de saúde têm para esta patologia. Jorge Cruz, presidente do evento e moderador do painel, destaca: “o cancro do pulmão, se diagnosticado numa fase inicial, já não é uma sentença de morte, porque quando os doentes são operados numa fase precoce da doença os resultados são bons. Atualmente é possível tornar o cancro do pulmão numa doença crónica, tratada de forma individualizada de acordo com a genética de cada cancro, graças à imunoterapia e às terapêuticas-alvo”.

A de­ficiência de alfa 1 antitripsina (doença genética rara) também será debatida neste congresso, bem como o ambiente enquanto causa importante de doenças respiratórias, dando-se destaque à relação causa-efeito entre o amianto e o mesotelioma, o mais grave tumor maligno da pleura, e reforçando-se a necessidade de remover o amianto dos vários edifícios públicos e privados que ainda contêm este material perigoso na sua estrutura.

José Alves, presidente da FPP, sublinha que “este congresso é mais um esforço da FPP de, através da reunião de um painel de especialistas de qualidade na saúde respiratória, continuar a missão de informar, alertar, proteger e contribuir para a saúde respiratória dos portugueses”.

O Congresso é aberto a todos os profissionais de saúde, doentes, estudantes, associações e à sociedade civil, sendo necessário fazer inscrição grátis, através do preenchimento deste formulário. O programa completo pode ser consultado aqui.

 

“Os plásticos e o ambiente: O outro lado da história…”

Por vezes, quando se conta uma história, opta-se por contar apenas uma parte dessa história, aquela que mais convém ou interessa partilhar… Mas a verdade é que só é possível entendermos o real contexto quando estamos na posse de toda a informação, ou seja, da história completa. Nos dias de hoje, este é um dos problemas de que “sofre” o material plástico, já que grande parte das alegações mais frequentes se baseiam em mitos.

 

 

O plástico, enquanto material versátil que é, veio revolucionar a nossa sociedade de consumo nas mais diversas áreas, como sejam: embalagem, transportes, saúde, eletrónica, construção, entre outras, contribuindo globalmente para a minimização de impactes e custos ambientais.

 

 

Fonte: Trucost Plastics and Sustainability: A Valuation of Environmental Benefits, Costs and Opportunities for Continuous Improvement, July 2016.   Costs shown in US Billion dollars.

Mas de um momento para o outro, como que por magia, este material passou a ser percecionado, um pouco por todo o mundo, como o mal de todos os males, em que o tema da poluição dos oceanos se tornou o principal veículo. Mas ao contrário do que se possa imaginar, os plásticos que aparecem nos oceanos têm na sua maioria origem em terra, cerca de 80%, onde o maior contributo provém de países asiáticos e africanos, onde não existem sistemas de recolha eficientes. A contribuição da Europa para este problema, que existe e que é grave, é cerca de 1%. E portanto o problema, em si, não é o facto de serem plásticos mas o facto de terem sido abandonados, ou seja, estamos perante um problema comportamental!

Fonte: Jambeck et al Research Report – “Marine Pollution: Plastic waste inputs from land into the ocean”, Feb 2015.

E ao invés de se procurar combater a raiz do problema, não, opta-se por olhar para o lado e visar o material, restringindo a sua utilização. Talvez seja a via mais fácil, mas certamente a mais errada. Proibir pura e simplesmente o uso do plástico representa um retrocesso ambiental, económico e civilizacional. Antes de se querer proibir um determinado produto deve-se estudar previamente o impacto de tal medida, de forma a garantir a sua sustentabilidade, proporcionalidade, segurança e viabilidade. A este nível, o estudo nunca ficará completo se não forem avaliados, através de análises de ciclo de vida, os impactes dos produtos de materiais alternativos, cujo desempenho ambiental é bastante inferior ao plástico.

Fonte: The impact of plastic packaging on life cycle energy consumption and greenhouse gas emissions in Europe: Executive summary July 2011, Bernd Brandt and Harald Pilz.

Infelizmente, esta análise nem sempre é efetuada, levando muitas empresas, não só pelo mediatismo que o tema plástico tem tido como também pela pressão dos próprios consumidores, nem sempre devidamente informados, a tomar opções que no final se vêm a revelar menos sustentáveis que a opção inicial e contrárias à economia circular. Temos como exemplo prático a substituição dos copos de plástico de polipropileno, um material reciclável, por copos de “papel”. Contudo, este copo dito de “papel” é plastificado no seu interior, podendo inclusive sê-lo também no exterior, quando projetado para acondicionar bebidas frias, por questões de condensação. Resultado, passamos de um monomaterial reciclável, para um material complexo não reciclável. Na prática, a solução encontrada em nada beneficiou o ambiente, muito pelo contrário. E como este, muitos outros casos têm tido expressão no mercado.

É, pois, essencial que todos os atores que integram a cadeia de valor do material desenvolvam ações que contribuam para a circularidade do plástico. Em primeira instância, é fundamental que as embalagens, por via do ecodesign, sejam projetadas cada vez mais para a reciclagem e para o ambiente, com o propósito de aumentarmos a sua reciclabilidade, sempre com o princípio básico de não comprometermos a sua função. Neste capítulo, a inovação, com recurso à investigação e desenvolvimento de novos materiais, produtos e ou tecnologias, ganha uma relevância extrema. Paralelamente, é fundamental que a incorporação de material reciclado nas mais diversas aplicações seja impulsionada.

No entanto, de pouco serve termos embalagens bem concebidas e fáceis de reciclar se no final o consumidor não adotar os comportamentos de separação e deposição seletivas. Esta simples atitude será decisiva para o desígnio da gestão de resíduos em Portugal, nos próximos tempos, desde logo, pelos objetivos futuros a que o país está obrigado em matéria de taxas de reciclagem e de deposição em aterro, ambas bastante ambiciosas.

Em resumo, todos nós, enquanto consumidores, temos um papel determinante no caminho para a sustentabilidade e economia circular, quer pela via de um consumo cada vez mais racional, quer pela adoção de um comportamento mais cívico e mais responsável na forma de descarte dos resíduos gerados. O Ambiente envolve-nos a todos e a responsabilidade também… 

Nuno Aguiar, Técnico Superior na APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos

6.640 é o número de mortes em Portugal em 2013 devido à poluição do ar

O relatório divulgado hoje pela Agência Europeia do Ambiente sobre a qualidade do ar divulga que a exposiçãoa  partículas finas PM2.5, a ozono e a dióxido de azoto provocaram 6.640 mortes prematuras no país.

Hans Bruyninckx, diretor executivo da EEA, citado no relatório, salienta que a redução de emissões levou a melhorias na qualidade do ar na Europa, mas “não o suficiente para evitar inaceitáveis efeitos” na saúde humana e no ambiente.

O responsável revela ainda que é necessário combater as causas da poluição do ar e para isso tem de haver uma “transformação fundamental e inovadora” na mobilidade, energia e nos sistemas de alimentação.

 

AMBIENTE E NUTRIÇÃO EM BENEFÍCIO DE UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Inovadora, a Nutrimeio assume-se como uma marca especializada nos domínios do Ambiente e da Nutrição Sustentável. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, como tem vindo a marca a crescer no seio do seu mercado de atuação?

A Nutrimeio® nasceu de um sonho: sensibilizar para um futuro mais sustentado através da Nutrição e Alimentação já que, enquanto necessidade primária do ser humano, é a que gera um dos maiores impactos ambientais sobre o nosso planeta. Enquanto projeto pioneiro que une Ambiente e Nutrição em benefício de um Desenvolvimento Sustentável, a Nutrimeio estende a sua área de intervenção à consultoria e formação, com recurso a técnicos multidisciplinares por acreditar que a fusão do know-how dos conceitos técnicos de sustentabilidade por parte dos seus engenheiros ambientais com o conhecimento nutricional dos engenheiros alimentares e nutricionistas a remete para uma visão holística de fácil acesso ao público em geral. Procuramos, através de parcerias, que os nossos serviços sejam acessíveis a todos, e assim brindar esta “ferramenta” para o maior número de pessoas que possam contribuir com um maior impacto positivo para o nosso planeta e as gerações futuras.

 

De que forma promovem a minimização do processo de degradação ambiental através da mudança de hábitos e comportamentos?

A Nutrimeio® assume-se como um veículo gerador de mudanças no comportamento humano em benefício da proteção ambiental. Para além de ações de sensibilização e formação, também consultas de nutrição clínica. Uma consulta de nutrição deve ser uma oportunidade de realizar reeducação alimentar. Mas vamos um pouco mais longe, complementamos as nossas consultas com a educação ambiental. Difundimos informação, sensibilização pela formação e promovemos a minimização da degradação ambiental pela divulgação de um consumo consciente e informado e que consequências terão, neste, as nossas escolhas.

 

Segundo um estudo do Fórum do Consumo sobre comportamentos de consumo sustentáveis, em 2016 tivemos um aumento de interesse pela origem dos produtos alimentares face a 2015. Qual tem sido o papel da Nutrimeio nesta alteração de comportamentos?

Há três anos, a Nutrimeio® focou a sua atividade em Portugal, quando pouco ou nada se falava sobre a relação direta entre a nossa alimentação e o meio ambiente! Quando nasceu este nosso projeto as pessoas não entendiam a pertinência de uma empresa que traduzisse um casamento entre nutrição e ambiente e fomos questionados inúmeras vezes sobre a relação entre estas duas áreas de estudo. Hoje, felizmente, a Nutrição Sustentável começa a ser um conceito de que muito se fala e serão poucas as pessoas a não ter uma ideia concreta da nossa área de intervenção.

Mas há que ter em atenção a não banalização do conceito, pois só conseguimos transmitir esta relação de forma correta quando é visto à luz de uma abordagem holística. Por isso, na Nutrimeio®, nutricionistas trabalham de mãos dadas com técnicos em ciências ambientais, sociais e económicas e só assim conseguimos programas de sustentabilidade alimentar de alta qualidade e rigor técnico e esta é a grande mais-valia da nossa empresa.

 

Acredita que falta um modelo de parceria entre entidades privadas como, por exemplo, a Nutrimeio, e organismos públicos que promovam uma alimentação saudável, algo que terá consequências positivas ao nível da saúde em Portugal?

As parcerias são fundamentais ao sucesso das organizações de forma transversal, mas não é fácil o acesso a organismos públicos. Vivi cerca de 10 anos na Colômbia e foi na América Latina que aprendi a ver o meio ambiente como um sistema integral e que sem ouvir e entender as diferentes culturas os projetos não conseguem alcançar a sustentabilidade tão desejada. Mas também foi na América Latina em que experienciei que o acesso e disponibilidade das entidades em realizar parcerias é uma realidade. Deparo-me, em Portugal, com uma outra realidade. Existem parcerias, naturalmente, mas não me parece haver ainda grande abertura, ao nível nacional. As parcerias normalmente são entre as mesmas entidades, e conceitos mais inovadores por vezes enfrentam barreiras mentais por parte dos diretivos que deveriam arriscar e tomar decisões que tracem novos rumos. Aprendi que se queres obter resultados diferentes não podes continuar a fazer sempre o mesmo. É sobre esta base que a Nutrimeio trabalha diariamente, numa procura constante de aprender dia a dia com os nossos clientes, de inovar, de procurar mais e melhores soluções, e assim ter um impacto no maior número de pessoas para realizar mudanças reais e visíveis a futuramente.

 

O que podemos esperar da Nutrimeio de futuro? Quais serão as grandes prioridades da marca para 2017?

Desde de 2013 que definimos a Dieta Mediterrânica como um modelo de Bem-Estar individual e do nosso Planeta, um modelo cultural que é um modelo de sustentabilidade real. Está prevista em 2017 a realização da 3ª edição do NOSTRA – Encontros de Nutrição e Sustentabilidade.

Queremos continuar a levar saúde e sustentabilidade às empresas, às escolas e ao público em geral. Desafiamos também para que cada dia se comece a aplicar o “Think out of the box”. Convidamos também os diretivos das empresas públicas e privadas a inovar a procurar novas, e melhores soluções para os seus colaboradores, em oferecer novas ferramentas que irão refletir mudanças sumamente positivas nos comportamentos dos seus colaboradores. Graças a uma parceria estabelecida com o projeto das ECO ESCOLAS (ABAE) iremos também desenvolver ações de sensibilização para pais e educadores em alimentação saudável e sustentável, durante o presente ano escolar.

Matos Fernandes vai ao Parlamento explicar reversão da reforma das águas

O requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PSD foi hoje aprovado com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP, PCP e PAN, os votos contra do PS e abstenção do Bloco de Esquerda.

O PSD apresentou no passado dia 30 de março um requerimento para pedir a audição do ministro do Ambiente com caráter de urgência para explicar motivos e razões que levaram a anunciar a reversão da reforma das águas.

“Era uma reforma de sucesso e dessa reforma resultaram medidas muito favoráveis ao setor. Foi possível resolver o problema das dívidas dos clientes, do défice tarifário, garantir uma maior coesão social e combater as assimetrias regionais e, ao mesmo tempo, promover o abaixamento dos preços para 80% dos municípios”, afirmou o deputado do PSD Manuel Frexes à Lusa.

Para o social-democrata, a reforma no setor das águas “permitiu resolver problemas que se arrastavam pelo menos há duas décadas”, pelo que recuar é “um retrocesso enorme para o país e para o setor”.

O presidente do Conselho de Administração do grupo AdP, Afonso Lobato de Faria, renunciou ao cargo por “não concordar com o caminho traçado” pela tutela para a empresa.

Numa comunicação interna, a que a agência Lusa teve acesso, Lobato de Faria afirma que a renúncia “será a melhor forma de defender o superior interesse nacional” e produzirá efeitos no final do mês de abril.

“Tendo em conta os bons resultados obtidos não posso de forma alguma concordar com o caminho traçado, que significa um inútil retrocesso para a sustentabilidade do Grupo AdP e por inerência para o setor da água em Portugal”, lê-se no documento.

 

Como viajar entre Lisboa e Porto? Comboio e autocarro poluem menos que o avião

A associação ambientalista Zero aconselha os passageiros que pretendem viajar entre Lisboa e Porto a optarem pelo autocarro ou comboio, ou preencherem todos os lugares do automóvel, para ajudar no combate às alterações climáticas.

No trajeto Lisboa–Porto, “se o seu objetivo for ajudar a combater as alterações climáticas, esqueça o avião, vá muito acompanhado no carro (se não for elétrico), ou opte preferencialmente pelo autocarro ou comboio”, salienta a Zero — Associação Sistema Terrestre.

As contas das emissões de dióxido de carbono dos meios de transporte realizadas pela Zero revelam que “o avião polui cinco a nove vezes mais por passageiro do que comboio ou autocarro” na ligação entre aquelas duas cidades.

A TAP inicia no domingo uma ponte aérea entre Lisboa e Porto, com aviões de hora a hora, e a última ligação com partida às 22:25, no primeiro caso, e às 21:30, na segunda cidade.

Para a Zero, a forma mais poluente de transporte é o automóvel a gasóleo, só com um passageiro, ao emitir 50,2 quilogramas de dióxido de carbono por pessoa, numa distância de 314 quilómetros, seguindo-se o avião Boeing 737-800 da Ryanair, que faz a ligação entre o Porto e Lisboa, com 36,1 quilogramas, e depois a alternativa da TAP Express garantida por aviões a turbopropulsor e de menores dimensões.

No outro extremo, nas alternativas com menos emissões, está o automóvel elétrico, com entre 3,1 e 1,2 quilogramas de dióxido de carbono, consoante leve duas ou cinco pessoas, e o comboio intercidades, com 3,8 quilogramas, já que o AlfaPendular apresenta um pouco mais, com 5,5 quilogramas por passageiro.

A partilha do automóvel a gasóleo “será sempre favorável mas, mesmo assim, com um veículo de cinco lugares cheio, as emissões são aproximadamente o dobro das do comboio ou do autocarro”, realça a Zero.

Os dados mais recentes referem que o setor dos transportes foi o que apresentou o maior aumento de emissões entre 1990 e 2013, com quase 40%, ao contrário dos processos industriais ou da produção de eletricidade, que reduziram este tipo de poluição.

Regulador. Água da torneira tem qualidade e dispensa purificação

A água da torneira tem qualidade e os consumidores não necessitam de equipamentos purificadores, ao contrário do que as empresas vendedoras destes aparelhos dizem, afirmou hoje o diretor do departamento desta área na entidade reguladora do setor.

“Tem-se verificado nos últimos anos que algumas empresas tentam comercializar purificadores de água recorrendo a uma experiência enganadora e tentando assim convencer os consumidores da necessidade de tratamento adicional da água da torneira”, disse esta terça-feira à agência Lusa, Luís Simas.

“Quando existe acesso à rede de distribuição não há necessidade de fazer tratamento à água”, alertou o responsável.

O diretor do departamento da Qualidade da Água da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) falava a propósito do Dia Mundial da Água, que hoje se assinala, e que foi escolhido para a apresentação da sua nova imagem institucional.

Os três elementos que constituem o novo logótipo da ERSAR estão associados aos serviços regulados, ou seja, o abastecimento de água, o saneamento de águas residuais e a gestão de resíduos urbanos.

A entidade reguladora tem recebido vários pedidos de esclarecimento da parte dos consumidores sobre a necessidade, ou não, de instalarem equipamentos para tratamento da água da rede de distribuição.

Por isso, vem reforçar a informação de que o indicador de água segura em Portugal é de 98% e “pode ser bebida sem quaisquer adições, de tratamento ou de coisa alguma”.

“Acima de tudo, pretendemos informar o consumidor que esses equipamentos não são necessários quando são servidos pela água da rede de distribuição, portanto não têm qualquer necessidade de fazer tratamento adicional”, insistiu Luís Simas.

E salientou a necessidade de esclarecer “a forma utilizada para convencer o consumidor que é a realização de uma experiência com um impacto visual muito grande, mas depois utilizada de uma forma errada do ponto de vista técnico”.

Assim, “a experiência leva, às vezes, o consumidor a tomar uma decisão que não está fundamentada” e aquilo que “nos preocupa é induzirem o consumidor em erro”, acrescentou o diretor do departamento da Qualidade da Água.

A ERSAR salienta mesmo que “estes equipamentos produzem uma água de composição mineral desequilibrada e que em nada ajuda na proteção da saúde humana”.

Além dos pedidos de informação dos consumidores, a ERSAR também é contactada por operadores a transmitir que “estas empresas atuam nas suas áreas utilizando o argumento de que a água da rede não tem qualidade adequada e têm um equipamento resolve os problemas todos”.

Somente a pequena parte da população que não tem água da rede pública, porque vive em zonas isoladas, deve preocupar-se com a qualidade de água que lhes chega à habitação.

A taxa de cobertura da rede está acima de 95% e “o que é razoável do ponto de vista técnico já foi atingido”.

Nestes casos, especificou, os consumidores podem contar com as autoridades de saúde locais, o regulador e o operador que está nesse concelho para ajudarem a estabelecer mecanismos de controlo e tratamento da água.

Controlo dos resíduos perigosos para o ambiente vai ser reforçado

“Vamos reforçar a fiscalização nos resíduos perigosos”, disse Carlos Martins, acrescentando que é necessário perceber o que se passa, quanto se produz e o que acontece a seguir.

Quando as estatísticas dizem que a produção de resíduos perigosos registou uma redução e não houve alterações na economia ou na sociedade que o justifiquem, “temos que estar atentos”, referiu.

O secretário de Estado do Ambiente falava no seminário “Gestão de Resíduos Urbanos e Industriais” que decorre em Lisboa, organizado pela Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais (APEMETA).

“Se os resíduos [perigosos] desaparecem, alguém tem de explicar o que aconteceu”, defendeu o governante.

Para Carlos Martins, apesar de Portugal ter “feito bem o trabalho de casa” na recolha e tratamento de resíduos, o futuro “traz um conjunto de desafios”, devido à definição de metas muito ambiciosas no âmbito da economia circular, nomeadamente na melhoria da recolha seletiva e na redução da quantidade de lixo colocada em aterro.

Por isso, será necessário “corrigir trajetórias”, mas também esclarecer a forma como são medidas as metas nos vários Estados membros da União Europeia.

A tarefa de clarificar o papel das entidades de fluxos específicos de resíduos também foi listada pelo secretário de Estado que recordou que há licenças a esperar uma decisão definitiva “há quatro ou cinco anos”.

 

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