Inicio Tags Ano letivo

Tag: Ano letivo

“Estão reunidas todas as condições para um bom início do ano letivo”, diz ministro da Educação

Foto LUSA

“Estão todas as condições criadas para que, efetivamente, possa ser um bom início de ano letivo”, referiu aos jornalistas, quando visitava a escola profissional de agricultura da localidade, para assinalar o arranque do novo ano escolar.

Como dados para este ano, assinalou “uma aposta forte na inovação pedagógica, no que é a educação pré-escolar”. “Temos este ano um número significativo de crianças e famílias que vão poder ter acesso. Mais 1.400 e, no total, mais 7.500 famílias nesta legislatura que têm acesso à educação no pré-escolar”, indicou.

O ministro referiu depois que este ano haverá “quase um milhão de famílias que vão ter os manuais escolares gratuitos”. “Isso é algo que restitui rendimento às famílias e nunca como este ano tantas famílias antes de iniciar o ano letivo tinham os livros na sua posse”, destacou, informando que, até ao momento, “70% dos ‘vouchers’ já foram resgatados [pelas famílias].

Tiago Brandão Rodrigues assinalou que este ano haverá mais assistentes operacionais nas escolas [mais 3.500 no total da legislatura] e, por outro lado, “de forma absolutamente inédita”, foi possível colocar os professores contratados “logo a meio de agosto”.

O ministro assinalou, também, a importância de o início deste ano letivo ter sido assinalado pelo Governo numa escola profissional agrícola pública, “para se poder ver que a escola pública tem muitas vertentes”.

Fonte LUSA

Ilha do Corvo: aulas começam com turmas com um aluno

“Somos uma família. Todos nos conhecemos não só na escola como na ilha toda. É só uma vila com 435 habitantes, segundo o último censo, mas penso que estamos a crescer e a rondar os 460 habitantes”, afirmou a presidente do conselho executivo da escola do Corvo, Deolinda Estêvão, em declarações à agência Lusa.

Na mais pequena ilha do arquipélago açoriano, o ano letivo arranca na Escola Mouzinho da Silveira com 42 alunos, que vão frequentar desde o primeiro ciclo ao ensino secundário.

“Temos vindo a ter um decréscimo acentuado de alunos e este ano letivo ainda mais”, apontou a responsável do estabelecimento de ensino.

Segundo Deolinda Estêvão, este ano letivo “há uma redução de 12 alunos relativamente ao ano transato”, o que, disse, tem a ver com o facto de “nascerem poucas crianças” no Corvo. “Já não nascem bebés de famílias do Corvo há dois anos”, sustentou, acrescentando haver uma redução no número de alunos que entram no primeiro ciclo.

Este ano, por exemplo, e de acordo com a responsável, só haverá uma criança a frequentar o primeiro ano. “As turmas são de reduzida dimensão. No primeiro ciclo temos duas turmas com sete alunos e no segundo e terceiro também com sete alunos. São as turmas maiores. Depois existem turmas com dois alunos e outras com um aluno, nomeadamente no 9º e 12º de ciências e tecnologias”, explicou.

Além da baixa taxa de natalidade, a responsável referiu ainda que outros alunos vão saindo quando terminam os seus ciclos de estudo, nomeadamente o nono ano, optando por “outros percursos que a escola não oferece, nomeadamente o ensino profissional”.

“Há alunos que vão para a Terceira e para o Faial, que vão frequentar o ensino profissional e há ainda aqueles estudantes que terminam o 12.º ano, o seu ciclo de estudos, e vão frequentar a universidade ou ficam-se pelo 12º ano”, explicou.

A presidente do conselho executivo da escola adiantou ainda que se verificou um decréscimo de professores na escola, que vai arrancar as aulas com 20 docentes no estabelecimento de ensino.

“Este ano não temos duas turmas de 11º ano. Os alunos que iam frequentar este nível de ensino têm situações familiares de pessoas que saíram da ilha”, disse ainda, frisando que existem também dificuldades de fixação de professores, por falta de casas para alugar no Corvo, e adiantando que “existem dois professores por colocar: uma de português e outro de música”.

Para a presidente do conselho executivo da escola, o ensino no estabelecimento de ensino da mais pequena ilha do arquipélago, “é individualizado”. “É quase como que uma explicação, o professor e o aluno. As nossas metodologias e maneiras de ensinar têm que ser completamente alteradas quando se tem um aluno numa turma. De certa forma, pode beneficiar, mas também não torna as turmas tão competitivas”, salientou.

Quais são os benefícios dos manuais digitais?

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou na terça-feira o diploma da autoria do Partido Ecologista Os Verdes (PEV), que visa fomentar a desmaterialização dos manuais escolares, abandonando progressivamente os materiais em papel.

Para o presidente da associação ambientalista Quercus, João Branco, a “legislação é positiva” porque permitirá poupar “muitos recursos” naturais.

Haverá “uma pressão muito menor sobre o planeta”, porque deixar-se-á de gastar “milhares ou mesmo milhões de toneladas de papel por ano”, disse João Branco à agência Lusa.

Serão também reduzidos outros impactos ambientais relacionados com a produção dos manuais (as tintas) e o seu transporte.

“São muitos milhões de litros de combustível que se gastam todos os anos na distribuição dos manuais” e que serão poupados com esta medida, disse o ambientalista.

Para João Branco, a legislação também constitui “um passo a seguir às tentativas que têm sido feitas de reutilização de manuais escolares, que tiveram algum impacto mas nunca conseguiram atingir grandes objetivos”.

Esta medida também é apoiada pelo presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, afirmando que “vai ao encontro” do que tem sido a preocupação dos pais.

“Sempre defendemos que as famílias devem ter a possibilidade de optar por manuais, por conteúdos, pela reutilização, pelo suporte digital”, disse Jorge Ascensão à Lusa.

“Mais do que se estar a falar da reutilização, é permitir às famílias que possam fazer essa opção”, disse, defendendo que “há manuais que faz sentido ser em suporte digital”.

Jorge Ascensão adiantou que há escolas que já adotaram o sistema de não obrigar à compra de manual em papel, o que considerou “uma boa medida porque deixa à família essa opção de acordo com o perfil da criança e com a forma como se sente melhor a trabalhar”.

“Para uma ou duas disciplinas posso comprar e para as outras não comprar. Poderá trazer vantagens para todos”, frisou o presidente da Confap.

Um dos objetivos da legislação é poupar os gastos das famílias com a compra de manuais escolares.

Para o próximo ano letivo, o cabaz médio dos manuais escolares custa 112,5 euros e o ano escolar mais caro é o 11.º ano, onde o valor ronda os 200 euros, segundo a Associação Portuguesa de Editores Livreiros (APEL).

Há muitas famílias que optam por reutilizar os livros, aderindo a plataformas de troca de manuais, poupando assim centenas de euros por ano.

Por outro lado, a legislação também trará benefícios para a saúde dos alunos ao aliviar o peso das mochilas, como apontou Jorge Ascensão, que tem vindo a defender algumas medidas para resolver o problema.

A Confap foi uma das entidades que assinou a petição “contra o peso excessivo das mochilas escolares em Portugal”, que reuniu mais de 40 mil assinaturas e que foi entregue em fevereiro no Parlamento.

Questionado pela Lusa sobre se as editoras estão preparadas para esta medida, Paulo Ferreira Gonçalves, da Porto Editora, que faz parte da APEL, disse que desde há anos que os manuais estão disponíveis em formato digital.

“Esta iniciativa legislativa está desfasada em relação à nossa atividade 10 anos”, disse Paulo Ferreira Gonçalves.

Por isso, sublinhou, “se de hoje para amanhã essa desmaterialização quiser ser concretizada, os pais, os alunos, os professores, o país podem estar perfeitamente descansados porque há conteúdos digitais de carater educativo perfeitamente estruturados, de qualidade, de rigor científico e pedagógicos de acordo com os programas”.

Mas, salientou, “não é sólido que o caminho mais indicado seja o uso exclusivo do digital”.

“Muitas experiências noutros países apontam para a necessidade imperiosa de não haver o uso exclusivo do digital mas sim em complemento com o papel”, rematou.

Escola fechada a cadeado contra junção de turmas de 1.º e 2.º anos

Paulo Magalhães disse à Lusa que este protesto surge depois de “esgotadas todas as vias de diálogo com a tutela”.

“O que a tutela diz é que bastava haver mais um aluno para formar turmas autónomas para cada um dos anos. É verdadeiramente inacreditável que por um aluno se esteja a prejudicar o sucesso educativo de 26 crianças”, referiu.

Aquela turma mista é constituída por 11 alunos do 1.º ano e 15 do 2.º.

Os pais garantem que, mesmo quando as autoridades removerem os cadeados, os filhos não vão às aulas no dia de hoje.

Entretanto, vão ficar a aguardar “novidades” do Ministério da Educação.

“Caso insistam na turma mista, na segunda-feira voltaremos à luta e de uma forma seguramente mais forte”, adiantou Paulo Magalhães.

Em cima da mesa estão hipóteses como cortes de estrada ou fecho da escola sede do agrupamento.

O presidente da Associação de Pais lembrou que quando fecharam as escolas um pouco por todo o concelho e foram criados os centros escolares, “um dos objetivos era, precisamente, acabar com as turmas mistas”.

“Afinal, agora é o que se vê, mas nós não vamos aceitar. Somos portugueses como todos os outros, pagamos impostos como todos os outros, temos direitos iguais a todos os outros”, rematou.

Pontos essenciais sobre o arranque do novo ano letivo

O ano letivo 2016/2017 está já em movimento. Um ano com novas políticas e algumas mudanças. Conheça aqui os pontos essenciais do arranque do ano letivo no ensino básico e secundário e também no ensino superior.

– Ano letivo 2016/2017 com cerca de 1,2 milhões de alunos inscritos num dos 811 agrupamentos e escolas do ensino básico ao secundário.

– Ministério criou 55 mil turmas de alunos desde o 1.º ao 12.º ano

– 80 mil alunos do 1.º ano do 1.º ciclo recebem manuais gratuitos.

– Escolas criam professores tutores para ajudar estudantes com mais problemas de aprendizagem: cada docente terá grupos de dez alunos com dificuldades.

– Calendário oficial de abertura do ano letivo entre a passada sexta-feira e esta quinta-feira, dia 15 de setembro.

– Ministério da Educação renovou contratos com 2.900 técnicos operacionais para este ano letivo.

– Primeiro período de aulas será muito maior, com cerca de 67 dias de aulas. Segundo período com cerca de 63 dias e, no caso do 9.º ano, os alunos terão apenas 33 dias de aulas no 3.º período.

– Primeiro-ministro, 15 ministros e 15 secretários de estado visitam hoje escolas de norte a sul do país.

– Já no que toca ao ensino superior, 1.ª fase do concurso de acesso ao ensino superior público colocou 42.958 novos alunos nas universidades e politécnicos, mais 890 alunos em relação à mesma fase do ano passado.

– 51% ficaram colocados na sua 1.ª opção, sendo 84% a percentagem dos que conseguiram lugar numa das primeiras três opções.

– A 1.ª fase registou 49.472 candidatos a 50.688 vagas, tendo ficado por preencher 8.022 lugares, 16% das vagas iniciais que ficam agora disponíveis para a 2.ª fase do concurso nacional de acesso.

– 66,2% dos alunos ficaram colocados numa universidade, 33,8% num politécnico.

– Apenas o ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, preencheu todas as vagas levadas a concurso na 1.ª fase.

– A 2.ª fase do concurso decorre entre 12 e 23 de setembro, para os candidatos que não conseguiram lugar na 1.ª fase, para colocados que queiram mudar de curso ou instituição.

Ano lectivo começa com “professores colocados a tempo”

O ministro da Educação disse nesta segunda-feira em Ponte da Barca que o ano lectivo começou com “serenidade e tranquilidade”, sublinhando que os professores estão “todos colocados a tempo” e que a tutela renovou contratos com 2900 auxiliares.

“É importante dizer que este ano conseguimos ter todos os professores a tempo. No primeiro dia de Setembro podemos ter todos os horários que as escolas nos solicitaram preenchidos”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues aos jornalistas no final de uma visita ao centro escolar de Crasto, em Ponte da Barca.

“Foram preenchidos mais de 7000 lugares de professores contratados, mais 500 que no ano anterior. O que acontece é que, num universo de 7500 professores, pontualmente um ou outro professor não preencheu esse lugar”, disse, adiantando que já na semana passada a tutela recorreu à “reserva de recrutamento” para “ir preenchendo todas as necessidades”.

“Semanalmente corremos a lista única da reserva de recrutamento para se, eventualmente, um professor estiver doente, ou não puder trabalhar por alguma questão, poder preencher esse lugar”, afirmou.

Para Tiago Brandão Rodrigues, no início do ano escolar “estão preenchidas todas as condições para que o ano escolar possa começar sem nenhum problema, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores”.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que “de há muitos anos a esta parte há muitos professores que chegam tardiamente às escolas e, como os directores não querem arriscar, adiam o arranque lectivo. Este ano, pela primeira vez desde que sou director escolar, os professores estavam todos colocados a 1 de Setembro, o que nos surpreendeu pela positiva”.

O ministro da Educação destacou ainda que neste ano lectivo “há mais assistentes operacionais do que tradicionalmente”, sendo que a tutela renovou contrato, a 1 de Setembro, com “2900 assistentes operacionais”.

“Neste momento, estamos a monitorizar com os directores de escolas e com os delegados regionais as possíveis faltas de assistentes operacionais para depois, também, podermos preencher esses lugares para que o ano lectivo possa continuar com esta tranquilidade, tão saudada e tão importante para nós”, sustentou.

O ministro referiu que a “serenidade e tranquilidade” que marcou o arranque do novo ano escolar resultou, “acima de tudo, do trabalho feito no Ministério da Educação, também com os nossos parceiros, para identificar os problemas e poder resolvê-los”.

“É bom poder trazer à escola a serenidade e tranquilidade que a escola merece. Poder trazer a todos os agentes educativos, poder trazer às famílias com quem hoje tive a oportunidade de falar essa tranquilidade e serenidade para esse início de ano lectivo”, defendeu.

Também o presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (Cnipe), Rui Martins, considera que “este ano as coisas estão a correr melhor”, acrescentando que “nenhum aluno vai ficar sem aulas. Esta situação dá uma maior estabilidade às escolas”. O presidente considera que agora é preciso diminuir o número de alunos por turma e aumentar o número de funcionários e defende que deveria haver um ajustamento da dimensão dos períodos de forma a ficarem mais homogéneos.

Filinto Lima, presidente da ANDAEP pretende debater a possibilidade de substituir os três períodos actuais por apenas dois semestres: “Este ano, os alunos vão ter um primeiro período muito grande, com 67 dias de aulas. Depois têm um segundo período de 63 dias e finalmente o último período terá apenas 33 dias, no caso dos alunos do 9.º ano. Isto acontece porque estamos sempre dependentes do feriado móvel da Páscoa”.

A maioria das escolas começa as aulas na quinta-feira, último dia da abertura oficial do ano lectivo, segundo a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, que lamenta a falta de operacionais técnicos.

“Os miúdos continuam com muita vontade de aprender, são é menos focados”

Vivia em Castelo Branco, em 1976, e só havia duas saídas para continuar a estudar: enfermagem ou o magistério primário. Entrei para o magistério. Comecei a leccionar em 1979, fui dar Telescola numa terrinha no concelho de Santiago do Cacém. Nem os bombeiros de Santiago do Cacém sabiam como lá chegar. Não tinha estrada, nem água, nem luz, nem geradores. E por isso não tinha televisão. Não podíamos prejudicar os alunos. Demos Telescola sem televisão, com as fichas que nos enviavam (com todos os esforços lá conseguimos que aparecessem uns geradores no final do ano lectivo e inaugurámos a televisão em Junho). Depois fui para Sacavém, também para a Telescola. Era para onde iam os meninos que não eram aceites no 2.º ciclo da Portela de Sacavém.

Fui mudando de escola todos os anos e ainda não estava muito convencida em ser professora. Mas no 5.º ano de trabalho apanhei uma turma de 4.º ano, em Lisboa, e os miúdos eram espectaculares. Era um grupo misturado, de meninos de diferentes classes sociais, aprenderam tanto, tinham tanto interesse, gostei tanto de os ver aprender que decidi que ia continuar.

Sou professora há 37 anos. Alguns dos meios em que trabalhei já nem existem, felizmente, porque havia naquela altura crianças em condições deploráveis. Fizemos uma evolução muito grande.

Hoje os miúdos são diferentes, claro. Mas continuam com muita vontade de aprender. São é menos focados. Há 30 anos eram muito focados na aprendizagem académica, sabiam que aquilo lhes ia dar possibilidades de ter uma profissão. Sabiam que estudando podiam ter mobilidade social, mesmo os pequeninos sabiam isso. Hoje verifica-se que muita gente licenciada não consegue emprego, nem pôr em prática os conhecimentos que adquiriu, não consegue sair da precariedade. Sim, os meus alunos são pequeninos mas absorvem tudo à sua volta.

Acompanho as crianças do 1.º ao 4.º ano. Chegam sem saber ler, escrever ou fazer cálculos e quando saem  alguns vão com uma bagagem incrível, são capazes de argumentar, de escrever o que pensam… é  uma coisa espectacular.

Vou pegar num 1.º ano este ano. Estou muito entusiasmada! O primeiro dia em que nos encontramos com os novos alunos é sempre um dia especial. Tenho muita curiosidade. Eles chegam ansiosos. Os pais também vêm muito ansiosos. E há necessidade de tirar todas estas ansiedades.

Os alunos passam cinco horas comigo, diariamente. Já escolhi as histórias que quero que sejam essenciais para estruturar a relação da turma neste ano lectivo. Também já sei onde quero chegar até ao Natal, a planificação dos objectivos está feita. Claro que depois depende sempre do grupo. Leva tempo conhecer as crianças. E tem de se pensar de modo a que nenhuma fique para trás. O trabalho do professor é um trabalho que nunca acaba. Um professor pode estar quase a dormir, na cama, muito descansadinho, e de repente ocorre-lhe: ‘E se eu fizesse aquilo com aquele menino?’

Os pais valorizam coisas diferentes das que valorizamos. Dizem: “Trabalho muito”… mas bastam dez minutos para mostrar atenção ao que o filho faz, para valorizar o que ele faz, para saber o que ele faz. Tenho pais aqui que trabalham imensas horas e percebe-se que sabem o que se passa com os miúdos. E há pais que passam o dia em casa, e nem por isso.

Sim sentem-se outras mudanças, por exemplo: o primeiro grupo que tive nesta escola há 13 anos tinha quatro ou cinco meninas que se acompanhavam umas às outras para irem e virem da escola para casa, teriam 6 ou 7 anos. Ensinei-lhes cedo que não deviam deslocar-se sozinhas e elas andavam em grupo. Nos grupos de meninos seguintes nunca mais tive ninguém que andasse a pé. Mesmo que morem perto. Os meninos vêm de carro, com os pais. Na minha opinião isto é mau. Mas percebo que os pais digam que não deixam os miúdos andar sozinhos. Em Portugal, o espaço público não está devidamente organizado para responder às crianças — se entra um grupo de miúdos pequenos num autocarro as pessoas começam todas a reclamar, a dizer que são barulhentos e que não respeitam ninguém, e a maior parte deles não são assim…

Os meninos têm hoje conhecimentos muito limitados do meio em que vivem. Pergunto-lhes no início do ano qual é o número que está escrito na porta da casa deles; a maior parte não sabe, nem nunca reparou que havia lá um número. Há muitos miúdos que não sabem o nome próprio do pai e da mãe, muito menos o nome completo. E onde é que os avós vivem? É já ali. Onde? Em Castro Daire. Para o menino que entra no carro, adormece e acorda em Castro Daire, a casa do avô é já ali. Não há uma noção das distâncias, é sempre preciso trabalhar muito com eles os percursos e as distâncias, mesmo da zona aqui à volta onde vivem. Não andam a pé, não sabem onde se compram as coisas, onde fica a loja disto ou daquilo, mesmo o Colombo, é aqui ao lado e há alunos nesta escola que nunca lá foram. Os meninos estão muito na sua “gaiola”. Mas não se aprende tudo no iPad.

A imagem do professor? Mudou muito. Mas foi intencional, da parte da classe dirigente houve um certo discurso… É que isto envolve dinheiro, sabe?

Conseguimos um Estatuto da Carreira Docente, ao fim de muita luta, um estatuto que nos reconhecia numa profissão, que dizia que tínhamos que ser licenciados, que definia uma carreira única… e de há dez anos a esta parte, além de congelarem as progressões na carreira, o estatuto começou a ser ameaçado. Estou no último escalão da carreira desde 2004, porque fiz uma licenciatura e um mestrado, mas a partir de 2006/2007 ninguém mais subiu e há professores neste momento que têm a idade que eu tinha quando cheguei ao topo e continuam no primeiro escalão.

E tivemos um colega aqui, com mais de 40 anos, que vinha de longe e levava 900 e poucos euros para casa… Não devia acontecer.

EMPRESAS