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Avião faz operação de salvamento a -60ºC no Polo Sul

Um trabalhador da Base Polo Sul Amundsen-Scott teve de ser resgatado esta noite, devido a uma emergência médica que não pode ser resolvida no local. Este tipo de operação de resgate, de acordo com o The Guardian, só aconteceu duas vezes na história da estação.

Para chegar a esta base, localizada a apenas de 100 metros do Polo Sul, é necessário utilizar um avião Twin Otter, o único modelo capaz de voar a temperaturas tão baixas. É que, neste momento, o Polo Sul está a meio do inverno, num estado de escuridão permanente e a uma temperatura média de -60ºC. O The Guardian explica que estas aeronaves, operadas pela companhia aérea Kenn Borek, do Canadá, conseguem voar até um limite de temperatura de -65ºC.

A estação Amundsen-Scott, no Pólo Sul.

A estação Amundsen-Scott, no Pólo Sul.

A viagem começou no dia 14 de junho, altura em que dois aviões Twin Otter partiram do Canadá rumo à estação de Rothera, no extremo sul sul da América do Sul. Esta terça-feira, um dos aviões partiu de Rothera, numa viagem de cerca de 2.400 quilómetros, de 10 horas, até à base polar. O outro ficou na estação, pronto para intervir se qualquer problema ocorresse com o primeiro.

Apesar de a identidade do paciente não ter sido revelada, o responsável pela expedição polar da National Science Foundation, gestora da base, disse que se trata de um funcionário da Lockheed Martin, construtora de produtos aerospaciais.

Durante os meses de inverno polar (entre fevereiro e outubro), os acessos à base, onde vivem atualmente 48 pessoas, são cortados. A chegada e a partida dos investigadores acontece apenas nas alturas do verão. Por isso este resgate é duplamente arriscado, e operações do género tinham acontecido apenas duas vezes, em 2001 e 2003.

Bactérias da Antártida podem ajudar a rastrear células cancerígenas

Essas nanopartículas são geradas no interior de micro-organismos muito resistentes a condições extremas, como elevada exposição aos raios ultravioleta, a falta de nutrientes e as baixas temperaturas da Geleira União, na Antártida profunda, segundo o investigador Luis Saona, do Centro de Bioinformática e Biologia Integrativa (CBIB) da Universidade Andrés Bello (UNAB) e da Universidade do Chile.

Saona é um dos 15 membros da expedição chilena que está na Estação Polar Científica da Antártida, operada em conjunto pelo Instituto Nacional Antártico do Chile (Inach) e as forças armadas.

Até agora, as nanopartículas eram criadas principalmente através de processos químicos que envolviam metais pesados como cádmio, telúrio e mercúrio, o que aumentava a sua toxicidade e prejudicava a aplicação biológica.

É por isso que, há alguns anos, o Laboratório de Bionanotecnologia e Microbiologia comandado por Pérez-Donoso, através de pesquisas desenvolvidas por cientistas como Saona, começaram a concentrar-se em nanopartículas de cobre, um mineral menos tóxico para o organismo e que, através de um método patenteado recentemente, é capaz de criar nanopartículas com grande poder de emissão de luz.

«O desafio actualmente é sintetizar nanopartículas de forma natural, através do uso de micro-organismos capazes de gerar essas nanoestruturas na presença do cobre», explicou o cientista.

A graça de trabalhar com esse tipo de bactéria que vive em ambientes extremos, segundo Saona, é que, ao submetê-las ao tratamento de stress, são capazes de criar essas nanopartículas fluorescentes procuradas pelos pesquisadores.

O cobre é o único elemento externo que os cientistas acrescentam para criar essas nanopartículas que, ao serem introduzidas em células cancerígenas, podem identificar o seu movimento dentro do organismo e ajudar a entender como estas se expandem para outros órgãos.

«O que estamos a estudar é a possibilidade desses micro-organismos antárticos criarem no seu interior as nanopartículas fluorescentes, cuja toxicidade é muito menor, pois estão cobertas com proteínas e moléculas orgânicas próprias de um organismo vivo», detalhou.

Além de testar as nanopartículas de cobre em tecido celular, os cientistas trabalham para utilizá-las em protótipos de células solares para construir painéis baseados em cobre para gerar energia a partir da luz do sol.

«Essas nanopartículas conseguem recolher fotões: recebem a luz do sol, obtêm energia e emitem fluorescência. O que fazemos numa célula solar é pegar nesse fluxo de electrões e tentar transformá-lo em corrente eléctrica ao invés de fluorescência», afirmou Saona.

O objectivo das pesquisas desenvolvidas na Universidade Andrés Bello, que ainda estão numa fase preliminar de desenvolvimento, é substituir os materiais baseados no silício por um processo «muito mais ecológico».

«Por enquanto, estamos numa etapa embrionária, mas há muitos estudos que garantem que as células solares de quarta geração utilizarão nanopartículas desse tipo ou componentes biológicos», destacou o pesquisador.

Com o objectivo de avançar nas pesquisas, Saona ficou durante duas semanas na Geleira União, situada a apenas mil quilómetros do polo sul, para recolher amostras que contivessem esses micro-organismos que depois seriam isolados nos laboratórios.

Além de representar um avanço no tratamento do cancro e na criação de energias renováveis, essa tecnologia «totalmente chilena» poderia dar valor agregado a um produto nacional que até ao momento só é vendido em estado bruto.

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