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Nações Unidas: a procissão já saiu do adro

Independentemente do desfecho final, que ainda é incerto, porque as negociações entre os grandes ainda não começaram, e nestas coisas de interesses estratégicos tudo pode acontecer, os resultados obtidos até agora por António Guterres são de se lhe tirar o chapéu. O Conselho de Segurança da ONU tem sido consistente na apreciação das qualidades excecionais do candidato proposto por Portugal para secretário-geral. Enquanto se têm notado oscilações importantes no reconhecimento do mérito dos outros concorrentes, no caso de Guterres as votações têm mantido uma avaliação constante, a um nível alto e promissor.

Se na próxima ronda, que será a quarta, o apoio continuar ao mesmo nível, tornar-se-á muito difícil impor um outro candidato. Sobretudo um candidato de última hora, alguém chegado de novo, de fora, a um processo que já percorreu muito caminho.

Mas tudo pode ainda acontecer. O passado mostra que a escolha pelo Conselho de Segurança de um novo patrão das Nações Unidas mantém-se imprevisível até ao último momento.

A Rússia está convencida que um secretário-geral proveniente de um pequeno país da Europa do Leste lhe será, no futuro, mais favorável, menos inclinado a críticas à política externa russa. Sobretudo se o país da sua nacionalidade tiver uma relação de proximidade económica e cultural com a Rússia. Por isso, será de prever que o Kremlin continue a insistir na questão da rotatividade geopolítica, ou seja, que desta vez o cargo deve caber à Europa Oriental. É verdade que a Europa Oriental é uma ficção política, que deixou de existir com o fim da Guerra Fria, a subsequente expansão da NATO e as adesões à UE. Mas é uma ficção que existe ainda na ONU e que pode ser útil aos interesses russos, tal como a classe dirigente atual os vê.

Nessa linha de reivindicação geopolítica, um nome parece agora emergir. E de modo surpreendente. O primeiro-ministro da Eslováquia esteve em Moscovo uns dias antes da votação desta semana e teve uma conversa muito apreciada por Vladimir Putin. É assunto que convém seguir com algum cuidado.

Por outro lado, quer a Rússia quer os outros grandes do Conselho, os P5, como se chama aos permanentes, preferirão um secretário-geral que seja considerado politicamente pragmático. Ou seja, flexível, uma palavra que traduz bem a principal característica que eles gostam de ver na pessoa que ocupa o secretariado-geral. Os membros permanentes não apreciam os moralistas, em matéria de política internacional. Também não morrem de amores por gente com um forte pendão humanitário.

Há ainda a variável do género. A administração americana tem em Washington quem pense – e é gente influente, com acesso aos ouvidos do presidente – que Obama não deve deixar passar a oportunidade, no termo do seu mandato, de contribuir para a eleição de uma mulher. Ficaria bem na fotografia final e nos livros de história.

Sem esquecer, claro, que Hillary Clinton também vai influenciar a escolha, mesmo que o faça de modo indireto. Vai ser ela, em princípio, quem irá ter como interlocutor o novo secretário-geral.

Os americanos querem, por tudo isto, que as candidatas femininas continuem até à próxima ronda. Têm porém um problema como uma outra mulher: Teresa May. A líder britânica não pode apoiar a candidata preferida por Washington. A razão é clara. Toca numa questão internacional que faz parte da sua história recente e que está estreitamente associada ao legado de uma outra líder conservadora, Margaret Thatcher: as Ilhas Falklands, para uns, Malvinas, para outros.

Para quem gosta de histórias de suspense, a inovadora metodologia eleitoral, que os estados membros estão desta vez a seguir, oferece uma boa dose de excitação. Tem, igualmente, o mérito de chamar a atenção pública internacional para uma questão que no passado sempre passou despercebida: a importância da função. Num panorama de grandes tensões, a personalidade do secretário-geral conta de modo determinante. E é por isso que a candidatura de António Guterres ganhou o peso que agora tem.

Guterres continua à frente com dois votos de desencorajamento

O antigo primeiro-ministro terá obtido onze votos de “encorajamento”, dois de “desencorajamento” e e dois de “não opinião”.

A votação foi secretada entre os 15 países com assento no Conselho de Segurança. Informações provenientes de quadros da ONU, divulgadas pelo Twitter, dizem que a seguir na votação ficou o esloveno Danilo Turk

em atualização

Guterres à espera da segunda prova

É já esta sexta-feira que os membros do Conselho de Segurança votam pela segunda vez para “qualificar” os candidatos a secretário-geral das Nações Unidas. Guterres foi o que reuniu o maior número de votos favoráveis na última vez, a 21 de julho, agora saber-se-á se continua como favorito. Se sim, consolida a sua posição.

Este tipo de votação – “straw poll” – atribui uma de três “notas” aos candidatos: encorajamento, não encorajamento, sem opinião. Guterres obteve na primeira votação 12 votos de “encorajamento” e três sem opinião ou neutros e nenhum negativo. O segundo qualificado, o ex-Presidente esloveno Danilo Turk, obteve 11 favoráveis, mas teve dois votos negativos (e mais dois neutros).

Apesar do apelo geral feito a que desta vez seja escolhida uma mulher para o supremo cargo na ONU, a primeira que surge no ranking está em terceiro lugar, com nove “encorajamentos”, dois “não encorajamento” e quatro negativos. Foi a búlgara Irina Bokova, diretora geral da UNESCO. A outra mulher, a ex-primeira-ministra neo-zelandesa Helen Clark, surge na sexta posição (oito votos de encorajamento, cinco “nãos” e dois neutros).

E é mulher também o último classificado, Vesna Pusic, ex-ministra croata dos Negócios Estrangeiros: 11 votos negativos, contra apenas dois “encorajamentos” e dois neutros. Desistiu da candidatura já esta quinta-feira.

 

Ao todo, estão na corrida 12 candidatos, o maior número de sempre, seis homens e seis mulheres. Oito são oriundos da Europa oriental, um grupo regional ainda vigente na organização internacional que nunca teve um secretário-geral, segundo um princípio não escrito mas geralmente aceite.

Num debate na ONU, Guterres ladeado (à esquerda) pela ministra dos Negócios Estangeiros argentina, Susana Malcorra, e a croata Vesna Pusic (ex-MNE), ambas candidatas

Num debate na ONU, Guterres ladeado (à esquerda) pela ministra dos Negócios Estangeiros argentina, Susana Malcorra, e a croata Vesna Pusic (ex-MNE), ambas candidatas

REUTERS/MIKE SEGAR

MAIS UM PASSO

Agora, todos estão na expectativa, e em primeiro lugar António Guterres, cujo resultado na primeira volta deu um novo impulso à sua campanha, que prossegue com contactos e visitas a vários países, incluindo a Rússia.

O processo de votação é secreto, pelo que é impossível saber qual será a indicação. O resultado da primeira volta mostra no entanto que existe em torno do ex-Alto Comissário para os Refugiados uma expectativa elevada. E o facto de ninguém ter votado contra pesa.

O processo destas primeiras votações, não sendo formais no puro sentido do termo, têm o objetivo de ir apurando os candidatos, propiciando àqueles que têm maior número de “não encorajamentos” que possam retirar a sua candidatura, se considerarem que não têm qualquer possibilidade de prosseguir na corrida.

É provável, pois, que com os resultados desta votação – que só deverão saber-se na sexta-feira ao fim do dia – já se comece a delinear o corpo de candidatos com maior peso.

No mesmo debate com candidatos, numa perspetiva mais ampla, onde se veem também a moldova Natalia Gherman e o sérvio Vuk Jeremik

No mesmo debate com candidatos, numa perspetiva mais ampla, onde se veem também a moldova Natalia Gherman e o sérvio Vuk Jeremik

REUTERS/MIKE SEGAR

Os 15 membros do Conselho de Segurança continuarão a realizar estas votações até atingirem o consenso sobre um único candidato, que será proposto para votação pela Assembleia Geral. Mas sabe-se que os cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) têm um papel preponderante, devido ao facto de terem direito a veto. Na prática, até agora, foram sempre eles a determinar quem é o secretário-geral.

Segundo o embaixador angolano Ismael Gaspar Martins, que é um dos 10 membros eleitos do Conselho, “só na terceira ou quarta straw poll o processo será mais claro”, de acordo com um despacho da Reuters.

A Reuters cita também um outro diplomata, na condição de anonimato, segundo o qual “é significativo que a Rússia tenha votado ‘neutro’ relativamente a Guterres”, considerando que se numa próxima votação ele continuar sem ter nenhum voto contra (não encorajamento) o ex-primeiro-ministro português poderá ter reais possibilidades de se tornar o próximo secretário-geral.

A agência questionou também o embaixador russo se o seu país poderia desencorajar o candidato português, mas Vitaly Churkin respondeu sorrindo: “Porquê? Ele é bom!” O embaixador considerou no entanto que era cedo para tirar conclusões e que possivelmente o processo não ficaria resolvido esta sexta-feira.

De facto, de acordo com fontes consultadas pelo Expresso, é durante a presidência russa do Conselho de Segurança, em outubro, que se espera que o processo seja concluído.

Ban Ki-moon elogia António Guterres

O secretário-geral cessante das Nações Unidas considera que António Guterres “é um grande líder, com uma forte visão”, por quem tem uma grande admiração, segundo disse numa entrevista ao Expresso, que será publicada na íntegra na próxima semana.

Segundo Ban Ki-moon, que esteve em Portugal durante dois dias a convite do Presidente da República, o candidato português ao cargo de secretário-geral da ONU “deu um grande contributo à Humanidade como Alto Comissário para os Refugiados“, tendo deixado “um grande legado”.

“Como Alto Comissário, António Guterres foi um dos grandes líderes da ONU”, disse ainda o secretário-geral, que se recusou a responder se Guterres daria um bom secretário-geral ou se teria boas possibilidades de atingir o cargo, atualmente disputado por nove candidatos.

“Como secretário-geral tenho de ser neutral e imparcial neste processo, mas estou confiante no novo processo de escolha do meu sucessor, que é muito transparente, pelo que espero francamente que funcione”, sublinhou

Durante a sua estada em Lisboa, Ban Ki-moon encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros e com um grupo de estudantes sírios, jantou com o primeiro-ministro e almoçou, ontem, com o Presidente. Guterres participou em ambas as refeições. Ontem, deslocou-se ao Parlamento, onde teve um encontro com Ferro Rodrigues e foi aplaudido de pé por todas as bancadas.

António Guterres presta provas: É hoje a entrevista na ONU

Numa tentativa para melhorar a transparência de um processo de seleção que tradicionalmente tem decorrido entre bastidores, os candidatos vão passar pela Assembleia geral para apresentar as suas propostas e submeter-se ao escrutínio dos Estados-membros.

António Guterres, que até ao final de 2015 exerceu o cargo de Alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) será o terceiro candidato à substituição do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, cujo mandato termina no final de 2016, que será entrevistado na sede da organização em Nova Ioque.

A audição está prevista entre as 15:00 e as 17:00 locais (entre as 20:00 e as 22:00 em Lisboa).

As provas vão ser hoje iniciadas pelo ex-primeiro-ministro e até há pouco o responsável pela diplomacia do Montenegro, Igor Luksic, seguindo-se a diretora-geral da Unesco, a búlgara Irina Bokova, e com António Guterres a encerrar o primeiro dia de audições.

Para quarta-feira vão ser convocados o ex-presidente esloveno, Danilo Turk, a ex-vice-presidente e ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Croácia, Vesna Pusic, e a ex-ministra da Moldávia Natalia Guerman, que ocupava a mesma pasta.

Na quinta-feira as audições foram reservadas para o macedónio Srgjan Kerim, que presidiu à Assembleia geral da ONU entre 2007 e 2008, e à ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, que oficializou a candidatura na semana passada.

No processo participam as Nações Unidas, mas também, pela primeira vez, várias organizações não-governamentais e entidades da sociedade civil vão estar presentes para colocar questões e entrevistar os candidatos.

Cada candidato vai dispor de duas horas para expor as suas propostas aos representantes da ONU e às distintas organizações não-governamentais e depois daquele encontro também poderá falar com os órgãos de comunicação social.

Esta é a primeira vez que a ONU vai realizar a seleção do secretário-geral com candidaturas públicas, que vão ser avaliadas pela sociedade civil.

Os candidatos já remeteram à Assembleia geral breves prestações por escrito das suas ideias, onde se incluem propostas para reformar o funcionamento das Nações Unidas e adaptá-la às realidades do século XXI.

A Assembleia é o órgão que deverá eleger no outono o próximo secretário-geral da ONU, apesar de tradicionalmente o processo ser controlado pelas potências do Conselho de Segurança, que recomendam um candidato.

Habitualmente, e seguindo uma norma não escrita, o cargo tem rodado entre diversas regiões, e teoricamente corresponderia nesta ocasião à Europa de Leste.

No entanto, sublinhou na agência noticiosa Efe, as numerosas novidades introduzidas para melhorar a transparência e democratizar a eleição, as expetativas “estão por agora cristalizadas” em António Guterres e Helen Clark.

A candidatura de António Guterres foi formalizada pelo Governo português em 29 de fevereiro, ao ser sublinhado o “amplo consenso interno” em torno da candidatura do antigo Alto-comissário da ONU para os refugiados.

“Ao tomar esta iniciativa, Portugal contribui de forma ativa para o processo de seleção do próximo secretário-geral [da ONU], apresentando um candidato excecionalmente qualificado para o desempenho daquele lugar”, referiu a nota divulgada pelo Executivo.

 

Guterres tenta convencer José Eduardo dos Santos para apoio angolano na corrida à ONU

António Guterres

O também ex-Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados foi recebido em audiência pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a quem solicitou o apoio angolano, tendo no final destacado que se tratou de um encontro interessante e positivo.

“Para mim é muito importante ter Angola logo no princípio desta campanha. Sou um velho amigo de Angola, um grande admirador do povo angolano, vivi com grande angústia os momentos difíceis por que Angola passou no passado e, com grande satisfação a evolução progressiva de Angola, afirmando-se no contexto internacional”, disse António Guterres.

Defendeu que o apoio de Angola é importante por ser membro, não-permanente, do Conselho de Segurança e pelas suas intervenções “de grande importância” naquele órgão da Nações Unidas, nomeadamente em matérias como os Grandes Lagos, proteção da mulher e situações de conflito.

“Por isso era também muito importante poder vir aqui dizer o quão é fundamental que as Nações Unidas seja um instrumento decisivo para apoiar os africanos, para a liderança africana – não apenas no caminho do desenvolvimento sustentável – mas também para a solução, para os problemas de paz e segurança que ainda existem em muitas áreas do continente africano”, frisou.

Questionado se as divergências na escolha do novo secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) não afetarão o seu pedido de apoio, António Guterres disse que são situações diferentes.

“Não foi disso que vim aqui tratar em Angola, esta é uma candidatura com um objetivo e esse objetivo tem a ver com as Nações Unidas e com a afirmação de um conjunto de valores essenciais nas Nações Unidas, da paz, da segurança, do desenvolvimento sustentável, da reforma das próprias instituições e estou profundamente reconhecido ao Presidente de Angola por me ter recebido neste momento e pela forma positiva como decorreu este encontro”, salientou.

Em Luanda, António Guterres vai manter outros encontros com elementos da administração governamental, antes de deixar ainda hoje Angola, com destino a Nova Iorque.

PSD abriu o coração a Guterres. Mas na razão não dá a mão ao PS

António Guterres

Começando pelo fim, pela intervenção de Guterres, o antigo governante confessou a forma como o apoio do PSD falou “tão fundo” no seu “coração”. Antes disso, mesmo não estando previsto, Passos Coelho pediu o microfone para “reafirmar publicamente que o engenheiro Guterres contará com o entusiástico apoio do PSD e, creio, de todas as forças políticas nacionais na sua candidatura a secretário-geral da ONU que o governo português está a preparar.”

Passos Coelho acredita que esta “será uma candidatura bem-sucedida” e que, uma vez no cargo, conseguirá “dar bem conta do recado”.

António Guterres falou, mais uma vez, na problemática das migração, dizendo que neste momento a “entidade reguladora dos movimentos migratórios são os traficantes”. Para o ex-alto-comissário para os Refugiados da ONU, “vale a pena investir na regulação dos movimentos migratórios”, pois “sem migrações regulares” a tendência é que aumentem as “irregulares”.

Em altura de Orçamento do Estado, Guterres – que no fecho desta edição ainda respondia a perguntas e ouvia elogios de deputados – não falou mais de política nacional, dizendo apenas que se sentia “reconfortado” por ser português e por no país “os partidos políticos relevantes não cederem ao populismo nem à xenofobia”.

Mas, para lembrar um antigo slogan do próprio António Guterres, uma coisa é o coração, outra é a razão (do PSD). E aí o dia (político) de jornadas parlamentares foi mesmo dominado pelo OE para 2016. Passos Coelho deve hoje sugerir o sentido de voto no encerramento das jornadas e ontem disse – à entrada para a cimeira do Partido Popular Europeu, em Bruxelas – que quem tinha de responder perante a preocupação “genuína” relativamente ao OE é o executivo de António Costa. “Aquilo que julgo que é mais importante é obter do governo português as respostas tranquilizadoras que são necessárias”, disse o líder do PSD.

Voltando às jornadas, que terminam hoje em Santarém, logo ao início da tarde de ontem o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, voltou a deixar pistas de que o PSD votará contra o documento, pois o PS demonstra que “logo no seu primeiro orçamento o governo entrou em campanha eleitoral”, estando já “a preparar-se para o combate eleitoral subsequente”. E acrescentou: “Quem fez este Orçamento não espera fazer um segundo”, daí a “marca eleitoralista”.

Embora o anúncio final não tenha sido feito, tal como o DN adiantou hoje, o PSD vai mesmo votar contra o Orçamento. E esse sentido de voto vai sendo sugerido por vários membros da direção da bancada laranja e por destacados militantes. A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque disse que o Orçamento socialista não tem estratégia económica. Numa pergunta dirigida aos convidados, mandou uma farpa ao documento de Centeno, provocando sorrisos na sala: “Um orçamento é ou deve ser um elemento fundamental de estratégia política e económica. No atual consegue descortinar alguma? “Ao DN, dois vice-presidentes do PSD deram indicações nesse sentido. Matos Correia lembrou que “a direção política do partido ainda não tem uma decisão final”, mas diz ser “pública e notória” a avaliação negativa que o PSD faz deste Orçamento, adiantando ainda que “o que está estruturalmente mal não é corrigível”. Também o vice-presidente Pedro Pinto considera que o Orçamento está “muito perto do desastre” e adianta que “quanto mais recebemos erratas, mais se percebe que este Orçamento não é consistente”, anunciando mesmo o sentido do seu voto na comissão política nacional: “Quando tiver de me pronunciar naturalmente que direi que o PSD deve ser contra.”

Também o vice-presidente da bancada Nuno Serra (que falou na abertura por ser o presidente da distrital anfitriã) disse que o Orçamento do governo PS não tem um “rumo coerente” e irá de “errata em errata até ao erro final”. Nuno Serra afirmou que “este Orçamento não traz nada de bom nem de melhor para Portugal”.

Na mesma linha, o vice-presidente da bancada do PSD, António Leitão Amaro, atacou a “credibilidade de um governo que num mês troca três ou quatro vezes de orçamento” e garantiu que no Orçamento para 2016 “a austeridade líquida aumenta 600 milhões de euros, e não são contas nossas, são da UTAO”.

Um outro vice da bancada, Amadeu Albergaria, disse não conseguir “perceber onde estão as promessas eleitorais de PS, PCP e Bloco de Esquerda. Até os convidados mandaram farpas ao Orçamento, com o presidente do Conselho Nacional de Educação, David Justino, a falar num “efeito Harry Potter” na parte do Orçamento destinada à Educação: “Talvez por ser um jovem ministro há um efeito Harry Potter, é que não sei como consegue a magia de repor salários e mesmo assim baixar o orçamento da educação em vários milhões. Deve haver uns pozinhos que não consigo detetar.”

PSD inicia jornadas em Santarém com Guterres como convidado

António Guterres

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada social-democrata Hugo Soares disse que “estas jornadas pretendem preparar e dar instrumentos aos deputados para o debate do Orçamento do Estado para 2016” e considerou que o PSD conseguiu “um conjunto de convidados de excelência”.

Hugo Soares destacou a presença do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres. “Enche-nos de orgulho. Sendo um ilustre militante do PS, é um orgulho para o PSD poder contar com a sua reflexão nestas jornadas parlamentares”, declarou.

António Guterres vai intervir hoje à noite num jantar-conferência sobre fluxos migratórios.

Haverá também painéis sobre educação e saúde, finanças e crescimento económico, com intervenções dos professores universitários David Justino, António Fidalgo e Álvaro Almeida, do economista Jorge Moreira Rato, do gestor António Nogueira Leite e dos economistas João Salgueiro e João César das Neves.

Segundo Hugo Soares, “o grupo parlamentar do PSD conseguiu ter nas suas jornadas cidadãos independentes e de provas dadas”, enquanto “o PS mais não conseguiu do que fechar-se sobre si próprio” nas jornadas que vai fazer na sexta-feira e no sábado, em Vila Real, que contarão com a presença de vários ministros do Governo PS, deputados e eurodeputados socialistas.

Quanto ao lema escolhido para as jornadas de Santarém, “Credibilidade”, o social-democrata defendeu que se ajusta à imagem do PSD após quatro anos e meio de governação.

“Foi com credibilidade que nos apresentámos aos portugueses nas legislativas, com a credibilidade de quem tinha cumprido, libertado o país do memorando e da ‘troika’, com contas públicas sustentadas, por contraponto com aquilo que nos parece este Orçamento do Estado – a nós e a várias entidades nacionais e internacionais”, sustentou o deputado do PSD.

Estas são as primeiras jornadas parlamentares do PSD desde que regressou à oposição e decorrerão num hotel de Santarém, com exceção do jantar-conferência com António Guterres, que será na Casa do Campino.

O líder do Grupo Parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e o presidente da distrital social-democrata de Santarém, Nuno Serra, falarão na sessão de abertura, hoje, às 15:00.

O presidente do partido, Pedro Passos Coelho – que está em processo de recandidatura à liderança, com eleições marcadas para 5 de março – encerrará as jornadas, na sexta-feira, à hora de almoço.

Na anterior legislatura, o PSD realizou quatro jornadas parlamentares conjuntas com o CDS-PP, então seu parceiro de coligação de Governo, sempre no período de discussão orçamental, mas também fez três jornadas autónomas.

Guterres: escolho o candidato que o PS apoiar

António Guterres

Guterres admitiu sentir-se em “dívida” com o seu partido e ter “consciência” da desilusão que causou, por não se ter disponibilizado para a corrida a Belém e, por isso, não “quer criar complicações adicionais”. Para o ex-dirigente socialista será “um fator decisivo” na sua escolha “o apoio que o PS vier a anunciar”. Até lá, assinalou, “manterei um grande recato na campanha para as presidenciais”. De qualquer forma, salientou que nem considera que tivesse perfil para o cargo: “todos devemos fazer na ida aquilo para que temos vocação e a minha é a ação no terreno, intervir permanentemente. A minha visão do Presidente da República é o oposto a isto. Deve ser um árbitro e eu gosto de jogar à bola”.

Questionado sobre a situação política do país, Guterres defendeu que a solução encontrada por António Costa para chegar ao governo (acordo entre o PS, o PCP, o BE e Os Verdes) é “politicamente legítima”. Há “uma questão essencial”, assinalou, “somos um país democrático, todos os votos são iguais, não há votos de primeira e de segunda. Se a solução para formar governo tiver o apoio da maioria dos deputados da assembleia, ela é politicamente legítima. É a regra da democracia”.

A maior parte do tempo da entrevista foi para Guterres contar a sua experiência como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, para falar no “sofrimento avassalador” que testemunhou, para criticar a União Europeia por não ter sido capaz de se organizar para receber os refugiados (“apenas um milhão dos 15 milhões, menos de dois por cada mim cidadãos europeus) em segurança e para recordar… Angelia Jolie, que era a sua “embaixadora”. “Conhecedora, inteligente e de grande sinceridade no que faz. Não é apenas uma estrela de cinema que só ali está para a fotografia. Tinha um grande empenhamento pessoal, fortemente sentido. Nada era artificial”, asseverou.

A concluir, deixou a garantia que voltar à política não está nos seus horizontes. “Não tenho qualquer intenção de me dedicar à vida política portuguesa. Esse capítulo ficou encerrado. Não se deve voltar atrás, deve-se andar sempre para a frente”, disse, sem revelar que planos tem para o futuro.

Guterres prestes a anunciar apoio a Maria de Belém

Maria de Belém

Segundo apurou o Diário Económico, o apoio de António Guterres a Maria de Belém deverá ser anunciado nos próximos dias. Agora que o seu mandato como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o antigo primeiro-ministro tem ‘livre passe’ para apoiar uma candidatura à presidência da República.

Recorde-se que Maria de Belém já foi ‘braço direito’ de Guterres aquando do seu governo, primeiro como ministra da Saúde e posteriormente como ministra da Igualdade.

A notícia surge menos de 24 horas depois das declarações feitas pelo antigo comissário à margem da sessão de abertura do Seminário Diplomático, onde deixou a garantia que não ia “voltar à vida política ativa nacional”, acrescentando que ia aproveitar a experiência adquirida ao longo dos últimos anos para “fazer alguma coisa de útil”.

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