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Microsoft e GNR desafiam colaboradores de empresas a aprender com os filhos sobre Internet Segura

Em 2018, a Associação de Apoio à Vítimia (APAV), através da sua Linha Alerta registou mais de 1.000 denúnias de potencial ilicitude na Internet, incluindo pornografia infantil e discursos de ódio. Todos os anos, mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo são vítímas de cibercrime e esta é a vertente do crime económico que mais tem crescido em Portugal nos últimos anos. Reconhecendo a importância da temática e, enquanto membro do Consórcio do Centro Internet Segura desde a sua constituição, a Microsoft Portugal voltou a unir-se à Guarda Nacional Repúblicana (GNR) para ampliar a intervenção junto de alunos, encarregados de educação, professores, séniores e, este ano, também empresas.

Ao longo do último mês foram promovidas centenas de ações de formação por todo o país, com o objetivo de sensibilizar os participantes para a utilização da Internet de uma forma mais segura, justa e inclusiva.

Com o mote “uma internet melhor começa com cada um de nós”, foram abordadas questões como cyberbulling, furto de identidade, privacidade, incorreção das fontes de informação, vírus informáticos e dependência da internet. Este ano a iniciativa previu ainda que várias empresas acolhessem ações de formação entregues por alunos. Só nos primeiros dias, a iniciativa compreendeu 746 ações de sensibilização e chegou a cerca de 15.000 alunos, 1.200 idosos e centenas de encarregados de educação.

Assim, no próximo dia 27 de fevereiro, pelas 14h30, a Microsoft e a GNR vão fazer um balanço da iniciativa promovida ao longo do mês da Internet Segura. O evento incluirá ainda um debate e uma ação de sensibilização junto de colaboradores de diversas organizações, na sede da EDP, em Lisboa. O Colégio Vasco da Gama, do concelho de Sintra, foi um dos estabelecimentos de ensino que abraçou a iniciativa e, por isso, dois dos seus alunos vão apresentar o que aprenderam aos encarregados de educação presentes no evento.

Beatriz Oliveira, CEO e fundadora da Bindtuning, e Fernando Resina da Silva, Partner da Vieira de Almeida – Sociedade de Advogados, levam também as filhas a palco para discutir a temática, a par de Inês Menezes, fundadora do projeto Design the Future, num painel com moderação da psicóloga Júlia Vinhas.

Porto: Arranca hoje Conferência Europeia de Violência Doméstica

Cerca de 500 participantes, entre os quais investigadores, académicos, alunos de doutoramento, profissionais e decisores políticos, estão inscritos na segunda edição da Conferência Europeia de Violência Doméstica, que vai decorrer na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, a partir de hoje.

Violência doméstica nas relações de intimidade, contra idosos, contra crianças, contra grupos LGBTI, contra minorias étnicas, violência sexual, prevenção da violência doméstica, femicídio, custos humanos e sociais da violência, intervenção com perpetradores, tráfico de seres humanos ou avaliação e gestão de risco são alguns dos temas das conferências que vão acontecer ao longo dos quatro dias do certame na cidade do Porto.

Os principais objetivos da conferência são articular investigação e intervenção na área da violência doméstica, permitir a troca de conhecimentos, boas práticas e metodologias que melhor contribuam para a proteção das vítimas e a erradicação da violência doméstica e de género, lê-se na página oficial da Internet da II Conferência Europeia de Violência Doméstica, cuja primeira edição decorreu em Belfast (Reino Unido), em 2015.

Partilhar trabalhos e resultados científicos que ajudem à construção de políticas sociais e legais sobre a violência doméstica e de género, promover o ‘networking’ entre profissionais e especialistas na área da violência doméstica são outros objetivos.

Em Portugal, segundo os últimos dados avançados pelo Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), houve 27 mil participações às autoridades em 2016.

“A nível europeu existe um consenso social e político sobre a necessidade de combater e prevenir esta forma de violência, expresso pela Convenção de Istambul, ratificada por Portugal”, recorda a organização do evento, que conta com a colaboração entre a instituição de ensino superior Queen’s University, União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Violência doméstica: todos os dias um pai ou uma mãe é agredido pelo filho

A violência doméstica é um crime público. Maus-tratos de filhos contra pais crescem em Portugal. Só entre 2013 e 2015 a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima registou 1.777 casos de violência contra pais.

Em média, houve mais de 592 casos por ano, o que representa pelo menos um caso por dia em que pais são vítimas de violência doméstica por parte dos próprios filhos.

Casos como o de Hermínia (nome fictício), mais de 70 anos, agredida durante alguns meses por um filho, entre murros, apertões e puxões de cabelo, dão rosto a estas estatísticas.

Hermínia fala sempre de mão dada com Inês Gonçalves, a assessora técnica do Gabinete de Apoio à Vítima de Lisboa que tem acompanhado o seu caso. Está nervosa e isso fá-la sentir mais calma. Viajou de propósito da cidade onde agora reside com um familiar para a entrevista.

“Sempre nos demos bem”, recorda, quando começa a falar da relação que tinha com o filho. “Mas depois da morte do pai ele começou-me a tratar mal”.

O filho, atualmente na casa dos 40 anos, com um historial de toxicodependência e doença psiquiátrica, continua a viver na casa de família, enquanto Hermínia viu-se obrigada a sair, tendo encontrado abrigo na casa de um familiar.

“Fechava os punhos, batia-me de um lado e de outro, puxava-me os cabelos, batia-me na cabeça, batia-me nos olhos, apertou-me o nariz, tapou-me a boca e apertou-me o pescoço e outras coisas mais”, conta à Lusa.

Depois da morte do marido, as agressões acontecem de forma continuada, durante meses. Logo na primeira vez, Hermínia teve de receber tratamento hospitalar, ao mesmo tempo que iam sendo feitas várias queixas na polícia.

No entanto, o caso só chega à APAV depois de uma funcionária de uma instituição bancária, onde Hermínia tinha conta, ter desconfiado do que se estava a passar. Eram frequentes as idas ao banco com o filho para levantar dinheiro e eram também frequentes as vezes que aparecia com hematomas no rosto.

Nas estatísticas da APAV, os 1.777 pedidos de ajuda feitos à associação traduzem-se em 4.327 “factos criminosos”, havendo, no total dos três anos, 123 casos de furto/roubo, 698 casos de ameaça/coação, 1.090 ocorrências de maus tratos físicos e 1.658 crimes de maus tratos psíquicos.

Entre as vítimas, mais de 83% são mulheres e em cerca de 49% dos casos tinham 65 anos ou mais de idade.

Grande parte dos pais é viúvo (29%), mas há também 25,5% que é casado, sendo que em 32,4% dos casos (575) pertenciam a um tipo de família nuclear com filhos.

Já no que diz respeito aos autores dos crimes, a APAV contabilizou, nos três anos, 1.894 pessoas, ou seja, um número superior ao de vítimas.

Em mais de 65% dos casos, o agressor é do sexo masculino, maioritariamente (93%) tem entre os 36 e os 45 anos, é solteiro (26%) e está desempregado (31,5%).

Entre os 4.326 crimes registados pela APAV houve 1.658 casos de maus tratos psíquicos, 1.090 maus tratos físicos, 698 ameaças, mas também 123 roubos ou duas violações.

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