Inicio Tags Austeridade

Tag: austeridade

Mais de 300 detidos na terceira noite de confrontos na Tunísia

Os tumultos, que estalaram na segunda-feira, alimentados pela agitação social contra medidas de austeridade, têm lugar numa altura em que se aproxima o sétimo aniversário da “Revolução de Jasmim”, movimento que derrubou o regime do ditador Zine El Abidine Ben Ali em 14 de janeiro de 2011.

Na quarta-feira, 328 pessoas foram detidas por roubo, pilhagens e fogo posto, bem como por bloqueios de estradas cometidos nos últimos dias, revelou o porta-voz do Ministério do Interior Khalifa Chibani à agência de notícias AFP, dando conta de que a intensidade da violência diminuiu por comparação com os dias anteriores.

Segundo o mesmo responsável, na terça-feira foram detidas 237 pessoas.

Na noite de quarta-feira, novos confrontos estalaram em diversas cidades da Tunísia, incluindo Siliana (noroeste), Kasserine (centro) e Tebourba, a 30 quilómetros a oeste da capital, Tunes.

Jovens atiraram pedras e cocktails Molotov contra as forças de segurança em Siliana e tentaram entrar num tribunal, constatou um correspondente da AFP. A polícia respondeu com o lançamento de granadas de gás lacrimogéneo.

Também foram registados conflitos em alguns bairros da capital.

Em Kasserine, uma região desfavorecida, jovens tentaram bloquear estradas, com barricadas de pneus em chamas e atiraram pedras contra os agentes, segundo um correspondente da agência AFP.

Várias dezenas de manifestantes também saíram à rua em Tebourba, onde foi a sepultar na terça-feira um homem que morreu durante confrontos na noite de segunda-feira, com a polícia a responder também com gás lacrimogéneo, de acordo com um morador.

A principal esquadra de Thala, no norte, foi incendiada, indicou ainda Khalifa Chibani, acrescentando que 21 polícias ficaram feridos em todo o país.

As autoridades tunisinas não facultaram, porém, um balanço de eventuais feridos entre os manifestantes.

Estes confrontos surgem na sequência de protestos pacíficos contra a subida de preços. O descontentamento social persistente face ao marasmo económico e a uma inflação elevada foi exacerbado nomeadamente pelo aumento do IVA e das contribuições sociais, em vigor desde 1 de janeiro, no âmbito de um orçamento de austeridade para 2018.

O mês de janeiro é tradicionalmente assinalado por uma mobilização social na Tunísia desde a “Revolução de Jasmim” e o contexto é particularmente tenso atualmente, com a aproximação das primeiras eleições municipais do pós-revolução, adiadas por diversas vezes e previstas para maio.

A última vaga de contestação social, em janeiro de 2016, na sequência dos protestos desencadeados pela morte de um desempregado que se manifestava em Kasserine, alastrou por todo o país e forçou o Governo a decretar o recolher obrigatório durante vários dias.

LUSA

Tunísia: Mais de 200 detidos e dezenas de feridos após segunda noite de confrontos

Em declarações às rádios locais, o porta-voz do Ministério do Interior da Tunísia, Khlifa Chibani, deu conta de pilhagens, incluindo a um supermercado nos subúrbios da capital, Tunes.

De acordo com o mesmo responsável, 49 polícias ficaram feridos durante os tumultos registados na noite de terça-feira em todo o país, pelos quais foram detidas 206 pessoas.

Em Djerba vive a maior comunidade judaica da Tunísia.

Durante a tarde e noite de terça-feira, a polícia e o exército foram destacados para várias cidades da Tunísia, incluindo Tebourba, a 30 quilómetros a oeste de Tunes, onde centenas de jovens saíram para as ruas após o funeral de um homem de 45 anos morto durante os confrontos da noite anterior.

Também hoje, foram lançados dois coktails Molotov foram atirados contra uma sinagoga na ilha tunisina de Djerba, tendo provocado um incêndio no edifício, segundo a agência Associated Press.

Segundo um jornalista no local, a sinagoga estava vazia na altura do incidente e o fogo foi rapidamente extinto.

Estes incidentes são o reflexo do aumento do descontentamento social na Tunísia, em particular contra o aumento do IVA e das contribuições sociais, em vigor desde 01 de janeiro, no âmbito de um orçamento de austeridade para 2018.

O mês de janeiro é tradicionalmente assinalado por uma mobilização social na Tunísia desde a “Revolução de Jasmim” em 2011 que derrubou o regime de Zine El Abidine Ben Ali, e o contexto é particularmente tenso atualmente, com a aproximação das primeiras eleições municipais do pós-revolução, adiadas por diversas vezes e previstas para maio.

A última vaga de contestação social, em janeiro de 2016, na sequência dos protestos desencadeados pela morte de um desempregado que se manifestava em Kasserine, alastrou por todo o país e forçou o Governo a decretar o recolher obrigatório durante vários dias.

LUSA

Costa defende alternativas à austeridade

Defender os interesses de Portugal, no contexto dos países periféricos e mediterrânicos da União Europeia, é o objectivo central da presença do primeiro-ministro, António Costa, na Cimeira dos Países do Sul da União Europeia (UE), que se realiza pela primeira vez esta sexta-feira, em Atenas, na Grécia. A reunião surge como preparatória da Cimeira da UE, marcada para o dia 16 de Setembro em Bratislava, e vai debater as consequências do “Brexit”, os refugiados e o terrorismo.

No caso português, essa agenda de defesa dos interesses dos países do Sul concretiza-se como prioritária na busca de alternativas às políticas de austeridade que incrementem o investimento e o crescimento económico. Aliás, esta preocupação deverá estar presente na agenda de António Costa, no domingo, ao fim da tarde, quando, em Berlim, jantar com a chanceler alemã, Angela Merkel.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, explicou ao PÚBLICO que a defesa do “crescimento e investimento na Europa” e a ideia de que “a consolidação orçamental não vale só por si”, serão temas do segundo ponto do documento final a aprovar na Cimeira de Atenas, onde também deverá ficar decidido “tornar regular estas reuniões de países europeus do Mediterrâneo”. Santos Silva admitiu mesmo que “este possa ser um dos pontos com declarações mais fortes”, defendendo “novas formas de estímulo europeu ao investimento que aprofundem o plano Juncker”. Também a “insistência em programas de promoção de emprego com tratamento orçamental próprio” deverá estar presente na declaração final.

O primeiro ponto da declaração será sobre “segurança e combate ao terrorismo e à radicalização”, explicou o ministro. Neste domínio, “os sete deverão corroborar o consenso na necessidade de uma guarda europeia costeira e marítima”, acrescentou Santos Silva, defendido: “Espero que haja um sublinhado da necessidade da Europa reformar a sua capacidade de defesa e segurança. Bem como a convicção da indispensabilidade da cooperação na luta contra o terrorismo através da coordenação e troca de informações policiais”. Ainda no domínio da Segurança, Santos Silva espera a “reafirmação do apoio à integração europeia dos Balcãs e da Turquia”.

O terceiro ponto da declaração vai “autonomizar a questão da juventude como específica”, adiantou o ministro, precisando que deverá ser defendida a “promoção da mobilidade, educação e empregabilidade dos jovens”.

Já o quarto e último ponto do documento final de Atenas, deverá defender “uma gestão efectiva e humana do fluxo migratório que contrarie soluções como o levantamento de muros”. E defender a concepção de “uma política europeia de regulação”.

Neste domínio, Santos Silva admite que o documento defenda uma posição próxima da já defendida por Itália, para que a União Europeia “trabalhe com os países africanos de origem e de passagem dos refugiados para substituir os fluxos de tráfico ilegal por fluxos legais”. E conclui: “Aos que acham que os imigrantes são os novos portadores do mal e que a Europa se deve fechar, os países do Sul devem defender que essa atitude, além de desumana, é pouco inteligente pois a Europa está em perda demográfica.”

É neste ponto sobre migrações e refugiados que deverá ser incluída a proposta de António Costa, divulgada pelo PÚBLICO em primeira mão há uma semana. “Uma proposta que possa ser desenvolvida à escala europeia e que combina regeneração urbana com integração social”, sublinhou Santos Silva, defendendo que “a resposta securitária ao terrorismo não é suficiente e que a Europa não pode ignorar que a radicalização está a germinar nas periferias”

Vale pela estreia

A atenção que se concentra na primeira Cimeira dos Países do Sul da UE advém não tanto das conclusões que aí se tirarem, e da pressão que esse eventual caderno reivindicativo venha a ter em Bratislava, mas sobretudo da estreia que ela representa.

Reunindo os chefes de Governo da Grécia, Alexis Tsipras, de Portugal, António Costa, de França, François Hollande, de Itália, Matteo Renzi, de Chipre, Nicos Anastasiades, de Malta, Joseph Muscat, de Espanha – Mariano Rajoy faz-se representar por um membro do Governo -, a iniciativa tem como objectivo inaugurar uma lógica de bloco estratégico dos países do Sul da UE, que faça o contraponto com as lógicas de grupo que já dominam a Norte, por exemplo, dos países bálticos e do eixo Haia-Berlim-Helsínquia.

Brexit. EUA pedem à União Europeia que alivie austeridade

Os Estados Unidos da América (EUA) querem que a União Europeia alivie a austeridade e que se foque mais no crescimento económico. Uma fonte da administração de Obama disse ao Financial Times que é necessário reduzir as políticas de aperto fiscal de forma a lidar com o “populismo que está a corroer o centrismo e a moderação política”, após a vitória do Brexit no Reino Unido.

“Continuamos a considerar que seria sensato numa perspetiva do aumento do emprego, e do crescimento económico no geral, aliviar a austeridade”, explicou a fonte ao jornal britânico.

A prioridade para os EUA é acalmar os ânimos na Europa em relação ao Reino Unido. Promover uma negociação pacífica para a saída é fundamental para evitar que a relação entre os EUA e Reino Unido saia prejudicada, diz a mesma fonte.

Para este responsável da administração americana, a relutância de países mais fortes como a Alemanha em fazer mais esforços no sentido do crescimento económico pode estar a aumentar a frustração das populações. Chegar a entendimentos sobre “como estimular o crescimento económico, e como encorajar maios esforços no sentido da flexibilidade fiscal, é importante”.

Obama já tinha pedido maior preocupação com o crescimento

Esta quarta-feira, Barack Obama disse que “quer se trate da Alemanha, um país com saldo positivo, a fazer mais em termos de despesa, ou da Europa como um todo a levantar algumas das medidas de austeridade, haverá uma série de medidas que todos podemos tomar para fortalecer a economia global”, avisou o presidente dos EUA.

“A União Europeia vai ajustar-se, o Reino Unido vai ajustar-se, e os Estados Unidos vão ajustar-se, para que o impacto na saúde e vitalidade da comunidade ocidental seja mínimo”, disse a fonte da administração Obama ao Financial Times. Não é provável, aos olhos dos EUA, que haja uma reversão na decisão britânica de sair da UE. No entanto, explica o responsável, o impacto geopolítico será reduzido se houver forma de se estabelecer uma relação político-económica forte entre Reino Unido e União Europeia.

Os Estados Unidos incentivam também o Reino Unido a investir mais na defesa, e a ter um papel mais ativo na NATO, “de forma a compensar o facto de já não ser membro da União Europeia”.

“Se tivéssemos esta conversa há 20 anos, as implicações do Brexit seriam muito maiores para os EUA”, disse o oficial. “Washington usava Londres como um canal para entrar nos debates internos da Europa.”

Agora, os EUA dizem-se preparados para lidar com a saída do Reino Unido, por já terem relações mais fortes com a Alemanha e a França. Sem os principais aliados que tinham dentro da União Europeia, esta relação torna-se agora mais necessária.

Prepare-se: afinal vem aí mais austeridade

O Programa de Estabilidade que o Governo se prepara para aprovar esta quinta-feira em Conselho de Ministros implica um esforço de consolidação orçamental de, pelo menos, 1.700 milhões de euros em 2017, distribuído entre cortes de despesa e aumentos na receita. Até 2020, estão implícitas medidas com valor total de 9,4 mil milhões de euros.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, tem de enviar para a Comissão Europeia dois tipos de tabelas no Programa de Estabilidade: uma com as metas a que o Governo se propõe para as principais rubricas das administrações públicas – desde logo, receitas e despesas totais. E outra com os valores que esses agregados atingiriam caso o Executivo se limitasse a cruzar os braços e não tomasse quaisquer medidas (trata-se do cenário de políticas invariantes).

O primeiro-ministro tem-se esforçado por defender que, no que toca aos objetivos orçamentais, é assim que os vai alcançar: não será preciso tomar medidas de grande impacto para que as metas sejam cumpridas. Mas não é só a experiência do que aconteceu com o Orçamento do Estado para este ano que indicia que não vai ser assim. São os próprios números do Programa de Estabilidade que o dizem.

Da comparação entre as metas para as administrações públicas e o referido cenário de políticas invariantes resulta o esforço líquido implícito nas metas orçamentais assumidas por Mário Centeno. O valor peca até, ligeiramente, por defeito: como o objetivo é reduzir o défice orçamental, as medidas são predominantemente contracionistas — daí a expressão normalmente utilizada de austeridade. Isto quer dizer que parte do valor total das medidas se perde com o impacto negativo provocado na atividade económica (argumento político que o PS usava para criticar as medidas mais restritivas).

Analisando a informação do Programa de Estabilidade, verifica-se que, para 2017, o pacote de 1.735,5 milhões de euros resulta de um corte de 578,5 milhões na despesa pública total, e de um aumento de 1.157 milhões do lado da receita total.

Estes aumentos de receita e de cortes na despesa não podem ser justificados pela evolução do próprio ciclo económico. Correspondem antes ao esforço líquido efetivo de consolidação orçamental, já que resultam da comparação entre dois cenários para o mesmo ano. As medidas que o Executivo aplicar, por sua vez, é que terão efeitos na despesa, na receita e no próprio comportamento do PIB.

Por exemplo: o Programa de Estabilidade prevê que a receita pública total vai cair para 43,4% do PIB em 2017, quando a estimativa para este ano é de 43,7%. Mas, se o Governo não tomasse medidas nenhumas, e deixasse apenas a economia funcionar, as receitas desciam mais, para 42,8% do PIB. Presume-se, portanto, que há medidas implícitas que vão fazer aumentar o encaixe de verbas por parte do Estado.

Os planos de Mário Centeno

Tudo isto quer dizer que Mário Centeno planeia fazer fazer algo para promover um crescimento mais rápido da receita. Ainda não disse foi o quê.

O mesmo acontece do lado da despesa: o ministro das Finanças prevê uma despesa pública de 44,8% no próximo ano, mas se não fizesse nada, ela iria parar a 45,1% do PIB. Ou seja, está aqui um corte implícito: o orçamento disponível vai ter de apertar em algum lado.

O Programa de Estabilidade traz esta informação para todos os anos, até 2020. De acordo com as contas do Observador, em 2018, o pacote total de medidas atinge os 2.193,9 milhões de euros, composto por 797,8 milhões de euros de cortes na despesa e 1.396,1 de aumentos na receita.

Em 2019 as medidas totais atingem os 2.684,3 milhões de euros, dos quais 825,9 milhões são cortes e 1.858,4 milhões são aumentos da receita. Por fim, em 2020 o pacote vale 2.781,8 milhões de euros, entre 1.069,9 milhões de euros a menos na despesa e 1.711,9 milhões a mais na receita.

Tudo somado, haverá que tomar medidas que chegam aos 9,4 mil milhões de euros, nos próximos quatro anos.

Costa e Tsipras assinam declaração conjunta contra a austeridade

A declaração conjunta foi distribuída aos jornalistas após o encontro entre Alexis Tsipras e António Costa, que antes também esteve reunido com o chefe de Estado grego, Prokopis Pavlopoulos, no primeiro ponto do seu programa de visita oficial à Grécia.

No documento, Alexis Tsipras e António Costa consideram que as políticas de austeridade adotadas contribuíram para “deprimir as economias e dividir as sociedades” nos Estados-membros da União Europeia onde foram aplicadas.

Os dois chefes de Governo defendem ainda que a austeridade gerou “altos níveis de desemprego” e de “pobreza”.

“Com o crescimento da desigualdade social e da pobreza, os nossos países e a Europa enfrentam um longo período de estagnação económica”, lê-se no documento.

Tanto Tsipras, como Costa, “como primeiros-ministros de dois países com uma experiência similar em relação aos respetivos programas de ajustamento, partilham a convicção que a exclusividade das políticas de austeridade estão erradas e são insuficientes para promover as necessárias mudanças”.

“Seis anos após o primeiro resgate, podemos confirmar que a austeridade, aplicada isoladamente, falhou nos seus objetivos e provocou um impacto social e económico que foi mais longe do que o inicialmente antecipado. Estas políticas têm de ser revistas”, acentuam os primeiros-ministros de Portugal e da Grécia.

Em relação ao fenómeno dos refugiados, Tsipras e Costa salientam na declaração conjunta que a Europa enfrenta um “enorme desafio” desde o ano passado, importando combater as “causas” deste fenómeno.

“Neste contexto, Grécia e Portugal vão cooperar para fazer com que a União Europeia dê os passos necessários para a efetivação de uma política migratória efetiva nas suas fronteiras externas”, refere-se na declaração conjunta.

Tsipras e Costa, pelo contrário, deixam uma crítica às conceções favoráveis à construção de “muros” e “barreiras”, unilateralmente, por parte de países europeus.

Os primeiros-ministros de Portugal e da Grécia defendem antes que a Europa assuma uma política “solidária” e “humana” na gestão dos fluxos migratórios, devendo manter-se aberta aos cidadãos que a procuram e precisam de proteção internacional, substituindo “as perigosas rotas irregulares de migração” por vias legais de acolhimento a pessoas que fogem de zonas em conflito militar, caso especial da Síria.

Além da importância de acelerar os processos de recolocação de refugiados que chegam à Grécia e à Itália, Tsipras e Costa referem-se também ao fenómeno da emigração económica, defendendo que a União Europeia, “ao mesmo tempo, encete esforços para estabilizar os acordos de readmissão com os países de origem”.

No mesmo documento, os dois primeiros-ministros condenam o terrorismo e mostram-se disponíveis para cooperar ao nível de uma política externa de segurança comum.

Costa e Tsipras manifestam “preocupação” com a situação no Afeganistão, dão apoio aos acordos de Minsk para a resolução da crise na Ucrânia, assim como a um processo negocial, supervisionado pelas Nações Unidas, para uma solução para Chipre que respeite a lei internacional e cumpra os princípios democráticos, “respeitando os direitos humanos e a liberdade de expressão de todos os cipriotas” – uma alusão à parte de Chipre sob ocupação turca.

 

“Refugiado” é a palavra do ano de 2015

O anúncio foi feito na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, nos arredores de Lisboa, tendo a palavra “Refugiado”, que desde o início liderou as escolhas dos cibernautas, saído vencedora com 31% dos votos expressos.

Desde o início de dezembro último, quando abriu a votação ‘online’ em www.palavradoano.pt, participaram na escolha “mais de 20.000” cibernautas, disse à Lusa fonte do grupo editorial.

A cerimónia do anúncio da Palavra do Ano 2015 contou com a presença de Rui Marques, da Plataforma de Apoio aos Refugiados.

À palavra “Refugiado” seguiu-se, em segundo lugar, com 17% dos votos, o vocábulo “Terrorismo” e, em terceiro, com 16% de ‘cliques’, “Acolhimento”.

O quarto posto é ocupado por “Esquerda”, com 8% dos votos, logo seguida de “Drone”, com 7%, que ficou a meio da tabela.

Os cinco últimos lugares são ocupados por “Plafonamento”, com 6%, “Bastão de selfie”, com menos um ponto percentual (5%), “Festivaleiro” (4%), e os dois últimos, ambos com 3% dos votos, são os vocábulos “Superalimento” e “Privatização”.

No início de dezembro, quando apresentou o vocábulo “Refugiado” para fazer parte da lista das dez palavras a concurso, a Porto Editora realçou o contexto sociopolítico, designadamente “o incremento de conflitos armados e a rápida desestruturação social nos países do Médio Oriente, particularmente na Síria, [que] originou um êxodo massivo de pessoas que, deixando tudo para trás, na esperança de encontrarem um futuro melhor na Europa, arriscam a vida em processos migratórios altamente perigosos, e que muitas vezes têm um final trágico”.

A palavra “Esmiuçar” foi a vencedora da primeira edição desta iniciativa, em 2009. Em 2010, venceu “Vuvuzela” e, em 2011, “Austeridade”. Em 2012, a palavra escolhida foi “Entroikado” e, em 2013, “Bombeiro”. No ano passado, a palavra eleita foi “Corrupção”.

Portugal não foge à regra europeia: alívio da austeridade e mais consumo

E Portugal está longe de ser o único país da zona económica a apostar na desaceleração da consolidação e em dar folga aos seus habitantes no próximo ano.

A zona euro espera reduzir o défice de 1,9% em 2015 para 1,7% em 2016, segundo as contas da Comissão Europeia (CE), aos planos orçamentais já entregues em Bruxelas. Já a expectativa do governo português é a de passar de um défice de 3% para 2,8% nesse período. Os socialistas não estão, assim, sozinhos na decisão de avançar com algum alívio da austeridade. “A continuação da pausa na consolidação orçamental em 2015-16 é confirmada pelos planos orçamentais (PO)”, sintetiza a avaliação da CE aos planos dos Estados membros para 2016, onde ainda falta o português e sem plano grego, que em pleno resgate não precisa de entregar um PO.

O alívio da austeridade na zona euro virá da contenção a nível da carga de alguns impostos, ideia que vários Estados membros planeiam executar ou continuar. “Os PO mostram que os Estados da zona euro estão cada vez mais conscientes dos benefícios de reduzir a carga fiscal sobre o trabalho”. Segundo a CE, “alguns países estão mesmo a preparar reduções ambiciosas nos impostos sobre o trabalho que poderão ter um impacto significativo no crescimento e no emprego”. Esta é igualmente a ideia do governo socialista, reduzir o peso dos impostos na economia, favorecendo mais a atividade económica e, logo, mais emprego. O PS aposta igualmente em aligeirar taxas e impostos sobre o trabalho, como o corte na taxa social única, a revisão dos escalões de IRS ou a reversão parcial da sobretaxa deste imposto. Mas esta opção pelo alívio fiscal a nível europeu e português vem com um preço: “Segundo os planos orçamentais, o balanço estrutural deve melhorar 0,25% do PIB em 2015, seguido de uma deterioração de 0,25% em 2016”, aponta a CE. Estes valores chocam com as regras europeias, que exigem uma redução anual de pelo menos 0,5% no défice estrutural.

Consumo e PIB

É através da opção pelo consumo do governo português e da maioria dos Estados membros que a Europa vai buscar algum crescimento nos próximos anos: a zona euro antecipa saltos de 1,6% e 1,8% no PIB da região em 2015 e 2016 graças a aumentos no consumo privado de 1,7% em ambos os anos. Em Portugal o cenário é o mesmo: um PIB a evoluir ao ritmo do consumo. Em 2016 espera-se que economia portuguesa cresça 1,7%, tanto quanto o consumo privado. Em 2015, exatamente o mesmo. Alemanha, Espanha, Itália ou França são outros dos países onde essa correlação se verifica, só para citar alguns.

Há, no entanto, diferenças entre estes casos e Portugal, já que ao contrário da zona euro a economia portuguesa é estruturalmente mais dependente do consumo. Na zona euro, o consumo privado foi responsável por perto de 56% do PIB em 2014, valor que compara com os 66% de Portugal. Individualmente, Alemanha (55,3%), Espanha (59%), França (55,2%) ou Itália (60,8%) apresentam todos economias menos dependentes do consumo, pelo que terão mais espaço do que Portugal para acomodar a aposta no crescimento por esta via. Entre os países intervencionados, a Grécia está acima de Portugal neste campo (72% do PIB vem do consumo), ao passo que na Irlanda o peso não chegou sequer aos 44% em 2014.

O crescimento à custa do consumo passará ainda fatura no peso das exportações europeias. Os planos orçamentais e as previsões de outono da CE no caso de Portugal antecipam contributos nulos ou negativos das exportações líquidas para o PIB tanto em 2015 como em 2016. Para Portugal, a CE antecipa -0,5% e -0,1% respetivamente, valores que não fogem muito das previsões das restantes economias europeias, pelo que no conjunto da zona euro as exportações líquidas terão um contributo para o PIB de apenas 0,1% em 2015 e nulo em 2016.

Défice e dívida

À primeira vista, a zona euro parece estar em vias de entrar na rota de redução do peso da dívida. “A Comissão projeta que o rácio da dívida pública face ao PIB caia, pela primeira vez desde o início da crise, para 91% em 2015 e recue para 90% em 2016”, aponta o relatório da CE sobre a zona euro. Mas isto é à primeira vista. Palavra a Bruxelas: “Devemos reconhecer que uma grande porção da redução da dívida da zona euro vem da Alemanha.” Segundo o plano alemão, a dívida do país vai cair de 75% em 2014 para 68,8% do PIB em 2016. “Quando excluímos a Alemanha, a dívida da zona euro só estabiliza em 2016, nos 100%.” Desde 2008, a dívida do conjunto da zona euro subiu de 68,6% para 92%. Em Portugal os números mais recentes dos socialistas apontam para uma queda da dívida neste ano de 130,2%, para 128,2%, a que se segue nova redução, 123,9% em 2016 – 6,3 pontos. A CE antecipa que no conjunto dos dois anos a redução da dívida portuguesa chegue a 6,9 p.p.

EMPRESAS