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Boyden com desafios dos Boards sob pressão

A construção de um Conselho de Administração que contribua para aconselhamento estratégico, supervisão de performance, conformidade jurídica e padrões éticos é essencial para o sucesso a longo prazo da empresa. Capacitadas com esta orientação, as companhias beneficiam de uma performance financeira sólida, são capazes de atrair e reter talento, e eventualmente, liderar o seu setor.

No entanto, entre escândalos, exigências regulatórias, investidores intervenientes e escrutínio constante dos media, talvez nunca tenha sido tão difícil montar um Board.

Em mais uma edição do Executive Monitor, a Boyden, organização líder em Portugal em Executive Search, explora as pressões com as quais os Conselhos de Administração têm de lidar, explora os espaços de oportunidade e responde a quais são os desafios e as esferas de oportunidade neste contexto em mutação. Quais são as implicações para os atuais CEO e os Boards? Qual é o atual estado da regulação e quais são os impactos? Como podem as direções progredir nestas circunstâncias?

Segundo o Managing Partner da Boyden Global Executive Search Portugal, “estas questões emergem à medida que as empresas, CEO e direções trabalham para navegar no atual momento corporativo e alcançar o sucesso e o papel da Boyden passa por conseguir identificar com eficácia as pessoas que poderão compor as direções e as administrações para gerir com eficiência os desafios mais prementes da gestão corporativa”.

Mas ao mesmo tempo, num contexto de mudança, acrescenta Fernando Neves de Almeida, as “tendências de globalização e digitalização estão a transformar radicalmente a forma como os boards contribuem para as suas organizações. Num ambiente de elevada complexidade e em permanente transformação, os desafios que se apresentam às organizações exigem visão e um conjunto de competências alargado, que só uma equipa de gestão com características complementares e integradoras abre a possibilidade de contribuir com mais-valias relevantes para a condução de negócio”.

Neste Executive Monitor, a Boyden, organização líder em Portugal em Executive Search, analisa mudanças recentes, perspetivas sobre a atual regulação e considerações importantes sobre a composição dos Boards.

O Conselho de Administração e o CEO

A relação entre o CEO e o Conselho de Administração é uma das condicionantes mais importantes para o sucesso de uma empresa. Para construir uma relação bem-sucedida, tanto o conselho de administração como o CEO têm de ter um entendimento claro sobre a função, requisitos e limitação de cada uma das partes. Uma divisão bem definida das responsabilidades apenas terá sucesso se o CEO e os conselhos de administração tiverem objetivos comuns.

As duas partes têm de concordar com as prioridades e o timing destas prioridades. Para alcançar uma situação de objetivos partilhados e concordar nas prioridades empresariais, o CEO e o board têm de se engajar numa comunicação construtiva e franca alicerçada no respeito mútuo.

Apesar de a relação ideal entre o conselho de administração e o CEO ser fundada no princípio que cada parte tende para as suas obrigações respetivas sem influenciar a esfera da outra, a história contemporânea está pejada de exemplos de cruzamento e sobrecarga de funções de responsabilidades.

Casos como a Enron, WorldCom e Volkswagen demonstram os riscos associados ao sobre carregamento da gestão e ao facto de os conselhos de administração terem papéis relativamente menores na supervisão da performance corporativa.

Na sequência dos escândalos corporativos, foi introduzida regulação alargando os requisitos para os conselhos de administração, gestão e firmas de auditoria das empresas cotadas.

Redes Sociais e Investidores Intervenientes

As estimativas apontam para que o número de utilizadores de redes sociais tenha atingido os 2,34 mil milhões em 2017 e a expetativa é que aumente para 2,95 mil milhões em 2020. A cada segundo há quase 6000 novos tweets, o que corresponde a 350 mil tweets por minuto, 500 milhões por dia e 200 mil milhões por ano.

Nesta era de circulação constante de notícias que rapidamente afetam a perceção pública, os Conselhos de Administração têm de estar preparados para agirem depressa e têm a tarefa de constantemente considerar os riscos de reputação que se levantam com as redes sociais, a estratégia da empresa para mitigar estes riscos e as táticas para a monitorização de referências da empresa nos social media.

Os últimos anos têm mostrado também um aumento significativo no número de alvos de investidores intervenientes, com o número de empresas publicamente sujeitas a procura a aumentar de forma consistente.

A cada vez maior influência de investidores ativistas e intervenientes tem vastas implicações para os Boards, que têm de engajar com maior frequência e significado com estes intervenientes. A responsabilidade e prestação de contas das administrações têm continuado a aumentar no meio de uma pressão acrescida por parte dos investidores.

Os administradores são obrigados, numa base diária, de ter em atenção as exigências e preocupações destes intervenientes no seu trabalho como membros dos Conselhos de Administração. Os Boards têm agora de aplicar uma supervisão mais alargada, impor o compliance com orientações regulatórias mais estritas, e manter uma constante atenção ao panorama num ambiente maior exposição.

Nos últimos dez ou 15 anos, o Conselho de Administração evoluiu para uma entidade de forte monitorização das dinâmicas e funções corporativas, para um ator que lidera a empresa quando for necessário e é parceiro quando for apropriado. No limite, a integridade da empresa resume-se à independência do Board, que tem como finalidade a proteção dos acionistas.

O Futuro dos Boards

Desde o início do século XXI que as regulações têm sido implementadas para limitar o alcance da gestão e assegurar uma supervisão efetiva dos Boards.

Estas mudanças regulatórias alargaram e acrescentaram estrutura às funções do Conselho de Administração, definido assim com maior clareza a sua posição em relação ao CEO. Nos últimos anos, no meio da crescente omnipresença das redes sociais e uma pressão mais acentuada dos investidores intervenientes, o papel e relevância dos Boards aumentou ainda mais.

As perspetivas em relação ao impacto destas mudanças na natureza dos Conselhos de Administração variam, com argumentos que as atuais regulações e pressões foram finalmente introduzidas numa era de efetiva supervisão dos Boards e outros a defenderem que estas mudanças deixam os administradores vulneráveis a escrutínio e responsabilização, tornando a função menos desejável e, daí, mas difícil de preencher.

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