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BOEHRINGER INGELHEIM E A CONTRIBUIÇÃO SIGNIFICATIVA NA LUTA CONTRA A COVID-19

Engª Sandra Marques DG Boheringer

O mundo está neste momento a viver tempos muitos complexos devido à pandemia de COVID-19. Sendo a Boehringer Ingelheim (BI) uma empresa que defende com a máxima seriedade a saúde dos seus profissionais e doentes, de que forma este vírus se torna numa prioridade?

Somos uma empresa global com mais de 50 mil colaboradores em todo o mundo e consideramos ser nosso dever fornecer a melhor proteção possível para a saúde dos doentes, dos nossos colaboradores e da sociedade. A partir do momento em que a infeção pelo coronavírus coloca em risco a saúde pública, torna-se automaticamente uma prioridade para a empresa trabalhar, em todas as frentes possíveis, para a combater.

Numa altura em que a infeção por coronavírus coloca em risco a saúde de todos, fornecer aos doentes os medicamentos essenciais é a nossa prioridade máxima. Para além disso, somos um parceiro próximo e importante da comunidade de profissionais de saúde, tendo assim a responsabilidade adicional de ajudar a prevenir a sobrecarga hospitalar que o surto da COVID-19 acarreta.

Disponibilizamos as nossas competências e recursos para ajudar a aliviar a situação e colaboramos continuamente com profissionais de saúde e entidades de saúde, para minimizar os impactos da pandemia e assegurar que os doentes não são privados das suas terapêuticas. Não prevemos problemas na cadeia de abastecimento de medicamentos a curto prazo. Ainda assim, avaliamos continuamente possíveis alternativas para contornar eventuais constrangimentos, de forma a garantir o fornecimento contínuo de todos os nossos medicamentos para as pessoas e animais que mais deles precisam.

A Indústria Farmacêutica é parte importante na cadeia de prestação de cuidados de saúde. De que forma pode a Boehringer Ingelheim ajudar a prevenir a sobrecarga hospitalar que um surto exponencial de COVID-19 acarreta?

Como uma empresa orientada para a investigação e desenvolvimento, iniciámos a nossa atividade de apoio em janeiro e continuaremos a dar uma contribuição significativa na luta contra a COVID-19.

Temos cerca de 100 cientistas de I&D, que já dedicaram 11 mil horas de trabalho em laboratório, comprometidos na investigação para combate ao vírus. No processo de desenvolvimento de novos fármacos ao longo do tempo, a Boehringer Ingelheim construiu uma biblioteca com mais de 1 milhão de compostos. Atualmente estamos a realizar uma triagem computacional de toda a biblioteca com o objetivo de identificar novas pequenas moléculas com atividade contra o vírus SARS-CoV 2. Ao mesmo tempo, estamos a avançar rapidamente no desenvolvimento de anticorpos monoclonais neutralizantes antivirais para a terapêutica contra a COVID-19, em colaboração com o Centro Alemão de Pesquisa de Doenças Infeciosas (DZIF).”

Adicionalmente, através do um consórcio com outras empresas farmacêuticas e a Fundação Bill e Melinda Gates unimos esforços para encontrar soluções que impulsionem o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e outros tratamentos que ajudem no combate à pandemia de COVID-19.

Em Portugal estamos a dar o nosso contributo, apoiando financeiramente o projeto solidário “Todos por Quem Cuida”, criado pelas Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos em parceria com a Apifarma, e também através da doação de milhares de materiais e equipamentos de proteção, essenciais no combate à propagação da pandemia, a vários Hospitais e Unidades de Saúde Familiares em todo o território nacional.

Neste sentido, que medidas preventivas adotou a Boehringer Ingelheim de modo a conter a propagação de um vírus que já afeta a vida quotidiana em todo o mundo?

De imediato, implementamos medidas para proteger os nossos colaboradores e reduzir o risco de propagação do vírus, seguindo rigorosamente as orientações dos especialistas. A comunicação é essencial para o sucesso de qualquer plano de contingência e o surto da Covid-19 fez emergir a agilidade e pro-atividade nas ações, a responsabilidade e a transparência, que são, a meu ver, atributos essenciais de uma organização na gestão de qualquer crise. De forma rápida e atempada, implementámos o regime de teletrabalho para todos os colaboradores, e oferecemos-lhes também material de proteção, como luvas e máscaras, para terem em suas casas e poderem proteger-se nas compras ou noutras tarefas indispensáveis. Partilhamos com os nossos colaboradores guias e orientações, que são constantemente atualizados tendo em conta as alterações que vão ocorrendo. Acreditamos que uma comunicação regular e objetiva, nesta altura, é basilar para nos mantermos unidos.

Na vossa atividade, é fundamental que assegurem que os doentes não são privados das suas terapêuticas. Como é feita esta gestão atualmente?

Todas as nossas atividades concentram-se em garantir que os doentes continuam a receber os medicamentos essenciais. A nossa cadeia de produção e abastecimento continua a trabalhar de acordo com o planeado e não prevemos problemas a curto prazo.

Como as pessoas com doenças crónicas graves, incluindo doenças cardíacas, diabetes e doenças pulmonares, são grupos de risco, estamos também a fornecer suporte e recursos contínuos, através de canais digitais acessíveis a profissionais de saúde, doentes e cuidadores.

De que forma tentam gerir o vosso método de trabalho, de modo a estarem em constante monitorização da situação e colaborarem continuamente com profissionais de saúde e autoridades para minimizar os impactos desta pandemia?

Quando começamos a implementação do teletrabalho foi distribuído a todos os colaboradores um “survival kit” que continha algumas medidas e ferramentas a utilizar de forma a agilizar as comunicações em caso de emergência ou suspeita de infeção por COVID-19. Mantemo-nos todos em constante contacto e atividade profissional através de ferramentas de trabalho e de comunicação digitais internas.

Tal como referido, estamos a realizar diversas atividades para encontrar soluções terapêuticas para travar esta pandemia. Trabalhamos arduamente em colaboração com investigadores, académicos, instituições internacionais e outros parceiros da indústria farmacêutica.

Estará Portugal devidamente preparado para uma pandemia de uma dimensão como esta?

Estamos todos a combater um inimigo invisível. Ninguém previa que este vírus causasse uma pandemia que coloca em causa a saúde pública em todos os países. Se nem as grandes potências mundiais estavam preparadas para esta dimensão da COVID-19, como é que Portugal poderia estar? No entanto, é de notar o esforço e o empenho que o Governo português está a ter nesta situação delicada que vivemos. O estado de emergência era algo inevitável face à propagação do coronavírus e agora mais do que nunca é preciso ajudar os profissionais de saúde e todos aqueles que estão infetados. Portugal só consegue ultrapassar esta fase crítica se todos juntos unirmos esforços.

“Um diagnóstico precoce é fundamental para um melhor controlo da diabetes”

 A Boehringer Ingelheim é hoje um dos principais players no domínio da investigação e desenvolvimento no panorama da saúde, contribuindo decisivamente para a melhoria da saúde em Portugal. Neste sentido, e apenas para contextualizar, como tem vindo a marca a perpetuar um caminho de desenvolvimento contínuo de novas soluções no âmbito da saúde?

De capitais privados desde a sua fundação, em 1885, a Boehringer Ingelheim encontra-se no grupo das maiores empresas do setor farmacêutico em Portugal. Cerca de 50.000 funcionários a nível mundial criam valor, diariamente, através da inovação, nas três áreas de negócio: saúde humana, saúde animal e biofarma. Em 2018, a Boehringer Ingelheim atingiu vendas líquidas globais de 17,5 mil milhões de euros. A sua visão Value Through Innovation é espelhada no investimento em Investigação e Desenvolvimento, que ultrapassa os três mil milhões de euros, correspondendo a cerca de 18% do total das vendas líquidas. Este investimento tem-nos permitido trazer medicamentos inovadores para o mercado todos os anos.

A Diabetes é a mais comum das doenças não transmissíveis com elevada prevalência e incidência crescente. Qual tem sido o papel da Boehringer Ingelheim no domínio do controlo da diabetes?

A diabetes é uma emergência mundial. Números recentes mostram que em 2045 poderemos ter mais 200 milhões de diabéticos no mundo do que temos hoje, perfazendo mais de 600 milhões de diabéticos. Esta é definitivamente uma área terapêutica em que a Boehringer Ingelheim vem apostando fortemente desde há uns anos e onde irá continuar. Em Portugal a Boehringer Ingelheim afirmou-se, desde 2014, como um parceiro na área da diabetes, trazendo não só medicamentos inovadores, mas também criando parcerias e desenvolvendo projetos de educação médica junto das principais sociedades científicas e profissionais de saúde que têm um papel chave na gestão desta doença altamente prevalente e impactante.

Portugal posiciona-se entre os países europeus que registam uma das mais elevadas taxas de prevalência da Diabetes a qual foi estimada em 13,3% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, de acordo com os últimos dados do Observatório Nacional da Diabetes. O que deve ser realizado para diminuir estes números?

Nos últimos 40 anos quadruplicou o número de pessoas afetadas por diabetes e suas complicações, o que levou a Organização Mundial de Saúde a classificar recentemente a diabetes como uma epidemia global. Em Portugal estima-se que exista cerca de um milhão de doentes diabéticos, um número que se prevê que continue a aumentar nos próximos anos.  A diabetes tipo 2, em particular, é uma doença com uma história natural complexa. Apesar de ter uma componente genética importante está muito associada a estilos de vida mais sedentários e hábitos alimentares menos saudáveis. A correção destes hábitos alimentares e a promoção de exercício físico adequado devem ser incentivadas. Esta doença tem um impacto a nível de vários órgãos com consequências graves na morbilidade e mortalidade dos doentes.

Essa necessidade de redução destes valores passa pela prevenção e consciencialização para a gravidade da diabetes? Como perpetuam esta dinâmica de sensibilização?

A diabetes é uma doença “silenciosa”, pelo que é crucial uma consciencialização dos profissionais de saúde para a identificação e rastreio de doentes em risco. É igualmente importante aumentar o grau de conhecimento da população relativamente ao que se pode fazer para evitar o desenvolvimento da diabetes tipo 2 (exercício físico, alimentação, estilos de vida saudáveis), quais os sinais e sintomas que devem alertar para o diagnóstico, quais são os grupos de maior risco e a necessidade de monitorização clínica regular para rastreio da doença, principalmente nos grupos de maior risco.

A Boehringer Ingelheim tem estabelecido parcerias com os principais intervenientes envolvidos na gestão da doença, promovendo direta e indiretamente iniciativas que permitem aos profissionais de saúde estarem mais atentos e atualizados para a prevenção, diagnóstico e tratamento. Temos ainda desenvolvido campanhas sobre a doença que permitem ao público em geral estar mais consciente do impacto, gravidade e gestão desta doença.

Neste âmbito, o que tem é que tem vindo a ser desenvolvido pela Boehringer Ingelheim em termos de investigação em saúde no domínio da diabetes no nosso país?

Em Portugal, a Boehringer Ingelheim é uma das empresas líder em investigação clínica. Este facto tem permitido que muitos dos nossos doentes e profissionais de saúde possam participar em ensaios clínicos com medicamentos inovadores, numa fase inicial do seu desenvolvimento. Temos o compromisso de continuar a investir esforços, não só na diabetes mas também noutras áreas terapêuticas como a cardiovascular, respiratória e oncologia.

Na diabetes, continuaremos adicionalmente a investir na investigação e disponibilização de moléculas que atuem não só no tratamento da doença, mas essencialmente na minimização do impacto das morbilidades que lhe estão associadas. Atualmente temos já comercializados medicamentos inovadores para o tratamento da diabetes, alguns com impacto muito significativo também nas complicações associadas a esta doença. No entanto, continuamos a investigação nesta área, tendo diversos estudos em curso para avaliar o potencial tratamento e prevenção de importantes complicações ou doenças associadas à diabetes, como a insuficiência cardíaca, doença renal crónica, nefropatia e retinopatia diabética.

Neste momento existem novas abordagens no tratamento da diabetes? É legítimo afirmar que hoje vivemos uma mudança de paradigma no tratamento da diabetes?

A abordagem centrada no doente continua a ser crucial no atual paradigma de tratamento. Nos últimos anos assistimos a uma maior preocupação em valorizar a associação entre diabetes e risco cardiovascular. A doença cardiovascular é duas vezes mais frequente em diabéticos comparativamente com não-diabéticos. É ainda a principal causa de morte nos doentes com diabetes tipo 2. Adicionalmente, a diabetes tipo 2 está frequentemente associada a outras comorbilidades, como obesidade e hipertensão, que agravam o risco cardiovascular global da doença. Um doente com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular tem, em média, menos 12 anos de vida em comparação com pessoas sem estas duas doenças.

O paradigma de tratamento está assim a mudar para se considerar o impacto cardiovascular da doença como um elemento fundamental na escolha do tratamento para a diabetes. Surgiram nos últimos anos novos medicamentos com impacto relevante não só na redução da glicose no sangue (forma como habitualmente é diagnosticada a doença) mas sobretudo com impacto significativo no atraso do aparecimento das suas complicações vasculares. Falamos, assim cada vez mais, em doença cardiometabólica.

Qual a relevância da deteção precoce dos sintomas relacionados com a diabetes e a gestão dos potenciais fatores de risco?

Um diagnóstico precoce é fundamental para um melhor controlo da doença e da qualidade de vida do doente. Sabemos hoje que uma atuação precoce tem um impacto significativo na prevenção e atraso da progressão das complicações da diabetes, como cegueira, amputações, insuficiência renal e doença cérebro-cardiovascular.

A diabetes pode ser considerada a denominada patologia silenciosa, pois algumas pessoas podem ter diabetes sem saber. Como é que podemos evitar estas «surpresas»? Para que sinais se deve estar mais alerta?

A diabetes tipo 2 aparece geralmente na idade adulta, associada ao excesso de peso, pouca atividade física e hábitos alimentares pouco saudáveis. Um dos problemas é que esta doença é muitas vezes assintomática durante muito tempo e, por vezes, só é diagnosticada quando ocorre um evento que surge como consequência das complicações da doença.

Alguns dos possíveis sinais e sintomas de alerta gerais poderão ser vontade de urinar mais frequentemente, aumento da sede, dificuldade na cicatrização, visão turva, perda de peso injustificada, infeções frequentes.

Muitos estudos têm sido realizados e a investigação em saúde, em qualquer vertente, centra-se no desiderato da cura. Num futuro próximo, podemos falar de cura para a diabetes ou é algo, para já, impensável?

Na realidade, a diabetes não tem ainda atualmente cura. No entanto, é uma doença crónica em que medicamentos recentes, que têm vindo a ser disponibilizados, têm permitido controlar melhor a doença, atrasar o aparecimento das complicações e prolongar a vida dos doentes. ▪

No rumo da prevenção e do tratamento de pessoas com diabetes, qual será a linha de orientação e atuação da Boehringer Ingelheim? O que podemos continuar a esperar da vossa parte?

 Diria que esta é uma altura verdadeiramente entusiasmante em que o paradigma de tratamento, e até da própria doença, se vai alterando à medida que a investigação vai desvendando novo conhecimento científico.

A Boehringer Ingelheim reforçou recentemente o investimento no programa de desenvolvimento clínico da área da diabetes, assim como nos chamados estudos de mundo real que pretendem avaliar doentes no dia a dia, e não em ambiente de ensaio clínico. A empresa pretende assim continuar a tradição da excelência de inovação na diabetes ou, de forma mais abrangente, na doença cardiometabólica.

“Não permitam que as tratem de forma diferente”

O que a levou a escolher a indústria farmacêutica?

Aconteceu por acaso. Tinha concluído o curso de Engenharia Química e queria começar a trabalhar. A oportunidade surgiu há cerca de 20 anos, sob a forma de Delegada de Informação Médica, desafio que achei interessante.

Passados estes anos, sinto que, apesar de inesperada, foi uma boa aposta. A indústria farmacêutica portuguesa é uma das áreas mais desenvolvidas a todos os níveis. É dos setores mais legislados e controlados, o que contribui para salvaguardar a transparência bem como os interesses dos doentes.

É também uma das áreas que mais tem contribuído para a sociedade portuguesa, não só de forma direta, através da contínua criação de postos de trabalho, como através de atividades menos visíveis, como sejam, o apoio à formação científica dos profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, etc.

Adicionalmente, o maior contributo da indústria farmacêutica continua a ser ao nível das contribuições financeiras para o Serviço Nacional de Saúde, não só através do pagamento de impostos, mas também na flexibilidade da sua postura nas discussões e negociações com o Ministério da Saúde.

A Sandra foi a primeira pessoa portuguesa a ser nomeada pela Boehringer Ingelheim para o cargo de Diretora-Geral. O que representou para si esta nomeação?

Primeiro, uma surpresa. Depois um enorme desafio tendo em consideração a conjuntura económica e financeira do país na altura, que se continua a refletir nas empresas. No entanto, o balanço é positivo e a empresa mantém um crescimento favorável, apesar dos eventuais constrangimentos.

Representou também uma enorme oportunidade, que me permitiu poder continuar a contribuir para o desenvolvimento da empresa no nosso país, assegurando o acesso dos nossos doentes à inovação.

Por último, representou e continua a representar, um enorme privilégio de liderar uma equipa empenhada e dedicada, que trabalha de forma incansável no sentido de assegurar que a Boehringer Ingelheim Portugal continua a atingir os objetivos a que se propôs.

O que faz a Boehringer Ingelheim diferente dos seus concorrentes?

Apesar de operar globalmente em todo o mundo e ter mais de 50 000 colaboradores, a Boehringer Ingelheim é acima de tudo uma empresa familiar de capitais privados, totalmente independente e que assim se tem mantido ao longo de mais de 130 anos.

O facto de não estar dependente das expectativas dos operadores de mercados bolsistas, permite-nos assegurar todos os anos um investimento sustentado em investigação e desenvolvimento, equivalente a cerca de 20% dos nossos lucros.

Num mundo altamente competitivo e em constante mudança, o valor dos produtos, dos serviços e das empresas sofre enormes pressões e só é possível criar e manter valor para os clientes através do desenvolvimento constante de novas soluções.

A nossa filosofia de valor através da inovação é o pilar essencial que nos distingue e a visão que contribuiu para o nosso crescimento.

Teve que abdicar de algo na sua vida pessoal para conseguir chegar ao lugar onde se encontra?

Abdicar propriamente, julgo que não. Penso que não passamos tanto tempo quanto gostaríamos com a família – e, provavelmente, nem tanto quanto eles desejavam. Tentamos compensar as ausências procurando assegurar qualidade na disponibilidade e por isso quando estamos, estamos mesmo.

É uma gestão difícil, como para qualquer pessoa que tem uma carreira e família, em que cada dia é uma aprendizagem.

Como é a sua rotina?

Tenho a certeza que é igual à de tantas outras pessoas: levantar, tratar dos filhos, levá-los à escola, vir trabalhar, regressar a casa, passar algum tempo com a família, trabalhar mais um pouco.

A diferença é que parte dessa rotina é constituída por frequentes viagens, nacionais e internacionais, o que requer maior planeamento e alinhamento. Mas tirando isso, é perfeitamente normal.

É a favor de políticas que acelerem mudanças no que diz respeito à inclusão de mais mulheres nas empresas, quais, por exemplo?

A questão não é assegurar mais mulheres nas empresas porque elas já lá estão. A questão é assegurar que têm as mesmas oportunidades de progressão e a mesma retribuição salarial que os homens nas mesmas funções – é aqui que considero que há ainda um longo caminho a percorrer.

Também me parece que medidas adicionais não resolvem o problema, pois já existe legislação nesse sentido que, na maioria das vezes, não é cumprida. Trata-se de uma questão cultural e as mudanças culturais demoram mais tempo. Mas penso que vamos assistir nos próximos anos a uma mudança radical com as mulheres a chegar cada vez mais rapidamente a mais funções e cargos de topo – não por imposição, mas por necessidade: é que já há vários anos que o número de mulheres tende a aumentar, bem como o número de mulheres com formação superior. Portanto eventualmente chegaremos a uma situação em que a escolha óbvia serão as mulheres. Provavelmente nessa altura teremos necessidade de uma lei de quotas para os homens.  Na Boehringer Ingelheim Portugal temos procurado acelerar este processo e nesta altura a equipa de direção, por exemplo, está praticamente equilibrada em termos de género.

A maior parte da sua carreira foi construída na Boehringer Ingelheim. É difícil imaginar-se em qualquer outro lugar?

A Boehringer Ingelheim não só é a empresa onde eu estou há mais tempo, como também tem sido a que me tem dado maiores oportunidades de crescimento. Mas eu também gosto de desafios e preciso de me sentir desafiada constantemente, de forma a poder continuar a evoluir.

Na sua opinião, qual é o conselho mais importante que as mulheres precisam ouvir hoje no local de trabalho?

Não permitam que as tratem de forma diferente. Acreditem em vocês e persigam os sonhos – mesmo os que parecem impossíveis de concretizar.

 

 

 

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