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Investimento em Cabo Verde aumenta mais de 50% com Portugal a liderar

Fonte iStock

De acordo com dados compilados hoje pela Lusa a partir do último relatório estatístico do Banco de Cabo Verde, de agosto, o volume de IDE português naquele país africano foi de mais de 542 milhões de escudos (4,9 milhões euros) no primeiro trimestre, valor que compara com o registo negativo de 10,6 milhões de escudos (96 mil euros) no período homologo de 2018.

O investimento português em Cabo Verde no primeiro trimestre de 2019 foi ainda superior a qualquer um dos trimestres de 2018.

No total do ano passado, Cabo Verde contabilizou 9.300 milhões de escudos (84,1 milhões de euros) de IDE, com Espanha a liderar, com 1.925 milhões de escudos (17,4 milhões de euros), seguida de Portugal, com 1.003 milhões de escudos (nove milhões de euros).

Em apenas três meses de 2019, o investimento direto português em Cabo Verde já representa metade do registado em todo o ano de 2018.

Depois de Portugal, a lista dos principais investidores estrangeiros em Cabo Verde integra ainda o reino Unido, com 98,3 milhões de escudos (890 mil euros) e a Espanha, com 80,6 milhões de escudos (730 mil euros).

De acordo com dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, a comunidade portuguesa em Cabo Verde desenvolve atividades nas áreas do comércio, incluindo a distribuição alimentar e de bebidas, na hotelaria e restauração, na construção civil e metálica, entre outros.

No anual discurso sobre o Estado da Nação, em 31 de julho, na Assembleia Nacional, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, afirmou que a comunidade internacional olha para Cabo Verde como “um exemplo de país democrático, estável, seguro, credível e confiável, de baixos riscos políticos, sociais e reputacionais“.

“Um país em que a paz social impera. Um país com a ambição de atingir o desenvolvimento sustentável. É esta ambição que nos coloca no radar internacional como um país com futuro”, afirmou Ulisses Correia e Silva.

Fonte LUSA

Ilha de Santiago: das praias e das dunas ao turismo inclusivo e diversificado

Depois de assumir a gerência da PraiaTur – Agência de Viagens e Turismo, há três anos, Marvela Rodrigues começou a trabalhar no sentido de implementar na Ilha de Santiago o que há muito ambicionava e idealizava: um turismo histórico e cultural.

Santiago é a maior ilha de Cabo Verde e é conhecida pelas praias e pela cultura crioula portuguesa/africana. É aqui, na Ilha de Santiago, que Marvela sabe que ainda há muito a fazer no que diz respeito ao turismo e que ainda existem muitas valências por explorar. “Santiago não é só praia. Santiago é muito mais. É história e cultura”, diz-nos Marvela Rodrigues.

Santiago é uma das ilhas com melhores condições para um turismo inclusivo e diversificado. Santiago, a primeira ilha de Cabo Verde a ser descoberta, em 1460, tem praias, uma cultura rica e muita história para contar.

Na IV Edição do Somos Cabo Verde 2018, Marvela Rodrigues foi pré-nomeada na categoria de Turismo pelo trabalho que tem feito no sentido de desenvolver o turismo na Ilha de Santiago, com vários projetos turísticos que têm essa ilha como foco.

Falemos do “Projeto Darwin”, a partir do qual desenvolveu o circuito turístico Charles Darwin, evocando a sua passagem por Cabo Verde em 1844. Esse circuito deu origem a um livro da autoria de António Correia e Silva e Zelinda Cohen, “Cabo Verde, o despertar de DARWIN”, que foi lançado em 2017 no Grémio e na BTL- Feira de Turismo, em Lisboa, com uma boa aceitação. Em Cabo Verde, foi lançado na presidência da República em Abril do mesmo ano.

Este projeto vai ao encontro da forte pesquisa que tem feito para desenvolver um turismo histórico e cultural em Santiago, tendo por base a qualidade e veracidade dos dados.

Em Cabo Verde poucas pessoas têm conhecimento da passagem de Charles Darwin pelo país e é este turismo cultural e histórico que Marvela quer promover e desenvolver, quer para os próprios cabo-verdianos quer para quem visita o arquipélago. “Em Cabo Verde temos muito mais para contar”. Para o ano de 2019/2020 este circuito, que precisa de ser requalificado, estará pronto para receber grupos turísticos.

Neste ponto questionámos Marvela Rodrigues sobre as vantagens da nova medida que visa cidadãos da União Europeia a estarem isentos de visto para Cabo Verde em 2019. Esta é uma medida que acarreta vantagens para o turismo em Cabo Verde? Já se fez sentir os efeitos desta medida? “Para já ainda não, até porque a emissão do visto não exigia uma burocracia demorada, não sendo, por isso mesmo, um entrave para quem quisesse visitar Cabo Verde. Quanto às vantagens desta medida, ainda é cedo para se saber se a isenção de visto trará ou não um aumento do turismo”, diz-nos Marvela Rodrigues.

Mas continuemos a falar dos seus projetos. Outro dos projetos em mãos e pronto para arrancar é de cariz sócio educacional. Direcionado para a camada mais jovem, e sabendo que é em criança que se incute valores, Marvela tem já uma parceria com uma escola de Santiago para desenvolver um projeto sobre o turismo nas escolas, desde a pré-primária. O objetivo é ensinar e mostrar aos mais pequenos as mais-valias e as vantagens do turismo para Santiago e para Cabo Verde, e como se pode receber e acolher turistas.

Por outro lado, Marvela Rodrigues também se destaca nos projetos de âmbito social. Tem, igualmente, em carteira, um novo projeto social com mulheres reformadas, visando aproveitar o know-how destas e ajudar jovens mulheres em várias vertentes. Juntamente com outras associações, tem desenvolvido um trabalho junto da comunidade no que diz respeito à inclusão, sobretudo de mulheres. Tem conhecimento que, chegado o momento da reforma ou em casos em que mulheres se ocupam inteiramente das tarefas domésticas, acabam por atravessar situações difíceis ou estados de saúde frágeis. Este projeto, que arranca este ano, servirá para apoiar essas mulheres. Servirá para apoiar as gentes da Ilha de Santiago, não fosse Marvela Rodrigues uma mulher de causas.

Garantia Seguros: estar onde está Cabo Verde

A nova marca Garantia é o reflexo do processo de definição estratégica que teve início em 2014, quando a Fidelidade Seguros se tornou na maior acionista da Companhia. Que balanço se pode perpetuar destes quatro anos?

A adoção do logótipo da Fidelidade inscreve-se no âmbito da necessária aproximação à identidade visual da Fidelidade, com vista a refletir a imagem corporativa e as inúmeras vantagens que os clientes Fidelidade/Garantia podem usufruir, nas diversas geografias onde o Grupo Fidelidade está presente, designadamente nos vários países que acolhem a comunidade emigrada de Cabo Verde.

O balanço deste casamento não poderia ser mais positivo, porque tem permitido à Garantia adotar as melhores práticas de gestão de topo, melhorar a nossa capacidade de inovação tecnológica quer nos produtos quer nos serviços, para além de reforçar a credibilidade da companhia juntos dos nossos diferentes stakeholders, nacionais e internacionais, decorrentes de fazer parte de um grupo com o prestígio da Fidelidade, num setor em que a confiança é chave do sucesso!

Como tem sido realizado o crescimento e a conquista de mercado por parte da Garantia em Cabo Verde?

A Garantia é líder do mercado segurador cabo-verdiano há muitos anos, tal como a Fidelidade o é em Portugal, com uma quota de mercado de 56%, decorrente de um percurso de 27 anos que se alicerça, de entre outros, nos seguintes itens:

  • Experiência e qualificação (permanente) dos colaboradores da Companhia;
  • Diversificação e qualificação dos serviços e produtos;
  • Forte aposta na inovação e modernização tecnológica;
  • Certificação internacional para a gestão orientada para a qualidade, nos termos da ISO 9001 (Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos);

Eleita a seguradora preferida dos Cabo-verdianos, por seis vezes consecutivas;

  • Distinguida como a melhor seguradora em Cabo Verde, pela Global Banking Finance Review, em 2016.

De que forma é que a instituição tem vindo a reforçar a ligação da marca com os cabo-verdianos?

A par da forte associação presente em vários instrumentos ao nível da imagem e do marketing institucionais, temos vindo conjuntamente a promover diversas iniciativas no país e junto da nossa comunidade emigrada em Portugal, tanto na esfera comercial como do domínio da Responsabilidade Social Corporativa, visando a apropriação da marca Fidelidade pelos cabo-verdianos e o reforço dos laços de confiança e afinidade, na linha do reconhecimento público que a Garantia ostenta junto da sociedade.

Como exemplos ilustrativos destas iniciativas pela sua relevância e impactos sociais, podemos apontar a doação feita pelos colaboradores da Fidelidade de um acervo com cerca 37 mil livros infanto-juvenis e escolares, predominantemente, que foram distribuídos por várias bibliotecas escolares nos 22 municípios do País; o patrocínio da II Edição da Gala “Cabo Verde Sucesso” promovida pelo Governo, realizada no passado dia 1 de Dezembro, em Lisboa, que contou com a presença dos Presidentes da República dos dois países; ou, a outro nível, o trabalho que vem sendo levado a cabo com mediadores destacados para trabalhar junto da comunidade cabo-verdiana residente em Lisboa, em parceria com as Associações “Cretcheu” e “Moving Diáspora”.

No domínio da vertente de produtos e serviços relacionados com seguros, este país encontra-se num nível elevado? O que trouxe a Fidelidade de novo para o país?

Diria, antes, que nos encontramos no nível adequado para as exigências e a realidade do país, tendo a consciência que o setor tem ainda muitos desafios para vencer, principalmente relacionados com os seguros de Acidente de Trabalho e Automóvel.

Neste contexto, a Garantia vai trilhando o seu caminho e tem procurado dinamizar e alavancar o mercado pela introdução de inovações quer ao nível dos serviços (pagamentos no site, garantia mobile, certificação ISO 9001) quer ao nível de determinados produtos como Auto+, Vida Protecção Garantida, PPR/E e, com especial ênfase para o Seguro de Saúde, sendo o primeiro (e único) a disponibilizar uma rede privada em Cabo Verde, com extensão à rede Multicare, em Portugal.

Para o setor segurador nacional e a própria entidade reguladora – o Banco de Cabo Verde (BCV) – atreveria a dizer que é uma grande mais-valia poder ter a presença de um Grupo com o prestígio da Fidelidade, em Cabo Verde, através da Garantia. Não só pela projeção internacional e credibilidade que isto confere ao mercado, induzindo potenciais investidores a fazerem negócios no país com maior segurança, como fundamentalmente pela convergência que obriga na adoção das melhores práticas de gestão, designadamente em termos normativos e de processos e no desenvolvimento tecnológico e de produtos, que apesar de serem de âmbito corporativo, acabam, necessariamente, por aportar ganhos ao mercado.

Que dinâmicas implementaram na marca Garantia que tenha aportado o património simbólico da Fidelidade e que tenha reforçado a confiança?

Esta é uma marca forte e fiel, que faz a união do passado com o futuro, transportando, consigo o património simbólico da Fidelidade. O cão representa a atenção, a agilidade e a eficácia que sempre guiaram a atividade seguradora.

Neste contexto, ultrapassando a mera dinâmica da marca, podemos dizer que a marca Fidelidade aportou à Garantia know-how, jovialidade, presença junto das comunidades emigradas e reforço da capacidade de inovação, que já era um dos pilares da GARANTIA, como forma de prestar um serviço de maior qualidade às pessoas.

Efetivamente, apesar de ser uma marca com duzentos anos de história, o que reflete muita experiência acumulada, a marca Fidelidade tem sabido renovar-se e acompanhar as tendências e exigências dos mercados onde está presente. A internacionalização, uma realidade e desafios recentes no seio da Fidelidade, tem-se revelado numa estratégia de sucesso, especialmente por aportar mais capacidade de prestar à nossa comunidade emigrada um serviço de maior qualidade.

“Juntos por um futuro seguro”: este é o vosso lema. O que podemos esperar para o vindouro por parte da marca em Cabo Verde?

Fazendo jus, não só ao nosso lema mas também à nossa visão, adoptada aquando da alteração da marca, somos desafiados a “estar onde está Cabo Verde”. Ser a marca de confiança e referência dos cabo-verdianos em todo o mundo e, através do exercício de uma liderança para o desenvolvimento, contribuir para um mundo mais estável e seguro!

Cabo Verde: Equipa portuguesa de urologia e cirurgia atendeu dezenas de crianças

© Getty Images

Estes profissionais de saúde portugueses realizaram sobretudo cirurgias de malformações genitais masculinas e femininas, ao aparelho urinário e canal inguinal.

O objetivo da missão, que decorreu no Hospital Agostinho Neto, na cidade da Praia, é “melhorar a saúde das crianças de Cabo Verde portadoras de patologias urológicas, patologia cirúrgica neonatológica e pediátrica e realizar ações de formação com vista à capacitação de profissionais locais”.

Segundo uma nota do hospital, estas atividades irão proporcionar “melhor qualidade de prestação de serviços, contribuindo para a poupança de recursos financeiros locais, como consequência da redução de evacuações externas”.

A missão insere-se no âmbito da cooperação entre Portugal e Cabo Verde e faz parte de um projeto entre os dois países no domínio da Saúde 2018-2020.

A próxima missão está marcada para abril de 2019, estando já agendados nove utentes.

Segundo o diretor clínico do Hospital Agostinho Neto, Victor Costa, “tem sido uma experiência muito positiva para todos os profissionais envolvidos, com ganhos em formação específica e, acima de tudo, constitui uma mais-valia para os doentes observados e tratados, bem como para as suas famílias”.

Da equipa do Hospital Dona Estefânia fazem parte dois urologistas pediátricos e um cirurgião pediátrico que têm trabalhado com a equipa do serviço de urologia e cirurgia do Hospital Agostinho Neto.

LUSA

Portugal disponível para apoiar criação de segundo centro de hemodiálise em Cabo Verde

“Portugal manifesta abertura – quer seja ao nível da ajuda ao financiamento, mas também ao nível técnico, estrutural e de recursos humanos – para ajudar o governo nesse objetivo”, disse Adalberto Campos Fernandes.

O ministro português falava hoje na cidade da Praia, em conferência de imprensa conjunta com o homólogo cabo-verdiano, Arlindo do Rosário, no segundo de três dias de visita que realiza a Cabo Verde.

Cabo Verde dispõe de um Centro de Hemodialise, no Hospital Agostinho Neto, na cidade da Praia, inaugurado em 2014, financiado em 70% pela cooperação portuguesa, que continua a apoiar a estrutura ao abrigo de um protocolo entre os dois países.

“Conhecemos bem a vontade do Governo de Cabo Verde de fazer um novo centro em São Vicente. Estamos a trabalhar, estamos no meio de discussão e de análise, mas a vontade política e muito forte”, sublinhou Campos Fernandes.

Adalberto Campos Fernandes cumpre hoje, na Praia, o segundo dia da sua visita oficial a Cabo Verde depois de segunda-feira ter estado no Mindelo, onde, durante uma visita ao hospital local, presidiu à assinatura de um protocolo tripartido entre os hospitais Batista de Sousa (Mindelo), Agostinho Neto (Praia) e Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN).

O mesmo protocolo será rubricado hoje à tarde durante uma visita do ministro ao Hospital Agostinho Neto.

Durante a manhã de hoje, os dois titulares das pastas da Saúde rubricaram um protocolo na área da formação em medicina geral e familiar e um outro entre o Instituto Ricardo Jorge, de Portugal, e o Instituto Nacional de Saúde Pública, de Cabo Verde, para a cooperação em matéria de doenças transmissíveis por mosquitos.

O ministro da Saúde de Portugal destacou a que esta visita e a assinatura dos protocolos responde à “necessidade de dar consistência e introduzir liderança política” na cooperação entre Portugal e Cabo Verde.

“O protocolo que assinamos abre diferentes áreas de cooperação, reforça as que existem e a nossa determinação é, duas vezes por ano, ao nível político, fazermos o acompanhamento para termos a certeza que, para além de bem, estamos a ir com a velocidade que se impõe para que os resultados sejam cada vez mais efetivos”, disse.

“A nossa vontade é de introduzirmos neste ambiente de cooperação técnica, que tem décadas, uma fortíssima liderança e vontade política para que possamos sistematizar mais e contribuir para que o sistema de saúde de Cabo Verde seja cada vez mais autónomo”, acrescentou.

O ministro da Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, assinalou, por seu lado, que um dos protocolos assinados visa desenvolver a especialização em medicina familiar no âmbito do primeiro curso de medicina implementado no ano letivo 2015/16 em Cabo Verde com o apoio da Universidade de Coimbra.

“Temos necessidade de reforçar a formação pré e pós-graduada, a formação em exercício, permitindo ganhos de competência dos hospitais centrais e, fazendo isso, creio que daremos um contributo importante no sistema nacional de saúde”, disse Arlindo do Rosário.

A cooperação portuguesa na área da saúde remonta ao início da independência de Cabo Verde e traduz-se, entre outros aspetos, no apoio e financiamento às estruturas de saúde, no intercambio de médicos e especialistas, na telemedicina e no envio de doentes para tratamento em Portugal.

Portugal assinou no ano passado um programa global de cooperação de 120 milhões de euros com Cabo Verde para o período 2017-2021, no âmbito do qual se inserem os protocolos agora rubricados na área da saúde.

A visita de Adalberto Campos Fernandes prossegue com visitas a unidades de saúde na ilha de Santiago, participando na quarta-feira na sessão de abertura do Congresso da Ordem dos Médicos Cabo Verde.

LUSA

“Temos muitos e grandes desafios”

Ricardina Andrade

A RA, Pessoas e Organizações propõe-se a contribuir para o desenvolvimento competitivo de Cabo Verde e da Sub-Região Africana. De que forma?

A competitividade de Cabo Verde e dos países da nossa sub-região depende, em larga medida, da competitividade das suas organizações que, por sua vez, depende da qualidade das pessoas que as integram e da forma como se organizam para poderem competir num mercado global, no qual estão em situação de desvantagem, exigindo que sejam mais rápidas nas abordagens e nas ações e mais focados nos resultados. O trabalho que propomos é pragmático e consiste em ajudar as Pessoas e as Organizações a melhorarem os seus desempenhos. Ajudamos as organizações a conquistarem resultados, que, regra geral, exigem mudanças no comportamento humano e a aquisição de novas habilidades. Para isso recorremos a técnicas e metodologias modernas e centradas na pessoa e nos resultados a serem alcançados. 

Para contextualizar o nosso leitor, com que serviços a RA se apresenta no mercado? 

Sendo uma empresa que ajuda a potenciar as pessoas e as organizações nas quais se inserem, disponibilizamos ao mercado um leque variado de ações de formação, nas mais diversas áreas de gestão, da liderança e do comportamento, com recurso a metodologias verdadeiramente inovadoras, que, para além das componentes teóricas, privilegiam a vivência individual e de equipa, a prática empresarial e a interação. Complementamos a nossa oferta com uma alternativa necessária ao alcance dos resultados: uma combinação de consultoria e coaching que produz resultados altamente significativos e a um custo relativamente baixo. O nosso diferencial é a nossa metodologia de intervenção, o perfil dos nossos facilitadores e a rapidez dos nossos resultados.  

Que principais lacunas encontram nas organizações na região de Cabo Verde? 

São basicamente as mesmas que encontramos a nível global, mas numa escala muito maior! Precisamos preencher a lacuna de liderança, e rápido. … A liderança começa no caráter, é um processo de desenvolvimento de dentro para fora e está na base da performance de tudo o que se faz.

Não existe eficácia sem disciplina, e tampouco disciplina sem caráter. É necessário criar uma estratégia para a construção de uma nova cultura organizacional, focada no potencial humano existente em África, promovendo uma África mais Humana, mais Produtiva e mais Justa. E isso requer um trabalho profundo de conscientização dos decisores e de capacitação dos profissionais para a disciplina, para o amor ao próximo e para a excelência. Requer, acima de tudo, uma mudança de paradigma sobre o Poder, sobre a Liderança e sobre o Ser Humano. É impressionante como os nossos Grandes heróis africanos viveram a frente dos seus tempos – o compromisso do Amílcar Cabral parece mais atual do que nunca “… jurei a mim mesmo que tenho que dar a minha vida, toda a minha   energia, toda a minha coragem, toda a capacidade que posso ter como homem, até   ao dia em que morrer, ao serviço do meu povo, na Guiné e Cabo Verde. Ao serviço da causa da humanidade, para dar a minha contribuição, na medida do possível, para a vida do homem se tornar melhor no mundo. Este é que é o meu trabalho”.

E com que desafios se tem deparado nesta sua missão de potencializar pessoas e organizações? 

Temos muitos e grandes desafios – Conquistar o mercado cabo-verdiano e da CDEAO e poder enfrentar o desafio do mercado: de ajudar os gestores a focarem na execução – fazer acontecer e sair da sua zona de conforto para se poder ter resultados extraordinários; da implementação de novas praticas para se poder criar novas culturas organizacionais e novas atitudes; de trabalhar competências de lideranças potenciando performance das equipas e o aumento dos seus resultados; da conscientização, ou seja ensinar as pessoas a desenvolver a sua consciência. A consciência é a chave. Quanto mais as pessoas treinarem a sua consciência, mais sensibilidade terão para a sua própria consciência. E aí podemos provocar a mudança. 

Que importância assume atualmente o capital humano nas empresas? 

Na minha opinião, o capital humano é a dimensão mais valiosa nas organizações e a dimensão mais importante do capital intelectual, e o líder deve reconhecer e manifestar este valor de forma que as pessoas fiquem inspiradas ao vê-lo em si próprias. Para fazer com que as pessoas ajam por si mesmas, elas precisam de afirmação. Vale a pena citar a metáfora de acender um fósforo. Primeiro, é necessário que haja fricção para acendê-lo, mas, uma vez aceso, seu fogo pode acender outros fósforos. No caso dos colaboradores, o bom relacionamento do líder com eles pode fazer com que esse valor se materialize e os  “contamine”. Uma das melhores formas de um líder transmitir tudo isso é ouvir os colaboradores para que estes sintam que sua opinião importa, que suas convicções e sentimentos são respeitados, que eles são verdadeiramente valorizados. Outra maneira é instalar sistemas que tratem os colaboradores como investimento e não como despesa.

Que características considera serem fundamentais para uma boa gestão de pessoas e de empresas? 

Para mim, gostar de pessoas é uma característica fundamental. Ter uma visão ampla do negócio, saber gerir complexidades e mudanças, desenvolver a si mesmo e aos outros, ter alinhamento emocional e focar nos resultados. Ou seja, o caráter e a competência conferem a credibilidade necessária ao profissional que assumir a tão nobre e difícil missão que é desenvolver uma equipa, transformar as pessoas em melhores versões delas mesmas e alcançar grandes resultados. Só desta forma é que podemos afirmar que existiu uma liderança efetiva.

Em defesa do ISCEE e do Ensino Superior em Cabo Verde

Amadeu João da Cruz é Presidente Interino e Secretário-Geral do Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE). Que postura procurou adotar para assumir este cargo de responsabilidade e contribuir para a dinamização do ISCEE e do ensino superior?

Exerço o cargo com serenidade e humildade, pois entendo que a gestão da instituição deve ser feita em diálogo com toda a comunidade académica e com as instituições públicas e privadas, de modo a que haja concentração na definição e implementação de estratégias de desenvolvimento institucional e científica do ISCEE e de sintonização com as dinâmicas decorrentes do contexto e da conjuntura institucional e da envolvente económica, social e cultural. Trata-se pois de uma postura de abertura e de concertação, em defesa do ISCEE e do Ensino Superior em Cabo Verde.

A história do ensino superior, em Cabo Verde, está indelevelmente marcada pelo ISCEE, enquanto primeira iniciativa de ensino superior privado no país. Como analisaria o percurso do ISCEE e do ensino superior em Cabo Verde desde a fundação do instituto em 1991? 

No início da década de 90 o nosso país enfrentava vários desafios, de entre os quais os inerentes à reforma económica, que preconizava maior preponderância do setor privado e a abertura dos mercados, o que demandava disponibilidade de pessoal técnico qualificado. É nesse contexto, de forte insuficiência de quadros-técnicos, que surgiu o ISCEE, sob impulso e dinamismo de um grupo de promotores, onde se destaca como principal mentor António Canuto, com apoio de parceiros portugueses como o ISCAL, a Escola Superior de Comunicação Social e, mais tarde, o ISCTE. Cabo Verde reconhece os resultados dessa primeira iniciativa de ensino superior, pois os quadros formados no ISCEE são referência nas empresas e nos organismos públicos onde exercem a sua profissão, em muitos casos exercendo altos cargos de gestão.

iscee

Que desafios enfrenta, atualmente, o ensino superior em Cabo Verde? 

Do nosso ponto de vista, os principais desafios são os da qualidade do ensino e da sustentabilidade das instituições, que condicionam a consolidação de todo o sistema de Ensino Superior Cabo-verdiano. O ISCEE não está imune a esses condicionalismos e por isso definiu e está a implementar estratégias assentes na consolidação das licenciaturas, numa ótica de concentração e de qualificação dos cursos, com destaque para os de Contabilidade, Gestão de Empresas, Marketing e Gestão Comercial e de Gestão e Planeamento em Turismo, bem como de diversificação na perspetiva do incremento dos cursos de mestrado e preparação de um programa de doutoramento, para os docentes universitários, investigadores e profissionais das áreas científicas onde estamos inseridos, isto é ciências económicas e empresariais. Estamos igualmente atentos às possibilidades de internacionalização e de integração do ISCEE nas redes de cooperação no contexto da lusofonia e do pan-africanismo, na perspetiva de superação e de inovação nos domínios científicos e de investigação.

Aliando a tecnologia e a inovação, de que forma o ISCEE procura destacar-se e promover um ensino de qualidade? 

Conforme referido anteriormente, a qualidade científica do ensino e o acesso ao conhecimento tecnológico, qualificado e contemporâneo, constituem eixos primordiais do ISCEE. Entendemos que devemos alinhar as condições de realização de investigação e de adequação do conteúdo curricular dos ciclos de estudos do ISCEE às tendências mais inovadoras e mais atuais, pois a Investigação e o Desenvolvimento são pilares mestras da inovação e do empreendedorismo e fatores que projetam a competitividade das empresas e da economia e o nosso Instituto quer estar na linha da frente e na vanguarda dentro das áreas científicas onde está inserido. Por isso, mantemos desde o início parcerias estratégicas e científicas com instituições de ensino superior portuguesas como o ISCAL, o ISCTE e, agora, a Universidade do Algarve, visando ajustamento dos nossos padrões de qualidade às políticas e orientações no domínio da ciência e da investigação adotadas no contexto europeu. Convém referir também que estamos em diálogo com universidades africanas que atuam na área económica, nomeadamente no âmbito do Projeto Tuning África, patrocinado pela União Europeia e União Africana. Por conseguinte, O ISCEE tem 25 anos de experiência no Ensino Superior em Cabo Verde, com uma network e conhecimentos adquiridos de grande qualidade, o que permite excelência da oferta formativa, com práticas pedagógicas de vanguarda.

Que objetivos e prioridades tem o ISCEE a curto e médio prazo? 

Os objetivos mais imediatos estão definidos e assentes na consolidação das condições de sustentabilidade científica, pedagógica e institucional do ISCEE, centradas na especialização e concentração da oferta de licenciaturas e diversificação de mestrados. Estamos também a trabalhar na preparação de um Programa de Doutoramento, tendo em vista o upgrade do nosso corpo docente e aprimoramento dos conhecimentos científicos dos profissionais da área das ciências económicas e da gestão. Além desses objetivos de qualificação científica e da oferta formativa, aspiramos intensificar as relações de cooperação com as comunidades científicas e universitárias do espaço da lusofonia e de África, na perspetiva de internacionalização do ISCEE.

“Demos um passo gigante rumo ao desenvolvimento”

A Câmara Municipal de São Miguel tem demonstrado uma crescente preocupação no que diz respeito à proximidade e ligação entre a Administração Municipal e os cidadãos. Que importância assume o poder local e esta proximidade com os munícipes? 

O Poder Local é o órgão do poder mais próximo dos cidadãos e das comunidades. Por conseguinte, para garantir a boa governação, é importante que a edilidade tenha sempre o foco em construir um município virado para as pessoas e para a resolução dos seus problemas. Temos uma visão clara para garantir o desenvolvimento sustentável do município e qualidade de vida aos nossos munícipes. Nesta linha, no pilar da boa governação, temos o reforço institucional e a modernização administrativa, a parceria estratégica e a promoção da transparência e prestação de contas como iniciativas e projetos prioritários, dado que são recursos estratégicos para aumentar a credibilidade do município junto dos seus stakeholders, garantir serviços eficientes e com qualidade aos cidadãos, às empresas e investidores. Pretendemos garantir a mobilização dos recursos necessários para viabilizar os projetos de desenvolvimento local.

A Câmara de São Miguel inaugurou, no dia da mulher Cabo-verdiana, 27 de março,  o primeiro Balcão Único. De que se trata este Balcão Único? Que principais carências procuram colmatar com o Balcão Único, bem como com outras iniciativas? 

O Balcão Único da Câmara Municipal de São Miguel é a maior inovação ao nível dos serviços municipais conseguida em Cabo Verde até hoje. Num único espaço o cidadão, empresário ou investidor tem disponível todos os serviços públicos prestados pela Direção Nacional das Receitas do Estado (DNRE ou Finanças), Casa do Cidadão e os serviços municipais, num espaço moderno, com toda a comunidade e com um atendimento público com eficiência e qualidade. Antes não havia a prestação dos serviços da DNRE no município. Os munícipes deslocavam-se cerca de 26 quilómetros para pagar os seus impostos e acederem aos serviços da DNRE no município do Tarrafal. A casa do cidadão deslocava um posto móvel duas vezes por semana para disponibilizar os seus serviços aos utentes. Na câmara, os cidadãos, para acederem aos serviços da autarquia, teriam que se deslocar a vários departamentos para poderem aceder aos serviços. Com a implementação do Balcão Único, estas dores de cabeça desaparecerem, há menos burocracia e o cidadão ganha mais tempo para outros afazeres, o empresário perde menos tempo em resolver os seus problemas e tem mais tempo para produzir e criar riqueza. Este projeto foi conseguido graças a uma parceria entre a Câmara e o Governo de Cabo Verde. Trata-se de um ganho incomensurável para o município. Demos um passo gigante rumo ao desenvolvimento. 

Que prioridades ou objetivos tem, a curto prazo, para São Miguel? 

A curto prazo queremos garantir um município e uma cidade educadora. Queremos garantir a coesão territorial e social, acessibilidade seguras e a qualidade ambiental.

Para despertar o interesse no nosso leitor, o que poderia dizer para dar a conhecer São Miguel? 

São Miguel é um município jovem (com apenas 20 anos) e tem tudo para dar certo. Temos um território com 92 km2, mar, uma costa marítima lindíssima, florestas, vales e ribeiras com potencial para desenvolver o agroindústria, barragens, o interior e as montanhas fantásticas para desenvolver o turismo rural, ecológico e de montanha. Temos uma população jovem e uma cultura riquíssima com destaque para o aldeamento dos “Rabelados” onde se produz o artesanato. Temos algumas unidades hoteleiras, com destaque para a “vila morgana” restaurantes excelentes e é um dos municípios onde melhor se come na ilha de Santiago. Além disso, realço a nossa localização estratégica pois estamos no centro de Santiago Norte o que nos permite a centralização dos serviços regionais. Outro ponto de atratividade do município é o Parque Natural de Serra Malagueta. Produzimos aguardente com qualidade e ainda somos o maior produtor de aguardente da Ilha de Santiago, para não dizer do país.

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Desenvolvimento turístico em Cabo Verde

sdtibmQuando foi edificada a SDTIBM – Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas de Boa Vista e do Maio, SA e de que forma é que a mesma tem vindo a assumir-se como um player de relevo no âmbito da promoção e desenvolvimento do turismo? 

A Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas de Boa Vista e Maio, SA (SDTIBM) foi criada em Junho de 2005, com a missão de planear, gerir e administrar as zonas turísticas especiais (ZTE) das Ilhas da Boa Vista e do Maio e promover o desenvolvimento integrado e sustentável dessas duas ilhas. Possui competência exclusiva de gestão e administração das ZTE, com destaque para as zonas de desenvolvimento turístico integral (ZDTI) nessas ilhas, bem como nas zonas de reserva e proteção turística (ZRPT). Dotado de um capital social de 22 milhões de euros, totalmente subscrito e realizado pelo Estado em 51% e pelos municípios da Boa Vista e do Maio, respetivamente em 35% e 14%, é das empresas cabo-verdianas com maior solidez financeira. Entre outras atribuições, cabe-lhe elaborar e executar planos de ordenamento turístico, elaborar, aprovar e executar projetos de ordenamento detalhado, projetos de obras de infraestruturas viárias e redes de eletricidade, água, esgotos e telecomunicações, realizar obras de urbanização e requalificação urbana e ambiental nas ZDTI, fiscalizar o cumprimento de leis e regulamentos ambientais, de ordenamento do território, do planeamento urbanístico, da construção, do uso e ocupação de solos nas ZDTI, bem como promover, atrair, negociar, apoiar e assinar acordos de investimentos.

Quais são as grandes mais-valias da SDTIBM e que análise perpetuam do turismo das Ilhas de Boa Vista e do Maio? 

A principal mais-valia da SDTIBM reside na sua estruturação e funcionamento e nos poderes especiais de Estado que detém: embora de capitais exclusivamente públicos, está adotada de uma estrutura de base essencialmente empresarial, o que lhe confere agilidade e eficácia; estando sujeita à legislação das sociedades comerciais, nos termos do Código das Empresas Comerciais, entretanto, em matéria do turismo, ela está dotada de poderes especiais de autoridade, administração central e local, para o conjunto do território das duas ilhas. Outra importante mais-valia tem a ver com a sua solidez financeira e a dimensão dos seus ativos, estimados em cerca de mil milhões de euros e constituídos, essencialmente, por terrenos de primeira linha – cerca de 7000 há – com maior potencial de turismo de sol e praia. Não podemos ainda esquecer do trabalho desenvolvido e da experiência acumulada no cumprimento, aliás, de uma das suas atribuições básicas – planeamento do desenvolvimento das duas ilhas, tanto do ponto de vista físico, como económico, social e ambiental. Boa Vista e Maio possuem o respetivo esquema regional de ordenamento do território (EROT) e o plano diretor municipal (PDM) e, das seis ZDTI existentes, cinco possuem seus planos de ordenamento turístico (POT), o que permitiu afetar e reservar o território dessas ilhas para o uso em função da melhor vocação natural de cada área em concreto, independentemente do tempo de implementação, bem como estabelecer parâmetros e ritmos para o desenvolvimento com sustentabilidade. Elaboramos e vamos agora aprovar os planos de ordenamento das orlas costeiras das ZDTI (POOC).

As Ilhas de Boa Vista e do Maio apresentam um enorme potencial turístico e que pode e deve ser aproveitado. Na sua opinião, acha que essas mais-valias têm vindo a ser devidamente aproveitadas? O que ainda falta para que o turismo nesta área seja ainda mais forte? 

O potencial turístico dessas ilhas está, sim, a ser aproveitado. Entretanto, para nós neste momento, muito mais do que aproveitar o potencial, põe-se o problema da sua preservação e potenciação, para assegurar a sua exploração sustentada. Não podemos esquecer que o desenvolvimento do turismo, e dessas ilhas no seu todo, está ainda apenas a começar: Se considerarmos que a capacidade máxima de carga prevista para a Ilha da Boa Vista é de cerca de 55 mil quartos, ela encontra-se preenchida em apenas pouco mais de 5%. Por seu lado, com uma capacidade máxima de prevista em pouco mais de 17 mil quartos, o Maio está ainda praticamente virgem. Compreendemos que existe muita ansiedade por parte da população, principalmente do Maio, que quer ver hotéis e outros empreendimentos turísticos a serem construídos, a criarem emprego e a dinamizarem a economia local, mas os empreendimentos resultam da conjugação de opções políticas e de compromissos de investimentos públicos e privados e estão ainda sempre condicionados à capacidade e limites de sustentabilidade, tanto social e como ambiental, que as ilhas oferecem. Aliás, não foi por acaso que a inauguração do aeroporto internacional da Boa Vista, o início da construção de estradas e do porto, bem como a concessão do serviço pública de energia e água, coincidiram com a abertura do primeiro grande hotel. Não é também por acaso que nenhum grande hotel abriu ainda as portas no Maio.

Como têm perpetuado a compatibilização entre o desenvolvimento ambiental, infra-estrutural e urbanístico e o desenvolvimento turístico nas ilhas de Boa Vista e do Maio? 

Estando as duas ilhas muito bem servidas em termos de planos turísticos e ambientais, bem como do EROT, embora ainda com algum défice em termos de planos urbanísticos de hierarquia inferior (PDU e PD), as reservas e as condicionantes ambientais estão devidamente identificadas, delimitadas e salvaguardas por esses instrumentos. Porém, o uso intensivo de inertes perante um ritmo relativamente elevado de infraestruturação e construção, associado à fraca capacidade de fiscalização das autoridades, a par de algumas opções menos apropriadas de edificação e da cultura de uso de veículos motorizadas nas praias e dunas, constituem fatores de pressão sobre o ambiente frágil dessas ilhas. 

Quais foram os investimentos de maior dimensão nos últimos anos e quão importantes têm sido os mesmos? 

Boa Vista conta atualmente com dois grandes hotéis, ambos geridos por uma grande marca internacional, com um total de quase dois mil quartos, representando cerca de 2/3 da capacidade de alojamento disponível na Ilha. Conta ainda com mais três hotéis de média dimensão e cerca de meia dúzia de pequenos hotéis. Tem em construção, para iniciar a funcionar em finais do próximo ano, mais um grande hotel. Nos próximos três meses irão arrancar a construção, por um período de cerca de um ano e meio, mais dois grandes hotéis. Conta ainda com mais alguns projetos em negociação, que irão trazer maior diversificação de marcas e de mercado emissão, com possibilidades de arranque a partir do próximo ano. A Ilha do Maio não dispõe ainda de nenhum grande hotel. Entretanto, um projeto com cerca de 340 quartos, já em fase de acabamento, foi interrompido há alguns anos, havendo alguma possibilidade da sua retoma, o que, a acontecer, contribuirá para a criação da dimensão crítica necessária para alavancar e dinamizar o desenvolvimento do turismo nessa que é considerada a segunda ilha com maior potencial de turismo de sol e praia. 

Atualmente, qual o peso que as Ilhas de Boa Vista e do Maio apresentam no âmbito da procura turística de Cabo Verde? O número de turistas e visitantes é, neste momento, satisfatório ou ficam aquém das expectativas? 

Em finais de 2016, Boa Vista ocupava o segundo, a seguir ao Sal, com 24,7% da disponibilidade total de quartos do arquipélago, que receberam 40,7% do total dos hóspedes entrados. Boa Vista foi a ilha onde se regista a maior taxa de ocupação, sendo de 82% nesse mesmo ano. Infelizmente, o peso da Ilha do Maio é ainda insignificante. O número de turistas que Boa Vista recebe é satisfatório face à capacidade das infraestruturas e equipamentos sociais disponíveis, mas insuficiente face à dinâmica económica que consegue criar na Ilha. No Maio, o número de turistas está ainda muito aquém do desejado.

Pode o turismo ser um promotor e fomentador entre países da CPLP? Sente que estão a ser dados passos sustentados nesse sentido? Portugal é importante neste domínio para as Ilhas de Boa Vista e do Maio? Qual a ligação existente neste âmbito com Portugal?

O turismo pode e deve fomentar um melhor conhecimento e uma relação mais forte entre os povos da CPLP. Infelizmente, isso ainda não acontece. Salvo os portugueses que estão entre as cinco nacionalidades que mais visitam Cabo Verde, os restantes CPLP são ainda residuais. Países como Angola, Brasil e Portugal devem jogar um papel importante no investimento no turismo na Boa Vista e no Maio e aumentarem o seu fluxo turístico.

Pelo seu conhecimento, quais são as oportunidades de investimento que actualmente ambas as ilhas oferecem? Este investimento externo é fundamental para o desenvolvimento das Ilhas de Boa Vista e do Maio?

Hotelaria e toda a gama de serviços de apoio ao turismo, mas também habitação, formação, saúde, energia, água e saneamento, bem como agricultura, pecuária e pesca, que têm a “exportação” para o mercado do turismo, em expansão, assegurado, são as áreas de maior carência em ambas as ilhas, sendo o investimento externo muito bem-vindo.

Quais são ainda as grandes lacunas existentes nas Ilhas de Boa Vista e do Maio e que ainda carecem de investimento?

A Ilha do Maio carece ainda de quase tudo para potenciar os recursos naturais e alavancar o turismo. Na nossa perspetiva carece, em primeiro lugar, de um porto com melhores condições para receber embarcações, principalmente de passageiros, em simultâneo com melhor programação e maior regularidade, tanto dos voos domésticos, como da ligação marítima de cabotagem. Em segundo lugar, obviamente, um aeroporto com capacidade para receber voos internacionais, numa primeira fase, pelo menos charters e, posteriormente, de voos regulares. Quanto à Boa Vista, coloca-se, antes de mais, o problema da habitação. Entretanto, a par da da extensão e iluminação da pista e da construção de algumas estradas, constitui grande prioridade a requalificação dos centros urbanos e principais povoados e a melhoria do fornecimento de energia, água e saneamento, sem esquecer os cuidados de saúde e segurança.

O que podemos esperar da SDTIBM para o futuro e quais são os principais desafios que emergem de momento? 

A SDTIBM representa uma experiência única de sociedades de desenvolvimento turístico em Cabo Verde, sendo-lhe reconhecido bastante mérito. É uma experiência que deve inspirar outros modelos de sociedades de desenvolvimento, turístico e não, no país. O seu maior desafio num futuro próximo será encontrar o ponto de equilíbrio entre as atribuições que possui, e deve manter, e melhores condições, incluindo financeiras, para cumprir tais obrigações.

Que convite deixaria a todos os que ainda não conhecem as Ilhas de Boa Vista e do Maio?

Conheçam Cabo Verde, visitem Boa Vista e Maio e descubram belezas naturais únicas e relaxem com a melhor morabeza crioula.

Uma centena de tartarugas capturadas em Cabo Verde desde julho

Uma centena de tartarugas marinhas foram capturadas em Cabo Verde desde julho, números que preocupam as autoridades que hoje lançaram uma campanha para sensibilizar os consumidores finais da carne e artesanato de tartaruga.

Os números foram avançados hoje pelo diretor nacional do Ambiente, Alexandre Rodrigues, durante a conferência de imprensa de apresentação da campanha “A proteção das tartarugas cabo-verdianas está nas nossas mãos”, a que se associou a empresa de telecomunicações Unitel.

“Contabilizamos cerca de 100 carapaças que foram encontradas em mês e meio. É um número que está quase a chegar a média [total] do ano passado e ainda estamos a meio da época da desova”, disse Alexandre Rodrigues.

A época da desova das tartarugas marinhas ocorre entre julho e outubro de cada ano em todas as praias com areia de Cabo Verde e no ano passado foi registada no total da época a captura de 177 exemplares.

Números que podem não dar a dimensão total de um fenómeno que as autoridades querem travar alargando o público-alvo das campanhas de sensibilização aos consumidores finais dos produtos derivados das tartarugas bem como com o reforço da fiscalização.

“O trabalho de sensibilização é um trabalho muito complexo. É basicamente preparar gerações e estamos a apostar muito fortemente na sensibilização, trabalhando com as escolas e com as comunidades locais para que possamos ter uma geração futura com mais consciência da importância da preservação dos recursos”, disse.

Alexandre Rodrigues disse ainda estar em preparação uma revisão da legislação sobre a apanha e consumo de carne de tartaruga para “ver até que ponto” se pode reforçar a repressão desta prática.

“A sensibilização é importante, mas quando a sensibilização não funciona temos que ter outros instrumentos para fazer com que a preservação das nossas espécies seja salvaguardada”, disse.

A legislação cabo-verdiana prevê coimas entre 500 mil escudos (cerca de 4.500 euros) e 9 milhões de escudos (cerca de 80 mil euros) para quem apanhe tartarugas, mas Alexandre Rodrigues admite falhas na fiscalização.

“Temos que aumentar a fiscalização. Temos uma fragilidade em relação à fiscalização. Temos que fazer com que a nossa fiscalização seja mais efetiva e que haja muito mais envolvência das outras instituições para que consigamos que a lei seja cumprida”, disse.

A campanha de sensibilização, que passará na rádio e televisão, terá ainda uma componente de trabalho com as comunidades em bairros conhecidos pelo grande consumo de carne de tartaruga.

Cabo Verde é o terceiro destino mais procurado pelas tartarugas para desova, recebendo em média 12 mil a 13 mil tartarugas anualmente.

Alaúdio Ramos, da Unitel, explicou que a intenção da campanha é sensibilizar “diretamente as pessoas que consomem a carne e que compram artesanato de material derivado das tartarugas”.

“A maior proteção à extinção da tartaruga careta careta está nas nossas mãos. Está em não consumirmos carne de tartaruga, está em não comprarmos qualquer tipo de bijuteria cuja produção tenha derivado de tartaruga, está em denunciarmos “, sublinhou.

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