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Desenvolvimento turístico em Cabo Verde

sdtibmQuando foi edificada a SDTIBM – Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas de Boa Vista e do Maio, SA e de que forma é que a mesma tem vindo a assumir-se como um player de relevo no âmbito da promoção e desenvolvimento do turismo? 

A Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas de Boa Vista e Maio, SA (SDTIBM) foi criada em Junho de 2005, com a missão de planear, gerir e administrar as zonas turísticas especiais (ZTE) das Ilhas da Boa Vista e do Maio e promover o desenvolvimento integrado e sustentável dessas duas ilhas. Possui competência exclusiva de gestão e administração das ZTE, com destaque para as zonas de desenvolvimento turístico integral (ZDTI) nessas ilhas, bem como nas zonas de reserva e proteção turística (ZRPT). Dotado de um capital social de 22 milhões de euros, totalmente subscrito e realizado pelo Estado em 51% e pelos municípios da Boa Vista e do Maio, respetivamente em 35% e 14%, é das empresas cabo-verdianas com maior solidez financeira. Entre outras atribuições, cabe-lhe elaborar e executar planos de ordenamento turístico, elaborar, aprovar e executar projetos de ordenamento detalhado, projetos de obras de infraestruturas viárias e redes de eletricidade, água, esgotos e telecomunicações, realizar obras de urbanização e requalificação urbana e ambiental nas ZDTI, fiscalizar o cumprimento de leis e regulamentos ambientais, de ordenamento do território, do planeamento urbanístico, da construção, do uso e ocupação de solos nas ZDTI, bem como promover, atrair, negociar, apoiar e assinar acordos de investimentos.

Quais são as grandes mais-valias da SDTIBM e que análise perpetuam do turismo das Ilhas de Boa Vista e do Maio? 

A principal mais-valia da SDTIBM reside na sua estruturação e funcionamento e nos poderes especiais de Estado que detém: embora de capitais exclusivamente públicos, está adotada de uma estrutura de base essencialmente empresarial, o que lhe confere agilidade e eficácia; estando sujeita à legislação das sociedades comerciais, nos termos do Código das Empresas Comerciais, entretanto, em matéria do turismo, ela está dotada de poderes especiais de autoridade, administração central e local, para o conjunto do território das duas ilhas. Outra importante mais-valia tem a ver com a sua solidez financeira e a dimensão dos seus ativos, estimados em cerca de mil milhões de euros e constituídos, essencialmente, por terrenos de primeira linha – cerca de 7000 há – com maior potencial de turismo de sol e praia. Não podemos ainda esquecer do trabalho desenvolvido e da experiência acumulada no cumprimento, aliás, de uma das suas atribuições básicas – planeamento do desenvolvimento das duas ilhas, tanto do ponto de vista físico, como económico, social e ambiental. Boa Vista e Maio possuem o respetivo esquema regional de ordenamento do território (EROT) e o plano diretor municipal (PDM) e, das seis ZDTI existentes, cinco possuem seus planos de ordenamento turístico (POT), o que permitiu afetar e reservar o território dessas ilhas para o uso em função da melhor vocação natural de cada área em concreto, independentemente do tempo de implementação, bem como estabelecer parâmetros e ritmos para o desenvolvimento com sustentabilidade. Elaboramos e vamos agora aprovar os planos de ordenamento das orlas costeiras das ZDTI (POOC).

As Ilhas de Boa Vista e do Maio apresentam um enorme potencial turístico e que pode e deve ser aproveitado. Na sua opinião, acha que essas mais-valias têm vindo a ser devidamente aproveitadas? O que ainda falta para que o turismo nesta área seja ainda mais forte? 

O potencial turístico dessas ilhas está, sim, a ser aproveitado. Entretanto, para nós neste momento, muito mais do que aproveitar o potencial, põe-se o problema da sua preservação e potenciação, para assegurar a sua exploração sustentada. Não podemos esquecer que o desenvolvimento do turismo, e dessas ilhas no seu todo, está ainda apenas a começar: Se considerarmos que a capacidade máxima de carga prevista para a Ilha da Boa Vista é de cerca de 55 mil quartos, ela encontra-se preenchida em apenas pouco mais de 5%. Por seu lado, com uma capacidade máxima de prevista em pouco mais de 17 mil quartos, o Maio está ainda praticamente virgem. Compreendemos que existe muita ansiedade por parte da população, principalmente do Maio, que quer ver hotéis e outros empreendimentos turísticos a serem construídos, a criarem emprego e a dinamizarem a economia local, mas os empreendimentos resultam da conjugação de opções políticas e de compromissos de investimentos públicos e privados e estão ainda sempre condicionados à capacidade e limites de sustentabilidade, tanto social e como ambiental, que as ilhas oferecem. Aliás, não foi por acaso que a inauguração do aeroporto internacional da Boa Vista, o início da construção de estradas e do porto, bem como a concessão do serviço pública de energia e água, coincidiram com a abertura do primeiro grande hotel. Não é também por acaso que nenhum grande hotel abriu ainda as portas no Maio.

Como têm perpetuado a compatibilização entre o desenvolvimento ambiental, infra-estrutural e urbanístico e o desenvolvimento turístico nas ilhas de Boa Vista e do Maio? 

Estando as duas ilhas muito bem servidas em termos de planos turísticos e ambientais, bem como do EROT, embora ainda com algum défice em termos de planos urbanísticos de hierarquia inferior (PDU e PD), as reservas e as condicionantes ambientais estão devidamente identificadas, delimitadas e salvaguardas por esses instrumentos. Porém, o uso intensivo de inertes perante um ritmo relativamente elevado de infraestruturação e construção, associado à fraca capacidade de fiscalização das autoridades, a par de algumas opções menos apropriadas de edificação e da cultura de uso de veículos motorizadas nas praias e dunas, constituem fatores de pressão sobre o ambiente frágil dessas ilhas. 

Quais foram os investimentos de maior dimensão nos últimos anos e quão importantes têm sido os mesmos? 

Boa Vista conta atualmente com dois grandes hotéis, ambos geridos por uma grande marca internacional, com um total de quase dois mil quartos, representando cerca de 2/3 da capacidade de alojamento disponível na Ilha. Conta ainda com mais três hotéis de média dimensão e cerca de meia dúzia de pequenos hotéis. Tem em construção, para iniciar a funcionar em finais do próximo ano, mais um grande hotel. Nos próximos três meses irão arrancar a construção, por um período de cerca de um ano e meio, mais dois grandes hotéis. Conta ainda com mais alguns projetos em negociação, que irão trazer maior diversificação de marcas e de mercado emissão, com possibilidades de arranque a partir do próximo ano. A Ilha do Maio não dispõe ainda de nenhum grande hotel. Entretanto, um projeto com cerca de 340 quartos, já em fase de acabamento, foi interrompido há alguns anos, havendo alguma possibilidade da sua retoma, o que, a acontecer, contribuirá para a criação da dimensão crítica necessária para alavancar e dinamizar o desenvolvimento do turismo nessa que é considerada a segunda ilha com maior potencial de turismo de sol e praia. 

Atualmente, qual o peso que as Ilhas de Boa Vista e do Maio apresentam no âmbito da procura turística de Cabo Verde? O número de turistas e visitantes é, neste momento, satisfatório ou ficam aquém das expectativas? 

Em finais de 2016, Boa Vista ocupava o segundo, a seguir ao Sal, com 24,7% da disponibilidade total de quartos do arquipélago, que receberam 40,7% do total dos hóspedes entrados. Boa Vista foi a ilha onde se regista a maior taxa de ocupação, sendo de 82% nesse mesmo ano. Infelizmente, o peso da Ilha do Maio é ainda insignificante. O número de turistas que Boa Vista recebe é satisfatório face à capacidade das infraestruturas e equipamentos sociais disponíveis, mas insuficiente face à dinâmica económica que consegue criar na Ilha. No Maio, o número de turistas está ainda muito aquém do desejado.

Pode o turismo ser um promotor e fomentador entre países da CPLP? Sente que estão a ser dados passos sustentados nesse sentido? Portugal é importante neste domínio para as Ilhas de Boa Vista e do Maio? Qual a ligação existente neste âmbito com Portugal?

O turismo pode e deve fomentar um melhor conhecimento e uma relação mais forte entre os povos da CPLP. Infelizmente, isso ainda não acontece. Salvo os portugueses que estão entre as cinco nacionalidades que mais visitam Cabo Verde, os restantes CPLP são ainda residuais. Países como Angola, Brasil e Portugal devem jogar um papel importante no investimento no turismo na Boa Vista e no Maio e aumentarem o seu fluxo turístico.

Pelo seu conhecimento, quais são as oportunidades de investimento que actualmente ambas as ilhas oferecem? Este investimento externo é fundamental para o desenvolvimento das Ilhas de Boa Vista e do Maio?

Hotelaria e toda a gama de serviços de apoio ao turismo, mas também habitação, formação, saúde, energia, água e saneamento, bem como agricultura, pecuária e pesca, que têm a “exportação” para o mercado do turismo, em expansão, assegurado, são as áreas de maior carência em ambas as ilhas, sendo o investimento externo muito bem-vindo.

Quais são ainda as grandes lacunas existentes nas Ilhas de Boa Vista e do Maio e que ainda carecem de investimento?

A Ilha do Maio carece ainda de quase tudo para potenciar os recursos naturais e alavancar o turismo. Na nossa perspetiva carece, em primeiro lugar, de um porto com melhores condições para receber embarcações, principalmente de passageiros, em simultâneo com melhor programação e maior regularidade, tanto dos voos domésticos, como da ligação marítima de cabotagem. Em segundo lugar, obviamente, um aeroporto com capacidade para receber voos internacionais, numa primeira fase, pelo menos charters e, posteriormente, de voos regulares. Quanto à Boa Vista, coloca-se, antes de mais, o problema da habitação. Entretanto, a par da da extensão e iluminação da pista e da construção de algumas estradas, constitui grande prioridade a requalificação dos centros urbanos e principais povoados e a melhoria do fornecimento de energia, água e saneamento, sem esquecer os cuidados de saúde e segurança.

O que podemos esperar da SDTIBM para o futuro e quais são os principais desafios que emergem de momento? 

A SDTIBM representa uma experiência única de sociedades de desenvolvimento turístico em Cabo Verde, sendo-lhe reconhecido bastante mérito. É uma experiência que deve inspirar outros modelos de sociedades de desenvolvimento, turístico e não, no país. O seu maior desafio num futuro próximo será encontrar o ponto de equilíbrio entre as atribuições que possui, e deve manter, e melhores condições, incluindo financeiras, para cumprir tais obrigações.

Que convite deixaria a todos os que ainda não conhecem as Ilhas de Boa Vista e do Maio?

Conheçam Cabo Verde, visitem Boa Vista e Maio e descubram belezas naturais únicas e relaxem com a melhor morabeza crioula.

Uma centena de tartarugas capturadas em Cabo Verde desde julho

Uma centena de tartarugas marinhas foram capturadas em Cabo Verde desde julho, números que preocupam as autoridades que hoje lançaram uma campanha para sensibilizar os consumidores finais da carne e artesanato de tartaruga.

Os números foram avançados hoje pelo diretor nacional do Ambiente, Alexandre Rodrigues, durante a conferência de imprensa de apresentação da campanha “A proteção das tartarugas cabo-verdianas está nas nossas mãos”, a que se associou a empresa de telecomunicações Unitel.

“Contabilizamos cerca de 100 carapaças que foram encontradas em mês e meio. É um número que está quase a chegar a média [total] do ano passado e ainda estamos a meio da época da desova”, disse Alexandre Rodrigues.

A época da desova das tartarugas marinhas ocorre entre julho e outubro de cada ano em todas as praias com areia de Cabo Verde e no ano passado foi registada no total da época a captura de 177 exemplares.

Números que podem não dar a dimensão total de um fenómeno que as autoridades querem travar alargando o público-alvo das campanhas de sensibilização aos consumidores finais dos produtos derivados das tartarugas bem como com o reforço da fiscalização.

“O trabalho de sensibilização é um trabalho muito complexo. É basicamente preparar gerações e estamos a apostar muito fortemente na sensibilização, trabalhando com as escolas e com as comunidades locais para que possamos ter uma geração futura com mais consciência da importância da preservação dos recursos”, disse.

Alexandre Rodrigues disse ainda estar em preparação uma revisão da legislação sobre a apanha e consumo de carne de tartaruga para “ver até que ponto” se pode reforçar a repressão desta prática.

“A sensibilização é importante, mas quando a sensibilização não funciona temos que ter outros instrumentos para fazer com que a preservação das nossas espécies seja salvaguardada”, disse.

A legislação cabo-verdiana prevê coimas entre 500 mil escudos (cerca de 4.500 euros) e 9 milhões de escudos (cerca de 80 mil euros) para quem apanhe tartarugas, mas Alexandre Rodrigues admite falhas na fiscalização.

“Temos que aumentar a fiscalização. Temos uma fragilidade em relação à fiscalização. Temos que fazer com que a nossa fiscalização seja mais efetiva e que haja muito mais envolvência das outras instituições para que consigamos que a lei seja cumprida”, disse.

A campanha de sensibilização, que passará na rádio e televisão, terá ainda uma componente de trabalho com as comunidades em bairros conhecidos pelo grande consumo de carne de tartaruga.

Cabo Verde é o terceiro destino mais procurado pelas tartarugas para desova, recebendo em média 12 mil a 13 mil tartarugas anualmente.

Alaúdio Ramos, da Unitel, explicou que a intenção da campanha é sensibilizar “diretamente as pessoas que consomem a carne e que compram artesanato de material derivado das tartarugas”.

“A maior proteção à extinção da tartaruga careta careta está nas nossas mãos. Está em não consumirmos carne de tartaruga, está em não comprarmos qualquer tipo de bijuteria cuja produção tenha derivado de tartaruga, está em denunciarmos “, sublinhou.

Portugal envia peritos a Cabo Verde por causa de atividade sísmica na Ilha Brava

Portugal vai enviar para Cabo Verde dois especialistas em geofísica e geologia, para colaborarem com as autoridades locais, na definição de um plano para responder às possíveis consequências da atividade sísmica que se tem intensificado, na ilha Brava.

Os dois especialistas vão fazer parte de uma equipa de Avaliação e Coordenação das Nações Unidas (UNDAC) no terreno, tendo o envio desta equipa resultado de um pedido feito pelo governo de Cabo Verde ao Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UN/OCHA), para apoio a esta potencial crise sísmica.

A UN/OCHA decidiu enviar uma equipa e solicitou ao Centro de Coordenação de Respostas de Emergência [Emergency Response Coordination Centre (ERCC)], integrada no Mecanismo Europeu de Proteção Civil, o apoio de dois peritos nas áreas da geofísica e da geologia.

Segundo nota da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o pedido foi encaminhado para todos os Estados-membros, tendo a escolha recaído nos peritos portugueses, no caso, o professor José Madeira, do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Rachid Omira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os dois especialistas têm partida marcada para hoje e para quinta-feira, dia 11 de agosto, com destino à Ilha Brava, estando previsto que a missão se prolongue por duas semanas.

Coube à ANPC, enquanto ponto focal nacional do ERCC, avaliar os pedidos de apoio e indicar os peritos a disponibilizar, assim como “agilizar todos os contactos de forma a projetar os peritos nacionais e a sua integração em equipas multinacionais”.

Cabo Verde: Detido o suspeito de matar 11 pessoas num posto militar

O suspeito das 11 mortes num posto militar em Cabo Verde foi detido ao início da tarde de hoje no bairro da Fazenda, na cidade da praia, anunciou a Polícia Nacional.O suspeito tinha feito um taxista como refém quando foi capturado e foi levado para a esquadra da Achada de Santo António, bairro mais populoso da Praia, onde já está concentrado um grande aparato policial, muitos jornalistas e populares.

A descoberta macabra, feita na terça-feira, levou ao encerramento de todos os aeroportos do país. Segundo a imprensa internacional, os oito soldados e três civis – dois espanhóis – terão sido mortos a tiro no destacamento militar de Monte Tchota, onde se encontra o principal centro de comunicações do país.

[em atualização]

 

Centros portugueses em Cabo Verde apresentam apostas culturais

Bandeira de Cabo Verde

Agendada para 2,3 e 4 de fevereiro, a exposição itinerante “Casa dos Estudantes do Império 1944-1965 – Farol da Liberdade”, promovida pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), foi inaugurada em Lisboa, em maio de 2015, no âmbito de uma homenagem aos antigos alunos desta instituição criada pela ditadura em 1944 e que se destinava a acolher os jovens das colónias durante o percurso universitário, em Portugal.

A instituição acabou por albergar os jovens nacionalistas e a elite dos movimentos de independência a partir do final dos anos 1950.

Com sede em Lisboa, uma delegação em Coimbra e mais tarde no Porto, a Casa dos Estudantes do Império, sob vigilância da polícia política, foi encerrada por ordem de Salazar, em 1965.

A mostra, atualmente patente em Maputo, Moçambique, poderá ser vista em fevereiro no Centro Cultural Português da Praia, antecipando desta forma o início das atividades deste centro, que habitualmente começam apenas em março, conforme explicou à agência Lusa a diretora Conceição Pilar.

Segundo a responsável, o programa está ainda em construção, mas é certo que incluirá os tradicionais ciclos de guitarristas e de pianistas, além de teatro, exposições e lançamentos de livros, jazz e fado.

Conceição Pilar explicou à agência Lusa que o centro recebeu uma série de propostas destas áreas, sendo agora necessário fazer uma triagem dos espetáculos a apresentar.

Conceição Pilar adiantou que gostaria de poder concretizar em 2016 o sonho de realizar um desfile de moda e de apresentar um dos novos filmes portugueses, trazendo de Portugal para a apresentação um ou dois protagonistas.

“A grande aposta seria esta”, disse, mostrando-se cautelosa quanto ao avançar com muitos projetos, numa altura em que ainda não há certezas sobre o orçamento do centro para este ano.

Está ainda previsto um concerto para assinalar o 25 de abril, que este ano deverá trazer o artista José Perdigão, e outro para assinalar o Dia da Mulher Cabo-Verdiana.

Conceição Pilar adiantou que em dois anos o orçamento do centro sofreu um corte de 5 por cento, sendo que em 2015 a verba global atribuída ao centro foi de 76 mil euros.

“Acho que este ano vão cortar mais um bocadinho, aumento é impossível, manter seria um milagre”, disse a responsável, sublinhando a dificuldade de trazer a Cabo Verde artistas portugueses por causa dos custos elevados das viagens.

Em 2015, o centro “apostou muito” em artistas cabo-verdianos, a juntar aos portugueses, tendo realizado, em média, um concerto por semana, com assistências de 150 a 160 pessoas, sempre com entrada livre.

Apostar na “prata da casa” é também a linha seguida de João Branco, diretor do Centro Cultural Português do Mindelo, que este ano terá uma vez mais uma grande aposta no teatro.

Com um grupo de teatro próprio, o centro prevê estrear duas produções teatrais novas, elevando para 52 o número de produções em 22 anos.

A “Metamorfose”, de Kafka, a partir de um texto adaptado por um jovem dramaturgo cabo-verdiano, é a proposta teatral para o mês de maio, enquanto em julho está prevista a apresentação de uma peça de José Luís Peixoto, numa parceria com o Teatro Rivoli do Porto.

A peça tem o título provisório de “Estrangeiras” e conta a história de uma portuguesa, uma cabo-verdiana e uma brasileira que se encontram num Serviço de Estrangeiros e Fronteira.

“É uma reflexão crítica, cáustica e até provocatória do que é a lusofonia hoje”, considerou João Branco.

O programa de atividades prevê ainda a realização de encontros com quatro escritores: Filinto Elísio e Germano de Almeida (Cabo Verde) e Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto (Portugal).

Os meses de abril, maio, junho e julho, serão dedicados ao cinema, língua portuguesa, infância e Cabo Verde, respetivamente.

Em outubro, o Mês da Memória, João Branco estima trazer ao Mindelo o “Teatro Vestido”, de Joana Craveiro, um projeto de museu-vivo que junta teatro, história e antropologia através das memórias das pessoas.

O responsável prevê ainda manter a atual atividade de oficinas, conferências e atividades infantis e reanimar o grupo de marionetas.

Para isso, espera que seja possível manter o orçamento de 50 mil euros do centro, que em 2015 realizou em média uma atividade por semana.

“É uma média extraordinária que queríamos manter, queríamos conseguir continuar a dar resposta ao “elan” já criado pelo centro”, disse João Branco.

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