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EbankIT anuncia parceria a 10 anos com Celero para acelarar a tranformação digital de mais de 150 Cooperativas de crédito no Canadá

“Esta parceria estratégica traz a plataforma bancária digital da ebankIT de forma mais ampla para o mercado canadiano, permitindo que a Celero acelere o ritmo de inovação das cooperativas de crédito e das instituições financeiras no Canadá”, afirma Renato Oliveira – CEO da ebankIT.

O estabelecimento desta relação de longo prazo entre a canadiana Celero e a fintech portuguesa ebankIT representa uma oportunidade para acelerar o percurso da transformação digital das cooperativas de crédito do Canadá.

“Estamos orgulhosos de ter a Celero como nossa parceira no mercado canadiano. É uma empresa verdadeiramente inovadora com um enorme potencial de clientes na sua base instalada no Canadá”, considera Renato Oliveira, CEO da ebankIT.

A plataforma digital bancária da ebankIT foi selecionada após uma extensa pesquisa realizada a pedido de mais de 110 cooperativas de crédito e instituições financeiras de todo o Canadá e que procuravam uma solução de banca digital robusta e ágil, tendo a Celero sido escolhida como integradora.

A solução de banca digital da ebankIT será oficialmente apresentada no início de outubro, na 2019 Celero Fintech Conference, que irá decorrer em Montreal, Canadá.

Fundada no Porto, em 2014, e com escritórios em Londres e Nova Iorque, a ebankIT é detentora da plataforma digital bancária portuguesa que mais se internacionalizou no último ano, tendo já implementado soluções omnicanal de transformação digital em instituições financeiras de todo o mundo, providenciando serviços de Mobile e Internet Banking, Backoffice, Frontoffice e Contact Center.

Mazars cria a Mazars North America Alliance

 “Esta Aliança representa uma verdadeira mudança para a Mazars. Já estávamos presentes nos Estados Unidos e Canadá, no entanto esta Aliança permite-nos reforçar a nossa capacidade de serviço aos clientes internacionais na América do Norte” diz Hervé Hélias, CEO & Chairman do Grupo Mazars.

A Mazars North America Alliance é uma Aliança firmada entre a Mazars e cinco empresas líderes nos Estados Unidos e Canadá – BKD, Dixon Hughes Goodman, Moss Adams, Plante Moran (nos Estados Unidos) e MNP (no Canadá). Geograficamente, estas cinco empresas irão complementar a Mazars USA e a Mazars Canadá, permitindo à Mazars alcançar uma cobertura total na América do Norte.

Com esta Aliança, a Mazars passa a contar com 40.000 profissionais ao serviço dos seus clientes em todo o mundo: 24.000 profissionais em 89 países e territórios que fazem parte do partnership integrado Mazars e 16.000 profissionais nos Estados Unidos e Canadá via a Mazars North America Alliance. Com esta escala e amplitude de talentos, a Mazars consegue oferecer serviços personalizados, consistentes e de elevada qualidade aos seus clientes em qualquer parte do mundo.

“Esta Aliança aumenta a nossa capacidade para servir os nossos clientes internacionais em todo o mundo. Num mercado de auditoria e consultoria altamente concentrado, esta Aliança surge como uma alternativa. Temos uma longa história de colaboração e trabalho com estas cinco empresas com as quais partilhamos os mesmos valores de qualidade, ética e profissionalismo. As cinco empresas estão registadas no PCAOB (o órgão que supervisiona a auditoria às empresas públicas nos Estados Unidos) e através da Mazars North America Alliance vão contribuir para a qualidade e expertise que os nossos maiores clientes esperam da Mazars na América do Norte”, diz Hélias.

“Com a Mazars North America Alliance, a Mazars reforça a sua escala crítica para dar resposta às necessidades de grandes empresas internacionais, num momento em que a rotação obrigatória de empresas de auditoria está em vigor na Europa e onde o debate sobre a adoção da auditoria conjunta se torna cada vez mais relevante no Reino Unido”, conclui Hélias.

Luso-canadiana reeleita como vereadora de Toronto

© Ana Bailão/Facebook

Esta reeleição representa que o trabalho e o esforço foi reconhecido ao longo de oito anos que temos servido esta comunidade”, afirmou à Lusa Ana Bailão.

A luso-canadiana foi reeleita esta segunda-feira para mais quatro anos como vereadora do município de Toronto, obtendo 83,6% (26.219) dos votos.

Ana Bailão falava à agência Lusa na Casa do Alentejo de Toronto, na segunda-feira à noite, perante centenas de apoiantes, após a divulgação dos resultados das eleições municipais do Ontário.

Nestas eleições foram também eleitos outros portugueses.

Em Brampton, Martin Medeiros foi reeleito vereador regional nos distritos 3 e 4, e Paul Vicente foi eleito vereador regional nos distritos 1 e 5.

Em Cambridge, o vereador Frank Monteiro vai permanecer no cargo, e em Kingsville, o ‘Mayor’ Nelson Santos, foi aclamado por ser o único candidato ao cargo.

“Lançamos a nossa campanha para a reeleição num distrito diferente. (Ward 9). Este bairro tem muitas das áreas que representei mas também tem metade da área que eu não tinha representado até esta altura”, destacou Ana Bailão.

O governo provincial do Ontário liderado pelo conservador Doug Ford, em funções desde junho, decidiu já em plena campanha eleitoral das autárquicas, reduzir os distritos eleitorais, através da fusão de algumas áreas.

Ana Bailão, chefe da Comissão Municipal de Habitação Social, e vice-presidente da autarquia canadiana desde 2017, revelou que a estratégia foi “focar-se na criação de um plano “juntamente com os membros da comunidade.

“Realmente as pessoas corresponderam bem, com um grande número de votos. Sinto-me satisfeita e pronta para trabalhar nesse plano que foi elaborado por todos nós”, sublinhou.

Quanto à redução dos distritos eleitorais para 25, a luso-canadiana salienta a necessidade dos vereadores trabalharem em conjunto para corresponderem às necessidades de cada uma das áreas.

“A Davenport tem quase 110 mil habitantes, o dobro da antigo distrito 18, e que pretende ser servida como tinha sido até aqui. É isso que temos pensar enquanto vereadores”, frisou.

A Davenport é o maior distrito eleitoral no Canadá onde residem portugueses e lusodescendentes, uma “área que está em expansão com muita construção a decorrer”.

“Precisamos de ter um plano pró-ativo para responder todo esse trabalho e crescimento que está a acontecer”, alertou.

A vereadora pretende ainda ter localizado no coração da comunidade um gabinete de serviço para “corresponder às necessidades dos residentes”.

Ana Bailão nasceu em Alenquer, distrito de Lisboa, e com apenas 15 anos emigrou para o Canadá, para a área da Davenport. Envolveu-se com diversas associações, fundou a Luso-Can Tuna e foi diretora da Aliança de Clubes e Associações Portugueses do Ontário (ACAPO).

Foi assessora do vereador Mário Silva na câmara de Toronto, onde trabalhou durante cinco anos, foi presidente da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos, após ter passado também pelo setor privado (banca, cuidados de saúde, marketing em relações comunitárias).

Calcula-se que existem cerca de 550 mil portugueses e lusodescendentes no Canadá, a maioria está localizada no Ontário.

LUSA

Detidos dois suspeitos de tráfico humano de Portugal para o Canadá

Os dois suspeitos, Sónia Fernandes da Cunha, de 40 anos, de Toronto, e Ruben Soza, de 40 anos, de Toronto, foram detidos no dia 19 de outubro.

Ela está indiciada por 10 crimes relacionados com tráfico humano e assalto com uma arma, enquanto ele é suspeito de cinco crimes, relacionados com tráfico humano, anunciaram as autoridades num comunicado.

À Lusa, as autoridades escusaram-se a adiantar a nacionalidade dos suspeitos, dizendo apenas que ambos têm “ligações a Portugal”.

“O Projeto ‘Betrayal’ começou em fevereiro de 2017. Na altura tivemos informações de mulheres traficadas de Portugal para Toronto”, começou por contar à Lusa o detetive Nunziato Tramontozzi, da unidade de Crimes Sexuais e de combate ao Tráfico Humano da polícia de Toronto.

Segundo uma nota da polícia, o caso remonta a maio de 2016, quando uma mulher proveniente de Portugal viajou para Toronto, após ter sido contratada para um trabalho de rececionista.

Na altura, quando se encontrou com os dois suspeitos, foi-lhe oferecido trabalho como massagista numa clínica, porque a vaga para rececionista já teria sido ocupada.

A vítima foi forçada, enquanto fazia massagens, a “vender serviços sexuais”, que foram anunciados no site backpages.com, e foi-lhe “retirado o passaporte”.

As autoridades ainda alegam que os dois acusados conseguiram convencer a vítima a entregar-lhes todo o dinheiro recebido durante esses serviços por questões de “segurança”. Quando a vítima confrontou os suspeitos, foi “violentamente agredida”.

No dia 19 de outubro deste ano, a Unidade de Tráfico Humano, com mandados de busca, conseguiu realizar buscas em várias locais em Toronto, onde deteve os dois suspeitos, obtendo documentos importantes para a investigação, alegadamente o passaporte da vítima.

“Em maio de 2017, uma mulher vítima de tráfico humano relacionada com a atual investigação deu-nos uma declaração sobre o que lhe aconteceu desde que chegou de Portugal. Foi nessa altura que o projeto teve mais intensidade e começou a investigação com outras agências da polícia”, sublinhou.

Além da polícia de Toronto, a operação envolve a agência de Fronteiras do Canadá (CBSA, sigla em inglês), da Polícia Judiciária (Portugal), e da Finch Track, uma agência federal canadiana que investiga transações financeiras em que há a suspeita de ilegalidades.

“O tráfico humano no Canadá já é quase tão lucrativo como o tráfico de droga e de armas. Uma das vantagens é que [os criminosos] podem voltar a utilizar aquelas vítimas. Uma rapariga pode ter sexo com 15 a 20 pessoas por dia e faz 250 mil dólares por ano. É um negócio muito lucrativo que cada vez mais está a aumentar e só através da educação se pode evitar”, concluiu o detetive sargento Nunziato Tramontozzi.

Os suspeitos foram, entretanto, libertados sob fiança e aguardam uma data para julgamento. A polícia de Toronto continua a investigar o caso e está a solicitar a ajuda do público.

Ana Moura no Canadá

Em comunicado, a Sons em Trânsito revelou que Ana Moura vai participar no concerto que vai acontecer no sábado, em homenagem ‘à malograda artista Lhasa de Sela’, que morreu no primeiro dia do ano 2010 com um cancro, aos 37 anos.

O concerto, já esgotado, vai estar dividido em duas partes: na primeira, as 11 canções do álbum ‘La Llorona’ vão ser tocadas em sequência pela banda que gravou o disco, composta por Yves Desrosiers, Mario Légaré, François Lalonde, Dider Dumoutier, com Joe Grass, enquanto na segunda parte vão ser interpretados vários temas da restante discografia da cantora.

De acordo com a página do concerto no Facebook, o concerto vai ter como convidados Ana Moura, Patrick Watson, Marie-Pierre Arthur, Betty Bonifassi, Martha Wainwright, Ariel Engle, Fred Fortin, Plants and Animals, Camélia Jordana, Katie Moore e Amparo Sánchez.

Nascida em 1972, na cidade de Nova Iorque, Lhasa de Sela passou a infância entre os Estados Unidos da América e o México, e lançou três discos ao longo de uma carreira mais bem-sucedida junto do público do que da crítica, como recordou o The Guardian no obituário que lhe dedicou.

O primeiro disco, ‘La Llorona’, inteiramente cantado em espanhol, venceu vários prémios e vendeu mais de 700 mil cópias pelo mundo fora, tendo a artista passado por Portugal em concerto várias vezes, as últimas das quais no âmbito de uma digressão em 2004 que a levou à Aula Magna, em Lisboa, e à Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão, meses depois de ter atuado em Aveiro, Porto, Coimbra e, novamente, Lisboa.

Em 2004, o promotor Vasco Sacramento afirmava que se esperava que Lhasa voltasse a cantar ‘Meu Amor, Meu Amor’, fado de Ary dos Santos e Alain Oulman, interpretado por Amália Rodrigues.

A propósito do concerto na Aula Magna, escreveu o Correio da Manhã que foi um momento que ‘se revelou um caso sério de amor mútuo entre artista e público’.

Antes de morrer, em 2010, lançou ainda ‘The Living Road’ (2003) e um álbum homónimo (2009).

Pai quer registar bebé “sem género”

Uma escolha do pai trangénero Kori Doty que quer registar o filho sem género.

Este pode vir a ser o primeiro bebé a ser registado sem género. Desde novembro do ano passado que Kori tenta adquirir uma certidão de nascimento do filho mas sem sucesso, uma vez que não é possível obter o documento sem a indicação do género.

“Reconheço-o como um bebé e estou a tentar dar-lhe todo o amor e apoio para que seja a melhor pessoa do mundo, sem as restrições associadas ao facto de ser um rapaz ou uma rapariga”, explica Doty ao jornal britânico Daily Mail.

Doty quer que o sexo de Searyl Atli fique excluído de qualquer registo. Quer educar o filho sem qualquer noção de sexo, até que ele tenha capacidade de decidir o que é.

“Quando eu nasci os médicos definiram o meu futuro e quem eu seria com base nos meus genitais”, afirmou.

Algumas províncias do Canadá, como Ontário e Alberta, estão a rever as políticas para que possa ser introduzida uma terceira opção nos documentos, o género não-binário.

No entanto Kori Doty defende que não deve existir nenhuma opção na certidão de nascimento so seu filho.

Há uma cama que se faz sozinha

A invenção, que custa cerca de 390 euros, consiste numa rede de tubos insuflável que, quando cheia de ar, faz o cobertor regressar à posição original de forma automática.

A criadora, Tina Cayouette, canadiana, confessa que se inspirou no tio, que usa uma cadeira de rodas e tem dificuldade em fazer a própria cama.

Casey Afflek já se tornou em Toronto o favorito aos Óscares

Depois das atrizes, fazemos as contas para os filmes que estão a gerar o tal Óscar buzz para as interpretações masculinas. Num ano em que se adivinha que as maiores interpretações estejam do lado feminino, a indústria de Hollywood aqui em Toronto começa a avançar com os primeiros favoritos. Para já, há um nome que se destaca: Casey Affleck, em Manchester by The Sea, de Kenneth Lonergan. Não há ninguém que nesta altura duvide que o irmão mais novo de Ben Affleck não venha a ser um dos principais protagonistas da temporada dos prémios.

A sua interpretação como homem falhado e marcado pela tragédia que regressa à terra onde cresceu é de uma intensidade tocante. Affleck, num tom de enorme intimismo é extraordinário nas sequências de diálogos. Diálogos esses com um realismo emocional único e com a habitual marca autêntica de Lonergan. Ajuda também o facto de toda a crítica americana estar apaixonada pelo filme.

Outro dos triunfadores do hype deste festival é Ryan Gosling, que anteontem foi aplaudido de pé após a estreia canadiana de La La Land, de Damien Chazelle. A Lion’s Gate, o estúdio que distribui este musical contemporâneo, já fez saber que haverá uma grande campanha em torno do ator canadiano no que diz respeito a prémios. Gosling canta, dança e toca piano com uma destreza impressionante. Se os filmes que vão chegar em dezembro não trouxerem interpretações arrebatadoras (e aí temos de contar com Liam Neeson em Silence, de Martin Scorsese, Ben Affleck em Viver na Noite e Denzel Washington, em Fences, ambos realizados pelos próprios atores).

Atenção também para outro dos atores que aqui brilhou muito, Dev Patel, o protagonista da segunda parte de O Longo Caminho para Casa, de Garth Davis, produção australiana com pinta de “agrada multidões”. Resta saber se este desempenho de um órfão indiano adotado por uma família indiana não será antes puxado para a categoria dos atores secundários.

O boxe continua sempre a dar…

Grande furor também estão a fazer as interpretações de dois atores que encarnam pugilistas com histórias de vida inspiradoras. A máquina de marketing da Open Road está a tentar tudo por Miles Teller em Bleed for This, de Ben Younger, um filme de boxe de “velha escola” onde o jovem ator se transforma em Vinny Pazienza, um campeão que voltou aos ringues depois de um gravíssimo acidente de viação. Teller é excelente e Hollywood gosta de puxar por sangue jovem, mas é Aaron Eckhart, como treinador, quem rouba todas as cenas (poderá ser uma boa aposta para ator secundário). Depois há também um irreconhecível Liev Schreiber, em The Bleeder, do canadiano Philipe Falardeu, que interpreta Chuck Wepner, o “boxeur” que inspirou Stallone em Rocky. Um objeto que veio de Veneza já com bastante aclamação. Schreiber tem daquelas interpretações em “underacting” que nos anos 1970 eram mais apreciadas, mas está no jogo, mesmo se pensarmos que a produtora Milennium Films não tem tido nos últimos anos pinças para estes lobbys de prémios.

Aquele que era um dos favoritos para a época dos prémios, Nate Parker, com o seu O Nascimento de uma Nação, épico sobre uma rebelião de escravos, deixou-o de ser. A polémica em torno do caso de uma alegada violação durante os seus tempos de estudante aniversário é o tema grande aqui em Toronto. Pelos corredores diz-se que todo este caso que vai prejudicar as hipóteses do filme e da sua campanha. Parker, numa conferência de imprensa em que a Fox fez questão de só convidar certa imprensa, não quis aqui comentar nada sobre esta controvérsia.

Entrevista com o astronauta que imitou Bowie no espaço: Manobrar a Soyuz “é como pilotar um meteorito de volta a casa”

O canadiano Chris Hadfield decidiu que queria ser astronauta numa altura em que o Canadá ainda não tinha agência espacial e a NASA (agência espacial norte-americana) só recrutava astronautas americanos. Mas isso não o fez desistir, nem em adulto, nem quando tomou essa decisão, aos nove anos.

A 20 de julho de 1969, ele e os irmãos foram para casa dos vizinhos — porque não tinham televisão — para assistir a um acontecimento que mudaria para sempre a história da humanidade. “Lenta e metodicamente, um homem desceu pela perna de uma nave espacial episou cuidadosamente a superfície da Lua”, conta Chris Hadfield no livro Guia de um Astronauta para Viver Bem na Terra, editado em Portugal pela Pergaminho.

“Naquele momento, soube o que queria fazer com a minha vida. (…) Soube com clareza absoluta que queria ser astronauta.”

Em 1983, o governo canadiano selecionou os seis primeiros astronautas no país. “O meu sonho pareceu finalmente mais possível.” Mas só em 1991 a Agência Espacial Canadiana pôs o anúncio no jornal: “Procura-se astronautas”. Das 5.329 candidaturas, Chris Hadfield ficou entre as primeiras quinhentas e, passo a passo, foi vencendo todas as etapas da candidatura até ser selecionado. Mas o percurso estava apenas a começar: era preciso aprender, aprender, aprender, treinar, treinar, treinar.

O primeiro lançamento foi no vaivém espacial Atlantis, a 12 de novembro de 1995. Seis anos depois, em abril de 2001, Chris Hadfield voltou ao espaço na missão STS-100 do vaivém Endeavour. A terceira, última e mais longa missão do astronauta canadiano teve início a 19 de dezembro de 2012 — quase seis meses na Estação Espacial Internacional (EEI).

Astronauta durante 21 anos, Chris Hadfield lembra que a maior parte do trabalho se faz em Terra. “Sinto sempre que estou a desiludir as pessoas quando lhes digo a verdade: passamos a maior parte da nossa vida profissional na Terra a treinar.” O Observador entrevistou este astronauta que se tornou conhecido — também — por tocar “Space Oddity”, de David Bowie, quando estava na Estação Espacial Internacional.

Decidiu ser astronauta quando tinha nove anos. Que conselho daria a uma criança dessa idade que queira ser astronauta?
A alguém que tivesse nove anos, eu diria para ter alguns sonhos quase impossíveis na vida. O conselho que dou a uma criança de nove anos – que pode querer ser muitas coisas além de astronauta – é ir a uma biblioteca (ou livraria) e perceber quais são as secções mais interessantes. Quando falo com crianças de nove anos digo-lhes: percebe de que secções mais gostas, porque isso provavelmente dá-te uma pista sobre onde está o teu coração, os teus interesses, e depois começa a sonhar quem poderás ser em todas essas áreas.

Especificamente para uma criança de nove anos que queira ser astronauta: precisas de ter um corpo saudável, mantém o teu corpo em forma, tem cuidado com o comes e faz algum exercício – usa as escadas, leva a tua mochila, não comas comida estúpida. [Depois,] terás de saber como fazer as coisas complicadas funcionarem, terás de provar que consegues aprender coisas complexas, por isso aprende coisas difíceis na escola e planeia ir para a universidade. E em terceiro lugar, aprende a tomar decisões e a manter-te preso a elas. Por exemplo, vou ler 50 páginas de um livro todos os dias, ou vou fazer 25 flexões todos os dias, ou vou aprender cinco palavras de japonês todos os dias, não importa. Mas decide algo e mantém por um mês ou dois meses, não importa. Porque as tomadas de decisão são uma competência, que se aprende.

Acho que estas três coisas são realmente importantes: manter o corpo em forma, estudar e planear, estudar alguma coisa na universidade e tomar decisões e manter-se fiel a elas. Acho que com nove anos é provavelmente suficiente.

“Nunca senti que seria um fracasso na vida se não chegasse a ir ao espaço. Uma vez que as minhas probabilidades de me tornar astronauta eram inexistentes, sabia que seria uma grande tolice deixar a minha auto-estima dependesse disso.”

Também o Chris se manteve firme nas decisões e esperou muito tempo até se tornar astronauta. Que conselho daria às pessoas para não perderem a esperança?
A chave é perceber que nada acontece conforme o planeado. A vida corre sempre mal, nunca corre numa linha reta – pelo menos, não por muito tempo. O mais difícil é ter um objetivo de longo prazo, que nos ajude a escolher o que fazer a seguir. Mas a outra parte é não deixar o nosso objetivo de longo prazo tornar-se a nossa única medida de sucesso.

Não estabeleçam que daqui a um ano ou daqui a cinco vão ter sucesso. Definam um objetivo de longo prazo e permitam-se ter sucesso todos os dias. Não se estabeleçam uma meta tão alta que sintam que nunca vão conseguir ser bem-sucedidos. Deem-se uma meta mais baixa, uma vitória, porque a única pessoa que realmente se importa, a única pessoa que quer saber ou que te avalia, és tu próprio. Todos os outros estão demasiado ocupados a conduzir a sua própria vida.

Não deixem que outras pessoas vos digam quando foram um falhanço ou um sucesso, é só a opinião deles. A única pessoa a quem realmente interessa a avaliação de como estás a sair-te és tu. Tentar viver uma vida com esperança é muito mais fácil se se derem uns quantos objetivos loucos de longo prazo, se se mudarem sempre um bocadinho de forma a conseguir atingir esses objetivos e se se permitirem ser bem-sucedidos e sentir-se vitoriosos todos os dias. Essa combinação é, para mim, a forma mais útil de levar a vida.

Como a Estação Espacial Internacional está em órbita à volta Terra, numa espécie de queda livre, a sensação para os ocupantes é de que não existe gravidade. E, em gravidade zero (ou microgravidade) as coisas não caem e a água da toalha torcida não cai no chão (aliás, onde é que fica o chão?).

Um dia também se tornou vitorioso e foi, finalmente, para o espaço. Pode descrever a sensação de ser lançado para o espaço?
Posso, mas… Eu tenho saído vitorioso todos os dias [risos]. Claro, que há vitórias que as outras pessoas veem com mais clareza. O lançamento é um dia incrivelmente difícil, é extremamente perigoso: os foguetões são máquinas perigosas, que requerem muito trabalho para serem pilotadas com sucesso. Por isso, muitos dos sentimentos no dia em que vamos para o espaço são extremamente técnicos, somos uma parte da máquina e estamos tão focados, quanto um ser humano pode estar, em ajudar a nossa nave a ser bem-sucedida: reconhecer as coisas que estão a falhar, fazer as coisas certas, pôr todo o treino em prática. É o teste derradeiro.

A maior parte de nós próprios está envolvida nisso, mas sobra o suficiente para ter a perceção de quão magnífico é. É-se esmagado na cadeira e a aceleração é muito forte, o veículo é incrivelmente poderoso – 80 milhões de cavalo-vapor [medida de potência; cerca de 60 milhões de kilowatt] – e estamos muito cientes desse poder e das forças físicas no nosso corpo. Mas oito ou nove minutos depois disso, o motor desliga-se e, instantaneamente, sentimo-nos como se não tivéssemos gravidade e vemos o mundo todo a passar-nos na janela. E tudo acontece tão depressa que as emoções são um bocado deixadas para segundo plano. Mal conseguimos acompanhar o que está a acontecer – a sensação de deslumbramento e de singularidade, privilégio e deleite, é realmente esmagadora.

Na segunda missão espacial, Chris Hadfield teve de fazer uma caminhada no espaço (AEV, atividade extraveicular) para montar o braço robótico que haveria de construir a Estação Espacial Internacional. “Ao fim de cinco horas, dei conta das gotículas de água que flutuavam dentro do meu capacete. E repente, começo a sentir picadas no olho esquerdo. Levanto a mão para o esfregar – e a mão bate na viseira do capacete”, conta o astronauta [adaptado do livro]. Mas sem gravidade as lágrimas não caem. Pestanejar e abanar a cabeça também não resultou. “Treinámos para muitas eventualidades durante uma AEV, mas a cegueira parcial não era uma delas.” Tudo se resolveu e a experiência de Chris Hadfield ensinou-os a prevenir a situação: limpar bem as viseiras e não deixar resíduos do produto desembaciador.

Nunca teve medo de ir para o espaço?
Bem, ter medo é basicamente uma reação do corpo quando não sabe o que fazer. Há muitas coisas que fazemos nesta altura da vida que nos podem ter assustado quando éramos crianças, como conduzir um carro, andar de bicicleta ou dar uma palestra. Havia coisas que nos provocavam medo, mas que aprendemos a fazê-las e agora não nos provocam qualquer receio, porque são coisas que agora sabemos fazer. Ser astronauta é ter uma vida de preparação para fazer coisas que nos podem assustar se não estivermos preparados. E não queremos descolar com medo. Nenhum astronauta é lançado no espaço a fazer figas [sorriso], não é assim que nos preparamos para um voo espacial. Acho que a maior parte das pessoas sentiria medo se fosse colocada dentro de uma nave espacial, mas se treinamos para isso uma vida inteira e nos preparamos para isso, deixamos de estar assustados.

A NASA criou a figura de acompanhante familiar, que é como um “cônjuge substituto: alguém que está disponível para ajudar na Terra, não só durante o lançamento, mas mais tarde, quando a vida volta ao normal, mas a missão ainda está a decorrer”.

Mas e a sua família, eles não foram treinados para serem astronautas. Tiveram medo por si?
Bem, sim. Não o ignorámos simplesmente. Juntámo-nos, enquanto família, falámos sobre os perigos e de como os enfrentaríamos, mas também das recompensas que vêm de enfrentarmos os perigos. Falámos sobre “se isto acontecer o que é que vão fazer”: temos seguros, como vai ser, conseguem lidar com isso.

Há mais medo em terra do que na nave espacial. É um sentimento de impotência. Quando estou a vigiar outros astronautas também me sinto impotente, o que me faz sentir algum receio, porque não posso fazer nada, mas só temos de confiar na qualidade do veículo e na incrível capacidade das pessoas a bordo. De vez em quando corre mal, mas isso é verdade para qualquer coisa que se faça na vida. A maior parte das vezes corre espetacularmente bem.

Chris Hadfield aproveitava alguns momentos para responder a perguntas enviadas da Terra.

Falou da aceleração da gravidade quando são lançados para o espaço. Quando pilotou caças também foi sujeito a estas forças. Qual é a sensação?
Quando estamos num caça estamos sentados com a cabeça para cima, portanto a força da gravidade puxa-nos de cima para baixo e o nosso coração tem dificuldade em levar o sangue até à cabeça. Esse tipo de força da gravidade drena-nos o sangue da cabeça, mas numa nave espacial estamos deitados de costas, portanto a força da gravidade assemelha-se mais a estar deitado na praia e alguém começar a deitar areia em cima de nós – fica cada vez mais pesado até ser difícil respirar. Mas num foguetão, o problema não é apenas a aceleração, são também as vibrações. O veículo abana de forma muito violenta – chocalha, bate e sacode-te de forma louca. Então temos essa combinação de aceleração selvagem, forças fortes e vibrações enormes. É como se tivesses três pessoas em cima de ti a dar-te chapadas na cara.

Depois vem a sensação de ausência de gravidade, que é totalmente diferente. Como é que se sente esta mudança?
Quando acontece é instantâneo. Um é tão forte e esmagador e o outro é tão pacífico e diferente. Lembro-me de pensar, na altura, que era como se um gorila enorme estivesse a saltar em cima de mim e a abanar-me e depois, de repente, agarrasse em mim e me atirasse de um penhasco. É mais ou menos isso: a diferença entre estar a ser maltratado e, de repente, ser lançado no ar. É este o momento em que o motor se desliga e instantaneamente deixamos de sentir o nosso peso. Onde havia barulho, agora há paz. Onde havia forças e vibração, agora não há esforço e há serenidade. É como uma recompensa no final do perigo.

“Estava na EEI há cerca de três semanas quando reparei que precisava de cortar as unhas. Foi então que tive uma ideia excelente: ia cortar as unhas por cima do filtro da entrada de ar de uma das condutas. E funcionou! No entanto, não pensei em todas as implicações. [Quando o] responsável pela limpeza daquela parte da estação, desapertou os parafusos para poder limpar atrás do painel de filtro, ficou coberto de pedaços das minhas unhas”, contou o astronauta [adaptado do livro].

Como foi voltar à Terra depois de passar seis meses na Estação Espacial Internacional?
A Estação Espacial Internacional é um sítio muito interessante para se viver, mas é extremamente exigente. Temos um horário eletrónico todos os dias que nos diz o que fazer a cada cinco minutos, durante seis meses. A única altura em que temos tempo livre é quando devíamos estar a dormir. Por isso roubava uma hora ou duas todas as noites, quando devia estar a dormir, e era aí que tocava guitarra, fazia vídeos, escrevia coisas ou falava com todos.

Mas no fim de tudo voltamos para casa. A pequena nave com que voltamos para casa não navega sozinha, é uma tarefa muito exigente fisicamente e existem uma série de coisas que podem correr mal, portanto trabalhamos arduamente para pilotar convenientemente a nossa nave de volta a casa. E, no meu terceiro voo, fui piloto da Soyuz russa. Não só estava a pilotar uma nave de volta a casa, como estava a pilotar uma nave numa outra língua – em russo. Estudei russo durante 20 anos para poder pilotar a Soyuz.

É como pilotar um meteorito de volta a casa: é muito físico, esmaga-te contra a cadeira, é quente, quando o paraquedas abre é incrivelmente violento e então chocas contra o mundo, como num acidente de viação. Depois rebolas até parar, por isso sentes-te zonzo e desorientado, cansado e enjoado. É como se estivesses doente e tivesses tido um acidente de carro: estás todo a tremer e nada parece bem.

Depois chega a equipa de salvamento: abrem a nave, arrastam-te para fora e põem-te numa cadeira. E, de repente, há a luz e os cheiros e as pessoas e o ruído. Se calhar é como um bebé acabado de nascer, não sei. Demora algum tempo para nos readaptarmos, o nosso corpo tem de se habituar outra vez [a estar na Terra]: demora alguns dias a sentirmo-nos normais, várias semanas para estarmos normais e, de facto, uns quantos anos para a densidade dos nossos ossos voltar ao normal e estarmos verdadeiramente normais outra vez. É um processo longo, mas vale cada segundo. A experiência é tão rica, tão interessante, tão desafiante e tão útil para todos nós, que o que acontece ao teu corpo é só uma parte da experiência.

Depois de tanto tempo longe, como é que é voltar ao trabalho e a casa?
É normal. É como uma viagem muito longa, como um soldado ou um marinheiro. Faz parte da vida haver uma separação e depois voltarmos. Mas quando estamos na Estação Espacial Internacional nunca estamos completamente isolados – posso telefonar às pessoas, ocasionalmente fazer uma chamada de vídeo, trocar emails. Portanto é como estar numa viagem de negócios num local muito diferente. E é bom voltar a casa.

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O astronauta canadiano já esteve várias vezes em Portugal e confessou ao Observador adorar o país. “Adoro ficar sentado à beira rio no Porto.” Da EEI tirou uma fotografia à capital: “Tirei uma fotografia fantástica de Lisboa quando estava no espaço – podíamos ver a relação entre o porto, o oceano e a cidade”.

Ficou bem conhecido na Terra por causa dos vídeos que fez na Estação Espacial Internacional. Como é que deu início a isso?
Acho que tudo começou quando assisti à chegada à Lua em 1969 e vi quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminharam na Lua – tinha eu quase 10 anos. A NASA fez a transmissão de tudo em direto – não tinham de o fazer, os soviéticos não o faziam –, mas a NASA considerou que isto era demasiado importante para deixar de ser partilhado. Foi aí que me apercebi que, se ia fazer alguma coisa diferente, magnífica e rara, devia partilhá-la, não devia ser egoísta, não devia guardá-la só para mim.

Fui astronauta durante 21 anos e partilhei tanto quanto pude o tempo todo: falei em milhares de escolas, dei incontáveis entrevistas, viajei por todo o mundo e tirei fotografias em todas as minhas viagens espaciais. Mas só na terceira viagem é que a tecnologia já tinha avançado o suficiente: podíamos fazer partilhas nas redes sociais, tínhamos máquinas digitais que nos permitiam partilhar as fotografias quase imediatamente – enquanto antes podíamos ter de esperar meses ou anos. Com este avanço na tecnologia, podia fazer um vídeo, enviá-lo para a Terra e as pessoas podiam vê-lo quase de imediato – usei a tecnologia da melhor forma que consegui para o partilhar. É por isso que escrevo livros, que componho músicas, que falo e trabalho, que dou aulas na universidade, porque parte do trabalho de ser astronauta é partilhar tão bem quanto possível.

Chris Hadfield tem vários vídeos mostrando como pequenas atividades do dia a dia têm de acontecer na EEI.

Uma vez astronauta, sempre astronauta, ou está reformado neste momento?
Não é um trabalho, é uma definição. Serei um astronauta para o resto da eternidade – é uma das coisas que me define. Já não voo no espaço regularmente e mesmo quando era astronauta – e fui durante 21 anos – só estive no espaço seis meses, portanto fui um astronauta em Terra durante 20 anos e meio. E isso é o que sou hoje em dia. Acho que não vou voltar a voar para o espaço, mas isso não muda, nem diminui, a experiência em si mesma.

Vê-se no futuro a ingressar numa carreira musical ou é apenas um hobbie?
Não sei se percebo o que quer dizer com “carreira”, mas fui agricultor, instrutor de esqui (downhill), tenho sido músico durante toda a minha vida, fui engenheiro, pilotei caças e fui piloto de testes, fui astronauta, sou autor, ensino na universidade, faço todas essas coisas e acho que isso não vai mudar. E a música é, para mim, uma faceta de celebrar e entender a vida.

Além das versões de músicas de cantores conhecidos, Chris Hadfield também compõe e tem músicas originais.

Se tivesse a oportunidade de ir a Marte, aproveitava?
Bem, não há naves a irem para Marte e os astronautas não viajam “por desporto”. Ajudamos a criar, a desenhar e a construir voos e naves espaciais. Se alguém me convidasse para trabalhar num voo espacial para a Lua ou para Marte eu teria todo o gosto. A parte mais interessante é resolver os desafios e fazer acontecer algo que roça o impossível. E isso é o que tenho feito a maior parte da minha vida. E ainda estou envolvido: trabalho com a Agência Espacial Canadiana, com os astronautas canadianos, estou no Conselho Consultivo para o Espaço no Canadá, estive num painel de discussão na NASA há umas semanas. A vida não pára só porque terminámos o terceiro voo espacial.

“Em gravidade zero, não é preciso um colchão ou almofada; já sentimos que estamos deitados numa nuvem, perfeitamente suportados, por isso temos de dar voltas para encontrar uma posição confortável.”

Por fim, e tendo em conta o que aconteceu recentemente: Juno finalmente chegou a Júpiter e ficou a orbitar o planeta. Gostava que me dissesse o que pensa desta missão.
Para poder entender as estrelas e os planetas, temos de vencer um grande buraco no nosso conhecimento, que são os planetas gigantes gasosos, como Júpiter. De facto não percebemos Júpiter de todo. Porque é que tem um campo magnético tão forte? Haverá um núcleo rochoso no centro de Júpiter ou será tudo gás e líquido? Conduzir Juno durante milhares de milhões de quilómetros é extremamente complexo e conseguir que se fixasse, de forma segura, na órbita de Júpiter, dentro do campo magnético, é incrível.

Nunca o tínhamos conseguido fazer em toda a história da humanidade. Ontem era impossível e hoje é possível – é tremendamente otimista. Vamos aprender mais sobre Júpiter em poucas semanas do que alguma vez aprendemos sobre este planeta no último milhão de anos. É um momento muito interessante. E o que eu gosto é que isto é o resultado da criatividade humana, de nos organizarmos, da invenção, da colaboração – é um projeto mundial. Há uma quantidade imensa de coisas a acontecerem todos os dias. Juno chegar a Júpiter é só uma dessas coisas, mas é realmente magnífico e todos o devíamos celebrar. É uma vitória.

Um texto de Vera Novais

Canadá quer aumentar número de imigrantes para responder a necessidades laborais do país

O ministro da Imigração do Canadá disse na sexta-feira, nas Filipinas, que pretende “aumentar substancialmente” o número de imigrantes, de modo a preencher as necessidades de trabalho no país.

No seu discurso num evento da Câmara de Comércio do Canadá em Manila, nas Filipinas, John McCallum apontou para “o envelhecimento da população e a eminente falta de trabalhadores”.

“Porque não aumentar o número de imigrantes que vêm para o Canadá? É o que acho e espero que seja isso que vamos fazer”, afirmou, de acordo com o canal público canadiano CBC, citando uma fonte junto do governante.

O Governo Federal, liderado por Justin Trudeau, já está a aceitar entre 280 a 305 mil novos residentes permanentes em 2016, um recorde em relação ao número do anterior governo Conservador, em 2015.

Para já, disse McCallum, não foi tomada nenhuma decisão final sobre a imigração, já que esse trabalho será desenvolvido pelos seus “colegas do governo”. Depois, explicou, é preciso “convencer” os canadianos de “que é a coisa certa a fazer”.

“Mas a direção que pretendo seguir é a de aumentar substancialmente o número de imigrantes”, acrescentou.

O anterior Governo lançou, no início de 2015, um novo sistema de imigração denominado ‘Entrada Expresso’, que prometeu transformar a política económica de imigração no Canadá.

O atual Governo pretende suavizar algumas das regras, facilitando aos estudantes internacionais que pretendam ir para o Canadá o seu estatuto de residente permanente, e também pretende eliminar a Avaliação de Impacto do Mercado de Trabalho (LMIA, sigla em inglês), um documento que todos os patrões necessitam para empregar trabalhadores estrangeiros em detrimento dos canadianos.

O Governo também criou uma Comissão Parlamentar para rever o controverso programa de trabalhadores estrangeiros temporários, mas o parlamento concluiu os seus trabalhos de verão antes de o relatório ter sido divulgado, sendo agora conhecido em setembro.

John McCallum, que desempenhou funções como economista-chefe de um dos maiores bancos do Canadá e era professor de economia antes de entrar na política, reconheceu que tem pela frente “um grande desafio”.

O Governo Liberal prometeu no outono passado, durante a sua campanha eleitoral federal, “reduzir o tempo de espera dos processos (de vistos) em todas as categorias”.

Oficialmente, há 429 mil portugueses e lusodescendentes no Canadá (censos 2011), mas calcula-se que existam cerca de 550 mil, estando a grande maioria localizada na província do Ontário. Estima-se que entre 60% a 70% sejam de origem açoriana.

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