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Coimbra Comunidade do Conhecimento e Inovação na Resposta ao Envelhecimento

João Malva

Portugal irá enfrentar o grande desafio do envelhecimento. Em 2060 seremos um dos países mais envelhecidos do mundo e, em contrapartida, atingiremos uma das mais baixas taxas de natalidade. A emigração apenas reforçará este cenário negativo. O número de pessoas com mais de 85 anos irá crescer rapidamente e teremos uma sociedade onde idosos cuidam de idosos. Neste contexto, é premente contornar este perfil demográfico e criar soluções que possam dar resposta ao nível “da magnitude deste desafio”, explica João Malva. Esta capacidade de reversão será concretizada com “uma articulação entre políticas de natalidade, de apoio à família e ao emprego”, de modo a reter jovens talentos e impulsionar o crescimento da população ativa. Para isso, é importante uma articulação entre os serviços públicos e privados, questão na qual o Estado português terá um papel determinante: “as políticas de saúde e de educação são fundamentais”, “o nosso país tem dois ministérios muito distantes, que só se tocam muito pontualmente – a Saúde e a Solidariedade Social – e é preciso que as respostas sejam integradas, porque um idoso frágil ou doente é precisamente alguém que precisa de ajuda social”, defende o coordenador. Por outro lado, é igualmente indispensável “a resposta civil, ou seja, o modo como os cidadãos, as empresas e as estruturas de um modo geral se associam”. De facto, a resposta encontra-se na dinâmica social entre os diferentes atores e numa simbiose intergeracional, na qual jovens e idosos cooperam no sentido de encontrar soluções capazes de dar resposta aos desafios futuros.
A sociedade atual tem igualmente a missão de dotar crianças e jovens de estilos de vida saudáveis e ativos, que lhes permitam, no futuro, entrar na senioridade física e psicologicamente robustos e independentes.

Ageing@Coimbra

Este consórcio foi criado através de uma parceria entre a Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal de Coimbra, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes e a Administração Regional de Saúde do Centro, com o crucial apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Surge no âmbito desta premência de compreender os desafios trazidos pelo envelhecimento; de criar boas práticas que se repliquem para outras regiões da Europa, através da Parceria Europeia de Inovação para o Envelhecimento Ativo e Saudável; e de abrir horizontes a outras entidades, cujo foco seja a investigação e desenvolvimento de soluções que promovam o envelhecimento ativo e saudável; e vejam na tecnologia um veículo para a criação de novas oportunidades – porque os recursos tecnológicos são parte fundamental do desenvolvimento de meios de apoio ao envelhecimento. Deste modo, é possível criar sinergias entre o empreendedorismo, o acesso ao emprego e o desenvolvimento económico e a procura de novos serviços e produtos a pensar no cidadão sénior.
Assim, os projetos, multidisciplinares, procuram dar resposta a um conjunto de grupos de ação, resultantes de um desafio lançado pela Europa, com o objetivo de “encontrar parceiros comprometidos em desenvolver boas práticas e, neste processo promover Regiões Europeias de Referência”. Adesão à terapêutica; prevenção de quedas; prevenção da fragilidade; cuidados integrados e monitorização remota de saúde; e serviços amigos do idoso são, então, os cinco grandes grupos de ação do Ageing@Coimbra.
Atualmente, a vasta equipa, especializada em distintas áreas do saber, integra diferentes projetos no âmbito da “polimedicação, prevenção da fragilidade e das quedas e cuidados integrados”. João Malva refere, no contexto da polimedicação, a importância de uma maior atenção a idosos isolados ou com problemas de memória, que perdem o controlo sobre a sua medicação. Deve promover-se uma interação mais ativa entre especialidades, de modo a que os pacientes não acumulem quantidades desnecessárias, e prejudiciais de medicamentos. Por outro lado, é fundamental promover a adesão à terapêutica, assegurando o respeito pelas indicações dos profissionais de saúde.
Importa ainda salientar os dois projetos bandeira em desenvolvimento no Ageing@Coimbra e que se complementam entre si: “a criação de um Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, que valoriza o conhecimento sobre o envelhecimento”. Porque o acesso a um saber aprofundado relativo a esta temática permite uma maior qualidade e adequação das soluções a desenvolver. Perspetivando ainda este espaço como parte integrante numa cidade amiga do idoso, o consórcio pretende ainda transformar parte das cidades em campo da vida, onde os “cidadãos mais idosos se sentem plenamente integrados, com aprendizagem ao longo da vida, participação na criação e desenvolvimento de produtos juntamente com jovens empreendedores, cuidados médicos personalizados e apoio social integrado com a saúde”.
Deste modo, e com base no seu desempenho de excelência e desenvolvimento de projetos fundamentais para a sociedade, o Ageing@Coimbra pretende continuar a crescer e a fomentar novas parcerias que promovam o progresso nesta área.
O futuro continuará a passar por “replicar as boas práticas que se geram, para que mais cidadãos pela Europa possam usufruir destas, com os objetivos de viver melhor, de forma independente e ativa durante mais tempo”. E, como consequência deste aspeto, “elevar o potencial económico dos produtos e serviços baseados em conhecimento avançado, criando uma nova geração de empreendedores”.

Coimbra, Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável

Coimbra é considerada pela Europa Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, baseando o seu percurso num desenvolvimento de projetos e soluções. Questionado sobre os motivos que levam esta zona do país a ser considerada e respeitada pela Europa, João Malva não hesita em responder. “A Região Centro tem várias particularidades interessantes e talvez por isso a Comissão Europeia tenha olhado com tanta atenção para o AGEING@COIMBRA”. A diversidade populacional e ambiental são aqui fatores de destaque, nomeadamente “o equilíbrio demográfico no litoral associado à assimetria no contexto rural”, “a heterogeneidade em termos de ambientes físicos, desde planícies a zonas montanhosas”. E todo este contexto “cria vários laboratórios vivos que permitem aos jovens inovadores encontrar soluções para aqueles ambientes que são facilmente replicáveis noutras regiões da Europa”.
Por outro lado, não podemos deixar de mencionar o papel da Universidade, as incubadoras e centros tecnológicos, as unidades de investigação, entre outras entidades de máximo relevo nesta área que se inserem na zona Centro de Portugal.

Coimbra Genomics aposta na medicina personalizada com parcerias em cinco países

Agora, a empresa portuguesa Coimbra Genomics assinou parcerias com instituições de cinco países para pôr em prática esta ideia. Como? Usando um software que analisa a sequência genética de cada doente e dá informação sobre a sua suscetibilidade para certas doenças e medicamentos.

O software, chamado Elsie, é uma plataforma informática que só pode ser usada no contexto clínico, necessitando da autorização do médico e do doente. “É uma ferramenta de suporte à decisão clínica”, explica ao PÚBLICO Bruno Soares, diretor-executivo da Coimbra Genomics, que está integrada no cluster de empresas do Biocant – Centro de Inovação em Biotecnologia, que fica em Cantanhede.

A empresa nasceu em 2013 com o investimento das empresas Critical Ventures e Portugal Ventures. O conselho de administração inclui o físico Carlos Fiolhais, o director do Biocant, Carlos Faro, e Gonçalo Quadros, diretor da empresa Critical Software. Nos últimos dois anos e meio, a empresa gastou 1,1 milhões de euros na construção do Elsie (um dos nomes da famosa cientista inglesa Rosalind Elsie Franklin, que contribuiu para a descoberta da estrutura da molécula de ADN, em 1953), explorando o complexo mundo da genómica e extraindo a informação que pode ser relevante para a medicina.

O anúncio de hoje é o passo seguinte. A empresa fez parcerias com hospitais na Alemanha, no Brasil, em Israel e em Portugal, e integra ainda um estudo-piloto na Estónia. Desta forma, irá testar a tecnologia com os médicos, para depois ser comercializada. “Temos a intenção de entrar em operação comercial já no primeiro semestre de 2016”, antecipa Bruno Soares, que é doutorado em física.

Colesterol e dores musculares

A informação em bruto obtida na descodificação do genoma é a sequência das “letras” que compõem a longa molécula de ADN. Uma parte importante destas letras não codifica nenhum dos cerca de 20.000 genes da espécie humana. E para muitos destes genes não se conhece, pelo menos por agora, importância para a saúde. Além disso, em muitos casos, a suscetibilidade a uma doença depende de vários genes. Tudo isto dificulta a possibilidade de se tirar conclusões médicas a partir da informação genética.

Para já, a equipa de seis pessoas da Coimbra Genomics (que inclui doutorados em genética, biologia bioinformática e informática) reuniu 30 perguntas – em áreas como a cardiologia, neurologia, pneumologia, gastroenterologia, hematologia, oftalmologia, reumatologia, medicina interna, pediatria e a geriatria –, a que o Elsie dá resposta. “O médico terá de fazer perguntas específicas. Não pode fazer perguntas abertas”, diz o empresário.

Uma das perguntas é sobre as estatinas, os medicamentos contra o colesterol. Há uma parte da população que reage mal a estas moléculas, devido à sua genética, e tem problemas musculares. Se um doente tiver o seu genoma sequenciado, o software Elsie poderá aceder a essa informação e indicar imediatamente se corre algum risco de usar as estatinas.

“Para perguntas mais complexas sobre doenças, o relatório só é entregue no dia seguinte”, acrescenta Bruno Soares. “O Elsie olha para o código genético do doente e produz um relatório que diz que, em certos estudos, um doente com uma determinada variação genética tem tais características.”

Caberá ao médico interpretar a informação. A empresa pretende que o relatório seja de fácil leitura. Desta forma, o médico não terá de estar a par do último gene que a ciência associou a cada doença, defende Bruno Soares. Esse será o trabalho da Coimbra Genomics, que terá de se manter actualizada. É esta aposta que permitirá fazer crescer o potencial do software. Bruno Soares antecipa que o Elsie poderá responder a “milhares de perguntas daqui a cinco anos”.

Para a pergunta ser realizada, o médico terá de aceder ao software com uma password e, tanto ele como o doente, terão de introduzir no computador uma “chave física”, para já será uma pen digital. Deste modo, nem o médico poderá conhecer a informação genética de um doente às escondidas, nem o doente poderá saber se tem alguma predisposição para doenças fora de um contexto clínico.

Por cada pergunta que o médico faça ao Elsie, o doente terá de pagar “algumas dezenas de euros”, diz Bruno Soares – o valor ainda não foi definido.

As parcerias vão servir como “demonstrações do sistema”: na Alemanha, a empresa vai introduzir o software na clínica “Preventicum”, em Essen, e na Ruppiner Kliniken, na região de Berlim-Brandeburgo; no Brasil, será no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo; em Israel, no Centro Médico Rambam, em Haifa; e em Portugal, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Só os doentes que têm o genoma sequenciado é que poderão tirar proveito deste serviço, o que dependerá do dinheiro que cada um tem. Bruno Soares argumenta que a sequenciação do genoma é cada vez mais barata, e lembra que em Portugal o Sistema Nacional de Saúde já participa neste exame em casos particulares.

A Estónia tem o objetivo de sequenciar o genoma de 20% da sua população, para se colocar na dianteira da investigação na genómica. É neste contexto que a Coimbra Genomics integra o estudo-piloto Iniciativa de Medicina Personalizada da Estónia.

Desta forma, a empresa quer mostrar ao mercado internacional que tem “algo muito útil, seguro e inovador”, defende Bruno Soares: “Espero um crescimento muito rápido na fase posterior.”

Hospital de Coimbra confirma a morte de três doentes por bactéria

A informação foi confirmada pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Todos os doentes que faleceram tinham quadros clínicos graves, com várias patologias, e uma idade avançada.

A klebsiella pneumoniae é a mesma bactéria que esteve na origem da morte de três doentes no hospital de Vila Nova de Gaia, em finais de 2015.

Em Coimbra, estão internados 21 doentes com a referida bactéria – oito estão infetados e 13 estão colonizados com a bactéria. Apenas num dos casos o prognóstico é reservado.

Há 24 pacientes isolados no Hospital de Coimbra. Culpa é de bactéria

Ao todo são 24 os pacientes colonizados com Klebsiella pneumoniae com KPC, uma bactéria particularmente resistente a antibióticos, que se encontram em isolamento no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Estes pacientes encontram-se isolados para evitar propagação da bactéria e há várias medidas de contenção a serem aplicadas, que passam, nomeadamente, pelo uso de material descartável por parte dos profissionais de saúde.

Segundo a RTP, o foco de transmissão desta doença está relacionado com as secreções, fezes e urina, mas pode também estar presente em alimentos que não tenham sido bem lavados.

Pacientes idosos e com o sistema imunitário mais debilitado são o principal foco de preocupação.

O Notícias ao Minuto já entrou em contacto com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, mas até ao momento não foi possível obter uma reação.

Especialização é fator positivo do novo mapa judiciário

“O grau de especialização aumentou para 100% na instância superior e 29% nas instâncias locais, o que há de ter reflexo na qualidade do serviço prestado pelos profissionais nas áreas especializadas”, disse a magistrada.

Isabel Namora, que falava no seminário “O impacto da reforma do mapa judiciário na comarca de Coimbra”, promovido pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, explicou que a reforma não trouxe para os tribunais juízes já especializados, mas que todos os magistrados da comarca estão a frequentar desde o ano passado ações de formação.

Relativamente aos funcionários judiciais, acrescentou, “houve uma preocupação dos órgãos de gestão em facultar formação local nas áreas em que necessitavam, principalmente na secção de execução e comércio, onde foram colocados funcionários que estavam a desempenhar funções noutras secções.

Durante a sua intervenção, a juiz-presidente da Comarca de Coimbra, que abrange os 17 municípios do distrito, salientou ainda que não se registou nenhuma diminuição no número de processos apresentados, embora reconheça que a reforma afastou “fisicamente” os cidadãos dos tribunais.

“O afastamento tem de se notar porque ele existe, mas anteriormente também já existia. Hoje está mais ampliado por força da especialização ao nível das instâncias centrais, está é atenuado quando os julgamentos, em determinadas circunstâncias, ou porque os advogados o solicitam, são realizados em vários tribunais do distrito”, disse Isabel Namora.

Segundo a responsável, os juízes são sensíveis ao afastamento que existe e tentam atenuá-lo, através da realização de julgamentos fora do tribunal central.

A reforma do mapa judiciário na comarca de Coimbra implicou ainda a criação de três secções de proximidade, que, segundo a juíza, são um caso de sucesso, e a extinção do tribunal de Penela.

Para o presidente da Câmara daquele município, Luís Matias (PSD), outro dos intervenientes no seminário, sem colocar em causa a reforma é possível melhorar as condições de acesso à justiça em Penela e ter uma “secção de proximidade ou restaurar a comarca”.

“Com um ano de reforma ainda é difícil fazer um balanço, mas é evidente que há uma distanciação geográfica e um prejuízo das pessoas no acesso à justiça, porque obviamente um tribunal tem uma função de soberania, de presença do estado nos territórios, que se perdeu com o encerramento de tribunais”, sublinhou.

Na análise de Amaro Jorge, presidente do Conselho Regional de Coimbra da Ordem dos Advogados, os impactos da reforma do mapa judiciário na comarca de Coimbra “são relativamente atenuados, “porque não há maus acessos para os cidadãos”, situação que já não se verifica no interior da região Centro, como em Viseu, Guarda e Castelo Branco, em que chega o inverno e as pessoas para se deslocar para os tribunais fazem “sacrifícios que nem nos passa pela cabeça”.

Exposição explica à população o que é a Medicina Interna

Tem lugar no dia 8 de Janeiro, às 11h30, a inauguração da exposição “Medicina Interna – A Visão Global do Doente”, uma iniciativa da  Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)  que  pretende mostrar à população  a vocação holística da Medicina Interna, uma especialidade médica que trata o doente como um todo e não apenas um determinado órgão.
A inauguração terá lugar no Átrio do Pólo dos Hospitais da Universidade de Coimbra e será precedida por uma conferência do Dr. António Arnaut sobre “O Futuro da Saúde em Portugal” no Auditório do pólo HUC – CHUC, às 11h.
A exposição é gratuita e estará patente no Átrio do Pólo dos Hospitais da Universidade de Coimbra,  até 25 de março de 2016.
Esta exposição, conduz-nos pelo percurso histórico da Medicina Interna enquanto especialidade – no ensino e na assistência clínica -,   desde as antigas enfermarias de “Moléstias Internas” nos antigos hospitais, até à actualidade.
Imagens e documentos, aparelhos médicos antigos utilizados nas enfermarias dos hospitais em Coimbra para diagnóstico e tratamento dos doentes, nomeadamente,  esfigmomanómetros, estetoscópios, albuminómetros, aparelhos para determinação da pressão venosa, contam-nos a história da Medicina Interna, através dos fragmentos de um vasto e rico património do CHUC e da FMUC.
Retrata também o percurso histórico e a actualidade da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.
A especialidade de Medicina Interna centra a sua abordagem na avaliação e compreensão do doente como um todo, estudando as interações entre os vários órgãos e sistemas. É uma especialidade predominantemente hospitalar, abrangendo a patologia do adolescente e do adulto, estendendo ainda a sua actividade aos cuidados paliativos em doentes com doença crónica.
Os especialistas de Medicina Interna dedicam-se, não só à prevenção, mas também ao diagnóstico e tratamento de situações não cirúrgicas, bem como situações críticas onde a falha de vários órgãos domina.

Torrefatora de café de Coimbra quer entrar no mercado chinês

No presente ano, a FEB prevê também entrar no Peru e no Chile durante o primeiro semestre de 2016, mas a China é “a maior aposta” da torrefatora criada em 1944, disse à agência Lusa Nuno Gomes.

Segundo o responsável, regista-se um “aumento de consumo de café” no mercado chinês, crescendo “a dois dígitos” todos os anos, o que torna a China um mercado aliciante para a FEB, que pretende entrar no mercado associada à “qualidade e características do expresso português”.

Para 2016, a FEB tem um plano de negócios “ambicioso”: espera atingir 320 toneladas de café e dois milhões de euros em faturação, além de 30% da faturação via exportações.

Em 2015, a empresa de Coimbra registou um aumento de “6% a 7%” na faturação, atingindo 1,4 milhões de euros, e um incremento de mais de 30% na produção, passando de 150 toneladas em 2014 para mais de 200 toneladas no ano que passou, sublinhou.

O desfasamento entre o aumento da produção e a faturação deve-se à estratégia de eliminar a distribuição feita por meios próprios, explanou.

Segundo Nuno Gomes, em 2015 as exportações representaram 15% da faturação, estando a FEB já presente no Canadá, Macau, França, Inglaterra, Angola e Moçambique.

Aquando da entrada em novos mercados, a FEB procura sempre associar o seu café “à história, visto que é das mais antigas torrefatoras do país”, bem como à diferenciação do produto português, frisou.

Aparelho experimental português deteta doenças neurodegenerativas mais no início

ICNAS

O corredor de chão vermelho separa duas salas e duas realidades. Numa, há um aparelho sofisticado a trabalhar, com aspeto futurista, no meio de um espaço vazio. Dentro do aparelho, um ratinho adormecido é analisado para se obter imagens do seu interior. Este é o presente. Na outra sala está o futuro. E o futuro, no seu início, parece-se mais com um laboratório de garagem: atravancado, com fios a verem-se, com um aparelho sem o revestimento bonito criado pelo design, mas muito mais perto da ideia original.

Estamos em Coimbra, num dos pisos do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), a olhar para um tomógrafo construído de raiz, especializado em produzir imagens médicas para oncologia, cardiologia e neurologia, mas que também faz investigação. Um tomógrafo é um termo genérico para um aparelho que produz imagens tridimensionais do interior de corpos, a partir da soma de imagens de “fatias” desses cortes. Há vários tipos de tomógrafo. O protótipo à nossa frente utiliza moléculas com átomos radioativos que podem sinalizar objetos específicos importantes para a medicina como tumores, a beta-amiloide — uma proteína que se associa à doença de Alzheimer —, entre outros.

Miguel Castelo-Branco, diretor do ICNAS, e nosso cicerone por uma tarde, explica-nos a importância deste aparelho de tomografia por emissão de positrões (conhecido pela sigla inglesa PET). “É novo porque tem uma resolução superior às tecnologias que estão no mercado”, diz ao PÚBLICO. “Tem uma resolução de cerca de 0,4 milímetros. No mercado andamos à volta de um milímetro.”

A resolução de um aparelho representa a sua capacidade em distinguir dois pontos. Um tomógrafo capaz de criar imagens com um milímetro de resolução consegue distinguir pormenores maiores do que um milímetro, um tumor mais pequeno do que um milímetro escapa às máquinas comuns. “Se não tivermos uma tecnologia com resolução superior, não identificamos a doença”, explica o investigador. “Este aparelho permite identificar o início das doenças”, refere, explicando que esta capacidade é especialmente importante para a deteção das doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer ou a doença de Parkinson.

Estas duas doenças têm origem em alterações no cérebro, um órgão que conta com estruturas muito pequenas. Para distinguir estas estruturas é necessário um tomógrafo com detetores de imagens mais poderosos como o que foi criado nesta sala, o que só foi possível graças a uma parceria com o físico Paulo Fonte, professor na Universidade de Coimbra e investigador no Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra (LIP).

Para já, este tomógrafo ainda só pode ser usado em roedores, para investigação. Não tem a dimensão nem está preparado para o uso em humanos. Mas é uma demonstração da capacidade inovadora do ICNAS. “Temos psicólogos, engenheiros, médicos, farmacêuticos, físicos”, diz Miguel Castelo-Branco. “Reunimos as disciplinas todas e fazemos investigação translacional.” Ou seja, utilizam as descobertas feitas na investigação básica para resolver problemas de medicina, neste caso inventando um novo tomógrafo.

O aparelho resulta do trabalho dos físicos do LIP que investigavam na área dos detetores há mais de uma década, mas também do saber da matemática e do conhecimento aplicado da medicina. Para construir o tomógrafo, foi necessário “a tecnologia dos detetores, algoritmos de reconstrução de imagem e algoritmos de processamento de imagem”, enumera o diretor. Um exemplo é um algoritmo criado pela equipa, usado quando o tomógrafo produz imagens de ratinhos para a investigação da doença de Parkinson, onde os neurónios que produzem a dopamina, uma substância importante para o cérebro, vão morrendo: “Temos um matemático que quantificou a dopamina que está a ser sintetizada.”

O próximo passo para este projeto é redimensionar o protótipo para humanos só para imagens de cérebro. Segundo Miguel Castelo-Branco, o ICNAS e o LIP candidataram-se neste Outono a financiamento europeu pelo programa da Comissão Europeia Future & Emerging Technologies (qualquer coisa como Tecnologias Emergentes e de Fronteira), dedicado a projetos novos na área da ciência e tecnologia com um impacto potencial na sociedade. “O desafio é só uma questão de escala”, diz Miguel Castelo-Branco, adiantando que todos os problemas técnicos já ficaram resolvidos quando se construiu a versão para animais.

Se ganharem o financiamento, estarão mais próximos de ter um aparelho que pode ir para o mercado. Um tomógrafo deste tipo custa a um hospital entre 600 mil e um milhão de euros, diz o investigador. “Quem transferir esta tecnologia para o mercado vai ganhar dinheiro”, explica. Isso é uma hipótese para a Universidade de Coimbra, que graças ao ICNAS já poupou a Portugal centenas de milhares de euros nos quatro radio-fármacos que lançou para o mercado desde 2012.

O coração do edifício

A história dos radio-fármacos produzidos pelo instituto tem sido falada desde então, mas continua a evoluir. E tem como personagem principal o ciclotrão, a máquina incontornável e que é o “coração do edifício”, segundo Francisco Alves, o físico responsável por este equipamento. O ciclotrão — um aparelho arredondado e volumoso — acelera protões que são usados para produzir átomos radioativos como o flúor 18.

Esta é a primeira fase da produção dos radio-fármacos. A segunda fase é ligar átomos radioativos a moléculas. O flúor 18 é quimicamente ligado à fluorodesoxiglucose, resultando no fluorodesoxiglucose-18F, uma das quatro moléculas comercializadas. Este radio-fármaco é muito usado nos exames de PET para detetar massas tumorais no corpo das pessoas.

A fluorodesoxiglucose liga-se a células que consomem muito açúcar, uma característica das células tumorais que têm um metabolismo acelerado. E o flúor 18 brilha nos exames PET (mais precisamente, os átomos radioativos emitem positrões, antieletrões que são detetados pelos tomógrafos). Por isso, se um exame revela uma massa brilhante anómala em algum órgão, isso será indicativo de um tumor.

Todos os dias, cerca de 50 pessoas fazem este exame. Durante a noite, o ciclotrão produz flúor 18. Depois, um robô faz de técnico laboratorial e une o átomo à fluorodesoxiglucose, numa câmara com ar completamente puro. Às 6h da manhã, o material está pronto para ir para vários hospitais do país (há uma empresa multinacional que tem um ciclotrão no Porto e também produz a molécula para o mercado português). Às 8h chega a Lisboa e pode ser administrado. Como qualquer material radioativo, a radiação perde-se. No caso do flúor 18, a cada duas horas metade dos átomos perdem a radiação.

Por isso, para o exame ser eficaz, um paciente em Lisboa tem de receber o dobro da dose às 8h do que um em Coimbra, se fizer o exame às 6h. É matemática simples, mas a matemática paga-se. Antes de 2012, Portugal importava esta substância de Espanha, o que fazia com que o material viesse de muito mais longe. Por ano, o país gastava cinco milhões de euros. “Há uma poupança muito significativa por haver um produto nacional”, diz Antero Abrunhosa, responsável pela parte da química na produção dos radio-fármacos, e que estima que os hospitais paguem hoje menos de metade por aquela substância do que antes de 2012.

Além dos quatro radio-fármacos comercializados, o ICNAS produz outros 14 radio-fármacos para consumo interno nos exames médicos e em investigação. “O ciclotrão trabalha oito horas por dia. Esta noite trabalhou seis horas e durante o dia quatro vezes meia hora”, diz Francisco Alves, na visita ao aparelho, instalado numa sala que mais parece uma caixa-forte. Quando a porta, de dois metros de grossura, é fechada, o aparelho fica rodeado por dois metros de betão. “O processo para fazer substâncias radioativas liberta neutrões, são muito penetrantes e tão perigosos como o nosso feixe”, avisa.

Ao mesmo tempo que controla a máquina, Francisco Alves também se dedica à investigação da produção de átomos radioativos. Foi assim que a equipa obteve a última patente, em Outubro, depois de desenvolver uma forma dez vezes mais barata de produzir gálio 68. Este elemento radiativo liga-se a uma molécula chamada “dotanoc”, usada para detetar tumores neuro-endócrinos.

Este é o presente. Mas a partir de 2016 o ICNAS vai começar a poder exportar para Espanha outro rádio- -fármaco, invertendo o cenário comercial de há uns anos. Além disso, o laboratório está a desenvolver os primeiros dois radio-fármacos que podem ser aplicados primeiro na deteção de tumores e depois usados na sua terapia.

É o caso do antigénio membranar específico da próstata (PSMA, sigla em inglês). Unida ao gálio 68, esta molécula servirá para detetar tumores na próstata com o PET, tal como acontece com o fluorodesoxiglucose-18F. Os investigadores estão à espera do Infarmed para aprovar o radio-fármaco. Mas se o PSMA for ligado ao elemento lutécio, que emite eletrões, ajudará a destruir as células cancerosas. “A molécula leva a radioatividade até ao tumor”, diz Antero Abrunhosa, explicando que não destrói os tecidos saudáveis ao redor do tumor, como faz a radioterapia que usa feixes de radiação. Ficamos à espera do futuro.

Empresa de Coimbra inicia comercialização de seringa sem agulha

“O nosso primeiro alvo é a medicina estética”, disse à agência Lusa, Gonçalo Sá, da LaserLeap Technologies, adiantando que o novo equipamento não estará acessível ao público, mas sim a profissionais da área da dermoestética, como cirurgiões plásticos, dermatologistas e médicos estéticos.

A seringa laser diferencia-se das seringas de agulhas por ser indolor e não deixar marcas na pele: através do laser, é criada uma onda de pressão que, ao chegar à pele, gera uma “espécie de tremor de terra”, deixando-a “durante alguns segundos permeável”, o que facilita a aplicação do fármaco, que pode ser aplicado em creme ou gel, explicou o investigador Carlos Serpa, aquando da apresentação do protótipo, no verão de 2012.

Adiantou que o fármaco “surte efeito mais rapidamente, nomeadamente no caso dos analgésicos tópicos”.

A nova seringa chega agora ao mercado depois de dois anos de produção do dispositivo e da realização de diversos testes envolvendo médicos e pacientes.

Recentemente, de acordo com Gonçalo Sá, a LaserLeap Technologies assinou um acordo com seis médicos estéticos que vão utilizar a seringa laser num total de 60 pacientes, em tratamentos de rejuvenescimento da pele, nomeadamente para garantir a absorção de ácido hialurónico, substância usada para recuperar rugas e hidratar a pele.

Em 2016, os responsáveis da empresa que começou a ser pensada há oito anos no departamento de Química da Universidade de Coimbra e que está instalada na incubadora de empresas de base tecnológica do Instituto Pedro Nunes, deverão avançar com testes piloto para poderem vir a produzir uma seringa laser que possa ser utilizada na área clínica, concretamente na dermatologia.

Segundo Carlos Sá, os testes visam a utilização de uma seringa laser na promoção da analgesia local e no tratamento da dermatite atópica, doença crónica da pele.

“A organização espera contribuir para a partilha e discussão de conhecimentos”

José Gouveia

O III Congresso Internacional do CINEICC realiza-se de 17 a 21 de novembro na Universidade de Coimbra. Quais são as expectativas para este evento que se subdivide entre Workshops e o próprio Congresso?
Este Congresso engloba o III Congresso Nacional da APTC e pretende que investigadores e profissionais troquem experiências e reflitam sobre a forma como a investigação e intervenção se influenciam e enriquecem mutuamente, e como os resultados das investigações influenciam as práticas de intervenção.
Para além dos dias de Congresso, haverá 2 dias de workshops com uma componente formativa e prática.
A organização espera contribuir para a partilha e discussão de conhecimentos junto de estudantes e profissionais na área da saúde mental e neurociências.

Qual a importância deste acontecimento no sentido de alavancar as áreas cognitivas e comportamentais e fomentar o seu desenvolvimento?
Desejamos promover a discussão sobre a relação existente entre as três áreas que dão o mote ao tema do Congresso – “Investigação, Avaliação e Intervenção: Que ligações?”. Pretende-se sublinhar a importância da articulação e interligação entre as três dimensões, fomentar o desenvolvimento de novas diretrizes de intervenção, refletir sobre processos básicos ao nível das neurociências e, assim, promover conhecimento empiricamente sustentado que conduza a uma prática rigorosa.

O Congresso contará com a presença de oradores nacionais e internacionais, que abordarão temas como psicologia, psicopatologia, neurociências, terapias de 3ª geração, entre outras. De que modo esta partilha de conhecimentos promove o progresso desta área da saúde? Que nomes portugueses e estrangeiros importa referir?
Eventos como este, alargados à comunidade profissional e não apenas circunscritos ao meio académico, permitem-nos apresentar e partilhar resultados que ajudam a guiar e orientar práticas de saúde mais rigorosas.
Neste Congresso, contamos com a participação de convidados internacionais, nomeadamente o Professor Paul Gilbert (Universidade de Derby), o Professor Cristiano Gomes (Universidade Federal de Minas Gerais) e o Professor Stirling Moorey (King’s College)

Quem poderá estar presente neste evento internacional? Apenas dedicarão este Congresso a profissionais da área ou estarão recetivos à presença do público em geral?
O Congresso será aberto a todos os interessados nos temas abordados: profissionais de psicologia e saúde mental, investigadores, estudantes e público em geral. Para efetuar a inscrição basta aceder a https://congressocineicc2015.wordpress.com/.

O CINEICC foi fundado em 2003 com o propósito de incentivar e promover a investigação nas áreas comportamentais e cognitivas. Qual tem sido o vosso papel nesta década dedicada ao estudo e investigação?
O CINEICC foi criado por um grupo de docentes/investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e posteriormente alargado, tendo atualmente 22 membros integrados, 38 colaboradores e acolhe 50 doutorandos financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Foi reorganizado para o período 2015-2020 em 3 grupos de investigação: 1) Processos Cognitivos e Comportamentais e Mudança; 2) Relações, Desenvolvimento & Saúde; 3) Neurociência, Neuropsicologia e Avaliação Cognitiva.
Na última década o CINEICC tem tido como principais objetivos promover a saúde e a qualidade de vida e prevenir a doença; estudar processos psicológicos envolvidos no desenvolvimento e manutenção de psicopatologia; desenvolver instrumentos de avaliação (neuro) psicológica; e desenvolver e aplicar programas de intervenção.

Numa era em que os profissionais estão mais atentos à saúde mental, quer no âmbito clínico, quer no contexto investigativo, como descrevem a importância que o CINEICC tem junto da sociedade civil e médica?
Temos tido a preocupação de estabelecer protocolos com entidades com responsabilidade civil (Ministério da Justiça, Ministério da Saúde) e entidades de saúde, serviços hospitalares, entre outros, com os quais temos partilhado conhecimento especializado que advém das investigações realizadas. Sublinhamos alguns projetos desenvolvidos e que têm sido úteis quer na área da saúde pública (BEfree, KgFree, Promoção de saúde pública em mães adolescentes seropositivas, Ageing@Coimbra), quer ao nível da justiça e promoção do comportamento pró-social (GPS – Growing Pro-Social).

De que modo o facto de o CINEICC ser uma entidade da Universidade de Coimbra (UC) traz uma maior responsabilidade, mas também uma prova de confiança? Qual é o peso desta ligação? De que modo, no futuro, continuarão lado a lado no sentido de promover a investigação cognitivo-comportamental?
O CINEICC é uma unidade I&D da UC e, como tal, está alinhado na sua visão estratégica para a investigação, a qual visa contribuir para o progresso científico e tecnológico enquanto promotor do conhecimento e, consequentemente, da melhoria da vida das pessoas.
Para além disso, a UC tem apostado na promoção da excelência e numa maior ligação com a sociedade, fornecendo recursos essenciais para que estes objetivos sejam cumpridos.
Neste sentido, o CINEICC não só se identifica com a estratégia e objetivos da UC, como tem tentado corresponder a estas diretivas. Recentemente a nossa Unidade I&D foi avaliada com classificação de Excelente no âmbito da avaliação das Unidades de I&D, promovida pela FCT, o que parece ser um bom indicador desta ligação e da qualidade da investigação realizada no CINEICC.

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