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“INCLUIR A OPINIÃO DE JOVENS É CRUCIAL NOS PROCESSOS DE TOMADA DE DECISÃO”

Para Joaquim Ramos Pinto, presidente da Direção Nacional da ASPEA, o documento final «Chile-Madrid, hora de agir» é um acordo parcial que, apesar de um avanço ao valorizar e incluir o conhecimento científico como base para estabelecimento de políticas mais ambiciosas de combate à crise climática, adia, para a COP26 em 2020, os compromissos mais ambiciosos ao nível das estratégias dos países para enfrentar a emergência climática, nomeadamente na aprovação de um conjunto de medidas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e o quadro que regula o sistema de mercado de carbono, no cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris, em 2015.

Com o empurrar do problema para a próxima Conferência demonstra que faltou o trabalho de casa, que deveria ter sido feito durante um ano, e demonstra uma falta de compromisso coletivo, por parte de alguns países que protegem determinados grupos de empresas com mais emissões de gases com efeitos de estufa e negam a crise climática, para justificarem a aposta numa economia neoliberal sem um compromisso ambiental e responsabilidade social. Resta, agora, acreditar nos países que lideram a luta contra a crise climática, mas também no papel da sociedade civil, e em especial os movimentos de jovens para influenciar as políticas e o trabalho que terá de ser feito durante o ano 2020, para termos esperanças na efetiva implementação do Acordo de Paris, com propostas mais ambiciosas que evitem uma catástrofe climática e uma crise social, que poderá emergir neste contexto.

Nos últimos dias da COP25, enquanto a Comissão Europeia lançava o European Green Deal “Pacto Verde Europeu”, o Ministro Português do Ambiente e da Ação Climática dinamizava o evento paralelo “Estratégia de longo prazo de Portugal: melhorando as metas 2030 e trabalhando os fluxos financeiros em direção à neutralidade carbónica 2050”, no Pavilhão Europeu, que apresentavam a descarbonização e financiamento à economia verde, comprometendo-se na obtenção de neutralidade carbónica até 2050. Na sua comunicação considera o papel da sociedade civil essencial nesta grande transformação – “este desafio ambicioso não pode ser abraçado sem o envolvimento dos cidadãos. É necessário chegar às pessoas e ajudá-las a passar por essa transição e um primeiro passo é através da literacia”.

Ao pensar sobre a sociedade civil e a necessidade de mudar, não só o sistema, mas também mentalidades, sentimos que era importante, especialmente no contexto da COP25, falar sobre a questão da participação e educação dos jovens com o Ministro Português do Ambiente e da Ação Climática. Em baixo pode-se ver a entrevista com João Pedro Matos Fernandes.

[AJN] Sabemos que Portugal está a entrar numa fase de avaliação da Estratégia Nacional de Educação Ambiental (ENEA). Qual é a sua opinião sobre os resultados da ENEA2020?

[Ministro] Há três anos simplesmente não tínhamos uma Estratégia Nacional de Educação Ambiental e agora temos uma. Por ano estamos a investir entre 1,5 e 2 milhões de euros em diferentes projetos feitos por escolas, ONGs, universidades, associações locais e municípios. Estamos a apoiar todos esses bons projetos, em primeiro lugar através de uma abordagem ampla e, em segundo lugar, estamos focados nesses subsectores tendo em conta o que achamos que é importante em Portugal. Temos propostas específicas para o uso eficiente da água, propostas específicas para a mobilidade e propostas específicas para a gestão dos solos em territórios com menor densidade demográfica.

[AJN] Que importância dá à participação de jovens em eventos como a COP e no processo de tomada de decisão de políticas ambientais, em Portugal?

[Ministro] A participação dos jovens está a aumentar e penso que é muito importante a dois níveis: primeiro, porque penso que a juventude e os líderes jovens estão muito comprometidos com a luta contra as alterações climáticas e estão a passar a mensagem à sua geração, mas não só à sua geração, também a todas as outras gerações que estão a ouvir os jovens. Ao mesmo tempo, pelo que escrevemos agora e pelo que temos em Portugal, a maioria das ações de educação para as práticas ambientais são focadas nos jovens. Portanto, penso que eles são, ao mesmo tempo, promotores deste tipo de iniciativas e o grupo-alvo das iniciativas já existentes.

Estamos a tentar arranjar uma maneira formal de incluir jovens e associações de jovens no processo de construção da Estratégia Nacional de Educação Ambiental depois de 2020. Quando perguntaram, anteriormente, qual o principal motivo para a renovação deste tipo de políticas, não tenho dúvidas que é incluir opiniões dos jovens de como este país deve ser e de como a sustentabilidade deve ser.

[AJN] Como é que o Ministro do Ambiente vê a possibilidade de colaboração para organizar uma COY Regional (Conferência Internacional do Clima da Juventude sobre Alterações Climáticas), em Portugal, em estudo pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental?

[Ministro] Nós nunca seremos os promotores. Se alguém “bater à nossa porta”, teremos todo o gosto em fazer o nosso melhor para que seja organizada em Portugal.

[AJN] Uma vez que Portugal tem um papel importante na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, como é que o país pode contribuir para a participação de jovens da CPLP na próxima COP26?

[Ministro] Temos uma relação forte de cooperação com todos os países da CPLP, mas existe um princípio que vou sempre seguir: Nunca vou dizer a ninguém o que deve fazer, quando falo com outros países. Portanto, se outros países nos apresentarem projetos iremos, com certeza apoiá-los com o orçamento que temos para esses países.

Coligação com WWF e Quercus queixa-se de Portugal à Comissão Europeia por não proteger aves

Foto LUSA

Uma coligação de ambientalistas fez queixa de Portugal à Comissão Europeia por falta de proteção às aves no Alentejo, que afetou espécies como o sisão, cuja população caiu para metade em dez anos.

A queixa da coligação C6 seguiu esta semana para Bruxelas, afirmam em comunicado, especificando que se trata de Portugal “não cumprir a legislação europeia e os seus compromissos em pelo menos 14 Zonas de Proteção Especial para as Aves no Alentejo”.

O diretor da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Domingos Leitão, considerou que foram “decisões e omissões dos ministérios do Ambiente e da Agricultura” que levaram os agricultores para “opções ilegais de intensificação da exploração e alteração drástica da paisagem”, como acontece no “olival intensivo” da zona de Torre da Bolsa e o aumento de regadio em Campo Maior e de estufas na costa sudoeste.

Do lado do Ambiente, fez-se “vista grossa à intensificação do uso agrícola dentro e fora” das zonas de proteção, acusam os ambientalistas, que apontam que o Ministério da Agricultura investiu “368 milhões de euros em novas barragens, regadios e drenagens” em vez de aplicar dinheiro em “medidas específicas” para manter a paisagem agrícola de “mosaicos de sequeiro e pastagens”.

“Agora só há uma solução, suspender todos os novos regadios no Alentejo e repor a situação nas Zonas de Proteção Especial afetadas”, defendeu. Os ambientalistas acusam o Estado de não promover “a correta gestão e conservação das espécies e habitats, para as quais dispunha de financiamento europeu”, e de ainda aplicar “medidas com fundos europeus que foram prejudicar as espécies e habitats que estas zonas deviam proteger”.

Espécies como o sisão, a abetarda, o francelho e o rolieiro estão “em declínio acentuado” há dez anos, agravando o que já era uma situação “tão preocupante” que aquelas espécies são consideradas “prioritárias a nível europeu” e alvo de financiamento por fundos europeus.

A C6 incluiu, além da SPEA, o GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus e WWF.

Fonte: LUSA

Lisboa acolheu um dos maiores eventos mundiais sobre o mar

A capital foi escolhida pela Comissão Europeia como lugar para discutir temas atuais sobre os oceanos à escala global, no Centro de Congressos de Lisboa.

O European Maritime Day é um evento anual promovido desde 2008 pela Direção-Geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas (DG MARE) da Comissão Europeia que reúne mais de um milhar de intervenientes nas diferentes fileiras da economia do mar.

Apresentado como a “WebSummit do Mar”, este palco internacional de debate do mar esteve este ano focado no empreendedorismo, pesquisa, inovação e investimento, com vista a aumentar as tecnologias sustentáveis e cadeias de valor emergentes na vasta economia do mar.

O Comissário Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, Karmenu Vella, o Diretor-Geral da DG MARE (Direção-Geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas), João Aguiar Machado, e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, foram outras presenças ilustres neste evento, organizado pela Comissão Europeia, com o apoio do Ministério do Mar de Portugal e da Câmara Municipal de Lisboa, e que conta já com a 12.ª edição das comemorações do Dia Europeu do Mar, sendo esta edição a primeira que se realiza em Portugal.

No seu discurso de abertura do European Maritime Day e satisfeita com os números associados ao evento que contou com a maior adesão de sempre, 1.400 participantes, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, não pode deixar de realçar que estes números são demonstrativos da importância do Oceano, da alta dinâmica em que se encontra a economia do mar e do papel central que a União Europeia tem vindo a desempenhar no seu sucesso.

“Por isso o tema desta 12ª edição do European Maritime Day não poderia ser mais adequado: Empreendedorismo, Investigação, Inovação e Investimento Azuis. Com efeito, este é um dos vetores centrais da estratégia estruturada pela Comissão, e por isso cumprimento o Comissário Karmenu Vella, e igualmente prosseguida pelo governo português, através do Ministério do Mar”, disse a Ministra do Mar durante o seu discurso.

Salientou, ainda, que o Mar poderá ser, sem dúvida, o motor de desenvolvimento sustentável de Portugal, a via para construir prosperidade com sustentabilidade.

“Quando avançámos com a implementação da estratégia de governação inteligente do mar no início desta legislatura, lançámos um conjunto de iniciativas destinadas a efetivar um melhor ordenamento do espaço marítimo, desenvolver modelos de negócio de baixo carbono na economia azul e suplantar os constrangimentos dos custos de contexto do investidor, da fraca oferta de financiamento e de um ecossistema de inovação ainda incipiente”.

GOVERNAÇÃO INTELIGENTE DOS OCEANOS

Nos mesmos dias, na Gare Marítima de Alcântara, realizou-se a 4.ª edição do Oceans Meeting, evento promovido pelo Ministério do Mar de Portugal e que vem ganhando prestígio ao longo dos anos.

Este ano, a edição do Oceans Meeting incidiu sobre o tema central “Governação Inteligente dos Oceanos”, propondo cinco painéis para reflexão: Governação dos Oceanos e Partilha de Dados; Inovação, Startups Azuis e Financiamento; Tecnologias de Limpeza dos Oceanos; Governação dos Oceanos – Desafios dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento; Governação Inteligente dos Oceanos – Cooperação para Soluções Práticas.

No discurso de abertura do evento, a Ministra do Mar alertou para os desafios do mar. “O Oceano está no centro dos desafios globais que a Humanidade enfrenta. Desafios como o lixo marinho, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a segurança alimentar e, claro, a sustentabilidade. Enfrentar estes desafios globais e ao mesmo tempo desenvolver estas novas oportunidades de riqueza implica indubitavelmente uma governação do oceano assente na exploração e utilização sustentável dos recursos marinhos. O aproveitamento dos recursos só será benéfico se for sustentável”.

É por isso que a sustentabilidade é o centro de uma governação inteligente do oceano, o tema do Oceans Meeting 2019, organizado pelo Governo através do Ministério do Mar.

“A governação inteligente do oceano é um foco estratégico que se encontra alinhado com a Agenda 2030 da ONU: agir para promover a prosperidade, protegendo o planeta. Ou seja, a erradicação da pobreza tem de estar de mãos dadas com o combate às alterações climáticas e à proteção ambiental. E o Oceano é a principal arma de combate aos efeitos nefastos das alterações climáticas”, realçou a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

O Oceans Meeting contou com a presença de organizações Internacionais como a ONU, Comissão Europeia, IMO, entre outros, e, em números revistos estiveram presentes e representados 64 países, 47 delegações, 1 chefe de Estado, 22 Ministros, 8 Secretários de Estado, 7 organizações Internacionais, 203 participantes internacionais, 100 participantes nacionais.

Portal da Queixa vai à Startup OLÉ com internacionalização na mira

O Portal da Queixa, a primeira rede social de consumidores em Portugal, marca presença no Startup OLÉ, evento internacional de promoção do ecossistema empreendedor tecnológico que decorre entre 26 e 28 de março, em Salamanca. Para o Portal da Queixa, a presença no evento espanhol marca o início da sua jornada de expansão, com a já anunciada estratégia de internacionalização para os mercados europeus.

O Startup OLÉ propõe um programa integrado com a abordagem de diferentes matérias relevantes para atividade empresarial de organizações com perfil tecnológico, reunindo fazedores, operadores de aceleração e incubação, responsáveis por grupos empresariais de dimensão internacional e investidores.

A 5ª edição reúne, nos três dias dedicados à prática empreendedora e ao desenvolvimento de novos negócios, 30.000 participantes de 120 países diferentes, 850 startups e PMEs inovadoras, 500 speakers, 250 aceleradores e investidores. Combinando a vertente de showcase com uma competição de negócios, momentos de networking, workshops práticos e palestras dedicadas a temas relevantes para os empreendedores, o evento Startup OLÉ assume-se como uma montra interessante para startups e scaleups que estão a projetar a sua expansão, procuram investimento ou parceiros estratégicos.

Estando o empreendedorismo no ADN do Portal da Queixa e o perfil tecnológico inscrito na matriz deste projeto único em Portugal e pioneiro na Europa, a participação no evento espanhol é assumida como um passo estratégico no percurso de expansão e atração de parcerias.

“A presença num dos principais eventos de tecnologia e empreendedorismo da Europa, representa para o Portal da Queixa o início da sua jornada de expansão. Após o lançamento histórico da primeira rede social de consumidores no mundo, o Portal da Queixa vai iniciar o seu processo de internacionalização pela Europa, começando por Espanha, onde naturalmente existe uma ligação, não só, geográfica com Portugal, mas também, pela cultura e pelo mercado de consumo ibérico que é partilhado por muitas empresas em comum.”, refere Pedro Lourenço, CEO & Founder do Portal da Queixa, destacando que: “Será um enorme orgulho para nós estarmos presente num evento de dimensão europeia como este, onde será possível mostrar aquilo que melhor se desenvolve no ecossistema tecnológico.”

O Startup OLÉ é uma iniciativa organizada pela Comissão Europeia, em conjunto com um grupo de agentes internacionais de empreendedorismo. As apresentações de ideias de negócio, a aceleração de projetos empresariais e o contacto direto com especialistas europeus em diferentes matérias associadas à prática empreendedora são apenas alguns dos benefícios que compõem a proposta de valor da iniciativa.

A edição de 2018 recebeu a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Rei de Espanha, Felipe VI.

Na edição de 2019 é esperada a visita do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

Diretor Geral da Comissão Europeia e Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior visitam Altran

A iniciativa arrancou com uma mensagem de boas-vindas de Célia Reis, CEO da Altran Portugal e de Rodrigo Maia, CTO e responsável pela Tecnologia e Inovação da multinacional. De seguida, os convidados realizaram uma breve tour pelas instalações, onde tiveram a oportunidade de conhecer alguns dos projetos na área de automotive que a Altran desenvolve, a partir de Portugal, para os seus clientes do setor automóvel.

Khalil Rouhana, Diretor Geral da Comissão Europeia, refere a Altran Portugal como uma empresa dinâmica que, nos últimos cinco anos, teve um “crescimento surpreendente” e que está no caminho certo da investigação e desenvolvimento, com um ambiente muito dinâmico para a inovação e um ecossistema que vai ao encontro dos objetivos europeus, “saio daqui impressionado”, refere o responsável.

Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior,  reforça: “estamos nesta visita com uma das responsáveis na construção das redes europeias de inteligência artificial, para garantir que este processo crescente e o esforço que foi feito, nomeadamente pela Altran, é projetado em contexto europeu. Queremos certamente uma Europa com mais Portugal, e um Portugal com mais Europa, atraindo não apenas fundos europeus, mas sobretudo formas de criar mais e melhor emprego na área do digital.”

Para Célia Reis, CEO da Altran Portugal, o balanço que faz do encontro “é bastante positivo” e refere ainda que “devemos estar todos orgulhosos pelo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, não apenas a Altran, mas Portugal”. De acordo com a CEO da Altran Portugal, a multinacional vai “continuar a apostar na inovação e conhecimento no nosso plano de crescimento nacional e internacional”.

Na visita esteve ainda presente Carlos Morais-Pires, Coordenador do Programa de Investigação Estratégica da Comissão Europeia, Colette Maloney, Diretora da unidade responsável pela Competitividade da Indústria Eletrónica da Comissão Europeia, Fernando Freire de Sousa, Presidente da CCDR-Norte, Ana Cristina Neves da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, João Mil-Homens e Marta Candeias da ANI – Agência Nacional de Inovação. 

Sobre a Altran:

Com a aquisição da Aricent, a Altran posiciona-se como líder global em consultoria de engenharia e R&D (ER&D) e uma empresa inovadora no desenvolvimento de produtos e serviços à medida das necessidades dos clientes. Neste sentido, a Altran acompanha os clientes em cada etapa do projeto, desde o planeamento estratégico à fase de produção. Há mais de 30 anos no mercado global, a Altran capitaliza a experiência e know-how em setores chave, como Aerospace, Automotive, Defence, Energy, Finance, Life Sciences, Railway e Telecom. A aquisição da Aricent alarga essa liderança para semiconductors, digital experience e design innovation.

Com mais de 45 mil colaboradores e presente em mais de 30 países, o grupo Altran e Aricent geraram, em 2017, receitas de 2,9 mil milhões de euros. No mercado português desde 1998, a Altran Portugal conta mais de 1.800 colaboradores e com três escritórios, no Porto, Lisboa e Fundão.

A tecnologia é uma «ferramenta» altamente eficaz nas infeções hospitalares

O que são infeções hospitalares e qual o seu impacto na saúde dos portugueses?

Hoje utiliza-se o conceito mais abrangente de Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS), já que este problema não se limita ao meio hospitalar. Associadas ao aumento das Resistências aos Antimicrobianos (RAM) pelos microrganismos causadores de doença, são problemas relacionados e de importância crescente à escala mundial.

As IACS aumentam a morbilidade e a mortalidade, prolongam a duração dos internamentos e agravam significativamente os custos em saúde. Acentuando a pressão geradora da RAM pelo maior uso de antibióticos, inviabilizam a qualidade dos prestados e constituem a principal ameaça à segurança dos cidadãos.

De forma a prevenir a transmissão cruzada de microrganismos, de um portador são ou doente, para outro, de forma direta ou indireta, torna-se importante recorrer às “boas práticas”. Será suficiente? Onde entra o aqui o papel da tecnologia?

O Programa de Prevenção e Controlo da Infeção e Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), um programa prioritário da Direção Geral de Saúde (DGS), com uma direção nacional, assim como núcleos a nível regional e local em cada instituição de saúde, foi criado em 2013 pela fusão entre o Programa Nacional de Controlo da Infeção e o Programa Nacional de Prevenção da Resistência Antimicrobiana, surgindo como resposta à necessidade de uma abordagem integrada de ambos os problemas. O PPCIRA deu início à promoção das Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), implementando uma estratégia multimodal que traduz regras padronizadas de boas práticas a adotar por todos os profissionais na prestação de cuidados de saúde, a fim de minimizar o risco da transmissão cruzada da contaminação.

Constituindo as IACS um problema multifatorial, a tecnologia é uma “ferramenta” altamente eficaz como parte integrante de um bundle de estratégias que assentam naturalmente nas boas práticas de controlo de infeção.

A Biodecon – BDSD pretende assegurar uma abordagem integrada do controlo da contaminação ambiental através de uma seleção de soluções inovadoras. De que soluções falamos?

Tratam-se de soluções que visam o reset da situação de contaminação ambiental, erradicando os microorganismos causadores de infeção, a par da sua contenção, com soluções para o isolamento de doentes contaminados.

A Biodecon combina a melhor relação de eficácia e rapidez na erradicação de microrganismos patogénicos com uma tecnologia automatizada, segura e perfeitamente reprodutível, que usa Vapor de Peróxido de Hidrogénio (VPH) de elevada concentração (35%), um sistema de biodescontaminação ambiental que elimina bactérias, fungos e vírus, com validação de resultados comprovados por indicadores químicos e biológicos. Com recomendação de nível máximo pelo Rapid Review Panel do Department of Health do Reino Unido, esta patente já conta com mais de 14 anos de experiência em praticamente todo o mundo e inúmeras publicações que evidenciam a superioridade da sua eficácia e reprodutibilidade comparativamente a metodologias convencionais/manuais de descontaminação ambiental habitualmente utilizadas nos hospitais.

Em Portugal, a prestação de um serviço completo de biodescontaminação pela Biodecon às instituições de saúde públicas ou privadas, com equipas especializadas no uso deste equipamento, é não só utilizada para controlo de surtos, como, cada vez mais, numa base regular e programada. Deste modo, responde-se às necessidades e prioridades das áreas a intervencionar e reduz-se a carga microbiana ao longo do tempo, numa ação não só corretiva como proativa, que contribui para a diminuição das taxas de IACS.

Relativamente à contenção da infeção, comercializamos soluções inovadoras e custo-efetivas como estruturas com pressão negativa de fácil montagem e dimensão customizada para isolamento de doentes em espaços abertos como Enfermarias, Unidades de Cuidados Intensivos, Urgência ou outros Serviços. Com base na barreira física criada e sistema de filtragem de ar HEPA, estas estruturas de isolamento de contacto promovem a redução da contaminação cruzada e maximizam a flexibilidade da instituição para acomodar doentes de risco e/ou infetados.

Em termos de noções básicas para prevenir as IACS, qual é o grau de perceção que os cidadãos comuns têm?

As PBCI destinam-se a garantir a segurança dos cidadãos, dos profissionais de saúde e de todos os que entram em contacto com os serviços de saúde, pelo que devem ser seguidas por todos. Embora com episódios de surtos recentemente mais divulgados pelos meios de comunicação social, os cidadãos comuns possuem fraca perceção não só das noções básicas para prevenir as IACS, como da própria dimensão do problema. Um estudo amplamente divulgado, realizado em 2014 pelo PPCIRA/DGS em conjunto com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) analisou dados de 2010 a 2013 e demonstrou que o número de óbitos associados à infeção em internamento em Portugal é sete vezes superior às mortes causadas por acidentes de viação, sinistros de elevada perceção pelo cidadão comum, que provocam justificada consternação geral.

No entanto, a taxa de IACS é avaliada periodicamente através de estudos de prevalência.

Entre 2011 e 2012, Portugal participou no 1.º Inquérito Europeu de Prevalência de IACS e Uso de Antimicrobianos em hospitais de agudos coordenado pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). Este estudo apurou que 10,5% dos doentes internados em Portugal tinham adquirido infeção em internamento, o valor mais elevado da amostragem e praticamente o dobro da média europeia (6,1%). Na mesma população, em Portugal 45,3% dos doentes estavam a ser tratados com antibióticos enquanto na Europa essa percentagem era de 35,8%. Em 2016 foi realizado novo inquérito, que revelou valores tendencialmente favoráveis, sendo de 7,8% a prevalência das IACS.

A Biodecon disponibiliza serviços que pretendam desenvolver uma abordagem global do controlo de infeção. Como descreveria o risco existente em instituições dos quais a maioria das pessoas não se apercebe?

O risco efetivamente existe e é elevado pelos condicionamentos logísticos da sobrelotação das Unidades de Saúde, falta de capacidade de isolamento de doentes contaminados e restrições económicas que impedem a utilização regular de tecnologias de descontaminação ambiental mais inovadoras e eficazes. No entanto, há também excelente trabalho de controlo e prevenção desenvolvido pelos Grupos Coordenadores Locais do PPCIRA e profissionais de saúde em geral, evidenciado pelo aumento da adesão às PBCI com resultados francamente positivos e toda uma programação de atividades a realizar com objetivos bem definidos, com vista à diminuição das IACS e do consumo de antibióticos. Coordenados pelo PPCIRA, funcionam também regularmente programas de vigilância epidemiológica da incidência de IACS em rede europeia e nacional em Unidades de Cuidados Intensivos de adultos, infeção nosocomial da corrente sanguínea, infeção do local cirúrgico e infeção adquirida em Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais. Nos últimos anos tem-se assistido em Portugal a uma tendência global de diminuição da incidência das IACS que são alvo desta monitorizaçao.

Segundo um estudo da OCDE divulgado em novembro de 2018, mais de 40 mil pessoas podem morrer em Portugal na sequência de infeções por bactérias resistentes a antibióticos até 2050, estimando-se que morram acima de 10 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Como é que se pode inverter esta realidade?

É necessário reduzir a emergência de resistências a antibióticos, o que pode conseguir-se reduzindo o seu consumo. Este objetivo é atingível, promovendo o uso racional destes fármacos, não os utilizando quando não são necessários e utilizando apenas   quando estritamente indicados os antibióticos de espetro mais estreito possível, apenas durante o tempo necessário. O consumo inadequado de antimicrobianos é um dos principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento e aumento das resistências, tornando-se um efetivo desafio para a saúde pública.

A Organização Mundial da Saúde e a Comissão Europeia lançaram planos de ação junto dos cidadãos e profissionais de saúde para promover o conhecimento desta temática, havendo antibióticos alvo de vigilância através da rede nacional que colabora na rede de vigilância epidemiológica europeia de resistência aos antimicrobianos, enviando anualmente dados representativos da realidade portuguesa para o sistema European Antimicrobial Resistance Surveillance Network (EARS-Net), coordenado pelo ECDC.

#EUNÃOFUMO. Dia Europeu do Ex-Fumador comemora-se com esta campanha

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Trata-se da campanha “#EUNÃOFUMO”, especialmente dirigida aos adolescentes no Dia Europeu do Ex-Fumador, uma efeméride criada pela Comissão Europeia.

Numa nota sobre esta iniciativa, José Pedro Boléo-Tomé e Paula Rosa, coordenadores da Comissão de Trabalho de Tabagismo da SPP, mostram-se preocupados com alguns dos dados relativos ao consumo de tabaco pelos adolescentes: “preocupam-nos, sobretudo, o aumento do consumo na população dos 15 aos 24 anos, muito em especial nas raparigas, que é onde ocorre o aumento maior”.

Segundo os mesmos responsáveis, há ainda outros dados preocupantes, uma vez que aos 18 anos 62% dos jovens já experimentou tabaco, e 43% consumiu nos últimos 30 dias.

Perante esta realidade – e respondendo ao apelo de escolas e encarregados de educação – a SPP lançou a campanha “#EUNÃOFUMO” e enviou para várias escolas nacionais um vídeo sob a temática “o tabagismo na adolescência”.

Neste vídeo, produzido pela SPP, o médico pneumologista Bruno Von Amann aborda de uma forma clara as principais questões relativas ao consumo de tabaco nas camadas mais jovens.

Na quarta-feira, será ainda realizada uma sessão informativa na escola EB 2,3 de Marinhais onde, além da reprodução do vídeo, estará presente um médico pneumologista da SPP para esclarecer os alunos das suas principais dúvidas.

No entender dos coordenadores da Comissão de Trabalho de Tabagismo, este tipo de ação junto dos adolescentes assume uma grande importância porque “estes jovens vão ser os fumadores e doentes de amanhã”, “são muito permeáveis às novas estratégias de marketing das tabaqueiras” e ainda pouco foi feito para “inverter esse processo e criar uma geração livre de tabaco”.

Os médicos pneumologistas consideram ainda essencial dar atenção à questão emergente dos cigarros eletrónicos ou tabaco aquecido: “a experiência de outros países mostra que são produtos apelativos aos mais novos, que a experimentação tem aumentado significativamente e que funcionam como porta aberta para experimentar outros produtos, como o cigarro convencional ou outras drogas recreativas”.

A SPP, à semelhança da Entidade Reguladora da Saúde e da Organização Mundial de saúde, não recomenda a utilização de nenhum destes produtos, e manifesta “sérias preocupações em relação à sua evolução futura”.

José Pedro Boléo-Tomé e Paula Rosa reconhecem “haver muito trabalho a fazer, quer a nível da prevenção primária, como é o caso dos jovens, quer no tratamento dos fumadores, que devem ter mais fácil acesso a apoio especializado, a fármacos comparticipados e a consultas de cessação tabágica.

“O acesso ao tabaco também deve ser cada vez mais dificultado e desnormalizado. O Dia do Ex-Fumador deve ser um dia de esperança num mundo com ar mais puro, mais liberdade sobre a própria vida e mais saúde e bem-estar”, concluem aqueles pneumologistas.

LUSA

Comissão Europeia propõe fim de mudança de hora em 2019

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Comissão Europeia propôs acabar com as mudanças de hora sazonais na Europa em 2019, dando assim a hipótese aos Estados-membros para decidirem de vez se querem aplicar de forma permanente o horário de verão ou de inverno.

Os países europeus têm trocado entre o horário de verão e de inverno desde o início do século XX, quando as mudanças foram introduzidas de forma a poupar energia durante o verão. Mas nos anos mais recentes vários estudos têm questionado a eficácia dessa prática, bem como os efeitos que tem na saúde.

Caso o Parlamento Europeu apoie a proposta, a 31 de março de 2019 tem lugar a última mudança de hora a título obrigatório. Depois, para uma transição mais suave, os Estados-membros têm até abril do próximo ano para comunicar a sua preferência, e até 27 de outubro podem decidir se preferem o horário de verão ou de inverno. Depois desse momento, não podem voltar atrás.

O que significa que países que até agora partilhavam o mesmo fuso horário, como Portugal e o Reino Unido, por exemplo, podem passar a ter horas diferentes, e países com fuso horário diferente podem ter a mesma hora, como Espanha e Portugal.

Recorde-se que a ideia foi defendida pelo Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker durante o discurso sobre o Estado da União esta semana. “Os Estados-membros devem decidir por si próprios se querem que os cidadãos vivam no horário de verão ou no de inverno”, disse diante do Parlamento Europeu.

“Estamos a convidar os Estados-membros e os mercados a fazer as preparações necessárias para garantirem coordenação na matéria em toda a Europa”, referiu, por sua vez, a comissária europeia Violeta Bulc, durante a apresentação da proposta feita esta sexta-feira em Bruxelas. Já para o vice-presidente da Comissão Europeia,  Maros Sefcovic, “é tempo de parar de interferir no tempo”.

A proposta surgiu após uma consulta pública, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, que revelava que 84% dos cidadãos europeus eram a favor do fim da mudança de hora. Em Portugal mais de 70% dos inquiridos manifestaram a sua preferência pela hora de verão.

A proposta terá agora de ser votada pelo Parlamento Europeu e aprovada pelos líderes no Conselho Europeu.

LUSA

Bruxelas quer que navios passem a pagar uma taxa para tirar lixo do mar

Em entrevista ao jornal Público, Karmenu Vella disse que “será exigido a todos os navios que paguem uma taxa (de resíduos) indireta, que deverá ser paga independentemente da entrega, ou seja, dissociada dos volumes de lixo entregues”.

“Tal deverá incentivar os navios a entregar o seu lixo na costa e remover qualquer incentivo para que deitem o lixo ao mar. Para resíduos oleosos e efluentes a taxa indireta deverá ser pelo menos 30% dos custos totais das Instalações de Receção Portuária (o resto deverão ser taxas diretas), e para outros tipos de resíduos a taxa indireta deverá ser 100% dos custos”, explicou.

De acordo com o comissário europeu, “esta indireta de 100%, que também deverá ser aplicada a material de pesca e lixo pescado passivamente, dá aos navios um ‘direito de entrega’, isto é, as taxas diretas adicionais não se basearão nos volumes entregues”.

Questionado sobre se o esforço de limpar os oceanos e as praias será repartido, uma vez que muitos dos detritos que chegam às praias portuguesas vem de outros países, Karmenu Vella referiu a proposta europeia [apresentada em maio] “mudará essa realidade e garantirá que as empresas que produzem os artigos em plástico que mais acabam como lixo marinho participariam nesse esforço”.

“Dia 15 de setembro é o dia da limpeza mundial e tenho a certeza que terá muita participação em Portugal. Mas as limpezas não são suficientes para resolver o problema. Temos de atacar o problema desde a raiz e é isso que estamos a fazer com a estratégia para os plásticos e a iniciativa sobre plásticos de uso único [descartáveis]. Quando diminuirmos o uso insustentável de plástico, reduziremos a quantidade de plástico que acaba no oceano e começaremos a reverter a situação”, salientou.

Na entrevista, o comissário europeu destacou também que em 2030 todos os Estados-membros deverão reciclar 55% das suas embalagens de plástico e, nessa data, todas deverão ser facilmente recicláveis.

“Em relação ao conteúdo reciclado nos produtos, temos realmente uma estratégia voluntária no que diz respeito às empresas, encorajámo-las a que fizessem compromissos ambiciosos até ao fim de setembro”, disse.

O comissário disse também que as autoridades portuguesas vão utilizar o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas para apoiar seis projetos para a recolha do lixo do mar por pescadores e também para a remoção de material de pesca perdido e lixo marinho entre 2014-2020.

“Será importante partilhar informações sobre a experiência de implementar estes projetos com outros países que estejam a fazer operações semelhantes de forma a desenvolver melhores práticas”, realçou.

Karmenu Vella lembrou que a Comissão Europeia propôs que o material de pesca “fique sujeito à responsabilidade alargada do produtor, o que significa que os produtores de material de pesca serão responsáveis por criar sistemas de recolha do material danificado e em fim de vida e transportá-lo para instalações para o tratamento apropriado”.

“O governo português deve começar a pesquisar como tal pode ser feito”, disse.

A Comissão Europeia apresentou em maio, em Bruxelas, medidas para reduzir a poluição nos mares e oceanos e que incluem a proibição do uso de plástico em produtos como cotonetes, talheres, palhinhas e paus de balões, entre outros.

Estes produtos representam 70% dos resíduos marítimos na União Europeia (UE).

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Missão da Comissão Europeia vai ajudar Portugal na prevenção de fogos

missão, solicitada por Portugal através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (UE), vai contar com peritos em meteorologia, técnicos em comportamento do fogo e técnicos em prevenção de incêndios para apoiar as autoridades portuguesas na identificação de medidas preventivas que complementem os esforços nacionais em curso.

De acordo com a nota da Comissão Europeia, os peritos identificarão domínios críticos de intervenção e prestarão formação e aconselhamento às autoridades portuguesas, a fim de se prepararem para o verão, altura em que graves incêndios florestais são suscetíveis de afetar o país.

“É essencial reforçar a capacidade local para a preparação e prevenção de incêndios florestais para minimizar o impacto catastrófico dos incêndios florestais em países que são muitas vezes afetados, como Portugal. No ano passado, Portugal sofreu incêndios florestais mortíferos com dezenas de vítimas. Temos de trabalhar em conjunto para garantir que tal tragédia não se repita. A partilha de conhecimentos, de experiência e de saber-fazer ajudará a prevenção e a reagir melhor a situações semelhantes ao longo do próximo verão”, afirma, citado no comunicado, o comissário europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Christos Stylianides.

Os incêndios de junho e outubro de 2017 em Portugal causaram a morte de mais de uma centena de pessoas.

LUSA

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