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Já pensou nos serviços que a natureza presta “gratuitamente” à humanidade?

Inovação é a palavra de ordem na atividade da Biota, fale-nos um pouco sobre um dos vossos projetos.

É sempre difícil eleger um único projeto quando o portfólio já ultrapassa os 300. O crescimento de uma empresa é algo de multidimensional, multisetorial, daí vários projetos distintos terem sido muito importantes para o crescimento e consolidação da BIOTA. Para mencionar apenas um é incontornável a referência ao projeto de translocação de bivalves de água doce, pioneiro em Portugal, associado ao aproveitamento hidroelétrico do Baixo Sabor.

Que retrospetiva pode ser feita da presença da Biota no mercado e dos desafios enfrentados?

A BIOTA tem uma característica muito própria que é a sua capacidade de estabelecer colaborações e parcerias com entidades e pessoas muito diversas. Isso permite-lhe produzir soluções criativas porque consegue integrar uma diversidade que é crucial para lidar com a complexidade tipicamente associada à problemática da conservação da natureza e da biodiversidade. A crise económica em Portugal foi um dos desafios mais difíceis que foram superados. A internacionalização foi e é outro enorme desafio que temos abraçado, com a sua diversidade económica, cultural, etc. Sem dúvida uma experiência muito enriquecedora, inegavelmente decisiva para o nosso crescimento, a todos os níveis.

A empresa comemora este ano dez anos de atividade. Dez anos de Biota, dez anos de…?

…desafios. Claro, todas as empresas que comemoram uma década têm um portefólio de desafios superados! Como a BIOTA nasceu em tempos de crise económica, esse contexto imprimiu-lhe desde sempre uma elevada resiliência e capacidade de superação para ultrapassar obstáculos à medida que estes foram surgindo. Também se poderia falar em dez anos de colaboração, de sinergias, de uma maneira de estar que permite estabelecer pontes e parcerias. Vamos comemorar uma década de existência no próximo dia 17 de outubro e iremos realizar o Seminário 10 Anos BIOTA, com uma tarde de partilha de conhecimentos e experiências, com momentos de inspiração e networking, onde foram abordados temas como, por exemplo, o Turismo e o Património Natural, o futuro da Avaliação de Impacte Ambiental, o Capital Natural, a Sustentabilidade e a Importância do Networking.

A preservação ambiental é hoje, mais do que nunca, um dos desafios da sociedade. Que importância assume a consultoria ambiental?

A consultoria ambiental assume uma enorme importância para a preservação ambiental, e para a conservação da natureza e biodiversidade, em particular.

São as entidades que prestam consultoria que operam junto dos promotores de projetos, públicos e privados, que potencialmente têm ações mais impactantes no ambiente, contribuindo para tornar os seus projetos mais sustentáveis.

Urge, cada vez mais, consciencializar para a importância da gestão ambiental como uma oportunidade de crescimento económico sustentado?

Sem dúvida. E é nesse contexto que queremos trazer, no âmbito do nosso evento, o tema do Capital Natural, um conceito ainda pouco conhecido em Portugal, que se centra nessa problemática. Este conceito baseia-se na valorização dos serviços de ecossistemas que, de uma forma simplista, são os serviços que a natureza tem prestado “gratuitamente” à humanidade. Um exemplo muito conhecido é a polinização realizada pelas abelhas. Atualmente, nalguns países, já são realizados avultados investimentos em polinização “artificial” em consequência dos desequilíbrios ambientais causados pelo Homem, o que ilustra bem a importância deste serviço. Os serviços de ecossistemas podem ser quantificados e utilizados na tomada de decisão para evitar perdas de biodiversidade e promover o crescimento económico, em simultâneo com a preservação ambiental.

Em questões de preservação ambiental, Portugal é um país maduro?

Podemos dizer que caminha para a maturidade. Tal como o desenvolvimento dos jovens, a maturidade não é unidimensional, há muitas variáveis que influenciam esse percurso. Nalguns aspetos, Portugal apresenta bastante maturidade, noutros ainda tem um caminho importante a percorrer. Por exemplo, no que diz respeito ao enquadramento legislativo somos um dos países que mais se destaca a nível europeu. Mas se pensarmos em questões que se relacionam com a integração das preocupações de conservação da biodiversidade a nível transversal no contexto das atividades económicas, nomeadamente a nível de perceção, desenvolvimento e implementação, o panorama é muito heterogéneo.

 

“A liderança no feminino é uma realidade atual e crescente”

Edificada em 2005, a Ecosativa assume-se como um player relevante na dinâmica do projecto e da consultoria ambiental. De que forma é que tem sido realizado este trajecto e como colocam as vossas competências, técnicas e tecnologias ao serviço da sociedade, contribuindo para a conservação da natureza e biodiversidade e para a melhoria da qualidade do ambiente?
A Ecosativa teve início numa fase em que os projetos de produção com recurso a energia eólica se encontravam em franca expansão. Definimos como visão tornar-nos uma empresa de excelência no mercado, destacando-nos pela qualidade e rigor, pela competência da equipa técnica e confiabilidade.
Ao longo do tempo a aposta foi feita na diversificação de competências e serviços e na inovação, sempre orientada para a compatibilização das atividades económicas com os deveres de salvaguarda e conservação dos valores naturais, numa ótica de desenvolvimento sustentável.
Paralelamente promovemos e participamos em diversas ações orientadas para a sustentabilidade, numa lógica de colocar as nossas competências ao serviço da sociedade.

O que ganham aqueles que procuram os serviços «made in» Ecosativa? Quais são as vossas principais mais-valias?

Os nossos clientes salientam o bom relacionamento estabelecido, o empenho e compreensão das suas necessidades, a competência técnica e a confiança nos nossos serviços. A nossa atenção à constante dinâmica do mercado permite um enfoque no desenvolvimento de técnicas e soluções que melhor lhes permitem alcançar os seus objetivos.

Enquanto fundadora e líder deste projecto, que características aponta como mais-valias de uma liderança no feminino?

Tenho alguma dificuldade em apontar mais-valias da liderança feminina, já que considero que a chave do sucesso da Ecosativa não se esgota na sua liderança, mas sim resulta de uma equipa coesa, empenhada e motivada. Aspetos como uma maior sensibilidade humana contribuem para a coesão e foco da equipa nos objetivos e estratégia da empresa, mas esses dependem das características humanas e sociais do líder, não do género. Com efeito, alguns dos aspetos mais valorizados pela nossa equipa são a compreensão das suas necessidades individuais, incluindo as relacionadas com a compatibilização da sua vida laboral e pessoal, e uma maior informalidade do ambiente de trabalho.

Que análise perpetua da liderança no feminino nos dias que correm? Sente que ainda falta alterar muitos comportamentos, mentalidades e atitudes? Ao longo da sua carreira sente que o facto de ser Mulher foi motivo de algum cepticismo no âmbito da sua liderança?

A liderança no feminino é uma realidade atual e crescente. Este facto tem ocorrido de modo natural, resultando, por um lado, de uma maior afluência de mulheres ao ensino superior e, por outro, de uma educação para a autonomia mais igualitária.

Considero que houve já uma alteração de mentalidades e atitudes, que com o passar das gerações será cada vez mais evidente. Pessoalmente nunca senti qualquer ceticismo por a liderança da Ecosativa ser ocupada por uma mulher, nem nunca me senti em desvantagem por esse motivo.

Hoje, as mulheres ocupam cada vez mais cargos de chefia em diversas áreas. Que benesses trouxe este facto à sociedade? Quais são as principais características de uma liderança feminina?

A sociedade é constituída por homens e mulheres, pelo que quando a estrutura de uma empresa reflete essa composição da sociedade, poderemos ter um ambiente laboral mais propício à pluralidade, à criatividade e acima de tudo ao respeito pela individualidade. Este respeito estende-se aos interesses sociais e familiares, mas também à necessidade de autorrealização, motivação e crescimento como profissional.

Quais são os grandes desafios de futuro da Ecosativa?

A Ecosativa atingiu a sua maturidade, sendo hoje uma empresa de referência no mercado da consultoria ambiental. Nesta fase o grande desafio tem sido potenciar as competências e experiência adquiridas, cimentando projetos em parceria com as instituições públicas e privadas que constituem a nossa rede de colaboração, particularmente no contexto da sustentabilidade ambiental.

O que mais podemos saber sobre si? Quem é Teresa Saraiva, uma mulher na liderança?

Sou uma mulher irrequieta, sempre à procura de novos desafios e focada em objetivos. Sou mãe de duas meninas de dois e quatro anos e uma otimista por natureza.

O percurso profissional e pessoal, rico em diferentes experiências, constitui a base fundamental da minha ação como gestora. Nasci no Porto, onde estudei. Iniciei atividade ainda no decorrer da licenciatura, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Especializei-me em Ecologia Aplicada e Direção de Empresas. Profissionalmente colaborei com a EDP, o ICN, a SPEA (ONG) e o CEAI, antes de, em 2005, com 26 anos, ajudar a fundar a Ecosativa.

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