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É urgente uma resposta mais agressiva na gestão do risco cardiovascular em pessoas com diabetes

“Atualmente é muito clara a necessidade de gerir de forma mais agressiva o risco de doença cardiovascular nas pessoas com diabetes, visto que são as doenças cardiovasculares a causa mais comum de morte entre os adultos com diabetes”, alerta José Luís Medina, presidente do 2.º O Coração da Diabetes, encontro organizado pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que junta no Porto centenas de profissionais de saúde em torno das principais questões relevantes na diabetes e doenças cardiovasculares.

A segunda edição deste encontro nacional realiza-se a 22 e 23 de março na Fundação Engenheiro António de Almeida, centrando o debate na diabetes e na relação desta doença crónica com as doenças cardiovasculares e outras complicações, o seu peso na qualidade de vida dos doentes e cuidadores e para o próprio Estado e Serviço Nacional de Saúde.

A prevalência da diabetes tem vindo a aumentar nos últimos anos, o que realça a importância de diagnosticar e tratar a diabetes de forma adequada e explica o empenho da APDP na organização deste encontro.

“A diabetes afeta mais de um milhão de portugueses. 30% dos internamentos por acidente vascular cerebral (AVC) são em pessoas com diabetes e perto de 1/3 dos internamentos por enfarte agudo do miocárdio ocorrem em pessoas com diabetes. Não podemos ignorar esta doença nem as complicações a ela associadas”, afirma o endocrinologista.

O 2º O Coração da Diabetes vai juntar mais de 200 participantes, entre profissionais de endocrinologia, cardiologia, medicina interna e medicina geral e familiar, as áreas que mais lidam com o flagelo da diabetes e das suas complicações.

“Apesar dos progressos já alcançados na gestão dos níveis glicémicos e no tratamento dos fatores de risco cardiovascular, a taxa de mortalidade em pessoas com diabetes tipo 1, por exemplo, ainda é elevada”, explica José Luís Medina, acrescentando que “por se manifestar mais cedo na vida do doente [por exemplo em criança ou adolescente] na diabetes tipo 1 as complicações vasculares começam a desenvolver-se cedo, logo no início da doença, embora se manifestem depois na idade adulta”. Os temas a abordar no encontro têm uma relação direta com a prática clínica, procurando respostas para as importantes questões que assolam médicos e doentes na gestão da diabetes e das complicações a ela associadas. Obesidade, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, cirurgia bariátrica como meio de proteção vascular, síndrome metabólica na mulher e biomarcadores e outras formas de diagnóstico em doentes sem sintomas são alguns dos temas em foco neste encontro.

A diabetes é hoje uma das principais causas de morte, principalmente por implicar um risco significativamente aumentado de doença coronária e de AVC. Em 2014 a diabetes representou cerca de oito anos e meio de vida perdida por cada óbito por diabetes na população com menos de 70 anos.

Sobre a APDP

Fundada em 1926, a APDP é a associação de pessoas com diabetes mais antiga do mundo. Com cerca de 15 mil associados, desenvolve a sua atividade na luta contra a diabetes e no apoio à pessoa com esta doença, tendo sempre como meta a integração das pessoas com diabetes enquanto elementos ativos na sociedade. A APDP tem sido pioneira na prevenção, na educação e no acompanhamento personalizado. Conhecer melhor a doença e explorar novas formas de tratamento são os seus principais objetivos, a par da criação de estruturas capazes de dar resposta aos diversos problemas que envolvem a diabetes. www.apdp.pt

Boas práticas na indústria da saúde animal em debate

Graça Mariano, Sub-Diretora Geral da DGAV e uma das oradoras deste seminário, explica que “a compliance é o conjunto de ferramentas que permitem cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para as atividades da instituição, bem como evitar, detetar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.” Em Portugal, a DGAV é a entidade responsável por fazer cumprir estas regras, através de um “conjunto de ações levadas a cabo para garantir a compliance, que implicam interações com os operadores do setor no ciclo de vida pré e pós autorização do medicamento veterinário, quer por inspeções, quer por supervisão do medicamento veterinário (qualidade, publicidade, dispensa).” Assim, os principais objetivos da compliance na saúde animal são, fundamentalmente, garantir a “conformidade com padrões legais e científicos estabelecidos e o tratamento de animais conforme exigido pelo público.”

Roxanne Feller, Secretária-Geral da AnimalhealthEurope, irá marcar presença também como oradora neste seminário, apresentando uma análise sobre as principais mudanças que a nova legislação veterinária europeia, recentemente aprovada, trará consigo e que foi influenciada pela visão ‘One Health’, “um triângulo composto pela saúde animal, saúde humana e ‘saúde’ do meio ambiente”, onde “cada ângulo é essencial e interdependente com o outro”, explica. Sobre o impacto desta nova legislação no medicamento veterinário, Roxanne Feller afirma que “um dos principais objetivos da nova legislação é garantir a disponibilidade de medicamentos para manter os animais saudáveis e abordar a resistência aos antibióticos e a sua ameaça à saúde humana, entre outros.” A Secretária-Geral da AnimalhealthEurope faz ainda referência a “outras atualizações, que incluem impactos positivos para a indústria de saúde animal em termos de inovação e disponibilidade de medicamentos.”

Neste sentido, o Presidente da APIFVET afirma que “a Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários  tem vindo, ano após ano, a consolidar as boas práticas, nomeadamente, no fabrico, no armazenamento e no transporte. Esta evolução é também consequência da evolução da legislação, em que o regulamento europeu recentemente aprovado é espelho disso.” Por isso mesmo, este seminário, que terá lugar no Anfiteatro B da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, será “uma excelente ocasião para falar sobre este tema aos nossos associados e parceiros do setor”.

A habitação em Portugal em debate na AICCOPN

A Lei de Bases da Habitação será apresentada pela sua Responsável, a Deputada Helena Roseta que integra o painel “ A Política da habitação em Portugal”, juntamente com as autarquias do Porto, Guimarães e Viana do Castelo, através dos respetivos Vereadores do Urbanismo, Pedro Baganha, Seara de Sá e Luís Nobre, respetivamente, e também do Administrador da Viseu Novo SRU, Fernando Marques.

Nesta conferência, será divulgado o Estudo Prospetivo do Mercado “R.U.-I.S. REABILITAÇÃO URBANA INTELIGENTE E SUSTENTÁVEL”, que será apresentado pelos respetivos Coordenadores, Isabel Breda Vazquez e Paulo Conceição, ambos Professores da FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

O Acesso aos programas de Financiamento da Reabilitação Urbana será outro painel da iniciativa, que contempla a apresentação do PROGRAMA CASA EFICIENTE 2020, dinamizado pela CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, que visa conceder empréstimo, em condições favoráveis, a operações de reabilitação. O painel conta ainda com as intervenções das Instituições Financeiras Aderentes, designadamente a Caixa Geral de Depósitos, o Millennium BCP e o Novo Banco.

A Conferência contempla ainda o IFRRU 2020 – Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização, cuja apresentação está a cargo do Presidente da Comissão Diretiva da Estrutura de Gestão do IFFRRU 2020, Abel Mascarenhas, e de António Fontes, da Direção de Coordenação Fomento à Construção do Santander Totta, instituição financeira aderente.

Neste evento será, ainda, apresentado o PORTAL R.U.-I.S: Reabilitação Urbana Inteligente e Sustentável, seguindo-se a entrega de Diplomas às Empresas Qualificadas R.U.-I.S..

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A cultura não é um “incómodo”, mas tem de passar a ser

© Global Imagens

debate, que decorreu na noite de terça-feira, no Teatro da Cerca de São Bernardo, tinha como mote a pergunta ‘A cultura é um incómodo?’, numa alusão às declarações da diretora regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, que, em março, elogiou uma companhia de teatro de Leiria por viver “sem pedir dinheiro, não incomoda a administração central”.

“Estou completamente de acordo com a diretora regional da Cultura. A cultura não é suficientemente um incómodo e daí estarmos aqui”, vincou a jornalista Cláudia Galhós, uma das participantes.

A jornalista notou que “não há perturbação suficiente” para a cultura ser “um incómodo”, num momento em que parece não haver tutela, por tudo ser “remetido para uma lógica de finanças”.

Também a diretora da Produções Independentes e presidente da REDE – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, Tânia Guerreiro, sublinhou que uma forma de trabalhar “que não choca” é “nula”, defendendo uma reação do setor.

“Se a cultura não incomoda, devíamos estar incomodados e devíamos reagir”, apontou.

Para a presidente da cooperativa Bonifrates, Cristina Janicas, que estava na plateia, chegou o momento de as estruturas deixarem apenas de “espernear um bocadinho” e passarem a incomodar, numa reação conjunta.

“Está-me a incomodar que as estruturas culturais tenham optado por incomodar cada vez menos”, sublinhou.

Durante o debate, criticou-se a falta de financiamento no setor por parte do Estado, a ausência de transparência na avaliação dos projetos que se candidatam, bem como a postura que o Governo teve ao longo dos protestos contra o modelo de apoio às artes.

“O problema não está resolvido”, notou Pedro Rodrigues, da direção da Escola da Noite. Além de ter de aumentar o orçamento para a cultura, o Governo tem de “deixar-se de tiradas demagógicas e populistas que apenas reforçam a ideia da subsidiodependência”, disse.

O produtor criticou ainda a forma como o atual modelo foi imposto pelo Governo, ignorando as propostas do setor. O mesmo volta agora a acontecer, constatou, ao recordar que o Ministério da Cultura anunciou na terça-feira a apresentação, a 05 de junho, de uma proposta de alteração do modelo de apoio às artes, sem ter havido uma discussão pública.

Para o vereador da oposição da Câmara de Coimbra José Manuel Silva, o incómodo tem que ter “uma tradução pública”.

“Se esta discussão não sair daqui é irrelevante”, notou.

Neste sentido, ao longo do debate, sugeriu-se uma paragem do setor, a união – que admitiram ser difícil – e mais luta.

“Estamos muito longe de encontrar alguma coisa que incomode de facto”, referiu Tânia Guerreiro, lançando dúvidas sobre as consequências do debate, como este realizado em Coimbra, em que se está a “convencer os convencidos”.

A resposta que o Governo deu às críticas “estimulou um certo ‘reencapsulamento’ das estruturas”, observou o docente universitário e encenador João Maria André, salientando que, depois de alguns protestos, não se pode parar.

“Eu, enquanto cidadã, tenho direito a saúde, a educação, a casa, a cultura, a emprego. As pessoas têm que perceber que não é mais dinheiro para a cultura, mas para si própria, a sociedade e o país a que têm direito”, vincou a jornalista Cláudia Galhós.

Também Pedro Rodrigues sublinhou a necessidade da afirmação da cultura enquanto direito social, considerando ser preciso acrescentar a cultura à paz, ao pão, à habitação, à saúde e à educação, que Sérgio Godinho canta em ‘Liberdade’.

“A culpa não é do Sérgio Godinho, é nossa”, concluiu.

LUSA

“Responsabilidade” foi a palavra escolhida por Costa

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, disse hoje que, como eleito e em nome da sua bancada, assumia a “responsabilidade política” e pedia desculpas aos portugueses, desafiando Costa a fazer o mesmo: “Senhor primeiro-ministro, já está em condições de pedir desculpa a todos o país?”.

“Não vou fazer jogos de palavras, se quer ouvir-me pedir desculpas, eu peço desculpas”, respondeu António Costa.

O primeiro-ministro salientou que, se não o fez antes, “não é por sentir menor peso” na sua consciência.

“No meu vocabulário reservo a palavra desculpa para a minha vida privada, enquanto primeiro-ministro uso a palavra responsabilidade e sempre disse que assumiria todas as que viessem a ser demonstradas”, disse.

António Costa disse ter a certeza que viverá com “o peso na consciência” pelos mais de 100 mortos nos incêndios deste verão, tal como ainda sente pelo inspetor da Polícia Judiciária que morreu quando era ministro da Justiça ou por agentes da PSP e bombeiros falecidos quando era ministro da Administração Interna.

“Eu não me escudo nos outros, assumo as minhas responsabilidades como primeiro-ministro e peço sempre desculpa como cidadão”, afirmou.

Na resposta, Hugo Soares saudou o pedido de desculpas, mas lamentou que só o tenha feito hoje.

“Deve e devia um pedido de desculpas ao país e já devia ter assumido a sua responsabilidade”, considerou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos (mais de uma dezena dos quais graves), além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.

“Falhanço do Estado” é tema discutido hoje no Parlamento

O PS, que abrirá o debate, indicou como tema as “questões sociais e económicas”, o BE optou pelas “políticas sociais, economia e relações internacionais” e o CDS-PP pelas “políticas de soberania, sociais e económicas”.

O debate quinzenal com António Costa acontece um dia depois de os democratas-cristãos terem anunciado que vão apresentar uma moção de censura ao Governo em resultado dos incêndios e devido à falha em “cumprir a função mais básica do Estado: proteger as pessoas”.

Também na quarta-feira, numa declaração ao país, o Presidente da República falou dos fogos, advertindo que usará todos os seus poderes contra a fragilidade do Estado que considerou existir face aos incêndios que mataram mais de 100 pessoas desde junho e defendeu que se justifica um pedido de desculpa.

Na declaração ao país, feita a partir da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, sobre os incêndios que deflagraram no domingo, Marcelo Rebelo de Sousa considerou ainda que é essencial o parlamento clarificar o seu apoio ao Governo, face à moção de censura do CDS-PP, para “se evitar um equívoco” ou “reforçar o mandato para as reformas inadiáveis”.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu também que se houver margens orçamentais, deve ser dada “prioridade à floresta e à prevenção dos fogos, considerando que esta “é a última oportunidade” para se agir nesta matéria.

As centenas de incêndios que deflagraram, no domingo, no Norte e Centro de Portugal, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e 71 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.

Ao debate quinzenal, seguir-se-á o debate com António Costa preparatório do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em Bruxelas.Sobre esta reunião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que Portugal defende que o Conselho Europeu dê um “sinal político de empenhamento” da União Europeia a 27 e do Reino Unido em avançar com as negociações do ‘Brexit’.

Lusa

Marcelo, Sampaio e Guterres chegam juntos a pé à sede das Nações Unidas

Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio e Guterres – que há 20 anos se cruzaram no palco da política nacional, respetivamente, como líder do PSD, Presidente da República e primeiro-ministro – encontraram-se hoje à porta do hotel onde estão instalados, no coração de Manhattan, num dia de chuva, perto das 08:15 (13:15 em Lisboa).

O Presidente da República deu um abraço a António Guterres, depois de reafirmar aos jornalistas que “seria muito estranho” se aparecesse neste momento “qualquer outra candidatura de última hora” a secretário-geral da ONU que não se submeteu aos debates e votações já realizados.

“Estamos muito serenos, muito calmos, aguardando com uma boa expectativa a votação de dia 26”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa abraçou também Jorge Sampaio, que integra a sua comitiva oficial nesta visita, e em seguida os três caminharam, à conversa, numa curta deslocação até ao edifício sede da ONU, para participar numa reunião de alto nível sobre migrantes e refugiados.

O Presidente da República seguiu no meio, de braço dado com Jorge Sampaio, com António Guterres à sua esquerda. Junto a eles, estava também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. Atrás, vinha a restante delegação portuguesa.

A comunicação social tentou abordar António Guterres, mas o ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados não mostrou vontade de falar.

Os refugiados são um dos temas na agenda desta semana em que se reúnem em Nova Iorque chefes de Estado e de Governo dos 193 Estados-membros da ONU.

“Falarei em nome de Portugal para explicar o que Portugal tem feito nos vários domínios, quer no quadro europeu, mostrando uma disponibilidade superior àquilo que era a sua quota, quer fora do quadro europeu, no contributo para organizações internacionais”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito da reunião de alto nível de hoje.

Jorge Sampaio, que atualmente preside à Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, vai participar com Marcelo Rebelo de Sousa nesta reunião e também numa cimeira sobre refugiados organizada pelo presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, na terça-feira.

Parlamento começa debate do Orçamento na especialidade

Depois de na sexta-feira ter terminado o prazo para que os diferentes grupos parlamentares apresentassem propostas de alteração ao OE2016, iniciam-se hoje as discussões tanto da proposta de lei apresentada pelo Governo como das propostas de alteração.

O partido que apresentou mais propostas de alteração foi o PS, com mais de 60 entradas, seguindo-se o BE (com pouco mais de 50), o PAN (cerca de 30), o PCP (com 29), o PEV (com 16) e o CDS (com 14).

Pelo grupo parlamentar do PSD não entrou qualquer proposta de alteração, tendo no entanto os três deputados eleitos pela Madeira apresentado 12 propostas de alteração.

O PS garantiu que as suas propostas de alteração “não têm um impacto financeiro e salvaguardam o equilíbrio das contas públicas” e manifestou também abertura para aprovar algumas das alterações pedidas, inclusive pelo CDS-PP.

Entre as propostas apresentadas pelo BE estão as iniciativas relativas aos aumentos de Complemento Solidário para Idosos (CSI), ao abono de família, ao alargamento da tarifa social de energia, à manutenção das amas familiares enquadradas pela Segurança Social e também outras oito relacionadas com pessoas com deficiência.

Do lado do PCP, entre as propostas de alteração à lei orçamental estão algumas medidas relacionadas com desempregados, os manuais escolares, a redução da taxa máxima de IMI e a reversão de Parcerias Público-Privadas.

Os Verdes querem que a isenção de IMI deixe de estar condicionada à inexistência de dívidas ao fisco ou à Segurança Social mas também que a aquisição de bicicletas tenha IVA a 13% e que o leite sem lactose passe a constar do programa de leite escolar.

O partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN) defende a dedução das despesas com animais no IRS ou o fim do pagamento de portagens para carros elétricos, bem como a introdução de várias deduções em sede de Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares, nomeadamente com encargos com animais e para promover a sustentabilidade ambiental.

Finalmente, o CDS-PP avançou com algumas propostas simbólicas de alteração, que “sinalizam um caminho diferente”, como a eliminação do aumento do imposto sobre combustíveis.

A proposta de OE2016 foi aprovada na generalidade a 23 de fevereiro com os votos favoráveis do PS, do Bloco de Esquerda (BE), do PCP e partido ecologista ‘Os Verdes’ (PEV), com a abstenção do PAN e com votos contra de PSD e CDS-PP. A votação final global está agendada para 16 de março.

Interesses e corrupção dominaram o último debate rumo a Belém

Palácio de Belém

Os candidatos presidenciais estão esta noite frente a frente naquele que é o primeiro debate entre todos os candidatos à presidência da República na televisão, à excepção de Maria de Belém devido ao falecimento de Almeida Santos.

Coube a Henrique Neto abrir o debate. O candidato começou por criticar a “promiscuidade” entre partidos políticos e negócios. Enquanto Jorge Sequeira definiu que todos os candidatos como “pessoas corajosas” que decidiram “sair da sua zona de conforto” para fazer algo pela felicidades dos portugueses. Felicidade essa que, na sua opinião, não contempla apenas interesses económicos.

Também Paulo Morais agarrou na sua bandeira de campanha para fazer referência aos interesses, garantindo que “nem todas as pessoas têm um preço pelo qual se vendem”. Esta ideia, referiu, foi “a desculpa arranjada pelos sistemas para justificar a sua própria atividade. Os políticos além de se venderem, vendem-se muito barato”, atirou o candidato, que defende também que é preciso pôr fim aos candidatos que tudo prometem em campanha e que depois nada fazem estando no poder. Paulo Morais salientou que nem todos os poíticos são corruptos, “mas aqueles que o são, são os que mais dominam”, como é o caso dos dirigentes nacionais.

Marisa Matias trouxe para o debate a cooperação, defendendo que as tropas portuguesas “em qualquer circunstância” não devem ir para a guerra e que a violência deve ser evitada.

Henrique Neto, por sua vez, considerou que são os “sistemas e partidos políticos disfuncionais” que estão na génese da situação a que o país chegou e que tem obrigado os portugueses a “grandes sacrifícios”. E diz-se disposto a  tudo fazer pela felicidades dos mesmos.

O regresso das 35 horas semanais
Sampaio da Nóvoa foi o primeiro a pronunciar-se e referiu que considera natural que se reponham alguns aspectos que haviam sido retirados nos últimos anos. Já Vitorino Silva considerou que as regras devem ser iguais para o público e privado.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a medida reposta por António Costa é o cumprir da palavra e uma tentativa de “reparar” aqueles que foram mais afetados nos últimos anos. “Desde que não haja uma derrapagem, e o primeiro-ministro garante que não, eu não vejo razão para um futuro Presidente da República não acreditar no primeiro-ministro”, afirmou. Também Henrique Neto disse concordar com a medida “porque é um direito já adquirido” mas alega que é ainda necessário que “a economia portuguesa tenha coragem para pagar melhor”.

Já Vitorino Silva disse ter “vergonha” de que os funcionários públicos trabalhem 35 horas e os trabalhadores do privado 40 horas. Para Tino de Rans, ambos deveriam trabalhar o mesmo número de horas por semana. Já Jorge Sequeira afirmou que o preponderante “é trabalhar muito é trabalhar bem” e porque na sua opinião o “país não tem sido bem orientado” quer ser um “auditor da governação”.

A isto Paulo Morais acrescentou, recuperando a sua bandeira de campanha, que “demitiria um Governo” que não cumprisse “as promessas eleitorais”.

Apoios partidários
Marisa Matias “recusou” durante o debate ser a única candidata com apoio partidário, pois segundo a própria “não há um único candidato que não tenha tido um envolvimento com um partido”. “Todos têm apoios partidários. Todos os Presidentes da República que tivemos até hoje foram eleitos com apoio partidário. Isso não significa ser bom ou mau Presidente. Quando chegarmos a Presidente é claro que o compromisso é cumprir a Constituição, mas temos que mostrar a nossa cara e quais são as nossas posições”, defendeu a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.

Já Edgar Silva, que tem também o apoio assumido do PCP, disse que esse apoio funciona como um “certificado de garantia”. “Garante que em qualquer circunstância, sempre que esteja em causa a defesa dos interesses dos trabalhadores, [o partido] nunca hesitará”, afirmou, considerando que o partido faz também parte da sua identidade.

Já Cândido Ferreira decidiu reforçar que é um candidato independente e não é “o pau mandado de ninguém”.

Subvenções vitalícias
A decisão do Tribunal Constitucional sobre subvenções vitalícias foi criticada no debate entre candidatos presidenciais, com Marcelo a considerar difícil de entender em termos de justiça social e Henrique Neto e Vitorino Silva a falarem em “vergonha”.

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda Marisa Matias foi a primeira a levantar o tema para criticar o silêncio dos outros candidatos. Marisa Matias atribuiu esse silêncio aos apoios de Sampaio da Nóvoa, de Marcelo Rebelo de Sousa e da candidata Maria de Belém Roseira, que constam da lista dos deputados que pediram ao Tribunal Constitucional (TC) que fiscalizasse uma norma que impunha uma condição de recursos aos casos em que a subvenção ainda é atribuída, porque são anteriores à sua eliminação, pelo Governo de José Sócrates.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que sempre foi crítico das subvenções vitalícias e considerou que a decisão do TC “é difícil de aceitar do ponto de vista da justiça social”, já que há também outras expectativas jurídicas que devem ser protegidas e deu o exemplo dos trabalhadores de transportes públicos de Lisboa, a quem foram cortados complementos de reforma.

Sampaio da Nóvoa não se pronunciou sobre as subvenções no debate, mas no final, declarou na RTP 3 que bater-se-á “para que acabe a subvenção vitalícia do Presidente da República e se os deputados não concordarem renunciarei a ela”.

Edgar Silva recordou que na segunda-feira criticou a decisão do TC mas não se alongou em considerações.

Henrique Neto quis fazer suas as palavras de Marisa Matias “contra a vergonha da subvenção vitalícia” e atirou de seguida às despesas da Presidência da República que, citando o Tribunal de Contas, “não seguem o que a lei manda e há muitos anos”.

Vitorino Silva preferiu dirigir a sua indignação em forma de pergunta: “Subvenções vitalícias? Eu tinha vergonha. Doze anos no parlamento? Eu tinha vergonha”, declarou.

Já Cândido Ferreira considerou que “é impossível os portugueses entenderem” a questão das subvenções” e declarando que “os portugueses não aceitam isso” passou a debater outras matérias.
O candidato Jorge Sequeira não se pronunciou sobre o tema.

Promessas para futuro
Relativamente ao futuro e perante a possibilidade de assumirem a presidência da República, os candidatos falaram nas suas ambições enquanto chefes de Estado.

Sampaio da Nóvoa negou as semelhanças que lhe têm sido apontadas em relação a Cavaco Silva. “Julgo que tudo o que tenho dito é o oposto dos dez anos de Cavaco Silva na Presidência”, salientou, considerando que é Marcelo o candidato que mais representa a continuidade.

Já Vitorino Silva salientou a importância de um presidente que esteja mais perto do povo e que saiba ouvir o que este precisa. Entre críticas ao facto de não ter tanto tempo de antena e de estar farto das “intrigas” que alimentaram o debate, o famoso Tino de Rans defendeu que mais candidatos deviam, por exemplo, dormir na rua com os sem-abrigo como ele fez.

Marisa Matias defendeu a necessidade “de uma nova geração de políticas que envolva toda a gente”.

Henrique Neto defendeu que o Presidente da República pode ter um maior papel no combate à corrupção. Tendo Edgar Silva reforçado que não é preciso só falar do assunto, mas apresentar meios e uma estratégia para a combater.

Nunca um debate PCP/Bloco foi tão agressivo

Marisa Matias

A agressividade parece refletir diretamente o mal-estar entre as duas forças, o qual já se tinha sentido durante as negociações da plataforma política com o PS.

Foi Marisa Matias a abrir as hostilidades dizendo ter achado “estranho” e até “surpreendente” que Edgar Silva tivesse dito que daria o “benefício da dúvida” ao orçamento retificativo feito para acomodar a resolução do Banif.

Edgar Silva
Edgar Silva

O candidato comunista respondeu tenso insinuando ignorância constitucional da candidata do BE : “É não conhecer a Constituição da República [dizer] que nunca se colocaria a assinatura [nesse orçamento]”.

O debate decorreu sempre tenso e no fim o candidato do PCP aproveitou uma pergunta sobre o euro para dizer que essa é uma área em que o seu pensamento “é muito diferenciado” do do BE – porque os comunistas põem claramente em cima da mesa a hipótese de Portugal sair, ao contrário dos bloquistas.

Pelo meio, Edgar escusou-se a qualificar a Coreia do Norte como uma “ditadura” enquanto Marisa o fez.

O candidato do PCP tentou também pôr em dúvida que, em Bruxelas, Marisa Matias tenha votado contra a invasão da Líbia.

“Votei contra e o voto foi nominal”, respondeu a eurodeputada. “Convém verificar”, retorquiu Edgar.

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