Inicio Tags Desnutrição

Tag: Desnutrição

Fome aumentou novamente no mundo após mais de dez anos a diminuir

A child awaits for the distribution of meals by WFP (United Nations World Food Programme) in a make-shift camp in Jacmel January 28, 2010. An earthquake on January 12 killed some 200,000 people and devastated the impoverished country. REUTERS/Marco Dormino/UN/MINUSTAH/Handout (HAITI - Tags: DISASTER SOCIETY) FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS

O estudo sobre a segurança alimentar mundial refere que o aumento de 38 milhões de pessoas com fome o ano passado se deve “em grande parte à proliferação dos conflitos violentos e aos desastres climáticos”.

O relatório é publicado por três agências da ONU, a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Alimentar Mundial (PAM), a que se juntaram pela primeira vez o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

No total, cerca de 155 milhões de crianças menores de cinco anos registam atrasos de crescimento devido à fome, segundo o relatório.

A maior proporção de crianças com fome ou desnutridas concentra-se em zonas de conflito.

O relatório considera preocupante, por outro lado, o facto de 41 milhões de crianças menores de cinco anos ter excesso de peso, o que aumenta o risco de obesidade e de doenças na idade adulta.

“Estas tendências são uma consequência não apenas dos conflitos e das alterações climáticas, mas também das mudanças profundas dos hábitos alimentares” e da pobreza ligada à “desaceleração económica”, refere um comunicado com uma síntese do relatório.

Segundo as agências da ONU, 520 milhões de pessoas com fome encontram-se na Ásia, 243 milhões em África e 42 milhões na América Latina e Caraíbas.

De acordo com aqueles números, 11,7% da população asiática passa fome, assim como 20% da africana e 6,6% da da América Latina e Caraíbas.

Dos 815 milhões de pessoas com fome no mundo em 2016, 489 milhões viviam em países afetados por conflitos.

Mais de 240 mil crianças sofrem de desnutrição aguda na Nigéria

De acordo com os números da agência das Nações Unidas para a Infância, das 244 mil crianças que sofrem de desnutrição aguda grave no estado de Borno, no nordeste do país, quase 50 mil podem morrer se não receberem tratamento imediato.

“134 crianças morrerão em média por dia por causas relacionadas com a desnutrição aguda, se a resposta não aumentar rapidamente”, advertiu o diretor regional da Unicef para a África Ocidental e Central, Manuel Fontaine, num comunicado, citado pela agência espanhola Efe.

Fontaine, que acaba de visitar a região, pediu a colaboração da comunidade internacional, sublinhando a “necessidade” de “todos os aliados e doadores” darem “um passo em frente para evitar que morra mais uma criança sequer”.

De acordo com a Unicef, a crise alimentar na região torna-se mais visível à medida que as tropas da força multinacional vão recuperando o controlo de territórios em poder do Boko Haram e estes se tornam acessíveis à ajuda humanitária.

Os locais que agora estão acessíveis apresentam um panorama desolador, com cidades completamente destruídas que acolhem pessoas deslocadas, sem acesso a condições adequadas de higiene, água ou alimentos.

O diretor regional da UNICEF advertiu que a situação irá piorar nos próximos meses, uma vez que as organizações humanitárias ainda não têm acesso a quase dois milhões de pessoas que vivem em áreas pouco seguras.

Nos sete anos que dura o conflito, o grupo terrorista Boko Haram assassinou mais de 12 mil pessoas, de acordo com estimativas governamentais, obrigando mais de 2,5 milhões de pessoas a abandonar as suas casas.

Obesidade matou 210 pessoas e desnutrição causou a morte a 71 em 2013

De acordo com o relatório “Portugal — Alimentação Saudável em Números 2015”, que é hoje apresentado em Lisboa, registou-se um “forte crescimento do número de utentes com registo de obesidade e excesso de peso (embora desigual por região) que poderá ser devido a diferentes fatores, entre eles uma maior atenção dos profissionais de saúde a este fenómeno”.

O documento indica que, em 2014, existiam 620.769 utentes com registo de obesidade. No mesmo ano, eram 497.167 os utentes com registo de excesso de peso.

De acordo com a Direção Geral da Saúde (DGS), “a questão das desigualdades sociais e o seu impacto no acesso e consumo adequado de alimentos e consequentemente no estado de saúde dos indivíduos parece assumir uma importância ainda maior no atual contexto de crise económica que se faz sentir na Europa e em particular em Portugal”.

“É de esperar que a atual situação de instabilidade económica, caracterizada pelas elevadas taxas de desemprego, aumentos consideráveis ao nível da carga fiscal com impacto também no que se refere ao preço dos alimentos e a redução de salários e dos apoios sociais prestados pelo Estado, tenha um impacto considerável nos índices de pobreza e desigualdades sociais em Portugal”, lê-se no sumário da publicação.

O mesmo relatório refere que “Portugal mantém-se como um dos países europeus com maior desigualdade na distribuição de rendimento e taxas mais elevadas de risco de pobreza monetária, tendo nas últimas décadas a taxa de pobreza mantido um nível elevado e relativamente estável”.

“É expectável que um período marcado por crescentes desigualdades na distribuição de rendimento e por elevadas taxas de pobreza tenha um significativo impacto no consumo alimentar e estado de saúde da população portuguesa, podendo estar comprometida a garantia da segurança alimentar (food security) para um número elevado de agregados familiares portugueses, isto é, a garantia do acesso a alimentos em quantidade suficientes, seguros e nutricionalmente adequados”, prossegue o documento.

Os autores do documento consideram que, tendo em conta que “a obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável”, o ” investimento na prevenção e promoção de hábitos alimentares saudáveis é decisivo quando mais de 50% dos adultos Portugueses sofre de excesso de peso”.

“A promoção de hábitos alimentares saudáveis exige trabalho concertado com outros setores a médio prazo. Os serviços de saúde necessitam de se preparar melhor para lidar de forma integrada com outros setores da sociedade na prevenção da pandemia da obesidade e na promoção de hábitos alimentares saudáveis”, lê-se nas recomendações que constam do relatório.

A DGS sublinha que “a alimentação de má qualidade afeta com maior intensidade crianças, idosos e os grupos socioeconomicamente mais vulneráveis da nossa população, aumentando as desigualdades em saúde. O investimento na promoção de hábitos alimentares deverá permitir reduzir desigualdades em saúde”.

No entanto, este organismo refere que “a estabilização do crescimento da obesidade e do aumento do peso corporal, medido através do Índice de Massa Corporal, registado pelas crianças portuguesas nos últimos quatro anos é um dos marcos assinalados pelo relatório”.

“Ainda assim, a proporção de crianças com excesso de peso em Portugal, acima da média europeia, e a sua relação com as desigualdades sociais, mantêm-se no topo das preocupações do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável”, indica a DGS.

Entre os vários dados que constam do documento, a DGS destaca o facto de “os hábitos alimentares inadequados dos portugueses constituírem o primeiro fator de risco de perda de anos de vida”.

“Estudos internacionais apontam a má alimentação como responsável por 11,96% do total de anos de vida prematuramente perdidos pelas mulheres portuguesas, percentagem que sobe para 15,27% no sexo masculino. A obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável”, lê-se no sumário da publicação.

 

Um milhão de crianças com desnutrição grave na África Oriental e Austral, alerta UNICEF

As crianças das regiões leste e sul do continente enfrentam uma situação de falta de alimentos e de água, agravada pelo aumento dos preços, que força as famílias a saltarem refeições e a venderem os bens que têm para adquirir alimentos.

A “desnutrição aguda grave” é definida como fome extrema e é a principal causa de morte das crianças até aos 5 anos no mundo, segundo a UNICEF.

Angola é um dos países que suscitam a preocupação da ONU, com cerca de 1,4 milhões de pessoas afetadas por condições meteorológicas extremas e cerca de 800.000 a necessitar de ajuda alimentar, a maioria nas províncias mais áridas do sul do país.

A agência da ONU apelou hoje para fundos humanitários de emergência para sete países, sendo os principais de 78 milhões de euros para a Etiópia, 23,3 milhões para Angola e 13,4 milhões para a Somália.

“O fenómeno meteorológico El Niño vai diminuir, mas o custo para as crianças — muitas das quais já lutavam pela sobrevivência — será sentido durante anos”, disse a diretora regional da UNICEF, Leila Gharagozloo-Pakkala, citada pela agência France Presse.

“Os governos respondem com os recursos disponíveis, mas esta é uma situação sem precedente. A sobrevivência das crianças depende de ações a tomar hoje”, acrescentou.

Lesoto, Zimbabué e a maior parte da África do Sul declararam emergência de seca.

Na Etiópia, o número de pessoas a precisar de ajuda alimentar deve aumentar este ano de 10 milhões para 18 milhões, e no Malaui a situação é a mais grave dos últimos nove anos, com 2,8 milhões de pessoas, mais de 15% da população, em risco de desnutrição aguda grave.

“As estatísticas são impressionantes”, disse Megan Gilgan, consultora da UNICEF. “A situação deve agravar-se ao longo deste ano e em 2017”.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) já tinha alertado em janeiro que 14 milhões de pessoas podem ficar sem comida suficiente este ano na África Austral.

EMPRESAS