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DGS recomenda duas a três horas por dia em ambiente fresco ou com ar condicionado

A Direção-geral da Saúde (DGS) alerta a população para a previsão de subida considerável das temperaturas, aconselhando a evitar a exposição ao sol e a permanecer duas ou três horas em ambientes frescos ou com ar condicionado.

Com previsões de temperaturas máximas de 31 a 42 graus para segunda-feira e terça-feira, a autoridade de saúde recorda ainda que também as noites se preveem tropicais, com temperaturas mínimas superiores a 20 graus.

Assim, a DGS recomenda à população, sobretudo idosos, crianças e doentes crónicos, que se proteja do calor e que esteja atenta às previsões da meteorologia.

Beber água, mesmo quando não se sente sede, usar roupas leves e largas, evitar mudanças bruscas de temperatura e tentar que a habitação não aqueça demasiado estão entre as advertências da DGS.

Recomenda ainda que seja evitada a exposição solar entre as 11h00 e as 17h00 e a permanência num ambiente fresco ou com ar condicionado por duas a três horas por dia.

Pensando sobretudo nos mais idosos, a DGS apela ainda a que se mantenham os contactos com os familiares e amigos dos que vivem mais isolados.

Mais de 70% das crianças de 8 e 9 anos já consomem sal em excesso

“O consumo de sal é uma guerra que temos de continuar a travar”, declarou Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, durante a apresentação do relatório “Portugal — Alimentação Saudável em Números 2015”.

Segundo o documento, na faixa etária dos sete aos oito anos, 74% dos meninos e 70% das meninas têm um consumo de sal inadequado. Dos 13 aos 17 anos, o nível de consumo excessivo de sal aumenta para 84%, nos rapazes, e para 72%, nas raparigas.

Globalmente, os níveis de consumo de sal melhoraram em Portugal, de 2006 a 2012, mas continua a ser o país europeu com consumo salino mais elevado.

Pedro Graça lembrou que 40% da população portuguesa tem hipertensão e que o consumo de sal na alimentação é um dos fatores de risco para doenças cérebro-cardiovasculares.

“Considera-se que a redução de sal é um assunto prioritário e que o excesso de consumo de sal é um importante problema de saúde pública. É por isso necessário definir metas de redução quantificáveis e monitorizáveis ao nível do consumo”, indica o relatório hoje apresentado pela Direção-geral da Saúde.

Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, considera-se como meta a atingir a redução do consumo de sal entre 3% a 4% ao ano, na população portuguesa, durante os próximos quatro anos, procurando alcançar um consumo diário de sal de cinco gramas ‘per capita’, a atingir até 2025.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, disse que o Governo está a debater, com a associação que representa os restaurantes, formas para reduzir o sal na confeção dos alimentos.

“Do lado dos restaurantes tivemos uma enorme abertura. Estamos a aprofundar esse compromisso. Para que a restauração possa fazer esse caminho e as pessoas se habituarem, nos restaurantes, a comer com menos sal e levar isso para sua casa, fazendo igual”, afirmou aos jornalistas Fernando Araújo, no final da apresentação do relatório da DGS.

 

Uma em 14 famílias não consegue alimentos suficientes

O coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça, reconheceu que este dado é preocupante, embora indique que pode não ser o retrato fiel de todos os portugueses, uma vez que o inquérito que permite aferir estes dados é feito apenas a utilizadores do Serviço Nacional de Saúde.

A prevalência de famílias com insegurança alimentar grave desceu de 8,8% em 2012 para os 6,6% em 2014, enquanto a insegurança alimentar moderada cresceu de 81,% para 9,5%, de acordo com dados do relatório “Portugal — Alimentação Saudável em Números 2015”.

O coordenador do Programa da Direção-geral da Saúde referiu que as famílias com dificuldades de acesso a alimentos conseguem ser identificadas, permitindo às autoridades agir com mais qualidade no apoio de que necessitem.

Em linhas gerais, serão famílias com menos escolaridade e sobretudo residentes nas regiões do Algarve e de Lisboa e Vale do Tejo.

Pedro Graça sublinhou também que a insegurança alimentar pode coexistir com o excesso de peso, lembrando que os alimentos muito calóricos e menos saudáveis se tornaram uma alimentação barata e disponível.

“Os novos pobres sabem lidar menos bem com a pobreza e serão mais afetados pela insegurança alimentar” do que as famílias que há anos lidam com a mesma realidade e que têm já sistemas de apoio mais estruturados, como o recurso a bancos alimentares.

Quanto à obesidade, em 2014, mais de metade da população portuguesa (52,8%) com 18 ou mais anos tinha excesso de peso. O aumento da obesidade verificou-se sobretudo no sexo feminino e na população com idades entre 45 e 74 anos.

Já nas crianças e adolescentes, o excesso de peso parece estar a estabilizar ou mesmo a reduzir-se quando se comparam valores de 2008 com 2013. Contudo, Portugal continua a ter uma prevalência de jovens com excesso de peso superior à média europeia.

 

Portugal precisa de maior articulação entre a emergência pré-hospitalar, os Serviços de Urgência e as Unidades de AVC

Existem dois indicadores importantes de qualidade no tratamento do AVC agudo que são a percentagem de admissões nas Unidades de AVC (UAVC) e a percentagem de admissões através da Via Verde. Segundo os dados da Direção Geral de Saúde, apenas 62% dos doentes admitidos nos hospitais por AVC são admitidos em Unidades de AVC e menos de 50% (cerca de 43% na média dos últimos 3 anos) dos doentes admitidos na Unidade de AVC são admitidos através da Via Verde.

“Impõem-se planos de reestruturação da urgência e das redes de referenciação do AVC. Impõe-se uma atualização das condições de funcionamento das unidades de AVC e da respetiva hierarquização para efeitos de referenciação, para que o doente certo vá para o centro certo”, afirma Maria Teresa Cardoso, internista e coordenadora do NEDVC.
“De facto está a começar uma nova era no tratamento do AVC agudo e para o maior número de doentes beneficiar dela, é preciso encurtar o tempo desde o início dos sintomas até à realização da terapêutica de reperfusão. Reconhecer o AVC e ligar o 112 é o passo certo nesse sentido”, observa a internista.

Nos últimos anos ocorreu uma redução expressiva do número de óbitos por doença vascular cerebral em Portugal. Também a mortalidade intrahospitalar por AVC isquémico tem vindo a diminuir, apesar de cada vez se morrer mais no hospital e menos no domicílio. No entanto, a taxa de mortalidade por DVC em Portugal continua muito acima da média europeia e esta patologia encontra-se em primeiro lugar como a doença associada a maior produção hospitalar segundo os dados da DGS (Doenças Cérebro-cardiovasculares em números – 2015).

Maria Teresa Cardoso refere ainda que “atualmente está a acontecer uma grande viragem no tratamento dos doentes com acidente vascular isquémico.  Dispomos da trombectomia (retirada do trombo por métodos mecânicos) até às 6 h, com grande eficácia na reperfusão do vaso e independência do doente aos 90 dias.  Mas esta terapêutica só se aplica a um determinado grupo de doentes com AVC isquémico e só está disponível nos grandes centros. Tal como acontece com a trombólise, o tempo é determinante no sucesso do procedimento e na sobrevida do doente com autonomia. À medida que o tempo passa, a elegibilidade do doente para terapêutica endovascular aproxima-se de zero”.

Assim, “colocar o doente certo no hospital certo com a equipa certa resultará num maior  número de doentes elegíveis para este tratamento específico. O objetivo ultimo é aumentar a percentagem de doentes a fazer trombólise e intervenção endovascular”, explica a especialista.
O NEDVC considera que assumem particular relevância neste domínio, fatores de educação na saúde, como o reconhecimento pela população dos sinais de alarme do AVC, o seu entendimento como uma situação potencialmente ameaçadora de vida e da disponibilidade de meios específicos de auxílio ao acionar a Via Verde do AVC, chamando o 112.

Reconhecer os sinais de alerta e chamar de imediato o 112 é crucial para o doente poder usufruir do melhor tratamento e ter maior probabilidade de ficar autónomo. Boca ao lado, dificuldade em falar e perda de força no braço, ou num dos lados do corpo, são os sinais de alerta que não podem ser ignorados nem menosprezados.

Obesidade matou 210 pessoas e desnutrição causou a morte a 71 em 2013

De acordo com o relatório “Portugal — Alimentação Saudável em Números 2015”, que é hoje apresentado em Lisboa, registou-se um “forte crescimento do número de utentes com registo de obesidade e excesso de peso (embora desigual por região) que poderá ser devido a diferentes fatores, entre eles uma maior atenção dos profissionais de saúde a este fenómeno”.

O documento indica que, em 2014, existiam 620.769 utentes com registo de obesidade. No mesmo ano, eram 497.167 os utentes com registo de excesso de peso.

De acordo com a Direção Geral da Saúde (DGS), “a questão das desigualdades sociais e o seu impacto no acesso e consumo adequado de alimentos e consequentemente no estado de saúde dos indivíduos parece assumir uma importância ainda maior no atual contexto de crise económica que se faz sentir na Europa e em particular em Portugal”.

“É de esperar que a atual situação de instabilidade económica, caracterizada pelas elevadas taxas de desemprego, aumentos consideráveis ao nível da carga fiscal com impacto também no que se refere ao preço dos alimentos e a redução de salários e dos apoios sociais prestados pelo Estado, tenha um impacto considerável nos índices de pobreza e desigualdades sociais em Portugal”, lê-se no sumário da publicação.

O mesmo relatório refere que “Portugal mantém-se como um dos países europeus com maior desigualdade na distribuição de rendimento e taxas mais elevadas de risco de pobreza monetária, tendo nas últimas décadas a taxa de pobreza mantido um nível elevado e relativamente estável”.

“É expectável que um período marcado por crescentes desigualdades na distribuição de rendimento e por elevadas taxas de pobreza tenha um significativo impacto no consumo alimentar e estado de saúde da população portuguesa, podendo estar comprometida a garantia da segurança alimentar (food security) para um número elevado de agregados familiares portugueses, isto é, a garantia do acesso a alimentos em quantidade suficientes, seguros e nutricionalmente adequados”, prossegue o documento.

Os autores do documento consideram que, tendo em conta que “a obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável”, o ” investimento na prevenção e promoção de hábitos alimentares saudáveis é decisivo quando mais de 50% dos adultos Portugueses sofre de excesso de peso”.

“A promoção de hábitos alimentares saudáveis exige trabalho concertado com outros setores a médio prazo. Os serviços de saúde necessitam de se preparar melhor para lidar de forma integrada com outros setores da sociedade na prevenção da pandemia da obesidade e na promoção de hábitos alimentares saudáveis”, lê-se nas recomendações que constam do relatório.

A DGS sublinha que “a alimentação de má qualidade afeta com maior intensidade crianças, idosos e os grupos socioeconomicamente mais vulneráveis da nossa população, aumentando as desigualdades em saúde. O investimento na promoção de hábitos alimentares deverá permitir reduzir desigualdades em saúde”.

No entanto, este organismo refere que “a estabilização do crescimento da obesidade e do aumento do peso corporal, medido através do Índice de Massa Corporal, registado pelas crianças portuguesas nos últimos quatro anos é um dos marcos assinalados pelo relatório”.

“Ainda assim, a proporção de crianças com excesso de peso em Portugal, acima da média europeia, e a sua relação com as desigualdades sociais, mantêm-se no topo das preocupações do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável”, indica a DGS.

Entre os vários dados que constam do documento, a DGS destaca o facto de “os hábitos alimentares inadequados dos portugueses constituírem o primeiro fator de risco de perda de anos de vida”.

“Estudos internacionais apontam a má alimentação como responsável por 11,96% do total de anos de vida prematuramente perdidos pelas mulheres portuguesas, percentagem que sobe para 15,27% no sexo masculino. A obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável”, lê-se no sumário da publicação.

 

Mais de metade do que comemos não é comida ‘real’

Os alimentos processados ocupam um grande espaço na alimentação diária de quase todas as pessoas. Não vale a pena negar, começa ao pequeno-almoço com os cereais, segue-se a merenda da manhã com uma barrita e por aí adiante. E o fast food está longe de ser o único exemplo de comida processada.

Só nos Estados Unidos, 58% da energia adquirida todos os dias é à base de alimentos processados e ultra-processados. E esta bem que pode ser uma realidade mundial.

E para se ter um exemplo da quantidade de alimentos processados estão ‘à mão de semear’, vejamos a definição de alimentos processados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos: alimentos que sofreram uma transformação de forma bruta, seja para alargar o prazo de validade, seja para melhorar o sabor dos alimentos consumidos no seu estado cru. Farinhas, cereais, barritas, bolachas, hambúrgueres pré-feitos, refeições pré-congeladas, iogurtes, manteigas, queijos fundidos, batatas fritas, etc. São muitos mais os alimentos processados e ultra-processados do que imagina.

Mas além dos alimentos processados, existem os alimentos ultra-processados, como é o caso dos produtos repletos de aditivos, químicos e açúcares adicionados (muitas vezes escondidos em nomes e códigos que não são pronunciáveis) que prometem fazer dos alimentos os mais saborosos de todos (e também mais viciantes), como diz um estudo realizado em conjunto por duas universidades de São Paulo e por uma universidade em Boston.

Segundo a Direção Geral da Saúde (DGS), “os produtos processados como as bolachas, biscoitos, bolos, cereais de pequeno-almoço, refrigerantes, sumos, iogurtes, entre outros, geralmente contêm excesso de açúcar. Para verificar a presença e a quantidade de açúcar nos alimentos é importante ler os rótulos das embalagens, nomeadamente a lista de ingredientes e a informação nutricional”.

No guia para a alimentação saudável, a DGS diz que “num dia alimentar saudável, os alimentos muito processados industrialmente (ex.: refrigerantes, bolos, folhados, salgadinhos, aperitivos, produtos de salsicharia e charcutaria, etc.) podem ser consumidos desde que em pequenas porções e com pouca frequência”.

Portugal tem 82 centros de referência nos hospitais, 60 foram “chumbados”

Não há encerramentos nem concentração de serviços, pelo menos para já. Os hospitais continuam a ter as mesmas valências. Mas, a partir desta sexta-feira, os portugueses passam a saber, preto no branco, quais são os 82 centros considerados de topo para o tratamento de determinadas doenças ou procedimentos muito complexos e caros, os chamados centros de referência nacionais. Só estes poderão ser integrados nas redes de referência europeias.

A escolha promete despertar alguma polémica, porque a maior parte destes centros (que foram seleccionados por uma comissão de peritos) fica localizada nos grandes hospitais das grandes cidades, basicamente Lisboa, Porto e Coimbra. Há também centros em três hospitais privados (duas unidades da CUF, Hospital da Luz, Hospital da Cruz Vermelha) na lista que é divulgada esta sexta-feira à tarde pelo ministro da Saúde no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Mas o que muda para os doentes? Por enquanto, não haverá grandes alterações, porque para que um paciente seja tratado num destes centros precisa primeiro de ser encaminhado pelo seu clínico assistente.  Só quando houver liberdade de escolha – e o ministro Adalberto Campos Fernandes já se mostrou disposto a abrir um pouco esta porta – será possível seleccionar o hospital em que se é tratado, independentemente da área de residência.

Para já, o que se fica a saber é que, em 19 áreas clínicas, foram apresentadas 134 candidaturas e seleccionadas 74 (que na realidade correspondem a  82 instituições, se considerarmos todos os serviços, uma vez que há centros que vão funcionar em consórcio, o que é novidade em Portugal). Os que não foram escolhidos não serão prejudicados, porque continuam a fazer o que faziam. “Isto não serviu para seleccionar centros especializados, mas sim centros altamente especializados”, sublinha Alexandre Diniz, da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e membro da comissão de peritos que escolheu as unidades.

“Havia três caminhos possíveis. Um era proibir [a actividade dos que não têm casuística suficiente para tratar determinadas patologias], outro era deixar tudo como está,  e o terceiro era ter uma situação intermédia em que se faz uma selecção e se deixa o mercado funcionar”, explica Jorge Penedo, coordenador do grupo de trabalho que avaliou a situação e propôs este modelo.

Os centros de referência são, nas palavras dos peritos,  “unidades com reconhecidos conhecimentos técnicos “para dar resposta a doentes com situações clínicas que exigem “uma especial concentração de recursos ou de perícia devido à baixa prevalência da doença, à complexidade no diagnóstico ou tratamento e aos custos elevados”.

Para desempenharem adequadamente a tarefa a que se propõem devem ter equipas multidisciplinares experientes e altamente qualificadas e dispor de estruturas e equipamentos médicos muito especializados. Têm ainda que possuir competências nas áreas do ensino e formação e investigação e são obrigados a publicar os seus resultados, sendo também sujeitos a auditorias externas.

Então, a solução agora preconizada implicará o fecho de alguns serviços no futuro? “O que é natural é que os doentes comecem a ir mais a estes centros”, admite Jorge Penedo, que assume que o modelo “precisa de ganhar maturidade”. “Esta solução não vai salvar a vida de todos os portugueses, mas vai representar um avanço significativo. Os profissionais passarão a trabalhar mais em equipa. Alguns [hospitais] deixarão de fazer coisas que fazem hoje”, sintetiza.
São seis dezenas as unidades que ficaram de fora deste processo de reconhecimento que tem um prazo de validade de cinco anos. No transplante de coração, por exemplo, apesar de serem quatro as unidades hospitalares que o asseguram em Portugal (hospitais de Santa Marta e de Santa Cruz, em Lisboa, e São João, no Porto), só o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra foi seleccionado como centro de referência nacional.

Mais uma vez, um doente que precise de um transplante cardíaco pode optar por este hospital?  “Se muitas pessoas escolherem os centros de referência, podem ter que se sujeitar a maiores tempos de espera”,  antecipa o coordenador do Programa Nacional Para as Doenças Cardiovasculares, Rui Cruz Ferreira, para quem são necessárias as quatro unidades que fazem transplante cardíaco em Portugal (a comissão que avaliou a situação considerou, porém, que um destes seria dispensável).  “Não é uma questão de condições, mas de casuística”, enfatiza.

“Não é uma questão de casuística pura e dura. Também conta a diferenciação dos profissionais, os recursos, a apresentação de resultados”, contrapõe Jorge Penedo. Seja como for, repete Alexandre Diniz, “o doente não pode chegar lá sozinho com um papel, tem que ser clinicamente referenciado”. No futuro, poderá haver “um desnatamento natural e progressivo”, reconhece, ao mesmo tempo que nota que o objectivo não foi o de encerrar serviços.

“Não é um carimbo eterno”
O processo arrancou há já alguns anos e acelerou na sequência da directiva de cuidados de saúde transfronteiriços, que refere expressamente a criação deste tipo de centros, os únicos que podem ser integrados nas redes europeias de referência, cujo concurso abre já para a semana.

Em Portugal, depois de o primeiro processo de selecção ter arrancado no ano passado em cinco áreas – epilepsia refractária, onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos -, foi aberto novo concurso  para mais uma série de outras especialidades, nomeadamente patologias raras como as doenças hereditárias do metabolismo, que ficam concentradas em quatro unidades (duas no Porto, uma em Coimbra e outra em Lisboa).

Nesta fase, avançam também as áreas das cardiopatias congénitas e da cardiologia de intervenção estrutural, tal como outros cancros –  o do recto, testículo, esófago, entre outros. “Isto é o início, não é um carimbo eterno. E não há grandes novidades”, desdramatiza o director do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, apesar de admitir que, no futuro, alguns hospitais possam deixar de fazer o que fazem actualmente.

Esta solução, volta a frisar, não implica, porém, proibir os que ficam de fora de continuar com a sua actividade, “Os centros de referência têm obrigações decorrentes [dessa classificação] e, eventualmente, benefícios financeiros. Mas isto não tem a ver com a rede de referenciação de oncologia, que foi aprovada há meses e que, por enquanto, é um documento de intenções. Ainda há hospitais que fazem tratamentos que não deveriam fazer”, diz o médico. “Isto não se extingue por decreto”, remata.

Esta sexta-feira, os escolhidos vão receber uma placa distintiva “para que a população saiba” quais são e, no Portal da Saúde, será possível localizá-los através de georreferenciação, diz Alexandre Diniz.  Numa segunda fase, os centros vão ter um modelo de financiamento específico que ainda não está definido, adianta o Ministério da Saúde.

A partir da próxima quarta-feira, os centros podem ainda candidatar-se à integração nas chamadas redes de referência europeias, um processo que durará três meses, explica Alexandre Diniz. “A Comissão Europeia exige que os centros sejam reconhecidos pelo Estado de origem com base em critérios científicos e específicos por áreas. Este processo foi muito moroso e minucioso”.

Guimarães não compreende por que ficou de fora
Há um centro hospitalar, o do Alto Ave (Guimarães), que se candidatou a centro de referência de doenças hereditárias metabólicas  mas, olhando para a lista das unidades escolhidas, percebe-se que ficou de fora.

“É uma surpresa”, reage Olga Azevedo, cardiologista que coordena a unidade de doenças lisossomais de sobrecarga, que se integram no grande grupo das doenças metabólicas. A médica, que ignorava ainda o resultado final do concurso, sublinha que o hospital respondeu “a todos os requisitos” e cumpre  “todos os critérios” e alega que esta unidade é a que mais doentes acompanha nesta área. “ Temos casuística (180 casos de doenças lissossomais de sobrecarga), temos experiência, e até somos consideramos centro de excelência” para o diagnóstico e tratamento destas patologias, frisa.

“Nas doenças lisossomais, somos o maior centro a nível nacional e um dos maiores centros europeus, por razões genéticas e históricas”, argumenta. Em Portugal, a região de Guimarães é aquela onde se concentra o maior número de casos do grupo destas doenças.

Sem conseguir entender por que razão apenas foram seleccionados “grandes hospitais das grandes cidades” – e no caso específico das doenças metabólicas foram seleccionados dois hospitais do Porto, o São João e o Santo António -, Olga Azevedo diz que o número de doentes está constantemente a aumentar.

Outros especialistas, que pediram para não ser identificados, põem em causa a constituição da comissão nacional que atribui o reconhecimento por integrar elementos de hospitais que se candidataram e que agora foram contemplados.

Mortes por doenças respiratórias diminuem ligeiramente

A morte por causa respiratória – excluindo a tuberculose e o cancro do pulmão – tem vindo a aumentar desde a década de 1990, representando a terceira doença mais mortal no país com 11,8% dos óbitos registados (em 1988 era de 6,9%). No entanto, em 2014, registou-se um ligeiro decréscimo dos óbitos que passaram de 12.611 (em 2013) para 12.147. À semelhança de anos anteriores, Portugal continua a estar bem acima da média europeia na taxa de mortalidade por doenças respiratórias acima dos 65 anos e a pneumonia mantém-se como a patologia mais letal, sendo responsável por quase metade dos óbitos registados. Estes são alguns dos dados do relatório “Portugal – Doenças Respiratórias em Números 2015”, divulgado esta terça-feira, pela Direcção-Geral de Saúde (DGS), com dados relativos a 2014 e actualizando os registos de 2013.

Em 2014, refere este relatório, as doenças do foro respiratório foram responsáveis por 12.147 óbitos em Portugal, correspondendo 52% dos óbitos ao género masculino. A tendência da predominância de mortes dos homens “tem vindo a esbater-se ao longo dos anos” sendo, no momento actual, “discretamente inferior” às mulheres, assinala-se no documento.

A pneumonia continua a ser a doença respiratória mais mortífera sendo responsável por 46% das mortes do foro respiratório, registando 5490 óbitos em 2013. No entanto, registou uma redução face a 2012, onde foi responsável por 55% das mortes. A taxa padronizada de mortalidade por bronquite, enfisema e outras doenças pulmonares obstrutivas crónicas também tem vindo a diminuir desde 2007 (menos 15% em 2013). A fibrose quística e a síndrome da apneia do sono são as doenças com menor incidência mortal com 0,04% e 0,01%, respectivamente.

O relatório evidencia ainda as assimetrias regionais nas taxas de mortalidade, mostrando que, em 2014, as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores apresentaram os valores mais elevados e a região de Lisboa os valores mais baixos. Em particular, a região autónoma dos Açores destacou-se negativamente por ser a única região nacional onde a taxa subiu relativamente ao ano anterior.

No que respeita à mortalidade no panorama europeu, Portugal encontra-se, com 6,09 mortes por 100 mil habitantes no grupo etário entre os 0 e os 64 anos, numa posição abaixo da média europeia (7,92). Em sentido contrário, a partir dos 65 anos, Portugal regista 512 mortes por 100 mil habitantes, um valor muito superior à média europeia (308), ocupando o segundo lugar, apenas precedido pelo Reino Unido. Apesar disso, esta faixa etária apresentou, em 2013, um decréscimo de 19,2% face a 2009. Esta diferença entre os grupos etários deve-se à “elevada taxa de mortalidade padronizada para as pneumonias”, conclui o estudo. A taxa de mortalidade aumenta de forma acentuada em doentes com 75 anos ou mais, sendo aos 85 anos 20 vezes superior à mortalidade registada em todas as faixas etárias.

“Em termos de comparação com outros países europeus, verifica-se que a mortalidade por asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica situa-se abaixo da média europeia, ocupando a mortalidade por pneumonia posição inversa”, refere o relatório que adianta ainda que “há a registar um decréscimo de internamentos devido a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e uma tendência para estabilização dos internamentos devido a asma brônquica”. “Salienta-se também que, o número de internamentos por pneumonias tem vindo a decrescer pela primeira vez, desde 2013”, sublinha o documento.

Apesar do ligeiro decréscimo desde 2013, as doenças respiratórias continuam a ser a terceira principal causa de morte, depois das doenças cardiovasculares e os tumores. No que respeita a encargos com cuidados de saúde, constituem a quinta causa de internamento (representam 6,6% do total dos doentes internados) e a primeira causa de mortalidade intra-hospitalar. Em Portugal, e excluindo o cancro do pulmão, constituem também a terceira doença com mais gastos directos em internamentos hospitalares, a seguir aos custos das doenças cardiovasculares e do sistema nervoso, correspondendo em 2013 a um encargo de 213 milhões de euros. O custo médio de um internamento foi, no mesmo ano, de 1892 euros.

Internamento por pneumonia diminui pela primeira vez desde 2013

Depois das doenças cardiovasculares e do cancro, são as doenças respiratórias crónicas que matam mais portugueses e tem sido cada vez mais assim desde a década de 90. A população acima dos 65 anos é o alvo principal, quase sempre por incapacidade de resistência à pneumonia, que em Portugal tem uma expressão mais forte do que na maioria dos restantes países europeus.

Os peritos nacionais afirmam que a explicação para a elevada mortalidade por pneumonia está no “aumento progressivo da esperança de vida e nos efeitos do tabagismo”. O relatório “Doenças Respiratórias em Números 2015”, divulgado esta terça-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), adianta ainda que dentro da patologia respiratória “as pneumonias são a principal causa de mortalidade no continente (46%)”.

Começam, ainda assim, a surgir sintomas de um prognóstico mais favorável. “Pela primeira vez, o número de internamentos por pneumonias encontra-se em decrescendo desde 2013”. E se há menos doentes internados, é expectável que existiam também menos desfechos fatais. O cenário é mais animador entre quem tem menos de 65 anos: “Registou-se uma redução na taxa padronizada de mortalidade de 23,5% em 2013 relativamente a 2009.”

Mortalidade por asma e DPOC abaixo da média
A mesma tendência de diminuição foi verificada entre as mortes por bronquite ou enfisema, por exemplo, em 2013 com um decréscimo de 15%. No relatório, a DGS destaca ainda que “a mortalidade por asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) situa-se abaixo da média europeia”.

Na corrente inversa está a fibrose. Segundo os peritos, “para a fibrose pulmonar verifica-se um aumento de todas as taxas de mortalidade”, ou seja, entre os mais e os menos idosos.

Os responsáveis da DGS encarregados da estratégia nacional para as doenças respiratórias pedem “maior intervenção no controlo de fatores de risco, designadamente os poluentes do ar e o tabagismo, bem como a incrementação da espirometria para fundamentar o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crónica”. A medida tem vindo a ser cumprida, mas com muita parcimónia. A realização daquele exame respiratório aumentou 280% entre 2011 e 2014, “contudo o valor absoluto reportado é ainda extremamente baixo”, lê-se no relatório.
Vacinar mais

Além de melhorias na acessibilidade à espirometria, sobretudo nos centros de saúde e unidades de saúde familiar, as autoridades de saúde recomendam também maior cobertura vacinal contra a gripe para os grupos de risco, entre eles as pessoas a partir dos 65 anos, e contra as infeções pneumocócicas.

Sugerem ainda que os fumadores internados por doenças respiratórias tenham acesso facilitado à terapêutica de cessação tabágica após a alta hospitalar.

Bloco quer saber quando reabre hospital da Régua após legionella

O deputado Moisés Ferreira questionou o Ministério da Saúde, através de perguntas entregues na Assembleia da República, sobre o caso de “legionella” detetado no Hospital D. Luiz I, onde apenas estava em funcionava um piso, designadamente o do internamento e onde se encontravam 12 utentes, que foram transferidos para o hospital de Chaves.

As duas unidades estão inseridas no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), que agrega ainda os hospitais de Lamego e Vila Real.

O BE quer agora saber quando prevê o Governo que possa “estar ultrapassada a infeção com ‘legionella’ no hospital da Régua” e ainda quando poderá esta unidade “ser novamente aberta à população em segurança”.

O deputado do Bloco questionou ainda sobre a transferência dos pacientes e pessoal de enfermagem para o hospital de Chaves, que dista da Régua cerca de 85 quilómetros, quando existem outras unidades do CHTMAD que ficam mais perto, como Vila Real e Lamego.

“Esta transferência compreender-se-ia se os doentes ficassem mais perto de casa ao serem transferidos para Chaves ou se não houvesse cama disponível noutros hospitais. Todavia, uma vez que todos foram transferidos para Chaves parece não ter sido esse o caso”, referiu o BE, em comunicado.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) informou na quinta-feira que a ‘legionella’ foi detetada na rede de água do hospital da Régua, através de “análises de rotina”, e em dois locais que não estavam em funcionamento.

A DGS esclareceu ainda que o contacto dos doentes e profissionais com a bactéria “foi zero”.

A funcionar apenas parcialmente já há algum tempo, o encerramento do hospital da cidade duriense esteve por diversas vezes em cima da mesa, estando também incluído na lista de hospitais que o Governo PSD/CDS-PP queria devolver às misericórdias.

 

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