Inicio Tags Divisas

Tag: Divisas

Bancos angolanos entram em 2016 praticamente sem acesso a divisas

Bandeira de Angola

A informação consta do relatório semanal do banco central sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, ao qual a Lusa teve hoje acesso, relativamente à venda de divisas entre 04 e 08 de janeiro.

Trata-se de um montante equivalente a 5,5% das vendas do BNA na semana anterior (135,1 milhões de dólares), que já então foram de mínimos de 2015.

De acordo com a mesma informação, a venda de divisas na primeira semana do ano destinou-se à “cobertura de operações” da empresa pública Rede Nacional de Transporte de Eletricidade (RNT) e foi concretizada a uma taxa de câmbio média de 156,387 kwanzas (92 cêntimos) por cada dólar, inalterada face à última semana de 2015.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica face à redução de receitas fiscais do petróleo, e por consequência cambial, devido à redução da entrada de divisas no país, necessárias para garantir as importações de máquinas, matéria-prima e alimentos.

Persiste a forte redução da disponibilidade de moeda estrangeira no país, sendo o montante vendido aos bancos limitado às necessidades mais urgentes do sistema bancário e que obrigam a autorização do banco central.

Alguns bancos angolanos limitaram a venda de divisas a clientes a um máximo de 1.000 dólares (918 euros) por semana e bancos norte-americanos têm vindo a anunciar a suspensão de venda de dólares a Angola.

Com as dificuldades no acesso a moeda estrangeira nos bancos, o mercado paralelo, de rua, apresenta taxas de câmbio que rondam os 270 kwanzas por cada dólar, para compra de moeda estrangeira.

A falta de divisas, em função da procura, continua a dificultar, por exemplo, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

Reservas internacionais angolanas sobem em novembro

Bandeira de Angola

Os dados constam de um relatório mensal do Banco Nacional de Angola (BNA) e indicam ainda que entre janeiro e novembro, Angola viu estas reservas, necessárias para garantir nomeadamente as importações nacionais de matéria-prima ou de alimentos, reduziram-se 7,3 por cento, fruto da crise da cotação internacional do petróleo, que diminuiu as receitas angolanas e a entrada de divisas no país.

No total, estas reservas perderam 1,9 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) em onze meses, segundo cálculos feitos pela Lusa.

De acordo com dados disponibilizados pelo BNA, as RIL eram de 27.276 milhões de dólares (25,1 mil milhões de euros) em 2014, de 31.154 milhões de dólares (28,6 mil milhões de euros) em 2013, de 30.828 milhões de dólares (28,3 mil milhões de euros) em 2012 e de 26.321 milhões de dólares (24,2 mil milhões de euros) em 2011.

Na revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015, aprovado em março e que surgiu face à forte quebra nas receitas com a exportação de petróleo, o executivo angolano já previa uma descida dessas reservas para garantir cinco meses de importações, face à média anterior de seis meses.

Contudo, o Governo admitiu entretanto terminar o ano de 2015 com reservas necessárias para garantir mais de seis meses de importações.

As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, atividade que representa cerca de 98% do total das exportações do país.

O setor garantiu em 2013, segundo o Ministério das Finanças, 76% das receitas fiscais angolanas, mas o seu peso deverá descer este ano para 36,5% devido à forte redução da cotação do crude no mercado internacional.

Na crise petrolífera de 2009, as RIL angolanas reduziram-se até aos 13 mil milhões de dólares (11,9 mil milhões de euros), o que obrigou o Governo angolano a pedir um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional no valor de 1.375 milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros).

EMPRESAS