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Autocarro interativo mostra inovações no tratamento das doenças do coração

O MILLIE, um autocarro com 12 metros de comprimento, vai “estacionar” nos hospitais portugueses durante as próximas 3 semanas.
De 19 de Fevereiro a 13 de Março, os profissionais de saúde portugueses, nomeadamente médicos e técnicos de Cardiopneumologia, vão poder assim conhecer e experienciar de forma única e inovadora as últimas tecnologias no campo do diagnóstico e tratamento das perturbações do ritmo cardíaco.
No interior do veículo, para além da exposição dos dispositivos, haverá ainda simuladores de implante, jogos interativos e sessões de e-learning para os clínicos.
Uma das principais atrações desta iniciativa é a possibilidade de conhecer o pacemaker mais pequeno do mundo que mede apenas 2,5cm – um décimo do tamanho de um pacemaker convencional – e o registador miniaturizado de eventos cardíacos, que permite a deteção precoce de arritmias através da monitorização à distância.
A primeira paragem do MILLIE, em Portugal, será no congresso Arritmias, no Hotel Miragem em Cascais (19 e 20 de fevereiro), onde os especialistas poderão ver de perto estas inovações.
Depois de Portugal, o autocarro vai viajar até à Eslováquia, República Checa, Suécia e Polónia.
O MILLIE é uma iniciativa da empresa Medtronic, líder mundial em tecnologia médica, e insere-se numa campanha internacional de formação a especialistas médicos.
Mais informações em www.heartexpress.eu

Diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais nos doentes com DII

Fernando Magro

A Doença Inflamatória Intestinal, de causa ainda desconhecida, afeta cerca de 16000 portugueses, sendo conhecidos cerca de 100 novos casos anualmente. Com um grande impacto na qualidade de vida dos doentes, esta patologia crónica subdivide-se essencialmente entre a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa. Esta última apenas “atinge o intestino grosso, nomeadamente o epitélio e a lâmina própria”, explica Fernando Magro. A Doença de Crohn “pode afetar todo o tubo digestivo” e “tem um atingimento transmural, ou seja, poderá lesar todas as camadas do intestino. E, portanto, acompanha-se dos riscos da inflamação transmural, como a formação de fístulas, de abcessos ou, eventualmente, de uma perfuração”, continua. Esta doença assume um componente mais sistémico, comparativamente com a colite ulcerosa, contudo, ambas podem acompanhar-se de manifestações extraintestinais, nomeadamente “oculares, hepáticas e dermatológicas”.
A DII aumenta ainda o risco de osteoporose, pela má absorção do cálcio ou como resultado do uso de corticoides, e de cancro do cólon.
Apesar de os investigadores acreditarem que esta doença está associada a questões genéticas, a ausência de informações sobre a sua causa concreta não permite o rastreio e prevenção.
Após diagnóstico, o tratamento pode ser baseado em fármacos ou, em situações em que a doença seja mais invasiva, através de cirurgia. Ambos os métodos terapêuticos têm como objetivo ajudar a aliviar os sintomas e estimular a cicatrização das lesões intestinais.

Investigação é fundamental

O presidente do GEDII explica que é do conhecimento médico atual que “o sistema imunológico reage contra determinados antigenes e provoca a ulceração da mucosa”. Num indivíduo sem DII, o intestino, após um estímulo nóxico, reage com mediadores inflamatórios e depois há cicatrização da mucosa. Contudo, o que acontece na Doença Inflamatória Intestinal é que, perante uma agressão externa inicial, há uma inflamação perpetuada no modo e no tempo com excesso de mediadores inflamatórios. Neste sentido, como em qualquer área médica, é premente o desenvolvimento de projetos de investigação, no sentido de promover um melhor e mais adequado diagnóstico e consequente tratamento da DII. Fernando Magro refere que atualmente nos encontramos num “ponto viragem farmacológico”, que permitirá conhecer novos fármacos que combatam esta doença e, nomeadamente, assegurar o tratamento dos doentes refratários à medicação já existente.
A investigação científica encontra-se direcionada para a pesquisa de novos biomarcadores que promovam o reconhecimento da inflamação antes mesmo de serem despoletados os sintomas.
Em desenvolvimento encontram-se igualmente novas técnicas de imagem, que impulsionarão uma melhor deteção dos órgãos afetados pela DII.
Em suma, Fernando Magro assume que a comunidade médica se encontra a caminhar para resultados “preditivos de prognóstico e do tratamento da DII”.
Papel do GEDII
O Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal existe há uma década e é já “pioneiro” na investigação e formação de gastrenterologistas, garante o presidente da entidade. No contexto formativo, “o GEDII tem pautado por apresentar aos atuais e futuros médicos especialistas novas realidades, novos métodos de abordagem, novas perspetivas”, que contemplem um conhecimento mais profundo sobre a DII. No seu histórico de eventos, o GEDII tem já mais de 30 reuniões nacionais e organiza anualmente eventos mais intimistas, de modo a partilhar experiência com colegas mais jovens, que ainda se encontram em formação. Esta situação propicia a uma maior qualidade profissional.
No contexto da investigação, têm vindo a desenvolver “projetos inovadores, que envolvem os doentes, a sua perspetiva e avaliação, a relação entre o que o doente sente e o que o médico perceciona, a utilização de biomarcadores e de doseamento de fármacos”, explica também o gastrenterologista. A investigação tem sido direcionada para as áreas de farmacoepidemiologia e biomarcadores. No contexto da monitorização terapêutica de fármacos, o GEDII tem desenvolvido o seu trabalho no sentido de tornar os tratamentos mais assertivos e adequados, através do seu doseamento.
Atualmente o GEDII aposta em projetos que envolvam uma maior dinâmica entre o médico e o paciente, nomeadamente os “patient-reported outcomes”, isto é, o desenvolvimento de mecanismos que permitem aos doentes autoavaliarem-se.
O GEDII distribuiu mais de 20 bolsas de investigação, num total monetário de meio milhão de euros. O objetivo é promover o conhecimento sobre a DII e divulgar o papel de Portugal neste campo da ciência.
O gastrenterologista afirma ainda que, ao longo destes dez anos de existência, o GEDII criou e reuniu “ferramentas epidemiológicas, laboratoriais e clínicas que permitirão que qualquer colega mais novo” possa integrar-se e desenvolver esta área médica.
Por este motivo, e com base no percurso do Grupo, é possível concluir que o futuro da instituição e da própria evolução do conhecimento sobre a DII será “promissor”, declara Fernando Magro.

Liga contra o cancro pede aos deputados equidade nos cuidados

No Dia Mundial do Cancro, que esta quinta-feira é assinalado, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) vai à Assembleia da República sensibilizar o poder político para o combate a uma das neoplasias que mais mata em Portugal. Por ano, seis mil novos casos de cancro da mama são diagnosticados, tirando a vida a 1500 mulheres. “É preciso pôr a oncologia na agenda”, afirma Vítor Veloso, presidente da LPCC.

A associação reuniu mais de 25 mil assinaturas numa petição pública para “exigir aos deputados eleitos que discutam o tema do cancro da mama e criem um grupo de reflexão sobre o cancro na Comissão Parlamentar de Saúde”, bem como “um consenso parlamentar para produzir uma recomendação ao Governo que coloque a luta contra o cancro como uma prioridade nacional”, lê-se no documento a que o Expresso teve acesso.

Em causa está a equidade nos rastreios, diagnósticos e tratamentos, sobretudo para quem tem um tumor maligno da mama.
Lisboa sem rastreios

As diferenças no acesso existem e logo no primeiro degrau, da deteção precoce das lesões. O programa de rastreio – que a LPCC assegura com a colaboração das unidades de cuidados primários, enviando cartas-convite às mulheres entre os 45 e os 69 anos para que façam gratuitamente uma mamografia – “tem 85% de cobertura no Norte, 100% no Centro e muito pouco no Sul, sobretudo na região de Lisboa”, explica o médico. Estas diferenças mudam muita coisa no curso da doença. “Um tumor com menos de dois centímetros de diâmetro tem uma sobrevida aos dez anos de 85% e um tumor disseminado, com lesões noutros órgãos, terá uma sobrevida menor de 15%”, consta na documentação de apoio fornecida ao Parlamento.

As variações regionais são ainda notadas ao nível do tratamento. Vítor Veloso refere “disparidades enormes conforme o hospital, incluindo no acesso a terapêuticas inovadoras”. O responsável pela Liga critica também a falta de acesso à informação: “Os doentes não sabem quem trata melhor ou que medicamentos são dados nos vários hospitais.”

A falta de participação do doente nas decisões sobre o seu tratamento e a auscultação das associações de doentes são outros dos ‘cancros’ do sistema de saúde português.

“Já está a tardar que o cancro seja considerado o principal problema de saúde pública”, avisa o médico.

Falta mais investigação sobre transmissão da doença do legionário

Graça Freitas comentava à agência Lusa os resultados de um estudo realizado por profissionais de saúde de várias instituições nacionais, que será divulgado hoje na revista New England Journal of Medicine, indicando que a doença dos Legionários poderá ser transmitida pessoa a pessoa.

“Agora vamos ter de continuar a estudar. É um caso pontual e esporádico, que aconteceu uma única vez, aparentemente. Não há motivo para se alertar as pessoas para a infeção de pessoa a pessoa. Agora, se se verificar noutros sítios e se se tornar um padrão, e se existir risco, então alertaremos as pessoas, mas não é o caso agora”, frisou a responsável.

Graça Freitas explicou à Lusa que o caso provável de transmissão pessoa a pessoa ocorreu no contexto do surto que se registou em Vila Franca de Xira entre novembro e dezembro de 2014, provocando a morte de 14 pessoas.

Além das mortes, 400 pessoas foram diagnosticadas com a doença.

“Na sequência do surto, todos os casos foram investigados. Foram feitas por diversas autoridades de saúde e ambientais inquéritos às investigações e exames laboratoriais às pessoas e á água para ver a origem da infeção”, contou.

Segundo a subdiretora-geral da saúde, os investigadores chegaram à conclusão depois de identificarem na região de saúde do norte, dois casos fatais da doença em familiares, em que um deles não tinha qualquer associação geográfica com Vila Franca de Xira.

“Foram feitas análises laboratoriais e verificou-se que o vírus da pessoa era igual ao dos doentes de Viola Franca de Xira e ao encontrado no ambiente em Vila Franca de Xira”, disse.

Na opinião de Graça Freitas, estes resultados são importantes porque é a primeira vez que se verifica uma possível transmissão da doença do legionário pessoa a pessoa.

“No entanto, este resultado carece de investigação de culturas e do aparecimento de casos noutros locais do mundo. Quero salientar que perante casos de legionela, o objetivo da investigação é encontrar o foco ambiental, aquela que é a origem da doença e que está no ambiente”, salientou.

O estudo, inédito a nível mundial, assinado por 17 coautores, envolveu profissionais de saúde de várias instituições, nomeadamente da Administração Regional de Saúde do Norte e do Instituto Nacional de Saúde doutor Ricardo Jorge.

“Apesar do risco de transmissão pessoa a pessoa da Doença dos Legionários ser certamente muito baixo, as conclusões deste trabalho poderão servir para alertar a comunidade médico-científica para a eventual necessidade de rever as medidas de prevenção e controlo da doença”, refere a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte), num comunicado enviado à agência Lusa, a divulgar o estudo e a sua publicação.

A Doença dos Legionários é uma pneumonia que afeta preferencialmente pessoas idosas, fumadoras, imunodeprimidas ou pessoas com doenças crónicas.

A pneumonia provocada pela legionela pode provocar a morte.

Estudo afirma que bloquear inflamação cerebral detém avanço do Alzheimer

Esta investigação, liderada pelo professor Diego Gomez-Nicola e publicada na sexta-feira pela revista científica Brain, mostra que a inflamação do cérebro está ligada com a progressão da doença, o que poderá levar ao desenvolvimento novos medicamentos.
Até agora, a maioria dos tratamentos para este tipo de demência senil baseia-se na atuação nas placas amiloides [formadas por agrupamento de pedaços da proteína beta-amilóide], características em doentes de Alzheimer.

Obsessão com alimentação saudável pode tornar-se uma doença

De acordo com Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa: “a obsessão com a prática de uma alimentação saudável é considerada um transtorno alimentar, ao qual se dá o nome de ortorexia nervosa. O termo deriva da palavra grega “orthos”, que significa correto e da palavra “orexia”, que significa apetite”.

A ortorexia nervosa caracteriza-se por uma obsessão patológica com uma nutrição adequada, por uma dieta restritiva e por uma rejeição rígida de alimentos julgados não saudáveis, com o objetivo de atingir uma saúde ideal, prevenir doenças ou alcançar a imagem corporal desejada.

“Apesar de a ortorexia nervosa não ser ainda considerada uma doença do comportamento alimentar, tal como a anorexia e bulimia nervosas, têm surgido cada vez mais estudos que a aproximam dessas doenças psiquiátricas. Esta preocupação desmesurada com a alimentação, leva a que estes indivíduos dediquem cada vez mais tempo a planear as suas refeições e menos tempo ao lazer, podendo ter um impacto negativo na sua vida social”, acrescenta a especialista.

Em termos epidemiológicos, estudos recentes sugerem uma prevalência de 6,9 por cento na população em geral e entre 35 a 57 por cento em grupos de alto risco, como profissionais de saúde, desportistas e artistas.

Para a nutricionista clínica, o problema começa quando a pessoa: “não se permite ingerir um alimento julgado “menos saudável” ou sente tristeza por ingerir esse alimento, fica ansiosa por não poder cumprir as refeições planeadas, só realiza refeições em casa, contabiliza todas as calorias e nutrientes ingeridos, analisa ao pormenor todos os rótulos e isola-se para poder consumir apenas os alimentos saudáveis”.

“Os estudos mais atuais sugerem que a ortorexia pode ser tratada em equipa, pois para além do apoio de um dietista/nutricionista para desmistificar ideias e orientar em termos alimentares, é fundamental procurar apoio psicológico”, conclui a nutricionista.

Cuidados de saúde primários são fundamentais no acompanhamento dos doentes com VIH

“Acreditamos que os CSP podem atuar em duas áreas principais: primeiro na área da prevenção e diagnóstico precoce da infeção por VIH, mas também ter uma maior participação no seguimento partilhado dos doentes”, afirma Telo Faria, internista e coordenador do Núcleo da Doença VIH.
De acordo com o Programa Nacional para a Infeção por VIH 2012-2016 e respetivos programas regionais, os CSP, juntamente com os Centros de Aconselhamento e Deteção do VIH (CAD), as Divisões de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (DICAD)e os Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP)  têm tido um papel fulcral na implementação e reorganização de uma rede de deteção precoce da infeção, com a realização de testes rápidos.
Relativamente ao seguimento dos doentes com VIH “é preciso ter em conta que esta doença tem características de cronicidade, como a Diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Sendo uma doença crónica com alguns efeitos a nível metabólico, a associar às comorbilidades que advêm do processo de envelhecimento normal dos doentes, é fundamental que a sua gestão seja partilhada pela Medicina Interna e pela Medicina Geral e Familiar”, refere Telo Faria.
“Efetivamente nos últimos anos regista-se um número crescente de idosos com infeção VIH. Esta infeção é hoje uma doença com características de cronicidade e os doentes vivem muitos mais anos, clinicamente bem, chegando assim, à 3ª e 4ª idade. Por outro lado a existência no mercado, de fármacos para a disfunção erétil permitem a doentes o retomar da vida sexual ativa sendo assim potenciais infetados, se tiverem comportamentos sexuais de risco, além de poderem posteriormente infetar outros parceiros ou parceiras”, realça o especialista.
Telo Faria recorda ainda que “a epidemia em Portugal afeta as populações com comportamentos particularmente vulneráveis. Neste contexto, a percentagem de infetados ultrapassa os 5 por cento. Por outro lado a percentagem de diagnósticos tardios chegam a ser superiores a 60 por cento, o dobro da média europeia.” O coordenar do Núcleo da Doença VIH justifica estes números através dos fatores de organização dos Serviços de Saúde, à ausência de campanhas dirigidas a grupos de populações com vulnerabilidades particulares, e a fatores de ordem socioculturais complexos. Contudo, refere, tem havido um esforço nos últimos anos, para inverter esta situação.

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