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Com o impulso das low cost, as dormidas nos Açores dispararam 20% em 2015

Os voos de baixo custo arrancaram no final de Março. E em pouco tempo os Açores tornaram-se na região que mais cresceu no número de dormidas. Em 2015 o ritmo de crescimento foi de 19,6%, quando o aumento das dormidas a nível nacional foi de 6,7%.

Os números da atividade turística publicados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que no arquipélago açoriano a hotelaria registou no ano passado 1,27 milhões de dormidas. São mais os estrangeiros, mas foi entre os turistas nacionais que houve um maior crescimento. Enquanto no primeiro caso o número de dormidas subiu 10%, no segundo o crescimento chegou aos 35%. Só em Dezembro, as dormidas nos hotéis dos Açores dispararam 51,8%, com uma subida ainda mais expressiva entre os turistas portugueses (66,8%).

O salto no conjunto do ano foi grande em relação a outras regiões (as dormidas subiram 13,6% no Norte, 11,8% no Alentejo, 5,8% na Madeira ou 2,7% no Algarve), mas o peso da região no turismo nacional ainda é pequeno. Com o aumento da atividade turística, os Açores passaram a representar uma fatia de 2,6% do total. “Estamos perante o melhor ano de sempre, em que há crescimentos muito expressivos em quase todas as ilhas”, afirmou Vítor Fraga, secretário regional do Turismo e Transportes dos Açores, citado pela Lusa.

Preços aumentaram

Em Portugal, os hotéis registaram 48,9 milhões de dormidas (num total de 17,4 milhões de hóspedes). Mais de um terço, 16,6 milhões de dormidas, foram no Algarve; 12,2 milhões na Área Metropolitana de Lisboa; 6,63 milhões na Madeira; 6,1 milhões no Norte; 4,53 milhões no Centro; e 1,45 milhões no Alentejo.

No último mês do ano, o preço dos quartos aumentou nas várias regiões, com “evidente destaque” para os Açores, nota o INE. O rendimento por quarto disponível (o chamado RevPAR, que mede a relação entre os proveitos de aposento e o número de quartos disponíveis) era de 11,7 euros, valor que cresceu 49,2% em relação a Dezembro de 2014. O rendimento mais alto registou-se em Lisboa (32,8 euros) e na Madeira (32,3), tal como acontecia nos meses anteriores.

A nível nacional, apesar do aumento do número de dormidas, houve uma desaceleração face ao ritmo de 2014. O mercado interno gerou 14,5 milhões de dormidas em Portugal. Houve um crescimento de 5,3%, quando no ano anterior o aumento tinha sido de 12,8%. As dormidas de turistas estrangeiros, num total de 34 milhões, também desaceleraram, passando de uma variação de 9,3% para 7,3%.

A estadia média aumentou ligeiramente em Dezembro, mas essa não foi a tendência ao longo do ano. No acumulado dos 12 meses do ano, a permanência em hotéis foi, em média, de 2,81 noites, quando no ano anterior estava em 2,87. Já a taxa de ocupação anual foi de 46,1%.

O número de turistas britânicos cresceu 8,7% em termos de dormidas. A procura por parte de turistas espanhóis também continuou a crescer, mas o acréscimo das dormidas foi de apenas 3,2%, enquanto entre os turistas alemães se registou um aumento de 10,7% nas dormidas, mais do que os hóspedes de França, de 11,4%. Tendência contrária aconteceu com os turistas do Brasil, com o número de dormidas a cair 3,3%.

Quando viajam e ficam em hotéis, há mais turistas a permanecer em estabelecimentos de quatro estrelas (15,4 milhões de dormidas, de um total de 32,3 de dormidas em hotéis). No segmento dos hotéis-apartamentos, o número de dormidas foi de 6,9 milhões, nos apartamentos houve 4,54 milhões, nos aldeamentos 2,13 milhões e nas pousadas o número foi de 489,6 mil (741 mil em colónias de férias e pousadas da juventude).

Hotéis do Algarve com 17 milhões de dormidas em 2015

Em entrevista ao Diário Económico, o presidente da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva, não tem dúvidas que “o Algarve é o principal destino turístico do País” e socorre-se do desempenho da região em 2014 e 2015 para provar esta convicção. Depois de, em 2014, o Algarve ter contabilizado mais de 16 milhões de dormidas, Desidério Silva revela que “a tendência para 2015 é de crescimento”. “Os dados até agora apurados apontam para cerca de 17 milhões de dormidas na região”.

No que se refere aos proveitos globais da hotelaria do Algarve, os últimos dados oficiais até Novembro do ano passado situavam-se em 744,3 milhões de euros. No entanto, com base nestes dados, a RTA antecipa que tenha ultrapassado os 750 milhões de euros no final de 2015.

Face a este desempenho e “tendo em conta que a hotelaria algarvia contribui com mais de 750 milhões de euros por ano para a economia nacional”, a mesma fonte confirma a “importância do Algarve para o crescimento do turismo em Portugal”.

No que se refere aos países que têm impulsionado este crescimento, Desidério Silva destaca que os “principais mercados emissores em termos de dormidas, por ordem de importância são o Reino Unido, Holanda, Irlanda e Espanha”. Nesta lista, o presidente da RTA sublinha que o “mercado francês tem vindo a registar um crescimento notório”. Isto porque, em 2014, este mercado foi responsável por mais de meio milhão de dormidas no Algarve, o que corresponde a mais 20% do que no ano anterior. “Em 2015 seguiu a mesma tendência e ultrapassou as 600 mil dormidas”.

A estratégia definida é de continuar a captar mais turistas. Para tal, a RTA “definiu um Plano de Marketing estratégico para o período entre 2015 e 2018 que tem como principal prioridade a captação do maior número de turistas”.
De acordo com Desidério Silva, e com base neste plano, os eixos de actuação passam pela “diversificação da oferta turística da região de modo a combater a sazonalidade, a melhoria das acessibilidades e das ligações aéreas, e ainda a qualificação da mão-de-obra”.

Isto porque a prioridade “é criar uma oferta turística diversificada para que os meses de época baixa tenham uma maior taxa de ocupação”, diz o presidente da RTA que sublinha ainda que houve necessidade de “olhar para as potencialidades da Região, estruturá-las e promovê-las de modo a fazer do Algarve um destino para todo o ano”. Para concretizar esta meta, a RTA apostou em novos produtos turísticos, como o turismo de natureza e o desportivo, a gastronomia e vinhos, o autocaravanismo, entre outros. No terreno continua o trabalho de “melhoria das acessibilidades e abertura de novas rotas aéreas que têm tido um papel fundamental na atração de novos e mais turistas para o Algarve”.

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