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A Sustentabilidade e a Complexidade Circular

Vivemos numa sensação constante de apocalipse planetário. Vivemos num mundo que enfrenta crises agrícolas, aquíferas e energéticas, é assolado com a poluição atmosférica, a destruição florestal e a subida das temperaturas ou com a ocorrência cada vez maior de tufões e sismos. E em todos esses cataclismos, há uma palavra-chave que se apresenta como sendo a solução (pelo menos na teoria). E esse termo é sustentabilidade. A dura realidade é que uma prática sustentável é algo que tem, forçosamente, de ser visto de uma forma holística e sob múltiplos prismas uma vez que esta só será possível se houver uma combinação de fatores que promovam a mesma. E uma abordagem sustentável implica desenhar sistemas que permitam atingir esse objetivo, modificando os modelos de negócio e de sociedade para atacar problemas globais, de um ponto de vista politico, económico, social e ambiental.

Tal constatação está na origem daquilo que se designa por modelos de negócio circulares ou circular business models. Tal como Al Gore nos diz na sua sequela inconveniente “A Verdade ao Poder”, a revolução da sustentabilidade associa a escala da revolução industrial à velocidade da revolução digital. E num mundo tão conectado e em constante mutação como o atual, o sentido e missão da economia circular vai muito além dos 3Rs (reciclar, reutilizar e reduzir) que nos foram ensinados em tenra idade, dada a complexidade dos processos, tecnologias e temas transversais à mesma.

Segundo a Fundação Ellen MacArthur que tem como missão acelerar a transição para uma economia circular, esta tem três princípios fundamentais: atacar o desperdício e a poluição, manter produtos e materiais em uso e regenerar sistemas naturais. A realidade é que esta gestão do ciclo não é trivial, uma vez que implica minimizar a utilização de recursos, ao mesmo tempo que se procura aumentar eficiência, adaptar o ritmo da produção e desmaterializar soluções produtivas que permitam ajudar em toda esta dinâmica. Embora a definição seja bastante abrangente, a verdade é que a sua execução prática varia bastante consoante o local onde é aplicada.

No mês passado, a mesma fundação apresentou no encontro anual de ciência e tecnologia do Fórum Económico Mundial em Tianjin, na China, no qual tive a oportunidade de participar como representante de Portugal, um relatório que apresenta a oportunidade da economia circular para a inovação industrial e urbana do mesmo país. A sua visão foca-se, essencialmente, em 5 pilares: reduzir o impacto ambiental relacionado com os edifícios, em temas como o seu desgaste ou a poluição; promover uma politica de mobilidade que possa utilizar materiais reciclados e ir na direção de uma lógica de emissão zero de carbono; aplicar medidas de regeneração de sistemas de produção alimentar; utilizar recursos mais eficientes na produção têxtil; e aplicar metodologias de reciclagem e re-manufactura no mercado de bens de consumo eletrónicos.

Também este ano, a Comissão Europeia lançou um plano de ação que: procura reduzir o impacto do uso de plásticos, com um claro foco nos plásticos encontrados nos mares e oceanos; melhorar a legislação no que toca à ligação entre a produção, os químicos e os desperdícios; e promover uma melhor utilização de matérias primas. Por outro lado, definiu ainda uma framework de progresso com 10 indicadores-chave no âmbito da economia circular tendo em conta as suas principais fases bem como outros aspetos relevantes, como o investimento na mesma ou a promoção da inovação na sua aplicação.

Da análise das politicas e medidas enunciadas nos dois casos apresentados, é importante referir que os sistemas de economia circular refletem realidades com prioridades e desafios comuns mas também diferenciados. E é desta comprovação que a abordagem multi – stakeholder celebrizada pelo Fórum Económico Mundial ganha uma nova dimensão. Para se entender o real impacto e eventuais soluções para os desafios que a economia circular pode resolver, é necessária uma interligação entre os diferentes agentes do tecido económico, empresarial e social uma vez que só com todos estes sentados à mesma mesa é que teremos uma fiel representação das várias áreas essenciais à formulação e desenho do sistema circular, seja na produção, na reutilização, na reciclagem ou no consumo.

Diogo Almeida Alves é Vice-Presidente na A2D Consulting, que se dedica à transformação digital de grandes empresas e à capacitação do capital humano para enfrentar a era digital. Está a escrever um livro que se foca na origem, evolução e intersecção dos 4 elementos da natureza com a humanidade e a tecnologia.

É ainda Professor Convidado na Universidade Católica Portuguesa onde leciona Empreendedorismo e Inovação, Director da Associação Federal Alemã de Sustentabilidade e Global Shaper do Fórum Económico Mundial. Viveu e trabalhou em quatro continentes durante cerca de uma década. Estudou em Lisboa, Paris, Hong Kong e Londres e tem um Master of Science in Business Administration.

Ao longo dos próximos meses, e nas próximas edições desta crónica sobre a economia circular, o autor irá retratar várias áreas fundamentais sobre a mesma, bem como exemplos e casos de estudo inovadores e inspiradores sobre o tema.

Economia Circular | “Não herdamos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos”

Gestão da Produção/Gestão Industrial

A gestão da produção/gestão industrial deve ser compreendida numa perspetiva holística, superando as formas tradicionais de operação industrial; visando a produção sustentável, mostrando como as questões socioambientais estão intrinsecamente relacionadas às decisões estratégicas, processos e operações-chave; em consonância com a economia verde e economia circular; potenciando a integração entre o desenvolvimento sustentável, atividades e ferramentas de gestão da produção com enfoque para a prevenção de impactes sociais e ambientais.

Assim, e considerando ainda as atuais tendências de aumento populacional, crescimento da procura e consequente pressão nos recursos naturais, a sociedade e a Organização/indústria/empresa deve considerar uma gestão global baseada num paradigma mais sustentável, assente nas suas três vertentes – económica, social e ambiental – alavancando para uma economia mais “verde” que assegure o desenvolvimento económico, a melhoria das condições de vida e de emprego, bem como a regeneração do capital natural, potenciando na ação/operação a frase mundialmente conhecida “Nós não herdamos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos!”.

O que é a Economia Circular?

A Economia Circular é um conceito económico que faz parte do desenvolvimento sustentável e de conceitos económicos inspirados nomeadamente em noções de permacultura económica, de economia verde, de economia de uso ou da economia de funcionalidade, do desempenho da economia e da ecologia industrial, e que emerge como alternativa à economia linear de produção de bens e serviços.

É um modelo económico reorganizado focado na coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados; é um conceito estratégico que assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, em que o desenvolvimento de produtos deve ter em mente um reaproveitamento que mantenha os materiais no ciclo produtivo. A ideia de ciclo está no coração da economia circular.

Substituindo o conceito de fim-de-vida da economia linear, por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação, num processo integrado, a economia circular é vista como um elemento chave para promover a dissociação entre o crescimento económico e o aumento no consumo de recursos, relação até aqui vista como rígida e inflexível. A economia circular ultrapassa o âmbito e foco estrito das ações de gestão de resíduos e de reciclagem, visando uma ação mais ampla, desde o redesenho de processos, produtos e novos modelos de negócio até à otimização da utilização de recursos.

Visa assim o desenvolvimento de novos produtos e serviços economicamente viáveis e ecologicamente eficientes, radicados em ciclos idealmente perpétuos de reconversão a montante e a jusante. Caracteriza-se como um processo dinâmico que exige compatibilidade técnica e económica (capacidades e atividades produtivas) mas que também requer igualmente enquadramento social e institucional (incentivos e valores).

A nível da União Europeia, a Comissão tem adotado, desde dezembro de 2015, medidas destinadas a promover e a financiar este tipo de economia. O objetivo desta estratégia passa também por reduzir produção de energia, aumentando assim a eficiência energética; adotar planos de mobilidade que privilegiem o transporte público, a mobilidade sustentável e as ciclovias; e combater os excedentes.

De acordo com a Agenda Temática de Investigação e Inovação – Economia Circular, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a qual foi apresentada no dia 23 de abril (2018), a economia circular “representa uma opção chave para a resiliência, prosperidade e desenvolvimento sustentável de Portugal, potenciando o uso eficiente de recursos, a produtividade e a competitividade, gerando crescimento, emprego e redução nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE).

A escassez de matérias-primas e de água potável, a pressão das alterações climáticas, as necessidades energéticas e alimentares, a dependência tecnológica e da agricultura por elementos/compostos químicos raros são os principais vetores de pressão para a transição de uma economia linear – baseada em combustíveis fósseis, consumo intensivo de recursos e geração significativa de resíduos – para uma economia circular, eficiente e menos dependente dos recursos, com menor intensidade carbónica e energética e reduzindo o impacto ambiental e climático das atividades humanas e contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico…a visão para Portugal deve centrar-se em avanços significativos na reutilização contínua dos materiais estrategicamente mais importantes para o país, no seu potencial produtivo máximo (máximo valor financeiro e utilidade, pelo maior tempo possível), em ciclos energizados por fontes renováveis, preservando os ecossistemas e gerando emprego e qualidade de vida”.

Incentivar/Contributo para a Transição

No sentido de contribuir para a disseminação e implementação do conceito de economia circular nas organizações, a RTA Consultoria é membro da Associação Smart Waste Portugal. Focalizada em Engenharia, Estratégia, Planeamento, Soluções, Conhecimento, Desempenho, Resultados e Skills, por meio de Consultoria & Apoio às Organizações, Formação & Capacitação, a RTA Consultoria pretende desenvolver metodologias e soluções capazes de conferir a conformidade e eficiência dos processos, atividades e funções, incluindo a otimização da gestão organizacional (legal, técnica, documental e operacional) em qualquer tipo de organização/setor, com a customização do serviço e a conjugação dos saberes, bem como assegurar a valorização, capacitação e desenvolvimento do potencial humano, nas modalidades de formação inter-empresas, intra-empresa/à medida, seminários especializados e training em coaching, nos vários domínios de intervenção (coordenação, planeamento, conceção, organização e promoção, desenvolvimento, execução e avaliação).

Rita Teixeira d’Azevedo, RTA Consultoria

Ponto Verde Open Innovation com candidaturas abertas até 8 de abril

A iniciativa é promovida pela Sociedade Ponto Verde e visa apoiar projetos de Investigação & Desenvolvimento (I&D), modelos e projetos de negócio impulsionadores e dinamizadores da economia circular. Os interessados poderão submeter as candidaturas através do site http://pontoverdeopeninnovation.com.
A iniciativa, que conta com apoio institucional  do Ministério do Ambiente, será operacionalizada com um conjunto de parceiros de relevo das mais diversas áreas, nomeadamente investigadores, investidores, associações setoriais, empresas e universidades, que poderão proporcionar diversos tipos de apoio, nomeadamente mentoring, incubação de empresas e financiamento.

Luís Veiga Martins
Luís Veiga Martins

São passíveis de candidatura projetos submetidos por Universidades, Instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional e outras entidades, Empresas, Associações e Organizações Não Governamentais, bem como de empreendedores individuais ou equipas e startups até três anos de existência.
Após esta fase, seguem-se a verificação e avaliação de mérito das candidaturas, realizadas por entidades independentes e, posteriormente, a avaliação das mesmas pelo Advisory Board do Ponto Verde Open Innovation. Entre setembro e outubro terá lugar um Bootcamp, organizado pela Nova School of Business and Economics, no qual poderão participar os responsáveis pelos projetos anteriormente selecionados pelo Advisory Board. Por último, os projetos serão avaliados pela comissão executiva da Sociedade Ponto Verde e pelos parceiros do Ponto Verde Open Innovation.
O projeto conta ainda com o apoio das seguintes entidades: AEP – Câmara de Comércio e Indústria, AEPSA – Associação das Empresas Portuguesas para o Setor do Ambiente, Building Global Innovators, Centro para a Valorização de Resíduos, EY, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Fundação AIP, Millennium Capital, Nova School of Business and Economics, Porto Business School, Startup Lisboa, The Lisbon MBA, Universidade do Minho, Universidade do Porto e VDA – Vieira de Almeida Associados.
O Advisory Board do projeto é constituído por Ana Isabel Trigo Morais, António Barahona d’Almeida, António Lobo Antunes, Augusto Mateus, Fernando Leite, Francisco Nunes Correia, Jorge Rodrigues, Miguel Fontes, Nuno Lacasta, Paulo Ferrão e Viriato Soromenho-Marques.
Ao longo dos seus 19 anos, a Sociedade Ponto Verde tem vindo, no âmbito da sua missão, a apoiar e dinamizar a investigação e desenvolvimento, tendo investido mais de 2 milhões de euros em projetos e estudos que se revelaram fundamentais para melhorar processos de recolha, de transporte, de triagem e de reciclagem e, inclusivamente, para o aparecimento de novas técnicas e de novos negócios. Destacam-se projetos como os Plásticos Mistos, que contribuíram para a reciclagem de plásticos que, no passado, constituíam refugo das estações de triagem; ou o baldeamento assistido, projeto que tem proporcionado ao setor horeca (hotéis, restaurantes e cafés) uma forma eficiente e fácil de depositar o vidro recolhido nos seus estabelecimentos em ecopontos especialmente adaptados para recolher grandes quantidades de embalagens.

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