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ISAG dá apoio psicológico e treinos de soft skills a alunos durante a pandemia

Texto e foto: NIT

Os alunos de todos os cursos de ensino superior do ISAG – European Business School, no Porto, estão em regime de aulas à distância desde 12 de março. Para os ajudar a lidar com o isolamento durante estes tempos de exceção devido ao novo coronavírus, o instituto decidiu disponibilizar duas plataformas de apoio aos mais de mil estudantes que frequentam a instituição: uma academia online de treino de soft skills (competências sociais e emocionais) e uma linha telefónica de apoio psicológico.

O projeto Soft Skills Online Academy já está a funcionar e pretende ser um ponto de encontro de partilha de ideias e boas práticas para enfrentar os desafios emocionais do isolamento social. Os treinos acontecem duas vezes por semana, durante uma hora, e são conduzidos por duas professoras especializadas na área das soft skills e duas psicólogas que promovem as dinâmicas de grupo.

No fundo, os treinos funcionam como sessões de esclarecimento e debate cujo objetivo principal é ajudar estudantes a fazer uma melhor gestão de emoções, de comunicação, de liderança e de resolução de conflitos. O acesso é gratuito e requer apenas uma inscrição prévia.

O ISAG criou ainda a Linha de Apoio ao Estudante, uma forma de garantir um acompanhamento individualizado e constante aos seus alunos. A linha telefónica é também gratuita e será gerida por duas psicólogas da instituição, que pretendem perceber o estado emocional dos estudantes, quais são as suas dúvidas e preocupações e as suas situações familiares.

“O desenvolvimento de competências sociais e emocionais da nossa comunidade académica tem sido uma prioridade nos últimos anos e não poderia ser colocado em segundo plano no atual contexto de pandemia. Neste momento, estas competências são mais necessárias do que nunca e queremos garantir que os nossos estudantes conseguem preservar a sua saúde psicológica durante este desafiante período”, explica em comunicado Elvira Vieira, Diretora-Geral do ISAG.

Mais de duas mil turmas continuam sem professores

O ano letivo já arrancou há mais de um mês e existem, pelo menos, 2175 horários para professores por preencher devido à falta de docentes, escreve o Jornal de Notícias (versão em papel). Do total, 1775 estão incompletos e, pelo menos, 147 que, apesar de completos, não foram aceites ou não tiveram candidaturas nas reservas de recrutamento nacionais, passando para concursos feitos pelos agrupamentos de escolas.

 Informática, Geografia e Inglês são as disciplinas mais afetadas. De acordo com as contas do professor e especialista em estatísticas da educação Arlindo Ferreira, há 288 horários por preencher na disciplina de Informática.

A falta de professores sente-se mais na região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, segundo as contas de Arlindo Ferreira. Nestas zonas, estão por preencher 1213 horários: mais de metade dos que estão ainda vagos. Só em Lisboa, faltam 110 professoresAs rendas altas são uma das razões para a recusa dos contratos — o que leva o presidente da Associação Nacional de Diretores, Filinto Lima, a defender como urgente a aprovação de um subsídio de alojamento, nesta legislatura.

No Algarve, há professores instalados em parques de campismo“, denunciou Pedro Tilde, diretor da Escola Secundária Du Bocage, em Setúbal.

Ao Jornal de Notícias, o Ministério da Educação revelou ter sinalizado “casos muito pontuais” de escolas que estão com dificuldade em preencher horários.

Fonte Agência Lusa

Final da 5ª edição da maior competição nacional de aplicações criadas por jovens decorre na Fundação Calouste Gulbenkian

Na 5ª Edição do Apps for Good, que decorrerá no próximo dia 13 de setembro, as 22 equipas de alunos finalistas vão demonstrar o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo, apresentando as suas ideias (Apps) que solucionam problemas reais.

O evento final contará com a presença de Isabel Alçada, Assessora para a Educação do Gabinete da Presidência da República, do Diretor-Geral da Educação, José Vítor Pedroso, do Administrador Executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, Guilherme d’Oliveira Martins e ainda de Natalie Moore do Apps for Good UK, para além de outras personalidades e membros da Direção do CDI Portugal. O júri que irá avaliar as 22 aplicações finalistas será constituído por representantes dos parceiros do programa, como Sandra Aparício e Nuno Pedras da Galp.

As 22 equipas finalistas foram selecionadas pelo júri durante os quatro encontros regionais que se realizaram entre junho e julho deste ano nos Açores, em Valongo, em Oeiras e na Madeira e que contaram com a presença de cerca de 150 equipas. No total serão atribuídos 10 prémios, uma vez que além do pódio (1º, 2º e 3º prémios para o ensino básico e secundário) será ainda entregue o Prémio Jovem Aluna.pt (patrocinado pelo .PT), o Prémio Tecnológico (patrocinado pela Fujitsu), o Prémio do Público e ainda o Prémio Cooler Planet (patrocinado pelo BNP Paribas) para as soluções apresentadas para a melhoria do ambiente.

Entre as aplicações que vão discutir a grande final está a ‘Color You’, que pretende integrar a pessoa daltónica e facilitar o seu quotidiano; a ‘SOS Animais’, que facilita a localização e identificação dos animais perdidos; a ‘Coursly’, que pretende ajudar alunos a escolher o curso superior mais adequado; a ‘Only Heal’, que estabelece a ligação entre utentes e farmacêuticos; entre outras.

Programa:

Dia: 13 de setembro de 2019

Local: Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa)

 

Agenda:

14h00 – Pitch: Apresentações feitas pelas equipas de alunos em sessões de 2 minutos

15h30 – Abertura do Evento Público e Marketplace: Mostra de todas as aplicações pelas equipas de alunos

16h45 – Entrega de Prémios

17h30 – Encerramento

“A tecnologia deve ser um meio, e não apenas um fim, para a resolução de problemas e de causas sociais que permitam criar uma sociedade mais inclusiva, cívica e sustentável, e o Apps for Good desenvolve a capacidade crítica, criativa e empreendedora dos jovens”, afirma João Baracho. O diretor executivo do CDI Portugal salienta que “com o objetivo de criar aplicações que abordem um tema de desenvolvimento sustentável do mundo em que vivemos, o programa permite que os jovens se sintam capazes de mudar o mundo”.

Lançado pelo CDI Portugal, o Apps for Good é um programa que pretende seduzir jovens (entre os 10 e 18 anos) e professores para a utilização da tecnologia como forma de resolver os seus problemas, propondo um novo modelo educativo mais intuitivo, colaborativo e prático. O objetivo do programa é desenvolver aplicações (apps) para smartphones e tablets que possam contribuir para a resolução de problemas relacionados com a sustentabilidade do mundo em que vivemos.

A operacionalização do programa decorre ao longo do ano letivo, onde professores (de todas as áreas disciplinares) e alunos têm acesso a conteúdos online com uma metodologia de projeto de 5 passos. Para apoiar no desenvolvimento do projeto, os participantes têm acesso a uma rede de especialistas que se ligam online à sala de aula, para prestar todo o apoio de esclarecimento de dúvidas. O modelo de implementação poderá ser em regime curricular ou extracurricular.

No final do programa, as escolas poderão optar por participar na competição que está dividida em duas fases: Encontros Regionais – semifinais em que todos os alunos são convidados a ir a Marketplace e a fazer o seu pitch – e Evento Final – onde são premiadas as melhores soluções.

Portugal e Timor-Leste assinam protocolo para ensino de português a docentes timorenses

Foto LUSA

Portugal e Timor-Leste assinaram esta quinta-feira um protocolo que marca o arranque de um novo projeto de formação contínua em língua portuguesa de professores do ensino não superior, com um custo de 16,28 milhões de euros até 2022.

O protocolo do projeto Pró-Português foi assinado esta quinta-feira pelo presidente do Camões, Instituto de Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos — que está em visita a Timor-Leste — e a ministra da Educação, Cultural, Juventude e Desporto, Dulce Soares.

“O investimento de Portugal com Timor-Leste na área da educação é sólido e tem dado resultados muitos concretos. Iniciamos agora uma nova fase na nossa cooperação. Representa um salto qualitativo e quantitativo para outro patamar”, explicou Luís Faro Ramos.

O Projeto Pró-Português de formação contínua de professores, engloba várias atividades destinadas à “consolidação do sistema educativo e melhoria da qualidade do ensino em Timor-Leste, através do apoio ao setor da formação profissional e contínua do pessoal docente do sistema educativo do ensino não superior timorense“.

O projeto prevê ainda o desenvolvimento das competências e proficiência em Língua Portuguesa — Nível B2 de todos os professores, de todos os ciclos de ensino (Educação Pré-Escolar, Ensino Básico e Secundário) do sistema educativo do ensino não superior timorense, de escolas dos 65 Postos Administrativos.

Anualmente haverá cerca de “520 horas de formação para uma média de 4 300 professores“, permitindo que “num prazo de três anos, que todos os professores do sistema educativo nacional atinjam o nível B2 de proficiência linguística em língua portuguesa.

A ministra timorense da Educação e Desporto, Dulce Soares, sublinhou a aposta de “futuro” que o governo tem feito no sistema educativo desde a restauração da independência, para responder ao “enorme desafio de reconstruir o sistema educativo”.

Considerando que a formação de professores com qualidade é algo complexo e que demora tempo, exigindo investimento, mas também “uma mudança de mentalidade dos professores, virados para escola e seus alunos”, apontou.

A governante disse que o projeto surge depois de testes diagnósticos em 2015 mostrarem que “78% dos professores timorenses (…) possuíam um conhecimento incipiente de língua portuguesa, o que resultava em dificuldades no uso da língua portuguesa como língua de instrução em sala de aula”.

Por isso, e para acelerar o processo de formação, o governo timorense recorreu “aos parceiros de sempre”, Camões e Portugal para criar um novo projeto que atuará a nível local, “focado apenas no desenvolvimento de competências linguísticas”, disse Dulce Soares.

“Um grande projeto que tem um grande objetivo, elevar o domínio e proficiência de todos os professores do ensino não-superior”, afirmou.

O protocolo assinado esta quinta-feira assenta numa “estratégia de gradual sustentabilidade”, assegurada pela criação e capacitação de uma Bolsa de Formadores timorenses em Língua Portuguesa que permitirá, conjuntamente com os professores portugueses, “uma implementação partilhada e a organização de estruturas próprias timorenses que assegurem a continuidade da intervenção”.

O acordo prevê que a maior fatia do projeto seja financiada pelo governo timorense, cabendo ao Camões,Instituto de Cooperação e da Língua, o cofinanciamento no valor total de 3,34 milhões de euros durante os três anos de vigência do projeto.

Prevê-se que estejam envolvidos no projeto 33 professores portugueses com dois coordenadores a que se somam 53 formadores efetivos timorenses (mais 53 suplentes) escolhidos pelo INFORDEP.

“Traduz uma aposta muito ambiciosa de Timor-Leste e de Portugal na consolidação da língua portuguesa como língua oficial de ensino, permitindo aumentar a qualidade do ensino básico e básico geral”, afirmou Luis Faro Ramos.

Orientado pelos vetores de “proficiência, profissionalismo e professores”, o projeto amplia o anterior “Formar Mais”, com uma amplitude geográfica maior e abrangendo diretamente os docentes do sistema educativo timorense, numa lógica de formação contínua.

Além de se dedicar exclusivamente à formação de e em língua portuguesa, o Pró-Português abrange um número maior que nunca de formandos, incluindo pela primeira vez o uso do ensino a distância, com o apoio das tecnologias da informação.

Desde 2000 que Portugal tem vários projetos neste setor, o primeiro dos quais, executado até 2011, de “Reintrodução e de Consolidação da Língua Portuguesa”, visando tanto docentes como outros funcionários públicos

Seguiu-se, entre 2012 e 2014 o Projeto de Formação Inicial e Contínua de Professores (PFICP), que apoiou a reconstrução do sistema educativo de Timor-Leste e consolidação da Língua Portuguesa como língua de escolarização.

O projeto centrou-se ainda na formação e acompanhamento científico e pedagógico dos professores na implementação dos novos Currículos do 3.º Ciclo do Ensino Básico, do Ensino Secundário Geral e do Ensino Secundário Técnico-Vocacional.

Finalmente surge em 2015 o “Formar Mais” que terminou no ano passado.

“É notório o que, nos últimos 17 anos, os sucessivos Governos de Timor-Leste têm conseguido alcançar no setor da Educação. Contudo, creio que partilhamos a ideia de que subsistem ainda grandes desafios pela frente, muitos deles a solicitar união de esforços por uma maior qualidade dos serviços de educação e investimento no desenvolvimento das capacidades dos professores”, disse Faro Ramos.

Fonte: LUSA

Sharing Foundation: há cinco anos em prol da multiculturalidade e da interculturalidade

A Fundação atua em diferentes áreas que vão da educação à cultura, às artes e formação em âmbito regional, nacional e internacional. De forma a elucidar os nossos leitores, que história pode ser contada sobre a origem e o propósito da Sharing Foundation?

A Sharing Foundation é um Fundação de cariz familiar, instituída em homenagem em vida à mãe do nosso Presidente Silvio Santos, no dia do seu último aniversário, a 15 de Outubro de 2013. Baseada na visão de um país melhor com uma juventude educada e formada numa pedagogia diferenciada, alicerçada na meritocracia, mas também promotora de culturas e línguas que fazem parte do desenvolvimento do ser humano. Nem sempre, na nossa sociedade, somos capazes de usar a cooperação como forma de prática de trabalho, não é fácil ao ser humano “despir-se” da sua individualidade e do espírito de sobrevivência que nos caracteriza. Essas competências, chamadas de soft skills, são competências adquiridas na formação, na aprendizagem por um modelo multicultural e intercultural, basilar na Fundação e foi este o espírito que a promoveu.

É diretora geral da fundação e tem um pós doutoramento em Sistemas de Inteligência Artificial, um tema que trouxe para a fundação. Que projetos têm sido desenvolvidos nesse sentido?

A Fundação tem os seus projetos na área da Educação e Pedagogia na temática do multiculturalismo e multilinguismo associados à rede de escolas ao nível nacional bem como ao nível internacional, nomeadamente nos países da CPLP. A investigação na área de Sistemas de Inteligência Artificial tem sido uma das iniciativas trazidas à discussão nos nossos projetos de investigação e em projetos europeus. Acreditamos que a tecnologia pode promover a aprendizagem numa metodologia inclusiva e integradora do aluno. Nos nossos projetos pretendemos demonstrar a intervenção de boas práticas ao nível da inteligência artificial que podem ajudar a gestão de uma boa escola e um novo paradigma de aprendizagem do aluno.

Em Portugal, esta é uma temática que começa a ganhar alguma força… comparativamente com outros países, estamos num bom patamar?

Portugal tem feito um excelente percurso de investigação nesta área há décadas, desde machine learning, robótica inteligente, à inteligência aumentada com aplicação da área da saúde nos centros de investigação. Ligados à aprendizagem, é uma ideia inovadora e completamente revolucionária. Escrever um algoritmo que possa prever se determinado aluno vai ter dificuldades em determinados conteúdos, pode ajudar a gestão da escola a realizar uma intervenção adequada e atempada de modo a prevenir abandono ou insucesso escolar. Os sistemas de inteligência artificial podem fazê-lo, enriquecendo o sistema de ensino de novas ferramentas para ensinar, evoluir e ter sucesso.

Onde nos leva a inteligência artificial?

A inteligência artificial é um meio pelo qual se pretende modelar os pensamentos em processos computacionais. E definir processos mentais como uma expressão algorítmica é de facto algo extremamente ambicionante. E isto leva-nos com certeza ao desenvolvimento da engenharia do conhecimento, uma nova área e provavelmente novos perfis de trabalho serão definidos por este conhecimento. Esta capacidade de um computador reconhecer padrões e definir perfis tendo por base as lógicas humanas e o comportamento humano, vai fazer-nos, a nós como seres humanos, ambicionarmos ir mais longe no conhecimento, aliás uma característica que nos distingue das demais espécies.

Promover a multiculturalidade e o interculturalismo são princípios que estão enraizados na fundação. Através de que meios promovem este comportamento global?

A Fundação trabalha na Guiné equatorial, em Cabo Verde, em Moçambique e colabora com a Rússia, Brasil e países europeus, interagindo assim com outras culturas de uma forma globalizada. Trabalhar com muitas culturas permite-nos desenvolver competências entre culturas. Nos nossos projetos, a cultura é sempre vista a partir de um ponto, e nessa perspetiva, é sempre coordenada e respeitada a vista de outros pontos. E é nesta missão de espírito cultivador que podemos e devemos evoluir e respeitar as diferenças. O Ser Humano evoluiu como espécie porque era diferente e foi necessário adaptar-se à diferença do seu meio para evoluir. Nós, como seres culturais devemos ser capazes de viver nessa diferença, mas acima de tudo, respeitando a vivência da diferença. Isto é basilar e um dos alicerces dos direitos humanos, um meio pela qual a Fundação pretende sempre seguir.

Organizam encontros, seminários e conferências, quais serão as próximas?

Até ao final do ano a Fundação está envolvida na gestão e coordenação de alguns projectos europeus, tendo as acções inerentes a esses projectos as conferências e seminários com as nossas Universidades e Instituições parceiras. Em 2018 celebramos o 5º aniversário da Fundação e pretendemos associá-lo à nossa missão, juntamente com os nossos parceiros de educação e ciência, a promoção deste dia com uma conferência internacional.

Pais e professores devem levar as crianças para a rua

O consenso existe e poucas dúvidas subsistem sobre este tema: é importante que as crianças brinquem mais e, de preferência, ao ar livre. Os benefícios são muitos, não só em termos físicos mas também cognitivos e emocionais. Ainda assim, são escassas as medidas institucionais para incentivar esta prática entre nós.

Luís Ribeiro, presidente da Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI), reconhece isso mesmo: “Podemos dizer que faz parte da retórica do discurso, quer dos professores quer da administração educativa, mas não das suas práticas. Embora os currículos incluam o ensino experimental e a atividade física e desportiva nos respetivos programas, particularmente no primeiro ciclo, a verdade é que raramente foram implementadas políticas educativas que o favorecessem.”

Concretamente, o responsável lamenta o “cada vez maior enfoque social em áreas como a matemática e a língua materna, e a sua consequente hipervalorização no currículo, empobrecendo e estreitando as práticas educativas ao ler, escrever e contar, remetendo-se as atividades ao ar livre quase exclusivamente para os intervalos da componente letiva e sem a importante mediação do educador ou professor”. Segundo Luís Ribeiro, esta tendência revela-se até na educação de infância, em que “a prática educativa de rua, centrada em atividades de experimentação e de envolvimento com a natureza, tem vindo a perder lugar”.

“Cerca de 70% das crianças portuguesas passa menos tempo ao ar livre por dia do que os 60 minutos recomendados para os detidos em prisões”

A consequência disto tudo ficou bem patente nos resultados de um estudo levado a cabo pela marca SKIP no nosso país, segundo os quais cerca de 70% das crianças portuguesas passa menos tempo ao ar livre por dia do que os 60 minutos recomendados para os detidos em prisões. Foi precisamente para ir ao encontro desta necessidade que SKIP criou o movimento Dia de Aulas ao Ar Livre, a realizar no dia 6 de outubro, aberto a todas as escolas, professores e pais que queiram subscrever e aderir.

O objetivo é simples: proporcionar que todas as crianças possam ter um dia de aulas no exterior. Por considerar que brincar ao ar livre é fundamental para a aprendizagem de valores como a resiliência, o trabalho em equipa, a liderança, a criatividade e o desenvolvimento motor, a marca pretende não só proporcionar um dia diferente às crianças como sensibilizar a sociedade a questão.

Ensinar na rua

Também para Diogo Castro Pereira, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica/Jardim de Infância do Alto de Algés, “os professores deveriam poder sair para a rua com as crianças e mostrar, exemplificando, algumas das matérias que pretendem lecionar”. Isto porque “o português, o estudo do meio e a matemática estão por todo o lado à nossa volta, dentro e fora de casa, é só uma questão de saber adequar um bom exemplo a uma matéria que ficará na memória das nossas crianças”, justifica.

O responsável acredita que “cabe aos pais em casa e aos responsáveis pelos planos pedagógicos inovar e procurar novas maneiras de ensinar, brincando”. Desta forma, será possível que as crianças estejam mais aptas a “aprender sem pressão, descontraídas e com uma abertura para assimilar diferente daquela que têm em sala”.

E, mesmo sabendo que esta lógica não pode ser aplicada a tudo, salienta que “temos de perceber e melhorar os nossos programas curriculares, que por vezes parecem feitos por quem nunca saiu da cidade, abriu uma janela ou saiu pela porta para viver e sentir o que se passa lá fora em todas as estações do ano”.

Arquitetura desadequada

Para potenciar o contacto dos mais novos com o ar livre, entende que as escolas com espaço disponível “podem criar recreios mais adequados à liberdade das brincadeiras, ainda que com supervisão”. Aliás, na sua perspetiva, uma das razões que mais impede as crianças de passarem tempo no exterior prende-se com questões de construção: “A arquitetura da nossa escola e de muitas escolas do nosso agrupamento não foi feita para essa vertente. Muito betão, muita arquitetura minimalista e pouco adequada às idades e ao local onde está implantada a escola.”

Nas suas palavras, esta é uma questão específica que tem vindo a ser debatida nos últimos anos, já que “o espaço de recreio é demasiado exposto aos elementos atmosféricos, não dando a proteção necessária quando chove ou quando está muito sol e calor”. Como consequência, refere que a associação a que preside “já apresentou várias propostas às entidades responsáveis pelo espaço, no caso a Câmara Municipal de Oeiras, e irá continuar a insistir até que se consigam melhorar as condições atuais do recreio da escola”.

Alterar a situação

Também Luís Ribeiro clama por maior integração da vida real nos programa escolares: “Na educação de infância e no primeiro ciclo do ensino básico é muito importante que os docentes compreendam que o currículo tem uma natureza holística, quer isto dizer que, na sua operacionalização, todas as áreas do saber devem ser abordadas de forma transdisciplinar, ou seja, devem fazer-se sistematicamente pontes entre elas, para dar sentido ao que os alunos aprendem.” Por outro lado, considera “fundamental compreender que as aprendizagens devem partir do que as crianças sabem e dos seus contextos de vida, pois essas aprendizagens tornam-se, assim, significativas para elas”.

Na sua opinião é igualmente relevante que as escolas entendam a importância que a brincadeira tem no desenvolvimento das crianças. Nesse sentido, defende que “na gestão dos horários dos alunos e das atividades de apoio à família/enriquecimento curricular, o brincar deve assumir uma centralidade inequívoca, evitando-se uma extensão do academicismo escolar até às 17h30 ou 18 horas”.

“É relevante que as escolas entendam a importância que a brincadeira tem no desenvolvimento das crianças”

No mesmo sentido, sustenta que “sobrecarregar os alunos do primeiro ciclo com trabalhos para casa será sempre uma estratégia errada e deslocando para o espaço familiar a lógica escolar, quando seria muito mais importante, sobre qualquer ponto de vista, fortalecerem-se as dinâmicas familiares”.

A este propósito, Luís Ribeiro elogia a decisão do Agrupamento de Carcavelos, que aboliu as retenções e os TPC, considerando-a “um excelente exemplo de como uma escola e os seus professores podem construir lógicas organizacionais alternativas”. Mas lamenta a forma como a administração pública olha para as escolas e para a sua autonomia: “Uma retórica pura que não tem consequência entre o que se diz e o que se legisla, ou entre o que se legisla e na verdade se decide, impedindo que estes exemplos se possam disseminar e coartando a transformação da escola.”

O papel dos pais

Além das escolas e professores, cabe também aos pais fazer algo para que os filhos não fiquem horas fechados em casa. De acordo com Diogo Castro Pereira, “aqueles que deveriam brincar mais com as crianças, estimulando-as e ensinando algumas das brincadeiras que faziam ao ar livre em criança, não o fazem”. E questiona: “Quantas vezes nos deparamos com crianças a quem nunca ensinaram ou mostraram como se pode brincar ao ar livre?”

shutterstock_55073512Ao mesmo, retira a culpa tantas vezes atribuída aos gadgets eletrónicos, lembrando que “a tecnologia não pode ser desculpa para tudo, pois esta existe para otimizar e melhorar as nossas tarefas, até as tarefas de pai. Só temos de saber separar as águas e não deixar que sejam impeditivas. Por exemplo, hoje temos a facilidade de poder ler uma mensagem de e-mail no telefone, sem ter de ir a casa ou ao escritório, mas se calhar não o devemos fazer quando esse tempo poderá ser dedicado aos nossos filhos.”

Por também ser pai sabe bem do que fala e sublinha que “ninguém é perfeito”, admitindo que “a correria do dia-a-dia contribui para isto”. A terminar deixa mesmo uma chamada de atenção: “Temos de olhar um pouco para nós e para o legado que estamos a deixar aos nossos filhos, pois será isso que eles irão transmitir à geração seguinte.”

O Dia de Aulas ao Ar Livre na voz da ANP

Em entrevista ao Observador, Paula Figueiras Carqueja, Presidente da Associação Nacional de Professores, revela a importância deste tipo de ações para as crianças.

O que trazem de fundamental iniciativas como esta do Dia de Aulas ao Ar Livre?

Todas as iniciativas que promovem ou promovam atividades lúdicas às crianças são sempre bem-vindas. A iniciativa da marca SKIP em que convida a comunidade educativa a levar a escola para “a rua”, sair da sala de aula, adaptar e conciliar as aprendizagens, o conhecimento à realidade, ou seja aliar a teoria à prática de uma forma lúdica, desenvolve o poder de investigação, de associação, o espírito crítico e o interesse pelo meio ambiente, pela realidade global que os rodeia e na qual estão inseridas.

O mais interessante desta iniciativa é o consciencializar para uma aprendizagem fora da sala de aula utilizando todos os recursos existentes no exterior, ao ar livre, seja um pau para desenhar, seja para a construção de uma espada, seja para ouvir o chilrear dos pássaros (…).

As nossas crianças, hoje, são os cidadãos/cidadãs com o horário laboral diário dos mais preenchidos na nossa sociedade, a escola a tempo inteiro.

Para além da atividade curricular obrigatória (5 horas) têm tarefas extracurriculares, natação, línguas, dança, artes marciais, ficando sem tempo para simplesmente brincar, pegar numa boneca e conversar com ela, pegar num carrinho e jogar. Estes são momentos emocionais importantes para o seu desenvolvimento integral, para aprender a lidar com a frustração, e as capacita a serem mais autónomas e perseverantes.

A nossa sociedade não está consciente da importância do brincar. Quando uma criança brinca desenvolve competências, nomeadamente físicas, mentais e emocionais, para além de se consciencializar do que a rodeia e ficar mais preparada para enfrentar situações adversas, tornando-a resiliente.

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Benefícios do ensino ao ar livre

1. Melhor apreensão do meio ambiente;
2. Melhor qualidade na aprendizagem sensorial;
3. Promoção de estratégias de ensino/conhecimento, aplicadas em contexto real, obtendo melhores resultados de aprendizagem;
4. Com o movimento “Dia de Aulas ao Ar Livre”, as crianças desfrutam de uma experiência única de conhecimento de forma lúdica.

O que motivou a ANP a associar-se a esta iniciativa?

Um dos objetivos da Associação Nacional de Professores passa por apoiar e promover a realização de ações que contribuam para a dignificação da pessoa humana, objetivo essencial de todo o processo educativo.

Atenta a iniciativas que vão ao encontro do objetivo mencionado, a ANP aceitou participar e envolver-se neste movimento promovido pela marca SKIP. Consideramos uma oportunidade para um envolvimento a nível nacional das escolas e das famílias, de toda a comunidade educativa, neste Dia de Aulas ao Ar Livre, pela sensibilização da importância do brincar através de uma prática efetiva e, num só tempo, participar em práticas pedagógicas diferenciadas e de trocas interpessoais, usufruindo do património local.

Como é que escolas e professores podem pôr em prática este desafio no dia 6 de outubro (e depois replicar noutros dias)?

Observando o espaço onde está inserido o estabelecimento de ensino, o que rodeia, o que existe à sua volta (fotografar, filmar, desenhar ou simplesmente observar e relatar as observações), registando e identificando os ruídos locais, descobrindo os seres vivos, ente outras tantas coisas como correr, saltar, pintar, jogar…

Sr. Cabeça de Batata está desfigurado, mas por um bom motivo

Como ensinar miúdos e graúdos que os legumes feios podem ser tão ou mais saborosos que a comida esteticamente perfeita? Deformando a personagem “Sr. Cabeça de Batata”. Pelo menos foi essa a ideia da marca de brinquedos Hasbro, que se aliou à cadeia britânica de supermercados Asda para criar uma nova versão da personagem de Toys Story — quem não se lembra da muito repetida frase “Sou uma batata casada!”?

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O brinquedo inspirado na personagem está agora, ao contrário do que já nos habituou, menos redondo e menos simétrico e já foi batizado de “Wonky Mr. Potato Head” (em português pode ser traduzido para “Sr. Cabeça de Batata Torta”).

A reinterpretação do desenho animado não vem ao acaso. Além de estar a ser leiloado no eBay desde 27 de junho — até 3 de julho, o dinheiro destina-se à FareShare, uma instituição de caridade dedicada a combater o desperdício alimentar –, o brinquedo de edição limitada pretende passar a mensagem de que os vegetais feios também são vegetais.

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“Na FareShare estamos sempre contentes por dar uma casa aos vegetais tortos — é o sabor e não a forma que conta, e as instituições e os grupos comunitários que apoiamos podem transformá-los em refeições para pessoas carenciadas”, explicou Daniel Nicholls da FareShare, citado pelo Huffington Post.

Até ao momento o boneco recebeu mais de 40 licitações e já acumulou 235 libras (cerca de 280 euros).

Um ministro errante

A discussão em torno do financiamento de novas turmas com contratos de associação ocupou a atenção da opinião pública nas últimas semanas. A contestação daí decorrente, desviando-nos de problemas mais importantes, acabou por ser favorável à imagem do Governo e ao errante ministro da Educação. Uso o adjectivo errante com o seu duplo significado: aquele que erra e aquele que vagueia sem rumo certo. Vejamos algumas justificações para o que digo, agora que a fase aguda da zaragata dos colégios acabou e o ano lectivo também.

Comecemos por este tema. Sobre a medida e a sua justiça pronunciei-me publicamente de modo claro e repetido. Mas uma medida destas não se toma no fim do ano, quando os colégios já tinham as inscrições em marcha. Tendo o grau de sensibilidade política que qualquer leigo mais atento conhece, não devia ter sido lançada porque uma secretária de Estado “teve a ideia”, como a própria candidamente narrou em entrevista à Visão. O efeito, facilmente previsível por quem conhecesse tentativas anteriores, tornava obrigatória uma estratégia de comunicação política que apresentasse ao país uma situação que só foi sendo conhecida porque outros colmataram a irresponsabilidade do Governo. O estudo, o único apresentado, feito à pressa e depois de a confusão estar em marcha, é frágil relativamente a algumas zonas, onde a redundância não é evidente. Foi lamentável ver António Costa acenar com compensações imorais e incumpríveis. PSD e CDS, procurando transformar o que é simplesmente justo num drama, acabaram protegendo o verdadeiro drama que foi a gestão amadora deste dossier por parte de Tiago Brandão Rodrigues.

Foi desastrosa a intervenção em matéria de avaliação de alunos. Com o ano lectivo já adiantado, tivemos, sucessivamente, três modelos, com o primeiro-ministro a ser desmentido pelo ministro e vice-versa e os dois a darem o dito por não dito. Com os deputados do PS a votarem contra o próprio programa do Governo. Sem se saber se governava o Governo, o parlamento ou o presidente da República. Impensável. Errado e errante.

As provas de aferição não são novidade no sistema. Já existiram e não provaram. O ministro fez mal ao recuperá-las. E fez pior ao colocá-las em anos que não são de final de ciclo, decisão difícil de compreender. Com a sua atitude insensata, interrompeu uma série estatística que vinha de 2001 e que permitia, apesar da indesejável precocidade dos exame do 4º ano, comparar resultados e tirar algumas ilações úteis para decisões pedagógicas informadas. Disse o ministro que, assim, os professores poderiam identificar os problemas dos alunos e intervir a tempo. Como se não fosse isso que a avaliação interna permitisse, assim as escolas tivessem recursos e autonomia para actuar. Mas sem coisa alguma em final de ciclo, como vai o ministro verificar, com a lógica que defende, se as intervenções a que se refere resultaram?

A preparação do próximo ano lectivo teve aspectos lamentáveis (regulação da dimensão das turmas com alunos com necessidades educativas especiais e determinação administrativa desumana das situações de carência de assistência médica). É certo que houve reconsideração. Mas a marca da errância e do erro, próprias de quem chegou ao cargo sem uma linha publicada ou uma ideia conhecida sobre Educação, não desapareceu. Outros aspectos, igualmente errados, acabaram consagrados no despacho 4-A/2016. É o caso das tutorias, anunciadas como se não existissem já, quando, em rigor, a situação piora: antes tínhamos uma hora semanal para cada aluno assistido; no próximo ano, a hora para cada aluno passa a 24 minutos. É o caso da alteração do mecanismo de atribuição de créditos horários que, na maioria dos casos, piora a situação existente. É o caso do prolongamento da duração do tempo de aulas, num sistema em que os alunos já tinham os tempos máximos de permanência na escola, por comparação com os parceiros europeus. É o caso desse logro em marcha, mistificação indizível para banir o insucesso escolar, de que pouco se fala (veja-se o meu artigo aqui publicado em 20/4/16).

PSD questiona Governo sobre contrato de associação de escola da Guarda

Segundo os deputados Carlos Peixoto e Ângela Guerra, “ninguém atento e de boa-fé pode esquecer o papel que, desde há mais de oito décadas, tem vindo a ser protagonizado” por aquele estabelecimento de ensino da Guarda.

“Trata-se de uma instituição particular de solidariedade social que foi criada em outubro de 1931 e que, desde então, tem prestado à cidade da Guarda relevantíssimos serviços públicos, tendo até sido agraciada pelo Presidente da República em 10 de junho de 2014 com a Condecoração da Ordem de Mérito Civil como membro honorário dessa Ordem”, lembram.

No requerimento apresentado na Assembleia da República, os deputados do PSD referem que, segundo o despacho que produz alterações das regras dos contratos de associação com o ensino particular e cooperativo, “a frequência de estabelecimentos de ensino particular e cooperativo com contrato de associação é, no que respeita ao apoio financeiro pelo Estado, a correspondente à área geográfica de implantação da oferta abrangida pelo respetivo contrato”.

No caso do Outeiro de São Miguel, apontam que a área geográfica de implantação da oferta abrangida pelo atual contrato de associação “integra apenas as freguesias de Arrifana, Pera de Moço, Gonçalbocas e São Miguel e São Pedro do Jarmelo, sendo que os atuais 470 alunos dos diversos níveis de ensino da instituição são maioritariamente provenientes do concelho da Guarda e não daquelas freguesias”.

“Significa isto, na prática, que a aplicação daquela norma tem como efeito a cessação imediata do financiamento para esses alunos, e consequentemente, o fim do prosseguimento do projeto escolar de cada um deles na instituição que escolheram com base numa previsão e numa expectativa de continuidade que, abruptamente, lhes foi interrompida”, alertam.

Assim, Carlos Peixoto e Ângela Guerra perguntam ao Governo se os factos que caracterizam aquela escola “foram, todos eles, equacionados na decisão que pôs fim ao cofinanciamento pelo Ministério da Educação das duas turmas” do 5.º e 7.º anos.

E, no caso de o não terem sido, questionam se “encara o Governo a possibilidade de excecionar” aquela escola da aplicação das regras do despacho normativo, “mantendo o financiamento nos termos propugnados pelo anterior Governo, ou seja, cumprindo os contratos plurianuais celebrados” ou se “prevê poder celebrar quaisquer outros”.

Marcelo promulga sistema de avaliação mas queria consenso

Numa nota publicada na página da Internet da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa escreve que “o sistema de avaliação é uma das matérias de desejável consenso político e previsibilidade social”.

“Infelizmente, o consenso não se afigura, neste momento, possível, olhando à radical contraposição entre o sistema de provas finais de ciclo do Governo anterior e o sistema de provas de aferição do atual Governo. Sendo impossível o consenso desejável, cumpre, ao menos, garantir a previsibilidade social”, acrescenta.

Segundo o chefe de Estado, “a mesma previsibilidade determina a realização, ainda que facultativa, das provas do 4.º e do 6.º anos, no ano letivo a caminhar para o seu termo, a pensar nos alunos que para elas se prepararam”.

Esta possibilidade, assim como o caráter não obrigatório, este ano, das novas provas de aferição no 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade, foram anunciados na semana passada pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, quando o decreto-lei em causa foi aprovado em Conselho de Ministros.

Na nota hoje divulgada, Marcelo Rebelo de Sousa salienta que o diploma sofreu alterações face à versão inicial.

“Com as mencionadas alterações, o decreto pode ser promulgado, apesar da ausência de consenso, por estrito respeito pelo programa eleitoral do Governo e sua aceitação pela maioria parlamentar. Nestes termos, e na versão incluindo o regime transitório, o Presidente da República promulgou o decreto”, justifica.

O decreto-lei promulgado altera legislação do anterior Governo PSD/CDS-PP, de 2012, que “estabelece os princípios orientadores da organização e da gestão dos currículos dos ensinos básico e secundário, da avaliação dos conhecimentos a adquirir e das capacidades a desenvolver pelos alunos e do processo de desenvolvimento do currículo dos ensinos básico e secundário”.

As provas de aferição do 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade realizam-se a 6 de junho para Português, e a 8 para Matemática, podendo as escolas não as fazer este ano, anunciou o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no final do Conselho de Ministros da passada semana.

O ministro explicou que, este ano, foi decidido aplicar um “regime transitório” que permitirá aos diretores escolares optarem por não efetuar as provas de aferição nos diversos anos do ensino básico, desde que fundamentem essa decisão.

“No próximo ano, estas provas [aferição] serão de aplicação universal e obrigatória”, disse o ministro, que defendeu que a norma transitória faz sentido para “deixar dentro da autonomia das escolas a possibilidade” de se organizarem.

As escolas que pretendam podem manter este ano provas de Português e Matemática no 4.º e no 6.º ano, a realizar numa única fase: entre 23 de maio e 03 de junho, segundo o Ministério da Educação.

Na sequência, os diretores escolares declararam-se surpreendidos com a aprovação de um ano de transição, mas afirmaram que entendem a decisão da tutela como um recuo que vem dar razão aos diretores neste tema, que sempre pediram que a medida só fosse aplicada no próximo ano letivo.

 

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