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“Aprendi que, na vida, o nosso herói somos nós próprios”

Miriam Mateus conta já com um vasto percurso no mundo do empreendedorismo. Queremos conhecê-la melhor. Quem é Miriam Mateus enquanto mulher e enquanto profissional?

Sou uma mulher positiva. Encaro os problemas como desafios e tento sempre ver o lado positivo das coisas. Sou muito trabalhadora, não tenho medo de arregaçar as mangas e lutar. Os meus pais sempre trabalharam muito e aprendi a fazer o mesmo. Nunca paro, nunca baixo os braços, nunca desanimo mesmo quando o desânimo se tenta apoderar de nós. Aprendi que, na vida, o nosso herói somos nós próprios, o nosso eu. Devo igualmente muito ao meu marido, que desde sempre confiou em mim e me ajudou. Ele é uma peça muito importante no meu puzzle, tem sempre muitas ideias. Quando essas são boas avançamos em conjunto, sem medos.

O que a motiva e inspira diariamente?

Sempre me inspiraram as grandes mulheres da história e sempre quis deixar a minha própria marca. Hoje sei que há pessoas que se sentem inspiradas por mim e fico muito feliz e orgulhosa por isso, sei que já faço parto da história de alguém. Atualmente a minha maior motivação é o meu filho, o seu bem-estar e felicidade. E essa é a minha maior marca, a minha sucessão, e nele espero incutir o respeito pelos outros e a determinação para chegar longe na vida.

Que características diria serem fulcrais para se singrar no mundo dos negócios?

É necessária determinação, organização e muita vontade em ter sucesso.

Há quem defenda que os estilos de liderança, feminina e masculina, são diferentes e que a liderança feminina é importante dentro das organizações. Concorda? Homens e mulheres têm, de facto, estilos de diferença diferentes ou o estilo de liderança prende-se apenas com as características da pessoa?

As características da pessoa são fundamentais para ter ou não sucesso mas, mesmo assim, penso que também são diferentes dependendo do género. As mulheres e os homens veem o mundo de forma diferente e resolvem os problemas de forma diferentes. Ainda existem homens que acham que a liderança deve ser sempre exclusivamente masculina mas esquecem-se que as mulheres têm outras experiências. No meu caso, como mãe, aprendi muita coisa com a minha experiência pessoal que me ajudou a vingar no mundo dos negócios: a organização de tempo, a gestão financeira, a relação interpessoal e resolução de conflitos. Como também tive sempre o apoio do meu marido tive a vantagem de saber ambas as perspetivas dos problemas, masculina e feminina.

A igualdade de género continua a ser um tema bastante debatido e o qual merece a nossa devida atenção. Durante o seu percurso profissional enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher?

Sim, nunca é fácil. Parece que nós mulheres temos sempre que provar o nosso valor e que há cargos exclusivos para homens e outros para mulheres. No entanto, penso que isso tem vindo a mudar e cada vez mais as pessoas são avaliadas pelo que são e pelo que fazem e não tanto pelo seu género. Fico feliz por ver tantas mulheres em cargos importantes.

Os desafios são maiores quando é uma mulher que decide enveredar pelo mundo dos negócios ou do empreendedorismo?

Sente-se sempre alguma dificuldade, algum descrédito, mas depois deixamos que os resultados falem por si.

Foi proprietária de uma conceituada padaria em Cabo Verde. Atualmente é sócia do Ginásio LF Gym Body Solutions e consultora na Imobiliária Easy Gest Premium na Av. da República em Lisboa. Porquê o mercado imobiliário e a Easygest Premium?

Porque é um mercado que continua em franco crescimento e tem muitos desafios e dificuldades. Gosto do contacto com as pessoas e de poder ajudá-las a realizar sonhos. Todos os dias são diferentes, um dia é sempre diferente do outro. Escolhi a Easygest Premium porque é uma empresa 100% nacional e já está no mercado há alguns anos e continua a ter um vasto crescimento. É uma empresa que é virada para as pessoas e não apenas para os números, inclusive pagam acima da média. É uma empresa na qual confio e que me tem apoiado, deixando-me à vontade para novos desafios. É uma área que exige esforço, dedicação e vontade.

Devido aos limites que a sociedade ainda impõe, é fácil para uma mulher conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal? Ou é necessário abdicar ou descurar de uma em detrimento de outra?

Não é propriamente fácil, apenas temos que definir muito bem as nossas prioridades. Não é necessário abdicar de nada, apenas precisamos ter um grande foco no que queremos e conseguimos arranjar tempo para tudo. No meu caso nunca estive sozinha, sempre trabalhei em equipa com o meu marido e sem ele não teria chegado onde cheguei.

Concurso Montepio Acredita Portugal já tem os 21 finalistas

Já são conhecidos os 21 projetos finalistas do Concurso Montepio Acredita Portugal, promovido pela Acredita Portugal e pelo Banco Montepio.

Os 21 finalistas são:

Empreendedorismo Social:

– “Hug-a-Group” – Plataforma comunitária focada na saúde mental que combina atividades de grupo e a orientação de profissionais para trazer a melhor solução para o utilizador.

– “Pata D’Açúcar” – Um projeto que alia duas causas sociais: diminuição do abandono animal e aumento da qualidade de vida das pessoas com diabetes. Por um lado, contribui para a diminuição da taxa de abandono animal através do regaste de cães de abrigo, do treino dos mesmos para deteção antecipada de baixas dos valores de glicémia no sangue e posterior entrega para tutela dos mesmo a pessoas com diabetes.

– “Estimula+” – Criação de jogos para desenvolver várias competências cognitivas e/ou motoras para a população adulta e sénior, com ou sem patologias do foro neurológico ou neurodegenerativas. Destina-se preferencialmente a organizações com ou sem fins lucrativos mas também a profissionais que exerçam a sua atividade profissional direta ou indiretamente com este tipo de população.

Prémio Brisa Mobilidade 2019:

– “Parqist” – Aplicação desenvolvida para ajudar os utilizadores a encontrarem rapidamente um lugar de estacionamento. Os utilizadores partilham a localização do seu lugar de estacionamento, quando tiverem intenção de o deixar disponível, permitindo a outros localizá-lo facilmente e usufruir dele. Para além disso, é aplicado um sistema de compensação, na medida em que, quantos mais lugares um utilizador disponibilizar, mais vantagens terá no momento da procura de um local para estacionar.

“SAFY: a sua segurança em mobilidade urbana” – A SAFY pretende criar um produto que se associe a vários tipos de veículos elétricos (bicicletas/trotinetas/segways). Sendo a segurança e a sinalização escassa nestes veículos, este produto associado a um serviço inovador pretende ser uma solução para o problema.

“Call Car Wrist” – Pulseira para chamar táxis e garantir a segurança dos clientes a partir de parâmetros definidos na pulseira.

Prémio K.Tech:

– “Alfredo” – Tecnologia de inteligência artificial criada para organizar e trazer clareza ao mercado imobiliário.

– “Nutshell” – Plataforma online de troca de alojamento que dá aos nómadas digitais a oportunidade de eliminar as despesas de alojamento enquanto vivem as cidades de forma local e de acordo com as suas necessidades e/ou interesses de trabalho.

“PillDeal” – A toma irregular de medicação, como a pílula ou medicação crónica, tem consequências negativas para o paciente. O PillDeal pretende gerir a medicação de forma simples, portátil e discreta, porque previne o esquecimento da toma e fornece recomendações médicas específicas.

Prémio Autónoma:

– “Escola.Cinema.Ação!” – O projeto Escola.Cinema.Ação! pretende usar o cinema como uma ferramenta de aprendizagem, contribuindo para a educação do público mais jovem e o aumento da literacia visual e inclusão social.

– “Escola de sentido” – É uma revista ou manual online, com áudios, leituras e exercícios para estimular a inteligência emocional e desenvolver uma linguagem emocional.

– “Carga de Trabalhos” – Portal de recrutamento online, dedicado à procura e oferta de emprego no sector da comunicação, marketing, design e novas tecnologias.

Prémio H2O Inovação by Águas de Gaia:

– “Micro Catch” – Tecnologia que combate a presença de microplásicos na água e alimentos que consumimos. Trata-se de uma solução que retém as fibras libertadas pelas suas peças de roupa sintéticas durante o processo de lavagem, impedindo assim que estas se espalhem para os oceanos.

– “Agristarbio” – Testa fertilizantes a partir de lamas de ETAR e está em fase de negociação para construir e financiar a sua primeira unidade.

– “SCUBIC” – Plataforma inteligente que melhora a gestão de ativos em redes de água.

Produtos e Serviços:

– “KACAU” – Primeira marca portuguesa de roupa interior especializada em lingerie, collants, meias e acessórios cor de pele, para mulheres de tonalidade castanha.

– “iRcycle – Custom Handmade Sneakers” – Transforma plástico recolhido nos oceanos em sapatilhas personalizadas pelo cliente, podendo utilizar outros materiais reciclados e ecológicos.

– “Swim Together”: Pretende comercializar pacotes de treino e de férias para amantes da Natação em Águas Abertas. Seja em mar, lagos, rios ou albufeiras, qualquer pessoa pode nadar em liberdade, em segurança e com companhia, em locais naturais únicos, através de uma experiência próxima, e informada, social e ambientalmente responsável para o nadador. Todas as atividades são acompanhadas por guias experientes que dão suporte e apoio aos nadadores, em embarcações e/ou kayaks.

Saúde e Bem-Estar:

“Seaweet” – Comercializa snacks com alto valor nutricional, a partir de um alimento chave – as microalgas. O produto inicial – uma barra energética – é especialmente importante para melhorar a dieta de quem vive num ritmo acelerado e sem tempo para a preparação de um snack saudável.

“Eu +”Smartwatch que, através de pictogramas, mostra informação anteriormente programada na App, sendo esta gerida por profissionais de saúde, cuidadores ou os próprios. Avalia 4 sinais vitais, notifica sobre posicionamentos para acamados, medicação e interações alimentares, marcações, SOS e queda.

“e-Rehab” – Ferramenta online que permite a realização da reabilitação neuropsicológica à distância, com recurso à realidade virtual, favorecendo tanto a estimulação cognitiva, como a reabilitação psicossocial de pessoas com lesão cerebral adquirida, pessoas com perturbações degenerativas, etc.

Estes 21 projetos tem a oportunidade de passar por um Programa de Pré-aceleração, com a duração de seis semanas. Cada um tem direito a um mentor e acesso a sessões desenvolvidas por especialistas nas quais serão abordados temas como: como construir um MVP (Produto Mínimo Viável), enquadramento jurídico das empresas, Propriedade Intelectual, Comunicação e Posicionamento das marcas, Marketing Digital e Formas alternativas de financiamento. Adicionalmente, será realizado também um Demo Day para os finalistas, para o qual é convidado um painel de investidores.

Os projetos foram selecionados numa sessão de pitch que contou com um quadro de jurados especializado, integrado, entre outros, por José Vale, Diretor de Inovação e Empreendedorismo do IAPMEI, Nelson Pimenta, Diretor Digital do Grupo Renascença Multimédia, e Davide Catarino, Angel Investor na Red Angels.

Para além destes, foram destacados outros projetos, que devido ao seu alto potencial receberam menções honrosas: Logrise, Maudde – Pre Loved Luxury, Erwin, Mães à obra, Cuidar&Morar, Banana Box e Fly For Water.

Os finalistas da IX edição do Concurso Montepio Acredita Portugal serão conhecidos na Gala final da iniciativa, que terá lugar a 8 de junho de 2019, em Lisboa.

Sobre a Acredita Portugal:

A Acredita Portugal é uma organização sem fins lucrativos focada no desenvolvimento e promoção do empreendedorismo nacional, que nasceu em 2008 pela mão de José Miguel Queimado. Desde então, a Acredita Portugal trabalha por, e para todos os portugueses, independentemente da sua formação ou cultura, permitindo que qualquer cidadão tenha oportunidade de perseguir o seu sonho empreendedor. Cada ideia em competição é submetida de forma gratuita, passando por uma avaliação e vendo desenvolvido o seu plano de negócios. Aos projetos vencedores é dada a oportunidade de desenvolver parcerias estratégicas com vista à sua implementação no mercado.

BeFashion: Lutar sempre, vencer talvez e desistir nunca

BeFashion Textile Agency, surgiu no mercado há cerca de cinco anos, sendo que o grande desiderato da mesma passa por promover a inovação e a melhoria de processos de uma forma contínua e regular, criando uma relação sustentada e duradoura com clientes e parceiros, acompanhando sempre as ultimas e novas tendências do mercado global, e mantendo a qualidade como vértice superior da sua dinâmica ao nível de serviços e celeridade na vertente da competitividade dos preços.

Mas quem é Patrícia Ferreira? “Acima de tudo sou mãe e empresária que veio de raízes humildes e que lutou muito para alcançar aquilo que tenho hoje”, afirma a nossa entrevistada, que está no setor do têxtil há quase duas décadas, mais concretamente há 18 anos e que ao longo do seu percurso esteve quase sempre em posições de liderança e chefia, algo que “é muito prestigiante para mim”, assegura, salientando que foi o seu lado curioso e sua capacidade para línguas que permitiu que a mesma continuasse a crescer ao longo de todos estes anos, sempre por conta de outrem e sempre com patrões do sexo masculino, “por quem tenho muito respeito e consideração pela forma respeitosa e valorizada como me trataram e que fizeram um pouco do que sou atualmente”, salienta Patrícia Ferreira, que com o intuito de atingir novos objetivos, novas metas, foi sempre ela a tomar a iniciativa e decidir assumir novos cargos, nunca tendo sido despedida.

BeFashion é Patrícia…

Até que chegou 2014 e o momento e que a nossa entrevistada percebeu que esse era o momento para apostar no seu próprio negócio e projeto. “Estava numa idade e maturidade estável que me permitiram avançar por conta próprio e criei a BeFashion Textile Agency”, refere, salientando que estes cinco anos da marca no mercado têm sido bastante positivos. Com um longo percurso no universo do têxtil, a nossa interlocutora foi reunindo conhecimentos e estofo para ultrapassar qualquer obstáculo e trabalhou sempre com fabricantes, embora o seu objetivo fosse tornar-se uma agente neste mercado, pois reconhecia que os players existentes no mercado tinham um défice elevado de conhecimentos técnicos ao nível dos agentes e “então achei que se conseguisse marcar pela diferença e enveredar por um caminho de agente, tinha todos os conhecimentos técnicos para marcar pela distinção e agora posso dizer que marquei pela diferença”, assevera a nossa entrevistada, referindo algo que a orgulha muito. “Quando edifiquei a marca não fui eu que procurei os clientes, mas eles é que me procuraram. Para muitos clientes não é a BeFashion, mas a Patrícia e isso deixa-me orgulhosa”, salienta, não deixando de afirmar que os agentes no mercado atual são mais do que capazes e revelam enorme profissionalismo e conhecimentos, “mas marco também a diferença pelo conhecimento que adquiri ao longo da minha carreira. Por isso é que apostei numa equipa pequena porque não precisamos de ser muitos para fazer um trabalho de excelência, o mais importante é gostarmos do que fazemos e ter um bom ambiente de trabalho e isso temos”, afirma convicta a nossa entrevistada. Assegurando que na BeFashion ninguém depende do fabricante para dar uma resposta ao cliente, “tudo porque reunimos conhecimentos técnicos que nos permite apresentar ao mesmo propostas e soluções”.

“A balança está equilibrada e existe respeito mútuo”

Num passado recente, o mundo do têxtil era composto, maioritariamente por homens, principalmente em cargos de liderança e chefia, algo que ao longo dos tempos foi mudando e para a qual as mulheres muito contribuíram. “Não tenho a mínima dúvida que as mulheres foram importantes para essa mudança. Isto sem desfazer dos homens que fazem parte deste setor, por quem tenho uma relação de carinho e respeito por tudo o que me ajudaram”, refere a nossa interlocutora. Mas haverá uma liderança feminina e uma masculina ou essa vertente de um líder não passa pela questão de género? “Naturalmente que não. Acredito sinceramente que a balança está equilibrada e existe respeito mútuo. A única coisa que encontro algumas diferenças é na forma de resolver um problema, porque as mulheres têm uma forma de pensar diferente perante um obstáculo e procuram imediatamente por soluções, enquanto que o homem se limita a colocar o problema. No fundo é tudo uma questão de pragmatismo”, afirma a nossa entrevistada.

Mas será que Patrícia Ferreira, ao longo de 18 anos de carreira, alguma vez sentiu alguma barreira em crescer pelo facto de ser mulher? Segundo a nossa entrevistada “as dificuldades de ser jovem mulher em cargo de liderança foram sempre superadas pela capacidade de resolver e decidir assertivamente face a qualquer adversidade. Fazendo uso da capacidade de fazer diversas tarefas ao mesmo tempo, e assumindo-me como mulher profissional muito nova fez-me ganhar o respeito pelos meus pares masculinos”, salienta e reconhecendo que alguns setores da sociedade e do universo empresarial a questão da igualdade salarial ainda seja distinta para homens e mulheres, “algo que acredito que irá mudar no futuro, pois já demos passos enormes e positivas nesse equilíbrio”.

O mercado francês e uma localização estratégica

A BeFashion atua somente no mercado internacional, em mercados como França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Bélgica e outros, sendo que é no mercado gaulês que se materializa o volume superior de negócios por parte da marca, cerca de 70% e porquê o francês? “Porque quando edifiquei a agência a grande procura de clientes foi desse mercado e acabei por conquistar uma parte desse mercado”, assevera Patrícia Ferreira, recordando que os mercados internacionais e nacionais são bastante díspares. “Cá dentro ainda existe uma preocupação muito grande com o que se vai faturar com determinada empresa, enquanto que a nível externo valorizam a presença e isso fazemos diariamente, pois a cada três semanas vou a Paris visitar os meus clientes e perceber quais as motivações, quais as preocupações e consigo dar soluções para isso mesmo”, lembra, assegurando que tem construído relações profissionais no mercado francês que já estão neste momento numa fase de relação de amizade e isso além de ser francamente positivo, permite-nos ter maior confiança por parte do cliente e assegurar novos clientes que nos conhecem pela forma como trabalhamos com os nossos atuais parceiros”.

Localizada no coração do têxtil do norte do país, Guimarães, esta também foi uma estratégia da nossa interlocutora. “Estamos aqui há dois anos e apesar de ser natural de Guimarães, não foi esse o vetor mais importante para estarmos aqui, mas sim pela proximidade que nos permite ter com os melhores fabricantes do têxtil em Portugal, que para mim estão nesta cidade. Aliado a isso, também cumpro um desejo, ou seja, contribuir para o crescimento económica da minha cidade”, revela, lembrando que o desiderato mais próximo é o de crescer no mercado italiano e alemão. “Já trabalhamos com estes mercados, mas o nosso volume ainda é bastante reduzido e queremos inverter isso em 2019, se calhar até ao final desta estação, que é em agosto”, afirma Patrícia Ferreira, lembrando o lema da empresa, “Lutar sempre, vencer talvez e desistir nunca”.

Não pretendemos terminar sem ter a visão de uma empresária/mulher experiente e conhecedora do mercado do têxtil em Portugal que, num passado não muito longínquo, “estava morto. O têxtil morreu por um vasto conjunto de cenários onde se encontra a não aposta na inovação e no fazer diferente. A mudança surgiu quando os criadores das empresas começaram a passar essa pasta aos filhos e filhas que tinham e têm uma visão mais inovadora e mais virada para o futuro e começaram a apostar em novos equipamentos, em novas técnicas de produção e em mercados novos e foi esse o click para que o têxtil regressasse e marcasse um crescimento assinalável e positivo”, revela a CEO da BeFashion.

Hoje em dia o homem dita tendências da moda

Será que a moda é um vetor importante para a afirmação da Mulher? “Sem dúvida”, afirma a nossa entrevistada, lembrando, contudo, que hoje o homem tem uma palavra a dizer neste domínio. “A mulher sempre procurou estar na moda e conhecer as tendências e o homem, num passado recente, estava desligado disso, algo que atualmente mudou, e até me arrisco a afirmar que hoje em dia, em vários casos, é o homem a ditar as tendências da moda, algo que até para mim que conheço a fundo o mercado e tenho uma mente aberta, me surpreendeu e que considero ser bastante positivo e gratificante”, conclui a nossa entrevistada.

“Igualdade de oportunidades e não igualdade de género”

Advogada há mais de três décadas, Dulce Franco, trabalhou numa das maiores sociedades de advogados portuguesas, tendo, em 2008, constituído a prestigiada sociedade de advogados AAA. Foi vogal do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, secretária de estado da Economia, é membro de várias organizações profissionais e autora de escritos para publicações do setor da advocacia. Recentemente foi eleita pela revista especializada Iberian Lawyer uma das 50 advogadas que mais se destacam na advocacia empresarial na Península Ibérica, reconhecimento atribuído pela sua ética profissional, competência técnica, relações interpessoais, capacidade de mentoring e de liderança.

A advocacia é uma vocação que surge já na Universidade (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) e que começa a exercer em 1983.  Com uma história e currículo extenso, diz que ainda tem “muito para fazer”. Considera indispensável para ser advogado “a rectidão de caracter a par da ética profissional, o conhecimento e a independência.” Estes são os seus princípios “partilhados entre todos os advogados da AAA”.

Foi com base neles que um grupo de advogados que trabalhavam em conjunto há muitos anos, constituiu a AAA, “uma business law boutique não só pelas áreas de direito em que trabalha, mas também pela sua dimensão e métodos de trabalho”.

Tais princípios valeram a Dulce Franco a distinção Top 50 Women List a nível ibérico. Da lista constavam 42 espanholas e oito portuguesas, eleitas por mais de 1.000 pares. Foram reconhecidas como notáveis nas suas carreiras, inspiradoras das novas gerações.

 “O momento mais marcante até agora foi a constituição desta sociedade.” Diz que “foram muitos anos na PLMJ, aprendi muito, fiz muitos amigos, conservo muitos e outros tenho pena de não conservar. Foi uma grande mudança e foi difícil sob o ponto de vista afetivo, mas um desafio novo é muito motivador”.

O início da sociedade AAA “não foi difícil do ponto de vista do lançamento do escritório. Os clientes com quem trabalhávamos quiseram seguir-nos e a dinâmica do escritório faz o resto”.

Passaram 11 anos desde a sua fundação. Com humor, a advogada diz “somos uma sociedade relativamente jovem mas somando a experiência de todos temos quase um século”. E continua, “os princípios são os mesmos e ter êxito nesta sociedade depende das capacidades de cada um, estudo, trabalho, dedicação em todos os planos, mas todos têm as mesmas oportunidades. Os mais jovens, têm a possibilidade de crescer, sem barreiras”.  E acrescenta:  “Há um tempo, uma revista especializada considerou a nossa sociedade no top 10 das sociedades de advogados portuguesas que mais oportunidades de crescimento oferecem aos advogados mais jovens. Nem nos passa pela cabeça que esse crescimento dependa do género”.

O escritório AAA é constituído na sua maioria por mulheres, um pormenor que descarta como intencional, “as pessoas que aqui estão valem absolutamente pelo seu caráter e pelo seu trabalho, como deve ser em qualquer ambiente profissional”.

O escritório tem vindo a crescer, mas não pensam crescer muito. “As sociedades grandes e as sociedades pequenas têm características diferentes, nem todas boas, nem todas más. Não queremos ser uma sociedade grande, interessa-nos muito mais a qualidade dos serviços que prestamos e a agilidade da organização que uma maior dimensão. Fazemos aquilo que acreditamos que os nossos clientes sabem que fazemos bem.”

Questionada sobre as características especiais que um bom advogado deverá ter, Dulce Franco é pragmática: “Ter paciência, é essencial! Lidamos com muitas pessoas, muito diferentes, as solicitações são muitas, as questões são quase sempre urgentes e bastante absorventes, muitas vezes imprevistas, obrigando-nos a reavaliar prioridades. Todos os dias são exigentes, é uma profissão exigente”.

Quando referimos o facto de ser mulher e advogada, Dulce Franco diz “Sempre tentei, com o apoio incondicional da minha família”. E acrescenta “as advogadas que têm uma estrutura familiar disponível ou outro tipo de apoio em casa, conseguem conciliar a vida profissional com a familiar, e mesmo assim com muita ginástica, caso contrário é praticamente impossível. Assegurar uma disponibilidade quase permanente e estar presente na família, que também tem imprevistos, exige muita flexibilidade. Não quero dizer que não seja exigente para os pais advogados, mas mesmo com muito boa vontade as mães são mães e os pais são pais. Os géneros não são iguais, há algumas questões na família que são, naturalmente, mais da mãe e outras mais do pai, se há bom espírito, tudo se resolve”.

Olhando para o passado, “a verdade é que nunca senti facilidade ou dificuldade no meu trabalho por ser mulher. Devo ter encontrado sempre pessoas inteligentes que nunca tenham olhado para mim nessa perspetiva, mas pelas capacidades que me atribuíram”.

Sobre se a advocacia foi um sonho diz “nunca tive uma visão particularmente romântica da profissão. Acho que fui sempre talvez um pouco argumentativa e tenho tendência para causas, defender aqueles que seja por que circunstâncias for precisam de ser defendidos ou de fazer valer os seus direitos. Acho que anda perto do que é ser advogado”.

A nossa entrevistada explica “as enormes diferenças entre o que era a advocacia quando comecei e como é agora. Para já, há a questão do tempo, quase tudo é urgente e urgente quer dizer instantâneo. Depois, há as tecnologias aplicadas à profissão, que nos ajudam e nos poupam tempo para pensar. E os próprios advogados são diferentes. O que vou dizer são generalizações, se me puser a pensar em pessoas em concreto, merece muitas excepções! Nas gerações anteriores, os advogados eram uns humanistas habilitados em direito, sabiam direito e muito mais, e trabalhavam em todos as áreas. A minha geração, embora mais dedicados a certas áreas, é bastante de generalistas, com o que isso também tem de positivo. As gerações mais novas começam cedo a definir linhas de especialidade, tentamos que não seja demasiado cedo, uma boa formação não se coaduna com uma especialização prematura. Tudo dito, sempre continuarão a existir brilhantes advogados, pessoas de excepção, que engrandecem a nossa profissão”.

“A gestão de pessoas não é só um tema importante como, para mim, o mais importante”

Como surgiu a White e o que veio trazer de novo ao mercado?

A White surgiu na sequência de um percurso de 14 anos com um convite para fazer mais e melhor – nesta perspetiva é sempre aliciante. Depois de oito anos com um projeto do qual também fui responsável, fiz o que por vezes é impensável: arrancar com uma nova agência, novos sócios, nova equipa e a bagagem de experiência do que tirei de melhor e menos bom do que já tinha desenvolvido até à data. A realidade é que gosto de desafios, considero-me uma doer – do verbo to-do – ou em português alguém que gosta de fazer acontecer.

A White surgiu em 2006 numa época em que o mercado estava sobrecarregado de agências, nacionais e multinacionais, os Clientes procuravam na altura um serviço e uma maior proximidade que se tinha perdido nas agências de maior dimensão.

Com um foco em Estratégia de Marca e Criatividade, nascemos com uma equipa inicial onde os partners – ambos com formação em design – assumiam uma presença constante no Cliente, apoiando e discutindo as suas opções e estratégias de comunicação. Esta presença trouxe relações de confiança, que juntamente com uma entrega criativa de grande qualidade fizeram da White a agência que este ano celebra 13 anos.

Quais são os maiores desafios de estar à frente de uma agência de Estratégia de Marca e Criatividade?

Se juntarmos aos desafios “habituais” de todo o processo empreendedor, os desafios de estar em constante atualização, inovação e criatividade, temos desafios para os próximos 13 anos!

A constante exigência com a entrega é um desafio diário, a construção de relações de confiança com atuais e novos Clientes e claro a motivação da equipa que todos os dias está pronta para abraçar novos desafios, apresentar soluções criativas e fazer sempre aquele extra-mile.

Como é um dia normal para si?

Não sei se consigo definir um dia normal, gosto que não sejam todos normais! De manhã não bebo café – penso que se o fizesse ninguém me aturava – a minha energia matinal faz-me sair da cama sempre com vontade trabalhar – e que continue assim. Eu gosto do que faço.

O meu dia é organizado com algum detalhe. Sou control freek pelo que, de véspera tento prever onde vou estar, onde e com quem. Para além da gestão da agência – que partilho com o meu sócio – sou responsável pelo business development, supervisão de contas dos Clientes estratégicos e da equipa de serviço a Cliente. Entre telefonemas com Clientes, passagem de briefings, discussão de projetos, gestão de recursos, planeamento – tudo faz parte de um dia a dia muito dinâmico.

A gestão de pessoas é para si um tema importante? Que princípios coloca em prática com as pessoas que fazem parte da agência?

A gestão de pessoas não é só um tema importante como, para mim, o mais importante. A agência entrega serviços de estratégia e criatividade que são desenvolvidos por pessoas com uma capacidade criativa extraordinária. Todos os projetos e a relação com o Cliente é gerida por pessoas com uma capacidade relacional extraordinária. A gestão de pessoas é um dos maiores desafios que uma agência tem em mãos, a captação, retenção e constante motivação da equipa é fundamental. Como queremos fazer um bom storytelling de uma Marca se a própria agência não tem uma boa história para contar?

Pelo menos uma vez por mês, tento almoçar com uma pessoa da agência, implementei esta iniciativa e percebi que falar com as pessoas fora do nosso habitat é por vezes muito mais produtivo e conhecemos melhor as pessoas à nossa volta. A gestão das pessoas e equipas é para mim um tema sensível, estou constantemente a tentar aprender mais sobre liderança e gestão de pessoas, workshops, formações, bootcamps, tento ir a todas… é um desafio diário e a palavra motivação assusta-me por ser usada vezes demais em muitas questões relacionadas com recursos humanos.

Quando não está a trabalhar, o que é que gosta mais de fazer?

Não tenho nenhum hobby, não leio livros todos os meses, não faço ginástica tão regular quanto devia, não sou assídua dos últimos lançamentos do cinema… na realidade também fora do trabalho não tenho uma rotina. O que me motiva e me inspira fora do trabalho é estar com a família, com os amigos, combinar um jantar, abrir um bom vinho, fazer uma tenda de princesas com a Maria é sempre um programa vencedor!

Em casa não vejo muita televisão, optei por acompanhar o mundo por outros meios e assim selecionar melhor as notícias, não ficando influenciada por algumas notícias dramáticas que fazem manchete. Assim, ao fim de semana, jogar um mikado, um jogo da glória, ver as novidades do 1º ano da escola ou simplesmente fazer palhaçadas a dançar músicas do YouTube, tudo serve para um verdadeiro quality time.

Como seria para si ter um emprego em que a rotina e a mesmice do dia-a-dia imperassem?

Não imagino, mas como sou uma pessoa que gosta de desafios, quem sabe?

‘Acredita Portugal’ inaugura projeto de incubação em Vila Nova de Gaia

O evento de inauguração tem início pelas 17h00, no novo espaço da Acredita Incubação, em Vila Nova de Gaia e contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues.

A data é assinalada com a realização de diversos workshops gratuitos associados à temática do Empreendedorismo ao longo do dia e um debate em torno deste tópico à tarde em que participam Filipe Almeida, Presidente do Portugal Inovação Social, Karim Merali, CEO da Fundação Aga Khan, e Pedro Ricardo Gomes, Head of Microfinance and Social Entrepreneurship no Montepio.

O novo projeto da Acredita Portugal é desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e integra dois espaços que irão ser dinamizados pela associação: um na área das indústrias criativas e outro orientado para o empreendedorismo tecnológico e a economia social.

O espaço de incubação tem capacidade para apoiar um total de 75 projetos empreendedores, 30 no pólo ligado às indústrias criativas e 45 ligados à economia social e novas tecnologias. Apesar de decorrer a nível regional, a incubadora terá uma abrangência nacional, sustentada numa rede alargada de contactos e parceiros e numa visão única do apoio ao empreendedorismo, fruto de 10 anos de experiência na ignição de projetos da Acredita Portugal. 

PROGRAMA

MANHÃ:

9H30 – 11H00: Workshop “Investimentos a Fundo Perdido”, com a Birds & Trees

11H30 – 13H00: Workshop “O que quero ouvir como investidor”, com a Cron.Studio

TARDE:

14H00 – 16H30: Sessões de consultoria gratuita abertas à comunidade com a rede de mentores Acredita Portugal

17H00– 17H30: Chegada

17H30 – 18H00: Boas- Vindas

Dr. Eduardo Vítor Rodrigues- Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia

Apresentação da Acredita Incubação por Fernando Fraga

18H00 – 18H30: Debate “Os projetos sociais podem ter lucro?”

Painel: Filipe Almeida- Portugal Inovação Social, Karim Merali- Aga Khan, Pedro Gomes- Banco Montepio, Fernando Fraga- Acredita Portigal

Moderação: Rute Vasco, MadreMedia

18H30 – 19H00:  Inauguração oficial+ Cocktail e Networking

Informações adicionais acerca dos Workshops gratuitos e sobre a Cerimónia de Lançamento em www.acreditaportugal.pt

Sobre a Acredita Portugal:

A Acredita Portugal é uma organização sem fins lucrativos focada no desenvolvimento e promoção do empreendedorismo nacional, que nasceu em 2008 pela mão de José Miguel Queimado. Desde então, a Acredita Portugal trabalha por, e para todos os portugueses, independentemente da sua formação ou cultura, permitindo que qualquer cidadão tenha oportunidade de perseguir o seu sonho empreendedor. Cada ideia em competição é submetida de forma gratuita, passando por uma avaliação e vendo desenvolvido o seu plano de negócios. Aos projetos vencedores é dada a oportunidade de desenvolver parcerias estratégicas com vista à sua implementação no mercado.

Cisco e Startup Lisboa formam parceria tecnológica

Com esta parceria, a Cisco participará em eventos para Startups e para o ecossistema empreendedor organizados pela Startup Lisboa, onde serão partilhadas informações relativas às Startups incubadas na Startup Lisboa, com as equipas da Venture Capital da Cisco, além da utilização das soluções DevNet e dos conteúdos das Academias Cisco por parte das Startups e dos empreendedores do ecossistema, entre outras medidas.

Miguel Fontes, Diretor Executivo da Startup Lisboa refere que “A parceria tecnológica com a Cisco representa um passo importante para a Startup Lisboa. É uma honra contar com parceiros que contribuem para o crescimento e implementação de soluções inovadoras desenhadas para as nossas startups. Trata-se de uma colaboração que criará valor e repercussão de relevo, sobretudo no alcance de mercados internacionais.”

Artur Pereira, Head of Digital Transformation, da Cisco Portugal declara também que “É uma honra para a Cisco Portugal ser um parceiro tecnológico da Startup Lisboa à qual reconhecemos o enorme trabalho desempenhado no estabelecimento de um ecossistema empreendedor, vibrante e reconhecido internacionalmente. A partilha de conhecimento e experiência com os empreendedores, a facilitação de contactos com as grandes empresas nacionais e internacionais, e a capacidade de orientar os empreendedores para soluções de mercado são uma mais-valia de valor incalculável para a cidade de Lisboa e para o país.”

Acerca da Cisco

A Cisco (NASDAQ: CSCO) é líder mundial em tecnologia, que tem mantido a Internet a funcionar desde 1984. As nossas pessoas, produtos e parceiros ajudam a sociedade a estar conectada de forma segura e encontrar hoje a oportunidade digital de amanhã.

“Somos todos seres únicos e de exceção”

Cristina trabalha enquanto formadora internacional especializada em comportamento organizacional e desenvolvimento, gestão e administração, liderança e habilidades de comunicação há mais de 20 anos. Fale-nos um pouco sobre o seu trabalho.

Sou consultora internacional em Desenvolvimento Organizacional e Liderança, baseada em Moçambique há seis anos. Trabalho com e para pessoas há mais de 20 anos, e é essa a minha paixão de vida.

Comecei a dar formação no ensino técnico profissional, com 22 anos. Desde então, trabalho na área de desenvolvimento humano. Hoje em dia, faço projetos de Cultura Organizacional e Desenvolvimento de Liderança em organizações nas áreas da Banca, do Oil & gás e outras.

Ao longo da minha carreira, que começou na área de Marketing e Comunicação, investi sempre muito na minha formação académica e profissional. Acredito que a formação contínua é a base de crescimento de qualquer profissional, pelo que, independentemente da nossa idade e estágio de vida, deve fazer sempre parte do nosso percurso. Nunca é tarde para aprender. Tenho como propósito de vida gerar O Efeito Borboleta na sociedade levando a mudança para a sociedade através do meu trabalho nas organizações.

Ao longo desses 20 anos com certeza que houve episódios que a marcaram. Que história lhe ficou na memória e porquê?

A líder que, depois de um workshop de comunicação com a sua equipa, onde se promoveu o feedback aberto e honesto sobre os comportamentos da equipa, usou esse mesmo feedback para penalizar os seus colaboradores nas avaliações intermédias.

Um líder deve saber dar e receber feedback sobre si próprio, como sendo a única forma de melhorar e de trabalhar em equipa.

O que considera que é mais difícil no exercício de liderar pessoas?

O mais complexo é lidar com as emoções das pessoas e ensiná-las a gerir a sua inteligência emocional. As emoções são a base de todos os nossos comportamentos e atitudes. Movem o ser humano no sentido positivo ou negativo e condicionam os nossos resultados em termos de desempenho e eficácia de vida.

Devemos ter sempre presente que “SOMOS TODOS PERFEITOS NA DIMENSÃO DA NOSSA IMPERFEIÇÃO”. Aceitar as nossas imperfeições e abraçar a diversidade, recebendo o que cada um tem de bom para contribuir para os destinos das organizações.

Daquilo que tem vindo a observar ao longo do seu trabalho, quais são as piores práticas que muitas vezes são exercidas nas organizações?

As piores práticas estão muitas vezes ligadas à ausência de comunicação de uma visão clara sobre o que se pretende para a Organização e da partilha dos valores e missão da organização.

A não aplicação da “Teoria em Ação”, que consiste em praticar o que se advoga em teoria. O exercício errado dos cargos de poder, que leva a que se adotem comportamentos com um impacto negativo na eficácia das equipas. Um líder deve ser carismático, humilde, comunicativo, impulsionar o crescimento dos outros. Na prática, isso não acontece. Promove-se a punição e castigo de erros, o que leva a que se criem regras dentro das regras com medo de falhar.

A ausência de feedback positivo e construtivo e incentivo de comportamentos ligados ao exercício do poder. Não se estimula o pensamento crítico e criativo no seio das equipas. A maior parte das vezes, os colaboradores sabem o que a liderança espera deles. Mas os líderes não abrem espaço para saberem o que é esperado de si no exercício desses cargos de liderança.

Em 2013 um estudo comprovou que apenas 25 por cento das mulheres em Moçambique ocupavam posições de liderança nos setores privado e público. Passados seis anos, o panorama mudou?

Não mudou muito, infelizmente.

Na sua opinião, qual é o caminho a percorrer para que se dê uma maior paridade de género?

O caminho passa por gerar novas crenças e perspetivas sobre o papel de cada um dos gêneros na sociedade e na família. Empoderar as jovens e desenvolver as suas capacidades de liderança através de programas de capacitação e muita formação. E em simultâneo, empoderar os homens, para que passem a ter um novo olhar sobre as mulheres e sobre si próprios na sociedade, na família e nas organizações. Passa também por mudar a forma como estamos a educar os nossos filhos no que respeita a estas questões. São eles quem, no futuro, podem mudar o estado das coisas e viver com uma maior consciência sobre a equidade dos géneros.

Antes de sermos homens e mulheres, somos seres humanos. Com tudo o que isso implica no que respeita aos sonhos e expectativas de vida. E acredito que é esta a nova consciência que deve ser criada nas novas gerações. “SOMOS TODOS SERES ÚNICOS E DE EXCEÇÃO”. É essa unicidade e capacidade de fazermos coisas excecionais que nos deve caracterizar, muito para além do género.

Ilha de Santiago: das praias e das dunas ao turismo inclusivo e diversificado

Depois de assumir a gerência da PraiaTur – Agência de Viagens e Turismo, há três anos, Marvela Rodrigues começou a trabalhar no sentido de implementar na Ilha de Santiago o que há muito ambicionava e idealizava: um turismo histórico e cultural.

Santiago é a maior ilha de Cabo Verde e é conhecida pelas praias e pela cultura crioula portuguesa/africana. É aqui, na Ilha de Santiago, que Marvela sabe que ainda há muito a fazer no que diz respeito ao turismo e que ainda existem muitas valências por explorar. “Santiago não é só praia. Santiago é muito mais. É história e cultura”, diz-nos Marvela Rodrigues.

Santiago é uma das ilhas com melhores condições para um turismo inclusivo e diversificado. Santiago, a primeira ilha de Cabo Verde a ser descoberta, em 1460, tem praias, uma cultura rica e muita história para contar.

Na IV Edição do Somos Cabo Verde 2018, Marvela Rodrigues foi pré-nomeada na categoria de Turismo pelo trabalho que tem feito no sentido de desenvolver o turismo na Ilha de Santiago, com vários projetos turísticos que têm essa ilha como foco.

Falemos do “Projeto Darwin”, a partir do qual desenvolveu o circuito turístico Charles Darwin, evocando a sua passagem por Cabo Verde em 1844. Esse circuito deu origem a um livro da autoria de António Correia e Silva e Zelinda Cohen, “Cabo Verde, o despertar de DARWIN”, que foi lançado em 2017 no Grémio e na BTL- Feira de Turismo, em Lisboa, com uma boa aceitação. Em Cabo Verde, foi lançado na presidência da República em Abril do mesmo ano.

Este projeto vai ao encontro da forte pesquisa que tem feito para desenvolver um turismo histórico e cultural em Santiago, tendo por base a qualidade e veracidade dos dados.

Em Cabo Verde poucas pessoas têm conhecimento da passagem de Charles Darwin pelo país e é este turismo cultural e histórico que Marvela quer promover e desenvolver, quer para os próprios cabo-verdianos quer para quem visita o arquipélago. “Em Cabo Verde temos muito mais para contar”. Para o ano de 2019/2020 este circuito, que precisa de ser requalificado, estará pronto para receber grupos turísticos.

Neste ponto questionámos Marvela Rodrigues sobre as vantagens da nova medida que visa cidadãos da União Europeia a estarem isentos de visto para Cabo Verde em 2019. Esta é uma medida que acarreta vantagens para o turismo em Cabo Verde? Já se fez sentir os efeitos desta medida? “Para já ainda não, até porque a emissão do visto não exigia uma burocracia demorada, não sendo, por isso mesmo, um entrave para quem quisesse visitar Cabo Verde. Quanto às vantagens desta medida, ainda é cedo para se saber se a isenção de visto trará ou não um aumento do turismo”, diz-nos Marvela Rodrigues.

Mas continuemos a falar dos seus projetos. Outro dos projetos em mãos e pronto para arrancar é de cariz sócio educacional. Direcionado para a camada mais jovem, e sabendo que é em criança que se incute valores, Marvela tem já uma parceria com uma escola de Santiago para desenvolver um projeto sobre o turismo nas escolas, desde a pré-primária. O objetivo é ensinar e mostrar aos mais pequenos as mais-valias e as vantagens do turismo para Santiago e para Cabo Verde, e como se pode receber e acolher turistas.

Por outro lado, Marvela Rodrigues também se destaca nos projetos de âmbito social. Tem, igualmente, em carteira, um novo projeto social com mulheres reformadas, visando aproveitar o know-how destas e ajudar jovens mulheres em várias vertentes. Juntamente com outras associações, tem desenvolvido um trabalho junto da comunidade no que diz respeito à inclusão, sobretudo de mulheres. Tem conhecimento que, chegado o momento da reforma ou em casos em que mulheres se ocupam inteiramente das tarefas domésticas, acabam por atravessar situações difíceis ou estados de saúde frágeis. Este projeto, que arranca este ano, servirá para apoiar essas mulheres. Servirá para apoiar as gentes da Ilha de Santiago, não fosse Marvela Rodrigues uma mulher de causas.

Ei! Assessoria migratória: a primeira agência migratória em Portugal

Toda a sua vida profissional foi em torno da consultoria empresarial e fiscal, na área da internacionalização. Então, em que momento da sua vida surge este projeto, o Ei! Assessoria migratória?

Trabalhava como consultora em Angola, e enquanto emigrante senti na pele todas as dificuldades que uma pessoa nessa condição sofre. Quando fui para Angola, trabalhei não só em consultoria, como também auxiliei expatriados a fixarem-se lá e isso deu-me as bases para o que viria a criar no futuro.

A ideia de criar a empresa surgiu quando comecei a pensar em regressar a Portugal. Procurei saber que negócio poderia criar e, como sempre gostei da área do Direito dedicada aos estrangeiros e do tema das migrações, após uma pesquisa, verifiquei que cá não existia nenhuma agência migratória. Nos países anglo-saxónicos já existiam as chamadas migrations agencies e foi inspirada nesse modelo que criei a Ei!.

Afirma-se uma cidadã do mundo. Como cidadã do mundo o que mais a choca/preocupa nos dias de hoje?

Neste momento existem muitos problemas no mundo que me preocupam, como por exemplo a questão da Síria e dos refugiados.

A tendência é assistirmos a uma maior globalização, por isso mesmo me sinto uma cidadã do mundo mas espero que os meus filhos e as gerações futuras sintam isso ainda de uma forma mais natural. Espero que vivam num mundo com menos barreiras migratórias, que possam estudar e trabalhar onde quiserem, sem grandes problemas. Não deveriam existir tantas barreiras nem tantos preconceitos, tento transpor isso na educação dos meus filhos e aplico esses valores e convicções no meu trabalho.

Na sequência das necessidades geradas pela mobilidade geográfica dos dias de hoje, a Ei! tem como objetivo facilitar a vida a todos os que decidam procurar novos desafios. Com que principais entraves/dificuldades ou obstáculos se deparam mais as pessoas que vos procuram?

Se pertencerem a um país que não faça parte do espaço schengen, as dificuldades começam logo com a obtenção do visto. Existem vários tipos vistos. Mas qualquer um deles tem de ser obtido no consulado português mais próximo da área de residência – isto para um estrangeiro. Depois, as dificuldades começam logo com o tipo de visto deve solicitar, que documentos são necessários. Após a obtenção do visto tudo se torna mais fácil mas até aí é complicado…

Para os cidadãos da EU, a barreira linguistica e o lidar com as burocracias portuguesas são de longe o mais difícil em todo o processo. Desde ir à repartição das finanças para requisitar um NIF, depois obter o certificado de residência de cidadão da EU, inscrição no centro se saúde.

Como nem sempre os vistos são aceites, preferimos trabalhar de uma forma preventiva. Em primeiro lugar, analisamos o perfil da pessoa e vemos se reúne as condições necessárias. No caso de não serem aceites, a deceção é grande mas a nossa lei prevê a possibilidade de recorrer dessa decisão. A nossa lei dos estrangeiros é equilibrada e humana o que torna Portugal um dos países do mundo que mais e melhor recebe os imigrantes.

Receber bem é, por exemplo, permitir que filhos de imigrantes que não estão legalizados ou que estejam em processo de legalização, tenham acesso ao ensino público e que todos possam ter acesso também a cuidados de saúde. Os nossos hospitais públicos não recusam ninguém e isso não acontece em muitos países. Este é um forte motivo que eleva a procura de viver em Portugal…

Neste momento os brasileiros são o maior número de imigrantes em Portugal. A questão da instabilidade económico-social e da dos elevados índices de criminalidade são os principais motivos.

Porquê Portugal?

Portugal reúne algumas condições que são procuradas por diferentes requisitos. No caso dos brasileiros, as preocupações principais são a educação dos filhos e estabilidade social e a segurança. Os norte-americanos procuram, essencialmente, cuidados de saúde a um custo aceitável. Os reformados de países da EU procuram benefícios fiscais, o que lhes permite ter uma vida mais desafogada do que no país de origem.

Os portugueses estão sempre a reclamar e, na minha opinião, não valorizam o país que têm. Uma cliente brasileira contou-me há uns tempos que deixou tudo o que tinha no Brasil – que não era pouco – mas que nada era mais valioso do que poder ir até a um café à noite e caminhar pela rua com a filha tranquilamente sem medo de ser assaltada ou morta. Por isso, penso que está na hora de os portugueses perceberem que aquilo que temos neste pequeno país é grande, bom e não tem preço.

Uma história para partilhar…

É tão difícil escolher uma… são imensas e nem todas podem ser partilhadas.

Mas talvez a de um casal norte-americano que procurou Portugal por motivos de saúde. O senhor sobreviveu a quatro cancros e praticamente foi à falência nos EUA por causa disso, uma vez que lá os cuidados de saúde são pagos a peso de ouro. Decidiram vir para Portugal porque depois de exaustas pesquisas percebeu que se lhe acontecesse alguma coisa sabia que iria ser assistido e que para isso não teria que ficar totalmente sem dinheiro.

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