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Dois portugueses na lista da Forbes dos 30 empreendedores em tecnologia com menos de 30 anos

A Forbes considera a TalkDesk “uma das startups com crescimento mais rápido em Silicon Valley”, sublinhando que a empresa, criada em 2011, angariou mais de 24 milhões de dólares (22 milhões de euros) em investimentos durante 2015 de grupos como a Salesforce Ventures, DFJ, Storm Ventures e 500startups.

Tiago Paiva, 29 anos, e Cristina Fonseca, 28, fundaram a TalkDesk em Portugal mas foi em Mountain View, na Califórnia, que criaram a morada da sede da empresa, por considerarem que aí o leque de potenciais clientes seria maior. O objetivo da dupla foi ajudar as empresas a terem um software que permitisse criar um call center de uma forma simples, ou em cinco minutos, como promovem no seu site.

Nos últimos quatro anos, a dupla e a sua equipa, que atualmente conta com perto de 150 pessoas entre a sede nos Estados Unidos e os escritórios em Lisboa e com representação noutros países, teve um crescimento constante, tendo em junho e outubro de 2015 anunciado ter recebido investimentos na ordem dos 13,4 milhões de dólares (12,3 milhões de euros) e de seis milhões de dólares (5,5 milhões de euros), respetivamente.

Com clientes como a Uniplaces, a Dropbox, a Box ou a Doordash, a startup desenvolve software que permite às empresas ter uma visão geral dos seus clientes tendo acesso ao seu perfil e às interações anteriores assim que atendem uma chamada. Como explicou Cristina Fonseca ao Techcrunch em dezembro, a empresa “consegue ver tudo sobre o cliente quando esse cliente lhe está a ligar”.

Segundo a responsável, a próxima ideia para a TalkDesk é ir além do atendimento telefónico e expandir os seus serviços a chats, e-mail e vídeo, enquanto uma “solução moderna que resolve um problema para as companhias de hoje”.

Há um ano, a Forbes incluía outros portugueses nas suas listas. O futebolista Cristiano Ronaldo, o artista Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils, e a investigadora Maria Pereira estavam na lista anual “30 under 30” da revista que identificou os 30 jovens com menos de 30 anos mais bem-sucedidos do mundo, em 20 categorias, num total de 600 nomes de várias nacionalidades.

O importante é fazer

Pedro Queiró

Portugal é um país de empreendedores. Sempre fomos, independentemente de Governos ou modas. O país fez-se porque D. Afonso Henriques se levantou, defendeu-se pela mão de Nun’Álvares Pereira e deu a volta ao mundo na coragem de marinheiros que não sabiam o que os esperava. Nada na nossa história nos foi dado pela sorte; arregaçamos as mangas e fizemos.

Hoje em dia vemos uma nova geração de exemplos a surgir: não são marinheiros, nem soldados, nem reis, mas herdaram o espírito de quem não tem medo de coisas novas e a atitude: ir e fazer, acreditando que conseguem.

Falo de pessoas como Andreia e Jorge Ferreira, que lançaram uma marca inovadora (meia. tdúzia) sobre um conceito tão tradicional como a compota; já se expandiram para meio mundo, e vão a caminho do resto. Filipa Neto e Lara Vidreiro lançaram um serviço de aluguer de vestidos online (Chic by Choice) quando ainda estavam na faculdade; já são líderes na Europa. Ou Cristina Fonseca e Tiago Paiva (TalkDesk), que revolucionaram o call-center.

E há muitos outros além destes: empresas como a Uniplaces, Unbabel, Farfetch, Feedzai, Muzzley, Landing.jobs, Zercatto, e tantas outras, foram fundadas e levadas ao sucesso por Portugueses que não ficaram à espera da sorte. Em vez disso, foram e fizeram.

E o que quer isto dizer para o resto de nós? Lançar uma empresa de sucesso está perfeitamente ao alcance de qualquer Português. Em primeiro lugar, não é preciso ter grandes credenciais: na lista que vos dei acima misturam-se pessoas com e sem cursos superiores, homens e mulheres, novos e velhos, do Norte, Sul e Centro do País. Em segundo lugar, não é preciso ter uma ideia do outro mundo; reparem como aquela lista abrange indústrias desde a alimentação até à moda, tecnologia, e finanças.

Mas então o que é preciso? O que é que os fundadores daquelas empresas têm em comum?
A característica que encontramos em todos eles é uma vontade férrea de ir e fazer. Seja qual for a indústria, a experiência, a educação, ou o papel na empresa, todos eles decidiram tomar esse primeiro passo, deitaram mãos à obra e fizeram. E para isso não é preciso ter sorte; é só preciso querer.

Hoje em dia é mais fácil do que nunca consegui-lo. Organizações como a Acredita Portugal (que tenho o privilégio de liderar) e outras pelo país dedicam-se a abrir portas onde elas antes estavam fechadas, a apoiar quem tem essa vontade e a sustentar o seu sucesso. No caso particular da Acredita Portugal, qualquer pessoa pode candidatar uma ou mais ideias, independentemente da sua experiência, educação, zona de residência ou área de atuação. Nós ensinamos-lhe o que precisar de saber, damos-lhe as ferramentas para desenvolver o seu negócio, e pomos qualquer projeto no caminho para o sucesso, basta que você o queira.

Em seguida encaminhamos os melhores projetos para uma larga rede de parceiros em todo o país que vão potenciar o seu sucesso, desde potenciais financiadores, como incubadoras, aceleradoras, investidores profissionais e outros parceiros.

Já o fazemos em Portugal desde 2008, tendo passado pelos nossos concursos dezenas de milhares de projetos empreendedores de todas as áreas possíveis. Aliás, alguns dos exemplos que usei anteriormente passaram pelo nosso concurso, e poderia dar mais uma dúzia de exemplos mais recentes que também lá chegarão. E em 2016, como todos os anos, vamos abrir as portas a mais um grupo de Portugueses como você, cheios de vontade de ter sucesso, e dar-lhes essa oportunidade.

Porque não você? Porque não agora? Que ideias tem na manga que poderiam mudar a sua vida? A minha? A nossa? Porque não fazê-lo?
A Acredita Portugal espera por si!

As inscrições para o concurso da Acredita Portugal estão abertas e podem ser feitas em http://goo.gl/l8V0ZB

“Uma empresa focada nos seus clientes, no acompanhamento das suas necessidades e no desenvolvimento sustentável das regiões”

Com três parques empresariais, a aicep Global Parques promove o desenvolvimento social e económico de Portugal, contribuindo para a fixação de investimento e para a interação entre empresas atuantes em diferentes mercados. Neste contexto, como definem a vossa missão?
A aicep Global Parques desenvolve a sua atividade de gestão de parques empresariais para garantir no mercado uma oferta eficiente, que satisfaça as necessidades dos agentes económicos. Desenvolvemos a nossa ação promovendo e estabelecendo parcerias com um vasto conjunto de entidades – internacionais, nacionais e regionais -, pois acreditamos que a complementaridade garante uma oferta mais competitiva e, assim, o principal da nossa missão: a fixação de investimentos nas nossas infraestruturas.
O desenvolvimento social e económico do país e das regiões é conseguido através da valorização dos recursos endógenos existentes. Com base no conjunto de ativos, de serviços e de processos, as empresas devem ter o trabalho contínuo de garantir a competitividade deste conjunto. Faz-se através da recuperação e da valorização do todo que constitui a atividade empresarial: as pessoas, os serviços, os processos e as infraestruturas. Na aicep Global Parques trabalhamos para que os nossos recursos sejam fatores de promoção da competitividade e do desenvolvimento económico dos nossos clientes e das regiões onde estamos localizados.

Com a vasta experiência que vos caracteriza, continuam a apostar na dinamização das empresas em parques especializados e cuidadosamente desenvolvidos. Como definem os vossos parques? E porque motivo deve continuar a ser a primeira escolha das empresas?
A aicep Global Parques gere três ativos com características distintas. Em Sines e Setúbal oferecemos plataformas industriais e logísticas para o Atlântico, com uma localização privilegiada junto a portos marítimos estratégicos. São locais adequados, para, entre outra atividades, a adição de valor nos fluxos logísticos internacionais.
Em Sines, a ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines disponibiliza mais de 2.375ha, onde são passíveis de instalar todo o tipo de atividades, sendo de realçar a enorme capacidade de infraestruturas e de utilities disponíveis e o acompanhamento personalizado em todo o processo de instalação pela equipa da aicep Global Parques. Existe uma oferta de lotes já infraestruturados. Este facto é muito benéfico para a atração de projetos onde o cronograma exige rapidez. No caso de nenhum lote responder às exigências específicas de uma determinada atividade, a aicep Global Parques realiza um loteamento à medida.
Para aumentar a eficiência, no processo de decisão de localização e de instalação, a aicep Global Parques disponibiliza online um Dossier do Investidor com toda a informação necessária, de forma organizada.
O BlueBiz – Parque empresarial da Península de Setúbal ocupa uma área de 56 ha totalmente infraestruturada, estando pronto a acolher indústria ligeira de todos os setores, de distribuição e logística e de serviços. Uma das grandes vantagens é o modelo de negócio, assente na utilização do espaço mediante o pagamento de uma renda, usufruindo dos serviços do parque em vez da aquisição de imóveis, que permite a concentração do investimento no desenvolvimento da atividade na fase de arranque do negócio.
O Albiz, em Sintra, tem como target PME de indústria ligeira, de logística e de serviços que beneficiam com a proximidade a Lisboa.

Nos vossos parques empresariais, prezam pela complementaridade, isto é, pela diversidade de marcas e áreas de atividade. De que modo esta é uma mais-valia para as entidades que vos procuram?
Assistimos a diversos casos de complementaridade, nomeadamente na ZILS e no BlueBiz. Presenciamos empresas que se instalam porque são fornecedoras de outras já localizadas e temos o caso de outras, do mesmo setor, que veem na partilha de serviços, como por exemplo o transporte para mercados internacionais, uma mais-valia.
Na ZILS temos procurado promover a partilha de serviços entre empresas, conscientes de que podem obter economias de escala neste processo. Parcerias na área da formação, do transporte de colaboradores, da higiene e segurança no trabalho, da manutenção de áreas verdes e segurança têm sido avaliadas e são claramente fatores de atratividade.

Tendo como objetivo o contínuo desenvolvimento nacional, é imprescindível manter a marca como um organismo evoluído e inovador. Como encaram esta questão internamente? Que soluções inovadoras têm vindo a desenvolver no sentido de manter uma existência adequada à inevitável evolução temporal?
Sem dúvida, temos a preocupação de que a marca aicep Global Parques seja uma marca inovadora. Temos vindo a implementar novas práticas como é o caso da adoção de um sistema integrado de gestão empresarial, com, entre outros, um módulo de CRM e de Qualidade que permite acompanhar os clientes em todas as suas vertentes, valorizando-se a área de customer care.
Inovador, também, é o esforço contínuo no desenvolvimento de inúmeras parcerias na área da eficiência energética, de forma a adotarmos sistemas e práticas economizadoras e ambientalmente responsáveis, englobando os nossos clientes nesta sensibilização.

Global Find e Global Force são dois excelentes exemplos da inovação da aicep Global Parques. O que podem dizer-nos sobre estes dois serviços? Que mais-valias trazem às empresas portuguesas e internacionais?
O Global Find é uma ferramenta de promoção territorial valiosa que coloca todas as localizações nacionais que estejam na plataforma no mercado mundial de localizações de investimento.
O Global Force engloba várias áreas de serviços às empresas, realçando-se o apoio às empresas no seu processo de instalação e serviços de apoio à gestão de parques empresarias que não pertencem à rede Global Parques.

Como será marcado o futuro da marca? Poderemos conhecer brevemente um novo parque empresarial associado à aicep Global Parques?
A equipa da aicep Global Parques trabalha continuamente para o aumento da notoriedade da sua marca e para que seja reconhecida como uma empresa focada nos seus clientes, no acompanhamento das suas necessidades e no desenvolvimento sustentável das regiões onde os seus ativos se localizam. Isto é, na garantia de que oferecemos no mercado uma infraestrutura para a competitividade.
Estamos abertos a gestão de mais parques se existir uma oportunidade viável para tal, de forma a podermos aplicar as nossas práticas de gestão de parques empresarias a um universo mais alargado que valorize e complete ainda mais a nossa oferta e a economia nacional.

CAIXABEM DESTACÁVEL
Inovação como foco da aicep Global Parques
“Ao nível dos serviços de localização empresarial, nomeadamente no auxílio à missão de captação de investimento do nosso maior acionista, a AICEP, EPE, somos inovadores e pioneiros, com o desenvolvimento do Global Find. Trata-se de um motor de busca, disponível na web, com base em SIG – Sistemas de Informação Geográfica, que encontra a solução de localização, em Portugal continental, que melhor se adequa a um determinado projeto, com base numa análise multicritério. O Global Find já foi reconhecido diversas vezes e recentemente foi distinguido pelo European Institute of Public Administration, no âmbito dos prémios EPSA 2015, como «uma das brilhantes realização públicas que encontraram novos métodos para abordar problemas diferentes em relação a uma série de importantes desafios sociais, de desenvolvimento regional e de desenvolvimento de negócios usando diferentes modelos de parceria e cooperação com resultados conclusivos e com impacto numa sociedade melhor»”.

No Radar do Empreendedorismo

Miguel Cruz

Por Miguel Cruz, Presidente do IAPMEI

Uma estratégia empreendedora de sucesso passará, pois, pela adequada síntese entre a oportunidade do mercado e a capacidade efetiva de resposta do empreendedor e da sua equipa, com as características desejadas pelo mercado.
Apesar da importância da palavra “tecnologia”, “Mercado” é a palavra-chave para o sucesso. Um erro de enfoque gera, muito frequentemente, uma sobrestimação da probabilidade do sucesso da iniciativa empreendedora, com consequências na capacidade de sobrevivência financeira. Não há compreensão do mercado sem compreensão da concorrência. Muitas vezes, a sobrestimação da probabilidade de sucesso encontra, com facilidade, a sua contraparte na subestimação da concorrência, atual e futura.
Para uma melhor compreensão do mercado e de um fator crítico como o time to market, é indispensável o funcionamento em rede. O funcionamento do agora comummente designado de ecossistema empreendedor.
Elementos essenciais deste funcionamento em rede são, desde logo, a educação em empreendedorismo (o IAPMEI tem vindo a investir fortemente no referencial para o empreendedorismo, a aplicar desde o ensino básico), a literacia financeira (o IAPMEI e o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, lançaram um referencial de formação financeira), o funcionamento de Universidades e outros Centros de Saber que têm um papel essencial na dinamização do empreendedorismo, nomeadamente tecnológico, e na credibilização técnica de ideias e competências, a disponibilidade de infraestruturas de apoio, como incubadoras, que aportem efetivo valor a pequenas organizações com estrutura inexistente ou reduzida, a mentoria e a assistência técnica, que pode ajudar a desenvolver, enfocar e adequar ideias ao mercado e, parceiros financeiros, como os Business Angels ou Venture Capitalists.
É de referir a experiência que o IAPMEI levou a cabo com o passaporte para o empreendedorismo, em que foram recebidas 2316 ideias, que foram trabalhadas, acompanhadas, escrutinadas e avaliadas, tendo 406 oportunidades de negócio sido criadas, e que se revelou muito positiva. Para tal foi essencial o contributo da Rede Nacional de Mentores, num total de quase 600 mentores voluntários inscritos. Esta primeira experiência piloto teve resultados muito interessantes, pelo que consideramos essencial aprofundar a disponibilidade deste instrumento.
Também o concurso INOVA, com mais de dez mil estudantes, e mais de mil professores envolvidos por edição, constitui uma iniciativa essencial para a dinamização do espírito empreendedor. A dinamização de uma cultura virada para o empreendedorismo é essencial, o que implica a necessidade de atuar em diferentes vertentes, desde a educação, a abordagem cultural ao insucesso (honesto), e o tempo para encerrar uma empresa, entre outros.
Na vertente financeira, há uma aposta decisiva do Portugal 2020 no empreendedorismo, quer através dos sistemas de incentivos, dirigidos a empresas criadas há menos de dois anos, quer através dos instrumentos financeiros, dirigidos a capital, através de cofinanciamento a Business Angels, e através de Venture dirigido às fases de seed e de start-up.
Em 2006, 2012, 2013, 2014, Portugal, através de um exercício coordenado e dinamizado pelo IAPMEI, de forma aberta e colaborativa, veio a receber primeiros prémios de inovação e empreendedorismo da responsabilidade da Comissão Europeia. Recebemos ainda uma menção honrosa em 2014, sempre em concorrência contra projetos de todos os restantes países da União Europeia. Em 2015, Portugal ganhou o grande prémio do júri, num projeto apresentado pelo IAPMEI e dinamizado pela Câmara Municipal de Lisboa, o Lisboa Empreende.
A presidente do júri fez, então, questão de cumprimentar Portugal pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na dinamização do empreendedorismo. É bom ter esse reconhecimento e visibilidade, sabendo, no entanto, que tal não é suficiente.
A criação de novas iniciativas empreendedoras tem um impacto direto na criatividade, inovação e capacidade competitiva da economia portuguesa, sendo por isso elemento essencial para manter um impulso no crescimento das nossas exportações.
Qualquer nova iniciativa empresarial, quando nasce, nasce no mercado global. Assim, precisamos, cada vez mais, de referências mundiais de sucesso, de acesso a capital e a financiamento global e transfronteiriço. Precisamos não apenas de apoio público, mas também de um crescimento do empreendedorismo corporativo. Precisamos de continuar a apostar na inovação empresarial e na colaboração entre empresas e centros de saber. Precisamos de recursos humanos qualificados e de competências adequados para sustentar um crescimento exponencial da atividade empreendedora. Precisamos de uma rede de empreendedores que se autoalimente.
Precisamos, por isso, de aprofundar todas estas condições de sucesso, em rede, para colocar Portugal no radar do empreendedorismo.

O Empreendedorismo Verde

Sofia Santos

Sofia Santos, Economista*

Não tenho esta visão. Acredito que nem todos temos de ser empreendedores (entendendo empreendedorismo como a capacidade de criar empresas e o seu próprio trabalho), que não é expectável que todos tenhamos o perfil aventureiro e desafiante de um empreendedor e, acima de tudo, não temos ainda uma cultura de empreendedorismo genuína. Na realidade, para que o empreendedorismo floresça é necessário: a) um regime fiscal que o incentive; b) é necessário uma cultura de investimento a médio longo prazo (e não de curto prazo típico dos capitais de risco) pois só assim se conseguirão desenvolver outros negócios que não os meramente relacionados com as tecnologias de informação; c) e são necessárias também pessoas que, não tendo o perfil de empreendedor, tenham as competências técnicas e operacionais para realizar um bom serviço ou produto final.

Neste sentido, acredito que ainda há um longo caminho a percorrer para que tenhamos bom exemplos de empreendedorismo que se transformem em empresas grandes e geradoras de bem-estar económico social e ambiental a médio longo prazo, em vez de apenas ambicionarmos que um determinado projeto ganhe escala e seja vendido por um valor muito elevado a uma grande empresa. Se queremos que o empreendedorismo se generalize, então temos de ser realistas. E na realidade, a grande criação de emprego e a grande estabilidade dos números do emprego não dependem das empresas “gazelas” que são vendidas nos primeiros 5 anos de atividade. Dependem sim, da possibilidade das empresas crescerem as suas atividades de forma moderada e com precaução nos primeiros anos; da capacidade dos investidores em contratarem pessoas qualificadas com salários dignos e estimulantes e da compreensão pelos acionistas que o retorno a médio e longo prazo é mais importante do que a mera especulação feita em 2 ou 4 anos.

Expandir o empreendedorismo deveria implicar, a meu ver, desenvolver uma cultura empresarial que valorize o retornos a médio e longo prazo, pois só dessa forma conseguimos contribuir para uma sociedade mais estável, justa e feliz, o que, obviamente, contribui para o bem-estar da população. Em pleno século XXI, o bem-estar da população vai mais além do mero dinheiro; provêm de vários factores como “ factores humanos, factores ambientais e factores ambientais” . Na realidade, em 2009 foi publicado um relatório escrito pela Commission on the Measurement of Economic Performance and Social Progress (CMEPSP), uma iniciativa de Nicolas Sarkozy que contou com o trabalho de economistas como Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi, onde se pode ler que  o bem-estar está relacionado com um conjunto de aspetos não económicos da vida, que incluem os desejos das pessoas bem como o contexto da natureza em que estão inseridos. Este documento vai mais longe ao afirmar que esse bem-estar só pode ser mantido no tempo se formos capazes de passar para as gerações futuras stocks de capital natural, físico, humano e social.

Assim, existe atualmente uma ótima oportunidade de juntar o conceito de empreendedorismo aos conceitos de bem-estar e de desenvolvimento sustentável. Na realidade, para que o empreendedorismo pudesse de facto ter um papel estrutural na economia Portuguesa, e atendendo que vivemos num país detentor dos recursos naturais mais valiosos à escala Europeia, seria interessante ver mais desenvolvido em Portugal o conceito empreendedorismo sustentável. Por empreendedorismo sustentável entende-se “os meios através dos quais as atividades empreendedoras podem resolver desafios ambientais, ao conseguirem superar as barreiras de mercado relacionadas com recursos ambientais” .

De acordo com o documento Compromisso para o Crescimento Verde publicado em 2015 pelo Governo, a economia verde já representa, globalmente, 4 biliões de euros, crescendo 4% ao ano. Na UE, os sectores verdes já representavam, em 2010, 2,5% do Produto Interno Bruto global da UE, e estima-se um crescimento anual de cerca de 30% até 2025, constituindo desta forma os sectores mais dinâmicos da região europeia. Com a recente COP 21 em Paris, ficou acordado o compromisso de se investir 100 mil milhões de dólares por ano em atividades que promovam a descarbonização da economia dos países em desenvolvimento. Na Europa, a estratégia Europeia para a Biodiversidade e a Estratégia Europeia para a Economia Circular vão também levar a vários mil milhões de investimentos em projetos que promovam uma economia mais verde, ou seja, uma economia que reduza os riscos para o ambiente e reduza a escassez ecológica. Tudo isto parece demasiado futurista. Mas não é. Trata-se já da realidade em que vivemos e à qual nos devemos adaptar o mais rapidamente possível. A educação tem um peso fundamental para a promoção de um empreendedorismo sustentável, ou empreendedorismo verde, como por vezes também é chamado. É necessário ensinarmos aos jovens estudantes que uma economia mais amiga do ambiente é geradora de bem-estar e de riqueza para o país e para todos os cidadãos. Existem cada vez mais casos concretos a servir de evidencia.

É neste contexto que tenho estado envolvida, com outras pessoas, no projeto JEVE – Jovens para o Empreendedorismo Verde e Empregabilidade, que pretende promover precisamente as competências de empreendedorismo associadas à economia verde. O JEVE lançou em Novembro de 2015 uma plataforma de E-Learning com uma formação totalmente gratuita sobre empreendedorismo e empreendedorismo verde, destinada aos jovens dos 18 aos 30 anos. Pode ser um bom começo para uma discussão mais aprofundada com os vários stakeholders, e o início de um debate informativo sobre o potencial da economia verde em Portugal.

* Sofia Santos é Economista, com Doutoramento sobre como podem os bancos promover uma economia verde. Para mais informações: http://sofiasantos2050.wix.com/foresight

Profissão? Sou empreendedor!

A opinião de Joana Barbosa, Técnica responsável pelo LIFTOFF – Gabinete do Empreendedor da AAUM

Segundo as estatísticas do INE, em outubro de 2015 32.5% dos jovens entre os 15 e os 24 anos estavam desempregados sendo esta taxa de 10.9% para aqueles que tinham já soprado as 25 velas. Estas taxas registam-se num Portugal que é agora um país de inventores e dá passos largos na diminuição do medo de arriscar em novas ideias, conceitos e projetos. Esta menor aversão ao risco é acompanhada pelo incremento de concursos de empreendedorismo que são promovidos pelas mais variadas entidades. Contudo, e para que as taxas de desemprego sejam reduzidas de forma sustentada, é preciso aliar a este sistema de incentivos, o perfil de que tanto se fala: o perfil de empreendedor. Não existe uma definição exata para empreendedorismo o que dificulta também a identificação consensual das características que moldam o empreendedor. Fazer mais e melhor é o mote, colmatar uma dor sentida pelo nosso cliente ou empregador é a chave, adaptar os nossos jovens ao desaparecimento gradual de um modelo organizacional estático e hierarquizado é obrigatório.

Desde o primeiro momento em que entram no mercado de trabalho por conta de outrem estes jovens, além de desenvolverem as funções para as quais foram contratados, deparam-se com a obrigatoriedade de mostrar uma nova forma de ser, de agir e de apresentar resultados muito além do que é ensinado nas salas de aula. Quer seja trabalhando por conta de outrem ou por conta própria, os recém chegados ao mercado de trabalho devem conseguir dar o que este necessita: mais ideias  assentes em oportunidades num contexto em que a obediência ao chefe dá lugar a um trabalho de equipa com pessoas empreendedoras, inovadoras e criativas.

O empreendedorismo tornou-se uma moda e as novas gerações veem-se mergulhadas na necessidade de trilharem o seu caminho desde cedo. Uma vez saídos do mundo académico os nossos jovens devem adaptar-se a um novo formato de trabalhador, o trabalhador do século XXI, que traz consigo esta nova abordagem focada na autonomia, vontade de inovar, capacidade de adaptação constante e grande protagonismo. Tendo como meta a criação dos seus próprios negócios, é imperativo que, além dos conhecimentos aliados à criação do negócio, tenham sido trabalhadas certas características como a autoconfiança, a determinação, a persistência e a aceitação do risco. Mas será que os nossos estudantes acompanharam a tendência e são agora capazes de corresponder a esta nova realidade? Isto só é conseguido através da junção entre as competências trabalhadas no âmbito do curso que frequentaram e das atividades extra curriculares das quais fizeram parte e é nosso dever, enquanto agentes de apoio ao empreendedorismo, professores, universidades, empresários e cidadãos comuns, moldar estes jovens.

A formação informal tornou-se cada vez mais relevante e os desafios do sistema educativo aumentaram resultando num vasto leque de atividades dinamizadas nas universidades. Perante a preocupação constante com o futuro dos estudantes e fruto do dinamismo necessário associado ao empreendedorismo, a Associação Académica da Universidade do Minho, através do LIFTOFF – Gabinete do Empreendedor, contribui para o desenvolvimento de um ecossistema mais capaz e mais adaptado a um mundo em constante mudança, em que o empreendedorismo é palavra de honra e a criação de novos caminhos é urgente. É no trabalho de mudança ao nível de mentalidades que o LIFTOFF entra sendo também neste contexto que as universidades representam um papel de máxima importância na formação dos seus estudantes tornando-os capazes de dinamizar empresas, as suas ou as dos outros, e de criar riqueza. O estímulo à geração de ideias é crucial e a reorganização da educação tem vindo a acontecer.

Temos ainda um longo caminho a percorrer no sentido da valorização do fracasso como aprendizagem mas grande parte do percurso está já feito e verifica-se uma maior preocupação em aproximar o meio académico ao meio empresarial, o que deverá ser sempre prioritário.

Ser um trabalhador do século XXI, é ser empreendedor.
Cada um de nós deve sê-lo e moldar os jovens para tal.

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