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“O IPB tem capacidade para se notabilizar como uma instituição de referência europeia e mundial”

É licenciado em Engenharia Agronómica, doutorado em Agronomia, é docente na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança e em 2018 assumiu o cargo de presidente do IPB. Fale-nos um pouco sobre o seu percurso.

Devo todo o meu percurso profissional ao Instituto Politécnico de Bragança. Desde setembro de 1986 docente na área disciplinar de Economia Agrária e Sociologia Rural e investigador do Centro de Investigação de Montanha, com interesses científicos em torno das Políticas Agrícolas e Desenvolvimento Rural.

Em cargos de Direção desde 1999, até 2005 como Presidente do Conselho Diretivo da Escola Superior Agrária e desde julho de 2006 Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Bragança. Em julho de 2018 assumi o cargo de presidente do IPB.

Enquanto presidente do IPB, como descreve o papel da instituição no ensino superior português?

Desde a sua origem, o IPB sempre se afirmou como uma instituição de vanguarda, marcando o rumo da evolução do sistema de ensino politécnico em Portugal. Inicialmente, estabelecendo como principal prioridade a capacitação científica do corpo docente e indexando a progressão na carreira a padrões exigentes de qualificação, o IPB foi acumulando um capital científico notável, que permitiu afirmar uma intensa atividade de investigação científica, claramente vinculada à instituição e à região, mas simultaneamente de elevado impacto internacional.

O IPB mobilizou-se, depois, em torno de um bem definido objetivo de internacionalização, constituindo-se progressivamente como a mais internacionalizada das instituições de ensino superior em Portugal. Também neste domínio, o IPB definiu um rumo que veio, mais recentemente, a tornar-se uma prioridade nacional e um objetivo perseguido pela maioria das Instituições de Ensino Superior (IES) portuguesas. A liderança que o IPB afirmou neste domínio permite-lhe manter a capacidade de atração de estudantes e investigadores estrangeiros, consolidando-se como uma instituição fortemente internacionalizada em todos as vertentes da sua atividade.

O IPB tem, agora, capacidade para se notabilizar como uma instituição de referência europeia e mundial, no contexto das Universidades de Ciências Aplicadas, concretizando projetos inovadores que integrem o ensino, incluindo planos de estudos e práticas pedagógica inovadoras, a investigação aplicada e a cooperação com empresas e organizações, em particular, através de programas mobilizadores, laboratórios colaborativos, parcerias estratégicas e laboratórios vivos, numa comunidade de aprendizagem multidisciplinar e multicultural.

No âmbito da mobilidade internacional, além do tradicional Erasmus, possuem parcerias com entidades de ensino de países de língua oficial portuguesa. E em termos de números, como tem sido a adesão a este programa?

A cooperação com Universidades e outras instituições do espaço lusófono tem sido uma prioridade do IPB, envolvendo todos os países de expressão portuguesa. Múltiplos projetos têm vindo a ser concretizados, desde o apoio ao desenvolvimento de algumas instituições de ensino superior (p.e. em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), à mobilidade de alunos, docentes e pessoal administrativo, à realização conjunta de projetos de formação e de investigação, bem como outros projetos de apoio ao desenvolvimento.

O IPB tem vindo a consolidar uma plataforma internacional de dupla diplomação envolvendo vários países de todo o mundo. No espaço lusófono destaca-se a parceria com a UTFPR: atualmente 33 projetos de dupla diplomação, num acumulado de 349 teses de mestrado em coorientação (desde 2014/2015); 45 publicações indexadas WoK/SCOPUS em coautoria e 87 comunicações em conferências em coautoria.

Destacam-se igualmente os projetos de dupla diplomação com o CEFET/RJ e CEFET-MG: 50 desde 2016/17, bem como com outras IES brasileiras, acumulando 84 estudantes em projetos de dupla diplomação de licenciatura e mestrado desde 2016/17.

Fora do espaço lusófono afirmam-se os projetos de dupla diplomação envolvendo 14 países da Europa de Leste, Norte de África e Ásia Central, incluindo sete mestrados e uma licenciatura do IPB, acumulando 161 estudantes internacionais recebidos para dupla diplomação, desde 2015/16.

Promover a mobilidade internacional como parte integrante do percurso de formação dos estudantes do IPB é, igualmente, um forte objetivo. Em 2017/18 estavam em vigor mais de 200 acordos bilaterais com 24 países europeus; 270 Estudantes Erasmus+ recebidos e 333 enviados; 210 Docentes/Staff Erasmus+ recebidos e 93 enviados. Assegurou-se um financiamento de 638,6 mil Euros para mobilidade Erasmus+

Destaca-se também a mobilidade no domínio dos estágios e da promoção da empregabilidade. O projeto “NOW Portugal Consortium – Internships for Employability”, para gestão de estágios na Região Norte e no Espaço Europeu, permitiu enviar 208 estudantes no âmbito deste Consórcio em 2017/18.

Deve notar-se que os programas Erasmus estão disponíveis tanto para alunos portugueses como alunos do espaço da lusofonia, que podem assim beneficiar de uma dupla experiência internacional.

O que procuram os alunos oriundos de países constituintes da CPLP em Portugal?

O IPB destacou-se na atração de estudantes estrangeiros, apostando simultaneamente nos países de expressão portuguesa e em estudantes não falantes do português, através da oferta de ciclos de estudos em língua inglesa. Os resultados obtidos colocaram a instituição num patamar de destaque a nível nacional e internacional. O IPB é hoje uma instituição multicultural, onde cerca de um terço dos seus estudantes possuem nacionalidade não portuguesa, de 70 países diferentes.

Este ambiente internacional e multicultural é claramente hoje uma imagem de marca do IPB, muito valorizada também pelos estudantes da CPLP. Neste ambiente, os alunos podem ter uma experiência internacional enriquecedora, estudando em português, mas tendo simultaneamente a oportunidade de aperfeiçoar o domínio do inglês, tendo em conta o ambiente internacional onde ficam imersos.

Por outro lado, a segurança das cidades da região, a excelente qualidade de vida e o ambiente acolhedor, são favoráveis ao crescimento da comunidade internacional. De entre as várias iniciativas emblemáticas de acolhimento dos estudantes internacionais, pode destacar-se a participação de equipas de diversas modalidades em torneios nacionais e regionais, em particular a equipe de futebol de onze da Associação de Estudantes Africanos do IPB, que participa nos campeonatos nacionais sénior (Associação de Futebol de Bragança – Divisão de Honra) e taça de futebol, ou ainda a existência de um espaço inter-religioso, onde todas as confissões podem realizar as suas orações e celebrações religiosas. Todas estas iniciativas evidenciam o ambiente multicultural que se vive no IPB.

Por outro lado, o que tem Portugal de melhor a oferecer a estes alunos?

Portugal é, principalmente, a cultura portuguesa. Uma das mais fortes e estáveis do Mundo. Sobretudo porque se baseia no respeito pelos outros, na tendência natural dos portugueses para se relacionarem com os que são diferentes, aprendendo e negociando com eles, mas nunca perdendo a sua identidade. Portugal é também a língua. Uma comunidade em crescimento, de cerca de 275 milhões de falantes espalhados por todo o mundo.

Acresce que Portugal é dotado de um conjunto de atributos que o torna um dos países mais atrativos do mundo: um país seguro, culturalmente vibrante, com um nível de serviços públicos elevado e um excelente ambiente natural.

Conjugado com este conjunto de atributos, Portugal dispõe de um sistema de ensino superior que está entre os melhores do mundo e com capacidade excedente face à procura interna. Pode, portanto, afirmar-se como um dos setores exportadores do país, atraindo estudantes internacionais. Esta “exportação” de formação superior é altamente virtuosa, na medida em que, para além do efeito económico direto, tem um efeito multiplicador muito elevado, seja na atração de mão-de-obra qualificada, investimento, ou na criação de um capital de confiança associado à formação de elites presentes em vários países do mundo.

O fator língua é uma das grandes vantagens para estes estudantes. Que outras existem?

A identidade cultural associada à lusofonia não se esgota, claramente, numa língua comum. Muitos outros fatores estruturam esta cultura e identidade partilhada por vários povos. Nessa medida, os estudantes da CPLP encontram em Portugal e no IPB um ambiente cultural e um sistema de valores que lhes é familiar e no qual se torna mais fácil desenvolver a sua formação académica e humana.

A mobilidade internacional é importante para que se fomentem novos conhecimentos e experiências que se poderão tornar relevantes para o futuro. Acredita que esta deve ser uma vivência que todos os alunos deverão experienciar? Porquê?

A existência de uma experiência de mobilidade no percurso académico dos alunos é uma forte prioridade da União Europeia, mas também da CPLP. A AULP criou o “Programa Mobilidade AULP”, um programa de mobilidade académica que abrange exclusivamente o intercâmbio de alunos entre instituições dos países de língua oficial portuguesa e Macau.

Considerando a experiência do IPB, que supera já largamente as metas de mobilidade da União Europeia, os alunos que se envolvem neste tipo de programas têm taxas de empregabilidade mais elevadas e níveis remuneratórios mais altos. São, portanto, profissionais que desenvolveram melhores capacidades que o mercado de trabalho valoriza nos dias de hoje.

Como descreveria o papel que a IPB assume na passagem dos alunos para o mundo laboral?

Neste âmbito, o IPB desenvolve múltiplas atividades de incentivo ao desenvolvimento de capacidades empreendedoras nos alunos, de apoio à consolidação de ideias de negócio e de promoção da empregabilidade. Neste contexto é fundamental o estabelecimento de algumas parcerias que estimulem a geração de um ambiente favorável ao desenvolvimento de iniciativas empresariais. Fruto da atividade dos últimos três anos, surgiram 15 novas empresas (StartUps), acumulando um investimento inicial superior a 3 milhões de Euros e cerca de 50 postos de trabalho altamente qualificados criados diretamente. Estes valores foram, entretanto, multiplicados, fruto do crescimento destas empresas.

O IPB tem vindo a promover um acompanhamento com os seus antigos estudantes. Qual a importância desta iniciativa?

O acompanhamento dos alumni do IPB é uma prioridade. Foi desenvolvida uma plataforma que suporta a empregabilidade, mas que também permite o contacto e acompanhamento do curriculum profissional dos antigos alunos. Outras iniciativas e encontros são realizados com regularidade.

Por outro lado, os melhores embaixadores do IPB são os antigos alunos. São eles o veículo mais importante na captação de novos alunos pela mensagem favorável que transmitem da instituição.

Bragança foi considerada uma das cidades com melhor qualidade de vida, obtendo as pontuações mais elevadas nos campos da habitação, da segurança e da qualidade do meio ambiente. Estes índices têm-se traduzido em número de inscrições no IPB?

Na verdade, Bragança tem visto a sua qualidade de vida traduzida em posições de destaque nos rankings de cidades que têm vindo a ser divulgados, seja o da Ordem dos Economistas, da DECO ou da Bloom Consulting. Os indicadores ambientais, de segurança, qualificação das pessoas, oferta de serviços (nomeadamente ensino e investigação), capacidade exportadora, baixo custo de vida, entre outros, colocam sempre Bragança, bem como Mirandela, em posições de destaque.

Estes factos são, naturalmente, potenciadores da capacidade de atração de alunos internacionais pelo IPB. Sobretudo, quando são os próprios antigos alunos a demonstrar um grande nível de satisfação pela experiência que viveram em Bragança.

Como descreveria o que significa estudar no politécnico de Bragança?

Estudar no Politécnico de Bragança significa uma experiência rica e multifacetada de qualificação e de vida. Contudo, podem destacar-se alguns aspetos mais relevantes da academia IPB: uma formação inovadora e de excelência científica (comprovada pela presença do IPB entre as 20% melhores Universidades a nível mundial em todos os principais rankings internacionais), multiculturalidade, criatividade e inteligência afetiva.

Na verdade, a intensidade das relações humanas que se estabelecem no ambiente académico do IPB e o contexto de excelência científica em que os estudantes são formados, permitem imprimir aquelas características na sua formação.

O que diria aos futuros alunos da IPB que vão ler a sua entrevista?

Basicamente, diria que escolham o IPB e que sejam felizes. Na verdade, a felicidade não se promete. Porém, o carácter inovador das formações do IPB, a excelência científica da instituição e a intensidade das relações humanas criadas num ambiente próximo e multicultural, geram um contexto onde, com grande probabilidade, os nossos alunos serão felizes.

“O Grupo ABB investe fortemente em colaborações universitárias”

Como descreve a ligação que a ABB mantém com o ISEL?

O Grupo ABB investe fortemente em colaborações universitárias, e atualmente tem mais de 100 parcerias com universidades em todo o mundo com o propósito de desenvolver tecnologias disruptivas de longo prazo, bem como inovações evolutivas de médio e curto prazo dos nossos produtos e serviços. Para a ABB, a inovação é vital e estamos constantemente a esforçarmo-nos para encontrar novas formas de nos tornar-nos mais competitivos, é por esta razão que para a ABB é tão importante trabalhar com o melhor talento académico.

Com jovens cada vez mais qualificados a assumir a liderança das empresas nacionais e ideologicamente mais predispostos a receber o conhecimento gerado nas universidades, a relação entre empresas e mundo académico tende a intensificar-se, assim a ligação da ABB com uma instituição de ensino superior como o ISEL é fundamental.

O Prémio ABB é uma das provas sólidas dessa mesma relação e resultante do acordo que a empresa tem com a instituição de ensino. O mesmo consiste num prémio monetário e um estágio remunerado a um estudante de mestrado cuja dissertação se insira no âmbito do Regulamento do Prémio ABB. Na sua opinião, qual é a importância deste tipo de iniciativas?

O Prémio ABB destina-se a premiar o estudante que tenha obtido a classificação mais elevada numa dissertação de mestrado, cujo tema esteja relacionado com uma de três das principais áreas de atividade do Grupo ABB: energias renováveis, incluindo “smart-grids”, automação industrial e robótica, e enquadra-se num conjunto de iniciativas emergentes do conceito de cidadania corporativa exemplar que o Grupo ABB adotou, e que pretende levar à prática através do envolvimento em atividades que impulsionem o progresso das comunidades nas quais a empresa opera, nomeadamente na área do desenvolvimento educacional. Prémios como este são importantes como uma forma de reconhecimento e valorização dos alunos que mais se destacam, neste caso, nas áreas de maior relevância para a ABB e também porque quando pensamos nas tecnologias do futuro sabemos que estas terão um contributo essencial dos alunos de hoje.

Estas pontes que se estabelecem entre o ensino superior e o mundo empresarial podem ser tidas como uma “introdução” àquilo que nos tempos de faculdade não são possíveis de ensinar: o funcionamento do mundo laboral?

Sem dúvida que uma das grandes vantagens da aproximação das empresas às universidades, é que permite que professores e alunos lidem com problemas do mundo real, auxiliando e preparando estes alunos para lidar com situações com que serão confortados quando se inserirem no mercado de trabalho.

No contacto com recém-formados, quais considera que são os erros mais comuns que estes cometem quando iniciam uma carreira profissional?

Durante o curso, estamos invariavelmente, muito focados na formação teórica, que é, claro, imprescindível para enfrentar os desafios profissionais, dá-nos as bases que precisamos. Mas quando passamos para a prática e iniciamos a carreira profissional devemos estar preparados para os múltiplos obstáculos que vamos encontrar, situações em que não sabemos o que fazer, nem compreendemos o que nos está a ser pedido… É importante ter a humildade de reconhecer que mesmo com o conhecimento que o curso académico proporciona, embora dê as bases necessárias para se iniciar no mercado de trabalho, ainda há um longo percurso para percorrer na área do conhecimento, percurso esse que se faz no dia a dia, pesquisando, questionando e atuando, tomando decisões e, sobretudo, aceitar que é natural errar, o importante é aprender com esses erros.

Apesar das benesses que os alunos retiram do contacto com as empresas, podemos dizer que as empresas também retiram benefícios desta sinergia? Porquê?

As universidades são, por excelência, incubadoras de inovação e transformação tecnológica e motores do progresso, os alunos de hoje irão moldar o futuro das empresas de amanhã.

A ABB é uma empresa líder em tecnologias, com uma oferta bastante diversificada e orientada para o cliente, e para uma organização continuar a ter sucesso é necessário ter a capacidade de gerir a mudança. Também neste contexto, a relação entre empresas e universidades é fundamental, os centros de conhecimento e a indústria estão cada vez mais sensibilizados para a necessidade de trabalharem em conjunto, a ligação às universidades pode ajudar a favorecer a melhoria dos produtos e serviços.

Pela própria natureza do nosso negócio, apostamos em pessoas com elevado nível de conhecimento, conhecimento esse que é numa primeira fase proporcionado pela universidade. Este contato entre aluno e empresa também permite a identificação de talentos para recrutamento futuro.

De futuro, faz parte dos planos da ABB alargar este tipo de protocolos a outras instituições de ensino superior?

Sim, estamos sempre abertos a novas parcerias.

Hovione desafia a academia com o Programa 9ºw

Podemos começar por saber o que é o Programa 9ºW?

O Programa 9ºW é um desafio que a Hovione lançou em 2016 a instituições académicas portuguesas para resolvermos juntos problemas específicos que a empresa, por si só, não conseguia resolver. 9ºW é a longitude de Lisboa e o nome foi inspirado no Prémio Longitude atribuído no século XVIII pelo governo britânico a quem resolvesse um dos maiores desafios da época: como determinar a longitude de uma embarcação em alto mar?

O Programa 9ºW da Hovione concedeu cinco milhões de euros para três projetos académicos. Quais foram os projetos abrangidos? Porquê?

Antes de lançarmos o programa identificámos as maiores dificuldades que queríamos superar a curto e a médio prazo. Destas, selecionámos três que deram origem aos projetos do programa.

O primeiro consiste no desenvolvimento de um método de secagem que queremos que seja muito mais eficiente do que aqueles que usamos e dos que encontramos no mercado. Este é um passo importante na estratégica mais global que queremos implementar.

O segundo projeto visa a formação profissional de técnicos de laboratórios analíticos que não conseguimos encontrar no mercado de trabalho.

Por último, precisávamos de conhecimento para implementar a transformação digital nos nossos laboratórios tendo em conta a forte intensificação de trabalho que previmos venha a acontecer.

No primeiro projeto colaborámos com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; no segundo com um consórcio liderado pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa; já o terceiro foi atribuído a um consórcio entre o Instituto Superior Técnico e a Universidade do Minho.

 

O Programa 9ºW tem a duração de três anos (2017-2020). 18 meses depois qual é o balanço?

Ainda é cedo para um balanço global pois estamos a meio do programa. De qualquer forma, a avaliação intermédia é positiva.

Temos um conceito novo para a secagem que, à escala laboratorial, demonstrou ter a eficácia desejada e estamos neste momento a escrever a patente e a elaborar um plano que nos permita ter uma unidade industrial em 2021.

Das seis edições de formação de analistas previstas concluímos as duas primeiras, formando 24 analistas químicos; destes 50% foram recrutados para a Hovione, o que contribui para uma taxa de empregabilidade destes formandos acima de 75%.

O projeto de transformação digital também está a progredir bem. Testámos com sucesso os modelos matemáticos de escalonamento de atividades, decidimos sobre as soluções de automação e estamos a criar a estrutura para bases de dados sobre as quais poderemos aplicar “machine learning”.

 

A Hovione formou parceria com instituições de ensino para a criação de um curso de analistas químicos, sendo o consórcio de instituições liderado pelo ISEL. Que desafios obrigaram a Hovione a criar o Programa 9ºW, a promover o curso e a financiar a construção do PharmaLab no ISEL?

O desafio na criação do programa era criar analistas químicos com os conhecimentos necessários, suficientes e específicos da indústria farmacêutica. Em Portugal, onde a indústria farmacêutica é de reduzida dimensão, não conseguíamos recrutar técnicos em número suficiente para apoiar o nosso crescimento nesta área. Constatámos que competíamos pelos mesmos escassos recursos com a indústria local e que, muitas vezes, éramos forçados a contratar recursos subqualificados ou sobre-qualificados, o que exigia um esforço tremendo de formação interna ou gerava problemas de gestão de expectativas a médio prazo.

Precisávamos, portanto, de uma solução sustentável para as nossas necessidades e, juntamente com o ISEL, desenhámos um projeto para superar estas carências. Combinámos os conhecimentos técnicos, a capacidade do ISEL de captar candidatos com o perfil desejado e a necessidade de criar um espaço laboratorial no ISEL que fosse uma réplica fidedigna dos laboratórios de controlo analítico da indústria farmacêutica, equipado com as tecnologias mais relevantes e gerido pelos mesmos padrões de qualidade, exigência e ética que promovemos na Hovione. O PharmaLab foi construído com este conceito, num espaço e com recursos disponibilizados pelo ISEL. Foi um investimento grande e que queremos continuar a dinamizar pois quem passa pelo PharmaLab entra na Hovione já com capacidade de fazer bom trabalho.

Quais são as mais-valias da parceria entre a Hovione e o ISEL? E qual é, na sua ótica, o potencial e o contributo deste instituto para o ensino superior e para o país?

As mais-valias são a conjunção de um conhecimento profundo das práticas e dos conhecimentos da indústria farmacêutica com o método e as instalações de ensino de um instituto superior. Estes cursos profissionais desenhados à medida das necessidades específicas da indústria local têm elevados graus de empregabilidade, contribuindo, desde logo, para a evolução social e económica do país. O PharmaLab faz muito mais que dar competências, cria as condições para que os seus estudantes possam construir uma carreira. Trata-se de uma profissão na qual a perícia é valorizada e na qual o trabalho tem o efeito direto de melhorar a saúde dos pacientes.

Com o Programa 9ºW, lançado em Setembro de 2016, a Hovione propôs-se trabalhar em parceria com Instituições Académicas, ao longo de três anos, para desenvolver projetos inovadores, relevantes que respondam às atuais e futuras necessidades das empresas. Quais são as expectativas?

A expectativa principal é resolvermos os desafios a que nos propusemos em 2016. Para além disso, a interação próxima com as instituições académicas cria fortes relações que abrem outras oportunidades de colaboração e que nos permitem progredir no nosso processo de diferenciação através da inovação e do conhecimento.

As nossas universidades e instituições académicas são muito boas. Achamos que colaborar com estas em problemas complexos e de aplicação prática é muito motivante para os jovens. Temos cerca de 30 estudantes de doutoramento e mestrado a fazer a sua investigação na Hovione e a desenvolver conhecimento, o que, a prazo, vai resolver problemas concretos. Saber que o seu esforço e capacidade intelectual permitirão, a breve trecho, que um medicamento seja lançado e cure uma doença é algo de muitíssimo motivador.

“Levar para o mercado produtos mais inovadores competitivos”

A Altice tem desenvolvido vários projetos em parceria com a Universidade de Aveiro. Que mais-valias resultam da parceria entre o tecido empresarial e as instituições do ensino superior?

As mais-valias resultantes são essencialmente a transferência efetiva para as Empresas do conhecimento adquirido pelas Universidades.

Em que se traduz a importância da transferência de conhecimento científico das academias para as empresas/sociedade?

A transferência do conhecimento científico traduz-se na criação de valor, para as empresas, para as pessoas, para a sociedade. É isso que chamamos inovação – a transformação de conhecimento em valor para quem o utiliza, qualquer que seja a forma que assume finalmente.

 

Está em curso algum projeto com a Universidade de Aveiro que possa ser mencionado?

Para além de outros projetos de menor dimensão, temos dois grandes projetos em curso nos quais somos parceiros da Universidade de Aveiro e do Instituto de Telecomunicações – O projeto mobilizador 5G do programa P2020, liderado pela Altice Labs e o projeto do programa Europeu UIA, Aveiro STEAM City, liderado pelo Município de Aveiro.

Os projetos desenvolvidos com estas instituições e as parcerias que daí resultam fazem, cada vez mais, parte da visão estratégica da empresa? Porquê?

O ritmo de mudança e inovação tecnológica é de tal forma elevado e abrange tantas áreas que se torna absolutamente impossível para uma empresa obter atempadamente o conhecimento necessário para inovar recorrendo apenas à aprendizagem interna e à contratação de novos talentos. Assim sendo, a única forma de uma empresa ser “inovadora em série” é recorrer a cum conjunto de parceiros de forma regular, planeada e estratégica.

A Universidade de Aveiro e a Altice Labs uniram-se para criar o AlticeLabs@UA, um laboratório de investigação em novas tecnologias e aplicações de comunicação. Que balanço já é possível fazer desta parceria? E quais são as expectativas?

O AlticeLabs@UA tem sido uma parceria extremamente frutuosa, acreditamos que para ambas as partes. Daqui têm saído projetos que já resultaram em produtos inovadores. A expectativa é que esta parceria se venha a alargar a médio prazo, abrangendo ainda mais áreas de colaboração.

Que papel assume, atualmente, a Altice Labs?

Atualmente sou o responsável pela criação e dinamização do Ecossistema de Inovação da Altice Labs, juntando Universidades, startups e outras empresas tecnológicas em torno de um objetivo comum: Conseguir levar para o mercado produtos mais inovadores e, portanto, mais competitivos.

 

 

“A Economia fornece conhecimentos valiosos”

É  Doutorada em Economia, Mestre em Economia da Empresa e Licenciada em Economia pela Universidade de Aveiro. De uma forma geral, que análise faz da economia em Portugal atualmente? Que fase atravessa o país?

Diversas variáveis económicas, entre as quais a produção e o emprego mostram que atualmente a economia portuguesa recuperou e superou a dimensão que tinha antes da crise de 2008. Note-se que o crescimento não foi igual entre setores e que ainda se verificam níveis salariais muito baixos mesmo para trabalhadores com formação superior, o que deveríamos progressivamente corrigir. Mas se é importante a recuperação, mais importante é fazê-lo em setores chave para a nossa economia, setores em que tenhamos vantagens comparativas em que possamos alicerçar um crescimento sustentado. E Portugal tem sabido tomar essas direções. A composição atual do nosso produto interno é diferente da que se verificava antes da crise, estando cada vez mais baseada no setor dos serviços, da energia, da tecnologia, da inovação e do turismo, com extrema relevância para o comércio externo. O Banco de Portugal estima que em 2020 as exportações estejam 67% acima do nível registado em 2008 e que a componente de turismo seja o dobro do valor pré-crise. Atualmente mais de 75% do PIB nacional assim como mais de 70% da população empregada depende do setor dos serviços, dentro do qual os setores que mais cresceram têm sido o farmacêutico, as novas tecnologias de informação e comunicação e turismo. A economia portuguesa tem-se ainda direcionado para setores com maior incorporação tecnológica, nomeadamente setores de energia, eletrónico e automobilístico.

A média de entrada no curso de Economia da Universidade de Aveiro (UA) é considerada média-alta e é um curso com quase 50 vagas. Quais diria que são as maiores valências que esta formação garante aos alunos que a frequentam?

Certo, a nota do último colocado no curso de Economia em Aveiro tem estado perto dos 16 valores nos últimos anos, das mais altas médias do país para este curso. O curso de Economia em Aveiro tem uma sólida formação em Teoria Económica, que transmite conceitos basilares essenciais para a compreensão de temas económicos e sociais, mas também se preocupa com a aplicação a algumas áreas específicas, como a Contabilidade, Finanças, Gestão ou Econometria. Igualmente sub-ramos da Economia são aprofundados, como a Economia Internacional, Europeia, Portuguesa, Pública, dos Recursos Naturais ou da Saúde. Procuramos não só fornecer hardskills (habilidades técnicas), mas também fomentar as softskills (competências comportamentais e sociais) através de diversas iniciativas quer de docentes quer de alunos, que podem passar por estágios, formações, visitas a empresas, conferências, entre outros. A ideia essencial é preparar os alunos para a tomada de decisões informadas em qualquer contexto e permitir-lhes desde cedo o contacto com o mundo empresarial e com a realidade envolvente.

Quais costumam ser os caminhos mais frequentes que os alunos seguem quando terminam o curso?

Temos alumni a trabalhar em diversos domínios, como por exemplo: técnicos superiores no sector público e privado, gestão e planeamento em empresas/organizações, que vão de setores como a administração pública, a banca, consultoras, ensino, serviços ou indústrias.

Qual o papel da universidade nesta ligação ao mundo empresarial?

A UA e em particular o Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) possuem uma estratégia prioritária direcionada para as empresas, e em particular para o tecido empresarial da nossa região. Não poderia ser de outra forma, sendo um departamento de economia e gestão aplicado ao turismo e à indústria transformadora. Desde 1988 que o departamento possui uma política muito ativa de estágios, seminários e workshops com as empresas. Para além disso possui várias organizações formadas por alunos e ex-alunos que incrementam a ligação às empresas e ao empreendedorismo, como por exemplo a Aveiro Smart Business. Em particular, os estágios (muitos deles remunerados), proporcionam o contacto com a realidade num ambiente de aprendizagem e têm-se revelado fundamentais para os alunos, quer em termos de aplicação de conhecimentos, quer em termos de empregabilidade futura. O DEGEIT tem sido cada vez mais procurado pelas empresas para receberem estagiários, o que se deve em muito à cada vez melhor reputação que a UA, e o DEGEIT em particular, têm no mercado de trabalho.

Faz parte dos investigadores da instituição. De que forma descreve a importância da investigação quer dentro do universo UA quer para fora (sociedade em geral)?

A missão do centro de investigação do qual faço parte, a Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP) é produzir investigação e conhecimento que contribuam para a eficiência económica e boas práticas de governança em contextos territoriais específicos: europeus, nacionais e regionais, com foco nas regiões Centro e Aveiro. Nesse sentido reúne investigadores de diferentes especialidades científicas para responder a este desafio, aproveitando a diversidade de abordagens e metodologias. Temos quatro grupos de investigação: (i) Competitividade, Inovação e Sustentabilidade; (ii) Políticas Públicas, Instituições e Inovação (iii) Sistemas de Apoio à Decisão e (iv) Turismo e Desenvolvimento. Esta diversidade de formações e temas revela-se como fundamental para que os investigadores da UA e neste caso os que pertencem ao GOVCOPP cresçam como investigadores e enriqueçam as suas pesquisas, num contexto cada vez mais global e interdisciplinar. O mundo empresarial, os policy makers e a sociedade em geral beneficiam com esta investigação, cada vez mais orientada para os seus interesses e para a resolução de problemas e questões que os preocupam e que são fundamentais de serem estudados dos pontos de vista económico, social, político ou ambiental.

É, também, membro da Comissão Executiva do Departamento de Economia. Como é a dinâmica entre o departamento e a universidade?

A UA, pela sua própria estrutura organizativa, leva a uma grande e natural interação interdepartamental e tira muito bom partido da multidisciplinaridade e cooperação entre áreas. O DEGEIT tem verificado um elevado crescimento da procura de outros alunos e cursos da UA pelas nossas disciplinas. Existe também colaboração com outros departamentos, ao nível das unidades curriculares, cursos conjuntos, projetos, investigação e organização de eventos científicos.

Tem como áreas de interesse a Economia da Energia, Economia do Ambiente e Recursos Naturais, Política Energética e Ambiental e Modelos de Equilíbrio Geral. Explique-nos a importância que a Economia, enquanto ciência, assume perante o mundo.

A Economia é importante para sabermos como as sociedades, os governos, as empresas, as famílias e os indivíduos alocam os seus recursos escassos a necessidades ilimitadas. E num mundo onde a escassez de recursos (não só naturais) é cada vez mais uma preocupação, perante o crescimento da população e elevado consumismo, a Ciência Económica tem muito a dizer. A Economia também pode fornecer conhecimentos valiosos quer para a tomada de decisões na vida cotidiana, quer para a tomada de decisões políticas, a diversos níveis. Por exemplo, o estudo da Economia do Ambiente e Recursos Naturais, e em particular dos recursos energéticos, tem-se revelado uma área científica de extrema relevância, dadas as atuais preocupações ambientais e energéticas, bem como para fazer a ligação de questões económicas a questões ambientais, prevendo os efeitos económicos e sociais de diferentes políticas, bem como averiguar que políticas poderiam funcionar melhor em diferentes setores, regiões, ou agentes, para se atingirem os objetivos da forma mais eficiente possível. Os relatórios económicos e ambientais de diversas instituições científicas têm-se relevado decisivos para adoção de políticas e medidas ao nível europeu, nacional e local.

Que mensagem poderia deixar a quem está a pensar ingressar no curso de Economia na UA?

Diria que é uma boa aposta de formação profissional, pessoal e de experiência de vida. A ua é uma universidade jovem, dinâmica, interdisciplinar, assim como também o é o curso de economia. Os pontos fortes apontados pelos alunos que passam por nós revelam a importância de alguns fatores chave, que nem sempre são encontrados nos cursos de economia de outras faculdades, como por exemplo a relação próxima que existe entre docentes e alunos, o corpo docente jovem, o equilíbrio entre as hard e soft skills que são facultadas aos alunos, a proximidade do departamento e do curso às empresas e em particular às empresas da região, empresas com grande dinamismo na economia portuguesa, como seja setores ligados ao turismo, à energia e à inovação. Para além de que estudar na maravilhosa cidade de Aveiro, deixa lembranças e experiências inesquecíveis.

Jorge Sousa e Lucía Fernández-Suárez abrem-nos as portas à engenharia do futuro

No entanto, é em 2016 que o ISEL conhece um novo ciclo e inicia um processo de crescimento ímpar, do qual o atual presidente do ISEl, professor Jorge Mendes de sousa, e a vice-presidente de relações externas, professora Lúcia Fernández-Suárez, se orgulham.

 

 

Biografia

Jorge Sousa, presidente

Jorge Alberto Mendes de Sousa tem 48 anos e foi eleito presidente do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) para o quadriénio 2016-2020. É licenciado e mestre em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (Instituto Superior Técnico) e doutorado em Economia (Nova SBE).

Em 1998 iniciou as funções no ISEL, onde possui a categoria de professor coordenador na Área Departamental de Engenharia Eletrotécnica de Energia e Automação (ADEEEA), da qual foi presidente no período 2014-2016. É coordenador do Grupo Disciplinar de Sistemas de Energia, do Grupo de Investigação em Sistemas de Energia, tendo iniciado e coordenado a pós-graduação em Engenharia e Gestão de Energias Renováveis (EGER) e o programa ISEL Energy Week.

No domínio científico, é investigador integrado do INESC-ID e membro do seu conselho científico, tendo sido investigador associado do MIT/Center for Energy and Environmental Policy Research no período 2008-2011.

Os seus domínios de investigação centram-se na área dos sistemas de energia, nomeadamente energias renováveis, mobilidade sustentável, mercados de energia e gestão de risco, usando abordagens essencialmente centradas em modelação e simulação numérica.

Antes de ingressar na carreira académica desempenhou funções na EDF – Electricité de France (Clamart/Paris), na EDP – Eletricidade de Portugal (Labelec) e no INTERG – Instituto da Energia.

É membro fundador e vice-presidente da Associação Portuguesa de Economia de Energia (APEEN), membro da Ordem dos Engenheiros, da Ordem dos Economistas e membro da direção do IEEE/PES em Portugal.

Como Presidente do ISEL está fortemente empenhado e comprometido com o desenvolvimento da instituição de forma a torná-la líder mundial na abordagem aos desafios societais do terceiro milénio.

Biografia

Lucía Fernández-Suárez, vice-presidente

Lucía Fernández-Suárez tem 47 anos e é vice-presidente do ISEL para as Relações Externas desde 2016. Natural das Astúrias, é também professora coordenadora com nomeação definitiva na Área Departamental de Matemática (ADM) do ISEL. Licenciada em Matemática pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e detentora de um  D.E.A. em Matemática pela Université des Sciences et Tecnhologies de Lille (França), obteve o doutoramento europeu em Matemática em 1998, nessas universidades, na área de Geometria e Topologia.

Atualmente, desenvolve investigação na área de Topologia Algebraica. Neste âmbito realizou estadias de investigação na University of Rochester (EUA), no Fields Institute (Canadá) e na Université Catholique de Louvain-La-Neuve (Bélgica). Iniciou a sua carreira docente em 1995 como professora assistente na Faculté Livre des Sciences de Lille (França). De 1996 até 1998 trabalhou também como professora assistente na Université des Sciences et Technologies de Lille.

Em 1999 começou o seu percurso em Portugal, sendo professora auxiliar do departamento de Matemática da Universidade do Minho. Desde março de 2011 que é professora coordenadora com nomeação definitiva na Área Departamental de Matemática (ADM) do ISEL, lecionando habitualmente unidades curriculares na secção de Álgebra. Participou em quatro projetos de investigação internacionais (três pela FCT e um pela GRICES/CNRS), tendo sido investigadora responsável em dois deles. É acérrima defensora da divulgação da matemática, tendo pertencido à direção da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), entre 2008 e 2014, e organizado, nesse período, diversas “Tardes da Matemática – SPM” que percorreram Portugal de Norte a Sul.

Engenharia do futuro

O ISEL é uma instituição pública que iniciou em 1974 o seu percurso no ensino superior. Depois de um trajeto complexo e com três fases bem vincadas na sua história, é hoje uma referência no ensino da engenharia em Portugal.

Implantado num campus com 60.000 m2 na freguesia de Marvila, o ISEL conta atualmente com 11 licenciaturas, 11 mestrados complementados com pós-graduações e laboratórios com tecnologia avançada que apoiam as atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento do ISEL.

Daqui resulta a extensa rede ISEL da qual todos se orgulham: os cerca de 4000 alunos, 369 professores, 110 colaboradores dos serviços administrativos, antigos alunos e as empresas parceiras.

Uma das prioridades estratégicas do Acordo de Parceria do Portugal 2020 traduz-se na necessidade de qualificar as infraestruturas de Investigação e Inovação, i.e., centros tecnológicos, centros de transferência de tecnologia, institutos de novas tecnologias, parques de ciência e tecnologia, bem como de incubadoras de empresas de base tecnológica, com o objetivo final de promover uma atuação cada vez mais próxima e orientada para as necessidades efetivas do tecido empresarial português.

Com parcerias de sucesso com o tecido empresarial e com instituições públicas, o ISEL assume um papel de relevo no Ensino Superior — e também no país — no que se refere à transferência de conhecimento científico e ao trabalho desenvolvido em prol da comunidade.

Percorra connosco o campus do ISEL ao longo desta reportagem e conheça alguns dos inúmeros – e não menos importantes – projetos e iniciativas que convertem esta singular organização numa verdadeira instituição de engenharia do futuro.

ISEL ENERGY WEEK

A Semana da Energia é uma iniciativa do ISEL que conta já com a sua 4.ª edição e que pretende, durante uma semana, organizar atividades dirigidas aos alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos, mas também aos estudantes do ensino superior da área de engenharia, a docentes do ISEL e a quadros de empresas parceiras.

O ISEL Energy Week terá lugar de 8 a 12 de julho e inclui diversas visitas a instalações ligadas à área de energia, incluindo energias renováveis. Os participantes do ISEL Energy Week são integrados em cinco equipas que realizam diversas atividades ao longo da semana. Cada equipa tem uma composição mista de professores, colaboradores das empresas parceiras, alunos do secundário e alunos do superior. No último dia será anunciada a equipa vencedora, em função do seu desempenho.

ISEL ALIVE

O ISEL Alive, que vai entrar na sua 7ª edição, é um curso de verão destinado aos jovens do ensino secundário que pretendem escolher uma carreira na área da engenharia. Durante cinco dias é-lhes prestada toda a informação sobre os diversos cursos de engenharia e licenciaturas que o ISEL tem para oferecer: Engenharia Biomédica; Engenharia Civil; Engenharia Eletrónica, Telecomunicações e Computadores; Engenharia Eletrotécnica; Engenharia Informática e Computadores; Engenharia Informática e Multimédia; Engenharia Informática, Redes e Telecomunicações; Engenharia Mecânica; Engenharia Química e Biológica; licenciatura em Matemática Aplicada à Empresa; e licenciatura em Tecnologias de Gestão Municipal.

ALUMNI

Com mais de 50.000 ex-alunos, o ISEL privilegia a proximidade dos seus alumni, reconhecendo a sua importância na divulgação da instituição junto das entidades empregadoras e da sociedade em geral. “O processo de construção não faz sentido sem vocês, os antigos alunos”, sustenta Jorge Mendes de Sousa.

No ano passado teve lugar o primeiro Encontro Alumni ISEL, que promoveu o reencontro de várias gerações de estudantes com o objetivo de estimular uma ligação intergeracional entre os alunos e construir uma visão partilhada sobre as áreas de engenharia.

Aqui foram destacados projetos de alumni de diversas áreas de engenharia que, através do seu desempenho profissional, têm ajudado a prestigiar o nome do ISEL.

“Com a rede de alumni começámos a ter noção da projeção internacional do ISEL”, explica o presidente. u

FIT – Future Internet Technologies

O FIT é uma iniciativa recente e conjunta de docentes do ISEL que partilham o objetivo de dinamizar a inovação e a transferência tecnológica para a sociedade em geral, promovendo as competências técnicas e científicas existentes no ISEL em áreas que refletem a experiência e conhecimento dos seus membros. Destacam-se as competências em cidades inteligentes, internet das coisas, sistemas de transportes inteligentes, comunicações críticas, redes celulares móveis, bem como toda a componente de analítica de dados associada a estas áreas. A iniciativa conta já com um número relevante de parcerias que visam dinamizar projetos de I&DT nas suas áreas de interesse. Brevemente, o ISEL vai assinar um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) que se traduz na aplicação da Inteligência Artificial, Aprendizagem Automática, Big Data e outros processos aplicados aos dados que surgem de múltiplos sistemas IT internos e externos à CML, permitindo extrair nova informação para suportar o apoio à decisão preditiva em relação a problemas na cidade. Em suma, o objetivo é melhor sentir a cidade, em tempo real, e transformar essa informação ao serviço do cidadão.

Professor Nuno Cruz

“O FIT não é necessariamente um projeto. Poderá ser visto antes como um grande conjunto de projetos que envolveu pessoas de diversos grupos que se juntaram e formaram o FIT. Vieram de áreas diferentes para a criação de projetos de alguma dimensão.

Estamos neste momento a apoiar a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que está a construir uma plataforma de cidade inteligente através da sua especificação e validação.

No início, a CML reuniu os requisitos funcionais e nós os requisitos não funcionais, assim como os desafios tecnológicos e boas práticas.

O município de Lisboa pretende com este projeto criar uma monitorização constante do que se passa nas ruas, sem ter ninguém a vigiar (cumprindo as diretivas ligadas à privacidade) e de forma a agir rapidamente perante incidentes. O projeto integra múltiplas fontes de informação, nomeadamente câmaras de vigilância espalhadas pela cidade, onde são automaticamente detetados diferentes tipos de incidentes, e a informação passa a ser gerida numa sala onde estão despachadas as forças e meios de segurança que vão ocorrer ao evento identificado. Neste momento está a ser projetada a sala física onde as equipas permanentes vão “sentir” a cidade.

Na vertente internacional, o FIT também já colabora em projetos que vão testar a aplicabilidade das novas redes 5G aos veículos autónomos, como o 5G-MOBIX e o C-STREETS, assim como criar corredores rodoviários onde a comunicação com veículos e outros intervenientes será possível (V2X).

Exportar conhecimento ao serviço da comunidade é o principal objetivo da equipa FIT. Alunos e docentes são bem-vindos a participar.”

 

Formula Student

A Formula Student é a mais prestigiada competição de engenharia universitária. É disputada anualmente em vários circuitos de Fórmula 1 espalhados por todo o mundo.

Na Formula Student é desenvolvido um veículo monolugar que vai a competição. Existem duas classes, 1 e 2, sendo que na classe 2 o veículo vai a competição em projeto (protótipo), enquanto que na classe 1 a equipa tem de construir o veículo e competir com o mesmo. Para além das provas de verificação das boas práticas de engenharia, existem também provas de teste do veículo. Podem participar veículos a gasolina, elétricos e autónomos.

“Com um excelente desempenho, o primeiro veículo desenvolvido pelos nossos alunos foi de motor de combustão interna. No ano passado foi desenvolvido um veículo de motor elétrico que em 2017, na FSUK e em classe 2, trouxe para casa o prémio de primeiro lugar em Business”, diz-nos Jorge Mendes de Sousa, acrescentando também ter conhecimento de alunos que escolhem formar-se no ISEL devido à atratividade do projeto Formula Student.

“Esta é uma associação sem fins lucrativos, um projeto académico formado por alunos que gostam de automobilismo e com um projeto em comum: construir um carro de competição. Este ano é elétrico e feito a pensar no ambiente.

Esta associação está aberta a qualquer aluno do ISEL que queira participar. Neste momento somos 23, todos de engenharias diferentes e unidos para projetar um carro de competição.

A Formula Student é uma mais-valia porque é um espaço em que a teoria ganha vida e põe os alunos em contacto com o mundo do trabalho. Não existe um horário fixo, aquilo que é pedido é que cada aluno disponibilize um mínimo de cinco horas semanais e que cada um trabalhe quando pode. Esta é uma competição de engenharia e existem júris da área cujo objetivo é aplicar o que se aprende nas aulas e o que é esperado no mundo do trabalho. Este ano, a equipa participará nas competições em Itália e na Alemanha. Há dois anos ganhámos o prémio “Best Business Presentation” no Reino Unido por termos tido uma boa performance na hora de “vender” o nosso carro. Este ano queremos o prémio máximo e é para isso que estamos a trabalhar”.

Evolução cronológica:

2013-2014

Projeto

do IFS01

Projeta-se o primeiro carro da equipa, o IFS01.

O conceito desenvolvido é o de um veículo a combustão que tem como principais características a leveza, fiabilidade e simplicidade.

A equipa participa na competição de Silverstone de 2014 em classe 2, classe de projeto, onde termina em terceiro lugar.

2014-2015

Construção do IFS01

Após o excelente resultado obtido em classe 2 em Silverstone e altamente motivada, a equipa inicia a construção do IFS01.

Nesse ano compete-se com o protótipo em Barcelona, tendo havido uma resposta muito positiva dos júris. O IFS01 destaca-se como o melhor carro de 1.º ano na competição.

2015-2016

IFS01 EVO

O ano é dedicado a implementar melhorias no IFS01 a vários níveis.

Na competição Formula Student Czech Republic 2017 nota-se um desempenho consideravelmente superior do IFS01.

2016-2017

Projeto

do IFS02

É um ano em que a ambição continua a guiar os objetivos coletivos ao projetar-se o primeiro carro elétrico da equipa, o IFS02.

Os objetivos são bastante semelhantes ao do IFS01, focando-se na leveza, fiabilidade e simplicidade.

2017-2018

Construção do IFS02e

Após o excelente resultado obtido em classe 2 em Silverstone e altamente motivada, a equipa inicia a construção do IFS02e.

O protótipo é levado a competição em Barcelona, tendo havido uma importante resposta dos júris.

2018-2019

IFS02e EVO

O ano é dedicado a implementar melhorias no IFS02e a vários níveis.

 

Oficina Digital (ODI)

“Esta é uma oficina onde os alunos podem concretizar projetos mas é sobretudo um espaço de intercâmbio, partilha de conhecimento científico e de engenharia. Temos várias impressoras 3D, em que os alunos imprimem objetos que desenharam, ferramentas manuais, material de eletrónica, tudo num mesmo espaço aberto e acessível para a concretização de projetos e ideias.

Este maker space é dedicado à comunidade MAKER do ISEL e é catalisado pelo professor Tiago Charters Azevedo que é um membro muito ativo nesta comunidade. Os interesses são dos mais variados e vão desde a fabricação digital, à impressão 3D, à robótica eletrónica educativa, robots autónomos e interativos ou computação física.

Neste momento temos uma equipa de dez alunos regulares e professores. Todas as semanas vamos tendo alunos novos. É uma oficina interdisciplinar e é esta interdisciplinariedade, que normalmente não está presente em muitos projetos no ensino superior, a característica e a razão principal da existência da Oficina Digital do ISEL: colaborar e fazer coisas em conjunto podia ser o nosso lema”.

 

Rúben Costa e Silva, Presidente da Direção da AEISEL

Este ano serão assinalados os 20 anos desde a Declaração de Bolonha, que deu início a uma revolução no ensino superior dentro da União Europeia, permitindo quebrar barreiras de mobilidade para os estudantes das instituições da UE e com o objetivo de elevar a competitividade internacional do sistema de ensino europeu. Desde então, foram escassas as alterações levadas a cabo no âmbito de evoluir e reformar o ensino superior na Europa, priorizando investimentos nos demais setores.

O tempo para repensar e reconstruir as metodologias de ensino em Portugal urge, sendo necessárias medidas que se baseiem em novas abordagens e que façam uso das mais recentes tecnologias didáticas. O próprio estreitar de diferenças entre os dois subsistemas públicos, universitário e politécnico, deveria ser um ponto de partida, onde seria importante definir um sistema universitário progressivamente mais ligado à investigação divergindo do politécnico, mais próximo da realidade corporativa. Não incentivar e reforçar estas diferenças, leva-nos a equacionar a existência destes dois subsistemas simultaneamente, dado que, por exemplo, os doutoramentos nos politécnicos já são um assunto de debate.

Recentemente, recebemos a notícia da redução das propinas. Apesar de ser uma notícia que nos animou, deixa a seguinte questão: é mais urgente criar uma maior oportunidade de acesso a um ensino superior desatualizado ou melhorar a sua qualidade para as gerações futuras?

 

Licenciatura em Matemática Aplicada à Tecnologia e à Empresa (LMATE)

Com um desenho inovador, a licenciatura em Matemática Aplicada à Tecnologia e à Empresa (LMATE) conta já com três anos de existência e tem na sua génese a parceria de cerca de duas dezenas de empresas que trabalharam juntamente com a Área Departamental de Matemática do ISEL para a sua constituição. As licenciaturas têm, por norma, pouca interação com as empresas, mas este modelo procura ser diferente. “As empresas foram chamadas para ajudarem a desenhar e a conceber este curso à medida das expectativas e das necessidades do mercado de trabalho”, refere o presidente do ISEL.

Os alunos têm, desde o primeiro ano, seminários onde são apresentados problemas e onde são elucidados para a aplicação da matemática na resolução dos mesmos. Alguns destes problemas são resolvidos nas aulas de disciplinas do curso, enquanto outros são temas de estágio que os alunos poderão vir a escolher, uma vez que a LMATE integra um estágio numa das entidades parceiras no terceiro ano. Os alunos desta licenciatura podem ainda personalizar a sua formação de acordo com a área em que querem trabalhar no futuro, escolhendo as várias disciplinas de opção entre as áreas da matemática, física ou engenharia de acordo com os seus interesses.

Professora Sandra Aleixo

“Este curso surgiu quando era ainda presidente da área departamental e teve origem numa vontade de fazer algo diferente. Começámos por perspetivar o que é que havia no mercado nacional e internacional sobre cursos de matemática que tivessem um diferencial e, dentro da matemática aplicada, vimos que não havia um curso com estágio integrado, ou seja, não havia um curso ligado ao mundo do trabalho e isso deu-nos a ideia de procurarmos as nossas entidades parceiras para perceber o que eles gostariam de ver integrado dentro das disciplinas, para que de algum modo os ajudasse a trabalhar melhor nas suas empresas. Foi este o ponto de partida à estruturação deste curso. Normalmente, os cursos são feitos de dentro da instituição para fora e aqui foi ao contrário. Foi pensado das empresas para dentro da sala de aula, pois o que pretendemos é criar uma maior proximidade com o ambiente de trabalho”.

 

Estudante de LMATE, Inês Rodrigues

“Quando escolhi este curso não tinha a perfeita noção de como ele seria. É mais específico do que esperava, mas está a ser uma experiência muito positiva pela vertente prática que existe e pela ligação estreita às empresas. Com isto sei que vai ser mais fácil ingressar no mundo do trabalho”.

 

Engenharia Biomédica

Com uma licenciatura e mestrado em Engenharia Biomédica, o ISEL visa formar profissionais com competências multidisciplinares em tecnologias de diagnóstico e terapêutica, aptos para uma intervenção em áreas estratégicas do mercado de trabalho da engenharia associadas à medicina e saúde em geral, e oferecer uma formação multidisciplinar e abrangente na área de interface entre a engenharia e a medicina, respetivamente, uma área de crescente procura no mercado nacional e internacional.

A criação faz-se com investigação. Daí ter sido acrescentada a este curso uma forte componente da área de investigação, a aliada do ensino superior, pois este só existe com a investigação, uma vez que somos, simultaneamente, produtores e transmissores de conteúdos.

Com o objetivo de promoção da engenharia biomédica, o ISEL fomentou a instalação de um novo laboratório de investigação e desenvolvimento (I&D) nas áreas de interface engenharia-saúde, o “Laboratório de Engenharia e Saúde (ES)”, no qual se desenvolve investigação com foco na bioengenharia aplicada à medicina.

O laboratório resulta de um protocolo de colaboração entre o Instituto Politécnico de Lisboa e a Universidade Católica Portuguesa (UCP) cujo objetivo principal é servir a sociedade portuguesa através da promoção de investigação em engenharia biomédica. As suas linhas principais de ação resultaram de projetos iniciados na Faculdade de Engenharia da UCP.

O laboratório apresenta infraestruturas e equipamentos para realizar trabalho em engenharia biomolecular (como de engenharia genética), microbiologia e de engenharia de células e de tecidos e análises baseadas em eletroforese (1 e 2D), western-blotting, imunocitoquímica, cromatografia, espectroscopia (VIS, UV, IV, Raman e de fluorescência) e de microscopia ótica, de fluorescência e de infravermelho.

Cecília Calado, coordenadora do Laboratório ES, detém uma vasta experiência em projetos de I&D nacionais e internacionais e procura agora alicerçar o funcionamento do laboratório em mais parcerias, nomeadamente com a indústria farmacêutica, hospitais e outras instituições de saúde, com vista ao desenvolvimento de projetos inovadores na área da engenharia biomédica.

 

Professora Cecília Calado

“A licenciatura em Engenharia Biomédica vem complementar as restantes formações em engenharia do ISEL, promovendo-se uma área com um dos maiores desenvolvimentos tecnológicos e de maior procura de profissionais com formação superior. Por exemplo, o “Bureau of Labor Statistics” dos EUA estima um crescimento médio de procura de engenheiros biomédicos de 23% ao ano no decurso da próxima década. De forma a acompanhar esta evolução tecnológica é fulcral que os docentes associados ao curso sejam também eles promotores de inovação, seja através de investigação seja em colaboração com instituições de saúde. No meu caso, tenho efetuado pesquisa de biomarcadores para apoio ao diagnóstico médico e de desenvolvimento de plataformas de pesquisa de antibióticos e de deteção rápida de resistências a antibióticos. Exemplos de projetos que temos a decorrer no laboratório, em que estão inseridos alunos do mestrado em Engenharia Biomédica e outros de doutoramento, como o Luís Ramalhete, são: pesquisa de biomarcadores em biofluídos, como de sangue ou suor, para prever o estado funcional do rim e identificação de processos de rejeição de transplantes renais; novos métodos de deteção de ativação de linfócitos para imunodiagnósticos e imunoterapias mais eficientes.“

Estudante Filipa Pires

“Sempre gostei da área de biomédica, principalmente da área que engloba células estaminais. Com a licenciatura em Bioquímica queria alargar o conhecimento e o mestrado em Engenharia Biomédica foi a melhor alternativa”.

Estudante Rúben Araújo

“Além de ser estudante do mestrado em Engenharia Biomédica, sou Chair do Student Branch do IEEE-ISEL. O IEEE constitui a maior organização mundial de profissionais técnicos, tendo sido criado o ano passado o student branch do ISEL da EMBS (Engineering in Medicine and Biology Society). Esta associação profissional, também de engenheiros biomédicos, disponibiliza diversos contactos e oportunidades de emprego. É, sem dúvida, uma mais-valia para os estudantes de engenharia biomédica. Pessoalmente, sou licenciado e mestre em engenharia mecânica pelo ISEL, tendo trabalhado brevemente em Portugal como engenheiro mecânico na Siemens. Depois aproveitei uma oportunidade para ir trabalhar na Noruega, mais concretamente na engenharia petrolífera, após uma entrevista no ISEL proporcionada pela rede EURES. No entanto, e embora tenha adorado o trabalho de engenharia, os colegas e condições de trabalho, senti que não estava a acrescentar nada à humanidade e que algo tinha de mudar. Por isso mesmo, acabei por dar outro rumo à minha vida e acabei por aterrar na biomédica, onde finalmente posso trabalhar para o próprio lema do IEEE e “proporcionar o avanço da tecnologia em prol da humanidade”. O meu maior interesse pela biomédica está relacionado com a possibilidade de unir a parte biológica à engenharia, onde os temas de Big Data e de Aprendizagem Automática são os que mais me prendem a atenção”.

 

Licenciatura em Conservação e Reabilitação Urbana (LCRU)

A área de engenharia civil sofreu um duro golpe devido à crise económico-financeira mundial, que teve grandes repercussões na Europa. Sendo o ISEL uma instituição muito ligada à aplicação, também ele sentiu estas repercussões. No entanto, o ISEL soube contornar a situação de forma inteligente e conseguiu olhar com a devida atenção para a emergente área da reabilitação urbana.

A reabilitação urbana é uma área absolutamente incontornável na Europa e esse é, por agora, o verdadeiro desafio ao qual o ISEL quer responder prontamente.

 

Professora Carla Costa

“Em qualquer país cujo património edificado já esteja consolidado, como é o caso dos países europeus, torna-se vital reabilitar. No entanto, atualmente, a necessidade e, sobretudo, a pertinência da reabilitação decorre sob três fatores: por um lado, vivemos num país que já tem um património edificado consolidado e, por outro lado, temos consciência de que necessitamos de uma reabilitação sustentada, dando bastante importância à preservação do património cultural e histórico.

É nessa perspetiva que a reabilitação urbana foi considerada um desafio estratégico e um desígnio nacional.

Com um forte património construído é necessário, agora, mantê-lo. No entanto, reabilitar não é só manter os níveis de funcionalidade, é também adequar aos novos padrões de vida. Os padrões de vida estão a alterar-se de tal forma que precisamos de uma reabilitação adaptada às exigências e necessidades atuais.

Com a expressão do setor de conservação e reabilitação a aumentar significativamente, a perspetiva futura do setor e a empregabilidade são satisfatórias.

O peso significativo das obras de reabilitação no universo da construção nos países europeus, Portugal incluído, está associado: à elevada extensão do parque edificado nestes países, que progressivamente se degrada; às crescentes exigências dos consumidores em termos de conforto, de segurança e de utilização de novas tecnologias; à necessidade de realizar ajustamentos funcionais a novos modos de vida; e à consciência da importância de preservar construções históricas e culturais.

Portanto, o curso LCRU pretende — com base, por um lado, na experiência científica e profissional dos docentes e, por outro lado, dispondo de um plano pragmático com ênfase teórica e prática relevante na inspeção, no diagnóstico, bem como nas patologias de materiais e da construção — preparar profissionais para intervirem especificamente ao nível do parque edificado em meio urbano.

O curso LCRU pretende, também, preparar profissionais com formação superior aptos tanto para enveredarem na atividade ao fim de três anos de curso (seis semestres) no setor da reabilitação urbana como para continuarem os seus estudos de forma a obterem uma maior especialização com a realização de um mestrado na mesma área ou numa área afim”.

 

Centro de Tecnologias e Sistemas (CTS) – Polo ISEL

O CTS é o Centro de Tecnologias e Sistemas que está sediado no UNINOVA – Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias. O ISEL constitui, desde 2007, um polo de investigação do CTS, liderado pela professora doutora Manuela Vieira e que conta com oito investigadores integrados e colaboradores que trabalham na área da micro e da optoeletrónica.

Investigação Alessandro Fantoni e Paula Louro

“Somos um grupo de professores e investigadores do ISEL do departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Computadores. Uma das linhas de investigação que desenvolvemos prende-se com a tecnologia Comunicação por Luz Visível (Visible Light Communication, VLC), que utiliza a luz emitida pelas lâmpadas LED para, simultaneamente, iluminar e transmitir informação. Esta tecnologia tem diversas aplicações, tais como serviços de posicionamento e navegação ou controlo de tráfego usando a iluminação LED das infraestruturas e dos veículos. É uma tecnologia muito promissora no domínio das comunicações, prevendo-se a sua inclusão no 5G (5.ª geração de internet móvel). Esta área tem sido desenvolvida no seio do departamento e envolve alunos de doutoramento e mestrado.

Em paralelo, trabalhamos também com dispositivos biomédicos. Em parceria com outras instituições, estamos a trabalhar num projeto para o desenvolvimento de dispositivos sensores que permitam a deteção da doença insuficiência renal aguda.

A divulgação científica é realizada em conferências internacionais com publicação em revistas indexadas. O financiamento provém de projetos nacionais e internacionais em parceria com outras instituições.”

Ensino Superior: Quase todas as vagas que sobram estão no Interior

© Getty Images

De acordo com dados hoje divulgados pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), são residuais as vagas ainda disponíveis em Lisboa e Porto, cerca de uma dezena, com a maioria dos 5.254 lugares vagos a encontrarem-se nas instituições que o Governo pretendia beneficiar com a medida que cortou 1.100 vagas nas instituições das duas maiores cidades do país, tentando contribuir para uma maior coesão territorial, estimulando a procura de universidades e politécnicos localizados no Interior do país.

A medida acabou por se traduzir numa redistribuição de vagas em instituições que não apresentavam qualquer problema ao nível de procura, nem se localizam em zonas demograficamente pressionadas, como as de Coimbra, Minho ou Aveiro.

Há 304 cursos ainda com vagas por preencher, maioritariamente nos institutos politécnicos, contra 762 já completamente cheios.

Um total de 48 cursos não tiveram qualquer candidato, os quais mantém nesta fase do concurso a quase totalidade das vagas por ocupar.

O ensino superior público ficou com 5.254 vagas por preencher no final da 2.ª fase de candidatura do concurso nacional de acesso, que este ano, à semelhança do que aconteceu na 1.ª fase, registou uma redução de candidatos.

Segundo a DGES, “para a segunda fase, o número de vagas colocadas a concurso foi de 12.457, às quais acresceram 2.149 vagas libertadas por candidatos colocados e matriculados na primeira fase que foram agora colocados na segunda fase”. Às vagas disponíveis candidataram-se 17.109 candidatos, menos do que os 19.135 de 2017, e apenas foram colocados 9.452 estudantes.

Os resultados da 2.ª fase do concurso nacional de acesso estão desde hoje disponíveis no portal da DGES.

A matrícula dos estudantes colocados nesta fase decorre entre 27 de setembro e 1 de outubro e cabe a cada instituição decidir se abre uma 3.ª fase de acesso com as vagas sobrantes. Se o fizerem, as vagas disponíveis serão divulgadas a 4 de outubro no portal da DGES e a fase de candidatura decorrerá entre 4 e 8 de outubro.

LUSA

FAUL: “A CONSTRUIR O MUNDO”

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“A construir o mundo” é o lema da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Que aspetos se destacam no trabalho que a FAUL tem vindo a desenvolver?

A nossa principal característica é a formação através do Projeto no 1.º e 2.º ciclo, onde os conhecimentos adquiridos em todas as disciplinas são aplicados na conceção de objetos que podem ir desde a escala da mão à escala do território.

A instituição dispõe, neste momento, de licenciaturas em Design e Design de Moda e mestrados em Design de Comunicação, Design de Produto e Design de Moda. Para além disso, possui dois mestrados integrados, em Arquitetura e em Arquitetura, com especialização em Interiores e Reabilitação do Edificado.

No caso do mestrado integrado em Arquitetura, existem duas opções de especialização – a Arquitetura ou o Urbanismo, escolha é feita somente ao nível do 2.º ciclo, em vez de logo no momento do ingresso. Este modelo proporciona aos estudantes 3 anos para amadurecer as suas preferências e escolher a sua área de especialização – no 2.º ciclo – tendo já experienciado diversas escalas. Paralelamente, está na forja a criação de outras especializações, em áreas emergentes da formação de Arquiteto. 

Hoje, que desafios se colocam a uma escola que, a par da posição a nível nacional, importa destacar-se, igualmente, a nível internacional?

João Cottinelli Monteiro, Diretor da FAUL

A FAUL tem vindo a implementar estratégias indutoras de sucesso que já deram excelentes resultados e que a colocam no pódio das escolas mais atrativas nas áreas que leciona, tanto a nível nacional, como internacional. Exemplo disso são as dezenas de alunos estrangeiros que frequentam a faculdade, provenientes de instituições de ensino superior de todas as partes do mundo, com as quais a instituição detém protocolos de intercâmbio e mobilidade e que a tornam a segunda faculdade mais expressiva da Universidade de Lisboa, em termos de internacionalização. A Faculdade de Arquitetura tem vindo a solidificar um perfil cada vez mais multicultural, estando a ser delineados novos acordos que mundializam a faculdade, que permitem a captação de novos públicos, tendo sempre como objetivo fomentar a cooperação e o diálogo com congéneres internacionais. 

Também é uma referência no que diz respeito à produção de investigação especializada e interdisciplinar. Este é um pilar importante para a escola, mas também o é para a sociedade no geral. Quando falamos de uma ponte entre o conhecimento científico e o universo empresarial, o que falta fazer em Portugal?

Uma das grandes apostas da FAUL é a de formar profissionais capazes de trabalhar com a sociedade portuguesa, contribuindo para o aumento do seu potencial de inovação, competitividade e exportação. Nesse sentido, temos fomentado o desenvolvimento de projetos finais e de dissertações científicas, em colaboração com entidades públicas e privadas, apoiando deste modo o empreendedorismo e a criação de oportunidades futuras para os alunos. Desta forma, a FAUL tem trabalhado diariamente para o estabelecimento de parcerias com entidades públicas e privadas, como é o caso do protocolo com a CM.Lisboa, que consiste no levantamento das ruas do Bairro Alto, para depois ser feito o seu estudo morfológico, ficando os alunos inseridos em equipas pluridisciplinares.

No entanto, em termos de política nacional, não podemos deixar de referir o enorme retrocesso legislativo da profissão de arquiteto, que estende a inúmeros técnicos “projetistas”, que não são arquitetos, o exercício do ato do Projeto. Isso falta fazer, enquadrar a profissão com base na qualificação e na formação contínua.

As universidades portuguesas têm obtido classificações positivas nos rankings internacionais. As classificações refletem, de facto, o ensino superior em Portugal?

Muito pela aposta na internacionalização por parte das Universidades portuguesas, hoje estamos nos principais rankings internacionais para o Ensino Superior e investigação científica. Seja pela qualidade da produção científica ou do ensino, as universidades portuguesas finalmente aprenderam a comunicar para fora o nível de excelência que sempre tiveram. 

A Universidade de Lisboa (ULisboa) é a instituição portuguesa com melhor classificação no ‘ranking’ de Leiden 2017, ocupando a 117.ª posição entre 902 universidades a nível mundial no que diz respeito à produção científica. É importante captar sinergias para continua a subir neste prestigiado ranking?

Claro que sim, e vamos subindo porque temos o melhor Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design do país, com uma equipa coesa e plural de 402 membros investigadores (171 permanentes e 231 colaboradores).

Estudantes admitem manifestação contra redução de vagas no ensino superior

Federação Académica de Lisboa (FAL), em conjunto com o movimento associativo nacional, esteve hoje reunida com o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e, no final do encontro, o presidente da FAL, João Rodrigues, disse que “ficaram muitas questões por responder” e houve medidas “que não convenceram minimamente”.

A proposta da tutela de reduzir as vagas nas instituições de ensino superior situadas nas zonas de Lisboa e do Porto, as dificuldades que os alunos têm em arranjar alojamento ou as taxas e emolumentos foram algumas das matérias debatidas.

A FAL reconhece que é preciso avançar com medidas para reduzir a elevada percentagem (48%) de alunos a estudar em Lisboa e no Porto, mas não acredita que a solução passe pela proposta da tutela de reduzir as vagas naquelas duas regiões do país.

Para João Rodrigues, a redução de vagas vai apenas fazer com que só os alunos que tiveram mais oportunidades no secundário consigam um lugar em Lisboa e no Porto.

Para atrair os estudantes para outras zonas do país é preciso oferecer melhores condições, “é preciso ter oferta cultural, desportiva, ter cuidados médicos e mobilidade”, exemplificou.

Rever o Programa Mais Superior, que atribuiu uma bolsa extra aos alunos que decidem ir estudar para o interior, é outra das medidas que poderá ajudar e que foi apresentada hoje pelo ministro e saudada pelos estudantes.

Outro dos temas debatidos foi o facto de as instituições de ensino superior público aplicarem diferentes valores de taxas e emolumentos para os mesmos serviços.

“Há instituições com taxas exorbitantes e outras que não taxam nada”, criticou.

Para João Rodrigues, estas taxas e emolumentos não passam de “uma espécie de propinas camufladas”, lembrando que “os estudantes têm de pagar uma taxa para se inscrever, tem de pagar para ter um certificado de habilitações, e por aí adiante”.

Para os estudantes, a tutela tem de fixar um limite mínimo e máximo para os diferentes serviços que passam a ser aplicados por todas as instituições.

A falta de vagas nas residências universitárias e os elevados preços das casas que estão no mercado para arrendamento também foram outro dos temas debatidos no encontro, em que os alunos apresentaram um conjunto de medidas para combater este problema.

Construir mais residências, atribuir benefícios fiscais aos senhorios que decidem arrendar casas a estudantes e apostar na reabilitação urbana do edificado público foram algumas das propostas apresentadas a Manuel Heitor.

“O senhor ministro mostrou-se aberto a estas ideias e disse que pretende requalificar em conjunto com as autarquias”, afirmou João Rodrigues.

Um estudo realizado pela FAL revelou que “64% dos alunos não está minimamente satisfeita com o alojamento que tem”, lembrou o presidente da federação.

Sobre estas matérias, os estudantes esperam ter uma resposta até ao final do ano: “Caso contrário, admitimos avançar para um protesto”, afirmou João Rodrigues.

Praxes na Universidade do Porto geram polémica

“Repudio todas as práticas que levem à humilhação dos mais novos pelos mais velhos. Educar só é possível num espírito de abertura e tolerância”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, à margem da abertura da 12ª edição do YES (Young European Scientist) Meeting, que decorre na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Respondendo aos jornalistas relativamente a um “manual de sobrevivência do caloiro” distribuído nas imediações da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que define os novos estudantes como seres irracionais, o governante frisou que perceber se os factos decorreram fora ou dentro da instituição “é uma discussão que não interessa”, frisando que “a responsabilização é de todos”.

A edição de hoje do Jornal de Notícias refere que, durante esta semana, tem sido distribuído aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto um manual em que se refere que “o caloiro não é um ser racional”, “não goza de qualquer direito”, deve ser “incondicionalmente servil, obediente e resignado” e ser “sempre moderado no uso da palavra”.

Manuel Heitor diz que não tem conhecimento do caso, mas assegurou fazer “o que sempre” fez: repudiar “todas as práticas que levem à humilhação dos mais novos pelos mais velhos”

“Continuarei a evitar praticas como essa. Sabemos que persistem boas práticas com más práticas de humilhação. Temos de valorizar as boas e combater a persistência das más”, defendeu.

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