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Erasmus+ uma janela para o mundo

O que vos levou a apostar no Erasmus+ e de que forma é que têm vivido esta “aventura”?

Desde pequena, ainda sem muita noção do que significava participar em projetos europeus, ouvia os colegas mais velhos falarem da sua experiência no ainda Comenius, hoje Erasmus+. Falavam apaixonadamente das suas viagens à Eslovénia, Islândia, Chipre, Roménia, Turquia, Dinamarca, entre muitos outros países. Habituámo-nos a crescer participando em atividades que o Colégio dinamizava, a receber nas nossas salas de aula professores e alunos de vários países, a assistir a palestras sobre a importância de ser um cidadão do Mundo. Quando chegámos ao terceiro ciclo, os nossos professores falaram-nos da possibilidade de participarmos. Tinha finalmente chegado a nossa vez. Já podíamos fazer “como os mais crescidos”, fazer parte da “família Erasmus”.

“Iniciei a minha experiência no projeto Erasmus+ com 12 anos ao receber alunos de outras nacionalidades e achei uma experiência única. Já participei em diferentes projetos e, mais uma vez este ano, faço parte do Clube Erasmus+ que semanalmente nos lança desafios dentro das temáticas dos projetos que a nossa escola tem atualmente”.

Lara Alves, aluna do 10º ano.

Quais têm sido as principais valias que têm retirado desta iniciativa e de que forma é que a vêm como uma oportunidade a não perder?

A experiência de viver durante alguns dias com outros estudantes, partilhar hábitos, perceber o seu modo de estar, é enriquecedor, ajuda-nos a crescer e a ganhar maturidade, a olhar para outras culturas de forma mais recetiva e perceber a riqueza da diversidade, desenvolvendo em nós uma identidade comum – a identidade europeia. Para além disso, viajar com os nossos colegas e professores faz-nos estreitar laços de amizade e entreajuda, que são um prolongamento do nosso dia-a-dia no colégio e uma mais-valia na nossa formação e identidade enquanto alunos do Colégio Guadalupe.

“Ao participar nos projetos Erasmus pela primeira vez percebi que queria, mais tarde ter a possibilidade de estudar no estrangeiro”, refere Tânia Matias, também aluna do 10º ano. “Este colégio foi a minha escola desde sempre. Entrei aqui com três anos e é com nostalgia que encaro o meu último ano no Colégio. Sou aluna do 12º ano e o programa Erasmus+ foi, sem dúvida, uma das minhas grandes experiências nesta grande escola. Gostaria de ter participado em muitos mais. É viciante conhecer novas culturas, novas pessoas, novos paradigmas de estar e ver o mundo”.

Carolina Fernandes, aluna do 12º ano

Que experiências têm retirado e de que forma tem sido uma aprendizagem que vos pode ajudar a apoiar no futuro?

Acabámos de chegar de Pamplona, em Espanha. Para mim, refere afonso Arsénio, foi a primeira vez que participei num projeto Erasmus+. Estou rendido. Conheci alunos de vários países, vivi numa família que, apesar de não me conhecer, me fez sentir em casa.

Diogo Rio refere “tenho participado em vários projetos Erasmus+ e a experiência tem sido sempre muito enriquecedora. Os conhecimentos que tenho adquirido são muito importantes para a minha vida. É possível aprender para além de uma sala de aula. É possível crescer como pessoa e como aluno nesta partilha com alunos e professores de tantos países”.

“Desenvolvi muito as minhas competências sociais, linguísticas e académicas. Em maio do ano passado participei no projeto “Europe Web Walking” e estou agora a participar num novo projeto “Culture Enriched with Migration”. Ambas as experiências têm sido muito enrquecedoras,” refere Duarte Batista.

“O ano passado, em março, viajei para a Holanda com duas professoras e duas colegas. Fiquei com uma família fantástica que me recebeu muito bem. Ainda hoje mantemos contacto e em breve irei encontrar-me, em Lisboa, com eles”.

Tânia Matias, aluna do 10º ano.

Qual a importância do projeto Erasmus+ para o Colégio Guadalupe?

O colégio aposta numa formação global dos seus alunos. As aprendizagens escolares vão muito para além das matérias que os programas e as metas curriculares veiculam. A formação dos nossos alunos é para nós uma grande responsabilidade, o que nos leva a procurar projetos e atividades que os enriqueçam e lhes permitam uma formação integral, tornando-os cidadãos mais completos no seio de uma sociedade multicultural. A cidadania europeia, o desenvolvimento de skills linguísticos, interpessoais, culturais e de empreendedorismo são aspetos que consideramos fundamentais na formação dos nossos alunos. As centenas de alunos que ao longo destes dez anos têm participado neste programa não têm um menor desempenho escolar, pelo contrário, são alunos com um excelente desempenho académico, muito devido também às múltiplas competências que este programa lhes proporciona, pois é uma lição de vida que os leva a expandir os seus horizontes para além da sala de aula. Estamos muito orgulhosos do que temos proporcionado aos nossos alunos e aos nossos professores. Neste momento estão a decorrer quatros projetos Erasmus+ no colégio e os convites para participar em novos projetos têm surgido de muitos países, fruto do excelente trabalho que alunos e professores têm desenvolvido. O projeto Erasmus + é uma forma ímpar para tornar os nossos alunos e professores agentes de mudança, promotores da ideia de que é importante viver e identificarmo-nos com valores como a solidariedade e a tolerância.

Cristina Melo, Diretora Pedagógica do Colégio Guadalupe

 

Nesta entrevista participaram os alunos:

Tânia Matias – 10ºB

Diogo Rio – 10ºB

Duarte Batista – 10º B

Afonso Arsénio – 10ºA

Lara Alves – 10º B

Angelina Rodrigues – 10ºB

Duarte Brito – 11ºA

Carolina Fernandes -12ºB

Beatriz Neto – 12ºB

Catarina Castro – 12ºC

Ana Xambre – 12ºC

Cristina Melo – Diretora Pedagógica

 

AULP quer mais cooperação e lança projeto Erasmus

A primeira palavra que Orlando da Mata refere como essencial e, sem a qual nada funciona, é cooperação. “Cooperação entre as universidades que fazem parte dos países de expressão de língua portuguesa”, começa por dizer, e explica que este é um objetivo do seu mandato e dos outros que marcaram os já 30 anos da associação.

Por outro lado, continuar a promover ações que visam fortalecer um relacionamento entre instituições de países de expressão da língua portuguesa é também um dos grandes objetivos do recente presidente, uma vez que “o português é uma língua falada em vários continentes e devemos aproveitar ao máximo este trunfo que temos”.

Relativamente aos desafios, “passam por fortalecer as relações de colaboração entre a comunidade lusófona e as suas instituições superiores, a partilha de experiências, de conhecimentos, de resultados de produção científica relevantes, alargar o número de associados da AULP (que neste momento são quase 140) e continuar a apostar fortemente naquilo que é a mobilidade internacional”.

“No caso de Angola, até 2009 havia uma única instituição pública de ensino superior no país e três privadas, hoje são mais de 70 públicas e privadas”, com este exemplo, Orlando da Mata explica assim o crescimento exponencial do país em relação ao ensino superior.

A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, na cidade do Lubango, capital da Província da Huila, é uma instituição recente, que surgiu em 2009, e com o seu mandato, o presidente pretende criar sinergias para a universidade angolana ganhar relevo pela sua qualidade, a nível nacional e internacional. “Com a eleição da Universidade Mandume Ya Ndemufayo para a presidência da AULP praticamente conseguimos alcançar este objetivo. Ela já é conhecida em todos os países da CPLP”, confirma.

Para o ensino superior em Angola, esta presidência traz algumas vantagens, segundo o professor. O crescimento das instituições poderão contribuir para o crescimento da associação e, desta forma, criar parcerias e projetos com países da CPLP aos mais variados níveis, desde a investigação à mobilidade internacional. “Apesar da crise, Angola está a crescer com ela e isso verifica-se na qualidade do ensino superior, mas há sempre aspetos a melhorar”. 

XXVIII Encontro da AULP 2018 em Lubango, Angola 

Ainda sem data definida, mas com previsão para final de julho de 2018, o 28º encontro AULP pretende continuar com a missão primordial da associação – fomentar uma conexão que prospere entre os países que fazem parte da experiência. O facto de ser em Angola é em boa parte uma mais-valia, uma vez que existe maior proximidade com os países africanos e, por essa razão, estima-se uma maior participação de académicos desses países. “Do ponto de vista geográfico existe uma maior proximidade com os países desta região africana, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e muitas universidades angolanas têm acordos de cooperação com universidades africanas. Angola desponta e há curiosidade por parte dos nossos amigos e parceiros em visitarem o nosso país. Hoje, Angola já não é apenas Luanda, o turismo cresceu e com ele o interesse por outras partes do país, como Lubango que oferece experiências incríveis e que as pessoas ainda não conhecem mas têm curiosidade”.

Erasmus AULP

Este é um projeto novo, em construção, e visa facilitar a mobilidade entre as instituições-membro da AULP. Estão a ser verificados os meios necessários para o projeto ser posto em prática. “Se 50% das instituições associadas à AULP conseguirem receber dois ou três estudantes neste âmbito já seria ótimo. Fazendo as contas, seriam muitos estudantes a beneficiar deste programa”. Apesar das ambições, Orlando da Mata afirma que cada passo que a AULP dá é ponderado, com foco na obtenção de bons resultados.

O projeto foi aprovado no último encontro da AULP, em Campinas, no Brasil. Sendo um programa mais restrito, ao contrário do Programa Erasmus já comumente conhecido, o Erasmus AULP primará pela exclusividade na participação – apenas estará disponível para instituições de ensino superior dos países de língua oficial portuguesa, membros da associação. O primeiro passo será estruturar uma plataforma e definir os moldes em que será concretizado.

O Erasmus AULP é um projeto pioneiro já que até à data não existe nada do género concretizado. O presidente, que não tem dúvidas de que as coisas acontecem quando são bem pensadas e bem estruturadas porque, afinal, quando se quer muito, elas acabam por acontecer, faz o convite a todos os associados: “Venham a Angola, participem neste encontro, que pretendemos transformar numa festa académico-científica, com um pouco de turismo e cultura.”

Serão três dias repletos de conhecimento com direito a uma visita cultural.

A internacionalização como um desafio permanente

Este ano o programa Erasmus celebra 30 anos e 9 milhões de beneficiários, entre estudantes, investigadores, professores, voluntários e pessoal não docente. Só universitários abrangidos contam-se 4,4 milhões. Quando é que a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) fez a sua primeira mobilidade internacional?

A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) resulta da fusão, em 2006, da Escola Superior de Enfermagem Dr. Ângelo da Fonseca (fundada em 1881) e da Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto (fundada em 1971). A Escola é, por isso, herdeira da mais antiga formação em enfermagem em Portugal, é uma instituição pública de referência nacional e internacional, pela sua qualidade e inovação, com intervenção reconhecida no sistema de saúde e na sociedade.

Em 1988 o Curso de Enfermagem foi integrado no sistema educativo nacional no ensino superior quando já tinha iniciado o Programa Erasmus que este ano comemora 30 anos de sucesso.

A integração do ensino permitiu às escolas participar nos programas internacionais dedicados á mobilidade de estudantes e não só. Claro que o primeiro ano foi dedicado a encontrar parceiros internacionais para o programa tendo-se realizado algumas visitas preparatórias. Era necessário darmo-nos a conhecer e sobretudo conhecer os parceiros que nos queriam acolher e nos davam as garantias necessárias para o acolhimento dos nossos estudantes. Esta continua a ser uma grande preocupação nossa, de garantir que durante a mobilidade os nossos estudantes têm todas as condições para viver e ter sucesso no seu desenvolvimento e aprendizagem.

A partir daí, o número de estudantes, professores e administrativos que realizam um período de mobilidade Erasmus tem vindo sempre a crescer e de forma sustentada. Para esse crescimento muito tem contribuído o financiamento do Programa Erasmus, mas também o investimento que, as sucessivas direções da escola têm feito para motivar e proporcionar estas mobilidades.

Não posso deixar de referir que, as duas escolas sempre tiveram a internacionalização na sua estratégia e, mesmo antes do programa Erasmus iniciar, já havia protocolos de cooperação com congéneres internacionais, o que permitiu, ao tempo, realizar projetos conjuntos e até mobilidade de estudantes por períodos curtos com universidades estrangeiras.

Desde então, qual tem sido o impacto dos programas de intercâmbio na ESEnfC?

Como sabe a perspetiva inicial do programa era o de conseguir até 2020 que 20% dos estudantes europeus realizassem um período de mobilidade internacional. A Escola, mercê do investimento e das ações de motivação junto dos estudantes já ultrapassou esse objetivo. 28.57% Dos nossos licenciados fazem uma mobilidade no âmbito do Programa Erasmus. Claro que este número não pode deixar de ter impacto bastante positivo na qualidade dos Enfermeiros formados por esta escola. Muitos referem que essa foi uma experiência para a vida e que na altura em que, por razões sociais e políticas, tiveram que emigrar isso lhes foi mais fácil.

Ser enfermeiro é também ter uma consciência da diversidade cultural, daí que a experiência que este programa tem proporcionado melhora as competências dos estudantes para perceber as diferenças e atuar de acordo com elas.

Mas a mobilidade internacional não se esgota no programa Erasmus +. A escola tem um conjunto de parceiros fora do espaço Erasmus com os quais tem protocolos de cooperação para a mobilidade e investigação, seja para estudantes de graduação, seja para estudantes de pós-graduação, como mestrados e pós-doutoramentos.

Estamos a falar de uma evolução de quantos alunos enviados e recebidos no âmbito de programas de mobilidade internacional?

Á medida que o programa evoluiu foi possível, á escola, aumentar o número de Universidades parceiras, neste momento temos já mais de 90 acordos o que nos tem permitido aumentar o número de mobilidades, em cada ano, seja dos estudantes que enviamos, seja dos que recebemos. Em todos os programas, enviamos anualmente para mobilidade numa instituição parceira entre 100 e 120 estudantes. A maioria, destas mobilidades, são realizadas em Universidades europeias, mas também temos estudantes que realizam um período de mobilidade no Brasil, México e Região Administrativa especial de Macau.

Também o número de estudantes recebidos tem aumentado. Ainda são em número inferior aos que enviamos, mas recebemos anualmente cerca de 90 estudantes oriundos sobretudo de países do Espaço Erasmus. Estes números são, para a dimensão da Escola, bastante significativos como tem sido amplamente reconhecido.

Mais do que enriquecer os currículos dos estudantes, estas mobilidades são importantes para os jovens desenvolverem novas capacidades de relacionamento, adaptação ou resolução de problemas. Qual é a posição da  ESEnfC para com os programas de mobilidades? Que importância assumem os mesmos atualmente?

No seu plano de desenvolvimento estratégico a ESEnfC assume a internacionalização como um desafio permanente e transversal a todas as atividades da Escola. Considera que a internacionalização constitui uma oportunidade à qualificação do ensino e que a otimização dos processos de mobilidade de estudantes, docentes e não docentes aumenta a qualidade dos cursos e a excelência da investigação, reforça a internacionalização académica e cultural, para além de a considerar como essencial para o desenvolvimento pessoal integral dos estudantes e para a empregabilidade. Para além disso tem sido essencial para a visibilidade da organização no contexto Europeu e no contexto mundial. Os nossos estudantes, professores e pessoal administrativo são os melhores embaixadores da escola. Por outro lado, como já disse, a mobilidade proporciona um conjunto de experiências que aumentam o potencial de competências transversais como a autonomia, dado que ficam sozinhos durante um período de tempo, competências linguísticas e culturais e de relação que são essenciais ao exercício da profissão de enfermeiro. Pensamos que esta visão de incrementar, desenvolver e aprofundar a mobilidade e as cooperações Internacionais, tem a longo prazo repercussões positivas ao nível da empregabilidade dos nossos enfermeiros. A Europa é um espaço aberto e uma experiência num país do programa aumenta a capacidade e competências dos estudantes, no sentido de procurarem oportunidades onde estas existirem. Mais uma vez as atividades deste projeto ajudaram a concretizar os objetivos de internacionalização, da visibilidade exterior da ESEnfC, das trocas de conhecimento, da divulgação e enriquecimento cultural para a tomada de consciência de uma cultura europeia.

A par do Erasmus, que outros projetos ou programas de extrema relevância a ESEnfC tem abraçado?

Ao longo destes anos que temos Carta Erasmus temos participado em inúmeros projetos no âmbito do Programa Leonardo da Vinci que tiveram um grande impacto no seio das universidades europeias. Com o programa Erasmus + temos para além da mobilidade um conjunto de participações em projetos de inovação para o ensino superior no âmbito da ação chave 2, dos quais destaco um programa que incide no ensino por simulação e um que aborda as questões do digital na enfermagem.

Outros existiram, como o que levou á criação de um hospital virtual, á criação de um perfil de competências europeu para a formação em enfermagem entre muitos outros.

Com o Erasmus + é possível ao corpo docente e não docente das instituições integrar este programa de mobilidade. Esta tem sido, igualmente, uma aposta da ESEnfC para promover o desenvolvimento do seu corpo docente e não docente?

Claro. As mobilidades para ensino têm sido uma prática regular. No inicio da nossa participação no programa havia alguma dificuldade em motivar os professores para a importância dessas mobilidades, mas esses receios cedo se dissiparam e nos últimos anos temos mobilizado entre 30 e 40 docentes para este tipo de missões. A estratégia neste âmbito é de aproveitar as missões de ensino para aprofundar a relação institucional com as universidades de acolhimento e a partir daí realizar projetos conjuntos. Temos conseguido, com o esforço dos docentes, estar envolvidos em muitos projetos de investigação, na criação de redes internacionais para a pesquisa e desenvolvimento de ideias concretas. Dou o exemplo de um projeto que envolve professores e estudantes para discutir a transculturalidade que envolve um conjunto de escolas e que se desenvolve anualmente em cada país com troca de experiências e de tentativa de encontrar soluções para cuidar tendo em conta a cultura e as diferenças. No que toca ao pessoal não docente temos ainda alguma dificuldade em realizar mobilidades, mas os últimos anos têm sido bastante positivos nesse aspeto e temos já mais solicitações do que bolsas para atribuir o que é bastante significativo.

Esta troca, este conhecimento mutuo permite encontrar novas formas de fazer as coisas que de outro modo poderiam nunca acontecer.

O Gabinete de Relações Internacionais promove anualmente uma semana de troca de experiências entre estudantes, docentes e não docentes que ajuda a construir novas ideias para a melhoria do ensino, da investigação e da cooperação.

Portugal volta a ser distinguido pela rede Erasmus

De 20 a 23 de abril decorreu em Berlim, na Alemanha, o Annual General Meeting (AGM), um evento organizado todos os anos pela Erasmus Student Network (ESN). Representando na prática a ‘geração Erasmus’, a AGM é a maior conferência europeia de estudantes com foco no tema da mobilidade, e este ano teve mais de 750 jovens voluntários presentes. É também na AGM que são entregues os ESN Star Awards, prémios que distinguem os melhores projetos, atividades, secções e países. A votação é feita pelo Comité Internacional, constituído por membros da ESN de vários países.
No evento deste ano, Portugal venceu catorze prémios, com destaque para o terceiro lugar no STARland (melhor país) e segundo e terceiro lugares no STARlight, com ESN Lisboa e ESN Minho como melhores secções respetivamente. Os portugueses foram quem trouxe mais prémios para casa:

ESN Portugal

  • 3º lugar STARland (melhor país)
  • 2º lugar gadgetSTAR (melhor gadget)
  • 3º lugar campaignSTAR (melhor campanha de comunicação: #PortugalFriends)

ESN Algarve

  • 3º lugar webSTAR (melhor website)

ESN Aveiro

  • 2º lugar movieSTAR (melhor vídeo)

ESN Lisboa

  • 1º lugar ESNcardSTAR (melhor promoção e uso do cartão de associado ESN)
  • 2º lugar STARlight (melhor secção local)
  • 2º lugar buddySTAR (melhor evento baseado na cooperação entre estudantes locais e estudantes Erasmus)

ESN Porto

  • 2º lugar ESNcardSTAR (melhor promoção e uso do cartão de associado ESN)

2º lugar educationSTAR (melhor campanha/ação de advocacia no campo da mobilidade (direitos da juventude/estudantes), desenvolvimento pessoal e/ou profissional ou reconhecimento do voluntariado)

  • 2º lugar ESNshowcaseSTAR (melhor iniciativa dentro da rede internacional)

ESN Madeira

  • 3º lugar eventSTAR (melhor evento internacional: Eduk8 Starter Madeira)

ESN Minho

  • 3º lugar STARlight (melhor secção local)
  • 3º lugar inclusionSTAR (melhor atividade de inclusão dos estudantes com deficiência)

Alexandra Bigotte de Almeida, Gestora de Comunicação da ESN Portugal, esteve presente na AGM Alemanha em Berlim e descreve a atribuição dos prémios como “um momento de grande emoção e união de todos os portugueses presentes no evento e daqueles que acompanhavam via online, que não se pouparam nas mensagens de apoio e euforia”.

Os voluntários da ESN Portugal não esperavam receber tantas distinções, uma vez que no ano passado ganharam já oito prémios. No entanto, este ano o trabalho dos jovens voluntários portugueses voltou a ser reconhecido a nível internacional.

Para Alexandra, “estes prémios são o resultado de uma organização cada vez mais forte, no qual o contributo de cada um dos voluntários das 14 secções portuguesas dita o sucesso que temos enquanto rede ESN Portugal”.

No ano em que se celebra o 30º aniversário do Programa Erasmus, a Gestora de Comunicação salienta ainda que:

“Estas distinções são importantes e motivam-nos a fazer mais e melhor, mas é nas mais diversas formas de agradecimento dos estudantes que escolhem o nosso país para fazer Erasmus, que vemos verdadeiramente reconhecido o trabalho voluntário que fazemos”.

A AGM acontece uma vez por ano e dura cerca de quatro dias. O evento anual contempla sessões plenárias, onde se fazem as eleições para a Direção Internacional da ESN, um desfile de bandeiras, o EuroDinner e, por último, a Gala. É neste evento formal que são atribuídos os prémios anuais.

A tradição de entrega de troféus iniciou-se em França, na AGM de 2008. No total, este ano houve 20 categorias, sendo atribuídos primeiro, segundo e terceiro lugar em cada.

Foi também no evento deste ano que a ESN Portugal viu um dos seus voluntários ser eleito para a Direção Internacional. Proveniente da ESN Minho, João Pinto, atual Presidente do Conselho Fiscal da ESN Portugal, Vice-Presidente 2014/15 e   Representante Nacional 2015/16, foi escolhido pelas mais de 500 secções da rede internacional ESN para ser Presidente da ESN AISBL no ano 2017/18.

A Erasmus Student Network (ESN) Portugal é uma associação sem fins lucrativos que pertence à rede internacional ESN, a maior associação de estudantes na Europa, reconhecida pela Comissão Europeia e presente em 40 países.  A ESN Portugal tem 14 secções (ESN Algarve, ESN Aveiro, ESN Bragança, ESN Castelo Branco, ESN Coimbra, ESN Covilhã, ESN Évora, ESN Leiria, ESN Lisboa, ESN Madeira, ESN Minho, ESN Porto, ESN Tomar, ESN UTAD), está presente em 15 cidades portuguesas e conta com mais de 500 jovens voluntários que desenvolvem atividades lúdicas e culturais para facilitar a integração de participantes do programa Erasmus+ em Portugal.

Com a organização e implementação de projetos de âmbito cultural, social e cívico, a ESN trabalha para a criação de um ambiente de ensino mais flexível, apoiando e desenvolvendo o intercâmbio de jovens e facilitando a sua integração nas comunidades locais, bem como proporciona uma experiência intercultural também aos jovens que não podem usufruir de um período no estrangeiro (“internacionalização em casa”). Mais informação pode ser encontrada no Media Kit da ESN.

Covilhã vai receber cerca de 100 jovens voluntários da Erasmus Student Network

Cerca de 100 jovens voluntários irão reunir-se na Covilhã nos dias 25 e 26 de março na 43ª Assembleia Geral da rede portuguesa da Erasmus Student Network (ESN).

Naquele que é o primeiro Conselho de Representantes Locais (CRL) desta organização no ano de 2017, serão debatidos diferentes temas relacionados com a mobilidade internacional, tomar-se-ão decisões estratégicas e dar-se-á início às celebrações do 30º aniversário do programa Erasmus+.

A comemoração do sucesso deste programa de mobilidade da Comissão Europeia será realizada neste evento com uma formação financiada pela associação Erasmus+ Student and Alumni Association. Este momento de aprendizagem será desenvolvido no âmbito da educação não-formal e marca a primeira das ações definidas pelos voluntários da ESN Portugal no seu projeto “Erasmus+: YES – Youth Employability and Skills” (Erasmus+: SIM – empregabilidade jovem e competências). Este é um projeto que pretende consciencializar os jovens para a importância do desenvolvimento de competências através do voluntariado, mais especificamente através da participação em atividades de cariz social.

Ainda no âmbito social, o CRL Covilhã contemplará uma sessão de Língua Gestual Portuguesa, realizada por um docente da Associação de Surdos da Guarda “Despertar do Silêncio” que se fará acompanhar por alguns jovens surdos. Esta iniciativa pretende sensibilizar para as barreiras que os alunos surdos podem enfrentar, especialmente quando decidem ir estudar fora, e desenvolver a consciência e a sensibilidade para a diversidade cultural e linguística, além de preservar a identidade cultural de um.
Este evento decorrerá na Assembleia Municipal da Covilhã e conta com o apoio da Câmara Municipal da Covilhã, Universidade da Beira Interior, Covidoce, Santa Hora, Companhia Club e Francisco Sanches Fotografia.

Sobre a Erasmus Student Network Portugal:
A Erasmus Student Network (ESN) Portugal é uma associação sem fins lucrativos que pertence à rede internacional ESN, a maior associação de estudantes na Europa, reconhecida pela Comissão Europeia e presente em 40 países. A ESN Portugal tem 14 secções (ESN Algarve, ESN Aveiro, ESN Bragança, ESN Castelo Branco, ESN Coimbra, ESN Covilhã, ESN Évora, ESN Leiria, ESN Lisboa, ESN Madeira, ESN Minho, ESN Porto, ESN Tomar, ESN UTAD), está presente em 15 cidades portuguesas e conta com mais de 500 jovens voluntários que desenvolvem atividades lúdicas, culturais e sociais para facilitar a integração de participantes do programa Erasmus+ em Portugal.

“Erasmus é um dos programas comunitários mais bem-sucedidos”

Há 30 anos a iniciativa da Comissão Europeia ao criar o Programa Erasmus seria numa perspetiva dos países aderentes se entreconhecerem, hoje ainda se mantém essa premissa ou agora os objetivos vão para além disso?

O Programa Erasmus é o programa comunitário mais antigo (celebra este ano os seus 30 anos) e um dos mais bem-sucedidos. Não só atingiu os seus objetivos iniciais como soube reinventar-se, adaptando-se e criando novos objetivos e expectativas. O objetivo inicial de ajudar no conhecimento mútuo dos países membros da EU foi amplamente atingido, gerando inclusivamente a chamada “Geração Erasmus”. Hoje, o Programa Erasmus é mais do que um simples programa de financiamento de mobilidades para estudos no ensino superior, mobilidades essas inicialmente reservadas a um grupo limitado de beneficiários. Abarca um leque variado de iniciativas, que cobrem desde o ensino básico, o ensino superior até à aprendizagem ao logo da vida, em diversas modalidades. No espaço de 30 anos, nasceu uma geração que se habituou a estudar num país, a fazer um estágio noutro, a viajar pelos diversos países europeus, à boleia dos alojamentos oferecidos pelos amigos que foram conhecendo nessas mobilidades. Foram nascendo bebés Erasmus que prolongam e reforçam o espirito de europeização desta geração e que impôs o inglês como língua de comunicação.

Desde 1987 até aos dias de hoje que diferenças substanciais ocorreram no Programa Erasmus?

O espírito essencial (a mobilidade de estudantes para estudos) manteve-se sempre como ponto fulcral do programa. Veio juntar-se a esta premissa, outras modalidades como a mobilidade para estágios, a mobilidade de docentes, de não docentes e de recém-diplomados. Deixou de ser somente exclusivo do ensino superior e abarca hoje o ensino básico, secundário, profissional e de educação de adultos. Todo o universo do ensino fica assim abarcado pelo programa Erasmus+.

O sucesso do Erasmus mede-se inclusivamente pela particularidade que a palavra Erasmus é hoje sinónimo de mobilidade internacional, seja ela ou não no âmbito do referido programa. A sua popularidade extravasou as fronteiras europeias, sendo a nível mundial uma referência em matéria de internacionalização do ensino.

Hoje em dia, o Erasmus não se limita somente aos países membros do programa, maioritariamente países da UE, mas também está aberto ao resto do mundo (países parceiros do programa). Temos assim no Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) a possibilidade de receber alunos e docentes de países como a Palestina, Bósnia, Sérvia e Macau, vindos também eles com a chancela Erasmus.

Portugal destaque na escolha de estudantes estrangeiros. No Instituto Politécnico de Castelo Branco verifica-se esta realidade?

A internacionalização do IPCB é uma preocupação desde sempre e uma realidade, fazendo-se através de diversas iniciativas, entre as quais, inevitavelmente, o Erasmus. Embora cada vez mais, também através de alunos estrangeiros que se fixam em Castelo Branco para frequentar licenciaturas ou mestrados. Castelo Branco caracteriza-se pelo seu ambiente tranquilo, seguro e pelo seu custo de vida muito acessível quando comparado com os grandes centros urbanos, além disso tem acessibilidades rápidas a esses grandes centros. Estas características aliadas à diversidade e qualidade da oferta formativa têm atraído alunos do Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Índia, México, Colômbia e Macau.

De que forma pode ser descrita a importância de acrescentar ao curriculum vitae o Programa Erasmus?

Hoje em dia, mais do que a experiência académica, a realização de uma mobilidade Erasmus representa uma grande mais valia, imprescindível na valorização do curriculum vitae. Realizar uma mobilidade Erasmus é para um potencial empregador a garantia que o candidato detém as soft skills necessárias às exigências do mercado de trabalho atual (competências linguísticas, autonomia, resiliência, entre outras).

Temos por hábito no IPCB dizer aos alunos que “licenciados existem bastantes, mas poucos com a marca Erasmus”. Encorajá-los a fazer Erasmus é assegurar uma maior e melhor empregabilidade.

No feedback que temos dos recém-diplomados que participaram no programa, é que, aquando da procura de trabalho, na entrevista o que foi salientado e comentado imediatamente foi a participação no programa Erasmus.

Por que razões todos os estudantes deveriam “fazer Erasmus”? No IPCB promovem a participação dos vossos alunos? De que forma?

Numa sociedade e mercado de trabalho globalizados, as fronteiras deixaram de ter significado. A formação de profissionais tem que obrigatoriamente ter em conta esta realidade, facilitando e promovendo as mobilidades internacionais curriculares.

O IPCB, desde 1992, participa e promove as mobilidades internacionais dos alunos, mas também de recém-diplomados, docentes e não-docentes. A internacionalização dos curricula é fortemente incentivada. O IPCB garante a total creditação e reconhecimento do período da mobilidade realizada, assim como ajuda financeiramente os alunos que queiram participar na experiência: os alunos em mobilidade internacional só pagam metade das propinas no período em que estão em mobilidade.

 

Erasmus é uma oportunidade para todos

Mais do que um programa universitário, o que representa o Programa Erasmus em termos sociais?

O Programa Erasmus é uma alteração de paradigma. Em termos do continente europeu, este programa é a primeira vez que se fazem deslocar massas consideráveis de jovens em contexto não belicoso e não precário. Não são exércitos agressores nem hordas de deportados ou refugiados. Estes jovens deslocam-se institucionalmente pelo saber e pelo intercâmbio de culturas. Nunca aconteceu antes e nunca se movimentou mais de um milhão de pessoas para estudar e fazer amizades.

Com todos os apoios inerentes ao programa, considera que se torna praticamente “obrigatório” aproveitar as valências do Programa Erasmus?

Em alguns países as formações em línguas por exemplo incluíam a estadia num país dessa língua, como parte da formação. Ia-se para a França ou para a Rússia como parte do curso. Com este programa isso é uma possibilidade para todos, independentemente da área de formação. É um complemento da formação inestimável. Nem todos os alunos poderão aproveitar esta experiência, mas todos os deveriam poder ter acesso a ela.

Que importância adquire o programa num curriculum vitae na procura de emprego?

É um trunfo sem dúvida. A simples referência Erasmus já indica que a candidata é autónoma, tem competências multiculturais, consegue trabalhar em equipas diversificadas, reconhece várias formas de trabalhar.

Portugal está entre os países mais escolhidos por alunos estrangeiros. Na sua opinião, que conjunto de expectativas reúne o país que o torna um dos mais eleitos?

Os alunos todos procuram universidades de referência por um lado e condições de vida acessíveis por outro. Portugal está bem colocado em ambos os parâmetros. Boas universidades, serviço de acolhimento bem organizado, adesão dos docentes à integração do aluno visitante que por vezes tem necessidades de tutoria específica numa língua de contacto que não o português.

O que era «fazer Erasmus» em 1987 e o que é, agora, em 2017?

Em 1987 era uma aventura mais programada e mais um salto no escuro. O corte com a base-escola, família era mais nítido e isso promovia mais autonomia. Agora há novas universidades parceiras, os fluxos estão mais regulados, mas temos dificuldade em estimular os alunos a sair. Alguns invocam claras dificuldades financeiras, outros não conseguem integrar a excelente melhoria que isto implica no seu processo de aprendizagem.

Em Portugal o programa foi criado em 1987 e estreou-se com apenas 25 estudantes. Hoje já se contam milhares. Podemos considerar Erasmus como um dos grandes sucessos daquele que é o projeto União Europeia?

Sem dúvida. Investir no intercâmbio de jovens dedicados ao estudo e a conhecerem os outros em situações de trabalho em igualdade é o melhor antídoto contra o obscurantismo e o preconceito que nascem e proliferam na ignorância. É melhor transportar saber que transportar armas.

 

 

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“EUROPA DAS UNIVERSIDADES”

Sendo a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) uma das pioneiras na aplicação do programa Erasmus, em Portugal, teve a oportunidade de participar num processo de transformação do ensino universitário, sem precedentes na História europeia. Ao longo destes cerca de trinta anos, o agora reciclado Programa Erasmus+, não apenas permitiu realizar a mobilidade internacional de estudantes, docentes e funcionários, como foi igualmente capaz de criar e de promover o desenvolvimento de relações de colaboração académica, nos domínios da pedagogia e da investigação, ao nível europeu.

Hoje, o Gabinete Erasmus e de Relações Internacionais da FDUL realiza um conjunto diversificado de tarefas universitárias, das quais as mais importantes são as seguintes:

a)Promover o intercâmbio e a mobilidade internacional, não só de alunos, como também de Professores, de investigadores e de funcionários.

«Foi com o intercâmbio estudantil que tudo começou e é a ele que tudo sempre retorna. Trata-se do mais bem sucedido dos programas europeus, dando origem a uma “geração Erasmus”, que permite acreditar no futuro da União Europeia, mesmo nos tempos de crise, em que vivemos», diz o Prof. Vasco Pereira da Silva. Mas a intensificação do intercâmbio estudantil europeu tem sido acompanhada de uma tentativa de alargamento desse intercâmbio a estudantes de outros continentes (nomeadamente sul-americanos, em especial brasileiros, e a africanos), a quem a Faculdade acolhe, aplicando as mesmas regras do Programa Erasmus. Mas é preciso também dizer que o intercâmbio de estudantes é completado pelo de Professores e de pessoal administrativo, que se vem também desenvolvendo cada vez mais.

b)Participação e coordenação de grupos académicos europeus (“Erasmus Network”)

A FDUL participa em vários grupos europeus, que se reúnem anualmente, para tratar das questões da mobilidade académica, da pedagogia e do ensino científico do Direito. Assim, a Faculdade integra, entre outros, o Grupo “ELPIS (European Legal Practice Network Studies))”, o “Rotterdam Law Network”, a “ELFA/AFDE (Associação das Faculdades de Direito da Europa)”, o “Nanterre Law Network”, o “Europepolis”. Num desses grupos (“ELPIS Law Network”), a FDUL assumiu mesmo a função de liderança, coordenando a sua atividade internacional.

c)Realização de Programas de Mestrado conjuntos (“Joint Master degrees”)

A Faculdade tem participado (e atualmente coordenado) um grupo de Universidades, pertencentes ao Grupo ELPIS, até agora integrado no Programa Erasmus Mundus. Deste mestrado conjunto fazem parte as Faculdades de Direito da Universidade de Lisboa, da “Leibniz Universität Hannover” (Alemanha), da “Université de Rouen” (França) e da Mykolas Romeris University in Vilnius (Lituânia).

O Erasmus Mundus é um programa de cooperação e mobilidade, no domínio do ensino superior, que promove a União Europeia como um centro mundial de excelência de aprendizagem. O programa apoia cursos europeus de mestrado de elevada qualidade e reforça a visibilidade e a atratividade do ensino superior europeu nos países terceiros, procura promover as relações interculturais e desenvolver a cooperação com países terceiros, em consonância com as políticas externas da União Europeia. Objetivo do Erasmus Mundus é ser uma ferramenta para o diálogo intercultural entre a União Europeia e o resto do mundo.

A experiência frutífera, desde 2002, deste Mestrado conjunto, no seio do Programa Erasmus Mundus, vai agora dar lugar à sua autonomização, passando a assentar em acordos interuniversitários, entre as partes, que visam ampliar o respetivo âmbito de ação. Trata-se de um programa de 2 anos, em que os estudantes devem simultaneamente aprofundar as suas aptidões científicas e técnicas, assim como as linguísticas, frequentando as suas aulas em, pelo menos, duas Universidades e estudando as línguas de, pelo menos 2 países europeus.

Mas a Faculdade tem também um acordo já assinado, para a criação de um outro Mestrado Conjunto (este não já europeu, mas global), com a Loyolla University, de New Orleans, que começará muito em breve.

d)Programa de Cursos Intensivos Erasmus

A FDUL organiza um Programa de Cursos Intensivos Erasmus, lecionados por um Professor estrangeiro, numa língua estrangeira, sobre um ramo de direito estrangeiro (mesmo se estudado de uma perspetiva comparada, europeia ou global), destinados a ser frequentados tanto por estudantes Erasmus, como pelos estudantes nacionais.

Estes cursos intensivos têm a duração de 10 ou de 20 horas letivas (2 horas por dia, durante 1 ou 2 semanas) e permitem aos estudantes aprovados a obtenção de 3 ECTS (curso de 10 horas) ou de 6 ECTS (curso de 20 horas). Os ECTS obtidos através da conclusão de dois cursos intensivos, de 10 horas, ou um curso de 20 horas, num total de 6 ECTS, poderão ser utilizados na FDUL para substituição de disciplinas optativas nos cursos de Licenciatura e de Mestrado. Trata-se de uma forma de oferecer a todos os nossos estudantes uma experiência Erasmus “dentro de portas”, permitindo-lhes introduzir nos seus currículos disciplinas de Universidades estrangeiras, ou criadas especialmente para eles.

A Faculdade orgulha-se de ter, como Professores Visitantes, alguns dos mais reputados docentes europeus e internacionais, durante praticamente todas as semanas do ano letivo. “Esta experiência tem sido apontada como modelo exemplar (“a case study”) pelas instituições e pelos nossos congéneres europeus, em várias reuniões internacionais”, afirma o Prof. Vasco Pereira da Silva.

“Tudo isto significa uma transformação no ensino do Direito, que não pode mais ser exclusivamente nacional, mas tem que ser igualmente combinado com uma dimensão comparada, europeia e global. Da mesma maneira que o Direito, em nossos dias, sem deixar de ser um fenómeno nacional, tem de ser compreendido também numa vertente comparada, europeia e global. Parafraseando um colega alemão (Häberle), “ninguém sabe Direito português se souber só Direito português”», como explica o Professor Pereira da Silva

e)Publicações científicas conjuntas

Para além do ensino e da pedagogia, há também a ciência, realizada conjuntamente à escala europeia. A Faculdade participa em numerosos programas científicos, realizando colóquios e conferências e publicando livros com a colaboração de Professores europeus. De referir, a atividade desenvolvida no âmbito do grupo ELPIS, que publicou três volumes, reunindo contribuições científicas de juristas de todos os países da Europa e que constitui um excelente exemplo do “melhor Direito, que se faz por toda a Europa”. A somar às dezenas (centenas) de publicações, em que participam os Professores da Faculdade, juntamente com os seus congéneres europeus e mundiais.

 

ERASMUS + É FUNDAMENTALMENTE OPORTUNIDADE, CONHECIMENTO, CRESCIMENTO

O Colégio Guadalupe conta com uma larga experiência de projetos europeus. Em 2008, teve início o primeiro Projeto, na época ainda Comenius. Desde então, foram doze os projetos desenvolvidos no Colégio, sendo que, atualmente, existem cinco projetos Erasmus+ implementados. Todos eles servem um propósito: “quebrar fronteiras que permitem a professores e alunos contactarem com outras realidades. Os nossos alunos têm a oportunidade de participar em diversas atividades e, por isso, são orientados de forma a terem noção da importância de participarem ativamente em tudo o que envolve um projeto Erasmus +”, começa por explicar Cristina Melo. “ No regresso a casa”, continua, “reconhecem a sua experiência como muito enriquecedora, a qual lhes permitiu valorizar a sua realidade, melhorar substancialmente os seus conhecimentos da língua inglesa e adquirir um vasto conhecimento da diversidade cultural.”

O objetivo inerente a todos os projetos desenvolvidos é dotar os nossos alunos de capacidades que os ajudem a enfrentar as mudanças socioeconómicas com que as sociedades atuais se deparam. É neste sentido que o Colégio Guadalupe procura implementar um sistema de educação e de formação que promova políticas educativas eficazes, dotando os seus alunos das competências exigidas no mundo atual, permitindo-lhes desempenhar um papel ativo na sociedade e alcançar a realização pessoal. Os projetos Erasmus + são fundamentais como complemento de uma educação não-formal, destinada a melhorar as capacidades e as competências de crianças e jovens, tornando-os cidadãos ativos e críticos.

Este programa destaca, ainda, as oportunidades de cooperação e mobilidade junto dos países parceiros, por parte de professores e alunos, promovendo a criação e o desenvolvimento de redes europeias de intercâmbio de conhecimentos, em diversos domínios relacionados com a educação.

5 PROGRAMAS ERASMUS + 

Every Child is Special

O Projeto Every Child is Special tem como principal objetivo a educação para a tolerância e para os afetos. Através da metodologia Persona Dolls, pretende-se desenvolver a empatia e o sentido de justiça. As Persona Dolls não são bonecas comuns! Têm uma personalidade própria, uma história de vida. Esta metodologia pretende levar as crianças a resolver problemas do seu dia-a-dia, a serem criativas e, acima de tudo, a desenvolverem a capacidade de se colocarem no lugar do outro, valorizando o respeito e as emoções de cada um. Desenvolvida nos Estados Unidos desde 1950, esta metodologia é muito utilizada também no Reino Unido, Dinamarca e África do Sul. Este projeto é desenvolvido nas turmas do ensino pré-escolar e no primeiro ano, envolvendo nove países europeus.

Read on the EU Road

Este projeto visa a literacia, o desenvolvimento nos alunos do gosto pela leitura e pela escrita, estimulando simultaneamente capacidades hermenêuticas e argumentativas. Através de um conjunto de atividades e metodologias inovadoras, pretende-se motivar os alunos para a importância da leitura e da escrita, transmitindo-lhes um conjunto de ferramentas que lhe permitam descodificar adequadamente as mensagens, explícitas ou implícitas, assim como o desenvolvimento das suas competências reflexivas. São sete os países europeus que participam neste projeto, o que permite a partilha de experiências entre países com sistemas educativos tão diferentes como a Finlândia, a Espanha, o País de Gales, a Itália, a Polónia ou a Grécia. 

Spring Celebration

Um projeto orientado para a educação ambiental, proteção da natureza, hábitos de vida saudável e importância da prática desportiva. “Esta é também uma preocupação nossa, uma vez que somos uma escola galardoada com a Bandeira Verde das Eco Escolas e que se preocupa com as questões ecológicas. Nesse sentido, formamos e educamos os nossos alunos para o respeito e a compreensão do meio ambiente. Tivemos, no final de 2016, uma recolha de papel, proporcionamos workshops sobre reciclagem, entre muitas outras atividades. Enquanto responsáveis pela sua educação, sentimos que nos cabe a nós formá-los também nestas questões”.

Increase

Empreendedorismo e criatividade descrevem a iniciativa que, para Cristina Melo, “é sem dúvida um projeto muito interessante para os alunos, mas extremamente relevante para a prática pedagógica dos professores”. O mesmo visa desenvolver metodologias e práticas letivas inovadoras. O país coordenador é Itália e tudo começou com a criação de um jogo desenhado pelos alunos: o “Think Up”.

A diretora acredita que, “na nossa vida, temos de ser muito criativos e este tipo de pensamento, por vezes, é pouco desenvolvido. Para além da criatividade e capacidade empreendedora, este projeto trabalha questões também elas fundamentais como a autoestima e a autoconfiança”.

Europe Web Walking

O objetivo principal do projecto EWW é consolidar nos alunos competências fundamentais para o desenvolvimento de uma cidadania ativa e responsável. As novas tecnologias são as ferramentas para a comunicação e para partilha de experiências com outros estudantes na União Europeia. É direcionado para o 3º ciclo e aponta para o melhoramento dos alunos nas suas competências informáticas e linguísticas, ou seja, este projeto pretende que os alunos conheçam, através das ferramentas digitais, todos os países que estão envolvidos no projeto.

“Erasmus, para nós, é fundamentalmente oportunidade, conhecimento e crescimento. Ter projetos Erasmus é garantir que grande parte do nosso corpo docente tem acesso a uma formação e a conhecimentos que, de outra forma, seria muito difícil. É gratificante dispor de uma ferramenta como este Programa, que nos disponibiliza formas de aprender com outras escolas e outras realidades, permitindo-nos o desenvolvimento do sentimento e da consciência europeia.

“É muito gratificante ver como os alunos vivem as atividades desenvolvidas, com especial ênfase, nos mais novos, para as ligações via Skype, nas quais contactam com alunos dos outros países, utilizando sempre a língua inglesa como forma de comunicação, competência fundamental para nós que também somos uma escola internacional, reconhecida pelo Cambridge International Examinations”, conclui.

ERASMUS+: MAIS QUE UM PROGRAMA, UMA EXPERIÊNCIA DE VIDA

Iniciado em 1987 como programa de intercâmbio no estrangeiro, dirigido aos estudantes do ensino superior, o Erasmus+ é hoje em dia conhecido por oferecer milhares de oportunidades por ano a quem pretenda realizar um período de mobilidade dentro ou fora da Europa, para fins de aprendizagem, estágio ou formação.
No entanto, por mais popular que seja o programa e a quantidade de informação disponibilizada, ninguém está, na verdade, preparado para embarcar na grande aventura que é ir de Erasmus. E é isso que o torna tão especial.
É impossível colocar em palavras a ansiedade sentida pelos jovens quando recebem a confirmação de que vão sair da sua zona de conforto. Entre documentos e burocracias que teimam em não acabar, as suas cabeças já vão estar longe, a pensar onde vão viver, se vão perceber o que lhes dizem numa língua com a qual podem até nunca ter tido contacto, se vão gostar e se não se vão arrepender. Tudo isto ao mesmo tempo que fazem uma contagem regressiva dos dias que faltam para viver aquela que será A experiência da sua vida.

É exatamente no meio destes receios e anseios que acabam por se cruzar com quem (con)vive diariamente com Erasmus: os voluntários da rede Erasmus Student Network (ESN).

Presente em 40 países europeus, a maior associação de estudantes da Europa conta com cerca de 15 mil voluntários que se dedicam à integração de mais ou menos 200 mil jovens que decidiram participar no programa Erasmus+ ou outros programas de mobilidade. Em terras lusitanas, a ESN Portugal conta atualmente com 14 secções locais (Algarve, Aveiro, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Évora, Leiria, Lisboa, Madeira, Minho, Porto, Tomar, Vila Real) em 15 cidades, compostas por um total de cerca de 500 jovens voluntários que trabalham diariamente para a criação de aprendizagens mais flexíveis, apoiando a mobilidade de jovens em diferentes níveis e proporcionando uma experiência intercultural para aqueles que não podem participar em programas de intercâmbio (“internacionalização em casa”).

Desengane-se quem pensa que estes voluntários não fazem mais do que promover a cultura “Erasmus é só festa”. Porque Erasmus também é festa, mas não só. Ir de Erasmus significa fazer parte de uma nova sociedade, descobrir novos hábitos, reeducarmo-nos enquanto seres humanos que vão abrir as suas mentes e tornar-se mais tolerantes e apreciar melhor a vida. Ser Erasmus significa redescobrirmos uma melhor versão de nós mesmos.

Para os voluntários da ESN, Erasmus é uma experiência transformadora através da qual os jovens se desafiam e superam, conhecendo outras realidades que lhes permitem crescer enquanto cidadãos do mundo capazes de contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Desta forma, asseguram-se de que a experiência Erasmus não fica reduzida aos sucessos académicos, e para além das atividades culturais onde é possível visitar e conhecer o nosso país ou aprender outras línguas, os voluntários da ESN Portugal desenvolvem iniciativas de caráter social que permitem que os participantes do programa Erasmus+ usem o seu tempo livre de forma produtiva, voluntariando-se para causas sociais. Na verdade, os voluntários da ESN enriquecem o período de mobilidade de outros jovens, contribuindo para a expansão dos seus horizontes através da aprendizagem fora do contexto sala de aula. Inevitavelmente, o contacto com outros participantes Erasmus que as atividades da ESN proporciona, traduz-se numa oferta cultural adicional que de outra forma os jovens não poderiam ter acesso. A longo prazo, esta experiência internacional é uma porta privilegiada para o mercado de trabalho.

Com quase 28 anos de existência, desde cedo a ESN tem enviado esforços não só para acompanhar o programa Erasmus+, mas também para contribuir positivamente no seu desenvolvimento. Mostrando que Erasmus não consiste apenas em viajar ou estudar fora, a ESN tem colaborado na afirmação do programa como fator-chave para o envolvimento ativo dos participantes nas comunidades locais, promovendo assim uma melhor compreensão cultural e inspirando os jovens a regressar aos seus países de origem com a vontade de também ali serem agentes de mudança. Para além disso, na ESN cultiva-se a ideia de que é possível viver e identificarmo-nos com os mesmos valores de solidariedade e tolerância.

É possível a construção de uma identidade comum – a identidade Europeia. E o facto destes jovens voluntários estarem unidos pelo mesmo objetivo, sob os mesmos valores, prova que todos os envolvidos no programa Erasmus+ estão não só de parabéns pelos seus 30 anos, como também por tornarem este programa um dos maiores sucessos da herança da União Europeia.

OPINIÃO DE ALEXANDRA BIGOTTE DE ALMEIDA, COMMUNICATION MANAGER DA ESN PORTUGAL

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