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Estudo da Fender revela que metade dos guitarristas são mulheres

Um estudo encomendado pela Fender, mostra que, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, as mulheres são 50% dos novos guitarristas, um crescimento cuja tendência deverá continuar a aumentar.

O facto de 50% dos novos compradores de baixos no Reino Unido serem mulheres foi uma surpresa, mas é um fenómeno idêntico ao que acontece nos Estados Unidos”, disse à Rolling Stone o CEO da Fender, Andy Mooney. O responsável pela marca de guitarras sublinhou ainda que este não é um fenómeno passageiro.

“Existe a ideia de que [este aumento] se deve ao ‘efeito Taylor Swift e que se trata de uma situação temporária e invulgar. Não é. O fenómeno tem pernas para andar e está a acontecer mundialmente”, reiterou Andy Mooney.

Um em cada três trabalhadores em risco de ‘burnout’

© GETTY

Segundo um estudo da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), que será publicado na edição de outubro da revista Teste Saúde, os profissionais em maior risco de desenvolver crises de ‘burnout’ (esgotamento) são os empregados de lojas e supermercados (43%), profissionais de saúde (não médicos, 39%) e quem trabalha em serviços administrativos (37%) ou em profissões ligadas ao ensino (28%).

No estudo da Deco, que envolveu 1.146 trabalhadores entre janeiro e fevereiro deste ano, cerca de metade dos inquiridos queixaram-se da falta de apoio por parte dos supervisores em situações de stress e um em cada quatro por parte dos colegas.

Três em cada dez trabalhadores afirmaram-se emocionalmente cansados do trabalho mais de uma vez por semana e 35% revelaram sentir-se exaustos com a mesma frequência.

“Em 11% dos casos, o cansaço surge todos os dias, logo de manhã, perante a perspetiva de mais uma jornada de trabalho. Diário é também o stress laboral para 14 %. Contudo, a maioria dos inquiridos considera que desempenha bem as suas funções profissionais”, refere o estudo.

“Quando a pressão se torna excessiva, difícil de gerir e se prolonga no tempo, pode transformar-se em stress crónico e afetar a vida pessoal e familiar, a saúde e, claro, o desempenho profissional”, recorda a Deco, sublinhando que “22% dos inquiridos que tomaram medicamentos para combater o stress indicaram um período mínimo de tratamento de três anos”.

De entre as explicações para o descontentamento com o trabalho, destacam-se o conteúdo das próprias funções, que os trabalhadores vislumbram como uma (im)possibilidade de progressão na carreira, e a (má) relação com os superiores hierárquicos.

Dos que sentem falta de apoio dos patrões ou supervisores em momentos de stress, 50% estão em risco de ‘burnout’. Apenas 19% dos que se dizem apoiados se encontram na mesma situação.

“De falta de auxílio, mas do departamento de recursos humanos, queixam-se 71% dos inquiridos. Destes, 47% apresentam sinais de stress crónico (quando há apoio, apenas 12% estão em risco)”, refere o estudo.

Em 77% dos casos, os inquiridos são trabalhadores ditos efetivos, isto é, com contrato a termo incerto, e três quartos trabalham total ou parcialmente na área em que se especializaram em termos profissionais ou académicos. Dos que têm formação superior, 81% exercem funções na sua área de especialização.

Contudo, recorda a Deco, “a diferença entre trabalhar ou não na área de especialização parece não se refletir nos números do ‘burnout'”: 30% dos que exercem funções na sua área estão em risco, contra 33% dos que não o fazem.

Cerca de um terço dos inquiridos revelou que a profissão afeta negativamente a sua qualidade de vida e 35% afirmaram o mesmo em relação à saúde.

No entanto, segundo o estudo, quem segue um estilo menos saudável, isto é, quem fuma, consome álcool, recorre a drogas ilícitas e/ou dorme menos de seis horas por dia parece em maior perigo de ‘burnout’ do que quem tem hábitos de vida mais saudáveis.

Cerca de um quinto dos inquiridos afirmou ter tomado medidas contra o stress nos últimos cinco anos. A maioria (78%) tomou medicamentos, 55% optaram pela prática de exercício físico e 26%, pela psicoterapia.

Na falta de uma evidência forte sobre a eficácia das intervenções para prevenir e tratar o ‘burnout’, o estudo refere:”Dos empregadores, espera-se que aliviem um pouco a válvula da pressão laboral, através de ambientes mais participativos, que deem ao trabalhador maior sensação de segurança, controlo e recompensa”, e aos trabalhadores recomenda-se que identifiquem os fatores de stress e, se possível, discutam com os supervisores a possibilidade de os contornar ou tornar mais leves”, além de tentarem desempenhar atividades de que gostem fora do meio laboral.

LUSA

Há uma menor probabilidade de sobrevivência para idosos depois dos 85 anos

Este estudo, desenvolvido pela Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit), comparou dados nacionais com os Espanha, França, Itália e Inglaterra, concluindo que, apesar de Portugal ter menos desigualdades, tem probabilidades de sobrevivência nesta faixa etária inferiores aos outros quatro países.

Esta investigação sublinha a “importância de reduzir as desigualdades socioeconómicas existentes no território europeu para se conseguir aumentar a longevidade da população mais idosa”, indicou a investigadora Ana Isabel Ribeiro, referida no comunicado do ISPUP.

Para chegar a estas conclusões a equipa avaliou a influência das condições socioeconómicas dos locais de residência (condições da habitação, a escolaridade e o desemprego, entre outros) na longevidade das pessoas idosas e na probabilidade de estas sobreviverem além dos 85 anos, nos cinco países europeus.

Os resultados mostram que os idosos que vivem em locais com maior privação socioeconómica têm menor probabilidade de atingirem idades mais avançadas.

Neste trabalho, publicado na revista científica “International Journal of Public Health”, verificou-se igualmente qual seria o aumento percentual em termos de sobrevivência de idosos se fossem eliminadas as diferenças socioeconómicas entre os locais e quantas mortes poderiam ser prevenidas se essas diferenças fossem reduzidas.

“Tomando a Europa como um todo, os homens que habitavam nas zonas mais favorecidas apresentavam uma probabilidade de sobrevivência de 37,4% e os que viviam em locais menos favorecidos de 32,4%”, explicou Ana Isabel Ribeiro, a primeira autora do artigo.

Segundo a investigadora, a eliminação das diferenças socioeconómicas entre os locais aumentaria a probabilidade de sobrevivência em 7,1%.

“E, se as atenuássemos apenas, teríamos um aumento de cerca de 1,6% na probabilidade de sobrevivência”, acrescentou.

Segundo o estudo, a remoção dessas diferenças, a nível europeu, levaria a um aumento de sobreviventes masculinos em cerca de 92 mil, enquanto os femininos subiriam para 282 mil.

Este trabalho, intitulado “Does community deprivation determine longevity after the age of 75? A cross-national analysis”, é também assinado pelos investigadores Elias Teixeira Krainski, Marilia Sá Carvalho, Guy Launoy, Carole Pornet e Maria de Fátima de Pina.

Um estudo indica que as sobrancelhas contribuem para uma melhor comunicação interpessoal

Ricardo Miguel Godinho, investigador do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArHEB) da Ualg, foi um dos investigadores envolvidos no estudo que analisou a arcada supraciliar de um crânio hominídeo fóssil icónico pertencente à coleção do Museu de História Natural de Londres, adiantou a UAlg em comunicado.

Segundo o estudo, o facto de as arcadas supraciliares se terem tornado mais pequenas devido à evolução da testa para uma forma mais vertical e suave, tornando as sobrancelhas mais visíveis e capazes de uma maior amplitude de movimentos, permitiu o desenvolvimento da comunicação não-verbal.

A comunicação não-verbal através dos movimentos das sobrancelhas, essencial na transmissão de emoções como a simpatia ou o reconhecimento terá permitido, segundo os investigadores, “uma maior compreensão e cooperação entre pessoas, essencial para a formação de redes sociais de grande dimensão”.

As espécies humanas ancestrais tinham arcadas supraciliares muito proeminentes, que poderiam funcionar como um sinal de dominância e agressividade, embora as teorias mais comuns relacionassem a sua presença com fatores espaciais, para ocupar o espaço entre a caixa craniana e as órbitas, ou mastigatórios, para a estabilização do crânio durante a mastigação.

O crânio utilizado no estudo, analisado através de técnicas computacionais de engenharia e denominado Kabwe 1, pertence àquela que é considerada por muitos como a nossa espécie ancestral, a “Homo heidelbergensis”, que terá existido há 600.000 a 200.000 anos.

Este estudo contribui para o debate acerca da razão porque outros hominídeos, incluindo a espécie “Homo heidelbergensis”, tinham arcadas supraciliares tão protuberantes, enquanto os “Homo sapiens” têm uma testa vertical com arcadas reduzidas.

Segundo Paul O’Higgins, da Universidade de York e coautor do artigo, “a função de comunicação não-verbal refinada da nossa testa terá inicialmente sido um efeito colateral da redução do tamanho das nossas caras nos últimos 100.000 anos”.

Este processo de redução facial acelerou nos últimos 10.000 a 20.000 anos, quando mudámos de caçadores recoletores para agricultores, um estilo de vida que resultou em menos atividade física e numa dieta menos variada e mais mole, refere.

De acordo com Penny Spikins, também professora da Universidade de York e coautora do artigo, os movimentos das sobrancelhas “permitem-nos expressar emoções complexas assim como perceber as emoções dos outros”.

Por outro lado, foi já demonstrado que pessoas que têm o movimento das sobrancelhas limitado devido, por exemplo, à aplicação de botox “são menos capazes de causar empatia e de se identificarem com as emoções de outros”.

O estudo, publicado na revista “Nature Ecology & Evolution”, foi parcialmente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Portugal entre os países em que a esperança média de vida mais aumentou

Segundo o estudo “Global burden of disease 2016″ (Peso global da doença), a esperança média de vida em Portugal, em 2015, era de 83,9 anos para as mulheres e de 77,7 anos para os homens, ultrapassando a esperança média de vida global (obtida entre todos os países analisados), que era de 75,3 anos para as mulheres e de 69,8 anos para os homens.

O trabalho, que avalia dados de 1970 a 2016 sobre as causas de morte e doença em 195 países e territórios, coloca Portugal ao lado da Etiópia, das Maldivas, do Nepal, do Níger e do Peru na lista de “países exemplares que podem fornecer informação sobre políticas bem-sucedidas que ajudaram a acelerar o progresso na saúde”.

De acordo com a meta-análise, coordenada pelo Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da universidade norte-americana de Washington, os seis países tiveram “grandes aumentos na esperança média de vida, muito além do que seria expectável com base no seu nível de desenvolvimento”.

O Japão continua a ser o país com a mais alta esperança média de vida (86,9 anos para as mulheres e 80,7 anos para os homens), ao contrário da República Centro-Africana, que tem a mais baixa (52,1 anos para as mulheres e 47,4 anos para os homens).

O estudo, revisto anualmente, teve contributos de instituições portuguesas, como o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, o Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, em Almada, e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto.

Risco de doença cardiovascular dispara depois de pneumonia ou ‘sepsis’

“As infeções severas nos adultos estão associadas a um aumento do risco de doença cardiovascular”, afirma Scott Montgomery, um dos autores do estudo, que é igualmente diretor do grupo de epidemiologia clínica na Universidade de Örebro, na Suécia.

Segundo a investigação, o aumento do risco permanece durante pelo menos cinco anos.

O estudo avaliou a relação entre o internamento por pneumonia ou ‘sepsis’ e o aumento do risco de doenças cardiovasculares nos anos seguintes à infeção e se haveria um período de risco particularmente aumentado.

A investigação incluiu 236.739 homens nascidos entre 1952 e 1956, que foram examinados física e psicologicamente aos 18 anos tendo por base exigências militares. Os investigadores obtiveram ainda diagnósticos hospitalares de doenças cardiovasculares e infeções através de um sistema que gravou a informação de pacientes admitidos no hospital desde 1964.

Os homens foram acompanhados desde a adolescência até à idade adulta e o acompanhamento terminou em 2010.

Foram analisadas as relações entre a primeira infeção com ‘sepsis’ ou pneumonia que obrigou a internamento hospitalar com subsequente risco de doença cardiovascular em períodos específicos pós-infeção (entre um ano e cinco anos após).

Durante o período de acompanhamento, um total de 46.754 homens (19,7%) teve um primeiro diagnóstico de doença cardiovascular. Houve 9.987 admissões hospitalares por pneumonia ou ‘sepsis’ entre os 8.534 homens que receberam estes diagnósticos.

Os investigadores descobriram que a infeção estava associada a um aumento de 6,33 vezes do risco de doença cardiovascular durante o primeiro ano após a infeção. No segundo e terceiro ano após a infeção o risco permanecia aumentado em 2,47 e 2,12 vezes, respetivamente.

O risco de doenças cardiovasculares baixava com o tempo, mas permanecia elevado pelo melos durante cinco anos após a infeção.

Resultados idênticos foram alcançados tanto para a doença coronária como para o ataque cardíaco e a doença cardiovascular fatal.

“Os nossos resultados indicam que o risco de doença cardiovascular, incluindo a doença coronária e o ataque cardíaco, aumentou depois da admissão por ‘sepsis’ ou pneumonia” afirmou a coordenadora do estudo, Cecilia Bergh, investigadora associada na Universidade de Örebro.

“O risco permanecia especialmente elevado nos três anos após a infeção e era de cerca de duas vezes mais após cinco anos”, acrescentou.

Quando os investigadores examinaram a relação entre outros fatores de risco, como a tensão alta, sobrepeso, obesidade e fraco desenvolvimento físico, descobriram que a infeção estava relacionada com o mais alto risco de doenças cardiovasculares nos três primeiros anos após a doença.

“Os convencionais fatores de risco continuam a ser importantes, mas a infeção poderá ser a fonte primária deste risco por um período limitado de tempo”, afirmou, por seu lado, Scott Montgomery.

Segundo a investigação, a maior parte dos doentes com ‘sepsis’ ou pneumonia recuperam, mas muitos mantém os marcadores relativos a inflamações circulatórias em níveis elevados mesmo depois da fase aguda da infeção.

Segundo Montgomery, a descoberta “funciona como mais uma razão para a proteção contra infeções e sugere que há uma janela temporal pós-infeção com risco aumentado de doenças cardiovasculares. Não estudámos quaisquer intervenções que se devem iniciar neste período, mas terapias preventivas, como as estatinas, poderão ser analisadas”.

Os ciganos não vivem de prestações sociais

É falsa a ideia de que os ciganos sobrevivem à conta de prestações sociais, defende Manuela Mendes, coordenadora do primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas.

O documento foi encomendado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e registou os dados de 1.599 pessoas ciganas, dispersas por todo o território nacional, durante o ano de 2014.

Manuela Mendes esclarece que “uma percentagem grande trabalha”, só que muitas vezes não se trata de trabalho no mercado formal, com um contrato ou um salário. Ainda assim, muitos estão desempregados, bastantes recebem o Rendimento Social de Inserção e mais de metade admite que já passou fome.

O estudo concluiu também que os ciganos portugueses têm baixos níveis de escolaridade, casam cedo, fazem da venda ambulante a principal atividade económica.

Em declarações à Lusa, a coordenadora do estudo disse que uma das coisas que ressaltam são os padrões regionais, destacando haver “aspectos singulares” que variam consoante as regiões do país e que contribuem para a heterogeneidade entre os ciganos portugueses, tendo sido possível detetar três grandes grupos.

Um primeiro grupo é constituído por jovens até aos 34 anos de idade, com níveis de escolaridade muito heterogéneos entre si, com uma grande percentagem de pessoas que nunca trabalhou ou que não se consideram trabalhadores, havendo muitos que vivem na dependência de familiares.

“Estas pessoas predominam em zonas como Estarreja, Ovar, [Santa Maria da] Feira e Barreiro e este é um grupo que se distingue”, apontou Manuela Mendes.

Um outro grupo concentra pessoas mais velhas, com 45 ou mais anos de idade, que vivem em “condições mais deficientes ou com maior índice de vulnerabilidade”. Mais de metade não trabalha e “uma percentagem significativa” recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) ou outro tipo de prestações sociais.

“Encontramos aqui reformados, domésticas, viúvos, e há uma maior incidência deste perfil em zonas do país como Castelo Branco, Santarém, Campo Maior e também no Algarve, em Lagoa. São pessoas que vivem em maior precariedade, com piores condições em termos habitacionais e de acesso a serviços e equipamentos”, disse a investigadora.

O terceiro grupo é constituído por pessoas em idade activa e com família constituída ou estabilizada, com idades entre os 25 e os 34 anos de idade, muitos com o primeiro ciclo. Tem um maior número de trabalhadores, sobretudo pessoas que andam em vendas ambulantes ou trabalhadores por conta de outrem.

“São pessoas mais abertas a amizades com pessoas não ciganas, têm redes de relações menos fechadas e são pessoas que, grosso modo, se concentram sobretudo em Almada, Guarda, mas também no concelho de Espinho e Vila do Conde”, adiantou.

Metade já passou fome
A investigação mostra também que, no que diz respeito à alimentação, quase metade (48%) admitiu ter passado fome, dos quais 18,6% disseram que foi entre uma a duas vezes por ano e 13,7% entre uma a duas vezes por mês.

Muitos (58,6%) afirmaram ter-se sentido discriminados por serem ciganos, tanto em contexto de trabalho, serviços, quer públicos ou privados, ou na escola, mas também é apontado que quando as comunidades ciganas “coabitam com outros grupos étnico-culturais” tem havido “alguns problemas de relacionamento, sobretudo com pessoas de origem africana”.

Por outro lado, os percursos escolares dos ciganos “são geralmente muito curtos, principalmente no caso das raparigas”, os casamentos acontecem em idades muito precoces (entre os 13 e os 15 anos) e parece dominar o culto evangélico, ligado sobretudo à Igreja de Filadélfia.

Ao nível das recomendações, o estudo sugere, entre outros, o reforço de alguns projetos, como o Programa Escolhas ou os mediadores culturais, e a capacitação das mulheres ciganas, principalmente através da aquisição de competências profissionais.

Renascença

Grupo de cientistas acredita ter descoberto uma vacina contra a gonorreia

O estudo de que a Sky News dá conta foi publicado na revista científica The Lancet e foi elaborado por um grupo de investigadores na Nova Zelândia.

Estes cientistas analisaram em pacientes entre os 15 e os 30 anos a utilização da MeNZB, uma vacina específica para uma estirpe de meningococcus, usada a dada altura naquele país para combater um surto que surgiu no final dos anos 90.

Apesar de o desenvolvimento de uma nova vacina ter sido um “insucesso” ao longo dos anos, os cientistas acreditam haver agora novidades no combate à “incidência da gonorreia”.

“Estes resultados” a que chegaram podem dar, acreditam, informação para o “desenvolvimento de uma vacina prospetiva não só para a gonorreia” mas também para outras vacinas meningocócicas.

Os portugueses estão obesos, hipertensos e diabéticos

O estudo, relativo a 2015, constatou também que 67,6% da população tinha excesso de peso ou obesidade e 52,3% tinha alteração dos lípidos do sangue (colesterol alto), valor que aumentava para 63,3% ao incluir nesta estimativa a população que referiu tomar medicamentos para controlar esta condição.

O INSEF é um estudo epidemiológico observacional, transversal de base populacional, programado e realizado para ser representativo ao nível regional e nacional, com o objetivo e contribuir para melhorar a saúde pública e reduzir as desigualdades em saúde.

O inquérito surgiu na sequência da participação de Portugal, através do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA, IP), em projetos de investigação e ações conjuntas com outros países Europeus, financiados pela União Europeia.

A população alvo consistiu nos indivíduos entre os 25 e os 74 anos de idade, residentes em Portugal continental ou regiões autónomas há mais de 12 meses

O trabalho de campo decorreu entre fevereiro e dezembro de 2015 em 49 locais de observação (PSU) e foi realizado por equipas constituídas por um total de 117 profissionais.

Ao todo foram selecionados aleatoriamente para o INSEF 12.289 indivíduos, tendo-se obtido no final uma amostra com 4.911 participantes (2,265 homens e 2.646 mulheres), para os quais os procedimentos do INSEF (exame físico, colheita de sangue e entrevista) foram concretizados na íntegra.

A informação obtida pelo primeiro INSEF é representativa da população portuguesa a nível nacional e de cada uma das suas sete regiões, tendo sido utilizados os métodos preconizados pelo European Health Examination Survey (EHES).

As diferenças observadas nas estimativas populacionais de vários dos indicadores justificam, segundo os responsáveis pelo inquérito, a atenção das intervenções de saúde quer sobre algumas áreas do estado de saúde que afetam um elevado número de portugueses: 52,3% no caso de colesterol total superior a 190 mg/dl, 38% no caso da hipertensão arterial ou 28,7% no caso da obesidade, quer noutras, como a diabetes ‘mellitus’, cuja estimativa é de 9,8%.

Entre os determinantes são realçadas as elevadas frequências de sedentarismo nos tempos livres (44,8%), o consumo arriscado de bebidas alcoólicas, reportado por 33,8% da população masculina, ou a exposição ambiental ao fumo do tabaco que afetava 12,8% da população.

Na área preventiva, de acordo com o INSEF, a elevada proporção da população feminina entre os 50 e os 69 anos que reportou ter realizado mamografia nos dois anos anteriores ao inquérito (94,8%), em particular quando referia ter médico de família atribuído, constitui um indicador positivo, pese embora a menor frequência na população desempregada (89,3%).

Já a consulta de saúde oral no ano anterior foi reportada por um pouco mais de metade da população (51,3%), verificando-se valores mais baixos entre os 65 e 74 anos (43,8%).

De igual forma, a pesquisa de sangue oculto nas fezes nos dois anos anteriores à entrevista (45,7%) e a não realização deste exame na vida (44,2%) revelaram valores muito baixos a nível nacional, conclui o inquérito.

Embora a obesidade fosse mais elevada entre as mulheres (32,1% ‘versus’ 24,9%), o excesso de peso e a obesidade abdominal eram mais prevalentes entre os homens.

A prevalência destas doenças aumentava com a idade verificando-se os valores mais elevados entre os 65 e os 74 anos (71,3% no caso da hipertensão; 41,3% no caso da obesidade; 88,1% no caso da obesidade abdominal; 23,8% no caso da diabetes).

Na comparação entre as sete regiões nacionais, após remover o efeito do sexo e da idade, as prevalências padronizadas apresentavam valores mais elevados de hipertensão arterial e obesidade na região Norte, obesidade abdominal na região Centro, diabetes na Região Autónoma dos Açores, e alteração do perfil dos lípidos do sangue na região Centro.

Os primeiros resultados do INSEF foram apresentados numa conferência realizada no auditório do Museu Soares dos Reis, no Porto.

Dieta sem glúten só é recomendada para pessoas intolerantes

Segundo o estudo, publicado na revista médica britânica BMJ, a restrição do glúten (proteína encontrada nos cereais como o trigo, centeio e cevada) pode também resultar numa baixa ingestão de grãos integrais, que estão associados a benefícios cardiovasculares.

Os investigadores defendem que não devem ser encorajadas dietas sem glúten entre pessoas sem a doença celíaca, que afeta pessoas com predisposição genética causada pela constante sensibilidade ao glúten.

O glúten desencadeia inflamação e danos intestinais em pessoas intolerantes, e está associado a um aumento do risco da doença arterial coronária que é reduzido após o tratamento com uma dieta sem esta proteína.

No entanto, o número de pessoas sem a doença celíaca que começou a evitar o glúten também aumentou nos últimos anos, em parte devido à crença de que esta proteína pode ter efeitos prejudiciais para a saúde.

Apesar da crescente tendência das dietas com pouco glúten ou sem este, nenhum estudo a longo prazo avaliou a relação desta proteína com o risco de doenças crónicas, como a doença arterial coronária, em pessoas que não sejam celíacas.

Uma equipa de investigadores dos Estados Unidos decidiu analisar a associação a longo prazo da ingestão de glúten com o desenvolvimento da doença arterial coronária e analisou dados de 64.714 mulheres e 45.303 homens profissionais da saúde sem historial da doença. Estes preencheram um questionário alimentar detalhado em 1986, que foi atualizado a cada quatro anos até 2010.

O consumo de glúten e o desenvolvimento da doença arterial coronária foi acompanhado durante os 24 anos. Depois do ajuste dos fatores de risco conhecidos, não foi encontrada uma associação significativa entre a ingestão da proteína e o risco subsequente da doença.

Os autores dizem que este é um estudo de observação, portanto não podem ser retiradas conclusões de causa-efeito.

Ainda assim, concluem que as suas descobertas “não apoiam a promoção de uma dieta de restritção do glúten com o objetivo de reduzir o risco da doença arterial coronária” e que “a promoção de dietas sem glúten com a finalidade de prevenção [dessa] doença entre pessoas sem a doença celíaca não deve ser recomendada”.

LUSA

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