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Espetáculo com ‘robertos’ e fado representa Portugal na China

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“É um espetáculo em que juntámos três tradições numa só. Temos a tradição dos ‘robertos’ e, a estas marionetas tipicamente portuguesas, juntámos a viola campaniça, que é tradicional do Alentejo, e o fado, característico de Lisboa e do país”, realçou hoje à agência Lusa Manuel Costa Dias, da companhia TRULÉ.

A peça ‘Uma Tourada dos Diabos’, que junta a companhia TRULÉ e a associação cultural É Neste País, de Évora, vai ser a representante de Portugal, a partir de sábado e até ao dia 24 deste mês, num festival promocional de teatro de marionetas para grupos chineses, na cidade de Langzhong.

Segundo Manuel Costa Dias, trata-se da sétima edição do National Puppetry and Shadow Art Inheritance Showcase by Young and Mid-aged Puppeteers and International Forum on Inheritance and Contemporary Development of Puppetry and Shadow Art.

“É um festival que promove os grupos de teatro de marionetas de sombras da China e, este ano, apenas foram convidados a participar cinco grupos estrangeiros”, dos quais o TRULÉ “é um deles”, acompanhado pela associação É Neste País, explicou.

O marionetista alentejano referiu que os grupos chineses “são muito bons” nas marionetas “de sombras, de luva e de varão”, mas “não têm muita experiência” em relação “ao que se faz fora do país”.

Por isso, continuou, a organização pretende mostrar a esses grupos, “alguns dos quais estão agora a iniciar-se nesta atividade, gente de outras partes do mundo que também faz marionetas, mas de formas diferentes e proveniente de culturas diferentes”.

No espetáculo escolhido para mostrar na China, Manuel Costa Dias contou que vai “estar dentro de uma barraquinha” a manipular os “robertos”, tradicionais marionetas portuguesas de luva, mas, fora do “palco”, há duas inovações.

“Cá fora, vão estar dois músicos, o António Bexiga, a tocar a viola campaniça, e o Nuno do Ó, a tocar viola e a cantar fado”, assinalou, referindo tratar-se de um espetáculo relativamente novo, mas que “já anda por aí”, a ser também promovido por Portugal.

Segundo a companhia alentejana, esta vai ser a sexta deslocação do TRULÉ a festivais internacionais realizados em território chinês.

Esta participação tem apoios da Fundação Oriente, Fundação Stanley Ho, Embaixada de Portugal em Pequim, Direção Regional de Cultura do Alentejo – Ministério da Cultura e União de Freguesias de Évora.

LUSA

 

Morreu fadista Celeste Rodrigues com 95 anos

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“É com um enorme peso no coração, que vos dou a notícia da partida da minha Celestinha, da nossa Celeste. Hoje deixou uma vida plena do que quis e sonhou, amou muito e foi amada, mas acima de tudo, foi a pedra basilar da nossa família, da minha mãe, da minha tia, dos meus irmãos, sobrinhos e filhos, somos todos orgulhosamente fruto do ser humano extraordinário que ela foi”, escreveu Diogo Varela Silva na rede social Facebook, remetendo para mais tarde informações adicionais.

Nascida no Fundão, em 14 de março de 1923, a irmã de Amália Rodrigues iniciou a carreira há 73 anos, ao aceitar o convite feito pelo empresário José Miguel (1908-1972), detentor de vários teatros e casas de fado, entre os quais o Café Casablanca. Do seu repertório constam, entre outros temas, ‘A Lenda das Algas’ e o ‘Fado das Queixas’.

[Notícia em atualização]

LUSA

China: Cuca Roseta em exibição rara de fado esgota bilhetes numa hora

Acompanhada de três guitarristas, Cuca Roseta interpretou durante cerca de hora e meia um alinhamento que alternou entre temas tradicionais, como “Estranha Forma de Vida”, e outros mais dinâmicos, como “Marcha da Esperança”.

“O meu fado não é propriamente ligado à tristeza”, comentou a fadista antes do espetáculo. “O fado é um reflexo do que nós somos: eu sou uma pessoa positiva, que agarra a tristeza e vê o lado bom da vida”, explicou.

O concerto decorreu na sala de espetáculos da Qinghua, considerada a mais prestigiada universidade chinesa, localizada no norte de Pequim, e onde se formou o atual Presidente chinês, Xi Jinping, e o seu antecessor, Hu Jintao.

Estabelecido em 1911, o campus da Qinghua foi construído a partir de um antigo jardim imperial do século XVIII, preservando os lagos, espaços verdes e edifícios centenários. A universidade tem mais de 25.000 estudantes, segundo o seu ‘site’ oficial.

Lá fora, a temperatura ultrapassava os vinte graus, anunciando o início da primavera em Pequim.

“Fantástico”, afirmou no final do concerto uma professora chinesa, que ouviu fado pela primeira vez numa visita recente a Portugal. “A sua música transmite tristeza e força”, disse.

Mas havia também quem fosse pesquisando pelo termo ‘Faduo’ (fado, em chinês) no Baidu – o principal motor de busca na China -, revelando o exotismo daquele género musical entre a plateia.

“Comparado ao flamenco, por exemplo, o fado é ainda desconhecido do público chinês”, comentou uma jornalista chinesa.

Tratou-se do segundo espetáculo de fado organizado numa universidade chinesa, depois de em 2014 a fadista Liana ter atuado na Beijing Language and Culture University (BLCU), também em Pequim.

Colocados à venda há duas semanas, os bilhetes para o concerto de Cuca Roseta, com um custo de 100 yuan (quase 13 euros), esgotaram numa hora.

Cuca Roseta já tocou em África, Américas e Europa, mas o concerto de domingo foi a sua estreia na Ásia.

“Os estrangeiros não percebem a nossa língua, mas sentem a nossa música”, disse. “Porque somos muito calorosos e muito intensos e afetivos, passamos isso através da música: o fado transmite essas emoções sem fronteira e sem língua”.

LUSA

Carlos do Carmo interrompe atuação para ensinar o público como se ouve fado

Durante a sua atuação na gala em direto do The Voice Portugal, Carlos do Carmo pára de cantar quando o público começa a acompanhar a sua atuação com palmas. “O fado é uma tradição oral que não se acompanha a palmas. Canta-se e ouve-se. Desculpem lá. Ouvir palmas lembra-me o rock e eu não sou cantor de rock. Está bem? Ficamos assim”, explicou o fadista.

Presidente da República inaugura exposição “Amália: Saudades do Brasil”

A exposição “Amália: Saudades do Brasil” é inaugurada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, este sábado pelas 15:30 locais, na sala Fernando Pessoa, no Consulado-Geral de Portugal em São Paulo.

A mostra visa dar “a conhecer a relação de Amália Rodrigues com o Brasil, a importância deste país na construção da sua presença no mundo”, segundo um comunicado da organização.

Amália Rodrigues (1920-1999) deslocou-se várias vezes ao Brasil, onde gravou discos pela primeira vez, e onde criou, entre outros, o “Fado Xuxu” e “Ai Mouraria”, ambos de Amadeu do Vale e Frederico Valério, e gravou o seu primeiro poema, “Corria atrás das cantigas”, no Fado Mouraria.

A exposição “dá a conhecer a relação de Amália Rodrigues com o Brasil, a importância deste país na construção da sua presença no mundo e a influência que a artista teve e continua a ter nas novas gerações de criadores, não só na área da música como também nas artes visuais”.

A mostra inclui cartazes, o fato da estreia de Amália no Casino de Copacabana, em 1944, as partituras de “Ai Mouraria”, e ainda “inúmeros registos inéditos de som e imagem e obras dos artistas contemporâneos Vik Muniz e Francesco Vezzolli inspiradas na diva do fado”, e estará patente em S. Paulo, até dia 26 de agosto.

No âmbito da exposição e numa parceria entre as editoras Valentim de Carvalho e Biscoito Fino, iniciar-se-á a edição da discografia de Amália Rodrigues no Brasil.

O título da exposição remete para uma composição de Vinicius de Moraes, “Saudades do Brasil em Portugal”, composta para a voz de Amália, e que a gravou em dezembro de 1969, quando o criador brasileiro visitou a fadista na sua casa em Lisboa, e ali se realizou uma tertúlia, em que entre outros, participaram Natália Correia, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos.

A mostra descreve a trajetória da cantora desde a sua chegada ao Brasil em 1944, para a sua primeira digressão internacional, até aos seus últimos recitais nos anos 1990, passando pelos seus primeiros discos, em 1945; pelo filme “Vendaval maravilhoso” (1949), de Leitão de Barros, sobre o poeta brasileiro Castro Alves; pelas suas inúmeras atuações nas rádios e televisões brasileiras; ou até pela participação numa telenovela da TV Record em 1971, “Os deuses estão mortos”.

Pesquisou no Google ontem? A senhora a tocar guitarra é a portuguesa que criou o fado

Maria Severa Onofriana nasceu há exatamente 196 anos, motivo pelo qual o Google a homenageou com um doodle. É considerada a fundadora no fado, mas pouco de sabe acerca da sua vida.

De acordo com os registos de batismo, Severa nasceu na Rua da Madragoa (atual Rua Vicente Borga Nº33). Cresceu nos bairros pobres lisboetas e, tal como a sua mãe, tornou-se prostituta para ganhar a vida. Com a sua voz e beleza, animava as noites da cidade de Lisboa.

Ganhou fama devido aos seus amantes conhecidos, entre os quais o Conde de Vimioso (D. Francisco de Paula de Portugal e Castro). Por causa disso, participou em diversos eventos sociais, levando o fado aos aristocratas.

O poeta Bulhão Pato, que a conheceu pessoalmente, deixou o seguinte testemunho: “A pobre rapariga foi uma fadista interessantíssima como nunca a Mouraria tornará a ter! Não será fácil aparecer outra Severa altiva e impetuosa, tão generosa como pronta a partir a cara a qualquer que lhe fizesse uma tratantada! Valente, cheia de afectos para os que estimava, assim como era rude para com os inimigos. Não era mulher vulgar, pode ter a certeza.”

Maria Severa também não passou despercebida ao escritor Júlio Dantas. Em 1901, publicou “A Severa”, que tem como figura central a fadista, dando-lhe ainda mais fama. Mais tarde, em 1931, o livro foi adaptado ao cinema e “A Severa” foi o primeiro filme sonoro português.

Maria Severa Onofriana morreu de tuberculose a 30 de novembro de 1846, aos 26 anos, num bordel na Rua do Capelão. Consta que as suas últimas palavras foram “Morro, sem nunca ter vivido”.

O doodle surge na sequência do protocolo assinado pelo Google Cultural Institute e pelo Museu do Fado, que permitirá a disponibilização de várias exposições temáticas a partir do espólio do Museu, que se junta agora ao maior acervo digital de arte do mundo.

Maria Armanda com novo álbum após ausência de mais de 20 anos

“Decidi que não gravava, tendo que ser eu, enquanto artista, a suportar todos os custos, pois as editoras – e eu até as compreendo -, não arriscam, para os discos ficarem nas prateleiras, mas tive imensa gente a dizer que era um horror não voltar a gravar, muitos amigos, e os músicos, e lá me decidi, tendo entretanto contado com o Museu do Fado, que patrocinou, e gravei”, afirmou à Lusa a criadora de ‘Os loucos’.

“Tenho a certeza de que não gravava há mais de 20 anos, as últimas coisas que gravei ainda eram do Ary dos Santos”, disse a criadora de ‘Rio Tejo de Lisboa’, com uma carreia de cerca de 50 anos.

De José Carlos Ary dos Santos, recupera neste CD ‘Mãe solteira’ e ‘Fado mulher’, ambos musicados por Nuno Nazareth Fernandes.

Para a fadista, ‘Mãe solteira’ (1982) é o seu “cartão-de-visita, que ainda hoje” lhe pedem para cantar nos espetáculos.

“Acontece porém, que já não o canto da mesma maneira, já tenho outra maturidade, e como o gravei a primeira vez acompanhada pelo Conjunto do Shegundo Galarza, quis agora gravá-lo à guitarra e à viola”, disse.

Para a fadista, “o fado vive da força da interpretação, e nunca é cantado da mesma maneira”.

“Passado um tempo, o mesmo fado é cantado de outra maneira, dou outras voltas, que não tinha dado antes, e hoje canto-o de uma maneira diferente da que cantava. Este é um dos grandes encantos e fascínios que o fado tem: nunca é igual”, sentenciou.

“Ary e Mário Rainho foram os dois poetas que mais cantei”, disse a fadista. De Rainho canta neste CD quatro temas, um deles, ‘Voz d’Amália’, com música de João Vasconcelos, da última revista em que participou, “Tem a palavra revista” (2001).

Também deste poeta, distinguido em 2006 com o Prémio Amália, Maria Armanda gravou ‘Amar assim’, no Fado Alcântara, de Raul Ferrão, ‘Lençóis de lua’, com música de José Fontes Rocha, e ‘Até logo, meu amor’, que interpreta no Fado Versículo, de Alfredo Marceneiro.

“O Mário Rainho foi uma das pessoas que me incentivou a gravar”, realçou a fadista, referindo que é um poeta que a conhece bem e com o qual tem “uma grande cumplicidade”.

“Habitualmente, o Mário Rainho fazia parceria com Fontes Rocha, que faleceu em 2011, e daí nos inéditos termos optado por fados tradicionais, como o Alcântara ou o Versículo”, afirmou.

Referindo-se ao fado ‘Amar assim’, a intérprete reconheceu que “houve coisas difíceis de encaixar, mas está bem defendido”.

Outro poeta que canta é João Dias, ‘Cantar perfeito’, na melodia do Fado Licas, de Armando Machado, um poema que lhe foi entregue por Mário Rainho.

“O João Dias, que já morreu, é um poeta extraordinário, muito cantado pelo Rodrigo, essencialmente, e também pela Beatriz da Conceição”, referiu.

Maria Armanda, de 73 anos, gravou de outros repertórios, ‘És livre’ (Alves Coelho filho), uma criação de Hermínia Silva, “por sugestão dos músicos”, “A rir e a brincar”, de Fernando Farinha, de autoria do próprio com música de Miguel Ramos, e ainda, ‘Saudade, silêncio e sombra’, criação de Teresa Tarouca (Nuno de Lorena e Pedro Rodrigues).

Não é a primeira vez que Maria Armanda recria temas de outros repertórios, nomeadamente quando fez parte do grupo Entre Vozes, com Maria da Fé, Lenita Gentil e Alexandra, e com o qual gravou três álbuns, e Quatro Cantos, constituído por si, António pinto Bastos, Teresa Tapadas e José da Câmara.

Maria Armanda tornou-se conhecida em 1967, quando participou na Grande Noite do Fado de Lisboa, e estreou-se discograficamente no ano seguinte com o EP ‘O meu soldadinho’. Publicou o seu primeiro álbum em 1972.

Em 1979 estreou-se na revista, no extinto Teatro Laura Alves, em Lisboa, seguindo-se várias revistas no Parque Mayer, onde foi atração nacional.

Este novo álbum, editado pela CNM, em que é acompanhada, à guitarra portuguesa, por Luís Petisca e, à viola, por Armando Figueiredo, sucede a ‘Pedrito Portugal’, editado em 1995.

Celeste Rodrigues e Nathalie estreiam-se na Grande Gala do Fado

Os fadistas Camané, Carlos do Carmo, Gisela João, Celeste Rodrigues, Raquel Tavares, Ricardo Ribeiro e Nathalie atuam esta terça-feira na 15.ª Grande Gala do Fado, em homenagem a Carlos Zel, no Casino Estoril, nos arredores de Lisboa.

Nathalie, de 29 anos, que estreou em março o álbum “Fado além”, e Celeste Rodrigues, de 93 anos, criadora de êxitos como “A lenda das algas”, estreiam-se neste evento, que, segundo a organização, junta “diferentes gerações de intérpretes, num ambiente intimista”, sendo todos os fadistas acompanhados por José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença, na viola, e Daniel Pinto, na viola baixo.

A Grande Gala Carlos Zel, no salão preto e prata do casino, é uma homenagem ao fadista falecido em fevereiro de 2002, que foi responsável, desde novembro de 2000, pelas “Quartas de Fado” no Casino.

Carlos Zel pisou os palcos durante cerca de 30 anos. Iniciou a carreira em 1967 e editou cerca de três dezenas de discos, entre álbuns e EP. O último álbum foi editado postumamente, em 2010, e recuperava gravações feitas durante o ciclo de espetáculos dirigido pelo fadista no extinto Wonder Bar, no Casino, entre 2000 e 2002.

“A 15.ª Grande Gala do Fado-Carlos Zel reúne diferentes gerações, conciliando alguns dos mais carismáticos nomes do meio fadista com outros jovens talentos já com créditos firmados no panorama nacional”, atesta a Estoril Sol.

Tanto Camané como Ricardo Ribeiro venceram duas grandes noites do fado de Lisboa, em juniores e seniores, e os dois fadistas receberam, por mais de uma vez, um Prémio Amália.

Camané editou, há cerca de um ano, o álbum “Infinito Presente”, no qual canta dois fados de autoria do seu bisavô, José Júlio Paiva, e um inédito de Alain Oulman, com letra de Manuela de Freitas, “A correr”, entre outros temas.

Ricardo Ribeiro editou este ano “Hoje é assim, amanhã não sei”, em que, entre outros fados, interpreta “Nos dias de hoje”, com letra e música de Tozé Brito, e “Portugal”, um poema de Mário Raínho, que interpreta no Fado de João Maria dos Anjos.

Gisela João foi distinguida com os prémios José Afonso e Revelação Amália Rodrigues, ambos em 2014, e participou nesta gala no ano passado.

Carlos do Carmo, de 76 anos, criador de temas como “Canoas do Tejo”, “Por morrer uma andorinha”, “Pontas soltas” ou “Os putos”, é o único artista português distinguido com um Grammy Latino Carreira (2014).

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