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“Perdoem-me as mulheres, não tenho razão de queixa”

É doutorada em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, docente na FEUP, investigadora sénior do INESC no Porto e desde 2009, Presidente do Conselho Diretivo do Laboratório Nacional de Energia E Geologia (LNEG). É uma mulher das geociências e das engenharias. O que a fascina nestes dois mundos?

Para completar a minha apresentação devo acrescentar que também fui vice-presidente e presidente em exercício entre 2004 e 2009 do ex-INETI, cujas competências em Energia e Geologia transitaram para o LNEG. Saliento este facto, pois a gestão desta transição foi particularmente exigente.

Sou engenheira e nunca teria a veleidade de dizer que detenho competências nas geociências, mas aprendi muito sobre esta área científica, principalmente a perceber e valorizar a importância das Ciências da Terra. Esta área científica combina de forma sistematizada os conhecimentos da física, da geografia, da matemática, da química e da biologia. É interdisciplinar e produz o conhecimento necessário para um adequado ordenamento do território e para aumentar o conhecimento sobre os recursos geológicos. É uma área pilar para garantir a segurança do cidadão e impulsionar a economia. O LNEG é o Serviço Geológico Nacional e, neste momento, sou presidente dos Serviços Geológicos da Europa, EuroGeoSurveys.

Quais as principais alterações que o cargo de Presidente do LNEG implicaram na sua vida? 

Ter uma vida muito menos presente junto da família, estar mais distante da minha carreira como docente universitária, mas em simultâneo permitir-me um conhecimento alargado e uma maior abertura ao que se passa pelo mundo, principalmente nas nossas áreas de trabalho. Ser mais gestora da investigação do que praticante. Ter um pouco de mundo ajuda na clarividência.

Aprendi a importância de constituir boas redes de trabalho e saber partilhar o conhecimento. A adequada partilha é a base do sucesso.

Tanto a engenharia como a ciência foram campos que sofreram inúmeras mudanças ao longo dos anos. Qual o momento mais desafiante da sua carreira e porquê? 

Transformar o LNEG numa instituição capaz de ombrear com os melhores da Europa e do Mundo. Para isso foi necessário mudar a forma como se faz investigação e mudar mentalidades muito enraizadas. Foi necessário investir na internacionalização através da participação ativa em redes de referência como a European Energy Research Alliance ou os EuroGeoSurveys. Foi fundamental criar novas regras de avaliação da atividade necessariamente alinhada com a missão, quer nacional quer europeia. Só o que medimos existe e tudo que se faz no LNEG implica a estimação do impacto para a sociedade e para as políticas públicas.

Ter papel ativo na Energy Transition de que tanto se fala na Europa e no Mundo, em particular nos países da OCDE, tem sido muito gratificante e demonstrativo de que o LNEG segue a trajetoria correta.

Somos uma instituição repositório de uma enorme quantidade de informação, quer na geologia quer na energia. Tem sido uma preocupação constante trabalhar essa informação de modo a colocá-la em estado de prontidão para as necessidades da sociedade.

Em algum momento do seu percurso profissional, o facto de ser mulher, foi um entrave?

Já tive um episódio, no início da minha carreira, em que o facto de ser jovem e mãe prejudicou abraçar um novo desafio. No entanto, não posso afirmar com segurança que esse caminho fosse melhor do que o que segui mais tarde.

Terão as mulheres de se destacar de forma diferente dos homens para que sejam valorizadas no mundo laboral?

Sempre vivi num mundo predominantemente masculino. Primeiro porque o meu curso era pouco escolhido por mulheres, cuja tendência, apesar de mais atenuada, ainda continua. O meu mundo laboral sempre foi altamente masculino, perdoem-me as mulheres, não tenho razão de queixa.

O que considera necessário para se conseguir construir uma carreira sólida e bem-sucedida?

Observar o mundo à nossa volta. Construir parcerias sólidas e criar as condições para trabalhar em rede.

Ter a humildade e a consciência de que não sabemos tudo, que é preciso apostar no aumento do conhecimento institucional. Investir na aprendizagem permanente principalmente das equipas que nos rodeiam.

Saber ouvir sem preconceitos, mas ter uma enorme perseverança na persecução dos objetivos.

Criar equipas de confiança. Sozinhos não conseguimos chegar, os bons resultados são sempre o fruto de um trabalho de equipa.

Saber delegar e acreditar na capacidade dos outros e ter tolerância ao erro.

Curso de Engenharia Química da Feup distinguido com Selo de Qualidade Europeu

A EUR-ACE é uma marca europeia de qualidade, cujo sistema de avaliação tem por base um conjunto de requisitos que distinguem os cursos de engenharia de alta qualidade na Europa e no mundo. Sinteticamente, o que está em causa com esta acreditação?

IMG_9603Luís Miguel Madeira (LM) Participei e colaborei no processo que permitiu a acreditação do curso, em 2012, sendo na altura o diretor do curso o Professor José Miguel Loureiro. Esta acreditação é um selo de qualidade para toda a comunidade envolvente: para os estudantes, para as empresas e entidades empregadoras, para as organizações profissionais e entidades de acreditação, para os docentes e instituições universitárias, mas, sobretudo, é um selo de qualidade e de distinção para o mercado nacional, europeu e internacional. É um reconhecimento da qualidade que o Mestrado Integrado em Engenharia Química oferece na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.IMG_9564

José Miguel Loureiro (JL) Na sequência do processo de Bolonha as instituições europeias acharam que deveria haver um sistema que permitisse aos estudantes fazerem parte do seu curso numa universidade de um país diferente. Para isso tinha de haver universidades acreditadas que permitissem que os estudantes tivessem a sua carta de curso válida em toda a Europa. Para tal, também foram criados os ECTS (European Credit Transfer System), o sistema de créditos no qual nos baseamos atualmente. É um sistema centrado no estudante que permite acumular e transferir créditos académicos de uma universidade para outra instituição fora do país. Com o sistema ECTS e com as acreditações a nível europeu tudo se tornou mais fácil, e com o devido reconhecimento. 

Para além dos requisitos educacionais, a atribuição contempla também a opinião dos vários intervenientes do processo como os estudantes. Quais são os maiores benefícios deste selo de qualidade?

LM Este selo apresenta vantagens não só no que diz respeito à mobilidade dos nossos estudantes durante o mestrado integrado, mas também para atrair estudantes, e sobretudo, em termos profissionais. É dada a garantia de que um curso que é acreditado vai cumprir com os padrões europeus e internacionais e as empresas reconhecem essa qualidade. Os estudantes quando escolhem o nosso curso sabem que, mais tarde, a abertura ao mercado de trabalho é maior. Por outro lado, verão o processo simplificado aquando da candidatura a outros programas de mestrado ou doutoramento acreditados.

JL Estando nós na União Europeia este selo de qualidade é importante para a mobilidade dos nossos estudantes, para quem o mercado de trabalho não é exclusivamente Portugal. É importante esta acreditação para se abrirem portas, não só na Europa, mas a nível internacional, aos nossos estudantes.  

A FEUP é já uma entidade de renome, com esta qualificação que patamar podemos considerar que a instituição alcançou, quer a nível nacional quer a nível internacional?

LM A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto orgulha-se em ser a primeira instituição portuguesa com todos os cursos de mestrado integrado em engenharia reconhecidos pelo ENAEE (European Network for Accreditation of Engineering Education) através da atribuição da Marca de Qualidade EUR-ACE.

JL O curso de Engenharia Química foi o segundo a receber este selo, tendo sido o primeiro o curso de Engenharia Mecânica. A avaliação do MIEQ teve lugar em 2012 e a certificação é válida por um período de seis anos, até 2018. A partir daí os restantes cursos de Mestrado Integrado (e Mestrado em Engenharia de Minas e Geo-Ambiente) da FEUP candidataram-se ao EUR-ACE e, neste momento, são todos acreditados (dez no total). 

O EUR-ACE atribui o selo depois de reconhecidos e validados os critérios. Que critérios são esses? E em que áreas?

JL Em Portugal, a entidade emissora deste selo de qualidade europeu às instituições académicas é a Ordem dos Engenheiros, devidamente credenciada pela ENAEE. Há um guião de avaliação que abrange vários itens, entre eles as competências que são geradas no curso, ou seja, o conhecimento e a compreensão, a análise de engenharia, o projeto de engenharia, a investigação, a prática de engenharia e as competências transferíveis, entre outros. Todos estes itens são avaliados, quer por documentação que fazemos chegar através de um relatório, quer por uma comissão da Ordem dos Engenheiros que visita a instituição e faz um pré-relatório, o qual é comentado pelo diretor do curso e, posteriormente, (desejavelmente) aprovado com a atribuição da Marca de Qualidade EUR-ACE durante um período renovável, que no caso do MIEQ foi de seis anos.

LM Nem todos os cursos são acreditados e nem todos os cursos são acreditados pelo mesmo período. A partir do relatório do curso e dos pareceres surge uma série de recomendações, algumas para serem implementadas no imediato e outras a médio/longo termo. Este fator acaba por se revelar numa forma de aferir a qualidade do curso, que tentará implementar essas recomendações para uma renovação da candidatura ao selo de qualidade.

Dos critérios anteriormente referidos posso dar o exemplo da investigação. Quando falamos da oferta de um curso de mestrado integrado de cinco anos, a componente de investigação tem de estar associada ao ensino. Só se pode evoluir no ensino se houver um acompanhamento nas matérias que são lecionadas a par do que se faz de novo em termos de investigação. E este é, claramente, um departamento forte em termos de investigação. Para ter uma ideia, podemos dizer que no ranking de Shanghai deste ano a Engenharia Química da Universidade do Porto ficou classificada no 29º lugar a nível mundial (!). Está, ainda, no sétimo lugar a nível europeu e é a melhor a nível nacional. 

Especificamente, o que/quem é avaliado?

JL Para além do programa curricular e do corpo docente também são avaliadas as próprias instalações da faculdade, as instalações do departamento, desde os laboratórios aos gabinetes e salas de aula, bem como as infraestruturas como a biblioteca, a rede informática ou, ainda, as atividades extracurriculares que a faculdade fornece aos seus estudantes. Estamos aqui para formar pessoas e profissionais, por isso mesmo tudo é alvo de avaliação.

LM Além disso, a avaliação que os próprios estudantes fazem dos docentes, através de inquéritos pedagógicos de forma anónima, também entra nos critérios para a acreditação.

Todos estes critérios são importantes e têm contribuído bastante para a questão da internacionalização. Temos parcerias e  acordos com diversas e prestigiadas instituições espalhadas pelo mundo que têm permitido a mobilidade dos estudantes, quer seja a partir da nossa faculdade para outras instituições, ou a partir de outras universidades para a FEUP. Estamos a falar por exemplo do programa Erasmus Estudos e, mais recentemente, do programa Erasmus Estágios, que permite aos estudantes, no 5º ano do curso, fazer a sua dissertação num ambiente empresarial em empresas espalhadas pela Europa. São programas com uma adesão cada vez maior, por parte dos estudantes, de universidades de referência e de empresas de renome no espaço europeu.

Podíamos dar-lhe mais exemplos, mas este em particular ilustra bem o reconhecimento europeu da qualidade oferecida no MIEQ e na FEUP.

A Ciência e a Inovação

Até ao próximo 15 de agosto estão abertas as candidaturas para a 3.ª edição do “Nanomedicine Award 201723”. Destinado a académicos e investigadores privados de todo o mundo, este concurso, organizado pela European Technology Platform for Nanomedicine e o ENATRANS, premiará duas soluções inovadoras baseadas em nanomedicina. O que pode ser dito sobre este concurso?

Este prémio visa promover e divulgar soluções nanotecnológicas inovadoras para aplicações em medicina, que possam trazer no futuro benefícios significativos para as pessoas. Por isso, espera-se que a nanomedicina tenha um impacto muito positivo para a sociedade oferecendo cuidados de saúde melhores, mais eficientes e acessíveis. A nanomedicina tem ainda o potencial de oferecer soluções promissoras para muitas doenças que não têm soluções terapêuticas eficazes, como por exemplo, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson. As aplicações da nanotecnologia em medicina são especialmente promissoras nas áreas de diagnóstico e controlo da doença através do desenvolvimento de nanosensores, e de medicamentos inovadores com o desenvolvimento de sistemas de libertação controlada de fármacos em locais específicos do corpo humano. Alguns destes produtos já chegaram ao mercado e muitos outros estão em ensaios clínicos. Este tipo de iniciativas são sempre bem-vindas porque funcionam como um estímulo e permite que os investigadores sistematizem o seu trabalho de investigação e que reflitam no potencial de inovação que a sua investigação poderá ter para uma aplicação mais dedicada que poderá ter como consequência um benefício para a sociedade. A FEUP, através do LEPABE, é membro da European Technology Platform for Nanomedicine e irá naturalmente apresentar uma candidatura com uma solução inovadora de um nanotransportador de fármacos funcionalizado capaz de atravessar as membranas celulares e libertar fármacos que de outro modo não chegariam ao interior das células. Este nano-sistema está muito direcionado para as doenças degenerativas e tumores cerebrais.

Qual a importância da engenharia química na nanotecnologia?

Considerando o desenvolvimento da nanotecnologia em várias áreas como as nanopartículas, materiais nanoestruturados e nanodispositivos, a abordagem é fundamentalmente multidisciplinar, sendo necessários conhecimentos de química, de física, de ciência dos materiais, de biologia molecular e ciências da computação, entre outros. Contudo, os grandes avanços na nanotecnologia devem-se à inovação em engenharia, desempenhando a engenharia química um papel importante na interação das estruturas moleculares com as propriedades dos materiais, a sua estabilidade, o seu comportamento de libertação controlada, entre outros. Um dos desafios grandes da engenharia química nesta área é a passagem dos processos à macroescala para a micro e nanoescala.

Com uma formação técnico-científica sólida, os alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) são “formados para a competitividade”. É importante, igualmente, para o departamento, formar investigadores e contribuir para o desenvolvimento de uma força de trabalho qualificada para a indústria da nanotecnologia?

A “indústria da nanotecnologia” é nada mais que a aplicação dos processos nanotecnológicos a diversas áreas, que vão desde a indústria química, alimentar, farmacêutica, materiais biomédicos, comunicações, transportes, electrónica, entre outros. O Departamento de Engenharia Química (DEQ) da FEUP encontra-se ativamente envolvido na investigação e desenvolvimento da nanotecnologia, através do ensino ao nível dos mestrados Integrados em Engenharia Química e Bioengenharia, através da formação pós-graduada nos Programas Doutorais de Engenharia Química e Biológica e de Engenharia da Refinação, Petroquímica e Química, bem como através da investigação enquadrada nas três unidades de investigação a desenvolver trabalho no departamento: (1) LA LSRE-LCM – Laboratório Associado – Laboratório de Processos de Separação e Reação e Laboratório de Catálise e Materiais , (2) LEPABE – Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia e (3) CEFT – Centro de Estudos de Fenómenos de Transporte. O DEQ apoia o trabalho realizado nas unidades de investigação, através da disponibilização dos espaços e outros recursos, sendo as orientações estratégicas da responsabilidade de cada uma. Incentiva contudo as unidades de investigação a desenvolverem trabalho colaborativo de excelência e apoia todas as ações de transferência de tecnologia e capacitação de recursos humanos altamente qualificados na indústria. O reconhecimento internacional do DEQ pode ser comprovado “por exemplo” através da recente publicitação do ranking de Shangai, em que a Engenharia Química da Universidade do Porto se posiciona num honroso 29ª lugar a nível mundial, sendo aliás a única universidade portuguesa na área da engenharia química que está no top 100-mundial.

O Departamento de Engenharia Química da FEUP é um departamento de Investigação e Desenvolvimento e pauta-se pela componente de inovação tecnológica. Que projetos ou soluções inovadoras, cuja aplicação nanotecnologia está presente, podem ser mencionados?

As unidades de investigação do DEQ encontram-se a desenvolver alguns projetos na área da nanotecnologia. Especificamente no domínio da saúde, o LEPABE apresenta uma linha de investigação na área de estruturas supramoleculares, tendo particular relevância a sua aplicação à saúde. A equipa de investigação da Professora Maria do Carmo Pereira dedica-se ao desenvolvimento de novos sistemas de libertação controlada de fármacos para cancro, aplicação de nanopartículas de ouro para diagnóstico e tratamento de cancro, e desenvolvimento de imunossensores para a detecção de doenças neurodegenerativas. Esta equipa vai concorrer ao prémio “Nanomedicine Award 2017” com um nanotransportador de fármacos que poderá revolucionar a administração de drogas para o cérebro. Os testes em animais já se encontram a decorrer em colaboração com a Universidade do Texas, especificamente com a Health Science School at Houston. No LA LSRE-LCM foi desenvolvida pela equipa dos professores Madalena Dias e José Carlos Lopes a tecnologia NETmix, um reator micro-meso-estruturado que permite a produção industrial, em contínuo de materiais nanoparticulados de uma forma controlada e reprodutível. Com base nesta tecnologia foi criada em 2005 a empresa Fluidinova (fluidinova.pt) que se dedica à produção de hidroxiapatite nano cristalina, um produto biocompatível usado em substitutos ósseos e cuidados dentários.

O LCM, liderado pelo professor José Luís Figueiredo, apresenta ainda uma experiência consolidada em materiais nanoestruturados de carbono, nomeadamente como catalisadores para a indústria da química fina e para o tratamento de águas contaminadas, particularmente com substâncias de preocupação emergente (fármacos, produtos de higiene e cuidado pessoal, etc.). Os nanomateriais de carbono estão ainda a ser usados em têxteis inteligentes e funcionais, e no desenvolvimento de nanosistemas híbridos para aplicações biomédicas, incluindo nanopartículas magnéticas para teranóstica, e enzimas imobilizadas em nanotubos de carbono. O CEFT tem desenvolvido investigação ao nível da microfluídica, particularmente dos micro escoamentos com fluidos biológicos, como o sangue, e análise da deformação de micropartículas e células biológicas, tendo até sido distinguido com uma bolsa de um milhão de euros atribuída em 2012 pelo European Research Council ao Doutor Manuel Alves, para o estudo de escoamentos de fluidos complexos e dos mecanismos que induzem instabilidades e turbulência elástica em escoamentos microscópicos.  Foi a primeira Starting Grant atribuída na área de engenharia, em Portugal. O trabalho do CEFT em microfluídica tem aplicação no desenvolvimento de novos testes médicos, nomeadamente detecção de bactérias patogénicas, estudo de doenças cardiovasculares e diagnóstico de doenças como a malária.

A nanotecnologia é o futuro? Poderá resultar numa revolução industrial?

A nanotecnologia teve um impacto completamente revolucionário nas áreas da electrónica, optoelectrónica e nas tecnologias de informação e comunicação. Na área da nanomedicina podemos considerar que o número dispositivos nanotecnológicos que passaram para produção industrial e respectiva comercialização é ainda limitado. Na área da nanomedicina podemos dizer que os avanços são mais evolutivos do que propriamente revolucionários. A justificação para este facto está relacionado com o facto de o ser humano ser caracterizado como um “sistema complexo”.

A nanotecnologia também pode apresentar riscos?

Devemos ter algumas preocupações relativamente aos riscos ambientais associados à produção e à utilização dos nanomateriais. Estes riscos podem ser minimizados através de processos de produção adequados mais amigos do ambiente e legislação dedicada. Desta forma, reduz-se significativamente a exposição humana aos nanomateriais e à sua disseminação no ambiente.

LSRE - José Carlos Lopes

Manuel Alves, Micro-Escoamento em fluidos biológicos

LEPABE_4 - Maria do Carmo Pereira

Maria do Carmo Pereira, Nanotransportadores de fármacos

CEFT_4-Manuel Alves

José Carlos Lopes, Net-Mix para produção de materiais nanoestruturados

 

Sistema GPS criado no Porto permite orientar em espaços interiores através do som

O Audio-GPS é um sistema parecido com o que existe ao ar livre, “mas em espaços sem vista para o céu”, onde as pessoas passam cerca de “90% do seu tempo”, indicou à Lusa João Moutinho, um dos responsáveis pela aplicação.

Este sistema GPS permite marcar a posição de espaços num mapa interior, avisar os utilizadores sobre existência de promoções numa determinada loja e dar indicações de acessibilidade a pessoas cegas, fornecendo informações que as ajudem na sua movimentação, por exemplo.

De acordo com o jovem, os dispositivos existentes no mercado são, por vezes, “caros” e “difíceis de adotar”, indicando ser esse um dos motivos pelos quais muitas pessoas não conhecem as aplicações para localização em espaços interiores.

O Audio-GPS é, segundo João Moutinho, “uma solução económica” visto que, por norma, as infraestruturas dos espaços públicos já têm os altifalantes necessários (ou podem instalá-los a baixo custo) e, por outro lado, um grande número de pessoas tem um ‘smartphone’ com microfone.

Com esta aplicação, os investigadores ganharam o primeiro lugar na edição deste ano do iUP25k – Concurso de Ideias de Negócio da Universidade do Porto (UP), onde receberam um prémio de 15 mil euros e a possibilidade de ficar incubados no Parque de Ciência e Tecnologia da UP (UPTEC).

Esta conquista vai permitir à equipa, da qual também fazem parte Diamantino Freitas e Rui Araújo, “alcançar a visibilidade e o reconhecimento” necessário para encontrar parcerias e redefinir o seu modelo de negócio.

Durante o iUP25k, foram ainda distinguidas as melhores ideias nas áreas das Tecnologias da Informação e da Energia, tendo o Audio-GPS arrecadado também o primeiro prémio, galardão patrocinado pela Microsoft Portugal.

Para além disso, têm agora acesso ao Programa BizSpark, da Microsoft, que apoia ‘startups’ no âmbito tecnológico, com os produtos da marca.

Portuguesas criam luva que permite tratar osteoartrose e frieiras

“Juntamos tecnologia, ciência e ‘design’ para criar um produto que, embora possa ser usado por qualquer pessoa, foi criado especialmente para as que sofrem destas patologias, utilizando o calor como tratamento”, disse à Lusa uma das responsáveis pelo projeto, Débora Pereira.

A osteoartrose é uma doença crónica das articulações, que causa a degeneração da cartilagem e dos ossos e provoca dor, rigidez e redução das funcionalidades.

O projeto deu origem à ‘startup’ (empresa recém-criada) Smart Gloves, fundada em setembro de 2015, que utiliza a termoterapia superficial na criação das suas luvas, podendo estas servir como uma alternativa a tratamentos dispendiosos e ao consumo de fármacos.

Segundo a investigadora, as luvas são produzidas com um “material parecido com um tecido, que se comporta como resistência e que permite ser aquecido”, ao contrário das luvas convencionais que apenas isolam a pele do ar exterior.

O sistema de aquecimento incorporado no produto, concebido diretamente pelos membros da equipa, é automático e permite ajustar a temperatura.

“Embora seja possível lavar o material, estamos a verificar agora como o podemos unir ao dispositivo que regula a temperatura para tornar a luva totalmente lavável”, acrescenta.

O produto, em fase de desenvolvimento e testes até junho de 2016, vai ser comercializado a partir de para 2017, em farmácias e parafarmácias, referiu ainda a co-fundadora.

As investigadoras Débora Pereira e Elsa Filipa Sousa desenvolveram o projeto no âmbito do Mestrado Integrado em Bioengenharia, na FEUP.

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