Inicio Tags Galp

Tag: Galp

Anunciada a 3ª edição do Rock in Rio Innovation Week @LACS

Créditos: AGENCIAZERO.NET

A 2ª edição do Rock in Rio Innovation Week @LACS contou com a presença de mais de 2.000 pessoas focadas nos desafios e oportunidades, pessoais e profissionais, num mundo em constante transformação. A educação foi um dos temas em destaque, com a presença de mais de 100 professores de todo o país.

A 2ª edição do Rock in Rio Innovation Week @LACS trouxe até Lisboa mais de 100 workshops e talks, dezenas de conteúdos e oradores, sessões de networking, experiências de aprendizagem e muita música. A reinvenção dos modelos de trabalho e de educação, a empatia e a criatividade como ferramenta de negócios, a liderança feminina e a evolução tecnológica acelerada, foram alguns dos temas em destaque na programação. Contando com a presença de mais de 2.000 pessoas, com o primeiro dia do evento esgotado, os conteúdos digitais publicados ao longo da semana no Facebook e Instagram alcançaram mais de 300.000 pessoas. As datas da terceira edição do evento já estão marcadas: de 23 a 26 de junho de 2020 no LACS e espaços envolventes.

A Galp, founding partner do Rock in Rio Innovation Week, promoveu o debate em torno das novas formas de aprendizagem, convidando André Bello a falar sobre as revoluções atuais e as oportunidades que estão a surgir, Daniel Aisenberg a questionar até que ponto as empresas incentivam uma atitude de colaboração interna e Paulo de Carvalho a mostrar como é possível inovar nas empresas. Para Rui Mendes da Costa, Head of Learning and Training da Galp “a ligação entre a Galp e o Rock in Rio Innovation Week é muito natural visto que ambas as marcas partilham a mesma visão e os mesmos vectores: Aprender a Aprender, Growth Mindset e Responsabilização. A cultura organizacional da Galp prepara as pessoas para receber e abraçar o novo e é precisamente isso que trabalhamos neste evento.”

Entre os temas mais procurados pelos participantes estiveram os conteúdos práticos. Com workshops sempre esgotados, de duração entre uma a três horas, os participantes tiveram a oportunidade de construir guitarras elétricas personalizadas pelas mãos da The Inventors, experimentar fazer parte de um grupo de samba, praticar judo ao ar livre ou procurar o seu “palhaço interior” com Mark Mekelburg, cofundador da Operação Nariz Vermelho. Outro destaque da programação foi o Education Day, promovido pela Microsoft, onde reuniu mais de 100 professores de todo o país, de diferentes ciclos de ensino, para debater a forma como a tecnologia pode ser uma ferramenta na aprendizagem e nos novos modelos de educação. A Microsoft organizou ainda, ao longo dos quatro dias, uma série de speed interviews, colocando em contacto recém-licenciados com managers da empresa.

Para Agatha Arêas, Vice-Presidente de Learning Experience do Rock in Rio, “este ano, o Rock in Rio Innovation Week regressou maior, com mais conteúdos, o que nos levou a expandir a estrutura e criar mais espaços nas zonas envolventes do LACS, como a Casa de Desenho (antigo Speakeasy) e a área exterior da Conde Rocha d’Óbidos. No próximo ano a expansão do evento continuará e o nosso objetivo é que a cada edição a sua dimensão aumente, até que se configure nos arredores do LACS um verdadeiro Rock in Rio Innovation District.”

Outro dos momentos onde os participantes marcaram forte presença foram os finais de tarde no rooftop do LACS. Com vista para o Rio Tejo e a Ponte 25 de Abril, ao som de vários artistas e DJs, os participantes reuniram-se ali para momentos de networking, trocar ideias com os oradores, a equipa organizadora, com os responsáveis das marcas patrocinadoras – com várias ativações no local (Coruja, Rituals, Galp, Microsoft, Mytho) – ou simplesmente para relaxar, fazendo o balanço de cada dia. A 3ª edição do evento está marcada para 23, 24, 25 e 26 de junho de 2020.

Galp e Eni desistem do projeto de prospeção de petróleo em Aljezur

© Reuters

“A Galp e a Eni tomaram a decisão de abandonar o projeto de exploração de fronteira na bacia do Alentejo. Apesar de lamentarmos a impossibilidade de avaliar o potencial de recursos ‘offshore’ [no mar] do país, as condições existentes tornaram objetivamente impossível prosseguir as atividades de exploração“, referem as empresas numa nota hoje divulgada.

As duas empresas escusam-se a fazer “comentários adicionais” dada “a existência de diversos processos judiciais em curso”.

LUSA

Por cada três mil pessoas há uma bomba de gasolina

Em Portugal, em média, existe um posto de combustível para cada 2923 habitantes. Apesar de “uma forte assimetria” entre o litoral e o interior, a distância média entre cada bomba são 2,7 km, embora no distrito de Lisboa exista o caso de dois postos separados por 1,1 km e em Beja tenha sido identificado um outro “bastante isolado”, a 41 km do posto mais próximo.

Os números são do estudo “Contributo da indústria petrolífera para a economia portuguesa”, desenvolvido pelo Audax/ISCTE para a Apetro, a associação que representa as empresas do sector. Além de medir o impacto económico, o estudo quis aferir “o nível de serviço à comunidade”. Assim, além da cobertura geográfica das bombas de gasolina, a análise abordou os horários de funcionamento existentes nos quase três mil postos existentes em Portugal, constando que existem 62 horários diferenciados por todo o país.

Olhando ao impacto económico, o estudo concluiu que, em 2014, a indústria petrolífera teve um peso na economia de 670 milhões de euros, uma diminuição de 10,9% face a 2012 (os três anos sobre o qual recai a análise), quando o Valor Acrescentado Bruto (VAB) rondava os 845 milhões de euros. O sector atingiu uma produção de 9400 milhões (essencialmente refinação de produtos petrolíferos), o equivalente a 4,4% da produção nacional. Neste período marcado pela crise económica e pela diminuição das vendas, o volume de negócios encolheu cerca de 3%, para 22.517 milhões de euros (7% do total nacional). O estudo destaca ainda “a forte redução do investimento” do sector nos últimos anos, com uma queda de 23,7% entre 2012 e 2014, quer pela conclusão de alguns projectos (como as reconversões das refinarias da Galp), quer pela “conjuntura do país”.

O que não diminuiu foi a sua “relevância na receita fiscal”. Em 2012 e 2013, o montante dos impostos sobre os produtos petrolíferos atingiu “em média, 4100 milhões de euros”, representando cerca de 20% do total de receitas de impostos sobre os produtos. “Não há outro sector que represente tanto”, lê-se na conclusão do estudo, que recorda que no início de 2016 os combustíveis voltaram a sofrer um aumento da carga fiscal (via ISP).

Em 2014, a indústria petrolífera (composta por 2300 empresas, das quais cerca de duas mil se dedicavam ao comércio de combustíveis) dava emprego a cerca de 20 mil pessoas (0,6% do emprego no país), a maioria das quais empregadas nos postos de abastecimento. As actividades de refinaria (onde se concentra a maioria dos profissionais altamente qualificados do sector) empregavam 1729 pessoas e o comércio por grosso de produtos petrolíferos, outras 3314.

Os cerca de 15 mil empregados dos postos receberam menos de metade (cerca de 148 milhões de euros) dos 313 milhões de euros de remunerações directas pagas em 2014. Ainda que o salário médio na indústria ronde os 1228 euros (mais 12,7% que a média nacional), nas bombas de gasolina a remuneração média está nos 768 euros, mas nas refinarias aproxima-se dos 3400 euros.

Apesar de notar que “a indústria tem um peso natural do lado das importações [a matéria-prima]”, a análise destaca o seu perfil exportador, nomeadamente a venda de produtos refinados a países exportadores de petróleo, como o México. O estudo refere que em 2015 as exportações do sector representaram 7% do total nacional e atingiram 3500 milhões de euros (uma queda de 0,6% entre 2012 e 2015, num contexto de descida de preços).

Além de analisar o contributo específico do sector petrolífero para a economia portuguesa, o estudo do Audax-ISCTE procurou ainda medir os seus efeitos indirectos sobre os restantes sectores de actividade. Assim, por cada ano avaliado, a actividade do sector terá “gerado uma produção adicional na economia portuguesa de cerca de 3400 milhões de euros”, conclui a análise.

Governantes não podem aceitar ofertas superiores a 150 euros

O Governo aprovou esta quinta-feira em Conselho de Ministros o Código de Conduta que limita a 150 euros o valor das ofertas de cortesia que os governantes e altos titulares de cargos públicos podem aceitar no exercício de funções. A sanção será apenas política.

Coube ao ministro dos Negócios Estrangeiros explicar as normas que constam do Código que o Governo apresentou depois da polémica em torno das viagens de três secretários de Estado que foram assistir a jogos da seleção portuguesa de futebol, em França, no euro 2016. Santos Silva explicou que o limite do valor pecuniário aceitável para “ofertas de cortesias” é de 150 euros, só devem ser aceites quando os responsáveis estão em representação oficial do país em Portugal ou no estrangeiro e que se, por questões de cortesia, tiverem mesmo de aceitar a oferta, a mesma deve ser entregue à secretaria-geral do ministério respetivo.

O ministro explicou que não existe uma sanção prevista neste Código de Conduta além da sanção política.

Código de conduta sem existência à vista

Augusto Santos Silva tinha prometido, após a polémica dos secretários de Estado que voaram até França para ver jogos da seleção a convite da Galp, que até ao final do verão iria existir um código de conduta para este tipo de situações. Apesar de estar a ser preparada, assegura o ministério da Presidência, o mais provável é que não chegue até à data prometida, revela o “Jornal de Negócios” esta sexta-feira.

Fonte oficial do ministério da Presidência disse ao “Negócios” que o documento ainda não está pronto e que ainda não há uma data para a sua divulgação.

A criação desta “legislação” está nas mãos do ministério da Presidência, desde que a 4 de agosto, quando Augusto Santos Silva procurou encerrar a polémica que envolvia os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, da Internacionalização e da Indústria.

“O Conselho de Ministros aprovará ainda neste verão um Código de Conduta para membros do governo e altos dirigentes da Administração Pública sob a tutela do Governo, que densifique a atual lei”, assegurou o ministro dos Negócios Estrangeiros nesse dia.

O governante garantiu também que as despesas das viagens já tinham sido reembolsadas pelos próprios secretários de Estado.

Código do Processo Administrativo impede governantes que foram ao Euro de tomarem qualquer decisão que envolva a Galp

Os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, da Indústria, João Vasconcelos, e da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, terão de pedir escusa de participar em qualquer processo ou procedimento administrativo que envolva a Galp, nos termos do Código do Procedimento Administrativo. Se o não fizerem, qualquer interessado poder requerer a sua suspeição, explicaram ao Observador juristas que estudaram as alterações introduzidas naquela lei em 2015.

Estas normas do Código do Procedimento Administrativo podem fragilizar a situação destes três secretários de Estado: o dos Assuntos Fiscais, por causa do contencioso que existe com a Galp em que o Estado é representado por um organismo que ele próprio tutela; o da Indústria, já que a Galp é a maior empresa industrial portuguesa; e o da Internacionalização, por ser uma empresa com forte implantação no estrangeiro, e por ter a tutela da AICEP.

De acordo com os juristas ouvidos pelo Observador a gravidade do comportamento destes membros do Governo em nada é diminuída pelo facto de agora se disponibilizarem para devolver à Galp o montante das despesas que esta fez com eles, pois esse comportamento até pode agravar a sua situação, por constituir um reconhecimento de que o seu comportamento foi incorreto.

“Concordo que há uma limitação à esfera de intervenção” dos secretários de Estado, diz Paulo Otero, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, ao Observador. Quanto ao contencioso da Galp com o Estado, o jurista diz que não há reflexos na “justiça tributária porque está fora da esfera de intervenção” de Rocha Andrade, Mas ficaria “limitado no caso de haver um acordo judicial”. Outra fragilidade apontada pelo académico é “no caso de uma empresa que tenha interesses contrários suscitar uma suspeição”. Paulo Otero, no entanto, considera mais graves os aspetos que têm a ver com a “dimensão ética” do caso.

Gonçalo Santos Machado, advogado e especialista em Direito Administrativo, diz ao Observador ser “inequívoco” que se aplica esta legislação. “Se o governante não pedir escusa” no tratamento de questões relacionadas com a Galp, “qualquer interessado pode levantar um incidente de suspeição”. Qualquer cidadão o pode fazer. “Num primeiro nível, é decidido no patamar do Governo. Mas se continuasse a dizer que não havia problema nenhum, o particular poderia intentar uma ação nos tribunais administrativos”, explica o jurista. Na opinião de Santos Machado, o secretário de Estado estaria impedido de tomar uma decisão genérica sobre o Imposto Sobre os Combustíveis, que afeta todas as empresas do setor. Teria de ser tomada a nível ministerial. Também “não poderia publicar um regulamento que tivesse por alcance evidente a Galp”.

Quando reagiu à polémica esta quinta-feira, Augusto Santos Silva, número dois do Governo e e ministro dos Negócios Estrangeiros disse que Rocha Andrade não fica fragilizado politicamente pela situação, afirmando que “o secretário de Estado não tem relação direta com o contencioso” entre o Estado e a Galp.

Novo código reforçou estes aspetos, diz Paula Teixeira da Cruz

O princípio a partir do qual decorrem as normas legais é o das “garantias de Imparcialidade”, consagradas nos artigos 44º e seguintes do Código de 1991, elaborado por uma Comissão presidida por Freitas do Amaral e acompanhada por outros catedráticos. As “garantias de imparcialidade” dirigem-se aos funcionários públicos, incluindo os membros do Governo e as normas destinam-se a prevenir situações em que esses responsáveis se devem considerar impedidos ou pedir escusa de intervir em procedimentos em que fosse legítimo duvidar da sua imparcialidade.

Mais recentemente, em 2015, entrou em vigor um novo Código do Procedimento Administrativo, redigido por uma Comissão presidida por Fausto Quadros e composta também por outros professores catedráticos de Direito Constitucional e Direito Administrativo, e magistrados. O novo Código alarga ainda mais os casos de impedimento, de escusa e de suspeição. Segundo o artigo 73º (nº 1, alínea c), por exemplo, qualquer titular de órgão ou agente da Administração Pública que tenha recebido qualquer “dádiva” de uma entidade para si, seu cônjuge, parente ou afim, tem obrigatoriamente de pedir escusa de intervir em todos os processos e procedimentos em que esteja envolvida a pessoa ou empresa que concedeu a dádiva, seja esta uma oferta monetária ou qualquer outra vantagem patrimonial.

Paula Teixeira da Cruz, a ministra da Justiça do Governo PSD/CDS que supervisionou a revisão do Código do Procedimento Administrativo, diz ao Observador que foi intencional “o reforço das garantias de isenção e imparcialidade e o alargamento de outros princípios como a criação de códigos de conduta”. A advogada e deputada do PSD concorda que os secretários de Estado “ficam impedidos” de tratar de qualquer assunto relacionado com a Galp.

Ataque às práticas dos presentes de Natal

Com proibição das dádivas, explicaram juristas ligados à elaboração do Código de 1991, pretendeu-se eliminar a prática de, nomeadamente por ocasião do Natal, a seguir ou antes de obterem uma decisão favorável, as entidades privadas oferecerem prendas de valor elevado, em viagens, antiguidades, peças de ouro e prata, e “porcelanas da Vista Alegre” a membros do Governo, presidentes de câmaras ou vereadores, funcionários das Finanças ou outros dirigentes da Administração Pública em pagamento de favores, já feitos ou esperados. Esses tratamentos de favor poderiam envolver atos ou contratos em matéria de fisco, de urbanismo, de concursos, de licenciamento industrial ou comercial.

É assim que, de acordo com a redação de 2015, qualquer responsável que não peça escusa depois de ter recebido uma oferta corre o risco de ver ser levantado um processo por suspeição. É isso mesmo que estabelece o 73º (nº 2), do Código de 2015. Sendo que o artigo 76º do mesmo Código fixa as “sanções” para o desrespeito dessas garantias, estabelecendo que são nulos todos os atos e contratos em que o funcionário ou responsável político ou administrativo tenha intervindo ou venha a intervir sem ter pedido a escusa. Nessa situação terá de ser levantado um processo disciplinar, podendo o funcionário ou responsável político ter de pagar uma indemnização ao Estado ou a privados que se sintam prejudicados com o seu favorecimento a uma das partes, nomeadamente concorrentes em atos ou contratos. O sentido destas normas foi recentemente exposto num livro em que os membros da comissão que reviu o Código em 2015 explicam porque entenderam reforçar as garantias de imparcialidade.

Aceitar presentes pode ser crime desde 2010

Desde 2010 que o Código Penal passou a prever o “recebimento indevido de vantagem”, que pune com “pena de prisão até cinco anos ou com pena de multa até 600 dias” os funcionários que aceitarem “vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida”. O novo crime visa exatamente os presentes recebidos por altos funcionários da administração pública ou políticos. A alínea 3 deste artigo, no entanto, institui o seguinte: “Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes”. Não é por acaso que, nas respostas aos meios de comunicação social, o secretário de Estado Fernando Rocha Andrade diz que “encara com naturalidade, e dentro da adequação social”, a aceitação de dois convites da Galp para assistir a dois jogos da seleção no euro 2016. Ou seja, nas suas respostas, Rocha Andrade usa uma formulação política, mas com sustentação jurídica, para afastar a possibilidade de ter cometido um crime.

Mário Centeno, ministro das Finanças disse ao Observador que não queria fazer mais declarações sobre o assunto, sublinhando que “o secretário de Estado esclareceu tudo, inclusive que vai regularizar a situação”. E acrescentou: “A Galp era o patrocinador oficial da seleção portuguesa e foram várias pessoas no mesmo convite do secretário de Estado nas viagens, não foi um convite propositado só para ele”. O ministro afirmou que “também eram pessoas da política”. O Observador apurou depois que três deputados do PSD (Luís Montenegro, Hugo Soares e Luís Campos Ferreira) também foram a jogos a convite de empresário Joaquim Oliveira.

Rocha Andrade não foi, no entanto, o único membro do Governo a ser convidado pela petrolífera. Segundo o Público, João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, também viajou através da Galp: “O secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, confirma que viajou para o Euro 2016 a convite da Galp, enquanto entidade patrocinadora da Selecção Nacional, mas esclarece que pagou um bilhete de avião. Mais informa que já pediu à Galp que esclareça se há despesas adicionais que, a existirem, serão devidamente reembolsadas”, comunicou o gabinete de imprensa do Ministério da Economia, após ser questionado pelo Público. Rocha Andrade e João Vasconcelos aparecem juntos numa fotografia, em França, publicada no Facebook.

O que diz o Código Penal sobre o “recebimento Indevido de vantagem”?

Artigo 372.º
Recebimento indevido de vantagem
1 – O funcionário que, no exercício das suas funções ou por causa delas, por si, ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida, é punido com pena de prisão até cinco anos ou com pena de multa até 600 dias.

2 – Quem, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, der ou prometer a funcionário, ou a terceiro por indicação ou conhecimento daquele, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida, no exercício das suas funções ou por causa delas, é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa até 360 dias.

3 – Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes.

Quando a nova norma do Código Penal foi aprovada pelo Parlamento em 2010, o socialista Jaime Gama — que então presidia à Assembleia da República –, manifestou dúvidas sobre a forma de interpretar as alterações à lei no caso dos deputados. E pediu um parecer aoConselho de Prevenção de Corrupção (CPC), um organismo que funciona junto do Tribunal de Contas e que era presidido por Guilherme d’ Oliveira Martins.

O parecer enviado a Jaime Gama em novembro de 2010 dizia que“as entidades e os seus trabalhadores devem declarar ao respetivo superior hierárquico ou ao órgão competente, as ofertas recebidas de terceiros”. No entanto, Mário Centeno não respondeu diretamente ao Observador à questão sobre se teve conhecimento prévio da viagem paga, afirmando que “não é relevante nesta circunstância” pronunciar-se sobre se foi informado.

O gabinete do primeiro-ministro, contactado pelo Observador reconhece que não há um código de conduta no Governo quanto às ofertas de empresas e remete para “as respostas do secretário de Estado”.

Segundo o parecer de Guilherme d’ Oliveira Martins para a Assembleia da República, que foi divulgado pelos jornais naquela época, os políticos, funcionários e entidades do setor público podem receber “ofertas institucionais” desde que baseadas na “mera relação de cortesia”, escreveu então o Público. Segundo dois jurista de partidos diferentes consultados pelo Observador — que também são deputados — exemplos dessas ofertas institucionais de cortesia podem ser, por exemplo, os presentes trocados por Presidentes da República que por vezes atingem valores consideráveis. Ou a oferta de um cabaz ou de uma garrafa de vinho no fim da visita a uma feira.

O parecer do CPC ainda recomendava que “as ofertas de natureza institucional que não tenham valor diminuto devem ser entregues na entidade respetiva”. Ou seja, devem ser devolvidos. Neste caso em concreto, como Rocha Andrade não tinha maneira de devolver o bem oferecido, apressou-se a comunicar, através do Ministério das Finanças, que ia “reembolsar a empresa da despesa efetuada”. Só o fez porém, poucas horas depois de o caso ter sido tornado público através de uma notícia da revista Sábado. E não por iniciativa própria.

O documento assinado por Oliveira Martins era claro quanto ao que, na sua interpretação, era o espírito da lei:

No exercício da sua atividade, as entidades e os seus trabalhadores não podem oferecer, solicitar, receber ou aceitar, para si ou para terceiros, quaisquer benefícios, recompensas, presentes ou ofertas.”

A recomendação da CPC especificava também as exceções, como “as ofertas institucionais, entendendo-se como tais as entregues ou recebidaspor força do desempenho das funções em causa que se fundamentem numa mera relação de cortesia”. Ora Rocha Andrade não viajou devido às suas funções, pois não é secretário de Estado do Desporto. O titular dos Assuntos Fiscais, segundo as respostas enviadas ao Observador, considera que “não existe qualquer fundamento para falar em conflito ético”, mesmo tratando-se a Galp de um grande contribuinte, com disputas judiciais com o fisco em valores que ultrapassam os 100 milhões de euros.

Fernando Negrão, ex-juiz e deputado do PSD disse na noite de quarta-feira, no programa Negócios da Semana, da SIC Notícias, que a conduta de Rocha Andrade “podia configurar a prática deste crime”. Quanto à exceção na lei, Negrão diz que “nada disto corresponde aos bons usos e costumes”. E que o problema é agravado pelo fato de a oferta ter sido da Galp. “Acho que deve refletir sobre a sua continuação no Governo, porque é secretário de Estado de uma área muito sensível, muito próximo do primeiro-ministro e a sua situação fica muito fragilizada”. O CDS também pediu a demissão do secretário de Estado.

Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça do Governo PSD/CDS, tinha como intenção aprovar um Código de Ética para a Administração Pública, mas nunca chegou a ver a luz do dia.

Rocha Andrade viajou para o Euro pago pela Galp

Fernando Rocha Andrade, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de António Costa, viajou para França para assistir a um jogo da seleção portuguesa, a convite da Galp, que lhe pagou a passagem, transportando-o num voo charter só para convidados. A revista Sábado avança esta quarta-feira com a notícia, que será desenvolvida amanhã na edição impressa.

O secretário de Estado disse à revista que não via qualquer incompatibilidade ou conflito ético e encarava “com naturalidade, e dentro da adequação social, a aceitação deste tipo de convite — no caso, um convite de um patrocinador da seleção para assistir a um jogo da seleção nacional de futebol”.

Não só Rocha Andrade aceitou o convite de uma empresa — neste caso para ver o Portugal-Hungria –, como anuiu em viajar para França às custas de uma grande companhia que tem um enorme conflito com a Galp. A petrolífera tem um contencioso que supera os 100 milhões de euros por se recusar a pagar um imposto lançado pelo anterior Governo: a contribuição extraordinária sobre os ativos da energia. A empresa impugnou a decisão do ex-ministro da Energia Jorge Moreira da Silva, em Tribunal Administrativo. Foi a única das grandes empresas a contestar a decisão sem pagar.

Galp: Parceria com japonesa Marubeni abre a porta a novas oportunidades

A Galp Energia anunciou na quinta-feira que pretende alienar 22,5% da Galp Gás Natural Distribuição a um consórcio liderado pela japonesa Marubeni, por 138 milhões de euros, explicando que a operação no negócio de infraestruturas reguladas de gás natural da Galp depende ainda de autorização do regulador, estando a conclusão da operação prevista para o último trimestre do ano.

Em declarações aos jornalistas, em conferência de imprensa para apresentação de resultados, o presidente da Galp Energia, Carlos Gomes da Silva, explicou que “há simetria” nos objetivos das duas partes com esta parceria.

“Viram na Galp um operador credível, com uma presença em mercados importantes e perceberam a capacidade para chegar a outras regiões no mundo, designadamente África e Brasil, e nós olhamos para as áreas onde o consórcio está presente e vemos oportunidade de negócio”, declarou.

Carlos Gomes da Silva realçou que o acordo “abre portas para uma parceria que é neste momento uma folha em branco”, referindo que “um dos ativos que a Galp tem é a forma como consegue estabelecer parcerias de longo prazo e com isso trazer negócio para outras áreas de atividade”.

A Galp Gás Natural Distribuição é uma holding, detida a 100% pela Galp, com participações em nove empresas de distribuição e tem uma rede de média e baixa pressão com mais de 12.500 quilómetros de gasodutos.

A Marubeni é um conglomerado fundado em 1858, sediado em Tóquio, com presença em Portugal desde 2013, onde opera na geração elétrica e nos serviços de água e saneamento.

Lucro da Galp cai 20% até junho para 247 milhões

Considerando apenas o segundo trimestre, a petrolífera anunciou que o lucro caiu 29%, para 133 milhões de euros. No comunicado enviado à CMVM, a empresa refere que o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) nos primeiros seis meses do ano desceu 23%, para 631 milhões de euros.

As vendas totais de gás natural foram de 3.454 Mm³, uma queda de 15% face ao período homólogo, explicada essencialmente pela empresa pela “descida dos volumes vendidos nos mercados internacionais”.

EMPRESAS