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“O desafio está em ouvir e perceber como cada um funciona, para então saber como ajudá-los a atingir o seu potencial máximo”

A Grünenthal Financial Services está presente em Portugal há uns anos. Qual é o próximo passo para a empresa?

Estamos a viver tempos muito interessantes, de mudança e crescimento. Temos um novo CFO desde Janeiro deste ano: Fabian Raschke. A nível de GFS, vamos transferir mais serviços para Portugal num futuro próximo. E a médio prazo, a visão e o plano são de crescimento contínuo.

É especialista em finanças mas afirma que em primeiro lugar é uma gestora de pessoas. Porquê?

Acredito que em primeiro lugar gerimos pessoas e não departamentos. As pessoas são quem fazem a equipa e acredito que colaboradores motivados dão mais de si e tornam-se em high performers.

Confio nas pessoas e dou-lhes empowerment e ownership para serem empreendedores e crescerem como profissionais.

Na sua opinião o que é mais difícil no exercício de liderar pessoas? E o mais gratificante?

Gerir pessoas é sem dúvida desafiante e por isso mesmo gratificante. Cada pessoa é única e sui generis, com a sua própria personalidade, opiniões e sensibilidades. O desafio está em ouvir e perceber como cada um funciona, para então saber como ajudá-los a atingir o seu potencial máximo. Não acredito num one size fits all approach.

O mais gratificante é, sem dúvida, ver as pessoas felizes no trabalho. Toda a gente gosta de vir trabalhar e isso deve-se ao sentido familiar que demos à empresa e ao mote que vivemos: Workiness, uma conjugação de work e happiness.

Qual diria que é a sua missão na Grünenthal?

Continuar o bom trabalho que começámos. Construímos uma empresa com uma cultura de liderança e pessoas excecionais. É o que nos distingue e é a nossa força. Quero contribuir para o nosso crescimento enquanto empresa e oferecer mais serviços, ir para além do que fazemos hoje. Mas sempre mantendo o nosso “Workiness” que é o que define na perfeição o Great Place to Work  que construímos.

Fala seis idiomas: holandês, inglês, francês, alemão, português e espanhol. Quais foram as maiores vantagens que o multilinguismo lhe trouxe profissionalmente?

As línguas que falo sempre me abriram várias portas a nível profissional. A maior vantagem é a variedade de trabalhos e profissões que já me permitiram executar.

Atualmente, uma grande vantagem é poder comunicar com vários colegas e parceiros nas suas respetivas línguas. Quebra o gelo, ajuda na comunicação e acima de tudo evita situações de “lost in translation”.

Do seu currículo fazem parte cargos como relações públicas no Rock in Rio ou tradutora e hoje trabalha com números e gere pessoas numa empresa farmacêutica. O que guarda destas diferentes experiências?

Todas essas experiências foram enriquecedoras e fizeram de mim a pessoa e a profissional que sou hoje. Aprendi com todas e com toda a gente com quem trabalhei. Valorizo o facto de ter uma experiência tão diversificada. Permitiu-me viver realidades diferentes e trabalhar com pessoas das mais diversas áreas: desde show business a tradução ou farmacêutica.

Ao longo da sua carreira que história lhe ficou na memória como “uma boa história para partilhar”?

Tenho tantas. Conhecer vários artistas como o Sting e Ivete Sangalo enquanto trabalhei no Rock in Rio sem dúvida ficou na memória.

Mas a melhor história foi quando comecei a trabalhar para a Grünenthal. Aqui tive a oportunidade de montar um Shared Services Center e duas equipas de raiz. Agora a empresa está prestes a dar os próximos passos da sua história. É como criar um bebé, vê-lo crescer e a dar os primeiros passos. Tenho uma ligação muito forte à empresa e sinto-me muito realizada profissionalmente por poder contribuir diretamente para o crescimento e o sucesso deste projeto.

A liderança de uma mulher numa das melhores empresas em portugal

A Grünenthal já está presente em Portugal há inúmeros anos, no entanto, a Grünenthal Financial Services é uma empresa recente. Como é que teve início este projeto?

O Grupo Grünenthal é uma empresa com espírito empreendedor, comprometida com a inovação, através de um investimento sustentado em R&D. A ambição do grupo é lançar quatro a cinco novos produtos para doentes com necessidades médicas não satisfeitas até 2022.

Presente em 32 países, com filiais na Europa, América Latina e Estados Unidos da América, bem como presença comercial em mais de 155 países, o Grupo emprega neste momento aproximadamente 5.500 pessoas a nível global.

Em 2016, o grupo Grünenthal decidiu centralizar as suas operações contabilísticas e financeiras. Tendo em conta o peso relativo do negócio do grupo tanto, na Europa como na América Latina, para além da Alemanha, Portugal foi o destino escolhido, visto que cumpria na perfeição o papel de ponte, ligando as operações na Europa ao outro lado do Atlântico, tanto em termos culturais como linguísticos – assim nasceu a Grünenthal Financial Services.

Juntei-me a este projeto no início. Neste momento tenho uma equipa de especialistas financeiros que trabalha e pensa diariamente de uma forma global. A grande maioria vem das áreas de economia, contabilidade, gestão, e fala pelos menos três línguas estrangeiras.

Falemos da gestão de equipas. O que é que mais a inspira na gestão diária das suas equipas?

A diversidade. Acredito no sucesso de equipas diversificadas, onde o conhecimento dos mais velhos e a energia dos mais novos se complementam.  Onde as opiniões de homens e mulheres são ouvidas. E onde as minorias e as maiorias convivem em harmonia.

Na Grünenthal  Financial Services tenho uma equipa totalmente diversificada, não só na vertente operacional, como também na equipa de gestão. 50% da minha equipa de gestão é constituída por mulheres fortes, dinâmicas e com muita experiência acumulada.

E isto não é exceção. A outra empresa do grupo presente em Portugal, responsável pela parte comercial, também é liderada por uma mulher.

A construção de equipas de trabalho tem que ter em conta inúmeros aspetos. Sem querer simplificar em demasia, qual é que considera o elemento fulcral na construção de uma equipa?

Acho que a cultura da empresa tem um papel fundamental. A meu ver, a cultura da empresa tem um valor intangível semelhante ao de uma marca. E constitui uma espécie de  “remuneração emotiva” que tem  um peso cada vez maior na atração de talento.

Culturas empresariais que promovem o  reconhecimento, a aprendizagem constante, o sentido de pertença, o espírito de equipa e o sentimento de que está a contribuir para algo relevante, são mais procuradas pelo talento.

Na Grünenthal acreditamos que esta cultura de empresa facilita o desenvolvimento do potencial de cada colaborador, e ao mesmo tempo permite-lhe sentir-se feliz no seu ambiente de trabalho, ou como nós gostamos de dizer conseguimos a  “workiness”.

A Grünenthal Financial Services tem menos de 2 anos, no entanto, foi recentemente distinguida, em conjunto com a sua empresa irmã, como uma das Best Workplaces 2018. Qual o impacto deste reconhecimento para si?

Adoramos ver o nosso trabalho reconhecido. No entanto, tenho bem presente a responsabilidade acrescida que este reconhecimento significa. Por um lado, tenho uma responsabilidade para com a minha equipa, de garantir que este ambiente de trabalho se mantém num contexto em que a mudança é cada vez mais rápida.

Por outro lado, sinto que tenho uma responsabilidade para com a sociedade. Como mulher à frente de uma empresa, que é reconhecida como uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal, tenha a responsabilidade e a honra de servir de farol a outras mulheres que irão ver reconhecida a sua capacidade de liderança.

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