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“Consumam ovos produzidos em Portugal”

O setor da produção de ovos está habituado a enfrentar desafios, sejam eles por imposição legal ou simplesmente por imposição comercial, a prova disso é que em Portugal se produzem ovos com o mesmo nível de qualidade que qualquer outro país, Portugal é excedente na produção de ovos, é o 4.º maior exportador de ovos da UE para Países Terceiros. No entanto, o maior desafio ocorreu há menos de 10 anos quando o sector teve que se adaptar às novas regras do Bem-estar Animal definidas no Decreto-Lei n.º 72-F/2003 de 14 de abril. Esta legislação obrigou os produtores de ovos a abandonar a produção em gaiolas convencionais, a adaptar-se ao sistema de gaiolas melhoradas ou aos sistemas alternativos. Com esta legislação surgiu esta nova designação – Sistemas alternativos – sendo eles “Ar Livre” e “Solo”. Inclui-se ainda a produção de ovos em Modo Biológico, com legislação própria que, para além do Bem-estar das galinhas contempla outras regras nomeadamente a alimentação das próprias galinhas que, por exemplo, obriga que os cereais, base da alimentação, também sejam produzidos em Modo Biológico e não podem ser OGM.

Na definição dos sistemas de produção, o Decreto-lei define que é “importante alterar os parâmetros que devem ser observados na produção de ovos por forma a melhorar as suas condições, mantendo o equilíbrio entre os diferentes aspetos a ter em consideração, quer em termos de bem-estar animal quer do ponto de vista sanitário, económico e social, quer ainda no que diz respeito às implicações ambientais”

Portanto, o que está em causa nesta legislação tem a ver com as condições em que as galinhas são criadas e não com a qualidade do produto final.

Menos de 10 anos depois deste grande desafio, que obrigou os produtores a investir largos milhões de euros, surge um novo desafio, agora por exigência do mercado – a substituição da produção de ovos em gaiolas pela sua produção em sistemas alternativos.

Como se trata de um desafio há que o enfrentar e assumir riscos, nomeadamente na seleção do sistema de produção a optar. E aqui surgem as incertezas.

Quais os ovos que os consumidores vão comprar? Serão os produzidos em Modo Biológico? No Ar Livre? Ou no solo?

Quanto é que o consumidor está disponível para pagar a mais pelos ovos produzidos em sistemas alternativos? Esta é a maior dificuldade do produtor, não só porque gostaria de saber qual o tipo de ovos que mais poderá vender, mas também porque se trata de níveis de investimentos diferentes, que vão aumentando à medida que se proporcionam melhores condições de bem-estar às galinhas. Por exemplo, o capital necessário para investir no sistema de Produção Biológico é 300% superior do que no sistema ao Ar Livre ou no Solo, para o mesmo número de galinhas.

Outro desafio a enfrentar com o desenvolvimento destes sistemas de produção tem a ver com as técnicas de produção pois, neste momento, o conhecimento técnico ainda é escasso. Estes sistemas são mais exigentes, é necessário mais tempo de dedicação aos animais e novas técnicas de maneio para produzir com o mesmo nível de produtividade que se produz no sistema de gaiolas. A este nível têm surgido algumas dúvidas, por exemplo:

A galinha que contacta mais com os seus excrementos, com aves selvagens e com o exterior onde é mais difícil controlar as condições de biossegurança, vai ter mais problemas sanitários ou vai ganhar resistência uma vez que o contacto é mais frequente?

A galinha que faz mais exercício físico será mais saudável, tal como acontece com os humanos? Nos sistemas alternativos as galinhas circulam livremente no pavilhão ou no pavilhão e no exterior.

A menor densidade animal praticada nos sistemas alternativos terá influência na saúde dos bandos?

Os ovos produzidos em sistemas alternativos serão diferentes? Uma vez que são produzidos por galinhas que fazem mais exercício físico e têm uma alimentação mais próxima daquela que teriam no seu habitat natural, comem minhocas, insetos, ervas espontâneas, etc…

Só será possível responder, com alguma certeza, a estas questões daqui por alguns anos, quando houver mais experiência e conhecimento técnico nestes sistemas de produção.

Uma coisa é certa, o sector continuará a enfrentar desafios e a garantir o abastecimento do nosso mercado, com ovos de qualidade, seguros e que cumpram com as necessidades dos consumidores. Recordamos que Portugal reúne melhores condições climatéricas para a produção de ovos em sistemas alternativos, principalmente em Modo Biológico e Ar Livre, do que outros países, principalmente do que os países do norte da europa.

Numa altura em que se fala muito nas vantagens do consumo de ovos e menos em desvantagens, porque estas não existem, apelamos aos nossos consumidores que não hesitem, consumam ovos produzidos em Portugal, consultem o código impresso nos ovos e optem por ovos com os códigos 0PT-Modo Biológico, 1PT-Ar Livre, 2 PT – Solo e 3PT – Gaiolas, pois todos cumprem com os requisitos de qualidade e nunca por ovos com código de produção noutro país.

 

 

“A avicultura moderna tem sofrido inúmeras transformações ao longo dos anos”

A Associação Portuguesa de Ciência Avícola (A.P.C.A) representa a Sociedade Cientifica do sector avícola em Portugal, representando o nosso sector a nível internacional através da World Veterinary Poultry Association.

A avicultura mundial, onde se inclui a indústria do ovo, está em permanente atualização e faz parte das funções da associação a partilha de informação e conhecimento com o intuito de a disponibilizar como forma fundamental de sustentar o crescimento dos variados intervenientes que fazem parte desta indústria em Portugal.

A avicultura moderna tem sofrido inúmeras transformações ao longo dos anos. Os índices produtivos que hoje em dia são apresentados pelas galinhas poedeiras são impressionantes, podendo uma galinha atingir um pico de produção de ovos de 97%, produzindo mais de 420 ovos durante o seu período de vida. Para podermos ter uma ideia da evolução e do melhoramento genético das estirpes de aves com que hoje trabalhamos, num espaço de 20 anos passamos de 20,6 Kg de ovo/galinha às 76 semanas para 26,4 Kg de ovo/galinha às 90 semanas, aumentando em mais de 20% a capacidade produtiva das aves. Naturalmente que outros fatores tais como, a evolução nas práticas de maneio, a biossegurança, modernização das instalações, o aumento da qualidade do bem-estar animal, a implementação de novos programas nutricionais e a abordagem do ponto de vista da higiene e medicina veterinária preventiva, com avanços tecnológicos e incorporação de novas e melhores ferramentas imunológicas e nutracêuticos, contribuíram para estas mudanças.

Atualmente as empresas portuguesas são dotadas de equipas técnicas multidisciplinares competentes, com qualidade igual ou superior aos seus pares Europeus. A velocidade de diagnóstico aumentou exponencialmente e, hoje em dia, obtemos com clareza, feedback sobre situações sanitárias num curto espaço de tempo. Este facto, contribui para o aumento da competitividade do sector, tornando-o uma importante alavanca para a economia nacional, nomeadamente através da autossuficiência e exportação.

Novos paradigmas estão a aparecer, em que os consumidores ditam as tendências, e estas têm de ser perceptíveis pelas organizações ligadas ao sector. Não só no sector dos ovos, mas em todas a fileira avícola.

Terá lugar, ainda este ano, o I Encontro Cientifico da Avicultura Portuguesa, organizado pela APCA, onde iremos reunir todos os principais investigadores na área avícola das universidades, politécnicos e centros de investigação. O objetivo é criar pontes entre todos, estimular a investigação, dizer que o sector está disponível para contribuir para a investigação. A aproximação entre a indústria e a universidade é fundamental.

A APCA irá também realizar um workshop dia 26 de Março deste ano sobre Maneio Avícola e, à semelhança do I Simpósio APCA 2018, estamos já a preparar o II Simpósio APCA 2020 que será em Lisboa. Como pertencemos ao World Veterinary Poultry Association, temos o objetivo de apresentar já em 2021 a candidatura à realização do Congresso Mundial. Seria uma grande honra para o nosso País receber o mais importante encontro mundial de avicultura e acho que a avicultura nacional mais do que merece.

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