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Nas férias, fique atento e quando ouvir uma cigarra… grave

© Lusa

desafio, que decorre até 30 de setembro, foi lançado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem o nome de ‘Cigarras de Portugal – insetos cantores’ e insere-se numa iniciativa mais ampla, a da criação, em curso, da primeira ‘Lista vermelha de invertebrados’ do país.

De acordo com o mais recente censo de cigarras, feito pelos cientistas em 2004, existem em Portugal 13 espécies que se agrupam em pequenos núcleos nas regiões do Norte, Centro, Alentejo e Algarve.

Mas, segundo a investigadora Paula Simões, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é preciso ter um “registo mais fino e detalhado da sua localização”.

A especialista no estudo das cigarras explicou à Lusa que o desafio lançado às pessoas propõe-se obter dados que permitam “conhecer melhor a área de distribuição” das espécies identificadas em Portugal, monitorizar a sua população e avaliar a vulnerabilidade ao risco de extinção” e “promover a ciência-cidadã”.

Os dados recolhidos pelas pessoas – som emitido pelas cigarras, a data e a localização geográfica dos registos sonoros, preferencialmente com as coordenadas GPS – podem ser enviados para a página do projeto ‘Cigarras de Portugal – insetos cantores’ na rede social Facebook ou para a plataforma digital Biodiversity4All.

A informação reunida possibilitará aos cientistas saberem com maior exatidão qual o “estatuto de ameaça das espécies” de cigarras em Portugal.

Paula Simões estima que metade das espécies identificadas em 2004 no território continental enfrenta “várias ameaças”. A perda de ‘habitat’, devido à desflorestação, à urbanização e à agricultura intensiva e ao uso de pesticidas, e a poluição são apontados pela investigadora como os fatores que mais têm contribuído para o declínio da população.

Uma das espécies que preocupa os cientistas é o cegarregão (“Lyristes plebejus“), a maior cigarra existente em Portugal: tem cerca de cinco centímetros de comprimento e seu canto faz lembrar o ruído de uma panela de pressão, destaca a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em comunicado.

O comunicado assinala que, “outrora abundante na região Centro”, é uma das espécies que “se encontram em acentuado declínio”.

Os peritos estimam que haja 3.500 espécies de cigarras em todo o mundo, sobretudo nas regiões subtropicais. A Península Ibérica apresenta uma “variedade de clima e paisagem” que justifica o aparecimento das espécies identificadas em Portugal, algumas raras, referiu Paula Simões.

As cigarras, conhecidas pelo seu canto característico no verão, tendem a agrupar-se em pequenos núcleos, o que explica que numa mesma zona de árvores se possam ouvir num determinado ponto e não noutro relativamente próximo.

Apenas os machos cantam, para atrair as fêmeas para o acasalamento, durante as poucas semanas de vida que têm enquanto adultos. O canto é específico de cada espécie, permitindo identificar as cigarras que vivem numa determinada região.

Antes de chegarem à fase de adultos, quando emergem às árvores, as cigarras desenvolvem-se durante três anos no solo, alimentando-se da seiva das plantas, adiantou a investigadora Paula Simões, que espera ter “dados mais concretos” sobre a população de cigarras em Portugal em 2020.

Editora científica internacional distingue artigo sobre investigação da Universidade de Coimbra

“Este novo sistema permite a impressão de peças metálicas de grandes dimensões, em vários ângulos e planos, de forma muito mais simples e rápida”, explica a UC, em comunicado enviado à agência Lusa.

O artigo sobre o projeto desenvolvido pela UC em parceria com um investigador de Instituto Tecnológico para a Indústria da Noruega (SINTEF), foi distinguido com o galardão Emerald Literati Award.

“Este prémio é um reconhecimento internacional, ao mais alto nível, da qualidade e novidade do trabalho que temos vindo a desenvolver nesta área muito competitiva em termos internacionais”, refere o comunicado.

O artigo “Advances in robotics for additive/hybrid manufacturing: robot control, speech interface and path planning” é “um dos trabalhos mais excecionais que a nossa equipa leu em 2018”, justifica a editora Emerald, no anúncio da distinção, citada na nota.

Entre as principais mais-valias da investigação, está o facto de dispor de “seis eixos de movimento (o dobro da performance das impressoras 3D tradicionais) e de um software de simulação em tempo real (que evita a necessidade de executar sucessivas tentativas, até se obter um objeto com as características pretendidas)”.

“A nossa estratégia foi a de reunir uma vasta e muito competente equipa internacional, de forma a ser possível realizar contribuições que nos permitam liderar o desenvolvimento científico e industrial nesta área”, refere Norberto Pires, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da FCTUC, também citado no comunicado da UC.

“Este trabalho alertou grandes empresas internacionais, o que é muito importante e estratégico para a UC, pois só assim poderemos demonstrar a nossa capacidade de influenciar decisivamente os grandes desafios tecnológicos do século XXI)”, salienta o investigador, acrescentando que tem de se ter “presente que a manufatura-aditiva é uma das tecnologias chave da nova revolução industrial (indústria 4.0)”.

Vencedor de Bolsa de Investigação em células B maduras conhecido na próxima semana

O projeto vencedor é contemplado com uma bolsa no valor de 15.000€, destinada à realização, pelo período de um ano, de uma proposta de investigação na área das neoplasias de células B maduras.

Nas candidaturas recebidas valorizaram-se os projetos interdisciplinares que apresentassem propostas nas áreas do tratamento, diagnóstico, epidemiologia, impacto social da doença e melhoria da qualidade de vida do doente.

Os projetos foram avaliados por um júri composto pelo diretor do Serviço de Hemato-Oncologia do IPO do Porto, Dr. Mário Mariz, pelo diretor do Serviço de Hematologia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Dr. João Raposo, e pela diretora do Serviço de Hematologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Profª Drª Maria Gomes da Silva.

Patente do INEGI facilita a previsão do tempo de vida dos materiais

Os testes realizados no INEGI, para comprovar a eficácia deste novo “sistema de iluminação por luz rasante”, demonstram que “as imagens geradas têm qualidade superior, já que é possível iluminar uniformemente o material sob observação”, afirma Paulo Tavares, investigador do INEGI e um dos inventores da tecnologia. “Conseguimos fazer sobressair a fenda em toda a sua extensão, para assim realizar a sua medição ou monitorizar o crescimento, algo essencial para garantir a fiabilidade de metodologias de processamento de imagens automático na análise à fadiga”, acrescenta.

Além de qualidade, ganha-se tempo. Com esta nova tecnologia, os especialistas conseguem analisar as fendas através de um método automático de captura e processamento de imagem, um sistema também criado no INEGI e disponibilizado com licenciamento livre (open source). Assim evitam paragens da máquina de ensaios, tornando o processo até oito vezes mais rápido, comparativamente com o que é feito por um técnico, com uma lupa tradicional de inspeção.

O estudo da fadiga mecânica, o processo de desgaste progressivo de materiais sujeitos a ciclos repetidos de tensão ou deformação, é essencial para “antecipar o número de ciclos de carga a que os materiais podem ser sujeitos até falharem e saber qual o seu tempo de vida útil estimado”, explica Paulo Tavares.

Os setores aeronáutico e automóvel beneficiam diretamente desta inovação, uma vez que utilizam vários componentes em metal, que estão normalmente sujeitos a este tipo de desgaste. Por exemplo, sempre que um avião descola e aterra há um ciclo de fadiga, que pode provocar fendas. Com o sistema patenteado pelo INEGI consegue-se analisar, de um modo mais rápido e mais efetivo do que é conseguido atualmente, quando é esperado que haja rutura de algum componente do avião, de modo a evitar acidentes.

A próxima fase centra-se no estabelecimento de parcerias, que permitam a rentabilização comercial da tecnologia, contribuindo para a otimização de testes de fadiga em vários setores da indústria.

SOBRE O INEGI

É um instituto de novas tecnologias, vocacionado para a realização de atividades de investigação e de inovação de base tecnológica, transferência de tecnologia, consultoria e serviços tecnológicos, orientadas para o desenvolvimento da indústria e da economia em geral. Contando já com mais de 30 anos de experiência, o INEGI atua num conjunto alargado de mercados e setores, nomeadamente: automóvel e transportes; aeronáutica, espaço e defesa; metalomecânica e bens de equipamento; energia e ambiente; saúde; desporto; e economia do mar. Mais informações em: www.inegi.up.pt

Patente do INEGI facilita a previsão do tempo de vida dos materiais

Os testes realizados no INEGI, para comprovar a eficácia deste novo “sistema de iluminação por luz rasante”, demonstram que “as imagens geradas têm qualidade superior, já que é possível iluminar uniformemente o material sob observação”, afirma Paulo Tavares, investigador do INEGI e um dos inventores da tecnologia. “Conseguimos fazer sobressair a fenda em toda a sua extensão, para assim realizar a sua medição ou monitorizar o crescimento, algo essencial para garantir a fiabilidade de metodologias de processamento de imagens automático na análise à fadiga”, acrescenta.

Além de qualidade, ganha-se tempo. Com esta nova tecnologia, os especialistas conseguem analisar as fendas através de um método automático de captura e processamento de imagem, um sistema também criado no INEGI e disponibilizado com licenciamento livre (open source). Assim evitam paragens da máquina de ensaios, tornando o processo até oito vezes mais rápido, comparativamente com o que é feito por um técnico, com uma lupa tradicional de inspeção.

O estudo da fadiga mecânica, o processo de desgaste progressivo de materiais sujeitos a ciclos repetidos de tensão ou deformação, é essencial para “antecipar o número de ciclos de carga a que os materiais podem ser sujeitos até falharem e saber qual o seu tempo de vida útil estimado”, explica Paulo Tavares.

Os setores aeronáutico e automóvel beneficiam diretamente desta inovação, uma vez que utilizam vários componentes em metal, que estão normalmente sujeitos a este tipo de desgaste. Por exemplo, sempre que um avião descola e aterra há um ciclo de fadiga, que pode provocar fendas. Com o sistema patenteado pelo INEGI consegue-se analisar, de um modo mais rápido e mais efetivo do que é conseguido atualmente, quando é esperado que haja rutura de algum componente do avião, de modo a evitar acidentes.

A próxima fase centra-se no estabelecimento de parcerias, que permitam a rentabilização comercial da tecnologia, contribuindo para a otimização de testes de fadiga em vários setores da indústria.

SOBRE O INEGI

É um instituto de novas tecnologias, vocacionado para a realização de atividades de investigação e de inovação de base tecnológica, transferência de tecnologia, consultoria e serviços tecnológicos, orientadas para o desenvolvimento da indústria e da economia em geral. Contando já com mais de 30 anos de experiência, o INEGI atua num conjunto alargado de mercados e setores, nomeadamente: automóvel e transportes; aeronáutica, espaço e defesa; metalomecânica e bens de equipamento; energia e ambiente; saúde; desporto; e economia do mar. Mais informações em: www.inegi.up.pt

Instituto de Anatomia Patológica e Patologia Molecular: trabalhar em missão para os doentes

Tendo como missão universidade, o ensino e investigação e com capacidade para estar no topo do conhecimento da Europa e da América do Norte em termos de prestação de cuidados de saúde diferenciados, o Instituto de Anatomia Patológica e Patologia Molecular (IAP – PM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra assegura o ensino da Anatomia Patológica a estudantes de Medicina Dentária e de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Açores e Cabo Verde, bem como suporte científico e orientação de Teses de Mestrado e Doutoramento, com ou sem desenho dos Projetos de Investigação.

Paralelamente, mantém o serviço à comunidade no âmbito da Histopatologia, Citopatologia, Imunohistoquímica e Patologia Molecular.

E o que é a Anatomia Patológica? A Anatomia Patológica é uma especialidade médica, sendo, por isso mesmo, a equipa dos laboratórios de Anatomia Patológica e Patologia Molecular constituída por médicos “com uma formação de cinco anos como qualquer outra especialidade”. Com uma equipa composta por quatro patologistas, dois internos de Anatomia Patológica, duas técnicos de Anatomia Patológica e três biotécnicas, o IAP – PM tem procurado cativar estudantes e internos para a carreira docente. “Somos médicos hospitalares e temos trabalho diário assistencial ao qual somamos o ensino e a investigação, o que exige uma desmultiplicação de tarefas.

A par disso somos docentes de carreira na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e gostaríamos que eles também fossem”, diz-nos Lina Carvalho, acrescentando que nos laboratórios de Anatomia Patológica trabalham médicos de Anatomia Patológica, que agregam áreas de formação afins: técnicos de Anatomia Patológica e biotécnicos que fazem trabalho diferenciado na componente universitária da Patologia Molecular e técnicos de secretaria, na interface com a comunidade, quer seja a comunidade científica ou a comunidade estudantil.

No IAP – PM é feito, diariamente, um trabalho complexo. “Como estamos na universidade, para além de fazermos diagnósticos também fazemos ensino aos estudantes de medicina e de biotecnologias, com a formação prática respetiva; a Anatomia Patológica é uma unidade curricular da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra”, explica a coordenadora do IAP – PM.

Note-se que a Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra – FMUC – foi inaugurada em 1956 e a unidade curricular de Anatomia Patológica teve início de lecionação em 1863 – também datação aproximada de alguns exemplares do Museu do IAP – PM, muito valorizado na Europa.

TRABALHO DE SAÚDE DIFERENCIADO

A dirigir o Instituto de Anatomia Patológica e Patologia Molecular desde 2003, Lina Carvalho partilha connosco algumas das mudanças efetivadas na Anatomia Patológica e Patologia Molecular e dos desafios enfrentados.

Realça, por exemplo, que a medicina viu o número de autópsias anátomo-clínicas realizadas a diminuírem drasticamente devido aos meios complementares de diagnósticos bastante avançados que permitem saber as causas da morte. “Hoje o número de autópsias de cadáveres de adulto no serviço hospitalar chega a ser cerca de 12 por ano. Até há vinte anos atrás, o número de autópsias rondava as 200 por ano, o que ocupava bastante do nosso tempo em laboratório. Hoje, esse tempo é dedicado ao que é a perspetiva da especialidade: a prevenção através dos rastreios, o diagnóstico precoce e, em caso de doenças avançadas, diagnóstico e definição de terapêuticas para o aumento da esperança de vida. Permite-nos dedicar mais tempo à área relacionada com o microscópio e técnicas complementares, nomeadamente a genética do cancro, a base da Patologia Molecular”, explica.

Desde 2003, desenvolvem-se trabalhos de Investigação Científica em áreas diversas da Anatomia Patológica e com aplicação da Patologia Molecular, particularmente relacionados com Patologia Pulmonar e Digestiva e Patologia Experimental, reconhecidos com prémios nacionais e internacionais.

“Em 2004 fomos bafejados com a Patologia Molecular. Iniciámos a colheita de ADN de pequenos fragmentos de biopsias incluídos em parafina (e a biopsia liquida atual), começando uma nova fase à qual chamamos de terapêutica personalizada, ou seja, hoje algumas alterações genéticas presentes nas células tumorais ou nas células de doenças degenerativas / inflamatórias são passíveis de serem bloqueadas por fármacos, aumentando a sobrevivência e qualidade de vida dos doentes”, refere Lina Carvalho.

Relembra também que foi, na altura, um forte desafio assumir a direção de um Instituto com um número elevado de estudantes e pronto para ser dinamizado. “Com uma herança bastante enriquecedora do Professor Renato Trincão desenvolvemos um serviço que alargámos à comunidade, introduzindo o serviço de Patologia Molecular. Foi uma altura em que tivemos de, simultaneamente, dinamizar os laboratórios, adquirir equipamentos novos, cativar alunos e patologistas, instituir os laboratórios de Patologia Molecular e lecionar. Investimos, como é missão da universidade, nos testes diferenciados, nos serviços à comunidade médica e também na investigação, para a Universidade e para os Hospitais”, acrescenta a nossa entrevistada.

Com as portas abertas para os investigadores de outras áreas e para os pedidos de design e desenvolvimento de projetos, Lina Carvalho admite que o IAP – PM não tem tempo para dizer que “existe”. A este trabalho complexo acresce as parcerias e a relação estreita com a indústria farmacêutica. “A indústria farmacêutica aproxima-se bastante de nós, sendo mantida uma colaboração estreita entre os médicos e a indústria farmacêutica para a obtenção de respostas laboratoriais em atualização constante, para inclusão de resultados nos relatórios de Patologia Molecular, nas publicações e na divulgação de resultados em congressos nacionais e europeus”, realça, dando ênfase ao papel do IAP – PM e à sua integração universitária.

Os desafios, esses, passam ainda pela exigência da indústria farmacêutica, da medicina e dos centros de investigação no que diz respeito à inovação e às novas tecnologias para esta demanda da transferência de conhecimento científico. “Existe uma mudança de paradigma em termos de diagnóstico. Hoje temos de prestar um serviço de medicina personalizado, pois para além do diagnóstico das patologias temos de dar informação que seja importante para a decisão terapêutica e para uma terapêutica direcionada.

Para isso, para continuarmos a desenvolver um trabalho de excelência com resultados de excelência, temos de investir constantemente em novas tecnologias e em tecnologias cada vez mais diferenciadas, mas que acarretam custos elevados, para além de pessoas com formação e conhecimento integrado”, diz-nos Vítor Sousa do grupo de trabalho do IAP – PM.

A Anatomia Patológica é, de facto, uma das áreas mais importantes da medicina, na charneira com a clínica. Com visibilidade discreta, utiliza conhecimentos das mais diferentes áreas para estudar uma doença e fazer um diagnóstico que traz grandes implicações para a vida de um doente, para um prognóstico ou para o tratamento mais adequado. Todas as especialidades precisam de interagir com a Anatomia Patológica, pois qualquer intervenção que seja necessária num doente precisa de diagnóstico e definição de prognóstico/terapêutica, suportados nos relatórios emitidos pelos Médicos Anátomo – Patologistas.

LNEG e o universo Lusófono

Orientado para responder às necessidades do universo empresarial e da sociedade, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) é, cada vez mais, um player de enorme relevo no âmbito da investigação sustentável através da geração do conhecimento do nosso território. Assim, de que forma têm realizado a interação com a sociedade, dando soluções e assistindo as denominadas políticas públicas em prol do país?

O LNEG tem como missão contribuir para o desenvolvimento económico e melhoria da qualidade de vida, colocando o nosso conhecimento ao serviço da sociedade. Nas suas áreas core “energia e geologia e recursos geológicos” e como instituição de investigação que somos, procuramos estar sempre a par do que de melhor se faz no mundo. Para isso fizemos um investimento de longo prazo apostando na participação em redes de conhecimento internacional. Participamos, isto é, colaboramos na construção da European Energy Research Alliance (EERA), pilar para a investigação do Strategic Energy Technologies Plan (SET PLAN), onde somos ativos na sua gestão desde 2008. Somos membros da EuroGeoSurveys (EGS) assumido entre 2016 e 2019 o papel de presidente e coordenamos o grupo de trabalho da matérias-primas. Temos vindo a trabalhar de forma muito ativa na ASGMI, associação dos serviços geológicos dos países ibero-americanos. Somos membros da direção da European Sustainable Energy Innovation Alliance (ESEIA). A nível nacional o LNEG caracteriza-se por ser um especialista independente que assiste o Estado português e pelo seu estado de prontidão na resposta às solicitações nas suas áreas de competência. Ao nível mais geral da sociedade, nomeadamente do tecido mais jovem, temos interação com escolas e todas as ações no quadro da divulgação de ciência para além da informação disponível no Portal do LNEG.

De que forma é que o LNEG tem investido no conhecimento aplicado no sentido de explorar os recursos nacionais geológicos, hídricos ou energéticos? Esse foco pode ser medido em resultados práticos para o país?

Somos o repositório do conhecimento dos recursos endógenos do nosso país que se materializa de diversas formas e com resultados práticos nos compromissos do nosso país para o cumprimento das metas acordadas em matéria de Energia e Clima.  Colaboramos ativamente no Plano Nacional Integrado de Energia e Clima (PNEC). Construímos o atlas eólico onshore e offshore fundamental para a evolução dos investimentos em energia eólica que neste momento otimizam a exploração do recurso vento, construímos o atlas solar contribuindo para potenciar investimentos na exploração do recurso sol, com resultados práticos no recente lançamento dos leilões solares. Somos líderes do BIOREF – Laboratório Colaborativo para as Biorrefinariasque visa colaborar com o sector industrial na exploração do potencial da biomassa no nosso país, apoiando a resolução de vários problemas, por um lado a mitigação dos fogos florestais, por outro lado aproveitando o valor da abundante biomassa do nosso país. Acabamos de concluir um estudo que visa potenciar o hidrogénio produzido a partir de energias renováveis com enorme potencial para a mobilidade verde. Colaboramos no plano nacional para o lítio que visa responder ao desafio da Europa consubstanciado na European Batteries Alliance. Em matéria de eficiência energética para além da nossa intervenção no PNAEE. estamos a preparar uma estratégia para o desenvolvimento das comunidades energéticas e redução das debilidades em termos de conforto de grande parte da nossa população. Tendo consciência da nossa responsabilidade ao nível dos recursos estamos a lançar uma nova área de investigação na economia dos recursos, área transversal que pretende apoiar as políticas públicas em linha com o que se faz nas Nações Unidas na avaliação dos recursos, e do seu papel para responder aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), do nosso planeta.

Qual tem sido o papel do LNEG no domínio da CPLP e como tem a instituição contribuído para o aproximar e estreitar de relações que fomentem mais valias?

Desde longa data temos uma relação estreita com os países da CPLP. Neste momento temos a decorrer um importante projeto em Angola que visa munir este país com ferramentas para o seu desenvolvimento. Trata-se da cartografia geológica de Angola, conhecimento fundamental para o desenvolvimento do país em termos do seu ordenamento do território e do conhecimento dos seus recursos naturais. No quadro de outro projeto internacional colaboramos em ações de capacitação, na área da Geologia, nomeadamente em países da CPLP.

Sente que ainda existem lacunas no domínio da CPLP para que esta se possa afirmar como ator global no mapa da energia mundial? Que caminho deve ser seguido?

África é um continente com um enorme potencial onde maioritariamente os países da CPLP estão. Há um caminho a percorrer que pode aproveitar dos erros e sucessos dos países mais desenvolvidos. É pela potenciação da experiência em prol de medidas urgentes para ajudar estes países, com população muito jovem, que a nossa responsabilidade nos deve orientar. À nossa escala, é o que estamos a fazer.

Sente que para o país é essencial que a CPLP se possa transformar num player dinamizador de um modelo global de soberania energética e desenvolvimento para o séc. XXI

Se o nosso país conseguir ter um papel importante na capacidade dos países da CPLP garantirem a sua autonomia energética em linha com os objetivos do acordo de Paris estamos a contribuir para a nobre missão da sustentabilidade do nosso planeta. O LNEG tem apostado neste apoio que se materializa em projetos como por exemplo o PLANAGEO que se desenrola em Angola.

De que forma é que fundamental que se continue a apostar na partilha e a desenvolver modelos de exportação de conhecimento para criar, ainda mais, essa rede de parcerias no domínio da CPLP?

A partilha é a chave do sucesso. Dito isto, é nossa obrigação trabalhar para partilhar o que é o nosso saber e saber fazer com os nossos parceiros da CPLP. É o que temos feito em Angola, Moçambique, Guiné e Cabo Verde através de projetos no domínio da Energia e Geologia. Também temos tido contactos exploratórios com Timor.

No âmbito do desenvolvimento sustentável ao nível da CPLP, o que podemos continuar a esperar por parte do LNEG?

O nosso lema “Construir um futuro mais limpo e melhor” explica de uma forma simples como nos posicionamos em termos de objetivos a cumprir. Lutamos por projetos que nos permitam contribuir para o desenvolvimento sustentável, também na CPLP.

 

Portugal, Japão e Alemanha juntos no desenvolvimento de uma vacina de nova geração contra a Malária

O IBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica – participa num projecto internacional para o desenvolvimento de uma vacina contra a Malária. Equipas de cientistas do Japão, Portugal e Alemanha juntaram-se para combater esta doença que já foi endémica em Portugal e que actualmente infecta mais de 200 milhões de pessoas e causa quase meio milhão mortes todos os anos.

A pesquisa por uma vacina contra a malária conta com mais de 40 anos. Por todo o mundo, diversos grupos de cientistas procuram prevenir a transmissão do parasita de mosquitos para humanos. Contudo estas vacinas de primeira geração revelaram ser pouco eficazes protegendo no máximo 30% das pessoas vacinadas. Uma alternativa que se tem revelado significativamente mais eficaz é o desenvolvimento de vacinas que protegem os glóbulos vermelhos da entrada do parasita impedindo assim a sua replicação no sangue. Porém, o elevado grau de heterogeneidade entre diferentes isolados tem-se revelado o principal obstáculo ao desenvolvimento deste tipo de vacinas.

Recentemente, investigadores do Proteo-Science Center da Universidade de Ehime (Japão) e da Sumitomo Dainippon Pharma (Japão) descobriram um novo antigénio do estádio sanguíneo do parasita com destacado potencial terapêutico devido ao seu elevado grau de conservação entre diferentes isolados, o PfRipr5.

A fim de transformar esta descoberta numa vacina de nova geração, estes investigadores contam com a ajuda de investigadores Portugueses e Alemães que serão responsáveis pela produção e formulação do novo antigénio, respectivamente. Em Portugal, o iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, em Oeiras, será responsável por desenvolver o processo de produção e de garantia da qualidade desta proteína, PfRipr5.

Este projecto é de maior importância internacional uma vez que o parasita da malária é um dos organismos prioritários para o desenvolvimento de uma vacina segundo o Global Vaccine Action Plan (GVAP) da Organização Mundial de Saúde. Ainda de acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 3 mil milhões de pessoas em 92 países estão em risco de contrair malária durante a sua vida.

Denominado “Further development of a new asexual blood-stage malaria vaccine candidate”,  este projeto é financiado do Fundo Japonês Global Health Innovative Technology Fund (GHIT), uma parceria público-privada entre o governo do Japão, várias empresas farmacêuticas, a Fundação Bill and Melinda Gates, o Wellcome Trust e o Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas, O GHIT tem como objectivo estimular o desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas.

O Dia Mundial da Luta Contra a Malária assinala-se anualmente a 25 de Abril e tem como objectivo reconhecer o esforço global para o controlo efectivo da malária, sublinhar os avanços e apelar à acção e ao investimento de forma a acelerar o progresso contra a doença.

“A vida ensina-nos a saber quais são as prioridades”

É professora e investigadora em Informática na Escola Superior de Tecnologia do IPCA. Quem é a Maria Manuela Cruz Cunha?

Estudei Engenharia de Sistemas e Informática na Universidade do Minho (UM) quando um computador ocupava uma sala. No início trabalhei ligada à universidade, mas as empresas e a produção industrial atraíam-me muito, e montei uma empresa informática, fui engenheira numa empresa têxtil, consultora de empresas industriais e gestora de uma organização de interface da UM. O meu doutoramento em Engenharia de Produção e Sistemas foi, por isso, uma escolha natural e fi-lo com um orientador da UM e outro da Universidade de Massachusetts. Era essencial para mim a dimensão internacional (por pouco não fiquei em Boston). Só no final dos anos 90 optei pela vida académica, atraída pela possibilidade de ajudar a construir uma escola de tecnologia numa instituição de ensino superior que se começava a desenhar na região do Cávado e do Ave e por acreditar verdadeiramente no poder das tecnologias para ajudar as pessoas.

Nasci em Luanda e vim para Portugal com 10 anos. Por isso gosto tanto do mar e de música com ritmo para dançar. Diz, quem me conhece bem, que sou distraída, que passo horas intermináveis ao computador, mas acham graça ao meu sentido de humor e ao facto de gostar, ainda e sempre, de Fellini e dos clássicos da literatura.

Autora e editora de mais de 30 livros e 150 artigos, é, ainda, o rosto e a voz de conferências internacionais na área das tecnologias, uma área ainda muito associada ao sexo masculino. Numa sociedade que impõe limites às mulheres, é fácil conciliar a vida pessoal com uma carreira profissional de sucesso?

Sou da geração de engenheiros informáticos com formação de banda larga. Hoje o paradigma é outro. O curriculum dos cursos tecnológicos é muito mais convergente e as outras áreas do conhecimento dependem da informática para o seu desenvolvimento. Temos de pensar de forma integrada com a humildade de aceitar outros conhecimentos que não passaram por nós. O que me atrai no que faço é conhecer diariamente talentos com novas motivações que nunca me tinham ocorrido. Por isso a troca de ideias é tão fundamental! As conferências em cuja organização participo e os livros que produzo surgiram desta necessidade.

Realmente não existem muitas mulheres nesta área. O Fórum Económico Mundial em 2016 salienta o grave problema que isso representa para o crescimento económico sustentável da sociedade, considerando os benefícios que talento, inovação e tecnologia têm como pilares essenciais da Quarta Revolução Industrial. Apenas 30% das mulheres trabalham em tecnologias e a esta escassez acresce o seu persistente desinteresse por esta área. O desafio será mostrar às jovens os novos horizontes da economia digital e o interesse de escolherem carreiras ligadas à ciência, tecnologia engenharia e matemática (STEM) para não ficarem excluídas deste novo modelo económico.

Nunca senti limites por ser mulher, mas sei que existem em outros contextos. Quando passei pela indústria, no final dos anos 80,  conheci a realidade das mulheres em profissões pouco qualificadas e com salários desiguais. Por sinal, no IPCA a representação feminina na gestão é elevada; a presidência é ocupada por uma mulher e a vice-presidência é atribuída a um homem e a uma mulher.

Tenho a sorte de ter uma excelente retaguarda na minha vida pessoal, que me dá liberdade para fazer aquilo que gosto. Os homens com quem trabalho são cheios de qualidades, altamente competentes, e devo-lhes grande parte dos meus resultados. Tento dividir o tempo entre o trabalho, a família e o lazer. No início da minha carreira o trabalho esteve em primeiro plano, chegando mesmo a estar antes de mim… Mas a vida vai-nos ensinando as prioridades.

O IPCA comemora 25 anos de Ensino Superior Público. São 25 anos de…?

Somos a mais jovem instituição pública de ensino superior. Hoje temos mais de 4500 estudantes que se dividem por quatro escolas, em cursos de TeSP, Licenciatura e Mestrado. Em 25 anos o IPCA tornou-se uma referência nacional e tem uma dinâmica importante para o desenvolvimento da região, em grande medida fruto da visão do recém-desaparecido Professor Doutor João Carvalho, que presidiu ao IPCA até 2016. Em particular a Escola Superior de Tecnologia (EST) foi pioneira em cursos como a Engenharia e Desenvolvimento de Jogos Digitais.

Que atividades tem previstas ao nível de temas como a transformação digital, indústria 4.0, cibersegurança?

O grande desafio da EST é, atualmente, o reconhecimento pela FCT do Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada – 2Ai, um centro de investigação que vai albergar as atividades nesses temas. Vamos iniciar uma pós-graduação em Cibersegurança e Informática Forense, organizamos a Semana Industry 4.0, coordenamos a edição de 2019 do International Symposium on Digital Forensic and Security e participo na organização da CENTERIS 2019 a ter lugar na Tunísia em outubro próximo.

Roupas eletrónicas preparam-se na Universidade de Aveiro para ditar a moda

Fibra têxtil com pixel luminoso incorporado

Atualmente, as roupas eletrónicas são fabricadas através da colagem de dispositivos nos próprios tecidos, tornando-os rígidos e suscetíveis de se estragarem com facilidade. Este trabalho, desenvolvido em parceria entre o CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro (uma das unidades de investigação das UA), o centro de investigação em têxteis CENTEXBEL (Bélgica) e a Universidade de Exeter (Inglaterra), integra os dispositivos eletrónicos no tecido, revestindo fibras eletrônicas com componentes leves e duráveis que permitirão que imagens e sinais luminosos sejam mostrados pelo próprio tecido.

Fibras têxteis com pixels luminosos incorporados

 

Os investigadores garantem que a descoberta pode revolucionar a criação de dispositivos eletrónicos vestíveis para uso numa variedade de aplicações diárias, seja no simples acesso ao email através da roupa, seja na monitorização do estado de saúde através de sensores que permitem medir, por exemplo, a frequência cardíaca e a pressão arterial, e avisar quando algo está mal.

“É uma técnica que permite integrar dispositivos baseados em grafeno diretamente em fibras têxteis, mantendo o aspeto, flexibilidade e toque do tecido. Para já, criámos sensores de toque, tal como os usados nos écrans sensíveis ao toque, e dispositivos que emitem luz”, explica Helena Alves, investigadora do CICECO.

A coordenadora do trabalho realizado na UA garante que “a combinação destes dispositivos permite, por exemplo, criar ‘touch-screens’ em tecidos ou objetos revestidos com têxteis, para visualizar informações”. E como os dois dispositivos foram fabricados usando métodos compatíveis com métodos e requisitos industriais, torna possível a respetiva produção industrial.

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