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EUA suspendem pesquisas com chimpanzés

Chimpanzé

A decisão, adoptada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH), ocorre dois anos e meio após o órgão anunciar o fim da maioria das pesquisas biomédicas envolvendo chimpanzés, que são os animais mais próximos dos seres humanos, partilhando 98% dos nossos genes.
Em 2013, o NIH deixou de aprovar novos pedidos de investigação envolvendo chimpanzés e no ano passado os animais cativos foram declarados em risco pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA.
O NIH declarou que o carácter de espécie em risco exigia dos cientistas permissões adicionais para qualquer experiência, e desde então não ocorreu qualquer solicitação neste sentido.
Os chimpanzés do NIH serão enviados para o Sistema Federal de Santuários, que administra o Chimp Haven em Keithville, Louisiana.

“O objetivo é melhorar a qualidade de vida da pessoa com diabetes”

Hugo Martinho

Todos os dias cerca de 160 portugueses ficam a saber que têm diabetes, um problema que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, é a quarta principal causa de morte na maior parte dos países desenvolvidos. Que espaço esta doença tem ocupado na “agenda” da Boehringer Ingelheim?
A incidência e prevalência da diabetes têm aumentado consideravelmente nas últimas décadas, constituindo-se como um importante problema de saúde pública, com um significativo impacto na morbilidade e mortalidade da população.
Apesar dos progressos significativos no campo da prevenção, do seguimento e do tratamento desta doença, continuam a existir muitas necessidades médicas por satisfazer.
Por esse motivo é extremamente importante investir na investigação e desenvolvimento de novas moléculas e tecnologias com potencial impacto na modificação da história natural da doença. Esta tem sido uma das prioridades da Boehringer Ingelheim, enquanto companhia focada na inovação e nos cuidados à pessoa com diabetes. O combate à diabetes é uma prioridade da nossa companhia e continuará a sê-lo no futuro.

Acreditam que a Investigação e o Desenvolvimento têm ditado o sucesso da empresa. O elevado nível de investimento em I&D é um dos vossos elementos diferenciadores? Na área da diabetes o que tem sido possível fazer?
A investigação e o desenvolvimento de novas tecnologias e fármacos inovadores é uma das marcas da nossa companhia. Diariamente milhares de colaboradores da Boehringer Ingelheim dedicam-se às atividades de R&D em áreas tão importantes como a doença cardiovascular, as doenças respiratórias, do foro oncológico, do metabolismo, neurociências e imunologia.
Em Portugal, a Boehringer Ingelhem é líder em investigação clínica. Este facto tem permitido que muitos dos nossos doentes e profissionais de saúde possam participar em ensaios clínicos com moléculas inovadoras, numa fase inicial do seu desenvolvimento. Na última década fizemos um grande esforço em termos financeiros e de recursos humanos para podermos formar profissionais de saúde e unidades de investigação clínica com a excelência que hoje todos podem comprovar.
Na diabetes, nos últimos seis anos foram alocados seis ensaios clínicos com novas moléculas, sendo que alguns destes estudos tiveram uma duração superior a cinco anos. Foi também nesta área que a Boehringer Ingelheim se afirmou como a primeira companhia farmacêutica com ensaios clínicos nos cuidados de saúde primários, em Portugal. Para termos uma ideia dos números, só em ensaios clínicos na área da diabetes foram envolvidos mais de duzentos doentes e cerca de trinta investigadores.

Muitos estudos têm sido avançados e a investigação em saúde, em qualquer vertente, centra-se num objetivo: a cura. Num futuro muito próximo poderíamos falar da cura para a diabetes?
A diabetes é uma doença crónica, sendo a sua história natural bastante complexa. Os novos medicamentos permitem controlar melhor a doença, atrasando o aparecimento das complicações crónicas.
De acordo com o conhecimento atual que temos, a obtenção da “cura” ou da resolução clínica de uma patologia como a diabetes, ainda não é possível. Contudo, as moléculas que têm vindo a ser disponibilizadas têm permitido uma significativa melhoria dos cuidados prestados ao doente, impactando a sua perceção sobre a doença, a gestão das complicações e a sua qualidade de vida.

Segundo dados de 2013, o número de amputações cresceu, ao mesmo tempo que se conseguiu que mais pessoas fossem seguidas pelo médico de família. Apesar de existirem cada vez mais diabéticos acompanhados nos centros de saúde, por que é que aumentam, paralelamente, as complicações provocadas por esta doença?
Em Portugal, o combate à diabetes é uma prioridade de saúde pública e os cuidados de saúde primários representam muitas vezes a porta de entrada do doente no sistema de saúde. Claramente que hoje existe uma maior organização do nosso sistema de saúde para diagnosticar e prestar cuidados diferenciados à pessoa com diabetes. Talvez por esse motivo, a par do aumento do número de pessoas seguidas pelo médico de família, tenhamos igualmente um maior registo das complicações associadas à doença, uma vez que muitas vezes aquando do diagnóstico, as complicações da doença já estão instaladas. É por isso importante que o diagnóstico seja efetuado o mais precocemente possível de forma a atrasar ou prevenir o aparecimento destas complicações.

A diabetes é considerada uma doença silenciosa e, como tal, se não forem feitos exames regulares, nem sempre se conhece esta condição. Para que sinais se deve estar mais alerta? Importa apostar mais na consciencialização das pessoas para que fiquem mais cientes dos sintomas?
Como referi, um diagnóstico precoce é absolutamente fundamental para um melhor controlo da doença e das suas complicações. A diabetes tipo 1 é aquela que aparece maioritariamente em crianças e jovens, de forma rápida e com os sintomas característicos (sede, fome, urinar muito e emagrecimento); a diabetes tipo 2 aparece geralmente na idade adulta tardia, associada ao excesso de peso, obesidade e a pouca atividade física com hábitos alimentares pouco saudáveis – as pessoas com diabetes tipo 2 não têm geralmente sintomas e só serão diagnosticadas porque fizeram rastreio, por análises de rotina ou porque já têm complicações da diabetes.
Portanto, sendo a diabetes tipo 2 essencialmente assintomática torna-se relevante uma maior consciencialização dos profissionais de saúde para a identificação e rastreio de doentes com risco de diabetes.

Esta é uma patologia que anda de mãos dadas com a obesidade e com o sedentarismo. No campo da prevenção nesta área da alimentação e do desporto ainda há um longo trabalho a ser feito?
O combate à diabetes passa por uma educação para a saúde e prevenção eficaz. Este não é só um desafio para os profissionais e sistema de saúde, mas também para a sociedade e a forma como se organiza e responsabiliza pela saúde individual e coletiva. É necessário melhorar e fazer mais pela promoção da atividade física através da disponibilização de espaços nas cidades que permitam a realização de práticas desportivas, pela promoção do desporto escolar nas escolas, do aconselhamento alimentar nas crianças e nos adultos, do apoio ao comércio local para um maior consumo de frutas e legumes.

Numa análise generalista, no campo da investigação e da prevenção da diabetes, que imagem tem do que tem sido feito em Portugal? Relativamente a outros congéneres europeus, o nosso país ainda está aquém das expectativas?
No nosso país, foram feitos muitos progressos nos cuidados prestados à pessoa com diabetes, particularmente com a implementação do programa nacional para a diabetes da DGS, que estabeleceu claramente as prioridades e as metas a atingir com vista à diminuição do fardo da doença. Portugal tem sido, aliás pioneiro, na implementação de algumas medidas, projetos e atividades que nos colocam ao nível do melhor que se faz na Europa. Pela excelência e dimensão, destaca-se por exemplo o projeto “Não à Diabetes!” apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2014, e coordenado pela APDP e SPD. Este projeto, tem dois objetivos: evitar que 50 mil pré-diabéticos desenvolvam a doença nos próximos cinco anos e identificar, no mesmo período, 50 mil diabéticos que desconheçam ser portadores da doença
No campo da investigação temos excelentes exemplos de projetos epidemiológicos (estudo PREVADIAB e Observatório Nacional da Diabetes) e clínicos que demonstram a importância que um melhor conhecimento tem no combate à doença.

Quais os principais desafios que se colocam atualmente ao setor farmacêutico e de que forma os mesmos se refletem no medicamento e na saúde pública? Qual tem sido a estratégia da Boehringer Ingelheim para responder às atuais exigências?
Nos últimos anos a área da saúde e por consequência o setor do medicamento tem passado por muitas transformações quer em termos de resposta do sistema de saúde, quer ao nível do seu financiamento e acessibilidade. Hoje, ainda estamos em fase de consolidação dessas mudanças que levaram a uma necessidade de adaptação rápida às novas exigências e desafios.
Apesar destes constrangimentos externos a Boehringer Ingelheim conseguiu consolidar e potenciar a sua liderança em investigação clínica. Tivemos também oportunidade de lançar com sucesso fármacos inovadores em várias áreas terapêuticas, nomeadamente na diabetes.
Acreditamos que o nosso empenho e a relação de parceria que construímos com os stakeholders do sistema de saúde, as associações de doentes e as sociedades científicas contribuem para melhorar o tratamento das pessoas com diabetes e a sua qualidade de vida.

No caminho da prevenção e do tratamento de pessoas com diabetes, qual continuará a ser a linha de atuação da Boehringer Ingelheim? Que objetivos pretendem ver brevemente concretizados?
A investigação e disponibilização de novas moléculas na diabetes, que configurem valor terapêutico acrescentado é uma prioridade presente e futura da Boehringer Ingelheim. A nossa estratégia é continuar a investigar e desenvolver medicamentos inovadores e disponibilizá-los aos doentes que deles necessitam em todo o mundo. Mas para que mais doentes possam ser tratados com fármacos inovadores é fundamental que findo o processo de aprovação os mesmos possam ser disponibilizados no mercado, em tempo útil e razoável.
Na área da diabetes, a BI está a lançar duas novas moléculas em diversos países da Europa, estando as mesmas em Portugal a aguardar aprovação do pedido de comparticipação.
Um desses novos antidiabéticos orais apresentou recentemente resultados de segurança, que demonstram pela primeira vez, um impacto único e clinicamente relevante na morbilidade e mortalidade associadas à doença. Estamos a trabalhar no sentido das novas alternativas terapêuticas poderem estar disponíveis, muito brevemente, para os doentes diabéticos.

A propósito do Dia Mundial da Diabetes, que se celebra no próximo dia 14 de novembro, que mensagem importa deixar?
Apesar do flagelo de saúde pública que a diabetes representa, continuamos cada vez mais empenhados, em articulação com a sociedade civil, a comunidade médica e os nossos parceiros institucionais, em combater esta epidemia silenciosa. Podem contar com o nosso trabalho, esforço e total dedicação na educação, prevenção e tratamento, de forma a melhorar a qualidade de vida da pessoa com diabetes.

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