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Cushman&Wakefield diz que 2015 foi o “melhor ano de sempre”

Cushman & Wakefield

“Não fechámos o ano acima dos dois milhões de euros, como tínhamos previsto, porque há investimento que passou para este ano”, afirmou o diretor-geral da Cushman & Wakefield, Eric van Leuven, adiantando que a consultora tem 500 milhões de euros de investimentos prontos, “à espera de assinar contrato”.

Numa conferência de imprensa de apresentação de resultados, hoje em Lisboa, na qual o diretor geral ressalvou não estarem ainda encerrados os indicadores de 2015, mas serem uma estimativa muito próxima dos valores definitivos, Eric van Leuven destacou o ano passado como “o melhor ano de sempre”, acima do investimento de 2007, considerado até agora o melhor ano da empresa em Portugal.

“O número de operações nem é muito superior ao de outros anos, o que foi maior foi o volume das transações”, explicou, especificando que 90% do volume e 72% das transações foram efetuadas por investidores estrangeiros, entre os quais se destacam os ingleses e americanos, como os que apostam nas maiores transações, e os alemães, holandeses e franceses como os que mais operações fazem.

“O tradicional fundo imobiliário nacional tem atraído capital estrangeiro. É verdade que muitas operações de sociedades gestoras portuguesas têm capital estrangeiro por trás”, constatou Eric van Leuven.

Cerca de 60% do capital investido este ano no imobiliário foi no retalho (lojas), a maioria (100 das 350 lojas abertas em 2015) na área da restauração, com destaque para a região de Lisboa, mas também foram transacionadas lojas em centros comerciais e de comércio de rua.

No segmento escritórios, o ano também correu bem para a consultora, tendo sido classificado como “o melhor dos últimos seis ou sete anos” e que deve ter encerrado acima dos 140 mil m2 de transações, entre as quais se destaca o negócio da ocupação da EDP da sua sede em Santos, Lisboa.

“As rendas não tiveram grandes subidas”, disse o diretor geral, adiantando ainda que no Parque das nações, em Lisboa, a taxa de desocupação (que estava a aumentar os últimos anos) está a descer, segundo os indicadores do ano passado.

Empresas nacionais vão investir 30 milhões em Cuba

“Neste momento, os investimentos já acordados e em fase final de negociação das empresas portuguesas em Cuba já devem ascender a cerca de 30 milhões de euros. Já se celebraram diversos memorandos de entendimento com empresas portuguesas que querem investir em Cuba, desde o sector da indústria de moldes plásticos, de componentes para automóveis (cerca de 12 milhões de euros de investimento), na área do papel (cerca de 10 milhões), ou na indústria da construção (cerca de dois milhões) ”, revela ao Diário Económico Américo Castro, presidente da Câmara de Comércio Portugal-Cuba (CCPC).

Segundo este responsável, “também já foi feito o registo da empresa e iniciou-se o processo negocial para uma empresa portuguesa do sector das conservas”, que não quis revelar.

“Há ainda mais duas empresas portuguesas, a Raclac, integrada num grupo que fatura cerca de 400 milhões de euros por ano, e a Docworld, que entraram agora na área dos produtos hospitalares. Há também interesse de empresas portuguesas em Cuba no sector do turismo, no segmento de ‘sightseeing’ e dos cruzeiros”, acrescenta Américo Castro.

Este crescente interesse das empresas portuguesas pelo mercado cubano foi visível na recente FIHAV – Feira Internacional de Havana de 2015, que se realizou na capital cubana de 2 a 7 de novembro do ano passado. O certame contou este ano com a presença de mais de 90 empresários portugueses e teve 17 empresas nacionais a expor. Ocorreram as visitas do presidente da Aicep, Miguel Frasquilho, e do novo embaixador de Portugal em Cuba, Luís Faro Ramos.

“Já durante a feira foi assinado um negócio entre uma empresa portuguesa de câmbios, a Realtransfer, e o Estado cubano. Esta empresa tem agora a possibilidade de entrar em Cuba como operador de câmbios, que é sempre uma área delicada da economia, e para a qual já tem licença”, adianta Américo Castro, revelando mais um negócio de uma empresa lusitana em Cuba.

O presidente da CCPC sublinha que já foi publicado um novo caderno de oportunidades para o investimento em Cuba, apresentado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Rodrigo Malmierca Díaz. Foram também apresentados os projetos já aprovados para a zona especial de Mariel, dos quais oito são de megadimensão. Há mais de 200 projetos de investimentos que aguardam aprovação para a zona económica especial de Mariel, que poderão interessar às empresas portuguesas.

Américo Castro adianta ainda que a CCPC vai dentro em breve assinar um protocolo com a Aicep com vista à divulgação e promoção de oportunidades em Cuba, à realização de eventos e à organização da presença portuguesa na FIHAV em 2016.

“Estou convencido que até lá se fecharão muitos negócios entre empresas portuguesas e Cuba. Penso que 2016 será um ano fortíssimo de negócios portugueses em Cuba.

A FIHAV trouxe resultados para algumas empresas portuguesas. Houve umas que se expuseram pela primeira vez e que, por isso, já iniciaram o processo de registo em Cuba”, realça Américo Castro. O presidente da CCPC considera que “o embargo dos Estados Unidos está no fim, esse processo não vai parar” e, por isso, “temos aqui uma oportunidade única para as empresas portuguesas poderem, no momento mais assertivo de todos, entrar em Cuba e poder crescer”.

Atividade industrial nos EUA com maior queda em mais de seis anos

De acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Institute for Supply Management (ISM), o índice associado a este setor caiu de 48.6 em novembro para 48.2 no mês seguinte.

O valor fica aquém do estimado pelos analistas, que apontavam para 49, e reflete o impacto da apreciação do dólar e a limitação de investimento no setor energético arrastado pela queda dos preços das matérias primas. Valores abaixo da marca dos 50 representam contração da atividade.

“As dificuldades do setor manufatureiro vão continuar em 2016. (…) Ainda temos um dólar forte e os preços da energia em queda”, disse à Bloomberg o analista da Moody’s, Ryan Sweet.

De acordo com a Bloomberg, a procura interna (estimulada pela melhoria dos índices de emprego e de salários) impede que a queda na procura tenha um efeito ainda pior na atividade das fábricas.

No espaço de poucas horas esta é a segunda má notícia para o setor industrial das duas maiores economias do mundo, depois de na China a atividade ter recuado pelo quinto mês consecutivo em dezembro.

Thema Hotels investe 1,5 milhões para renovar Quinta das Lágrimas

O grupo Thema Hotels & Resorts, que resultou da fusão entre os grupos Lágrimas e Alexandre de Almeida, está a investir 1,5 milhões de euros na renovação da Quinta das Lágrimas Palace Hotel, unidade instalada em Coimbra. Em declarações ao Diário Económico, o presidente executivo do Thema Hotels, Miguel Júdice, justifica este investimento com o facto de o hotel estar a comemorar 20 anos, sendo necessário apostar num “forte ‘up-grade’ da estrutura e ‘backoffice’, assim como na decoração dos espaços públicos e quartos”. O gestor garante que a meta é “relançar o hotel no final do primeiro semestre de 2016”, sendo que a unidade vai continuar em funcionamento.

Miguel Júdice salientou que, este ano, o grupo candidatou-se a um financiamento no âmbito do Programa Revitalizar para este projeto que atribuiu “o montante máximo de 1,5 milhões de euros”.
A mesma fonte revelou que esta remodelação levou o grupo a decidir por “verticalizar a administração [da Quinta das Lágrimas] e nomear um administrador encarregue de acompanhar este investimento”. Com base nesta decisão, o grupo integrou Igor Pereira no conselho de administração agora composto por seis membros, um presidente, um administrador-delegado e quatro vogais.

Numa altura em que Coimbra se prepara para inaugurar um centro de congressos, o grupo Thema perfila-se assim para aproveitar a procura que este equipamento, com capacidade para mil pessoas, irá trazer. “Inovar o produto para os novos eventos que Coimbra vai ter”, sublinha o gestor.

O mercado nacional é o principal emissor de turistas na Quinta das Lágrimas, mas Miguel Júdice destaca também o contributo de franceses, espanhóis, americanos, brasileiros e japoneses.
Sobre o desempenho financeiro, Miguel Júdice realça que o grupo, em 2015, cresceu face a 2014 tanto em vendas como rentabilidade. “Foi um bom ano com um crescimento de 10% nas vendas para cerca de 16,5 milhões de euros”. O próximo exercício será também de crescimento, com o gestor a antecipar nova subida de 10% nas vendas.

Escola de turismo do ISCTE custará entre oito a dez milhões de euros

A nova escola universitária vai ser financiada pela venda de uma parcela de terreno do ISCTE, que será utilizada para a construção de dois hotéis — um de quatro ou cinco estrelas e um low cost para estudantes, docentes e investigadores -, a funcionarem, obrigatoriamente, em articulação com a escola de turismo, referiu o reitor à agência Lusa.

“Há-de ser a primeira vez que uma universidade pública compra o terreno e constrói sem financiamento público”, afirmou Luís Reto, criticando que “o Estado não financia os custos correntes quanto mais os custos de investimento”.

Segundo o reitor do ISCTE, o financiamento por parte do Estado “tem diminuído todos os anos”, pelo que as universidades têm que arranjar receita própria para se conseguirem expandir.

O objetivo da universidade é criar “uma escola dedicada ao ‘hospitality & tourism management’ e à gastronomia de alto nível”, revelou, referindo que permitirá a formação de executivos, mestrado, doutoramento e investigação na área.

“Portugal é um dos 20 destinos turísticos do mundo e a ambição é ter uma escola que esteja ao mesmo nível internacional e que atraia também estudantes internacionais nesta área”, defendeu Luís Reto, considerando que a instituição “não tem qualquer hipótese de nas instalações atuais desenvolver nova atividade”, por estarem “completamente sobrelotadas”.

Em 2011, o ISCTE comprou um terreno à Parpública – empresa gestora das participações públicas – por 9,2 milhões de euros, valor que será liquidado até ao início de 2016, informou o responsável da instituição universitária, acrescentando que este ativo será utilizado para construir o novo edifício escolar, através da venda de uma parcela para a construção de dois hotéis.

“Precisamos de fazer esta alienação, porque não temos dinheiro para construir o nosso edifício. Temos é um terreno”, expressou.

O terreno onde vão ser construídas as duas unidades hoteleiras e a escola de turismo localiza-se junto ao campus do ISCTE-IUL, na Avenida das Forças Armadas, freguesia de Alvalade, no local onde hoje funciona a sede do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), que, desde 2011, paga à universidade uma renda de 560 mil euros por ano e cujas infraestruturas serão demolidas aquando o início do novo projeto.

“Já vai em dois milhões e tal de rendas pagos pelo IMT”, disse Luís Reto, referindo que ao descontar o valor recebido das rendas ao preço pago pelo terreno [9,2 milhões de euros] o investimento passa a ser cerca de sete milhões.

Questionado sobre a possibilidade de criar a nova escola sem construir os hotéis, o reitor do ISCTE considerou que as unidades hoteleiras são “um complemento do projeto”, reforçando que “não há nenhuma grande escola do mundo que não tenha hotéis de aplicação” para que os estudantes possam ter aulas práticas de gestão hoteleira e de gastronomia.

“Não vamos construir hotéis, nem gerir hotéis”, frisou o responsável do ISCTE, explicando que o projeto será colocado a concurso público internacional, tendo como permuta construir o edifício escolar, orçamentado “entre os oito e 10 milhões de euros”.

Na quarta-feira, a Câmara de Lisboa aprovou o pedido de informação prévia apresentado pelo ISCTE-IUL para construir dois hotéis, com os votos contra do PCP e abstenção do CDS e de um vereador dos Cidadãos por Lisboa.

“Entre fevereiro e março teremos o concurso na rua”, disse Luís Reto, revelando que o projeto tem despoletado o interesse nacional e, principalmente, internacional, pelo que a construção dos edifícios poderá começar em 2016.

Fundando em 1972, o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa passou a designar-se ISCTE-IUL em 2009 quando a instituição passou para o regime de fundação pública de direito privado.

Ali estudam cerca de 9.000 estudantes.

BCP recebe 500 milhões do BEI para financiar PME

O contrato de financiamento relativo à primeira parcela de 250 milhões de euros foi ontem assinado em Lisboa por Román Escolano, vice-presidente do BEI e por Miguel Bragança, CFO do Millennium bcp.

“Para além das pequenas e médias empresas (PME), serão também elegíveis para financiamento as chamadas mid-caps (empresas com um máximo de 3 000 trabalhadores) e outras entidades dos sectores público e privado que pretendam realizar projetos de pequena e média dimensão em Portugal”, referiu.

Adiantou que cada projeto de uma PME pode receber até 12,5 milhões de euros de financiamento do BEI, sendo que este financiamento pode atingir 50% noutro tipo de projetos. O Millennium bcp compromete-se a acompanhar o empréstimo do BEI com, pelo menos, o mesmo montante, “dando um novo incremento ao seu volume de empréstimos de médio e longo prazo a empresas”, realçou.

Com este empréstimo, o BEI concede financiamento a este tipo de empresas em condições favoráveis de prazo e taxa de juro.

Segundo o comunicado deste organismo europeu, o financiamento das pequenas empresas é uma das prioridades de investimento do BEI. “Em 2014, o Grupo BEI concedeu um montante recorde de 25 500 milhões de euros às pequenas empresas, beneficiando mais de 290 000 empresas em toda a Europa. Em Portugal, no mesmo ano, o BEI assinou acordos de empréstimo num total de 1 319 milhões de euros, incluindo 875 milhões de euros para as PME e as mid-caps”, explicou.

Pestana investe seis milhões na quarta fase do Tróia Eco Resort

Esta última fase irá receber um investimento de cerca de seis milhões de euros. O administrador da maior cadeia hoteleira portuguesa, José Roquette, revela ao Diário Económico que “a quarta e última fase está a ser lançada numa conjuntura económica muito melhor, pelo que será um pouco maior do que as anteriores em que se construiu cerca de 35 a 40 unidades”.

O ‘Chief Development Officer’ e administrador responsável pelo projeto Tróia Eco-Resort & Residences lembrou que o grupo avançou o projeto imobiliário em Tróia em 2009, em plena crise financeira, sendo que lançou a primeira fase em 2010. “Até aqui estão feitas três fases com grande sucesso em que já estão 120 unidades vendidas com preços médios interessantes”.

As obras para as unidades – Acqua Villas, Beach Villas, Pine Villas e Green Villas – arrancaram a 15 de setembro, ou seja dois meses mais cedo já que o grupo trabalhou durante o Verão para planear as obras. “O objectivo é que estas unidades estejam prontas no final de Maio para a entrega das casas aos compradores já para o Verão de 2016”.

No que se refere a preços de venda, José Roquette diz que o produto mais vendido nas fases anteriores é o corresponde a casas com três quartos, cujo preço médio ronda os 360 a 370 mil euros.

Depois de três fases anteriores que considera de sucesso, o gestor assume que o grupo volta a investir “porque há a noção que o projeto está consolidado”. Isto porque a “conjuntura económica é muito mais favorável e o reconhecimento que o grupo Pestana tem conquistado naquela região faz acreditar que vai ser, mais uma vez, um grande sucesso”.

Quanto a potenciais investidores, José Roquette sublinha que “até aqui tem sido sobretudo mercado nacional. Mas há uma procura crescente por parte do mercado francês e belga cada vez mais significativa que o grupo acredita vai continuar”, a que se acrescenta o mercado espanhol que também tem demonstrado algum interesse.

“O mercado internacional, nesta nova fase, vai ter um pouco mais de peso. Ainda assim o alvo tem sido mais mercado português e sobretudo residentes em Lisboa”, sublinha José Roquette que lembra que Tróia está a uma hora de Lisboa e pode ser um destino quer de férias quer de fim de semana.

O grupo já investiu, até agora, cerca de 10 milhões de euros em infraestruturas para o Tróia Eco-Resort e mais dois milhões em paisagismo. A componente de obra recebeu cerca de 17 milhões de euros.

O volume de vendas, até aqui, “está a aproximar-se dos 50 milhões de euros, pelo que já passamos o ‘break-even’ do projeto”, admite José Roquette que acredita que “esta última fase, do ponto de vista da rentabilidade, vai ser mais interessante”.

Na região, o grupo tem ainda em carteira avançar com um aparthotel “a peça que falta neste empreendimento”, realça a mesma fonte. José Roquette admite que ainda se está a trabalhar no conceito, mas é “um projeto de 150 unidades para 2017 ou 2018”.

Nesto imobiliário, que vale perto de 10% das vendas do Pestana, o gestor não esconde que está atento a oportunidades que possam surgir, já que os três projetos localizados a sul, como a Herdade da Comporta, “estão em ‘standby’”. “Se houver oportunidade de avançar com algum tipo de parcerias com os operadores proprietários [desses projetos] estaremos disponíveis”.

Comunidade científica apela hoje em Lisboa a mais investimento na ciência

Um apelo a um maior investimento na ciência, do ensino à investigação, marcam a declaração ‘O Conhecimento como Futuro’, apresentada hoje, na última sessão de um ciclo de homenagem ao ex-ministro Mariano Gago, e aberta a subscrição pública.

“Desafiamos os governos, junto com responsáveis públicos e privados em todo o mundo, a fomentar uma nova geração de líderes de políticas científicas, capazes de reforçar a despesa pública e privada no ensino e na investigação e desenvolvimento (I&D) e assegurar os avanços necessários para processos efetivos de mudança geracional à escala global”, lê-se na declaração, sendo esta a primeira proposta apresentada no documento.

O documento é subscrito pelos participantes na última sessão do ciclo de homenagem a José Mariano Gago, organizado no âmbito dos 70 anos do Centro Nacional de Cultura (CNC), entre os quais se encontram nomes como Manuel Heitor, investigador do Instituto Superior Técnico de Lisboa, ex-secretário de Estado da Ciência quando Mariano Gago tutelava a pasta e organizador da conferência, Rosalia Vargas, presidente da Ciência Viva, Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do CNC, Carlos Moedas, comissário europeu da Ciência, Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, Jean-Jacques Dordain, ex-diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), e Dava Newman, vice-presidente da agência espacial norte-americana NASA, entre outros.

A declaração apela a uma maior cooperação internacional das instituições científicas, a uma maior aproximação da ciência às comunidades, para “reduzir as atuais lacunas e clivagens da sociedade do conhecimento”, e ao fomento do ensino da ciência e da cultura científica.

O documento levanta preocupações com o desinvestimento na ciência e tecnologia, com a “ausência de oportunidades adequadas de emprego científico”, com a desmotivação para o estudo da ciência, com a “crescente burocratização de ambientes científicos” nas instituições, com a falta de profissionais “bem preparados em áreas técnicas relevantes” e com a “falta de progressos na luta contra a desigualdade de género”.

A conferência que decorre ao longo de todo o dia de sexta-feira, tem por objetivo fazer um balanço do estado atual da ciência, apontando ainda caminhos para o futuro, e conta com a presença de académicos especialistas na área científica, de instituições como a Universidade de Harvard, o M.I.T e Carnegie Mellon (com os quais Portugal celebrou parceria de colaboração na investigação), representantes da OCDE, de diversas instituições científicas, como o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), e instituições da União Europeia, além do secretário norte-americano da Energia, Ernest Moniz.

O ciclo de encontros de homenagem a Mariano Gago teve início a 30 de setembro, no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, com a apresentação de um texto inédito do físico e antigo ministro da Ciência, que morreu em abril.

O ciclo de encontros – quatro, e todos em Lisboa – incluiu, a 22 de outubro e a 05 de novembro, respetivamente, painéis temáticos sobre o processo de adesão de Portugal à Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear/CERN, onde Mariano Gago trabalhou, e sobre “desafios e oportunidades” da investigação do cancro, doença que vitimou o físico e ex-ministro dos governos socialistas de António Guterres e José Sócrates.

Os debates são promovidos em colaboração com a Agência Nacional de Cultura Científica e Tecnológica, que gere a rede de Centros Ciência Viva, vocacionados para a divulgação científica, e em cuja criação Mariano Gago esteve envolvido.

“Temos de reforçar o ensino da estatística”

Maria Eduarda Silva

Na missão assumida desde o início pela Sociedade Portuguesa de Estatística de promover, cultivar e desenvolver no nosso país o estudo da estatística, as suas aplicações e ciências afins, quais são as limitações que vão encontrando? O que tem impedido uma maior consciencialização acerca da real importância desta disciplina?
É uma questão cultural. As mentalidades demoram a mudar: estatística são números e os números não interessam. O mundo está a mudar rapidamente e a literacia estatística será para a próxima geração o que o saber ler e escrever foi para as gerações passadas. O sistema de ensino é o local privilegiado para passar a mensagem. À semelhança de outros países temos de reforçar o ensino da estatística, em particular o ensino pós-graduado. Aqui deparamo-nos com dificuldades porque mestrados e doutoramentos, em geral trabalhos multidisciplinares, estão dependentes de um sistema de investigação robusto na área. E têm-se observado nos últimos anos cortes gravosos e discriminatórios quer a grupos de investigação, quer em projetos e bolsas de doutoramento em estatística, colocando em causa a formação de especialistas que uma sociedade moderna e desenvolvida requer.

Com a realização do congresso anual, de seminários, a publicação do Boletim Informativo da SPE, não esquecendo o Prémio Estatístico Júnior 2015, entregue numa sessão aberta que decorreu na FNAC de Santa Catarina no Porto, a SPE coloca a estatística na ordem do dia. Importa promover uma maior união entre profissionais da área e não só para que exista um maior interesse por esta área?
Esta é uma questão que nos tem preocupado. Os nossos sócios não são apenas docentes com carreira universitária ou matemáticos pois encontram-se estatísticos em todos os setores e áreas de atividade. É necessário estabelecer pontes duradouras entre todos os interessados. A SPE quer potenciar estas ligações e fazer do congresso um fórum privilegiado para isso.

Num momento em que os portugueses atravessam um período conturbado na procura de emprego, importa estimular nos jovens um maior interesse por esta área, encarando-a como um futuro caminho profissional? Qual tem sido o papel da SPE neste sentido?
Estamos a entrar numa época de um tremendo crescimento na procura de profissionais de estatística, dada a globalização na recolha de dados possibilitada pelas novas tecnologias. A profissão “Cientista de Dados” foi alcunhada de profissão mais sexy do século XXI. Mas também na área governamental se vai sentir fortemente a necessidade de estatísticos uma vez que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável vai requerer um grande esforço de estatísticos em todo o mundo. Por exemplo, recentemente o INE procedeu ao recrutamento de 20 especialistas…

No passado dia 20 de outubro assinalou-se mais uma vez o Dia Mundial da Estatística. Neste e em todos os dias do ano, que mensagem continua a ser urgente passar?
Em 2013 celebrou-se o Ano Internacional da Estatística e, desde então, multiplicam-se as iniciativas sobre uma ciência que faz parte do quotidiano de todo o cidadão. Mas o poder político reconhece também a importância dos dados estatísticos e da sua fiabilidade como instrumento indispensável à elaboração de políticas com vista ao desenvolvimento sustentável das nações e à erradicação da pobreza. A SPE e outras sociedades congéneres assinaram uma declaração que apela a que: todos os sistemas estatísticos oficiais sejam devidamente financiados; o investimento em investigação e formação em estatística seja reforçado; o apoio à recolha de informação seja complementado com o apoio à sua transformação em informação útil e usável. A mensagem é sintetizada no lema: Melhores Dados, Melhores Vidas.

Para o futuro, qual continuará a ser a estratégia e a linha de atuação da SPE para que a estatística deixe definitivamente de ser vista como uma “ciência invisível” e seja valorizada como parte integrante de todos os quadrantes da sociedade?
A visibilidade da estatística requer um trabalho continuado. Por exemplo, a  iniciativa Explorística, que ganhou o prémio Best Cooperative Project Award in Statistical Literacy 2015, destina-se a promover a literacia estatística junto dos mais jovens. Os Prémios Estatístico Júnior promovem a atração de jovens talentos para a estatística. Mas queremos mais. Queremos que o tecido empresarial entenda o valor acrescentado que a estatística pode ter nas suas decisões de investimentos e que cada vez mais nos procurem. É necessário estabelecer pontes duradouras entre a indústria e a academia. Recentemente, o INE criou a carreira de especialista estatístico. Estamos, pois, a caminhar para que em Portugal a estatística adquira o reconhecimento social que já tem noutros países.

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