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Coimbra Comunidade do Conhecimento e Inovação na Resposta ao Envelhecimento

João Malva

Portugal irá enfrentar o grande desafio do envelhecimento. Em 2060 seremos um dos países mais envelhecidos do mundo e, em contrapartida, atingiremos uma das mais baixas taxas de natalidade. A emigração apenas reforçará este cenário negativo. O número de pessoas com mais de 85 anos irá crescer rapidamente e teremos uma sociedade onde idosos cuidam de idosos. Neste contexto, é premente contornar este perfil demográfico e criar soluções que possam dar resposta ao nível “da magnitude deste desafio”, explica João Malva. Esta capacidade de reversão será concretizada com “uma articulação entre políticas de natalidade, de apoio à família e ao emprego”, de modo a reter jovens talentos e impulsionar o crescimento da população ativa. Para isso, é importante uma articulação entre os serviços públicos e privados, questão na qual o Estado português terá um papel determinante: “as políticas de saúde e de educação são fundamentais”, “o nosso país tem dois ministérios muito distantes, que só se tocam muito pontualmente – a Saúde e a Solidariedade Social – e é preciso que as respostas sejam integradas, porque um idoso frágil ou doente é precisamente alguém que precisa de ajuda social”, defende o coordenador. Por outro lado, é igualmente indispensável “a resposta civil, ou seja, o modo como os cidadãos, as empresas e as estruturas de um modo geral se associam”. De facto, a resposta encontra-se na dinâmica social entre os diferentes atores e numa simbiose intergeracional, na qual jovens e idosos cooperam no sentido de encontrar soluções capazes de dar resposta aos desafios futuros.
A sociedade atual tem igualmente a missão de dotar crianças e jovens de estilos de vida saudáveis e ativos, que lhes permitam, no futuro, entrar na senioridade física e psicologicamente robustos e independentes.

Ageing@Coimbra

Este consórcio foi criado através de uma parceria entre a Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal de Coimbra, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes e a Administração Regional de Saúde do Centro, com o crucial apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Surge no âmbito desta premência de compreender os desafios trazidos pelo envelhecimento; de criar boas práticas que se repliquem para outras regiões da Europa, através da Parceria Europeia de Inovação para o Envelhecimento Ativo e Saudável; e de abrir horizontes a outras entidades, cujo foco seja a investigação e desenvolvimento de soluções que promovam o envelhecimento ativo e saudável; e vejam na tecnologia um veículo para a criação de novas oportunidades – porque os recursos tecnológicos são parte fundamental do desenvolvimento de meios de apoio ao envelhecimento. Deste modo, é possível criar sinergias entre o empreendedorismo, o acesso ao emprego e o desenvolvimento económico e a procura de novos serviços e produtos a pensar no cidadão sénior.
Assim, os projetos, multidisciplinares, procuram dar resposta a um conjunto de grupos de ação, resultantes de um desafio lançado pela Europa, com o objetivo de “encontrar parceiros comprometidos em desenvolver boas práticas e, neste processo promover Regiões Europeias de Referência”. Adesão à terapêutica; prevenção de quedas; prevenção da fragilidade; cuidados integrados e monitorização remota de saúde; e serviços amigos do idoso são, então, os cinco grandes grupos de ação do Ageing@Coimbra.
Atualmente, a vasta equipa, especializada em distintas áreas do saber, integra diferentes projetos no âmbito da “polimedicação, prevenção da fragilidade e das quedas e cuidados integrados”. João Malva refere, no contexto da polimedicação, a importância de uma maior atenção a idosos isolados ou com problemas de memória, que perdem o controlo sobre a sua medicação. Deve promover-se uma interação mais ativa entre especialidades, de modo a que os pacientes não acumulem quantidades desnecessárias, e prejudiciais de medicamentos. Por outro lado, é fundamental promover a adesão à terapêutica, assegurando o respeito pelas indicações dos profissionais de saúde.
Importa ainda salientar os dois projetos bandeira em desenvolvimento no Ageing@Coimbra e que se complementam entre si: “a criação de um Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, que valoriza o conhecimento sobre o envelhecimento”. Porque o acesso a um saber aprofundado relativo a esta temática permite uma maior qualidade e adequação das soluções a desenvolver. Perspetivando ainda este espaço como parte integrante numa cidade amiga do idoso, o consórcio pretende ainda transformar parte das cidades em campo da vida, onde os “cidadãos mais idosos se sentem plenamente integrados, com aprendizagem ao longo da vida, participação na criação e desenvolvimento de produtos juntamente com jovens empreendedores, cuidados médicos personalizados e apoio social integrado com a saúde”.
Deste modo, e com base no seu desempenho de excelência e desenvolvimento de projetos fundamentais para a sociedade, o Ageing@Coimbra pretende continuar a crescer e a fomentar novas parcerias que promovam o progresso nesta área.
O futuro continuará a passar por “replicar as boas práticas que se geram, para que mais cidadãos pela Europa possam usufruir destas, com os objetivos de viver melhor, de forma independente e ativa durante mais tempo”. E, como consequência deste aspeto, “elevar o potencial económico dos produtos e serviços baseados em conhecimento avançado, criando uma nova geração de empreendedores”.

Coimbra, Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável

Coimbra é considerada pela Europa Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, baseando o seu percurso num desenvolvimento de projetos e soluções. Questionado sobre os motivos que levam esta zona do país a ser considerada e respeitada pela Europa, João Malva não hesita em responder. “A Região Centro tem várias particularidades interessantes e talvez por isso a Comissão Europeia tenha olhado com tanta atenção para o AGEING@COIMBRA”. A diversidade populacional e ambiental são aqui fatores de destaque, nomeadamente “o equilíbrio demográfico no litoral associado à assimetria no contexto rural”, “a heterogeneidade em termos de ambientes físicos, desde planícies a zonas montanhosas”. E todo este contexto “cria vários laboratórios vivos que permitem aos jovens inovadores encontrar soluções para aqueles ambientes que são facilmente replicáveis noutras regiões da Europa”.
Por outro lado, não podemos deixar de mencionar o papel da Universidade, as incubadoras e centros tecnológicos, as unidades de investigação, entre outras entidades de máximo relevo nesta área que se inserem na zona Centro de Portugal.

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