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Resiliência e motivação para liderar

Maria Marcos é Administradora da Dimensão Seguros desde 2008. Como descreveria o seu percurso até aqui? Que fatores foram determinantes para ser hoje uma mulher de sucesso no mundo dos negócios?

Tenho 52 anos, nasci em Tomar, fui criada em Lisboa e atualmente vivo em Setúbal, onde tenho a sede da minha empresa. Escolhi o universo dos seguros, assim como o meu pai, o meu irmão e um tio, que estão também ligados a esta área. Trabalhei em várias seguradoras, passei por diversos setores onde adquiri o meu know-how ao longo de 30 anos. Em 2008 criei a Dimensão Seguros, uma empresa de mediação de seguros. No início foi muito difícil, as 24 horas do dia pareciam não chegar, mas com o passar do tempo, com muita resiliência e com uma boa dose de vontade tornou-se gratificante.

Ao longo da nossa vida somos educados para executar, temos sempre alguém que nos diz o que fazer, começa em casa com os pais, depois na escola com os professores, mais tarde no trabalho com os patrões… somos sempre educados para obedecer. Ninguém está preparado para tomar iniciativas, criar, decidir e muito menos correr riscos. O meu caso foi o de alguém que arriscou tudo. Antes de abrir a empresa tinha um excelente emprego, trabalhava numa seguradora do Grupo Caixa Geral de Depósitos, tinha bastantes regalias, mas passei disso para fundadora de uma empresa, numa área complexa que são os seguros. Quando decidi criar a empresa, recebi um convite dos administradores da Set Holding SA., para integrar essa mesma Holding com o ramo dos seguros, com isto o meu desafio aumentou e o sonho que eu tinha de trabalhar seguros das diversas marcas do mercado, concretizou-se… aquele foi o momento em que eu ia poder decidir como e com quem trabalhar… não ficando exclusiva de nenhuma seguradora. Este foi um fator determinante, juntando os conhecimentos de gestão que adquiri com os administradores da Set Holding SA., “que por mero acaso são sete e todos homens “deu-me a valência para poder construir a minha empresa e garantir-lhe o sucesso que alcançou.

Propõe-se a liderar a sua equipa gerando motivação. Que importância assume para si o capital humano? É fácil gerir pessoas?

A motivação é uma das condições indispensáveis. Para termos uma boa equipa, primeiro é preciso motivar. Os meus colaboradores são a parte mais importante do meu negócio, porque sem eles a empresa não existiria. Há que trabalhar, fazer crescer e posicionarmo-nos no mercado, quando temos uma equipa que está motivada e quer o mesmo que nós para a empresa, a equipa torna-se fácil de gerir. Se for bom para mim é bom para todos, este é o meu lema. Um grande problema de gestão é quando um gestor concentra toda a informação em si, não partilha… as pessoas têm de saber o que se passa. Considero que um bom líder tem que ser aberto e próximo e assim torna-se mais fácil gerir o capital humano que é extremamente importante.

O que significa para si ser um bom líder?

Um bom líder é aquele que sabe fazer, discutir, brincar, agradecer, partilhar e delegar. Aprendo e partilho o meu conhecimento para um dia ser substituída.

Vários estudos apontam que as mulheres possuem características para serem melhores líderes do que os homens e que as empresas lucrariam mais se houvessem mais mulheres a “comandar”. Concorda?

Concordo. As lideranças deveriam ser mais partilhadas no género. Na verdade conheço boas gestoras que não aumentam os seus resultados por não terem o poder de decisão. As empresas não lhes dão esse poder, elas fazem o trabalho e não podem decidir sobre ele. Acho que as empresas só perdem com isso e por isso sou a favor de uma mudança de postura.

Na minha área as mulheres são mais sensíveis, mais protetoras e mais pacientes. Temos de estabelecer diálogo e confiança para fazer negócio. Temos de desmistificar a linguagem típica contratual e transformá-la em prática corrente. Ora, as mulheres fazem a diferença neste aspeto. Trabalho maioritariamente com mulheres e verifico que isto é um facto.

Afirma que “na escola da vida aprendemos a ser empreendedores, temos que agarrar todas as oportunidades para deixar a nossa marca”. De que forma pretende deixar a sua marca?

Eu deixo a minha marca todos os dias, primeiro na minha família, depois nos meus colaboradores, nos meus parceiros de negócio e nos meus clientes. Acredito que a vida é um jogo de energias, ou seja, aquilo que fazemos aos outros volta para nós. Por isso, considero importante termos uma postura de tentar fazer o bem e melhor. Em termos de legado, a nossa empresa aproxima-se neste momento de um ponto crucial: a responsabilidade social. Já fizemos várias acções, mas estamos mais próximos de uma instituição aqui de Setúbal, a APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental), estamos a apoiá-los com a captação de investimento para os ajudar da melhor forma possível a melhorarem a vida destas pessoas. Estas pessoas são especiais, em termos de motivação são muitas vezes superiores às pessoas ditas normais. Estamos a apostar para que a nossa marca seja deixada também aqui, desta forma muito especial.

“Mais que o género importará a competência”

Há quanto tempo é Diretora do Departamento de Marketing e Relações Publicas da Volvo Portugal? Como foi a sua jornada até aqui?

Desde o início da Volvo Car Portugal em 2008. Eu diria que o meu é um percurso de comunicação e marketing “sobre rodas”. Terminada a universidade comecei a trabalhar em agências de comunicação, primeiro na Ogilvy (1996) onde aprendi muito, depois na Wunderman (2000) onde pela primeira vez tive oportunidade de dirigir a conta de duas marcas de automóveis – a Ford e a Land Rover. A queda para a comunicação e marketing ligou-se à paixão pelos automóveis que desde miúda crescia em mim, o cocktail foi explosivo e não mais deixei de abraçar ambos. Passei para “outro lado do balcão”, primeiro na FIAT Auto Portuguesa, grande escola, depois na BMW Portugal onde fiz a start-up em Portugal e estive quatro intensos anos até receber o convite para vir para a Volvo, que inaugurava a sua National Sales Company no mercado nacional. Uma marca de valores, de pessoas, que nasceu do sonho de dois homens, visionários, que os automóveis sejam símbolo de alegria, de liberdade e nunca de sofrimento e perda. Estamos quase a concretizá-lo, por eles, por todos nós. Uma marca diferente.

Que marcos destaca da sua carreira e que são motivo de orgulho?

Destaco dois. Completamente díspares. Um projeto que fiz na Wunderman com a Água do Luso. Na altura fizemos um programa de marketing social que permitiu a construção de 30 poços de água potável em Moçambique. O projeto “deu/dá de beber” a cerca de 20.000 famílias, uma ajuda de quem é suficientemente privilegiado para ter água mineral à mesa àqueles que nada têm. Foi um projeto muito bonito e emocional, os poços ainda lá estão, a funcionar.

Já na Volvo, quando lançamos os motores ecológicos Drive-E fizemos um challenge que levaria três Volvo, conduzidos por pessoas comuns, de Lisboa até onde pudessem chegar com apenas um tanque de combustível. Pelas minhas contas (ambiciosas para a generalidade dos colegas) chegaríamos a Paris. Na verdade ultrapassamos a cidade luz por mais de 200 quilómetros. 2000kms com um tanque de 50 litros de gasóleo (!) Foi um projeto inovador e gratificante.

Na sua opinião, há ainda muito preconceito relacionado com uma liderança no feminino? Viveu algo do género?

O meu primeiro emprego foi numa empresa com uma mulher na direção geral, isto nos anos 90. Sinceramente nunca tive nenhuma má experiencia. Eventualmente tive sorte, talvez por sempre ter trabalhado em multinacionais com culturas de empresa um pouco mais “à frente”, infelizmente conheço casos bem diferentes onde ser mulher significa ser e dar mais de si para chegar ao mesmo lugar e por vezes com menos compensações e méritos.
A evolução está a acontecer e é inexorável. Acredito que as mentalidades estão a mudar, mais que o género importará a competência e claro a capacidade de cada um para se impor em ambiente profissional. No meu caso, desde que trabalho no mercado automóvel tenho, sobretudo, colegas do sexo oposto. Geralmente estou em reuniões em que sou a única mulher e isso nunca fez a mínima diferença.

As estatísticas revelam um aumento de disparidade salarial entre homens e mulheres, à medida que aumenta o grau de formação. Este será um problema de mentalidade?

Certamente de mentalidade e sobretudo de algumas organizações, felizmente na Volvo, uma empresa em que os valores fortemente sociais suecos estão bem enraizados tal não se verifica. Conta sim o nível de responsabilidade para o negócio associado à função.

Conciliar a vida familiar com o trabalho continua a ser o maior desafio para as mulheres?

Acredito que a sociedade está a evoluir no sentido de libertar a mulher das suas responsabilidades familiares de há 20 ou 30 anos. Assistimos a uma gradual divisão de tarefas que dá mais tempo às mulheres para terem espaço para a sua carreira profissional sem prejudicarem a sua vida pessoal. No meu caso é fácil manter ambos de forma equilibrada.

Fala-se da competitividade e propensão ao risco típica dos homens e, por outro lado, diz-se que se houvesse mais mulheres em cargos de topo as coisas estariam melhores. Será isto verdade?

É sexista dizermos que seria melhor ou pior se as mulheres tivessem mais cargos de topo. Evidentemente que mais que o género conta a personalidade, o profissionalismo e a competência. Já trabalhei com mulheres incompetentes e homens fantásticos e vice-versa, mais que homens, mulheres, brancos, azuis ou verdes somos pessoas, diferentes. Acredito que os melhores resultados surgem da diversidade – de género, de opinião, de cultura e de background.

Uma mulher e profissional que jamais desistirá daquilo a que se propõe fazer

Quem é Talita Brito e que história pode ser contada sobre si?

Eu nasci em São Paulo, tive uma infância muito feliz, na interior cercada da família que sempre apoiou os meus sonhos de infância: ser empresária, ser diplomata, trabalhar todos os dias de fato e ter um carro preto e um azul (risos). A relação com meus pais sempre foi muito próxima e de extrema confiança, eles sempre me diziam: você pode ser o que você quiser. O mundo é seu. E eu acreditei.

Tive meu primeiro negócio aos 16 anos, uma loja itinerante de aluguer de trajes para festas temáticas e depois não parei mais. O empreendedorismo sempre me fez sentir viva e nessa época eu senti em mim aquilo que todos já apontavam desde os meus sete anos: Essa menina tem tino para liderança. Conclui o curso de economia aos 21 anos e nessa altura já tinha concluído três especializações, indo diretamente lecionar no ensino superior em universidades de Minas gerais e São Paulo. Doutorei me em estratégia em Portugal, onde vivi durante 14 anos atuando na atividade empresarial primeiro com a direção de uma rede de franquias e também na equipa de direção da implementação do BNI em Portugal. Naquela altura, tinha somadas 12 especializações que hoje complementam a minha área de conhecimento. Há 10 anos fundei a empresa que hoje tem 23 representações divididas entre Europa, África, América do Sul e mais recentemente Ásia.

Enquanto Mulher, quais são os princípios e valores que a movem a nível profissional e pessoal?

Transparência, respeito e reciprocidade, são os valores dos quais eu não abro mão seja a nível pessoal ou profissional. Uma das coisas que costumo dizer é que o maior cuidado que temos de ter na vida é não acreditar que temos mais a ensinar do que a aprender. O excesso dessa autoconfiança pode nos iludir e consequentemente nos fragilizar. É preciso respeitar a experiência de quem está a anos no mercado, mas também é preciso respeitar o conhecimento adquirido de quem apesar de menos idade ou tempo de carreira, dedicou-se a aprender e a investir em conhecimentos específicos. A forma como agimos a nível profissional está 100% associada ao nosso comportamento profissional. Observe alguém dentro de sua casa, como ela trata os pais, os irmãos, o marido a esposa os filhos e terá um espelho dos valores profissionais que essa pessoa carregará para dentro da organização. Eu tive uma grande sorte de crescer numa família que me ensinou que apesar de qualquer coisa sempre temos de dizer a verdade e nunca nos abandonar e tive a dupla sorte de casar com um marido que cresceu com esse mesmo valor. E nosso lema familiar é “Ohana”. Ohana significa família e família significa que ninguém fica para trás. Esse é um valor que tem um tremendo resultado quando levado para as organizações, porque assegura e fortalece o sentido de equipa

Acredita que atualmente as mulheres vêm conquistando o seu papel na liderança de empresas, movimentos e grupos, de forma consistente? O que ainda falta para que este cenário seja ainda mais evidente?

Cada dia mais. Esse papel notoriamente vem sendo ocupado por homens ao longo de várias décadas. Com a saída da mulher para o mercado de trabalho, seja por necessidade ou por vontade, começamos a mostrar uma forma diferente de fazer o mesmo que somados a nossa capacidade incontestável de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, começou a demostrar uma vantagem competitiva na liderança de empresas, principalmente naquelas maiores e departamentalizadas. Se observar as maiores empresas com lideranças femininas, vai ver que essas tem menos assessores para entregar o mesmo trabalho do que uma liderança masculina. Essa “economia” provocada pelo efeito multiplicador da mulher é muito atrativa nas organizações.

Sente que hoje as Mulheres são vistas de forma diferente pela sociedade? O que mudou? Alguma vez sentiu dificuldades no seu percurso profissional pelo facto de ser Mulher?

Sim. Hoje somos vistas com mais aceitação principalmente no mercado europeu, que deixou de ser tão restritivo às mulheres. Mudou a forma de enxergar, mudou o modelo estratégico de gestão de empresas, hoje focado nas pessoas e nos seus contributos e resultados. Eu já comecei minha trajetória como empreendedora, desenvolvi carreira académica, dirigi redes de centenas de unidades e sinceramente todas as vezes que tentaram impor alguma dificuldade eu me lembrava do que diziam meus pais: o mundo é seu… e por nunca duvidar disso eu nunca me deixei intimidar. Essas dificuldades sempre acabam por se impor quando estamos a nadar em mares tradicionalmente masculinos, como são os mares que eu nado (risos). Atualmente, presido a Câmara de Comércio Europeia no Brasil e presido e dirijo pessoalmente meu grupo empresarial onde negociamos commodities como soja, açúcar e partes de frango para todo o mundo, ambos mercados em que 98% dos dirigentes são tradicionalmente homens e acabamos por ter de nos adaptar para não ferir suceptividades e assim temos conseguido alcançar os resultados propostos, respeitando quem criou o mercado e sempre buscando aprender algo, pois no final do dia o que vai importar mesmo é fazermos o melhor que pudermos, da melhor forma com aquilo que temos em mãos.

Sente que o novo modelo estratégico de gestão de empresas que é mais focado nas pessoas veio ajudar a esta realidade de uma liderança mais feminina?

Sem dúvidas, mesmo porque esse novo modelo foi inspirado na capacidade feminina de unir, agregar e dividir.

O que podemos esperar de Talita Brito para o futuro? O que ainda pretende “conquistar”?

Uma líder que continuará a desbravar os mercados em busca do crescimento de sua equipa, carregando com honra a alcunha de rainha do frango (risos) (por causa das exportações de partes frango que fazemos para todo o mundo). Uma mulher e profissional que jamais desistirá daquilo a que se propõe fazer, que não abre mão do controle das suas operações mas que coloca sempre em primeiro lugar a família. Porque o trabalho, as empresas, os títulos isso tudo um dia passa, a família não. Para o futuro, pretendo estar entre as 100 maiores exportadores de commodities, criar a fundação ductus – lideranças para o futuro (ductus significa liderança em latim) e abrir 20 novas delegações da câmara europeia em todo o mundo, nos próximos 2 anos.

“As mulheres líderes são um valioso recurso para as empresas e precisam de ser apoiadas como tal”

Como surge a sua ligação à indústria hoteleira?

Em 1987 eu e o meu marido encontrámos um edifício edílico numa pequena praia no sul da Turquia aquando de uma ‘tour’ que fazíamos juntamente com um casal amigo. Havia apenas uma pequena estrada que nos levava até aquela baía… era um lugar que não se encontrava em mapas.

Decidimos começar por investir num parque de campismo. Ao longo do tempo investimos cada centavo que tínhamos e em seis anos o parque de campismo transformou-se num reconhecido resort cinco estrelas.

Na época, não sabíamos seguramente aquilo que estávamos a fazer mas fizemo-lo de coração, entregámo-nos de corpo e alma áquele lugar e como sempre fomos eternos aprendizes, aprendemos rapidamente tudo o que devíamos saber.

 O que lhe dá mais satisfação no seu trabalho?

A coisa que mais gosto na indústria hoteleira é que nunca se torna aborrecida, há sempre algo a acontecer. Penso que aquilo que me dá mais prazer no meu trabalho é essa versatilidade dos dias… Este é um trabalho que exige uma amplitude e conhecimentos variados sobre imensos temas como finanças, organização de eventos e até sobre como retirar nódoas de roupa…

Quais são os maiores desafios que enfrenta enquanto responsável pela gestão de grandes hotéis e resorts?

O maior desafio que enfrento é fazer com que todos estejam sincronizados, garantir que cada membro da equipa entende a visão e que, o trabalhar em equipa, leva ao êxito. O que torna um hotel bem-sucedido é a visão que os outros têm do hotel e para isso toda a equipa deve compreendê-lo e através dele realizar um trabalho que funcione como relógio, coordenado.

Dada a sua experiência, como descreve os bastidores do mundo dos hotéis?

Os bastidores do hotel são o coração do próprio hotel. É aí que toda a ação acontece! O design e a organização nos bastidores são cruciais ao ponto de erguer ou ‘demolir’ um hotel.

Os arquitetos são um ponto fulcral, para que exista uma harmonia de conceitos de decoração que apaixone os hóspedes. No entanto, a parte dos bastidores dos hotéis não deve ser esquecida. Ela deve ser igualmente embelezada para quem trabalha no hotel.

São os membros da equipa que passam a maior parte do tempo na parte de trás, nos bastidores, e por isso devem ser felizes no seu trabalho. Acredito veemente que todo o brilho e glamour não deve existir somente para os convidados. Afinal, a equipa são os nossos convidados (internos). Richard Branson disse “que o cuidado que tivermos com os nossos funcionários eles terão com o nosso negócio”, concordo completamente com este conceito.

Concorda que as equipas de gestão das cadeias hoteleiras são principalmente homens? Qual é a sua opinião sobre isso?

Estatisticamente sim, são principalmente homens, embora existam muitas cadeias de hotéis que começam a procurar formas de incentivar as mulheres a atingirem cargos de gestão. No entanto, a realidade continua a ser esta: há muito poucas mulheres gerentes e infelizmente essas mulheres são nomeadamente as que priorizaram uma carreira a uma família.

Este desequilíbrio acontece porque existe pouco ou mesmo nenhum apoio à mulher que pretende contrabalançar a sua vida tendo uma família e também uma carreira. Começo a notar uma mudança na indústria, porém, não é suficientemente rápida ou abrangente, as mulheres líderes são um valioso recurso para as empresas e precisam de ser apoiadas como tal.


O que podem as mulheres trazer à indústria hoteleira que os homens não podem?

Acredito que as mulheres são mais atentas aos detalhes e geralmente têm uma maior inteligência emocional. Além disso, é geralmente a mulher quem resolve todos os pormenores de uma viagem de férias e, também por isso, as líderes do sexo feminino podem ter uma visão única em cada decisão que tenha de ser tomada.

Outro fator é que a mulher é comummente capaz de perceber melhor as particularidades que surjam como o pedido de uma cama extra, coisas para as crianças, um secador para o cabelo…entre outras coisas.

Ser mulher afetou, de alguma forma, a sua ascensão na indústria hoteleira?

Vivi situações em que era apenas uma mulher entre muitos homens. E já aconteceu não ser levada a sério por isso, no entanto, não acredito que o meu caminho tivesse sido diferente daquilo que foi mesmo trabalhando por conta própria desde 1985. Porém, sei que teria sido muito mais fácil não ser mulher em muitas situações. Principalmente aquelas em que tive de batalhar mais para que me fosse reconhecido valor. Ao longo dos anos adaptei-me e aprendi a trilhar o meu caminho no meio de homens de negócios.

O género (feminino ou masculino) é um fator decisivo no que diz respeito à liderança?

Mulheres e homens são muito diferentes nas abordagens e visões. O género não dita o que é ser um bom líder. Homens e mulheres são diferentes e ambos podem ser bem-sucedidos.

Liderança no Feminino

Uma revista de todas e para todas as mulheres, que todos os homens deveriam ler.

“É PRECISO SER DIFERENTE”

Há 10 anos que prometem “dar movimento” às marcas. Como é possível resumir esta última década?

São 10 anos de uma história cuja missão foi dar movimento às marcas dos nossos clientes. Por isso, sim, podemos afirmar que prometemos e cumprimos. Para nós é uma enorme satisfação perceber que a BDR | BANDEIRAS E MASTROS é cada vez mais um dos parceiros eleitos no momento dos nossos clientes definirem a sua estratégia de comunicação para as suas marcas, fruto da aposta em tornar os clientes fãs dos nossos produtos e serviços.

Quais são as suas aspirações enquanto administradora e diretora comercial da BDR?

O caminho da BDR | BANDEIRAS E MASTROS está bem definido. É preciso SER diferente. E ao mesmo tempo, transmitir os valores que nos caracterizam e identificam no mercado. Além de seguir tendências, queremos também criar tendências, rumo à excelência e à liderança incontestável no mercado onde atuamos. A nossa missão é continuar a dar movimento à marca dos nossos clientes, o objetivo será sempre o de reforçar parcerias de longevidade e o compromisso de melhorarmos e continuar a crescer com os nossos clientes, dando a nossa melhor garantia: qualidade, associada a um conjunto de serviços diferenciadores.

O universo da publicidade sempre foi uma grande paixão?

A paixão pela publicidade é semelhante à intuição de mãe que vem lá do fundo e nos faz suspirar de felicidade.

Conectar e criar emoções nas pessoas com as marcas através da publicidade é um sentimento maravilhoso. A publicidade está presente, por exemplo, desde que acordamos pela manhã. Tudo aquilo que utilizamos é fruto da publicidade: o leite que bebemos, o café que tomamos, a emissora de rádio que ouvimos, o jornal que lemos, o smartphone ou tablet que utilizamos para as redes socais…. E podia continuar…

É mulher e empresária. Acredita que o género, feminino, é uma mais-valia no mundo dos negócios? Porquê?

Acredito que sim. Principalmente porque vivemos num mundo em que se apela cada vez mais às emoções, sentimentos, relacionamento do consumidor com as marcas.

Como é um dia normal de trabalho?

Diariamente uma das nossas prioridades é oferecer um atendimento personalizado, de forma a fazer cada cliente sentir-se especial, pois todos os clientes são importantes para nós. Procuramos ser uma empresa verdadeiramente única para todas as necessidades dos nossos clientes. Apostamos continuamente em inovação, estudando novas soluções para o mercado. 

Por trás de uma grande campanha publicitária está sempre uma grande mulher?

No caso da BDR | BANDEIRAS E MASTTROS, poderemos dizer que estão três mulheres e um homem (risos). Agora a sério, um dos pilares da nossa empresa é o verdadeiro trabalho em equipa e o empenho e compromisso que cada um tem no seu departamento, diariamente. Queremos continuar a merecer a vossa confiança e veicular as vossas ações promocionais.

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“Profissionalmente tenho a sensação de que ainda me falta fazer tudo”

Na Linklaters é advogada na área de direito público no departamento de Banking & Projects do escritório da Linklaters em Lisboa. Como surge esta oportunidade e que desafios vieram com ela?

Quando me licenciei vim trabalhar para a Linklaters LLP onde tive a oportunidade de me formar como advogada e de trabalhar num ambiente de advocacia internacional. Quatro anos depois, estava à espera de bebé e acreditava ser impossível conciliar a minha vida de advogada na Linklaters com aquilo que imaginava implicar ser mãe. Por essa decisiva razão candidatei-me a uma bolsa de investigação, despedi-me e mudei radicalmente de vida para fazer o doutoramento. Estive quatro anos fora da advocacia. Nesse tempo descobri outras profissões jurídicas, fui investigadora, dei aulas, formações, fui assessora no Tribunal Constitucional e fui descobrindo como é que se concilia uma vida profissional entusiasmante com a vida familiar.

Quase a terminar a tese de doutoramento, resolvi voltar a advogar porque sentia muitas saudades da adrenalina da profissão. Surgiu a oportunidade regressar à Linklaters LLP, em part-time, o que seria quanto baste para matar as saudades que sentia de advogar, por um lado, e para garantir uma vida familiar equilibrada numa altura em que tinha dois filhos pequenos. O desafio que senti neste regresso foi o de estar confortável com uma autolimitação que entendi adequada para a fase da vida por que passava: sabia, à partida, que a minha progressão estava limitada uma vez que, estando em part-time, ficaria fora da carreira.

Este regresso aconteceu no final de 2010. Entretanto os anos passaram, o gosto pela profissão foi aumentando e, sobretudo, foi aumentando em mim a confiança de que, no final do dia, é possível conciliar tudo. Percebi que a maternidade (entretanto tive mais filhos…) não significa forçosamente diminuição de disponibilidade. No meu caso, tornou-me mais eficiente e, sobretudo, mais capaz de distinguir o que me faz correr e o que é importante.

Com este enquadramento transitei de um regime part-time para estar mais envolvida no escritório, nos assuntos dos clientes e ganhei perspetivas de evolução. Os desafios mantêm-se: como fazer o trabalho bem feito, como entregar o melhor serviço ao cliente e tornar claro que tenho um certo contexto familiar e uma maneira de estar que desafia alguns modelos tradicionais de advogados (homens, leia-se).

Como descreveria o Direito Público em Portugal?

Já vivi o Direito Público sob diferentes perspetivas: como cidadã, professora, assessora no Tribunal Constitucional e advogada. O Direito Público é riquíssimo e complexo. Temos um legislador ágil (se quisermos ver o tema pelo lado positivo…) que altera com frequência a legislação e nem sempre bem. Por isso, esta área implica um esforço de permanente atualização e é muito diversa. É isso que me fascina. A possibilidade de variar o que faço – no mesmo dia sou capaz de tratar temas de Ambiente, Urbanismo, Finanças Públicas, Constitucional… – o que me permite exercitar uma característica positiva que é a versatilidade.

A advocacia continua a ser uma área dominada por homens? Alguma vez sentiu que ser mulher é um obstáculo acrescido?

Sim. A advocacia é uma área dominada por homens. Não querendo alongar-me nesta resposta, talvez seja importante dizer que não penso sobre este tema o mesmo que pensava há dez anos, antes de ter filhos. Há dez anos estava convicta de que não havia qualquer diferença (profissional, leia-se) entre ser homem ou mulher. Havia outras diferenças relevantes a estabelecer mas claramente que o género não era tema que me ocupasse.

Mais recentemente verifico que existe uma diferença de género e uma dificuldade acrescida para as mulheres conseguirem progredir nas carreiras. Considerando o meu percurso profissional, não posso dizer que ser mulher me tenha prejudicado.

Precisarão as mulheres de alguma proteção especial, designadamente legal, para que possam ascender a lugares de direção e decisão?

Não acho que se possa falar em proteção das mulheres dessa forma. Acho que a diversidade é um bem. E, como tal, a diversidade de género também é um bem que deve ser promovido. Pensando nas nossas instituições creio que a diversidade as poderá tornar mais eficientes e equitativas.

Sei que, neste momento, os critérios de quem decide são, por força das coisas, essencialmente masculinos. Noutras palavras, por muito objetivos que os critérios sejam, são sempre critérios estabelecidos por homens e que serão mais facilmente satisfeitos por homens. Parece-me, por isso, que numa fase de transição é importante que se imponha a diversidade por via legislativa (mas garantindo sempre o mérito de quem progride), até que seja possível garantir que nos lugares cimeiros quem decide pode usar critérios não tão marcados pelo género masculino.

É advogada na Linklaters e doutorada em Direito Público pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, foi assessora no Tribunal Constitucional em 2008, e desde 2012 que é professora auxiliar convidada da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa (escola de Lisboa) e da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Com uma vida profissional totalmente preenchida, o que ainda falta fazer?

Profissionalmente tenho a sensação de que ainda me falta fazer tudo. Durante estes últimos dez anos estive (pre)ocupada em fazer equilíbrios. Sou casada, tive filhos, escrevi e defendi uma tese de doutoramento e percebi quem sou. Não sei se isto é comum nas mulheres mas (só) agora, já nos trinta e muitos…, sinto-me a começar e, sobretudo, sinto que o melhor está ainda para vir.

Falta-me educar os filhos permitindo que, através do exemplo do pai e da mãe, possam crescer num mundo onde a diversidade não seja um problema mas uma força.

Ser advogada e mulher é…?

Como já me disseram (e independentemente do género): resolver problemas difíceis e concretizar sonhos/projetos dos clientes. Um desafio que vale muito a pena.

“Os rácios de mulheres dirigentes em Portugal não são exemplares

É professora, investigadora, artista plástica e diretora da Escola Superior de Design do IPCA. Como descreveria o seu percurso?
Efetivamente sou formada em Belas Artes, formação de base e pós-graduada. Iniciei o meu percurso como professora do ensino superior de forma natural, terminei a licenciatura e candidatei-me a um lugar de assistente na FBAUP; nessa mesma altura candidatei-me a doutoramento e concluí-o em tempo útil. O que me assegurou a possibilidade de carreira como professora no ensino superior numa instituição onde podia crescer, o IPCA. A par de ser artista sempre me interessou a partilha que a profissão de professor possibilita. Rapidamente cheguei à conclusão que ser professor é continuar a aprender sempre, desde que se esteja disponível para tal. A direção da escola surgiu como consequência da criação da Escola Superior de Design do IPCA e da confiança depositada em mim para o exercício do cargo, o que muito me honrou e honra.

Na ESD existem as Licenciaturas de Design Gráfico e de Design Industrial, os cursos de Mestrado em Ilustração e Animação, Mestrado em Design e Desenvolvimento do Produto e mais recentemente o Mestrado em Design Digital. Existem ainda os Cursos Técnicos Superiores Profissionais em Design do Calçado; Design de Moda; Design para os Media Digitais e Ilustração e Arte Gráfica. Quais são as grandes vantagens da vossa oferta formativa?

A nossa oferta formativa nasceu como resposta às necessidades da região. Essa parece-me a principal vantagem da ESD e dos seus cursos enquanto estratégia IPCA de ligação ao meio empresarial e industrial do norte.

Através do Design, enquanto escola, potenciamos e cultivamos relações de parceria com o tecido industrial e criativo da região, através da inovação e competências específicas da área. Formamos profissionais de elevada qualidade, Designers nas diferentes áreas, Ilustradores e Animadores, preparados para o mercado regional, nacional e global, com resultados excelentes. Os melhores embaixadores do Design IPCA são os nossos estudantes que, com a sua tenacidade e capacidade de trabalho, vêm contribuído para demonstrar que somos uma mais-valia enquanto instituição de ensino superior na região. Tenho a convicção que os nossos profissionais são agentes transformadores, isto além de uma vantagem, no cumprimento da nossa missão, é também um orgulho.

Enquanto diretora da Escola Superior de Design, que características aponta como mais-valias de uma liderança no feminino no ensino?

Compreendo a questão, mas preocupa-me que em 2017 ainda a façamos. De facto, os rácios de mulheres dirigentes em Portugal, não são exemplares, há um caminho grande a percorrer, mas não julgo que as mulheres sejam assim tão diferentes dos homens nas lideranças. Acredito sim que as mulheres ainda não tiveram as oportunidades suficientes. Agora, claro está, que, apesar de não apreciar generalizações, podemos, eventualmente, falar de uma maior ou melhor capacidade de ouvir e estabelecer pontes ou consensos. Mas não gosto de reduzir a questão à testosterona e à competição que esta implica, pois parece-me que a inteligência emocional e as soft skills também se adquirem pela educação e treino.

A que se deverá o facto de haver mais mulheres que homens no ensino superior?

Na minha opinião, deve-se essencialmente ao facto das raparigas atingirem a maturidade muito mais cedo que os rapazes, logo, os programas do ensino de base parecem mais adequados para o sucesso das raparigas. Não quer dizer que elas são melhores que eles, quer dizer que crescem de forma diferente. No entanto, apesar dos alarmes lançados nos últimos anos, em 2016 apenas tínhamos mais 24.165 de raparigas num universo de 356.399 estudantes matriculados nas IES.

No mundo atual como se explica o facto de os homens serem em maior número nos cargos dirigentes?

Porque aqui ainda há muito a fazer. É necessário construir políticas estruturais que possibilitem a igualdade no acesso aos cargos para homens e mulheres, e não estou a falar de cotas, apesar de entender que em determinadas situações são necessárias como contributo para a mudança de paradigma. Portugal, apesar de toda a evolução dos últimos anos continua a ter uma sociedade conservadora que exerce uma pressão imensa sobre as mulheres. Sobre o que é expectável uma mulher ser. Efetivamente a igualdade de género só estará conquistada quando não necessitarmos de falar nela. Há, portanto, um caminho a fazer, mas é responsabilidade de todos nós, todos os dias, fazer por mudar. E o que me parece relevante é que esta mudança não começa na escola, mas em casa, na educação que damos aos nossos filhos, nomeadamente na organização dos dias e respetivas tarefas assim como formas de estar e agir.

“Aquilo que se faz por gosto não cansa”

Em Portugal existem apenas duas mulheres reitoras. Ana Costa Freitas é uma delas. Tomou posse em 2014 e garante que não sabe dizer se a caminhada até aí foi difícil, uma vez que, “quando se gosta realmente do que se faz nada custa”.

Com um currículo notável, a reitora é licenciada em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia (Lisboa) e doutorada em Biotecnologia Alimentar pela Universidade de Évora (1988).

De 2006 a 2010, foi vice-reitora da Universidade de Évora, com o pelouro Académico, foi membro do Conselho Geral da instituição, de dezembro de 2012 a outubro de 2013, foi Conselheira no Gabinete de Conselheiros Políticos do Presidente da Comissão Europeia, em Bruxelas, entre 2011 e 2013, experiência que classifica como tendo sido “extremamente importante para se inteirar daquilo que são as políticas académicas”.

“Eu não sei se o percurso foi fácil porque não sei como é com as outras pessoas. Eu gosto do que faço, adoro ser docente universitária, gosto de fazer investigação e gosto de ser reitora.

Reconhece que nem sempre foi fácil: “tenho três filhos, doutorei-me enquanto eles eram ainda pequenos, neste momento tenho sete netos, não tenho tanto tempo para eles como gostava, mas a vida é feita destas coisas todas, é uma escolha, disse-me o meu pai, e eu concordo. A vida é feita de escolhas. Eu fiz as minhas. Gosto do que faço.

A UNIVERSIDADE

Enquanto reitora, diz não saber que vitórias destacar, no entanto, revela que há mudanças que já se verificam: “a academia está coesa, aprovámos o plano estratégico, que junta as pessoas à volta do que é central numa universidade. A universidade tem muita visibilidade no Alentejo, uma forte implementação na região e uma permanente articulação com as instituições-chave, o que é bom para se afirmar enquanto instituição académica. Há hoje o reconhecimento geral da importância do ensino superior para a valorização das pessoas e da relevância da investigação e da transferência de conhecimento e de inovação com vista ao desenvolvimento, quer ao nível regional, quer ao nível nacional. Por outro lado, a Universidade de Évora tem um objetivo claro: abrir a universidade ao mundo e o mundo aos nossos estudantes. É preciso que eles cheguem ao final de um curso com um conhecimento profundo da área que escolheram e com a capacidade de se aventurarem para aquilo que são os seus sonhos”.

“As lideranças são muito pessoais, e por isso há sempre mudanças. Houve mudanças e só o tempo julgará se foram para melhor. Tenho a certeza que neste momento a universidade está muito mais aberta, com mais afirmação no mundo exterior, temos captado o interesse de alunos, temos ganho muitos projetos quer a nível nacional, quer a nível europeu, por isso há uma dinâmica bastante positiva.

Questionada sobre a sua análise a propósito de diferenças significativas entre homens e mulheres em cargos de liderança, Ana Costa Freitas garante que não sabe ao certo quais as diferenças entre uma liderança feminina ou masculina mas “que as há, há! Há sempre diferenças. Mas eu só sei o que é eu que fiz. No entanto, em abstrato, acho que é mais difícil ser-se mulher e atingir um cargo de chefia, tudo porque é menos vulgar e por isso talvez haja mais dificuldade em pensar-se em mulheres como primeira opção. Há diferenças de atitude. A minha atitude foi simples: eu gosto do desafio, gosto da componente de formação dos jovens, da política universitária, o que é fundamental e, portanto, achei que me deveria candidatar, porque tenho ideias concretas sobre o posicionamento da universidade no país e no mundo”.

“No que diz respeito ao relacionamento com as pessoas com quem trabalhamos há uma diferença nítida entre homens e mulheres. Há um cunho diferente, é difícil haver aqui um equilíbrio de géneros. Mas começa a perceber-se uma tendência: já há casos de instituições em que as mulheres são em maior número e ninguém refere que é preciso equilibrar”, constata a reitora.

Terão as mulheres muito mais a provar no mundo profissional? “Após a aprovação ninguém espera que se falhe. Porém existem pontos que ainda não têm a devida importância: o apoio à família, que considero um valor essencial na nossa sociedade. Alguém tem de dar atenção a isso. Os filhos não crescem sem que haja alguém que se preocupe com isso. Normalmente esse papel é atribuído à mulher e ela não deveria ser prejudicada por querer criar uma família, assim como os homens”.

ÀS LÍDERES DE AMANHÃ

“Para liderar, seja o que for, primeiro é preciso perceber que não se faz nada contra as pessoas. Só conseguimos construir algo com as pessoas. É preciso saber ouvir, tentar obter consensos. No entanto, é preciso ter noção de que o momento da decisão é sempre solitário. Ouvimos quem pensamos que devemos ouvir, mas decidimos sozinhas. Portanto, é preciso ter a capacidade de decidir com convicção, sabendo que podemos errar, mas isso faz parte da vida. É necessário abraçar isso com alguma segurança. Quando erramos só há uma coisa a fazer: corrigir”, conclui a nossa interlocutora.

“A liderança no feminino é uma realidade atual e crescente”

Edificada em 2005, a Ecosativa assume-se como um player relevante na dinâmica do projecto e da consultoria ambiental. De que forma é que tem sido realizado este trajecto e como colocam as vossas competências, técnicas e tecnologias ao serviço da sociedade, contribuindo para a conservação da natureza e biodiversidade e para a melhoria da qualidade do ambiente?
A Ecosativa teve início numa fase em que os projetos de produção com recurso a energia eólica se encontravam em franca expansão. Definimos como visão tornar-nos uma empresa de excelência no mercado, destacando-nos pela qualidade e rigor, pela competência da equipa técnica e confiabilidade.
Ao longo do tempo a aposta foi feita na diversificação de competências e serviços e na inovação, sempre orientada para a compatibilização das atividades económicas com os deveres de salvaguarda e conservação dos valores naturais, numa ótica de desenvolvimento sustentável.
Paralelamente promovemos e participamos em diversas ações orientadas para a sustentabilidade, numa lógica de colocar as nossas competências ao serviço da sociedade.

O que ganham aqueles que procuram os serviços «made in» Ecosativa? Quais são as vossas principais mais-valias?

Os nossos clientes salientam o bom relacionamento estabelecido, o empenho e compreensão das suas necessidades, a competência técnica e a confiança nos nossos serviços. A nossa atenção à constante dinâmica do mercado permite um enfoque no desenvolvimento de técnicas e soluções que melhor lhes permitem alcançar os seus objetivos.

Enquanto fundadora e líder deste projecto, que características aponta como mais-valias de uma liderança no feminino?

Tenho alguma dificuldade em apontar mais-valias da liderança feminina, já que considero que a chave do sucesso da Ecosativa não se esgota na sua liderança, mas sim resulta de uma equipa coesa, empenhada e motivada. Aspetos como uma maior sensibilidade humana contribuem para a coesão e foco da equipa nos objetivos e estratégia da empresa, mas esses dependem das características humanas e sociais do líder, não do género. Com efeito, alguns dos aspetos mais valorizados pela nossa equipa são a compreensão das suas necessidades individuais, incluindo as relacionadas com a compatibilização da sua vida laboral e pessoal, e uma maior informalidade do ambiente de trabalho.

Que análise perpetua da liderança no feminino nos dias que correm? Sente que ainda falta alterar muitos comportamentos, mentalidades e atitudes? Ao longo da sua carreira sente que o facto de ser Mulher foi motivo de algum cepticismo no âmbito da sua liderança?

A liderança no feminino é uma realidade atual e crescente. Este facto tem ocorrido de modo natural, resultando, por um lado, de uma maior afluência de mulheres ao ensino superior e, por outro, de uma educação para a autonomia mais igualitária.

Considero que houve já uma alteração de mentalidades e atitudes, que com o passar das gerações será cada vez mais evidente. Pessoalmente nunca senti qualquer ceticismo por a liderança da Ecosativa ser ocupada por uma mulher, nem nunca me senti em desvantagem por esse motivo.

Hoje, as mulheres ocupam cada vez mais cargos de chefia em diversas áreas. Que benesses trouxe este facto à sociedade? Quais são as principais características de uma liderança feminina?

A sociedade é constituída por homens e mulheres, pelo que quando a estrutura de uma empresa reflete essa composição da sociedade, poderemos ter um ambiente laboral mais propício à pluralidade, à criatividade e acima de tudo ao respeito pela individualidade. Este respeito estende-se aos interesses sociais e familiares, mas também à necessidade de autorrealização, motivação e crescimento como profissional.

Quais são os grandes desafios de futuro da Ecosativa?

A Ecosativa atingiu a sua maturidade, sendo hoje uma empresa de referência no mercado da consultoria ambiental. Nesta fase o grande desafio tem sido potenciar as competências e experiência adquiridas, cimentando projetos em parceria com as instituições públicas e privadas que constituem a nossa rede de colaboração, particularmente no contexto da sustentabilidade ambiental.

O que mais podemos saber sobre si? Quem é Teresa Saraiva, uma mulher na liderança?

Sou uma mulher irrequieta, sempre à procura de novos desafios e focada em objetivos. Sou mãe de duas meninas de dois e quatro anos e uma otimista por natureza.

O percurso profissional e pessoal, rico em diferentes experiências, constitui a base fundamental da minha ação como gestora. Nasci no Porto, onde estudei. Iniciei atividade ainda no decorrer da licenciatura, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Especializei-me em Ecologia Aplicada e Direção de Empresas. Profissionalmente colaborei com a EDP, o ICN, a SPEA (ONG) e o CEAI, antes de, em 2005, com 26 anos, ajudar a fundar a Ecosativa.

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