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O Direito como a opção do coração

Quem é Margarida Almeida Santos?

Não há uma Margarida Almeida Santos, há várias. Há a mulher, há a advogada, há a mãe. No conjunto Margarida nasceu, cresceu e formou-se em Coimbra, por opção o seu destino foi Lisboa, ciente das limitações, que, já na altura, se impunham na sua cidade Natal. Advogada de coração tenta, também como gestora, ultrapassar os desafios que a profissão que escolheu lhe coloca diariamente.

Por que motivo escolheu tornar-se advogada?

Na verdade, aquando da finalização do ensino secundário havia duas opções, ou entrava no curso de direito, que sempre me fascinou, pese embora não ter ninguém na família relacionado com o direito, ou seguia para a escola de hotelaria. Quis o destino que entrasse na Universidade de Direito de Coimbra, onde desde o primeiro ano não tive qualquer dúvida que aquele seria o meu caminho, devorando com inesgotável saciedade as pesadas sebentas do 1º ano.

Hoje decorridos 25 anos sobre a minha formatura tenho a certeza de ter tomado a decisão certa e como tal ponho “quanto sou naquilo que faço”.

É sócia fundadora da Sociedade Dinis Lucas & Almeida Santos. Assente em que princípios foi criada a sociedade e, enquanto profissional, como descreve o acrescento que a mesma veio trazer-lhe?

A sociedade foi criada em 1998, há 25 anos, com o fito de responder, na altura, aos desafios económicos e conjeturais da sociedade de então. Certos de que a especialização, embora entenda que a mesma não possa ser tão restritiva quanto muitas vezes é praticada por escritórios de grande dimensão, e uma equipa multidisciplinar nas várias áreas de direito, seriam a resposta adequada à clientela que tínhamos e que pretendíamos almejar. A ideia nunca foi criar uma sociedade com vista a um crescimento numérico de sócios e associados. Somos uma “Boutique Law Firm”, sendo que em Portugal é a única com marca registada desde 2012 tendo como principal objetivo a satisfação das necessidades individuais e particulares de cada cliente numa ótica de “Taylor Made”.

Com a criação da sociedade a individualidade passou, inevitavelmente, ao pensamento de grupo, quer na forma como interagimos com os nossos Colegas, sócios e associados, respeitando as várias ideias com respeito pela diversidade, quer com os próprios clientes que nos procuram. Por outro lado, a criação da sociedade trouxe-me responsabilidades acrescidas e um desafio diário na superação das questões de liderança, profissionalismo e de gestão com amor.

Hoje, as mulheres ocupam cada vez mais cargos de chefia em diversas áreas. Que benesses trouxe este facto à sociedade?

Efetivamente, as mulheres ocupam cada vez mais cargos de chefia, mas ainda em menor número que os homens. Penso que as mulheres pelas virtudes que lhes são inerentes como a facilidade de executar, simultaneamente, várias tarefas, personificando vários papéis, focalizando-se nas relações humanas, na facilidade na tomada de decisões e resoluções de conflitos, decorrentes da resolução de conflitos familiares, conseguem humanizar, não descurando a racionalização, podendo gerir com amor, o que para um homem líder, ainda hoje, é sinónimo de fraqueza. E um líder tem de necessariamente ser forte.

Historicamente, a advocacia era uma profissão dominada por homens mas hoje começa a tomar outros contornos… As mulheres ganharam força e posição. Tal posição é ganha de forma igual ou as mulheres, na sua opinião, têm sempre mais a provar face aos homens?

Se, de facto, presentemente existem mais mulheres inscritas na Ordem dos Advogados do que homens (cerca de 16 mil contra 14 mil), certo é, também, que os senior partners das sociedades de advogados em Portugal continuam a ser, maioritariamente, homens. Não gosto de fazer discriminação de género, contudo, penso que ainda hoje embora, mais ténue do que há 20 anos, a mulher advogada tem mais a provar do que o homem. Existem nalguns setores de atividade a “preferência” pelo sexo masculino quando chega o momento de escolha pelo advogado. Acho também que quando uma mulher conquista o seu lugar já nada a impede de alcançar os seus objetivos e de atrair a confiança dos clientes.

É certo que no que concerne ao mercado internacional há clientes que, expressamente, não querem trabalhar com mulheres ou que perguntam quando estamos duas mulheres numa reunião se não existem homens no nosso escritório.

É que, na nossa sociedade de advogados temos, presentemente, uma rácio de 2/3 de mulheres contra 1/3 de homens.

Qual é a sua opinião relativamente à posição da Ordem dos Advogados quanto à defesa da profissão e dos profissionais da área?

Quanto à posição da Ordem dos Advogados em defesa da profissão, penso que poderia haver mais empenho na defesa dos profissionais da classe. Sendo hoje a advocacia considerada como uma profissão de risco, a vários níveis, deveria haver, no meu entender, por um lado, um controlo da legalidade, mais focalizado, deixando de lado questões insignificantes de processos disciplinares que acabam por ser arquivados, oferecendo mais apoio institucional e pedagógico aos profissionais associados.

“Desistir nunca foi opção para mim”

Quando foram edificadas a Dark Sky Alqueva e a Turismo de Aldeia e de que forma é que as marcas têm como principal desiderato conseguir oferecer momentos fantásticos a quem vos procura?

A Genuineland – Turismo de Aldeia foi criada formalmente em 2007 como resultado de um projeto de cooperação europeia iniciado em 2003. O Dark Sky® Alqueva surgiu em 2008 como modelo de gestão integrada de destino e como forma de diferenciar Alqueva através da utilização de um recurso, o céu escuro, base para um produto que considerava de grande potencial a médio prazo e que não estava aproveitado até à data. A Genuineland e mais concretamente os projetos inseridos no Programa Dark Sky® Alqueva centram-se no Turismo Científico.

O Dark Sky® enquanto produto organizado em torno da observação astronómica e atividades noturnas, tais como canoagem, birdwatching, provas cegas de vinho, passeios pedestres, astrofotografia, passeios a cavalo, etc, pretende transmitir experiências que apelam aos sentidos do olfato, tato e audição. À noite, estes sentidos são amplificados e permitem a quem nos visita sensações e experiências muito diferentes. Por outro lado, poder observar a Via Láctea a olho nu com milhares de estrelas e poder tornar aquilo que num céu citadino é apenas um “sonho”, em pura realidade, é sem dúvida uma experiência única e plena de sensações, capaz de tocar mais fundo cada pessoa que nos visita. Não nos podemos esquecer que existem, pelo menos, cinco mil milhões de pessoas que nunca viram a Via Láctea a olho nu, ou seja, cerca de dois terços da população mundial.

Como conseguem marcar a diferença com os vossos pacotes e ofertas? Em que moldes podemos analisar outro projeto denominado por Genuineland – Turismo de Aldeia?

A nossa diferença está na forma como vemos o cliente e os seus interesses ao mesmo tempo que pensamos no equilíbrio e sustentabilidade do destino e das comunidades residentes. Para nós é fundamental que o Dark Sky® represente acima de tudo um modelo de desenvolvimento do destino e que a experiência de quem nos visita seja melhorada por esta visão integradora das várias componentes que dele fazem parte. Por isso, existe todo um trabalho de sensibilização, de combate à poluição luminosa, de melhoria contínua dos serviços turísticos que pretendem no final transmitir uma experiência enriquecedora a quem nos visita, que aumente a reputação do destino, da referência que já é hoje em dia a marca Dark Sky® e marque assim a diferença no panorama internacional.

Quem é Apolónia Rodrigues para além de Presidente da Genuineland – Turismo de Aldeia e Criadora e coordenadora da Dark Sky Alqueva?

É difícil responder sobre mim mesma, mas diria que uma apaixonada pela natureza em geral, por viajar, e completamente encantada por gatos. Ao nível profissional, penso que se houvesse uma palavra ou duas que me pudessem definir seriam talvez a Persistência e o Empenho que dedico a todos os projetos dos quais faço parte e em que acredito. Sou uma pessoa muito interessada por todos os temas com que lido e gosto sempre de me manter o mais informada possível acerca do que me rodeia. Considero-me também uma boa amiga e que se preocupa com as necessidades dos que me rodeiam, e quando não consigo ajudar mais, isso parte-me o coração.

O número de mulheres em funções de liderança tem vindo a aumentar nos últimos anos, mas ainda assim a presença feminina em cargos de chefias em Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer. Como é estar na linha da frente das marcas Genuineland – Turismo de Aldeia e da Dark Sky Alqueva?

Estar na linha da frente é sempre difícil e exige uma dedicação total face aos constrangimentos que advêm dessa posição. Por diversos momentos senti que as minhas ideias pela sua diferença até seriam aceites se me limitasse a ficar em segundo plano perdendo a capacidade de seguir a ideia/modelo que tinha idealizado. Como acreditava que assim acabariam por se perder, optei, desde cedo, por assumir e desenvolver as minhas ideias e projetos com toda a responsabilidade inerente e muitas das vezes, sozinha. Claro que nunca foi fácil e quanto mais inovadoras e diferentes são as ideias mais árduo é o caminho. No entanto estar rodeada de pessoas próximas que nos apoiam, compreendem e incentivam é fundamental.

Serão as mulheres melhores líderes? O que diferencia as mulheres em cargos de liderança?

No geral todos podemos ser bons líderes se assim nos esforçarmos para tal e respeitarmos quem nos rodeia. No meu caso, desistir nunca foi opção e talvez a capacidade de observar, a perseverança, a vontade de me desafiar constantemente e a curiosidade em aprender cada vez mais ajudaram-me a chegar aqui. Talvez as mulheres se tenham que esforçar mais para demonstrar que merecem realmente os cargos que lhes são atribuídos quando comparado com os homens, provavelmente já decorrente de questões históricas e de uma mentalidade social mais antiga que acabou por se enraizar e traçar esse caminho.

Ver uma mulher em cargos de liderança ainda é visto mais como uma exceção do que uma regra. Durante o seu percurso profissional alguma vez sentiu dificuldades acrescidas pelo facto de ser mulher?

Sem dúvida senti muitas dificuldades mas não senti que fossem pelo fato de ser mulher, mas acima de tudo pela minha personalidade. Percebi muito cedo que para desenvolver certos projetos teria de mover montanhas e aceitei isso como um desafio e os enormes constrangimentos que daí advieram têm mais a ver com as mudanças que eram e ainda são necessárias na sociedade e nos meios onde desenvolvo o meu trabalho. Naturalmente, num meio onde os cargos de liderança sejam maioritariamente tomados por homens, as mulheres têm o acesso menos facilitado mas como sempre, criei o meu espaço e essa questão não foi sentida como um problema.

Uma sociedade equilibrada contempla a integração de homens e mulheres com igualdade de oportunidades. O sexo não torna o indivíduo nem mais nem menos apto para o desempenho de uma determinada função. O que é para si ser um bom líder?

Ser acima de tudo humano, sensível, competente, capaz de reconhecer os erros e não ter vergonha/preconceito em os admitir, nunca pensar que sabe tudo, aceitar os problemas como um desafio, ser humilde, persistente, curioso, aberto às novidades e ao diferente, e nunca se arrepender de escolhas passadas sejam boas ou más. Ser um líder nunca é fácil, seja homem ou mulher, pois espera-se muito dele mas a capacidade de lidar com essas expectativas e ao mesmo tempo liderar é algo natural e depende de uma personalidade forte. Ser um bom líder revela-se quando nos momentos difíceis quem está à nossa volta nos respeita e acredita em nós, acabando por aceitar de uma forma natural as nossas decisões sabendo que estas só poderão ser em prol de uma boa resolução de um problema e para o bem maior de todos!

O que podemos continuar a esperar da Genuineland – Turismo de Aldeia e da Dark Sky Alqueva?

Muitas novidades, muitas iniciativas e projetos que primem pela diferença. E fazendo referência à boa liderança, acreditem em expectativa, pois o que ainda está por vir está no segredo dos Deuses, mas será para que todos possam aproveitar mais e melhor de um Universo fascinante e em constante evolução, na janela aberta que é o Céu do Alqueva e quem sabe de outros pedaços de céu em terras lusas.

 

 

DESMISTIFICAÇÃO DA SAÚDE MENTAL

Clínicas Dra. Cristina Camões disponibilizam aos seus pacientes uma gama de serviços na área da saúde mental e bem-estar. Quais são as suas especialidade e de que forma a Clínica se diferencia das demais na sua atuação?

A nossa Clínica é uma instituição certificada pela ERS (Entidade Reguladora da Saúde). Dispomos de uma equipa de profissionais altamente qualificados, com uma vasta experiência clínica e que proporcionam aos seus pacientes uma gama de Serviços na área da Psicologia Clínica, Neuropsicologia e Demências, Nutrição Clínica, Mediação Familiar e, mais recentemente, Hipnose Clínica. Diferenciamo-nos das demais, pois percepcionamos o Humano na sua globalidade e apostamos na formação científica que é validade pela experiência profissional de cada clínico que trabalha connosco. Toda a equipa técnica possui formação pós-graduada e especialização clínica.

De que forma as Clínicas apostam na inovação e na exigência que o mundo ocidental tem vindo a mostrar neste novo milénio, na área da saúde mental?

Apostamos na inovação, utilizando os meios audiovisuais, como meio de chegar a todos aqueles que precisam de ajuda especializada e não conseguem chegar a esses serviços clínicos nos locais onde residem. Refiro-me a um novo projeto que designamos como: Psiconline. Trata-se de um novo meio de fazer psicoterapia que abrange todos os países onde se fala português. Neste momento, todos os emigrantes que estão localizados na Europa ou noutros Continentes podem usufruir de tratamento psicológico com um profissional credenciado e especializado. Desenvolvemos há alguns anos um novo sistema de Psicoterapia, por videoconferência que permite prestar serviços Clínicos a qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, já que é aconselhável que a Psicoterapia seja feita com um Clínico que domine a nossa língua materna.

Psicologia Online: Trata-se de um novo meio de fazer psicoterapia que abrange todos os países onde se fala português.

 Uma das especialidades das Clínicas é a Consulta de Mediação Familiar. Em que consiste estas consultas?

Recorrem à Consulta de Mediação Familiar, os casais que estão a passar por conflitos na sua relação, ou até mesmo em risco de divórcio. A intervenção mediadora do técnico consiste em identificar problemáticas reais e desbloquear estas situações conflituosas de forma a atingir um equilíbrio na relação conjugal, e que, potencia mudanças no seio familiar. Este serviço torna-se ainda mais importante nos casais com filhos, pois permite delinear um plano das responsabilidades parentais, nos casos em que o divórcio é irreversível. A nossa técnica de mediação familiar, a Dra. Rosa Costa, é especialista em Medicação de Conflitos e Mediação Familiar (especialização reconhecida pelo Ministério da Justiça).

Cristina D’ Camões é Psicóloga e foi reconhecida pela Ordem dos Psicólogos, como Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. Que papel tem procurado assumir junto da comunidade e dos pacientes?

A ordem dos Psicólogos esteve, ao longo do ano de 2016, a reconhecer as especialidades. Fui reconhecida como especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, e, mais recentemente, reconhecida como Especialista Avançada em Neuropsicologia (Especialização tirada na Universidade de Barcelona), e como Especialista Avançada em Psicologia da Justiça (Especialização tirada no ICBAS UP). Ao longo dos anos tenho tentado procurar assumir um papel junto da comunidade e dos pacientes, antes de mais, de honestidade científica, pois o ser humano é extremamente complexo, o que implica que os profissionais desta área científica estejam munidos de conhecimento profundo e especializado nas áreas em que trabalham. A importância de recorrer a um especialista torna-se nos nossos dias um factor muito importante na cura mental. A par da formação, tem sido o meu lema de vida, contribuir para a desmistificação da Saúde Mental em Portugal e no Mundo, não só junto do público em geral, mas também junto de outros profissionais da área da saúde. Infelizmente ainda existe um estigma muito elevado na sociedade ocidental relativamente às patologias do foro mental. Cabe-nos a nós, profissionais desta área, informar, esclarecer, estudar e ajudar o Humano a compreender melhor estas problemáticas.

Como Psicóloga compreende os múltiplos papéis que as mulheres assumem atualmente na sociedade e a gestão que tem de ser feita. O paradigma está a mudar e os lugares de chefia do universo empresarial começam a ser ocupados por mulheres. Pode falar-nos da sua experiência, enquanto líder e empreendedora, na gestão da vida profissional com a vida pessoal?

Atualmente, as mulheres assumem um lugar fulcral na sociedade, nas empresas e numa Instituição muito importante que é: a Família. As mulheres são, desde cedo, ensinadas a resolver várias dificuldades ao mesmo tempo, o que lhes dá uma capacidade extraordinária de resolução dos problemas. Este fator é uma mais-valia na gestão das empresas e, até, nos cargos públicos. Na minha ótica, o segredo de conseguir uma boa gestão da vida profissional e pessoal, enquanto líder feminina e empreendedora, é Viver o Presente! Passo a explicar: em cada problema, em cada momento, em cada conflito, estar focado naquilo que se faz, é um dos segredos do sucesso. Por outro lado nunca fico bloqueada nos problemas, aliás penso que este seja um dos graves problemas da sociedade. Costumo dizer que temos um dom magnífico que nos distingue dos animais, que é a capacidade de Pensar, mas somos nós os donos do pensamento e somos nós que o dominamos, caso contrário, ficaremos retidos nos problemas tempos infinitos. Ter um locus de controlo interno tem sido também uma grande arma na vida, pois, geralmente assumo a responsabilidade dos insucessos unicamente a mim mesma e não à sorte, aos outros ou à sociedade. Assumir que o nosso caminho resulta do nosso empenho pessoal, da nossa competência para o bem e para o mal, é a melhor ferramenta que um Humano pode ter na sua vida.

Um último fator não menos importante é fazer como disse Fernando Pessoa “pedras no caminho? Guardo todas, um dia construo um castelo…”, posso dizer que tenho construído alguns castelos ao longo do meu caminho.

Comunicar está-lhe no sangue

A história a contar sobre Mafalda Flores é uma história de vontade. Vontade de fazer mais, vontade de crescer e vontade de sonhar para concretizar…

A empresária começa por explicar todo o percurso de trabalho árduo e de contínua aprendizagem que fez para alcançar o que hoje está construído: “apostei na formação especializada e passei por várias e diferentes empresas multinacionais. No início escolhi as vendas a conselho de um antigo professor – que me garantiu – ser esse o caminho que me abriria as portas no marketing – estava certo. Na vontade de ir mais além, nunca hesitei na mudança porque sempre tive a certeza de uma coisa: quem procura acha e as oportunidades surgem para quem não tem medo de trabalhar. Tive diferentes experiências, umas boas, outras nem por isso, mas todas me deram uma bagagem sólida de conhecimentos que hoje se refletem no que sou e que me fizeram chegar até aqui, à Blood.Com”. Contou com um apoio, que classifica como “crucial”: o familiar. “Sem o extraordinário apoio familiar que tenho na gestão das crianças tudo seria mais complicado”.

Chamou-lhe Blood.Com porque comunicar está-lhe no sangue: “o projeto acontece em 2015, num momento de transição da minha vida, em que se conjuga a necessidade de encontrar um novo desafio profissional, dedicar mais tempo à família e construir algo próprio, à minha imagem. Logo pensei… o que é que me corre nas veias? Sangue e comunicação! E foi aí que tudo começou a fazer sentido”.

Com um balanço “extremamente positivo”, a nossa entrevistada revela que tem uma equipa jovem e consolidada, capaz de dar resposta a todos os desafios inerentes ao dia-a-dia da empresa: “tem sido um crescimento marcado por parcerias e grandes projetos”.

Dedicada à Comunicação, o conceito da agência passa, fundamentalmente, por trabalhar com Start-Ups e PME’S. Sempre com um ADN muito próprio e espelho daquilo que é a sua fundadora: dinâmica e orientada para o desporto e lifestyle. Mafalda Flores procura sobretudo conhecer a história da história dos seus clientes. Aumentar a visibilidade de modo a que prosperem no mercado e, deste modo, aumentem o volume de negócios.

“Trabalhamos num plano de estratégia 360º, que alavanca a notoriedade através da assessoria de imprensa, ativações de marca e gestão das redes sociais. Construímos uma história, desenvolvemos um plano de ação e ativamos os veículos certos da comunicação. Somos uma equipa que se completa, cada um na sua área de especialidade e, em conjunto, trabalhamos todos os projetos potenciando o conhecimento e capacidades que nos é inerente”. E é desta forma que garante ser possível fazer bem e diferente.

Oferecendo um acompanhamento absolutamente individualizado, Mafalda Flores, garante que passam dias nas empresas dos clientes, uma vez que ao estarem mais perto deles conseguem conhecer a sua história e como se apresentam no mercado, o que é crucial no momento de traçar uma estratégia. O propósito? Contá-la.

“Percebi a dada altura que uma das minhas grandes valências era o construir histórias originais e ‘vendáveis’. Por vezes o que está por trás da empresa ou do seu dono é uma história que vale muito a pena contar”.

Integral Woman

A par da Blood.Com, tem um outro projeto, o Integral Woman. Uma comunidade de empreendedorismo feminino, de mulheres inspiradoras para mulheres inspiradoras.

“O Integral Woman aparece na minha vida por intermédio de uma amiga. Fui apresentada ao conceito com a finalidade de o promover. Enquanto mulher que aprecia empreendedoras, com objetivos e que, sobretudo, não vejam os filhos como uma menos-valia para conseguirem ser empresárias, aceitei o desafio. Há tempo para tudo. Por vezes é um desafio mas, querendo, todas conseguimos”.

Quando conheceu Tânia Trevisan, criadora desta Comunidade no Brasil, apaixonou-se de imediato: “demo-nos logo bem, por isso aceitei divulgar o evento cá em Portugal. Entretanto, com o sucesso conseguido, assumi a representação no nosso país. Este é um projeto para fazer crescer, com expansão regional, focalizado em empreendedoras. Mulheres integrais com atitude”.

Que apoios precisam estas mulheres no seu dia-a-dia? “É a pergunta que impera. Nos nossos Encontros IW queremos sobretudo fazer networking e criar parcerias sólidas. Selecionamos sempre nomes que nos trazem experiências ou novos conhecimentos. A interação é a base deste grupo. A troca de contactos, uma entreajuda, o apoio prestado umas às outras e, por isso, desejamos criar uma plataforma que contenha uma base de dados de todos os países que fazem parte do grupo de modo a criar sinergias vantajosas para todas”.

ÀS MULHERES EMPREENDEDORAS…

“Primeiro tenham um sonho… depois não desistam e lutem por ele. Tracem um objetivo para atingir esse sonho, passo a passo ultrapassem os desafios e conquistem. Conquistar e conquistar. Todos os dias…”

Em cada casa uma causa

Desde 2000, altura em que concluiu o curso de arquitetura, que anda de mãos dadas com a reabilitação, e confirma que essa é a sua grande paixão. Entre imensos projetos em que esteve envolvida, fundou a sua empresa, na altura deu-lhe o nome de Moreno Arquitectos, cuja realizou projetos de grande destaque, porém não eram suficientes.

Em 2009 colaborou com a Viseu Novo SRU projetando a reabilitação e restauro da “Casa do Miradouro” e em 2014, recebeu o Prémio IHRU, uma menção honrosa, devido a essa reabilitação. Nunca se dedicou somente a projetos, uma vez que, gosta de estar envolvida em várias coisas ao mesmo tempo. Neste momento, “a Moreno continua”…mas Cecília prossegue com mais desafios e: “como próximo passo quero desenvolver um esquema de cidade autossustentável”. Ao adquirir o franchisado “Querido, mudei a casa! Obras” reconquistou uma paixão: a reabilitação desde o projeto à decoração. Diz não haver nada que pague a satisfação que sente ao entregar às pessoas as suas casas ou espaços recuperados. Recriar espaços com custo reduzidos é um desafio ao qual não vira costas. “Temos que virar as coisas um pouco ao contrário daquilo que são, mantendo sempre o carisma e o valor que as coisas têm”.

Quando se atinge a satisfação pelo que se faz afirma que “o negócio vem sozinho”. “A marca do «Querido, mudei a casa! Obras» é essencialmente paixão. É por isso que a defendo e represento”. É ainda docente dos Cursos Técnico Superiores Profissionais no Politécnico de Viseu. “Adoro ensinar. A faculdade ajuda-me a aprender e a reciclar os meus conhecimentos. Sou totalmente a favor destes cursos, de forte caráter profissional porque o país precisa deste tipo de técnicos. Eles são ótimos, têm imenso talento.Estes cursos são extremamente práticos e dá aos alunos valências ótimas para ingressarem no mercado de trabalho. O país não precisa só de arquitetos. Há pessoas que têm tanta qualidade… vejo nestes alunos muita vontade e potencialidade”. Afirma que é feliz a fazer os outros felizes. E por isso está ligada a um outro projeto de ação social. Uma colaboração com a Habisolvis, em que efetua projetos para quem não tem possibilidade de o fazer. “Se todos fizermos um pouco, passará a ser muito.” Este projeto realiza-se através da Câmara Municipal de Viseu, que seleciona casas de famílias carenciadas para que sejam reabilitadas. “Renovar a casa das famílias seleccionadas requer uma ginástica financeira muito grande, porém, fascinante.”

A CRISE COMO LIÇÃO

“As pessoas nunca estão satisfeitas com o que têm. Consideram muitas vezes que o velho e o antigo já não têm valor, ironicamente também se esquecem que usamos antirrugas.

Estes anos de crise foram, por isso, uma lição. Houve pessoas que ficaram desempregadas e que começaram a dar valor ao que têm”.

Cecília Moreno garante que o criar, a reciclagem e a reabilitação ganharam valor uma vez que “muita gente não tinha uma consciência de que as coisas merecem ser recuperadas. A sustentabilidade já está a ficar na consciência. Todos nós temos muito que aprender”.

HÁ ALGUM SEGREDO PARA O SUCESSO?

Há! Felicidade. Vontade. Amor. Se pusermos tudo isto no que fazemos, é garantido. Ter a certeza e acreditar em nós é essencial.

O QUE NÃO PODE FALTAR NUMA CASA?

Pessoas. Nem que seja uma, caso contrário deixa de ser uma casa.

RELAÇÃO LUSO-BRITÂNICA: PARCERIAS ESTRATÉGICAS

O conhecimento dos diferentes sistemas jurídicos e domínio das línguas faladas de Portugal e Inglaterra são uma mais-valia para a prestação de um melhor serviço e acompanhamento dos processos dos clientes da SC Legal Advogados. E este tem sido o foco de Sandra Carito nas áreas de atuação do private client, imobiliário, societário  investimento estrangeiro e imigração.

Nascida no Reino Unido, Sandra Carito optou por forma-se em Portugal. Posteriormente, estagiou numa sociedade de advogados internacional em Lisboa onde acabou por ficar a trabalhar durante oito anos. “Não quis limitar-me a uma só jurisdição, o meu objetivo foi sempre ter o conhecimento de ambas as jurisdições e o conhecimento linguístico para trabalhar com as duas. Entretanto, queria crescer profissionalmente pelo que decidi sair da sociedade e trabalhar independentemente. E assim nasceu a SC Legal Advogados”, esclarece a nossa entrevistada.

A trabalhar com clientes privados e com grupos de investidores estrangeiros, a estratégia da SC Legal passa pelo estabelecimento de parcerias internacionais. Sandra Carito sabe da importância das parcerias com colegas de outros países, como é o caso de Portugal e outros país de expressão Portuguesa, países onde a SC Legal Advogados tem clientes.

O trabalho em networking é uma mais-valia, uma vez que essa rede de contatos representa um suporte para a partilha de serviços, conhecimento e informação. O cliente residente no Reino Unido, por exemplo, aprecia e dá importância ao facto de poderem ter apoio do seu Advogado na Inglaterra e ter o conforto de saber que É bom existir esta colaboração e estas relações entre colegas e demais profissionais para prestar um melhor serviço”, refere Sandra Carito.

A Sandra Carito é ainda membro do conselho da Câmara de Comércio de Portugal em Londres, que promove e dá apoio a empresas e organizações de diversos setores. Esta colaboração a nível institucional é fundamental para ter uma maior participação onde a atividade dos diversos setores cruzam-se.

RELAÇÃO ANGLO-PORTUGUESA

A decisão de estudar em Portugal deveu-se ao interesse de ter um contacto direto com a língua para um melhor domínio da mesma, bem como um contacto com própria cultura do país para perceber a realidade de Portugal e a sua jurisdição. “A questão transfronteiriça é fundamental. Muitos clientes ingleses sentem-se mais confiantes por saber que sou inglesa, mas que tenho um conhecimento aprofundado da língua, da cultura e da lei portuguesa. É importante não existir esta barreira linguística para manter uma relação de proximidade e de confiança com o nosso cliente”, avança a nossa entrevistada.

Sandra Carito colabora com o Consulado Geral de Portugal em Londres onde o dominio de língua e possibilidade de exercer a sua actividade entre duas jurisdições também serve de apoio à própria comunidade Portuguesa no Reino Unido.

Com o Brexit muitos portugueses residentes no Reino Unido estão preocupados com a saída britânica da União Europeia, mesmo aqueles que estão há mais tempo no país. A procura pelos serviços do Consulado por parte de residentes portugueses em Inglaterra que necessitam de apoio aumentou e Sandra Carito, tem prestado um papel de alerta junto dos seus clientes para consciencializar as pessoas e saber se estão a par das alterações que o Brexit acarreta e as das suas implicações. “Coloco essa questão aos meus clientes. E muitos ainda não sabem. Há falta de informação e aconselho-os para a necessidade de regularizarem a sua situação. Há ainda muito trabalho a fazer de divulgação e nós temos a obrigação de transmitir essa informação. Existem muitos portugueses a residir no Reino Unido e temos de os apoiar”, explica Sandra Carito.

Trustee e Secretária Honorária da Anglo-Portuguesa Society, uma instituição de caridade, Sandra Carito apoia causas relacionadas com a cultura, artes e educação, bem como procura participar em ações de voluntariado e participação em organizações sem fins lucrativo.

Com dupla nacionalidade, este projeto é uma oportunidade para Sandra Carito de manter laços de proximidade com o seu país. Como Trustee, acredita que é importante não só apoiar as várias iniciativas, mas também oferecer as suas competências e experiência como advogada. “Damos um pouco de nós sem nenhuma contrapartida. Não nos devemos limitar à nossa profissão e à nossa zona de conforto. Temos de conhecer pessoas e trocar experiências e conhecimento para termos a sensibilidade para saber o que está a acontecer à nossa volta”, avança a nossa interlocutora que também faz voluntariado e participa activamente em iniciativas do London Legal Support Trust cujo objetivo é prestar apoio legal e jurídico a entidades sem fins lucrativos.

MUDANÇA DE PARADIGMA

A trabalhar num mundo de trabalho, até há bem pouco tempo, dominado, maioritariamente, por homens, Sandra Carito afirma que, profissionalmente nunca sentiu qualquer tipo de discriminação. “Mas existe. As mulheres têm de se esforçar e trabalhar muito mais para ganhar notoriedade. Temos de saber marcar uma posição para sermos respeitadas e levarem a sério o nosso trabalho, o que por vezes é difícil para uma mulher nova num mundo de negócios de homens com muitos mais anos de experiência”, refere Sandra Carito.

É necessário demonstrar confiança no trabalho que está a ser feito. No entanto, Sandra Carito tem clientes que têm procurado, por exemplo, os seus serviços para prestar apoio numa área de negócio que, normalmente, é atribuído aos homens: o futebol. “E quando uma mulher é chamada para participar em matérias como estas é porque já há uma mudança. Trabalho realmente num mundo de homens, mas tenho conseguido estar no mesmo patamar e ter o devido respeito pelo meu trabalho por parte dos meus pares”, conclui Sandra Carito.

“As mulheres preocupam-se mais em harmonizar”

Com 16 anos de existência a Porto Capital já atingiu um estatuto de referência no ramo imobiliário. Como pode ser explicado o sucesso da Sociedade de Mediação Imobiliária?

Como em todas as atividades na Mediação Imobiliária, haverá sempre lugar a empresas boas, e menos boas, bons, e menos bons profissionais. No entanto, não restam dúvidas que os que oferecerem um serviço de elevada excelência e baseado na qualidade e perspicuidade, irão decerto crescer e permanecer no mercado nacional e internacional, os outros, serão inevitavelmente substituídos, e é ai que marcamos a diferença. Sendo que a todos os meus clientes, presto sempre o serviço de Consultadoria Financeira e Apoio Jurídico, torna-se mais fácil solidificar o negócio. Nos últimos 25 anos de Mediação Imobiliária em Portugal houve definitivamente uma clara evolução, onde todos os profissionais participaram e deram o seu contributo para que esta atividade crescesse e desenhasse o seu caminho rumo à qualidade de serviço ao dispor da sociedade. Estamos de parabéns por fazer parte desta evolução e deste mercado!

“Vendemos soluções, não promessas…!”, é o slogan da Porto Capital. A honestidade é um dos valores máximos da empresa? Explique-nos a importância da mesma no mundo dos negócios.

Procuro demonstrar atitudes de alto grau de honestidade, e manifestar na negociação com o meu cliente, regras como tais como respeitar a lei, rejeitar a corrupção, favorecer a transparência e a rotatividade no poder, e fazer valer as políticas financeiras responsáveis pelas diferentes instituições de crédito e as suas propostas. Pode-se pensar na importância da competência técnica, da inteligência, da inovação e da criatividade. Mas no mercado imobiliário, o que mais está em falta é mesmo a honestidade. Tudo o resto são benefícios que se podem construir por cima de ações e pensamentos honestos. A honestidade é uma das virtudes mais importantes: na família, na sociedade e especialmente nos negócios. Na mediação imobiliária, então, assume especial relevância.

Como pode ser descrito o crescimento da empresa num universo competitivo como é o caso do setor imobiliário?

Sendo Portugal um país relativamente pequeno com um número de transações imobiliárias que rondaram as 379.000 em 2016, e um mercado imobiliário que passou por um período de reajustamento e recessão recente, é um dos países europeus onde se verificou a maior evolução da atividade de Mediação Imobiliária, sendo hoje, sem dúvida, um case-study a nível de qualidade e sucesso das empresas que aqui operam. O meu maior desafio como líder e empresária de sucesso é conseguir ajustar-me às mudanças constantes do ambiente de negócios. Sempre uma nova lei, um novo imposto, um momento diferente da economia, um novo concorrente. Isso e muito mais obriga-me a agir com agilidade e rapidez.

A Arménia Moreira da Silva é, além de Ceo da Porto Capital, advogada. Como se dá este “casamento” e que benesses se destacam da junção das duas áreas?

Como advogada e CEO da Porto Capital, estou familiarizada e bem acostumada com casos mais comuns e os vícios do sistema que podem surgir nos contratos ou ao longo da negociação, nestes casos posso de imediato indicar as cláusulas que podem ser alteradas, assim como assumir a atitude perante as mesmas, procurando a melhor solução para economizar de igual forma os gastos no âmbito de concretizar o negócio. Ou seja, sendo advogada os meus clientes e proprietários, estão a assegurar um serviço com maior segurança sem ter de contratar um advogado para intervir na negociação. Em suma, é incomparavelmente uma mais-valia para o nosso cliente.

De acordo com a sua experiência, que contribuições mais notórias traz uma liderança no feminino a organizações de imobiliária?

As mulheres são mais sensíveis, expressivas e os homens mais contidos e, de facto, as mulheres preocupam-se mais em harmonizar o grupo. São mais preocupadas com o bem-estar da sua equipa e mais acolhedoras quer com os colegas quer com os clientes. Além disso, têm maior capacidade para adaptar a sua comunicação a diferentes ambientes e interlocutores.
A contribuição da liderança feminina para o desenvolvimento das empresas já está a ser medida e comprovada. Estudos recentes revelam que a diversidade de género na administração de uma empresa impulsiona a performance e aumenta as receitas.

Que valores cultivam as mulheres nas empresas diferentes dos homens?

A presença feminina na gestão das organizações tem aumentado nos últimos anos, mas as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de decisão económica. “Há características que remetem para que alguns traços mais femininos ajudem a responder a necessidades do futuro: comunicação, integração, construção de redes, vão mais ao encontro das interdependências que estão a ser criadas”. Será que “as mulheres têm estilos de gestão diferentes – e menos eficazes – do que os homens?”, é, por isso, uma pergunta que tem ocupado muitos investigadores, mas que não tem produzido resposta conclusiva.

A cidade do Porto está, este ano, novamente nomeada para melhor destino europeu. Numa perspetiva de negócio, que vantagens para o setor imobiliário acarreta esta nomeação?

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que a cidade é um destino cada vez mais procurado, nomeadamente para viver e trabalhar, e que o número de turistas que visitam a cidade tem vindo a aumentar. Segundo a nota divulgada pela ‘Vote Porto’, os dados relativos a 2016 indicam que aquele foi o melhor ano de sempre para o turismo na cidade, com portugueses (28 por cento), espanhóis e franceses (16 e 10 por cento, respetivamente), a serem as nacionalidades da maioria dos turistas. Estes dados refletem a procura ao âmbito do investidor, setor público-privado e do promotor imobiliário.

Que resenha é possível fazer acerca do crescimento de imóveis no Grande Porto?

O mercado habitacional no distrito do Porto tem estado este ano a exibir sinais de maior dinamismo, com um movimento crescente da procura, dizem diversas entidades que trabalham o imobiliário na Área Metropolitana do Porto e nos concelhos circundantes. São os casos dos concelhos de Paredes, Penafiel, Lousada e Paços de Ferreira
Face ao ano de exercício de 2016, as exceções são Espinho e Póvoa do Varzim, onde os preços apresentaram uma variação homóloga negativa mais acentuada do que no trimestre anterior, caindo 3,6% no primeiro caso e 6,6% no segundo, sendo este último o concelho em que os preços mais desvalorizaram. Matosinhos é o segundo concelho, a seguir ao Porto, onde os preços mais cresceram (1,4% em termos homólogos) no 2º trimestre deste ano, onde temos a oportunidade de promover empreendimentos em regime de exclusividade. Já entre os que mais desceram, está ainda Vila do Conde, onde a desvalorização homóloga do preço das casas foi de 4,6% no 2º trimestre.

Quais são as tendências que marcarão o mercado imobiliário no novo ano?

Sendo que o ano de 2017 será crucial para a consolidação do crescimento e do emprego em Portugal, num quadro de recuperação de rendimentos e de uma política orçamental responsável. O aumento da confiança e a execução plena do PT2020 serão essenciais para estimular o investimento privado, promovendo o aumento do potencial de crescimento na construção. Esta é uma questão crucial para ultrapassar um dos principais bloqueios ao investimento. Em 2017 a minha expectativa é que a velocidade dos factos e dos acontecimentos continue altíssima. Assim, o maior desafio de 2017 vai ser a gestão das expectativas.

De acordo com os nossos estudos do mercado em 2016, as áreas comerciais de grande movimento nas grandes cidades, armazéns de média dimensão em zonas de boa acessibilidade, os escritórios e armazéns em Lisboa e os armazéns e lojas médias na periferia foram os produtos mais ativos. Além da retoma económica, um dos fatores para o aumento de procura foi a “aquisição para exploração de arrendamento”, o que, na nossa perspetiva, se deve também “à falta de imóveis residenciais”, que “levou a que os investidores se voltassem para o não residencial como forma de investimento do seu capital”. A procura do não residencial “está ainda abaixo do desejável” e um dos desafios é, precisamente, conjugar estes níveis de procura com “uma oferta ainda grande deste tipo de imóveis, especialmente terrenos para construção em altura, lojas e armazéns/ unidades industriais”, que na sua opinião, têm ainda “desencontro de preços que possibilitem aumento do volume de negócios”. As expetativas em relação aos preços nestes segmentos apontam para estabilidade em 2017, tendência já sentida este ano, ao contrário da habitação, onde o ritmo é de subida.

O cenário pós-Brexit e a eleição de Donald Trump são motivos a ter em conta?

Sem dúvida que sim, as semelhanças entre as duas escolhas também ocorrem em relação às incertezas geradas pelos resultados. A maioria dos eleitores dos dois países não mudou sua escolha pelo receio das consequências imprevisíveis do Brexit e da vitória de Trump para a política e a economia. O triunfo do republicano pode significar uma rutura com o modelo de livre comércio das últimas décadas e indicar uma era de protecionismo económico. Apesar de o Brexit não ter sido um voto pelo protecionismo, o eleitor britânico aceitou o risco de sofrer consequências nessa área, já que o pacto de livre comércio está ligado a outros princípios da União Europeia, como o livre movimento de pessoas. Tanto o Brexit quanto a vitória de Trump colocam um ponto de interrogação sobre o gerenciamento e as tendências da ordem internacional, refletindo-se no campo do investidor internacional, já sentimos a síndrome no campo económico e financeiro.

DESAFIEMOS AS CONVENÇÕES

Porém, longe de constituir uma never-ending discussion, este é um tema que impõe crescente coragem e determinação, e até a teimosia capaz de derrubar preconceitos que em nada contribuem para a evolução das sociedades e da economia.

Recordo da minha meninice que homens e mulheres tinham prorrogativas distintas. Os homens não choram, uma menina não sobe às árvores, onde há galos não cantam galinhas eram afirmações que ecoavam com alguma profusão no sítio onde nasci.

Confesso que sempre me senti pouco confortável com tais generalizações e até sem perceber as razões de existência de escolas e colégios para rapazes e para raparigas.

Afinal eu adorava brincar com os meus dois irmãos, com quem me divertia mais do que com as minhas irmãs mais velhas que me limitavam de brincar aos índios e aos cowboys ou a quaisquer outros entreténs de rapazes. Até porque, em boa verdade, tudo resultava muito melhor quando cumpríamos tarefas em que a destreza deles era comandada pelo rigor delas. Longe estava eu de entender o alcance da visão de um pai e de uma mãe que bem cumpriam o princípio da complementaridade e nos levavam a todos nós, filhos e filhas, a executarmos por igual toda uma série de tarefas domésticas independentemente de serem tidas como masculinas ou femininas. Uma coisa era certa, não teríamos na nossa geração a inibição da minha mãe no acesso a formação académica superior, substituída pelo sexto ano dos liceus em que o francês, os lavores femininos e aprendizagem sobre como ser uma boa esposa, dona de casa e mãe exerciam uma especial relevante na vida da mulher. Este era o contexto em que autorização para viajar para o estrangeiro cabia ao homem a quem era conferida exclusividade na hora de votar.

Pois bem, longe vão os tempos de tamanho desperdício humano, de competências, de conhecimento, de entendimento de que o verdadeiro poder reside na combinação de forças aportadas por homens e mulheres capazes de conjugarem esforços na hora da decisão.

Mas ultrapassámos já a fase de alerta de perigo e entrámos em pleno ciclo de reconhecimento do papel que ao homem e à mulher cabe no seio da família ou em matéria de equidade de oportunidades e de género em cargos de liderança, de alta direção, de decisão política? Sabemos que não. E que a culpa não é delas que não querem assumir tais compromissos ou exercer tais responsabilidades. Tenhamos a coragem de reconhecer que, enquanto não operarmos mudanças significativas ao nível dos sistemas educativos, a começar na mais tenra idade, não vamos lá. Até porque, não se duvide, é nos bancos de escola que tudo tem que começar.

Se importa avançar com este trabalho num esforço de convergência entre governantes, academias e sociedade civil, importa também que, a jusante, se vão trabalhando organizações corporativas, associativas e representativas de diversos setores de atividade e de intervenção, e tudo fazer para não se pôr em causa talento, competências e capacidades de pessoas que, independentemente do género com que vêm ao mundo, têm um enorme potencial no crescimento e desenvolvimento de um mundo que faça mais sentido.

Valores, cultura, empenhos, é tudo o que urge trabalhar para podermos usufruir da grande mais-valia que líderes, homens ou mulheres, podem aportar na hora de fazermos proliferar organizações saudáveis e sustentáveis. Mulheres e liderança trata, pois, mais do que um debate de circunstância, de capacidade de tudo fazer para desafiar convenções e reparar desvios socioculturais aberrantemente cultivados ao longo dos séculos.

É que, incorporar homens e mulheres em processos de gestão, não deixando nenhum deles sub-representado na hora de desenhar estratégias, de tomar decisões seja em que quadrante e nível for, assegurando equidade de tratamento, também na remuneração, constitui, que não se duvide, uma medida de inteligência e de visão capaz de sustentar o sucesso de pessoas e de organizações empenhadas em marcarem definitivamente o futuro a começar desde logo pela agenda do século XXI. Cumprido este desígnio, pelo qual me baterei com toda a convicção e empenho, verei ajustadas as injustiças dos meus tempos de menina, reforçados os princípios que recebi em família, ultrapassados inibidores que ponham em causa a sustentabilidade deste planeta em que acreditamos.

OPINIÃO DE Conceição Zagalo, Presidente da Assembleia Geral do GRACE em representação da IBM

“A sociedade ainda não está preparada para acolher as mulheres nestes cargos”

Estrategicamente localizado, o município de Abrantes assume-se como uma região em plena evolução, tendo conseguido conciliar esta simbiose entre as características tradicionais e a modernidade. Como é que Abrantes tem vindo a promover um trajecto tendo como principal desiderato a melhoria da qualidade de vida das populações?

A nossa aposta é tornar Abrantes uma referência regional em matéria de desenvolvimento social, económico, procurando a coesão do território concelhio e, fundamentalmente, tentando encontrar respostas para as adversidades que com que as populações se vão debatendo.

Para além do trabalho de afirmação da coesão territorial, com a parceria inestimável das 13 Juntas de Freguesia, apostamos claramente nos instrumentos de planeamento porque só assim se pode projectar o futuro: O Plano Estratégico ABRANTES@2020 que é a base fundamental para a alavancagem de um novo ciclo para obtenção de fundos comunitários (Portugal 2020); O Projeto Educativo Municipal; O Plano de Urbanização de Abrantes cuja revisão aprovámos recentemente; O PDM que se encontra em fase de revisão; o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana e o Plano Municipal para a Cidadania, Igualdade de Género e não Discriminação.

Aprofundamos as bases de cooperação e compromisso com os nossos parceiros públicos e privados. As empresas, pilares para o desenvolvimento económico e social. As associações e as IPSS, pilares da nossa comunidade cujo contributo é fundamental para o desenvolvimento social.

Estamos muito apostados no trabalho da regeneração urbana, através das candidaturas que estamos a apresentar aos fundos comunitários. Reabilitar a edificação degradada, valorizar o património cultural, qualificar o espaço público e assegurar a igualdade dos cidadãos no acesso às infra-estruturas. Estamos a assumir uma dimensão cultural que entendemos essencial para podermos competir e acrescentar valor às estratégias do Médio Tejo e do país para o desenvolvimento do turismo.

Terminámos o ano de 2016 com um bom exemplo de participação cívica com o nosso 1º orçamento participativo.

Somos uma câmara parceira do associativismo que no concelho tem grande pujança, afirmando a cidadania. Temos um programa de apoio ao desporto, à cultura, à acção social. Entendemos que os clubes e as associações são pilares fundamentais de coesão social e do apoio aos interesses e necessidades de cada cidadão.

Trabalhamos igualmente na valorização ambiental e prevenção de riscos; na promoção da eficiência energética e na governação local e modernização administrativa.

É edil da autarquia de Abrantes desde 2009, estando agora a finalizar o seu segundo mandato. Desde o primeiro dia em que assumiu funções até hoje, quais são aquelas que pode considerar as principais conquistas para o município?

A proximidade aos cidadãos é o princípio básico de uma verdadeira democracia e o motor para o progresso. Acresce a mais-valia de uma gestão financeira do Município equilibrada. Há vários anos que mantemos uma posição confortável nos rankings de eficiência financeira dos municípios. Isso reflecte a gestão criteriosa da Câmara de Abrantes e confirma a estratégia de gestão consolidada no rigor e na transparência das contas da autarquia, desenvolvida pelo Executivo mas também por todos os colaboradores do Município, em proveito da execução de políticas com vista à melhoria da qualidade de vida dos munícipes mas também das instituições concelhias.

Que análise e balanço perpetua deste segundo mandato? O que ficou por fazer?

Um mundo em permanente mutação e o processo de globalização sujeita-nos todos os dias a novos problemas para os quais é preciso encontrar diferentes soluções.

Os últimos 8 anos foram particularmente difíceis por causa da crise económica, financeira e social que fragilizou as economias do euro mais vulneráveis, como é o caso da portuguesa. As autarquias, pelo seu papel de proximidade às populações, mudaram o seu paradigma de atuação porque foi preciso encontrar respostas para problemas sociais, indo até muito além do que são as suas competências. Dou-lhe o exemplo da saúde e do problema de falta de médicos de família com que o nosso concelho se debate há anos. Não sendo nossa competência, temos estado na linha da frente porque queremos fazer parte da solução e minimizar os efeitos nefastos com repercussão direta na qualidade de vida das populações. Comparticipámos no alojamento de médicos, criámos um incentivo pioneiro de nove mil euros por ano para cada médico que aceitasse trabalhar no concelho, medida que nos permitiu ter a primeira Unidade de Saúde Familiar (USF) no concelho que está em funcionamento há 1 ano, com bons resultado. Nós assumimos a construção do edifício, em parceria com o ministério da Saúde e neste momento temos em andamento uma obra para instalação de uma segunda USF para cobertura ao sul do concelho.

Num período económico conturbado, no qual os detentores de cargos políticos são diariamente colocados à prova, como é estar na linha da frente de uma autarquia?

É um desafio permanente. Tenho aceitado os desafios à medida que me são colocados. E é nesse sentido que tenho toda a abertura para poder continuar a servir, em primeiro lugar os cidadãos do concelho de Abrantes e a região, uma vez que neste mandato, os meus congéneres deram-me a honra de me eleger para liderar a CIMT, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Entendo este desafio enquanto serviço público e desempenho estas funções com alegria, com motivação e determinação. É uma honra servir a minha comunidade.

Seria importante criar mecanismos que cativem investidores nacionais e estrangeiros para investirem na região? Tem sido feito algum trabalho nesse sentido? Em concreto no apoio ao tecido empresarial local, que papel a autarquia tem procurado desempenhar?

A missão de uma Câmara Municipal é estar ao lado das empresas e dos empresários. É essa tónica que nos tem guiado. Estamos ao lado dos empresários, fazendo parte das sinergias para criarmos valor para a nossa economia local, regional e nacional. Abrantes tem uma localização privilegiada, é central, atravessada pela A23,  é servida por acessibilidades rodo e ferroviárias permitindo acesso rápido e fácil aos principais centros de produção, distribuição e consumo. Dispõe de centros de produção de competências e de transferência de conhecimento técnico-científico e a autarquia disponibiliza um quadro de incentivos municipais atrativo e diferenciador para atrair e fixar mais empresas, mas também para estimular e apoiar novos investimentos por parte das empresas “residentes” no concelho. Recentemente apresentámos  a campanha de desenvolvimento económico “Abrantes Invest”, abrangendo as três zonas de investimento identificadas como prioritários para o concelho de Abrantes: As Zonas Industriais (Abrantes, Pego e Tramagal) onde promovemos a venda de lotes a preço reduzido; o Centro Histórico e o Parque Tecnológico do Vale do Tejo. Criámos um regulamento para apoio a projetos empresariais de interesse municipal materializado em benefícios fiscais para investimentos que garantam a criação líquida de emprego no concelho. Criámos um regulamento para a criação de emprego qualificado no Parque Tecnológico do Vale do Tejo que define um quadro de apoios financeiros para projetos instalados na incubadora de empresas traduzido na atribuição de uma comparticipação financeira ao salário base mensal suportado pela empresa, por um prazo máximo de 2 anos por posto de trabalho apoiado. O pacote inclui também incentivos à reabilitação urbana no centro histórico. Os apoios a conceder traduzem-se em isenções fiscais ou aplicação de taxas mínimas para várias situações como reabilitação nos termos das estratégias de reabilitação ou conservação de imóveis, habitação ou arrendamento. Para apoio ao investimento na área do centro histórico temos em vigor um regulamento que cria condições para a implementação de novos projetos comerciais. Quem aqui quiser investir pode contar com um trabalho em rede integrada de serviços de apoio ao investidor e com uma via verde por parte dos serviços municipais, de forma personalizada em todas as fases de desenvolvimento de negócio.

Gostava ainda de salientar que no cômputo dos 13 concelhos que integram a região do Médio Tejo, Abrantes é o que lidera o ranking das exportações e isso fica a dever-se à resiliência e determinação das nossas empresas. Mesmo na pior fase da crise económica, o nosso concelho teve a capacidade de manter as suas maiores unidades, como a Central do Pego ou a Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), sediada no Tramagal, entre outras.  Refiro igualmente o setor da agricultura e da agroindústria, com particular destaque para a fileira do Azeite, sendo que o concelho dispõe de cerca de 50% da quota nacional do mercado e as indústrias da madeira e da cortiça que assumem também um papel muito importante no contexto local.

É uma conhecedora nata de Abrantes, até porque já ocupou diversos cargos que o comprovam. Desta forma, quais são as principais valias região e que lacunas ainda identifica que urgem serem resolvidas?

O Médio Tejo é uma região de oportunidades. Pelo potencial turístico e pelos recursos endógenos mas também pela incorporação de valor na atividade empresarial, a promoção da coesão e da qualidade de vida e a consolidação de massa crítica urbana.

É preciso uma boa rede de serviços, garantir qualidade de vida e competitividade. Precisamos de ter condições para oferecer competitividade e qualidade de vida, e, portanto, de ter melhores acessibilidades. Falta a esta região uma nova travessia no Tejo e um bom interface rodoviário e ferroviário que possa potenciar o transporte de carga mas também o de passageiros. Precisamos de aperfeiçoar os bons projetos educativos, e, nessa vertente nós estamos a trabalhar num projeto supra-municipal para o combate ao abandono e insucesso escolar mas também criar as melhores condições para manter nos nossos territórios o ensino superior e profissional.

Mas também uma boa rede de transportes que articule o transportes rodoviário com o ferroviário e que articule também o transporte dentro de cada município, com as carreiras supra-municipais que é também o que estamos a fazer ao nível da CIMT com o alargamento com o transporte a pedido a todos os municípios do Médio Tejo.

O Poder Local tem vindo, ao longo dos últimos anos, a ser «alvo» por parte do Poder Central com uma série de alterações e mudanças. Na sua opinião, qual o actual estado do Poder Local e acredita que têm sido colocadas no terreno todas as medidas para que o trabalho do Poder Local seja mais efectivo, ou seja, esteja mais próximo da população?

As autarquias locais têm agora um novo desafio: Se a agenda dos grandes investimentos está ultrapassada pela escassez de recursos e praticamente esgota pelo trabalho que o poder local desenvolveu desde o 25 de Abril para infraestruturar o país, precisamos hoje construir um novo paradigma de desenvolvimento local. O desenvolvimento hoje faz-se numa lógica mais alargada territorialmente. A consolidação das funções e equipamentos estruturantes, na cultura, desporto, saúde ou educação, a oferta de condições diferenciadoras de apoio e acolhimento à atividade empresarial, o desenvolvimento de politicas para a capacitação das pessoas para ocuparem o seu lugar na comunidade e a disponibilização dos recursos suficientes para permitir a inclusão dos que se encontram em situação de maior desigualdade e adoção de padrões de consumo e utilização dos recursos mais racionais, são as condições fundamentais para sermos mais competitivos no contexto territorial em que estamos inseridos.

Sente que o Poder Local é o «parente pobre» do actual Governo?

Não diria isso. O actual chefe de governo presidiu à autarquia da capital e, portanto, terá a sensibilidade de olhar para os autarcas, para as autarquias e para os nossos territórios, perceber as nossas dificuldades e as condições que nos dará para trabalhar.

Acredita que a atribuição de maiores competências às autarquias e juntas é o melhor caminho? As mesmas estão preparadas para receber essa enorme responsabilidade acrescida?

Nós entendemos que a transferência de competências para as autarquias deva ser acompanhada de uma verdadeira recuperação da autonomia em termos de contratação de pessoal. Nos anos da crise, sob a condicionante de não podermos aumentar as despesas com pessoal, perdemos muitos colaboradores e isso reflecte-se negativamnete no serviço público que prestamos às populações. Os recursos humanos são fundamentais para o aumento de competências das autarquias. A recuperação da liberdade de contratação de pessoal é por isso fundamental.

Também é urgente uma alteração à Lei das Finanças Locais.

Há aquela questão suscitada pelo cientista político norte-americano Benjamin Barber, com o seu livro “Se os autarcas governassem o mundo”, publicado em 2013. Pois bem, as autarquias têm efectivas condições, até pelo conhecimento privilegiado dos seus territórios, para contribuir para uma administração pública mais eficiente.

Uma das nossas rubricas assenta no tema «Liderança no Feminino». Como é ser Presidente de uma autarquia e Mulher? Sente que o facto de ser Mulher alguma vez a impediu de chegar aos seus desideratos?

Fui a primeira mulher presidente de câmara no concelho de Abrantes. Aquilo que posso dizer é que o que as mulheres têm para dar é um imenso esforço para conseguir uma afirmação. Toda a nossa dinâmica é fomentada para essa afirmação porque a sociedade ainda não está preparada para acolher as mulheres nestes cargos como está para os homens. Mas entendo como natural a paulatina abertura do mundo da política às mulheres. Haverá sempre um caminho a percorrer e que é preciso aperfeiçoar. 

O que podemos esperar de si enquanto edil da autarquia de Abrantes até às próximas eleições autárquicas a realizar no final de 2017?

O calendário autárquico não altera o rumo traçado por mim e pela minha equipa. Estamos e continuaremos a estar empenhados em trabalhar para respeitar a confiança que os nossos concidadãos nos depositaram, acarretando o seu desejo de sermos ainda mais próximos. Trabalho assente na solidariedade, na competitividade e na sustentabilidade.

Será candidata? Se sim, que mensagem gostaria de deixar a toda a população de Abrantes?

Sim, serei candidata a um último mandato, cumprindo a promessa feita aos eleitores do concelho de Abrantes quando me apresentei ao voto popular pela primeira vez, em 2009, com um programa estratégico e integrado a 12 anos.

As pessoas avaliarão o trabalho que está a ser feito por mim e pela minha equipa. Servir o melhor possível a comunidade, no sentido de continuar a fazer uma política de proximidade, esse é o meu lema. Com e para as pessoas, as empresas e as instituições.

Visitar Abrantes é… ? 

Abrantes é uma cidade que está em expectativa estratégica, como dizem os militares. Está no centro do país, tem excelentes acessibilidades ferroviárias e rodoviárias, tem pessoas simpáticas que sabem receber, um património que importa conhecer e valorizar e uma gastronomia rica e diversificada. Por isso, contamos que os turistas se sintam atraídos para que possam conhecer o que temos para oferecer.

PRIOVIDA: Um agente facilitador do dia a dia

Que motivações estão na origem da PRIOVIDA e a que necessidades do mercado veio responder?
As duas grandes premissas da PrioVida são, a Vida como uma Prioridade e o Tempo como um Bem Precioso.
Cada vez temos vidas profissionais mais exigentes e pouco tempo para nós, para a família e para os filhos, assim como para atividades familiares e domésticas. A PrioVida pretende acima de tudo dotar cada um dos seus clientes de tempo. De tempo para si, para a família, para realizar um sonho…
A PrioVida assume-se cada vez mais, como um agente facilitador do dia-a-dia das pessoas e das famílias, apresentando serviços que permitam tornar os dias das pessoas mais simples. Porque para a PrioVida, Tempo é o bem mais precioso para aqueles que aspiram ir mais além!

Dos serviços disponíveis, o PrioVida Kids e o PrioVida Seniores, de que modo estão os mesmos estruturados?
Naturalmente uma das maiores preocupações das famílias são as crianças – Como tornar o seu dia-a-dia melhor, como impedir que estejam tantas horas na escola, como ocupar o seu tempo livre, como permitir que os pais continuem a ter “cinco minutos” para si e a perseguir um sonho … Assim, a PrioVida surgiu no mercado em Março de 2013 com a PrioVida Kids. Desde o primeiro dia que a PrioVida Kids oferece serviços totalmente adaptados às necessidades das famílias. A nossa prioridade é o bem-estar e a segurança das crianças e a tranquilidade e confiança dos pais. A PrioVida Kids presta Serviços Pontuais de Babysitting, ao domicílio, em Eventos, para Crianças com NE (Necessidades Especiais), Serviços de Continuidade (Amas), Serviços de Férias e Animação de Festas. 24 horas por dia, sete dias por semana.
Em Março do presente ano nasceu a PrioVida Seniores. O salto da PrioVida Kids ligada à 1ª idade, para a PrioVida Seniores, uma marca vocacionada para a 3ª Idade, é mais que natural, uma vez que ambas se baseiam nos mesmos pilares de confiança, afetividade e apoio. Para já a PrioVida Seniores disponibiliza Serviços de Apoio, nomeadamente companhia. Brevemente teremos um leque mais abrangente de apoio especializado, sempre ao domicílio. O que distingue a PrioVida no mercado não é apenas o que vende, mas antes a forma como o faz, estabelecendo com os seus clientes relações de confiança e transparência.

foto de equipaPrioVida

O PrioVida Home e o PrioVida You estão anunciados como próximos serviços, em que consistirão cada um deles?
A PrioVida Home e a PrioVida You são a continuação do nosso compromisso. Pretende-se com a PrioVida Home, oferecer todos os serviços necessários à gestão diária de uma casa (limpezas de casa, jardim ou piscina, alimentação, pequenas obras ou reparações, entre outros).
A PrioVida You centra-se na pessoa. Eu, você, as pessoas no geral foram a fonte de inspiração para este novo conceito. Já ajudamos com as crianças, com os seniores, brevemente com a casa, só ficava em falta a própria pessoa. Assim a PrioVida You vai disponibilizar um leque muito diferenciado de respostas que permitirão a cada pessoa ter mais e melhor tempo.

Ser mulher contribuiu substancialmente para a criação desta solução de negócio?
Sim claro! Sou licenciada em Psicologia Organizacional, sempre fui uma profissional muito ativa, sou casada, mãe e “gestora do lar”. Na realidade, não sou muito diferente da maioria dos profissionais ativos da nossa sociedade e na base da PrioVida há claramente um pouco da minha vivência, da minha experiência, das minhas necessidades e das minhas vontades.

O cuidar da casa e da família, apesar de ser uma tarefa cada vez mais partilhada pelo casal, é ainda o grande palco da desigualdade de géneros?
Não seria assim tão taxativa. Obviamente que a nossa cultura/educação ainda fomenta alguma diferença na atribuição das atividades familiares e domésticas. Mas tendencialmente creio que se caminha para uma maior igualdade. Curiosamente, na PrioVida Kids, temos praticamente o mesmo número de pais e mães a procurar o nosso serviço, o que demonstra que as crianças são sem dúvida uma preocupação partilhada.

A equipa de trabalho é o segredo para o bom funcionamento da prestação de serviços? Que características são consideradas e como é realizada a seleção?
A equipa da PrioVida é fundamental para o sucesso da nossa empresa. Só é possível apresentar um serviço de qualidade se confiarmos nos profissionais que o desempenham. Os colaboradores da PrioVida são sujeitos a um rigoroso processo seletivo e continuamente avaliados no desempenho da sua atividade.
Mas para além da formação e experiência que é exigida a cada um, é igualmente exigida uma componente humana muito forte. Das 53 pessoas da nossa equipa, não temos ninguém na equipa sisudo ou antipático. É fundamental ser-se empático, alegre, positivo e conseguir, nos primeiros cinco minutos, transmitir confiança e segurança.

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