Inicio Tags Liderança

Tag: liderança

“Um líder é aquele que não precisa de se afirmar como líder”

Em primeiro lugar, parabéns pelo seu excelente percurso. São 25 anos de Toyota Caetano Portugal, são 25 anos de…?

Completo 25 anos de Toyota Caetano Portugal este ano de 2019. São 25 anos de paixão, de relações, de Kaizen (melhoria continua), de batalhas, de dedicação, retorno, satisfação.

A Toyota e o Grupo Salvador Caetano são um exemplo de persistência, de nunca desistir, e de muito trabalho.

Que momentos ou aspetos considere fulcrais para o seu crescimento pessoal e profissional retira deste seu percurso dentro de uma marca de renome como Toyota Caetano Portugal?

Foram vários como deve imaginar, mas o mais recente foi a minha última ida ao Japão (em fevereiro deste ano), onde estive cerca de dez dias a “mergulhar” na cultura japonesa do “omotenashi” (hospitalidade), e no Toyota Way (kaizen).

Aqui consegui, mesmo após quase 25 anos na Marca, trazer para a minha vida profissional e pessoal valor acrescentado de enorme retorno e valor.

É um percurso marcado pela ascensão e aprendizagem e, certamente, marcado por muitos desafios e dificuldades. Consegue referir-nos alguns?

Sim, alguns desafios marcados pelas crises do setor, e principalmente por alguma resistência à mudança que este mercado acarreta. Mas na filosofia da nossa empresa, as dificuldades transformam-se em oportunidades, e é assim que queremos sempre pensar, e agir.

Numa altura em que se debate cada vez mais questões relacionadas com a desigualdade de género, como diria ter sido o seu percurso profissional neste sentido? A desigualdade de género é uma realidade para si?

Sim e não. Sim, porque sendo mulher, e principalmente neste setor, existe sempre desconfiança e eventualmente alguma falta de “tato” para algumas reações, conclusões e decisões. E porque normalmente sou a única mulher, ou das poucas mulheres, por vezes torna difícil ser ouvida, ou pelo menos compreendida.

Não, porque no Grupo Salvador Caetano e na Toyota, não se sente diretamente estas questões, e porque talvez como qualquer mulher em lugares de liderança, marcamos sempre a nossa presença de uma forma muito assertiva e contundente.

É diretora da Toyota Caetano Portugal. O que é mais desafiante para si neste cargo?

Manter o nível de motivação da equipa, gestão de pessoas e conflitos, a criação contínua, e a procura de mais e melhor.

A sociedade ainda impõe bastantes limitações à mulher e ao seu papel na sociedade. Ter uma carreira profissional de sucesso significa abdicar do sucesso na vida pessoal ou vice-versa?

Acho que sim, mas acredito que é possível se houver partilha entre os casais, e mais igualdade. Ainda não estamos lá, mas também cabe aos educadores, mães, pais, sociedade, meios de comunicação, etc., criar seres humanos que não vejam a diferença de género como uma diferença de oportunidades e responsabilidades.

Assim teremos uma sociedade onde todas as mulheres podem ter o seu espaço e usufruir na plenitude do seu potencial e capacidades.

Pode partilhar connosco o seu exemplo? É fácil conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal e familiar?

Como não tenho filhos, imagino que torna as coisas eventualmente um bocado menos desafiantes, mas a constante necessidade de viajar e estar muito tempo fora de casa, torna as coisas mais complicadas.

Hoje as organizações debatem-se com múltiplos desafios relacionados com a transformação digital, mas também com a liderança, a gestão de pessoas ou a retenção de talento. O que é para si um bom líder? Que características a definem enquanto líder?

Um líder é aquele que não precisa de se afirmar como líder. É aquele que consegue que o acompanhem, e que acrescente sempre valor (quer profissionalmente quer pessoalmente). Que construa. Um líder precisa de agir com paixão e com determinação.

A presença feminina numa indústria onde os homens ainda estão em maior número

A Chassis Brakes International é uma das maiores fabricantes mundiais de soluções de travagem automóvel que com o seu espírito empreendedor e inovador, está presente em 23 localizações e conta com mais de 5.500 colaboradores a nível global. Em 2014, o grupo decidiu criar em Lisboa, um centro de serviços contabilísticos e financeiros para as suas empresas europeias. Olga Baptista aceitou o desafio de construir de raiz toda esta estrutura empresarial representativa do grupo.

BMW, SIEMENS E CHASSIS BRAKES…

Nascida em terras do Mondego, Olga Baptista licenciou-se em Economia pela Universidade de Coimbra. Iniciou a sua vida profissional na BMW na área de marketing, e pouco tempo depois entrou na gigante multinacional Siemens onde se desenvolveu até entrar para a grande fabricante de travões.

“Quando me juntei à Chassis Brakes International, o objetivo era criar uma equipa de 15 pessoas para fazer os serviços financeiros das empresas europeias do grupo. O sucesso do projecto e a competência da equipa que conseguimos criar, levou a uma muito maior aposta e contributo de Lisboa para o grupo. Hoje temos uma empresa com cerca de 70 pessoas que trabalham desde a área financeira e de contabilidade, à de compras a fornecedores, e suporte de vendas a clientes, que para além da Europa trabalham também com as Americas. Recentemente criámos um departamento de IT que, para todas as empresas do grupo a nível mundial, suporta, mantém e desenvolve soluções tanto ao nível de infraestrutura como de software, tais como SAP, Business Intelligence e Workflow Management”.

O nível de responsabilidade tinha aumentado significativamente. Diz ter aceite, pela vontade de se desafiar ainda mais. “Esta oportunidade fez-me questionar se seria altura de mudar. O desafio de criar uma empresa e toda uma equipa do zero, deu-me uma responsabilidade e frio na barriga que na altura achei interessante”, explica.

Questionada acerca daquilo que define a profissional que hoje se tornou, a diretora garante que a educação e formação que teve foi o mais importante: “Penso que a nossa base está bastante lá atrás. O que marca muito daquilo que sou, devo-o à minha família e educação que me deram. A partir daí vem a formação e a experiência. As situações que mais me desenvolveram foram aquelas em que a mudança aconteceu e sempre que me desafiei a sair da minha zona de conforto. Começou quando vim morar para Lisboa, o ter passado largos meses a morar em Bruxelas e na Índia também me marcaram bastante, e por último o ter vindo para a Chassis Brakes. Estas experiências foram altamente enriquecedoras, desafiaram-me bastante e trago delas bons ensinamentos pessoais e profissionais”.

“Acredito mesmo que a evolução está muito associada à mudança”

 

O QUE É INTERESSANTE NA INDÚSTRIA DOS SERVIÇOS

Numa empresa onde impera o bom ambiente de trabalho, as pessoas ajudam-se e trabalham em equipa não só pela necessidade processoal mas para o desenvolvimento delas próprias. Com uma equipa com mais de seis nacionalidades e onde a língua base é o Inglês, no dia a dia é comum falar-se línguas tão diferentes como Italiano, Turco, Polaco ou Francês.

Como nos comenta Olga Baptista: “É muito aliciante representar uma multinacional com esta diversidade e multiculturalidade. Trabalhamos em Portugal mas para o Mundo, o que nos põe diariamente em contacto com outras culturas e ideias. Algo que também me atrai neste tipo de serviços é a busca contínua pela melhoria, levando ao aumento de eficiência e da qualidade pela aprendizagem constante”.

Hoje é responsável por gerir uma equipa de 70 pessoas e afirma que o seu estilo de liderança assenta na adaptação perante as personalidades e necessidades de cada um.

“Gerir e liderar equipas foi algo que me apareceu como desafio sem o procurar, mas que rapidamente se tornou uma das minhas maiores vontades. O meu estilo de liderança depende da pessoa que está à minha frente e da situação concreta que estamos a passar”. 

“Para mim tem de haver uma adaptação às necessidades. Gosto de desenvolver equipas autónomas e dar liberdade de escolha. No entanto, autonomia não é abandono e por isso o apoio é crucial”

Com uma delicadeza assertiva, Olga acredita que só através da superação de desafios se evolui. Afirma que os seus actuais desafios se prendem em duas vertentes: “Por um lado fazer com que a empresa em Lisboa tenha um grande impacto para o grupo Chassis Brakes International e constantemente perceber como podemos contribuir para o seu crescimento. Por outro lado é motivar as pessoas que fazem parte desta grande equipa de especialistas e fazer com que cada uma consiga o seu melhor no dia a dia”.

TRABALHAR NUMA INDÚSTRIA TIPICAMENTE MASCULINA

“A indústria automóvel é super intereressante nos dias de hoje, além de ser um mercado bastante competitivo, está numa mudança constante e é otimo acompanhar e trabalhar neste meio. O futuro da  mobilidade, a eletrificação e redução de emissões, assim como a condução autónoma, são temas da atualidade e que me atraem, e isso não tem nada a ver com o género mas sim com o gosto pelos desafios e por perceber o impacto que as mudanças têm na vida em sociedade. No fundo, é entender como o mundo está a evoluir”.

Apesar de ser um mundo ainda muito dominado por homens, em termos de liderança e de operações, o centro em Lisboa contraria as estatísticas até do proprio grupo Chassis Brakes ao ter mais mulheres do que homens a ocupar funções de gestão, mas Olga esclarece que nada tem a ver com sexismos ou feminismos, “é pura meritocracia”.

E é assim que encara toda a indústria: “Não existe nenhuma dificuldade ou obstáculo por haver mais homens, é apenas um facto”, explica.

“Acredito que o estereótipo de liderança ter de se ser homem, branco, e com mais de 50 anos já passou de moda. Hoje o que se procura é a diversidade a todos os níveis: cultural, de raças e género…Obstáculos de género não tive, até acho ter tido bastantes oportunidades e soube agarrá-las da melhor forma. Situações constrangedoras tive algumas sim mas felizmente já no passado e talvez mais pela idade. Algo que, mal provava a minha capacidade de trabalho, a questão de género deixava de fazer parte da equação”.

“O que as grandes empresas querem são pessoas competentes e com visão”

BeFashion: Lutar sempre, vencer talvez e desistir nunca

BeFashion Textile Agency, surgiu no mercado há cerca de cinco anos, sendo que o grande desiderato da mesma passa por promover a inovação e a melhoria de processos de uma forma contínua e regular, criando uma relação sustentada e duradoura com clientes e parceiros, acompanhando sempre as ultimas e novas tendências do mercado global, e mantendo a qualidade como vértice superior da sua dinâmica ao nível de serviços e celeridade na vertente da competitividade dos preços.

Mas quem é Patrícia Ferreira? “Acima de tudo sou mãe e empresária que veio de raízes humildes e que lutou muito para alcançar aquilo que tenho hoje”, afirma a nossa entrevistada, que está no setor do têxtil há quase duas décadas, mais concretamente há 18 anos e que ao longo do seu percurso esteve quase sempre em posições de liderança e chefia, algo que “é muito prestigiante para mim”, assegura, salientando que foi o seu lado curioso e sua capacidade para línguas que permitiu que a mesma continuasse a crescer ao longo de todos estes anos, sempre por conta de outrem e sempre com patrões do sexo masculino, “por quem tenho muito respeito e consideração pela forma respeitosa e valorizada como me trataram e que fizeram um pouco do que sou atualmente”, salienta Patrícia Ferreira, que com o intuito de atingir novos objetivos, novas metas, foi sempre ela a tomar a iniciativa e decidir assumir novos cargos, nunca tendo sido despedida.

BeFashion é Patrícia…

Até que chegou 2014 e o momento e que a nossa entrevistada percebeu que esse era o momento para apostar no seu próprio negócio e projeto. “Estava numa idade e maturidade estável que me permitiram avançar por conta próprio e criei a BeFashion Textile Agency”, refere, salientando que estes cinco anos da marca no mercado têm sido bastante positivos. Com um longo percurso no universo do têxtil, a nossa interlocutora foi reunindo conhecimentos e estofo para ultrapassar qualquer obstáculo e trabalhou sempre com fabricantes, embora o seu objetivo fosse tornar-se uma agente neste mercado, pois reconhecia que os players existentes no mercado tinham um défice elevado de conhecimentos técnicos ao nível dos agentes e “então achei que se conseguisse marcar pela diferença e enveredar por um caminho de agente, tinha todos os conhecimentos técnicos para marcar pela distinção e agora posso dizer que marquei pela diferença”, assevera a nossa entrevistada, referindo algo que a orgulha muito. “Quando edifiquei a marca não fui eu que procurei os clientes, mas eles é que me procuraram. Para muitos clientes não é a BeFashion, mas a Patrícia e isso deixa-me orgulhosa”, salienta, não deixando de afirmar que os agentes no mercado atual são mais do que capazes e revelam enorme profissionalismo e conhecimentos, “mas marco também a diferença pelo conhecimento que adquiri ao longo da minha carreira. Por isso é que apostei numa equipa pequena porque não precisamos de ser muitos para fazer um trabalho de excelência, o mais importante é gostarmos do que fazemos e ter um bom ambiente de trabalho e isso temos”, afirma convicta a nossa entrevistada. Assegurando que na BeFashion ninguém depende do fabricante para dar uma resposta ao cliente, “tudo porque reunimos conhecimentos técnicos que nos permite apresentar ao mesmo propostas e soluções”.

“A balança está equilibrada e existe respeito mútuo”

Num passado recente, o mundo do têxtil era composto, maioritariamente por homens, principalmente em cargos de liderança e chefia, algo que ao longo dos tempos foi mudando e para a qual as mulheres muito contribuíram. “Não tenho a mínima dúvida que as mulheres foram importantes para essa mudança. Isto sem desfazer dos homens que fazem parte deste setor, por quem tenho uma relação de carinho e respeito por tudo o que me ajudaram”, refere a nossa interlocutora. Mas haverá uma liderança feminina e uma masculina ou essa vertente de um líder não passa pela questão de género? “Naturalmente que não. Acredito sinceramente que a balança está equilibrada e existe respeito mútuo. A única coisa que encontro algumas diferenças é na forma de resolver um problema, porque as mulheres têm uma forma de pensar diferente perante um obstáculo e procuram imediatamente por soluções, enquanto que o homem se limita a colocar o problema. No fundo é tudo uma questão de pragmatismo”, afirma a nossa entrevistada.

Mas será que Patrícia Ferreira, ao longo de 18 anos de carreira, alguma vez sentiu alguma barreira em crescer pelo facto de ser mulher? Segundo a nossa entrevistada “as dificuldades de ser jovem mulher em cargo de liderança foram sempre superadas pela capacidade de resolver e decidir assertivamente face a qualquer adversidade. Fazendo uso da capacidade de fazer diversas tarefas ao mesmo tempo, e assumindo-me como mulher profissional muito nova fez-me ganhar o respeito pelos meus pares masculinos”, salienta e reconhecendo que alguns setores da sociedade e do universo empresarial a questão da igualdade salarial ainda seja distinta para homens e mulheres, “algo que acredito que irá mudar no futuro, pois já demos passos enormes e positivas nesse equilíbrio”.

O mercado francês e uma localização estratégica

A BeFashion atua somente no mercado internacional, em mercados como França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Bélgica e outros, sendo que é no mercado gaulês que se materializa o volume superior de negócios por parte da marca, cerca de 70% e porquê o francês? “Porque quando edifiquei a agência a grande procura de clientes foi desse mercado e acabei por conquistar uma parte desse mercado”, assevera Patrícia Ferreira, recordando que os mercados internacionais e nacionais são bastante díspares. “Cá dentro ainda existe uma preocupação muito grande com o que se vai faturar com determinada empresa, enquanto que a nível externo valorizam a presença e isso fazemos diariamente, pois a cada três semanas vou a Paris visitar os meus clientes e perceber quais as motivações, quais as preocupações e consigo dar soluções para isso mesmo”, lembra, assegurando que tem construído relações profissionais no mercado francês que já estão neste momento numa fase de relação de amizade e isso além de ser francamente positivo, permite-nos ter maior confiança por parte do cliente e assegurar novos clientes que nos conhecem pela forma como trabalhamos com os nossos atuais parceiros”.

Localizada no coração do têxtil do norte do país, Guimarães, esta também foi uma estratégia da nossa interlocutora. “Estamos aqui há dois anos e apesar de ser natural de Guimarães, não foi esse o vetor mais importante para estarmos aqui, mas sim pela proximidade que nos permite ter com os melhores fabricantes do têxtil em Portugal, que para mim estão nesta cidade. Aliado a isso, também cumpro um desejo, ou seja, contribuir para o crescimento económica da minha cidade”, revela, lembrando que o desiderato mais próximo é o de crescer no mercado italiano e alemão. “Já trabalhamos com estes mercados, mas o nosso volume ainda é bastante reduzido e queremos inverter isso em 2019, se calhar até ao final desta estação, que é em agosto”, afirma Patrícia Ferreira, lembrando o lema da empresa, “Lutar sempre, vencer talvez e desistir nunca”.

Não pretendemos terminar sem ter a visão de uma empresária/mulher experiente e conhecedora do mercado do têxtil em Portugal que, num passado não muito longínquo, “estava morto. O têxtil morreu por um vasto conjunto de cenários onde se encontra a não aposta na inovação e no fazer diferente. A mudança surgiu quando os criadores das empresas começaram a passar essa pasta aos filhos e filhas que tinham e têm uma visão mais inovadora e mais virada para o futuro e começaram a apostar em novos equipamentos, em novas técnicas de produção e em mercados novos e foi esse o click para que o têxtil regressasse e marcasse um crescimento assinalável e positivo”, revela a CEO da BeFashion.

Hoje em dia o homem dita tendências da moda

Será que a moda é um vetor importante para a afirmação da Mulher? “Sem dúvida”, afirma a nossa entrevistada, lembrando, contudo, que hoje o homem tem uma palavra a dizer neste domínio. “A mulher sempre procurou estar na moda e conhecer as tendências e o homem, num passado recente, estava desligado disso, algo que atualmente mudou, e até me arrisco a afirmar que hoje em dia, em vários casos, é o homem a ditar as tendências da moda, algo que até para mim que conheço a fundo o mercado e tenho uma mente aberta, me surpreendeu e que considero ser bastante positivo e gratificante”, conclui a nossa entrevistada.

“O SPIL vai desenvolver uma cultura de partilha”

É responsável pela criação do produto SPIL, uma solução criada a pensar no líder e em como tornar as suas vulnerabilidades em mais-valias. Pode explicar-nos como funciona?

O SPIL é um programa para líderes que pretende desenvolver uma cultura de autenticidade nas equipas e nas empresas, com base num processo de autodesenvolvimento constante e consciente das vulnerabilidades individuais, assim como, daquelas que são um padrão na equipa. É um programa intensivo com o objetivo de trabalhar competências que são essenciais para este tipo de função nas organizações contemporâneas, mas que ainda não são consciencializadas como determinantes para o alto desempenho da liderança.

O programa não pretende dotar os líderes de competências base, mas ir mais além, criando uma cultura de liderança com foco na responsabilização de todos no seu processo de desenvolvimento. Uma liderança que não direcciona, não impõe, não pressiona, mas sim,estimula! Procura perceber que estímulos necessitam as pessoas individualmente e em equipa para ir mais além no seu desempenho, agilizando os mesmos em dinâmicas envolvendo as equipas. Pretende criar um ambiente de reconhecimento, positivo e envolvente para todos na organização.

A quem se aplica esta solução?

O programa está pensado para CEOs, Diretores (1 e 2 linhas) e Managers de equipas. Todos deverão ter uma consolidada experiência em gestão de equipas.

O programa divide-se em três fases: o selfie report, o deep program e o call2action. Qual é aquela que diria ser mais determinante?

Todas são importantes e estão interligadas, o selfie report faz o diagnóstico da perceção que existe sobre o líder na sua organização, baseado no reconhecimento das suas vulnerabilidades e autenticidade. Estes resultados vão ser integrados no deep program e trabalhados na perspectiva SPIL com as ferramentas e metodologia do programa, que vão desenvolvidas no call2action  na organização do líder em contexto real, com o nosso  acompanhamento. Logo, todas as fases são imprescindíveis, mas diria que o deep program será a mais intensa do programa.

Na sua opinião, explicar aos líderes que as suas fraquezas poderão ser algo positivo é uma das componentes mais desafiantes desta solução? Porquê?

Essencialmente, porque se trata de uma questão cultural, de uma cultura organizacional que está instituída no presente em que o líder deve ser forte, um “rolemodel” e não mostrar uma componente mais emocional relacionada com as suas vulnerabilidades, ou fraquezas como são denominadas nesta cultura. Estamos a quebrar um estereótipo e simultaneamente a mudar a perspectiva de liderança. Estamos a trabalhar competências associadas a inteligência social e a uma postura mais exposta do líder nas dinâmicas das equipas. Também, estamos a pedir ao Líder que se questione e desenvolva todo um trabalho que o vai tirar da zona de conforto, o que na verdade não é fácil.

Em que mudanças acredita a SDO que ocorrerão nas equipas de trabalho depois de um gestor concluir as etapas?

Estamos convictos que o líder vai promover um maior engagement da equipa, com foco no autodesenvolvimento individual permanente, transformando o processo de avaliação mais ágil e eficaz.

Acima de tudo, vai desenvolver uma cultura de partilha, consciencialização e responsabilização de todos nos objetivos comuns através do “contágio” na sua esfera de ação. Uma maior “elasticidade” do seu papel na gestão relacional e emocional nos vários níveis da organização. Promoção de práticas inovadoras adequadas às diferentes realidades organizacionais, baseadas numa cultura de autenticidade através de uma metodologia consistente. Criação de homogeneidade e equilíbrio comportamental nas equipas de lideres quando em interação permanente, em ambiente profissional dentro da mesma organização.

“A presença da mulher na advocacia é hoje um dado absolutamente incontornável”

De que forma é que a marca consegue manter este posicionamento e quais são os verdadeiros desafios que enfrentam atualmente as sociedades de advogados?

A Sérvulo tem sabido manter um posicionamento de coerência no mercado jurídico, optando por uma aposta clara pelos serviços jurídicos de alta complexidade e não massificados e, ao mesmo tempo, pela elevada qualificação dos seus advogados em vista da produção de um output de excelência.

O maior desafio das sociedades de advogados hoje é a eficiência, é encontrar um equilíbrio entre a relação meios utilizados/resultados produzidos que dê resposta à crescente pressão dos clientes em matéria de honorários.

E a mulher? Que papel assume atualmente a mulher num setor associado até há bem pouco tempo, maioritariamente, ao sexo masculino?

A presença da mulher na advocacia é hoje um dado absolutamente incontornável. As advogadas são, em geral, muito dedicadas e batalhadoras e isso permitiu-lhes merecer hoje o reconhecimento pelos pares e pelos clientes da qualidade do trabalho jurídico que executam. Mas, infelizmente, ao nível dos lugares de topo e de gestão nas sociedades de advogados e também ao nível da escolha, pelos clientes, do advogado a quem entregar a responsabilidade para tomar conta de um problema/assunto jurídico seu, os resultados ficam aquém, havendo claramente uma preponderância masculina. Este é o passo que falta dar.

Está na SÉRVULO desde 2008, e é sócia do departamento de Público. Olhando para a sua vasta carreira, o que a motiva e inspira diariamente?

Dei-me conta agora que me licenciei há precisamente 20 anos, em 1999. Mas não vejo estes 20 anos como uma vasta carreira. E sinto-me ainda uma aprendiz, no Direito e na vida. Estou numa fase ótima da minha vida profissional também por isso, entre duas gerações de advogados de quem beneficio muito.

O que me motiva diariamente é resolver os problemas do cliente e fazer tudo o que está ao meu alcance para que decidam o melhor possível.

De que forma é que podemos caracterizar Ana Luísa Guimarães enquanto mulher e profissional?

Os últimos anos, desde a aproximação aos 40, têm sido muito enriquecedores, a nível pessoal e, reflexamente, também a nível profissional. É uma profunda tomada de consciência sobre a finitude, as pessoas, o bem e o mal e o mundo à nossa volta. Até então, era tudo uma brincadeira…E, fruto desse processo, a serenidade é hoje um valor que conquistei, tanto a nível pessoal como profissional. Mas continuo a ser muito emotiva, com o que isso tem de bom e de menos bom. Não sou indiferente.

A minha visão do Direito, apesar do grande enfoque nos últimos anos, no Direito Público, nunca foi verdadeiramente afunilada e cada vez menos pretendo que o seja. O Direito, para se realizar, tem de ser poroso. Tem de estar perto da vida real, compreender as pessoas, as organizações e aproximar-se dos centros de decisão. Por isso, decidir fazer um MBA, que estou a concluir na AESE Business School, que me despertou para um conjunto de realidades que me eram muito mais distantes.

A desigualdade de género é uma questão que continua a merecer a devida atenção de todos nós, com as mulheres a continuarem a ser alvo de discriminação económica e social. Esta é, de facto, uma questão que iremos conseguir mudar ou combater?

Há um caminho que está a ser feito há muito tempo e que irá continuar. Acredito que as desigualdades tendem a ser atenuadas. E aceito instrumentos normativos corretivos, mas vejo-os com um mal necessário. Isto é, não me revejo intrinsecamente na sua essência, mas concordo que pragmaticamente são importantes e que sem eles a evolução é muito mais difícil.

Liderança feminina ou masculina? Existe realmente alguma diferença entre ambas ou não é uma questão de género?

As mulheres são, regra geral, mais emotivas, melhores gestoras das suas emoções e mais atentas às emoções alheias. Se tivesse de eleger uma característica diferenciadora na liderança masculina e feminina seria a inteligência emocional a favor das mulheres.

Alguma vez, ao longo da sua carreira, já sentiu essa desigualdade do género?

Se lhe dissesse que não, não estaria a ser sincera.

A terminar, que mensagem deixaria a todas as mulheres?

Que acreditem mais e mais nelas próprias e que sejam livres nas suas escolhas, sem cedência a preconceitos e moralismos de qualquer espécie.

“Igualdade de oportunidades e não igualdade de género”

Advogada há mais de três décadas, Dulce Franco, trabalhou numa das maiores sociedades de advogados portuguesas, tendo, em 2008, constituído a prestigiada sociedade de advogados AAA. Foi vogal do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, secretária de estado da Economia, é membro de várias organizações profissionais e autora de escritos para publicações do setor da advocacia. Recentemente foi eleita pela revista especializada Iberian Lawyer uma das 50 advogadas que mais se destacam na advocacia empresarial na Península Ibérica, reconhecimento atribuído pela sua ética profissional, competência técnica, relações interpessoais, capacidade de mentoring e de liderança.

A advocacia é uma vocação que surge já na Universidade (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) e que começa a exercer em 1983.  Com uma história e currículo extenso, diz que ainda tem “muito para fazer”. Considera indispensável para ser advogado “a rectidão de caracter a par da ética profissional, o conhecimento e a independência.” Estes são os seus princípios “partilhados entre todos os advogados da AAA”.

Foi com base neles que um grupo de advogados que trabalhavam em conjunto há muitos anos, constituiu a AAA, “uma business law boutique não só pelas áreas de direito em que trabalha, mas também pela sua dimensão e métodos de trabalho”.

Tais princípios valeram a Dulce Franco a distinção Top 50 Women List a nível ibérico. Da lista constavam 42 espanholas e oito portuguesas, eleitas por mais de 1.000 pares. Foram reconhecidas como notáveis nas suas carreiras, inspiradoras das novas gerações.

 “O momento mais marcante até agora foi a constituição desta sociedade.” Diz que “foram muitos anos na PLMJ, aprendi muito, fiz muitos amigos, conservo muitos e outros tenho pena de não conservar. Foi uma grande mudança e foi difícil sob o ponto de vista afetivo, mas um desafio novo é muito motivador”.

O início da sociedade AAA “não foi difícil do ponto de vista do lançamento do escritório. Os clientes com quem trabalhávamos quiseram seguir-nos e a dinâmica do escritório faz o resto”.

Passaram 11 anos desde a sua fundação. Com humor, a advogada diz “somos uma sociedade relativamente jovem mas somando a experiência de todos temos quase um século”. E continua, “os princípios são os mesmos e ter êxito nesta sociedade depende das capacidades de cada um, estudo, trabalho, dedicação em todos os planos, mas todos têm as mesmas oportunidades. Os mais jovens, têm a possibilidade de crescer, sem barreiras”.  E acrescenta:  “Há um tempo, uma revista especializada considerou a nossa sociedade no top 10 das sociedades de advogados portuguesas que mais oportunidades de crescimento oferecem aos advogados mais jovens. Nem nos passa pela cabeça que esse crescimento dependa do género”.

O escritório AAA é constituído na sua maioria por mulheres, um pormenor que descarta como intencional, “as pessoas que aqui estão valem absolutamente pelo seu caráter e pelo seu trabalho, como deve ser em qualquer ambiente profissional”.

O escritório tem vindo a crescer, mas não pensam crescer muito. “As sociedades grandes e as sociedades pequenas têm características diferentes, nem todas boas, nem todas más. Não queremos ser uma sociedade grande, interessa-nos muito mais a qualidade dos serviços que prestamos e a agilidade da organização que uma maior dimensão. Fazemos aquilo que acreditamos que os nossos clientes sabem que fazemos bem.”

Questionada sobre as características especiais que um bom advogado deverá ter, Dulce Franco é pragmática: “Ter paciência, é essencial! Lidamos com muitas pessoas, muito diferentes, as solicitações são muitas, as questões são quase sempre urgentes e bastante absorventes, muitas vezes imprevistas, obrigando-nos a reavaliar prioridades. Todos os dias são exigentes, é uma profissão exigente”.

Quando referimos o facto de ser mulher e advogada, Dulce Franco diz “Sempre tentei, com o apoio incondicional da minha família”. E acrescenta “as advogadas que têm uma estrutura familiar disponível ou outro tipo de apoio em casa, conseguem conciliar a vida profissional com a familiar, e mesmo assim com muita ginástica, caso contrário é praticamente impossível. Assegurar uma disponibilidade quase permanente e estar presente na família, que também tem imprevistos, exige muita flexibilidade. Não quero dizer que não seja exigente para os pais advogados, mas mesmo com muito boa vontade as mães são mães e os pais são pais. Os géneros não são iguais, há algumas questões na família que são, naturalmente, mais da mãe e outras mais do pai, se há bom espírito, tudo se resolve”.

Olhando para o passado, “a verdade é que nunca senti facilidade ou dificuldade no meu trabalho por ser mulher. Devo ter encontrado sempre pessoas inteligentes que nunca tenham olhado para mim nessa perspetiva, mas pelas capacidades que me atribuíram”.

Sobre se a advocacia foi um sonho diz “nunca tive uma visão particularmente romântica da profissão. Acho que fui sempre talvez um pouco argumentativa e tenho tendência para causas, defender aqueles que seja por que circunstâncias for precisam de ser defendidos ou de fazer valer os seus direitos. Acho que anda perto do que é ser advogado”.

A nossa entrevistada explica “as enormes diferenças entre o que era a advocacia quando comecei e como é agora. Para já, há a questão do tempo, quase tudo é urgente e urgente quer dizer instantâneo. Depois, há as tecnologias aplicadas à profissão, que nos ajudam e nos poupam tempo para pensar. E os próprios advogados são diferentes. O que vou dizer são generalizações, se me puser a pensar em pessoas em concreto, merece muitas excepções! Nas gerações anteriores, os advogados eram uns humanistas habilitados em direito, sabiam direito e muito mais, e trabalhavam em todos as áreas. A minha geração, embora mais dedicados a certas áreas, é bastante de generalistas, com o que isso também tem de positivo. As gerações mais novas começam cedo a definir linhas de especialidade, tentamos que não seja demasiado cedo, uma boa formação não se coaduna com uma especialização prematura. Tudo dito, sempre continuarão a existir brilhantes advogados, pessoas de excepção, que engrandecem a nossa profissão”.

“A discriminação combate-se (…) com dedicação e profissionalismo”

A Abel Cardoso, Catarina Carvalho, Esteves De Aguiar & Associados, Sociedade de Advogados foi uma das primeiras sociedades de advogados a surgir em Portugal. O que mudou desde então? Que verdadeiros desafios enfrentam atualmente as sociedades de advogados?

RC – A prática da advocacia tem passado por alterações profundas. Ao anacronismo do advogado generalista alia-se a crescente complexidade económica e social e o fenómeno da internacionalização do Direito, com a consequente complexificação legislativa que impõe a especialização dos advogados. A advocacia de negócios tem conquistado um importante espaço no mercado face à advocacia tradicional de “barra” – o que, creio, suscitará na nossa Ordem uma reflexão sobre o modelo de formação dos advogados, ainda muito ligada às competências forenses. Creio, quanto às sociedades de advogados, que os clientes empresariais procuram hoje o apoio jurídico junto de estruturas mais leves, logo mais competitivas e habilitadas para dar resposta rápida e personalizada às suas solicitações.

CTC – Desde 1992 muita coisa mudou na advocacia em Portugal. Passou-se da prática isolada ao trabalho em equipa que é uma mais valia do exercício da advocacia em sociedade, sobretudo hoje com a jurisdificação do mundo em que vivemos. Ocorreram ainda grandes alterações tecnológicas, e o Direito não podia ficar de fora, as quais trouxeram grandes benefícios não só como ferramenta de trabalho, mas também no relacionamento com os clientes, permitindo uma atualização constante da informação. O grande desafio que hoje enfrentamos é o da especialização, a formação continua e a internacionalização.

Olhando para o panorama atual do setor da advocacia em Portugal, que papel assume hoje a ACCE Sociedade de Advogados no mercado?

RC – A ACCE integra advogados experientes em diversas áreas do Direito que lhe tem permitido conquistar a confiança de empresas de vários setores económicos e de clientes institucionais públicos. Oferecemos aos nossos clientes serviços orientados para a resolução de necessidades novas (o caso da proteção de dados pessoais e do copyright). Prestamos apoio à internacionalização e ao investimento no mercado nacional por clientes estrangeiros. Orgulhamo-nos da fidelização que conquistamos dos nossos clientes, sustentada na disponibilidade, na personalização da relação advogado-cliente e na prontidão da resposta às solicitações.

CTC – A ACCE está bem posicionada no mercado pois abrange uma franja de clientes empresariais e individuais com características próprias, de vários sectores de actividade. A nossa dimensão faz alguma diferenciação na proximidade com o cliente. Basta ver que temos clientes há mais de 20 anos, alguns desde o início, o que é um sinal da confiança em nós depositada. Convivemos bem com as grandes sociedades. Aliás, vezes houve em que já trabalhámos em parceria com uma ou outra, num determinado contexto, o que é muito salutar.

E a mulher? Que papel assume atualmente a mulher num setor associado até há bem pouco tempo, maioritariamente, ao sexo masculino?

RC – Há hoje mais mulheres do que homens no ensino superior, o que altera o rácio de mulheres vs. homens no mercado de trabalho, mas não creio que o aumento do número de advogadas cause por si só modificações no exercício da profissão: o que releva é o mérito, e o mérito não é mais ou menos recorrente em função do sexo. A discriminação combate-se antes de mais com dedicação e profissionalismo.

CTC – Atualmente, temos mais advogadas inscritas do que advogados. Por isso há já bastante tempo que advocacia deixou de ser associada ao sexo masculino. O conhecimento, a aprendizagem e o rigor que a profissão exige, não estão condicionados ao sexo masculino ou feminino. Na ACCE acontece exatamente o inverso pois somos mais advogadas do que advogados. A única dificuldade que poderá ser sentida pelas advogadas, e falando genericamente, seja a de conseguir conciliar o exercício da profissão com a organização da vida familiar, o que obriga a uma gestão criteriosa do tempo, nem sempre fácil de conseguir.

Rosário Coimbra e Catarina Carvalho são advogadas na ACCE Sociedade de Advogados e contam já com um vasta experiência profissional. O que as motiva e inspira diariamente?

RC – Motiva-me a procura de soluções criativas para problemas difíceis e as abordagens inovadoras. Os clientes empresariais procuram pragmatismo nos advogados, orientado para soluções cujas variáveis ultrapassam a perspetiva jurídica das solicitações que nos dirigem. A minha experiência como advogada “in house” em duas das maiores construtoras portuguesas contribuiu decisivamente para o meu perfil profissional.

CTC – Tenho já 28 anos de advocacia e continuo a exercê-la com entusiasmo. Gosto de argumentar, de estudar, de ensinar, e de aprender. A solução para uma questão pode exigir muito de nós, quer a nível técnico-jurídico, quer apelando à experiência e intuição. Mas tenho o privilégio de trabalhar numa sociedade, da qual fui fundadora, onde se preza muito a interajuda, a troca de conhecimentos e a boa disposição. Temos um excelente ambiente de trabalho, o que é essencial.

O que diriam que vos define e carateriza enquanto mulheres e profissionais?

RC – Gosto do debate e da controvérsia. Confio nas vantagens da troca de ideias como método para alcançar soluções para problemas concretos e irrepetíveis. Os melhores momentos da minha carreira passaram-se em estimulantes debates ou negociações. Dá-me gozo a retórica e a aptidão que nós, juristas, desenvolvemos na desconstrução de um conceito até ao núcleo mais irredutível. E atravesso a vida e a profissão com humor – talvez o mais complexo e sedutor aspeto da existência.

CTC – Como advogada preocupo-me em dar o melhor, em estudar bem as questões, defender o interesse do meu cliente com profissionalismo, empenho e dedicação. Só sei ser advogada assim e é isso que me move. Como mulher não sei bem sintetizar o que me define, mas prezo muito a lealdade, a alegria e o sentido de humor.

A desigualdade de género é uma questão que continua a merecer a devida atenção de todos nós, com as mulheres a continuarem a ser alvo de discriminação económica e social. Esta é, de facto, uma questão que iremos conseguir mudar ou combater?

RC – A realidade mostra que as mulheres ganham menos e ascendem com menor frequência a posições de direção, mas esse status quo não se altera pela imposição de modelos sociais paradoxalmente desigualitários, em que os homens deixam de ter direitos. Recuso a ideia de quotas, vagamente humilhante por “bastar ser mulher” para exercer um cargo. Sou crítica da hipercriminalização e da normatização de comportamentos, que retiram espontaneidade às relações sociais e afetivas. É pela evolução social que se alcança a igualdade de oportunidades e o recuo das situações discriminatórias.

CTC – A discriminação económica e social ainda existe em determinados sectores de actividade, mas é cada vez mais frequente encontrarmos mulheres em lugar de topo e com salários iguais aos do homem em idêntico cargo. A desigualdade é uma questão cultural que se deve combater mas só com a mudança de mentalidades. Mas forçar a paridade pode levar a situações indesejáveis em que não se contrata pelo mérito mas para agradar às estatísticas.

A desigualdade de género foi ou é, de alguma forma, uma realidade para vocês?

RC – Durante duas décadas estive ligada a empresas cujos quadros eram maioritariamente homens e nunca tive qualquer experiência que possa qualificar de discriminatória. Acredito que a discriminação se atenua pela adoção de posturas de paridade, mas reconheço nem toda a discriminação pode ser debelada de forma evolutiva e que a sua erradicação é difícil, por depender de fatores que demoram décadas.

CTC – Nestes anos de profissão não conheci nunca qualquer discriminação por ser mulher. Aliás, fundei a sociedade em igualdade de circunstâncias com o meu primeiro sócio Abel Cardoso, e mais tarde com a entrada do sócio José Esteves de Aguiar mantive a mesma posição, sem me ter sentido ultrapassada.

“O mundo da hotelaria é fascinante”

Como é que se apaixonou pela gestão hoteleira?

A paixão surgiu desde muito cedo, uma vez que trabalho desde os 16 anos, conciliando sempre os estudos com o trabalho. O mundo da hotelaria é fascinante, o contacto com as pessoas, a superação das expectativas dos hóspedes é empolgante, tornando cada dia num dia único!

Desde 2009 que já passou por algumas unidades hoteleiras. Como foi o caminho até se tornar diretora geral do Palácio São Silvestre?

Com a conclusão do curso na EHTC (sem dúvida, uma das melhores, se não a melhor, neste setor, a nível nacional), tive a oportunidade de estagiar na região do Minho, numa Unidade de quatro estrelas, felizmente e por lá fiquei durante dois anos e meio, exercendo as funções de comercial.

Nessa altura, senti a necessidade de sair da minha zona de conforto, pelo que decidi abraçar um novo desafio em Inglaterra, durante um ano, exercendo as funções de assistente geral de um hotel com restaurante, tendo sido uma experiência bastante enriquecedora.

Mais um desafio superado que me permitiu solidificar todos os conhecimentos adquiridos até à data. Decidi então voltar para a o Minho, para o Hotel Porta do Sol, onde estive durante um ano como assistente de direção, e apesar de muito jovem, em 2013, fui promovida a diretora geral do hotel, onde tive uma experiência completa e multifacetada, exercendo as minhas funções até setembro de 2018.

Mas irremediavelmente, movida pelo amor e pela paixão por novos desafios, decidi abraçar um novo projeto – A abertura da Unidade Hoteleira – Palácio São Silvestre Boutique Hotel, localizada a cerca de dez quilómetros de Coimbra.

Quais são, para si, as competências essenciais para se ser boa naquilo que faz?

Estarmos apaixonados pelo que fazemos, só assim conseguimos realizar todas as tarefas, sem que as mesmas representem um sacrifico, mas sim um prazer.

Necessitamos ainda de gostar de pessoas (todo o nosso trabalho depende das pessoas, primeiro enquanto colaboradores e a seguir enquanto clientes).

Para além disso, a disciplina e foco são fundamentais, para conseguirmos superar os desafios diários que nos são colocados.

“Fascinante pelo seu histórico, autêntico pelo seu charme”, é assim conhecido o Palácio São Silvestre. Conte-nos o que torna este boutique hotel tão único e especial?

O Palácio São Silvestre, constituiu uma imponente habitação barroca, construída no século XVIII, mas infelizmente a casa viria a sofrer diversas obras e transformações nas centúrias seguintes, chegando ao final do século XX arruinada no espaço interior, contudo felizmente foi recuperada, permitindo a todos a descoberta deste maravilhoso espaço.

Pelas mãos do empresário Alcides Louro, o Palácio voltou a ganhar vida, sendo atualmente um dos Hotéis mais bonitos e completos da Região Centro.

Composto por 41 quartos, (Nobres, Deluxe, e Suites Temáticas), um restaurante – PALATIVM, uma área de relaxamento e bem-estar (ginásio, sauna, banho turco, sala de tratamentos e uma sala de relaxamento), quatro salas de reuniões, uma sala de eventos, uma piscina exterior, um parque infantil, 14 hectares de área verde, uma horta biológica e uma capela. Todo o espaço, se encontra luxuosamente, decorado permitindo aos nossos clientes embarcar numa autêntica viagem histórica e sentir o verdadeiro luxo, em tempos reservado exclusivamente a quem cá residia.

 

Pala além do alojamento, têm no Restaurante PALATIVM uma grande aposta…

Pelas mãos da chef Rita de Oliveira, e a sua equipa, o Restaurante PALATIVM, tem como principal objetivo proporcionar uma experiência gastronómica única, harmonizando uma cozinha de imaginação, na qual os sabores tradicionais portugueses são interpretados e apresentados num estilo contemporâneo.

Permite-nos apresentar a enorme variedade de peixes, carnes e produtos frescos, bem como a diversidade de especialidades gastronómicas regionais. Com uma abrangente lista de vinhos, o restaurante dá especial atenção à conjugação do vinho com a gastronomia. O Restaurante PALATIVM, abrirá diariamente, para hóspedes e não hóspedes, ao almoço e jantar.

Qual é o segredo para o sucesso de qualquer unidade hoteleira?

A primeira ferramenta para o sucesso é o envolvimento de toda a equipa no projeto, de modo a que cada um sinta fazer parte integrante do mesmo. Só com a união da equipa é possível alcançar o rigor, a excelência do serviço, o melhor desempenho de cada um, a simpatia e o bem receber, a procura da inovação e distinção do negócio, de modo a apresentarmos algo para o cliente diferenciador das restantes unidades hoteleiras.

Adalberto: Há 50 anos a tornar o mundo mais colorido

O mundo está a mudar e nós também estamos a mudar” é a premissa para a estratégia de rebranding da Adalberto que teve início em 2017.

Com clientes espalhados pelos cinco continentes e com um forte posicionamento no mercado internacional, o foco da Adalberto é agora alargar o portefólio dos seus serviços. Mas o que é que impulsionou esta mudança na empresa? Comecemos pela história da sua fundação em 1969 pelos avós do atual CEO da Adalberto. Depois da morte do fundador da empresa, a filha assume a liderança, juntamente com a sua mãe, da Adalberto. Mais tarde, a filha dos fundadores casa-se e ficam ambos a gerir a empresa. Do casamento resulta o nascimento de três filhos e é o filho mais velho que, em 2016, quando assume o cargo de CEO, decide fazer uma reestruturação da marca. É em 2017 que se dá um rebranding da até então Adalberto Estampados, posicionando-se no mercado como Adalberto, com foco na oferta de um serviço mais alargado ao mercado.

É formada uma nova equipa de gestão da empresa constituída pelo CEO e por três administradores para a comissão executiva: para a área das vendas, financeira e de operações. “Foi, efetivamente, nessa altura, que mudámos a forma de encarar o negócio. Dada a competitividade e a oferta crescente, a empresa procurou diferenciar-se de alguma forma. Não era viável continuarmos naquele modelo. A ideia era diferenciarmo-nos não só na forma da gestão como através da apresentação de novas soluções no mercado”, começa por referir Susana Serrano.

Hoje, com o mais avançado equipamento de estamparia digital do mundo, são líderes europeus em design, inovação e produção nas áreas de moda e têxteis lar, atingindo a maior rentabilidade líquida do setor. Com um departamento criativo bastante dinâmico e um departamento de inovação e desenvolvimento, a Adalberto orgulha-se de poder dizer que cerca de 30% dos estampados são criados em parceria com os clientes e 70% resulta de criação própria. Com o core business da empresa a incidir na tinturaria e estamparia, a Adalberto está agora preparada para oferecer um serviço mais alargado ao mercado. A criação deixou de ter limites com o recente investimento na máquina de estamparia digital mais avançada do mundo (existem apenas três máquinas no mundo, pertencendo uma delas à Adalberto) e estão sempre cientes de que a inovação e a tecnologia são, sem dúvida, o ponto fulcral para qualquer setor singrar atualmente.

Com três áreas de negócios suportadas por um serviço de design, a empresa sempre pautou pela criatividade. “Apesar da aquisição de novos equipamentos que nos permitem uma maior rapidez na produção e entrega do produto, sabemos que o cliente de hoje não procura preço nem rapidez, procura qualidade. O cliente de hoje quer diferenciação”, explica a nossa entrevistada.

Assim, o departamento de inovação e desenvolvimento da Adalberto propõe ao cliente peças novas, únicas e diferenciadoras. “Estamos a falar, por exemplo, de peças feitas a partir de materiais reciclados ou peças com novos tipos de acabamentos que proporcionam qualidade, conforto e bem-estar ao cliente. Este é o nosso foco, a diferenciação”, elucida-nos Susana Serrano.

A rapidez é importante no nicho de mercado de fast fashion que assim o obriga, pois trata-se de um mercado de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados rapidamente. Contudo, o core business da Adalberto são as marcas. “A missão da Adalberto é ser líder mundial e ser reconhecida pelas principais marcas como parceiro de excelência de desenvolvimento de produtos de moda. É para isso que estamos a trabalhar e é para onde estamos a caminhar. Todas estas mudanças que se deram na Adalberto assentam num plano estratégico que vão ao encontro desta missão”, afirma a Chief Operating Officer da Adalberto.

Sendo a Adalberto uma empresa vertical que integra todas as fases da produção, desde a obtenção da matéria-prima, a transformação da mesma à venda do produto, fazem trabalhos de branqueamento, tingimento, estamparia, tinturaria e acabamentos. Com o alargamento da área de negócio hoje vendem tecido a metro, dedicam-se ao segmento têxteis lar, têm uma marca própria ‘Gamanatura’ de têxteis lar produzidos com fibras naturais 100% algodão, e uma fábrica integrada, a AdStyle, de fornecimento e distribuição de peças confecionadas para marcas de gama média-alta.

O EQUILÍBRIO ENTRE A VIDA PROFISSIONAL E PESSOAL

Sendo a indústria um setor onde, até há pouco tempo, os cargos de topo eram exercidos, maioritariamente, por homens e sendo Susana Serrano Chief Operating Officer da Adalberto, questionámo-la sobre o que é mais desafiante para si e o que a motiva e inspira diariamente no seu trabalho.

Com 400 trabalhadores integrados na Adalberto, diz-nos que o desafio passa por motivar diariamente as pessoas. “Hoje existe uma competitividade muito grande, o que nos impele a continuar com o papel diferenciador e de inovação. Mas se não fizermos um bom trabalho interno não nos é possível virarmo-nos para o mercado”, adianta Susana Serrano. Para a nossa entrevistada é importante ter todas as pessoas alinhadas com os mesmos objetivos e este é, sem dúvida, o maior desafio. “A comissão executiva da Adalberto acredita que quem faz as empresas são as pessoas. Se não tivermos as pessoas certas, nos cargos certos e motivadas, com uma forte aposta na sua formação e na responsabilidade social, e se não considerarmos este conjunto de valores não é possível fazer um bom trabalho”, diz-nos, ainda.

E mais, para Susana Serrano temos de ter noção que estamos interligados, que não conseguimos ser pessoas diferentes no trabalho e em casa. “Sou muito exigente com a minha equipa tal como sou muito exigente com as minhas filhas porque quero que eles consigam alcançar um determinado resultado. Tal como tento manter as minhas filhas felizes e motivadas, também tento fazer o mesmo com a minha equipa. Não consigo separar estas duas vertentes da minha vida”, acrescenta Susana Serrano.

Afirma que as duas grandes paixões que tem são exatamente o trabalho e a família. Dedica-se às duas a 100% e as duas têm de andar equilibradas. Admite que sempre gostou muito de desafios e que sempre foi uma apaixonada pelo trabalho. “O facto de ser mulher e os paradigmas associados ao meu género não me levaram a ter de abdicar da minha vida pessoal e de ser mãe por causa da minha carreira ou vice-versa. Durante o meu percurso profissional, e estamos a falar de quase duas décadas, sempre procurei fazer mais do que me era pedido. E isto é algo que está relacionado com a minha maneira de ser e não pelo facto de ser mulher”, explica a nossa entrevista.

Diz-nos, ainda, que sempre quis mais para si e que sempre quis trabalhar por objetivos, pois quando os alcança é uma vitória para si. “Quando temos objetivos e os conseguimos alcançar temos de ser reconhecidos por tal e sempre consegui isso ao longo da minha carreira. Sempre me dediquei com paixão e tento transmitir esse sentimento à minha equipa. Tenho de ser o exemplo e eles têm de conseguir sentir o mesmo que eu sinto”, realça.

Afirma que um líder não é uma pessoa, mas sim uma equipa que trabalha para o mesmo objetivo, mesmo que tenham pontos de vista diferentes, o que é ótimo para se chegar a ideias novas. “Um líder é um conjunto de pessoas competentes, motivadas e em formação contínua. Todos os dias aprendemos algo novo, seja com os erros que cometemos seja através da formação que damos às nossas equipas. Estes são os dois pontos fulcrais, a motivação e as competências”, acrescenta a nossa entrevistada.

Susana Serrano tem noção que quando iniciou o seu percurso profissional, naturalmente, exigiram muito mais de si e que surgiram alguns contratempos, no entanto nunca sofreu qualquer discriminação pelo facto de ser mulher e ao longo da sua carreira foi mesmo exercendo diferentes cargos de liderança. “Os contratempos não me assustam, temos de olhar para eles como oportunidades tal como os desafios e os maus momentos. Tudo serve para aprender e para crescer, tanto profissionalmente como pessoalmente”, acrescenta.

Enquanto Chief Operating Officer sabe que o que lhe é mais exigente é a capacidade de resposta à estratégia delineada pela empresa. “É garantir que conseguimos executar o que temos planeado da melhor forma, o que muitas vezes não acontece. Por vezes pensamos que estamos a seguir o melhor caminho, mas, muitas vezes, temos de dar dois passos atrás para dar um passo em frente. Este é um dos desafios”, refere.

Por sua vez, olhando para a sua posição na Adalberto sabe que o que é mais desafiante é, sem dúvida, conseguirem fazer a diferença e criarem mecanismos e equipas capazes de fazer a diferença.

“O que nos define são apenas três palavras: inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. Mas desenvolver cada uma delas de forma a que os clientes e as equipas a percecionem é o verdadeiro desafio”, conclui Susana Serrano.

“A gestão de pessoas não é só um tema importante como, para mim, o mais importante”

Como surgiu a White e o que veio trazer de novo ao mercado?

A White surgiu na sequência de um percurso de 14 anos com um convite para fazer mais e melhor – nesta perspetiva é sempre aliciante. Depois de oito anos com um projeto do qual também fui responsável, fiz o que por vezes é impensável: arrancar com uma nova agência, novos sócios, nova equipa e a bagagem de experiência do que tirei de melhor e menos bom do que já tinha desenvolvido até à data. A realidade é que gosto de desafios, considero-me uma doer – do verbo to-do – ou em português alguém que gosta de fazer acontecer.

A White surgiu em 2006 numa época em que o mercado estava sobrecarregado de agências, nacionais e multinacionais, os Clientes procuravam na altura um serviço e uma maior proximidade que se tinha perdido nas agências de maior dimensão.

Com um foco em Estratégia de Marca e Criatividade, nascemos com uma equipa inicial onde os partners – ambos com formação em design – assumiam uma presença constante no Cliente, apoiando e discutindo as suas opções e estratégias de comunicação. Esta presença trouxe relações de confiança, que juntamente com uma entrega criativa de grande qualidade fizeram da White a agência que este ano celebra 13 anos.

Quais são os maiores desafios de estar à frente de uma agência de Estratégia de Marca e Criatividade?

Se juntarmos aos desafios “habituais” de todo o processo empreendedor, os desafios de estar em constante atualização, inovação e criatividade, temos desafios para os próximos 13 anos!

A constante exigência com a entrega é um desafio diário, a construção de relações de confiança com atuais e novos Clientes e claro a motivação da equipa que todos os dias está pronta para abraçar novos desafios, apresentar soluções criativas e fazer sempre aquele extra-mile.

Como é um dia normal para si?

Não sei se consigo definir um dia normal, gosto que não sejam todos normais! De manhã não bebo café – penso que se o fizesse ninguém me aturava – a minha energia matinal faz-me sair da cama sempre com vontade trabalhar – e que continue assim. Eu gosto do que faço.

O meu dia é organizado com algum detalhe. Sou control freek pelo que, de véspera tento prever onde vou estar, onde e com quem. Para além da gestão da agência – que partilho com o meu sócio – sou responsável pelo business development, supervisão de contas dos Clientes estratégicos e da equipa de serviço a Cliente. Entre telefonemas com Clientes, passagem de briefings, discussão de projetos, gestão de recursos, planeamento – tudo faz parte de um dia a dia muito dinâmico.

A gestão de pessoas é para si um tema importante? Que princípios coloca em prática com as pessoas que fazem parte da agência?

A gestão de pessoas não é só um tema importante como, para mim, o mais importante. A agência entrega serviços de estratégia e criatividade que são desenvolvidos por pessoas com uma capacidade criativa extraordinária. Todos os projetos e a relação com o Cliente é gerida por pessoas com uma capacidade relacional extraordinária. A gestão de pessoas é um dos maiores desafios que uma agência tem em mãos, a captação, retenção e constante motivação da equipa é fundamental. Como queremos fazer um bom storytelling de uma Marca se a própria agência não tem uma boa história para contar?

Pelo menos uma vez por mês, tento almoçar com uma pessoa da agência, implementei esta iniciativa e percebi que falar com as pessoas fora do nosso habitat é por vezes muito mais produtivo e conhecemos melhor as pessoas à nossa volta. A gestão das pessoas e equipas é para mim um tema sensível, estou constantemente a tentar aprender mais sobre liderança e gestão de pessoas, workshops, formações, bootcamps, tento ir a todas… é um desafio diário e a palavra motivação assusta-me por ser usada vezes demais em muitas questões relacionadas com recursos humanos.

Quando não está a trabalhar, o que é que gosta mais de fazer?

Não tenho nenhum hobby, não leio livros todos os meses, não faço ginástica tão regular quanto devia, não sou assídua dos últimos lançamentos do cinema… na realidade também fora do trabalho não tenho uma rotina. O que me motiva e me inspira fora do trabalho é estar com a família, com os amigos, combinar um jantar, abrir um bom vinho, fazer uma tenda de princesas com a Maria é sempre um programa vencedor!

Em casa não vejo muita televisão, optei por acompanhar o mundo por outros meios e assim selecionar melhor as notícias, não ficando influenciada por algumas notícias dramáticas que fazem manchete. Assim, ao fim de semana, jogar um mikado, um jogo da glória, ver as novidades do 1º ano da escola ou simplesmente fazer palhaçadas a dançar músicas do YouTube, tudo serve para um verdadeiro quality time.

Como seria para si ter um emprego em que a rotina e a mesmice do dia-a-dia imperassem?

Não imagino, mas como sou uma pessoa que gosta de desafios, quem sabe?

EMPRESAS