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“Igualdade de oportunidades e não igualdade de género”

Advogada há mais de três décadas, Dulce Franco, trabalhou numa das maiores sociedades de advogados portuguesas, tendo, em 2008, constituído a prestigiada sociedade de advogados AAA. Foi vogal do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, secretária de estado da Economia, é membro de várias organizações profissionais e autora de escritos para publicações do setor da advocacia. Recentemente foi eleita pela revista especializada Iberian Lawyer uma das 50 advogadas que mais se destacam na advocacia empresarial na Península Ibérica, reconhecimento atribuído pela sua ética profissional, competência técnica, relações interpessoais, capacidade de mentoring e de liderança.

A advocacia é uma vocação que surge já na Universidade (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) e que começa a exercer em 1983.  Com uma história e currículo extenso, diz que ainda tem “muito para fazer”. Considera indispensável para ser advogado “a rectidão de caracter a par da ética profissional, o conhecimento e a independência.” Estes são os seus princípios “partilhados entre todos os advogados da AAA”.

Foi com base neles que um grupo de advogados que trabalhavam em conjunto há muitos anos, constituiu a AAA, “uma business law boutique não só pelas áreas de direito em que trabalha, mas também pela sua dimensão e métodos de trabalho”.

Tais princípios valeram a Dulce Franco a distinção Top 50 Women List a nível ibérico. Da lista constavam 42 espanholas e oito portuguesas, eleitas por mais de 1.000 pares. Foram reconhecidas como notáveis nas suas carreiras, inspiradoras das novas gerações.

 “O momento mais marcante até agora foi a constituição desta sociedade.” Diz que “foram muitos anos na PLMJ, aprendi muito, fiz muitos amigos, conservo muitos e outros tenho pena de não conservar. Foi uma grande mudança e foi difícil sob o ponto de vista afetivo, mas um desafio novo é muito motivador”.

O início da sociedade AAA “não foi difícil do ponto de vista do lançamento do escritório. Os clientes com quem trabalhávamos quiseram seguir-nos e a dinâmica do escritório faz o resto”.

Passaram 11 anos desde a sua fundação. Com humor, a advogada diz “somos uma sociedade relativamente jovem mas somando a experiência de todos temos quase um século”. E continua, “os princípios são os mesmos e ter êxito nesta sociedade depende das capacidades de cada um, estudo, trabalho, dedicação em todos os planos, mas todos têm as mesmas oportunidades. Os mais jovens, têm a possibilidade de crescer, sem barreiras”.  E acrescenta:  “Há um tempo, uma revista especializada considerou a nossa sociedade no top 10 das sociedades de advogados portuguesas que mais oportunidades de crescimento oferecem aos advogados mais jovens. Nem nos passa pela cabeça que esse crescimento dependa do género”.

O escritório AAA é constituído na sua maioria por mulheres, um pormenor que descarta como intencional, “as pessoas que aqui estão valem absolutamente pelo seu caráter e pelo seu trabalho, como deve ser em qualquer ambiente profissional”.

O escritório tem vindo a crescer, mas não pensam crescer muito. “As sociedades grandes e as sociedades pequenas têm características diferentes, nem todas boas, nem todas más. Não queremos ser uma sociedade grande, interessa-nos muito mais a qualidade dos serviços que prestamos e a agilidade da organização que uma maior dimensão. Fazemos aquilo que acreditamos que os nossos clientes sabem que fazemos bem.”

Questionada sobre as características especiais que um bom advogado deverá ter, Dulce Franco é pragmática: “Ter paciência, é essencial! Lidamos com muitas pessoas, muito diferentes, as solicitações são muitas, as questões são quase sempre urgentes e bastante absorventes, muitas vezes imprevistas, obrigando-nos a reavaliar prioridades. Todos os dias são exigentes, é uma profissão exigente”.

Quando referimos o facto de ser mulher e advogada, Dulce Franco diz “Sempre tentei, com o apoio incondicional da minha família”. E acrescenta “as advogadas que têm uma estrutura familiar disponível ou outro tipo de apoio em casa, conseguem conciliar a vida profissional com a familiar, e mesmo assim com muita ginástica, caso contrário é praticamente impossível. Assegurar uma disponibilidade quase permanente e estar presente na família, que também tem imprevistos, exige muita flexibilidade. Não quero dizer que não seja exigente para os pais advogados, mas mesmo com muito boa vontade as mães são mães e os pais são pais. Os géneros não são iguais, há algumas questões na família que são, naturalmente, mais da mãe e outras mais do pai, se há bom espírito, tudo se resolve”.

Olhando para o passado, “a verdade é que nunca senti facilidade ou dificuldade no meu trabalho por ser mulher. Devo ter encontrado sempre pessoas inteligentes que nunca tenham olhado para mim nessa perspetiva, mas pelas capacidades que me atribuíram”.

Sobre se a advocacia foi um sonho diz “nunca tive uma visão particularmente romântica da profissão. Acho que fui sempre talvez um pouco argumentativa e tenho tendência para causas, defender aqueles que seja por que circunstâncias for precisam de ser defendidos ou de fazer valer os seus direitos. Acho que anda perto do que é ser advogado”.

A nossa entrevistada explica “as enormes diferenças entre o que era a advocacia quando comecei e como é agora. Para já, há a questão do tempo, quase tudo é urgente e urgente quer dizer instantâneo. Depois, há as tecnologias aplicadas à profissão, que nos ajudam e nos poupam tempo para pensar. E os próprios advogados são diferentes. O que vou dizer são generalizações, se me puser a pensar em pessoas em concreto, merece muitas excepções! Nas gerações anteriores, os advogados eram uns humanistas habilitados em direito, sabiam direito e muito mais, e trabalhavam em todos as áreas. A minha geração, embora mais dedicados a certas áreas, é bastante de generalistas, com o que isso também tem de positivo. As gerações mais novas começam cedo a definir linhas de especialidade, tentamos que não seja demasiado cedo, uma boa formação não se coaduna com uma especialização prematura. Tudo dito, sempre continuarão a existir brilhantes advogados, pessoas de excepção, que engrandecem a nossa profissão”.

“A discriminação combate-se (…) com dedicação e profissionalismo”

A Abel Cardoso, Catarina Carvalho, Esteves De Aguiar & Associados, Sociedade de Advogados foi uma das primeiras sociedades de advogados a surgir em Portugal. O que mudou desde então? Que verdadeiros desafios enfrentam atualmente as sociedades de advogados?

RC – A prática da advocacia tem passado por alterações profundas. Ao anacronismo do advogado generalista alia-se a crescente complexidade económica e social e o fenómeno da internacionalização do Direito, com a consequente complexificação legislativa que impõe a especialização dos advogados. A advocacia de negócios tem conquistado um importante espaço no mercado face à advocacia tradicional de “barra” – o que, creio, suscitará na nossa Ordem uma reflexão sobre o modelo de formação dos advogados, ainda muito ligada às competências forenses. Creio, quanto às sociedades de advogados, que os clientes empresariais procuram hoje o apoio jurídico junto de estruturas mais leves, logo mais competitivas e habilitadas para dar resposta rápida e personalizada às suas solicitações.

CTC – Desde 1992 muita coisa mudou na advocacia em Portugal. Passou-se da prática isolada ao trabalho em equipa que é uma mais valia do exercício da advocacia em sociedade, sobretudo hoje com a jurisdificação do mundo em que vivemos. Ocorreram ainda grandes alterações tecnológicas, e o Direito não podia ficar de fora, as quais trouxeram grandes benefícios não só como ferramenta de trabalho, mas também no relacionamento com os clientes, permitindo uma atualização constante da informação. O grande desafio que hoje enfrentamos é o da especialização, a formação continua e a internacionalização.

Olhando para o panorama atual do setor da advocacia em Portugal, que papel assume hoje a ACCE Sociedade de Advogados no mercado?

RC – A ACCE integra advogados experientes em diversas áreas do Direito que lhe tem permitido conquistar a confiança de empresas de vários setores económicos e de clientes institucionais públicos. Oferecemos aos nossos clientes serviços orientados para a resolução de necessidades novas (o caso da proteção de dados pessoais e do copyright). Prestamos apoio à internacionalização e ao investimento no mercado nacional por clientes estrangeiros. Orgulhamo-nos da fidelização que conquistamos dos nossos clientes, sustentada na disponibilidade, na personalização da relação advogado-cliente e na prontidão da resposta às solicitações.

CTC – A ACCE está bem posicionada no mercado pois abrange uma franja de clientes empresariais e individuais com características próprias, de vários sectores de actividade. A nossa dimensão faz alguma diferenciação na proximidade com o cliente. Basta ver que temos clientes há mais de 20 anos, alguns desde o início, o que é um sinal da confiança em nós depositada. Convivemos bem com as grandes sociedades. Aliás, vezes houve em que já trabalhámos em parceria com uma ou outra, num determinado contexto, o que é muito salutar.

E a mulher? Que papel assume atualmente a mulher num setor associado até há bem pouco tempo, maioritariamente, ao sexo masculino?

RC – Há hoje mais mulheres do que homens no ensino superior, o que altera o rácio de mulheres vs. homens no mercado de trabalho, mas não creio que o aumento do número de advogadas cause por si só modificações no exercício da profissão: o que releva é o mérito, e o mérito não é mais ou menos recorrente em função do sexo. A discriminação combate-se antes de mais com dedicação e profissionalismo.

CTC – Atualmente, temos mais advogadas inscritas do que advogados. Por isso há já bastante tempo que advocacia deixou de ser associada ao sexo masculino. O conhecimento, a aprendizagem e o rigor que a profissão exige, não estão condicionados ao sexo masculino ou feminino. Na ACCE acontece exatamente o inverso pois somos mais advogadas do que advogados. A única dificuldade que poderá ser sentida pelas advogadas, e falando genericamente, seja a de conseguir conciliar o exercício da profissão com a organização da vida familiar, o que obriga a uma gestão criteriosa do tempo, nem sempre fácil de conseguir.

Rosário Coimbra e Catarina Carvalho são advogadas na ACCE Sociedade de Advogados e contam já com um vasta experiência profissional. O que as motiva e inspira diariamente?

RC – Motiva-me a procura de soluções criativas para problemas difíceis e as abordagens inovadoras. Os clientes empresariais procuram pragmatismo nos advogados, orientado para soluções cujas variáveis ultrapassam a perspetiva jurídica das solicitações que nos dirigem. A minha experiência como advogada “in house” em duas das maiores construtoras portuguesas contribuiu decisivamente para o meu perfil profissional.

CTC – Tenho já 28 anos de advocacia e continuo a exercê-la com entusiasmo. Gosto de argumentar, de estudar, de ensinar, e de aprender. A solução para uma questão pode exigir muito de nós, quer a nível técnico-jurídico, quer apelando à experiência e intuição. Mas tenho o privilégio de trabalhar numa sociedade, da qual fui fundadora, onde se preza muito a interajuda, a troca de conhecimentos e a boa disposição. Temos um excelente ambiente de trabalho, o que é essencial.

O que diriam que vos define e carateriza enquanto mulheres e profissionais?

RC – Gosto do debate e da controvérsia. Confio nas vantagens da troca de ideias como método para alcançar soluções para problemas concretos e irrepetíveis. Os melhores momentos da minha carreira passaram-se em estimulantes debates ou negociações. Dá-me gozo a retórica e a aptidão que nós, juristas, desenvolvemos na desconstrução de um conceito até ao núcleo mais irredutível. E atravesso a vida e a profissão com humor – talvez o mais complexo e sedutor aspeto da existência.

CTC – Como advogada preocupo-me em dar o melhor, em estudar bem as questões, defender o interesse do meu cliente com profissionalismo, empenho e dedicação. Só sei ser advogada assim e é isso que me move. Como mulher não sei bem sintetizar o que me define, mas prezo muito a lealdade, a alegria e o sentido de humor.

A desigualdade de género é uma questão que continua a merecer a devida atenção de todos nós, com as mulheres a continuarem a ser alvo de discriminação económica e social. Esta é, de facto, uma questão que iremos conseguir mudar ou combater?

RC – A realidade mostra que as mulheres ganham menos e ascendem com menor frequência a posições de direção, mas esse status quo não se altera pela imposição de modelos sociais paradoxalmente desigualitários, em que os homens deixam de ter direitos. Recuso a ideia de quotas, vagamente humilhante por “bastar ser mulher” para exercer um cargo. Sou crítica da hipercriminalização e da normatização de comportamentos, que retiram espontaneidade às relações sociais e afetivas. É pela evolução social que se alcança a igualdade de oportunidades e o recuo das situações discriminatórias.

CTC – A discriminação económica e social ainda existe em determinados sectores de actividade, mas é cada vez mais frequente encontrarmos mulheres em lugar de topo e com salários iguais aos do homem em idêntico cargo. A desigualdade é uma questão cultural que se deve combater mas só com a mudança de mentalidades. Mas forçar a paridade pode levar a situações indesejáveis em que não se contrata pelo mérito mas para agradar às estatísticas.

A desigualdade de género foi ou é, de alguma forma, uma realidade para vocês?

RC – Durante duas décadas estive ligada a empresas cujos quadros eram maioritariamente homens e nunca tive qualquer experiência que possa qualificar de discriminatória. Acredito que a discriminação se atenua pela adoção de posturas de paridade, mas reconheço nem toda a discriminação pode ser debelada de forma evolutiva e que a sua erradicação é difícil, por depender de fatores que demoram décadas.

CTC – Nestes anos de profissão não conheci nunca qualquer discriminação por ser mulher. Aliás, fundei a sociedade em igualdade de circunstâncias com o meu primeiro sócio Abel Cardoso, e mais tarde com a entrada do sócio José Esteves de Aguiar mantive a mesma posição, sem me ter sentido ultrapassada.

“O mundo da hotelaria é fascinante”

Como é que se apaixonou pela gestão hoteleira?

A paixão surgiu desde muito cedo, uma vez que trabalho desde os 16 anos, conciliando sempre os estudos com o trabalho. O mundo da hotelaria é fascinante, o contacto com as pessoas, a superação das expectativas dos hóspedes é empolgante, tornando cada dia num dia único!

Desde 2009 que já passou por algumas unidades hoteleiras. Como foi o caminho até se tornar diretora geral do Palácio São Silvestre?

Com a conclusão do curso na EHTC (sem dúvida, uma das melhores, se não a melhor, neste setor, a nível nacional), tive a oportunidade de estagiar na região do Minho, numa Unidade de quatro estrelas, felizmente e por lá fiquei durante dois anos e meio, exercendo as funções de comercial.

Nessa altura, senti a necessidade de sair da minha zona de conforto, pelo que decidi abraçar um novo desafio em Inglaterra, durante um ano, exercendo as funções de assistente geral de um hotel com restaurante, tendo sido uma experiência bastante enriquecedora.

Mais um desafio superado que me permitiu solidificar todos os conhecimentos adquiridos até à data. Decidi então voltar para a o Minho, para o Hotel Porta do Sol, onde estive durante um ano como assistente de direção, e apesar de muito jovem, em 2013, fui promovida a diretora geral do hotel, onde tive uma experiência completa e multifacetada, exercendo as minhas funções até setembro de 2018.

Mas irremediavelmente, movida pelo amor e pela paixão por novos desafios, decidi abraçar um novo projeto – A abertura da Unidade Hoteleira – Palácio São Silvestre Boutique Hotel, localizada a cerca de dez quilómetros de Coimbra.

Quais são, para si, as competências essenciais para se ser boa naquilo que faz?

Estarmos apaixonados pelo que fazemos, só assim conseguimos realizar todas as tarefas, sem que as mesmas representem um sacrifico, mas sim um prazer.

Necessitamos ainda de gostar de pessoas (todo o nosso trabalho depende das pessoas, primeiro enquanto colaboradores e a seguir enquanto clientes).

Para além disso, a disciplina e foco são fundamentais, para conseguirmos superar os desafios diários que nos são colocados.

“Fascinante pelo seu histórico, autêntico pelo seu charme”, é assim conhecido o Palácio São Silvestre. Conte-nos o que torna este boutique hotel tão único e especial?

O Palácio São Silvestre, constituiu uma imponente habitação barroca, construída no século XVIII, mas infelizmente a casa viria a sofrer diversas obras e transformações nas centúrias seguintes, chegando ao final do século XX arruinada no espaço interior, contudo felizmente foi recuperada, permitindo a todos a descoberta deste maravilhoso espaço.

Pelas mãos do empresário Alcides Louro, o Palácio voltou a ganhar vida, sendo atualmente um dos Hotéis mais bonitos e completos da Região Centro.

Composto por 41 quartos, (Nobres, Deluxe, e Suites Temáticas), um restaurante – PALATIVM, uma área de relaxamento e bem-estar (ginásio, sauna, banho turco, sala de tratamentos e uma sala de relaxamento), quatro salas de reuniões, uma sala de eventos, uma piscina exterior, um parque infantil, 14 hectares de área verde, uma horta biológica e uma capela. Todo o espaço, se encontra luxuosamente, decorado permitindo aos nossos clientes embarcar numa autêntica viagem histórica e sentir o verdadeiro luxo, em tempos reservado exclusivamente a quem cá residia.

 

Pala além do alojamento, têm no Restaurante PALATIVM uma grande aposta…

Pelas mãos da chef Rita de Oliveira, e a sua equipa, o Restaurante PALATIVM, tem como principal objetivo proporcionar uma experiência gastronómica única, harmonizando uma cozinha de imaginação, na qual os sabores tradicionais portugueses são interpretados e apresentados num estilo contemporâneo.

Permite-nos apresentar a enorme variedade de peixes, carnes e produtos frescos, bem como a diversidade de especialidades gastronómicas regionais. Com uma abrangente lista de vinhos, o restaurante dá especial atenção à conjugação do vinho com a gastronomia. O Restaurante PALATIVM, abrirá diariamente, para hóspedes e não hóspedes, ao almoço e jantar.

Qual é o segredo para o sucesso de qualquer unidade hoteleira?

A primeira ferramenta para o sucesso é o envolvimento de toda a equipa no projeto, de modo a que cada um sinta fazer parte integrante do mesmo. Só com a união da equipa é possível alcançar o rigor, a excelência do serviço, o melhor desempenho de cada um, a simpatia e o bem receber, a procura da inovação e distinção do negócio, de modo a apresentarmos algo para o cliente diferenciador das restantes unidades hoteleiras.

Adalberto: Há 50 anos a tornar o mundo mais colorido

O mundo está a mudar e nós também estamos a mudar” é a premissa para a estratégia de rebranding da Adalberto que teve início em 2017.

Com clientes espalhados pelos cinco continentes e com um forte posicionamento no mercado internacional, o foco da Adalberto é agora alargar o portefólio dos seus serviços. Mas o que é que impulsionou esta mudança na empresa? Comecemos pela história da sua fundação em 1969 pelos avós do atual CEO da Adalberto. Depois da morte do fundador da empresa, a filha assume a liderança, juntamente com a sua mãe, da Adalberto. Mais tarde, a filha dos fundadores casa-se e ficam ambos a gerir a empresa. Do casamento resulta o nascimento de três filhos e é o filho mais velho que, em 2016, quando assume o cargo de CEO, decide fazer uma reestruturação da marca. É em 2017 que se dá um rebranding da até então Adalberto Estampados, posicionando-se no mercado como Adalberto, com foco na oferta de um serviço mais alargado ao mercado.

É formada uma nova equipa de gestão da empresa constituída pelo CEO e por três administradores para a comissão executiva: para a área das vendas, financeira e de operações. “Foi, efetivamente, nessa altura, que mudámos a forma de encarar o negócio. Dada a competitividade e a oferta crescente, a empresa procurou diferenciar-se de alguma forma. Não era viável continuarmos naquele modelo. A ideia era diferenciarmo-nos não só na forma da gestão como através da apresentação de novas soluções no mercado”, começa por referir Susana Serrano.

Hoje, com o mais avançado equipamento de estamparia digital do mundo, são líderes europeus em design, inovação e produção nas áreas de moda e têxteis lar, atingindo a maior rentabilidade líquida do setor. Com um departamento criativo bastante dinâmico e um departamento de inovação e desenvolvimento, a Adalberto orgulha-se de poder dizer que cerca de 30% dos estampados são criados em parceria com os clientes e 70% resulta de criação própria. Com o core business da empresa a incidir na tinturaria e estamparia, a Adalberto está agora preparada para oferecer um serviço mais alargado ao mercado. A criação deixou de ter limites com o recente investimento na máquina de estamparia digital mais avançada do mundo (existem apenas três máquinas no mundo, pertencendo uma delas à Adalberto) e estão sempre cientes de que a inovação e a tecnologia são, sem dúvida, o ponto fulcral para qualquer setor singrar atualmente.

Com três áreas de negócios suportadas por um serviço de design, a empresa sempre pautou pela criatividade. “Apesar da aquisição de novos equipamentos que nos permitem uma maior rapidez na produção e entrega do produto, sabemos que o cliente de hoje não procura preço nem rapidez, procura qualidade. O cliente de hoje quer diferenciação”, explica a nossa entrevistada.

Assim, o departamento de inovação e desenvolvimento da Adalberto propõe ao cliente peças novas, únicas e diferenciadoras. “Estamos a falar, por exemplo, de peças feitas a partir de materiais reciclados ou peças com novos tipos de acabamentos que proporcionam qualidade, conforto e bem-estar ao cliente. Este é o nosso foco, a diferenciação”, elucida-nos Susana Serrano.

A rapidez é importante no nicho de mercado de fast fashion que assim o obriga, pois trata-se de um mercado de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados rapidamente. Contudo, o core business da Adalberto são as marcas. “A missão da Adalberto é ser líder mundial e ser reconhecida pelas principais marcas como parceiro de excelência de desenvolvimento de produtos de moda. É para isso que estamos a trabalhar e é para onde estamos a caminhar. Todas estas mudanças que se deram na Adalberto assentam num plano estratégico que vão ao encontro desta missão”, afirma a Chief Operating Officer da Adalberto.

Sendo a Adalberto uma empresa vertical que integra todas as fases da produção, desde a obtenção da matéria-prima, a transformação da mesma à venda do produto, fazem trabalhos de branqueamento, tingimento, estamparia, tinturaria e acabamentos. Com o alargamento da área de negócio hoje vendem tecido a metro, dedicam-se ao segmento têxteis lar, têm uma marca própria ‘Gamanatura’ de têxteis lar produzidos com fibras naturais 100% algodão, e uma fábrica integrada, a AdStyle, de fornecimento e distribuição de peças confecionadas para marcas de gama média-alta.

O EQUILÍBRIO ENTRE A VIDA PROFISSIONAL E PESSOAL

Sendo a indústria um setor onde, até há pouco tempo, os cargos de topo eram exercidos, maioritariamente, por homens e sendo Susana Serrano Chief Operating Officer da Adalberto, questionámo-la sobre o que é mais desafiante para si e o que a motiva e inspira diariamente no seu trabalho.

Com 400 trabalhadores integrados na Adalberto, diz-nos que o desafio passa por motivar diariamente as pessoas. “Hoje existe uma competitividade muito grande, o que nos impele a continuar com o papel diferenciador e de inovação. Mas se não fizermos um bom trabalho interno não nos é possível virarmo-nos para o mercado”, adianta Susana Serrano. Para a nossa entrevistada é importante ter todas as pessoas alinhadas com os mesmos objetivos e este é, sem dúvida, o maior desafio. “A comissão executiva da Adalberto acredita que quem faz as empresas são as pessoas. Se não tivermos as pessoas certas, nos cargos certos e motivadas, com uma forte aposta na sua formação e na responsabilidade social, e se não considerarmos este conjunto de valores não é possível fazer um bom trabalho”, diz-nos, ainda.

E mais, para Susana Serrano temos de ter noção que estamos interligados, que não conseguimos ser pessoas diferentes no trabalho e em casa. “Sou muito exigente com a minha equipa tal como sou muito exigente com as minhas filhas porque quero que eles consigam alcançar um determinado resultado. Tal como tento manter as minhas filhas felizes e motivadas, também tento fazer o mesmo com a minha equipa. Não consigo separar estas duas vertentes da minha vida”, acrescenta Susana Serrano.

Afirma que as duas grandes paixões que tem são exatamente o trabalho e a família. Dedica-se às duas a 100% e as duas têm de andar equilibradas. Admite que sempre gostou muito de desafios e que sempre foi uma apaixonada pelo trabalho. “O facto de ser mulher e os paradigmas associados ao meu género não me levaram a ter de abdicar da minha vida pessoal e de ser mãe por causa da minha carreira ou vice-versa. Durante o meu percurso profissional, e estamos a falar de quase duas décadas, sempre procurei fazer mais do que me era pedido. E isto é algo que está relacionado com a minha maneira de ser e não pelo facto de ser mulher”, explica a nossa entrevista.

Diz-nos, ainda, que sempre quis mais para si e que sempre quis trabalhar por objetivos, pois quando os alcança é uma vitória para si. “Quando temos objetivos e os conseguimos alcançar temos de ser reconhecidos por tal e sempre consegui isso ao longo da minha carreira. Sempre me dediquei com paixão e tento transmitir esse sentimento à minha equipa. Tenho de ser o exemplo e eles têm de conseguir sentir o mesmo que eu sinto”, realça.

Afirma que um líder não é uma pessoa, mas sim uma equipa que trabalha para o mesmo objetivo, mesmo que tenham pontos de vista diferentes, o que é ótimo para se chegar a ideias novas. “Um líder é um conjunto de pessoas competentes, motivadas e em formação contínua. Todos os dias aprendemos algo novo, seja com os erros que cometemos seja através da formação que damos às nossas equipas. Estes são os dois pontos fulcrais, a motivação e as competências”, acrescenta a nossa entrevistada.

Susana Serrano tem noção que quando iniciou o seu percurso profissional, naturalmente, exigiram muito mais de si e que surgiram alguns contratempos, no entanto nunca sofreu qualquer discriminação pelo facto de ser mulher e ao longo da sua carreira foi mesmo exercendo diferentes cargos de liderança. “Os contratempos não me assustam, temos de olhar para eles como oportunidades tal como os desafios e os maus momentos. Tudo serve para aprender e para crescer, tanto profissionalmente como pessoalmente”, acrescenta.

Enquanto Chief Operating Officer sabe que o que lhe é mais exigente é a capacidade de resposta à estratégia delineada pela empresa. “É garantir que conseguimos executar o que temos planeado da melhor forma, o que muitas vezes não acontece. Por vezes pensamos que estamos a seguir o melhor caminho, mas, muitas vezes, temos de dar dois passos atrás para dar um passo em frente. Este é um dos desafios”, refere.

Por sua vez, olhando para a sua posição na Adalberto sabe que o que é mais desafiante é, sem dúvida, conseguirem fazer a diferença e criarem mecanismos e equipas capazes de fazer a diferença.

“O que nos define são apenas três palavras: inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. Mas desenvolver cada uma delas de forma a que os clientes e as equipas a percecionem é o verdadeiro desafio”, conclui Susana Serrano.

“A gestão de pessoas não é só um tema importante como, para mim, o mais importante”

Como surgiu a White e o que veio trazer de novo ao mercado?

A White surgiu na sequência de um percurso de 14 anos com um convite para fazer mais e melhor – nesta perspetiva é sempre aliciante. Depois de oito anos com um projeto do qual também fui responsável, fiz o que por vezes é impensável: arrancar com uma nova agência, novos sócios, nova equipa e a bagagem de experiência do que tirei de melhor e menos bom do que já tinha desenvolvido até à data. A realidade é que gosto de desafios, considero-me uma doer – do verbo to-do – ou em português alguém que gosta de fazer acontecer.

A White surgiu em 2006 numa época em que o mercado estava sobrecarregado de agências, nacionais e multinacionais, os Clientes procuravam na altura um serviço e uma maior proximidade que se tinha perdido nas agências de maior dimensão.

Com um foco em Estratégia de Marca e Criatividade, nascemos com uma equipa inicial onde os partners – ambos com formação em design – assumiam uma presença constante no Cliente, apoiando e discutindo as suas opções e estratégias de comunicação. Esta presença trouxe relações de confiança, que juntamente com uma entrega criativa de grande qualidade fizeram da White a agência que este ano celebra 13 anos.

Quais são os maiores desafios de estar à frente de uma agência de Estratégia de Marca e Criatividade?

Se juntarmos aos desafios “habituais” de todo o processo empreendedor, os desafios de estar em constante atualização, inovação e criatividade, temos desafios para os próximos 13 anos!

A constante exigência com a entrega é um desafio diário, a construção de relações de confiança com atuais e novos Clientes e claro a motivação da equipa que todos os dias está pronta para abraçar novos desafios, apresentar soluções criativas e fazer sempre aquele extra-mile.

Como é um dia normal para si?

Não sei se consigo definir um dia normal, gosto que não sejam todos normais! De manhã não bebo café – penso que se o fizesse ninguém me aturava – a minha energia matinal faz-me sair da cama sempre com vontade trabalhar – e que continue assim. Eu gosto do que faço.

O meu dia é organizado com algum detalhe. Sou control freek pelo que, de véspera tento prever onde vou estar, onde e com quem. Para além da gestão da agência – que partilho com o meu sócio – sou responsável pelo business development, supervisão de contas dos Clientes estratégicos e da equipa de serviço a Cliente. Entre telefonemas com Clientes, passagem de briefings, discussão de projetos, gestão de recursos, planeamento – tudo faz parte de um dia a dia muito dinâmico.

A gestão de pessoas é para si um tema importante? Que princípios coloca em prática com as pessoas que fazem parte da agência?

A gestão de pessoas não é só um tema importante como, para mim, o mais importante. A agência entrega serviços de estratégia e criatividade que são desenvolvidos por pessoas com uma capacidade criativa extraordinária. Todos os projetos e a relação com o Cliente é gerida por pessoas com uma capacidade relacional extraordinária. A gestão de pessoas é um dos maiores desafios que uma agência tem em mãos, a captação, retenção e constante motivação da equipa é fundamental. Como queremos fazer um bom storytelling de uma Marca se a própria agência não tem uma boa história para contar?

Pelo menos uma vez por mês, tento almoçar com uma pessoa da agência, implementei esta iniciativa e percebi que falar com as pessoas fora do nosso habitat é por vezes muito mais produtivo e conhecemos melhor as pessoas à nossa volta. A gestão das pessoas e equipas é para mim um tema sensível, estou constantemente a tentar aprender mais sobre liderança e gestão de pessoas, workshops, formações, bootcamps, tento ir a todas… é um desafio diário e a palavra motivação assusta-me por ser usada vezes demais em muitas questões relacionadas com recursos humanos.

Quando não está a trabalhar, o que é que gosta mais de fazer?

Não tenho nenhum hobby, não leio livros todos os meses, não faço ginástica tão regular quanto devia, não sou assídua dos últimos lançamentos do cinema… na realidade também fora do trabalho não tenho uma rotina. O que me motiva e me inspira fora do trabalho é estar com a família, com os amigos, combinar um jantar, abrir um bom vinho, fazer uma tenda de princesas com a Maria é sempre um programa vencedor!

Em casa não vejo muita televisão, optei por acompanhar o mundo por outros meios e assim selecionar melhor as notícias, não ficando influenciada por algumas notícias dramáticas que fazem manchete. Assim, ao fim de semana, jogar um mikado, um jogo da glória, ver as novidades do 1º ano da escola ou simplesmente fazer palhaçadas a dançar músicas do YouTube, tudo serve para um verdadeiro quality time.

Como seria para si ter um emprego em que a rotina e a mesmice do dia-a-dia imperassem?

Não imagino, mas como sou uma pessoa que gosta de desafios, quem sabe?

“Somos todos seres únicos e de exceção”

Cristina trabalha enquanto formadora internacional especializada em comportamento organizacional e desenvolvimento, gestão e administração, liderança e habilidades de comunicação há mais de 20 anos. Fale-nos um pouco sobre o seu trabalho.

Sou consultora internacional em Desenvolvimento Organizacional e Liderança, baseada em Moçambique há seis anos. Trabalho com e para pessoas há mais de 20 anos, e é essa a minha paixão de vida.

Comecei a dar formação no ensino técnico profissional, com 22 anos. Desde então, trabalho na área de desenvolvimento humano. Hoje em dia, faço projetos de Cultura Organizacional e Desenvolvimento de Liderança em organizações nas áreas da Banca, do Oil & gás e outras.

Ao longo da minha carreira, que começou na área de Marketing e Comunicação, investi sempre muito na minha formação académica e profissional. Acredito que a formação contínua é a base de crescimento de qualquer profissional, pelo que, independentemente da nossa idade e estágio de vida, deve fazer sempre parte do nosso percurso. Nunca é tarde para aprender. Tenho como propósito de vida gerar O Efeito Borboleta na sociedade levando a mudança para a sociedade através do meu trabalho nas organizações.

Ao longo desses 20 anos com certeza que houve episódios que a marcaram. Que história lhe ficou na memória e porquê?

A líder que, depois de um workshop de comunicação com a sua equipa, onde se promoveu o feedback aberto e honesto sobre os comportamentos da equipa, usou esse mesmo feedback para penalizar os seus colaboradores nas avaliações intermédias.

Um líder deve saber dar e receber feedback sobre si próprio, como sendo a única forma de melhorar e de trabalhar em equipa.

O que considera que é mais difícil no exercício de liderar pessoas?

O mais complexo é lidar com as emoções das pessoas e ensiná-las a gerir a sua inteligência emocional. As emoções são a base de todos os nossos comportamentos e atitudes. Movem o ser humano no sentido positivo ou negativo e condicionam os nossos resultados em termos de desempenho e eficácia de vida.

Devemos ter sempre presente que “SOMOS TODOS PERFEITOS NA DIMENSÃO DA NOSSA IMPERFEIÇÃO”. Aceitar as nossas imperfeições e abraçar a diversidade, recebendo o que cada um tem de bom para contribuir para os destinos das organizações.

Daquilo que tem vindo a observar ao longo do seu trabalho, quais são as piores práticas que muitas vezes são exercidas nas organizações?

As piores práticas estão muitas vezes ligadas à ausência de comunicação de uma visão clara sobre o que se pretende para a Organização e da partilha dos valores e missão da organização.

A não aplicação da “Teoria em Ação”, que consiste em praticar o que se advoga em teoria. O exercício errado dos cargos de poder, que leva a que se adotem comportamentos com um impacto negativo na eficácia das equipas. Um líder deve ser carismático, humilde, comunicativo, impulsionar o crescimento dos outros. Na prática, isso não acontece. Promove-se a punição e castigo de erros, o que leva a que se criem regras dentro das regras com medo de falhar.

A ausência de feedback positivo e construtivo e incentivo de comportamentos ligados ao exercício do poder. Não se estimula o pensamento crítico e criativo no seio das equipas. A maior parte das vezes, os colaboradores sabem o que a liderança espera deles. Mas os líderes não abrem espaço para saberem o que é esperado de si no exercício desses cargos de liderança.

Em 2013 um estudo comprovou que apenas 25 por cento das mulheres em Moçambique ocupavam posições de liderança nos setores privado e público. Passados seis anos, o panorama mudou?

Não mudou muito, infelizmente.

Na sua opinião, qual é o caminho a percorrer para que se dê uma maior paridade de género?

O caminho passa por gerar novas crenças e perspetivas sobre o papel de cada um dos gêneros na sociedade e na família. Empoderar as jovens e desenvolver as suas capacidades de liderança através de programas de capacitação e muita formação. E em simultâneo, empoderar os homens, para que passem a ter um novo olhar sobre as mulheres e sobre si próprios na sociedade, na família e nas organizações. Passa também por mudar a forma como estamos a educar os nossos filhos no que respeita a estas questões. São eles quem, no futuro, podem mudar o estado das coisas e viver com uma maior consciência sobre a equidade dos géneros.

Antes de sermos homens e mulheres, somos seres humanos. Com tudo o que isso implica no que respeita aos sonhos e expectativas de vida. E acredito que é esta a nova consciência que deve ser criada nas novas gerações. “SOMOS TODOS SERES ÚNICOS E DE EXCEÇÃO”. É essa unicidade e capacidade de fazermos coisas excecionais que nos deve caracterizar, muito para além do género.

“A vida ensina-nos a saber quais são as prioridades”

É professora e investigadora em Informática na Escola Superior de Tecnologia do IPCA. Quem é a Maria Manuela Cruz Cunha?

Estudei Engenharia de Sistemas e Informática na Universidade do Minho (UM) quando um computador ocupava uma sala. No início trabalhei ligada à universidade, mas as empresas e a produção industrial atraíam-me muito, e montei uma empresa informática, fui engenheira numa empresa têxtil, consultora de empresas industriais e gestora de uma organização de interface da UM. O meu doutoramento em Engenharia de Produção e Sistemas foi, por isso, uma escolha natural e fi-lo com um orientador da UM e outro da Universidade de Massachusetts. Era essencial para mim a dimensão internacional (por pouco não fiquei em Boston). Só no final dos anos 90 optei pela vida académica, atraída pela possibilidade de ajudar a construir uma escola de tecnologia numa instituição de ensino superior que se começava a desenhar na região do Cávado e do Ave e por acreditar verdadeiramente no poder das tecnologias para ajudar as pessoas.

Nasci em Luanda e vim para Portugal com 10 anos. Por isso gosto tanto do mar e de música com ritmo para dançar. Diz, quem me conhece bem, que sou distraída, que passo horas intermináveis ao computador, mas acham graça ao meu sentido de humor e ao facto de gostar, ainda e sempre, de Fellini e dos clássicos da literatura.

Autora e editora de mais de 30 livros e 150 artigos, é, ainda, o rosto e a voz de conferências internacionais na área das tecnologias, uma área ainda muito associada ao sexo masculino. Numa sociedade que impõe limites às mulheres, é fácil conciliar a vida pessoal com uma carreira profissional de sucesso?

Sou da geração de engenheiros informáticos com formação de banda larga. Hoje o paradigma é outro. O curriculum dos cursos tecnológicos é muito mais convergente e as outras áreas do conhecimento dependem da informática para o seu desenvolvimento. Temos de pensar de forma integrada com a humildade de aceitar outros conhecimentos que não passaram por nós. O que me atrai no que faço é conhecer diariamente talentos com novas motivações que nunca me tinham ocorrido. Por isso a troca de ideias é tão fundamental! As conferências em cuja organização participo e os livros que produzo surgiram desta necessidade.

Realmente não existem muitas mulheres nesta área. O Fórum Económico Mundial em 2016 salienta o grave problema que isso representa para o crescimento económico sustentável da sociedade, considerando os benefícios que talento, inovação e tecnologia têm como pilares essenciais da Quarta Revolução Industrial. Apenas 30% das mulheres trabalham em tecnologias e a esta escassez acresce o seu persistente desinteresse por esta área. O desafio será mostrar às jovens os novos horizontes da economia digital e o interesse de escolherem carreiras ligadas à ciência, tecnologia engenharia e matemática (STEM) para não ficarem excluídas deste novo modelo económico.

Nunca senti limites por ser mulher, mas sei que existem em outros contextos. Quando passei pela indústria, no final dos anos 80,  conheci a realidade das mulheres em profissões pouco qualificadas e com salários desiguais. Por sinal, no IPCA a representação feminina na gestão é elevada; a presidência é ocupada por uma mulher e a vice-presidência é atribuída a um homem e a uma mulher.

Tenho a sorte de ter uma excelente retaguarda na minha vida pessoal, que me dá liberdade para fazer aquilo que gosto. Os homens com quem trabalho são cheios de qualidades, altamente competentes, e devo-lhes grande parte dos meus resultados. Tento dividir o tempo entre o trabalho, a família e o lazer. No início da minha carreira o trabalho esteve em primeiro plano, chegando mesmo a estar antes de mim… Mas a vida vai-nos ensinando as prioridades.

O IPCA comemora 25 anos de Ensino Superior Público. São 25 anos de…?

Somos a mais jovem instituição pública de ensino superior. Hoje temos mais de 4500 estudantes que se dividem por quatro escolas, em cursos de TeSP, Licenciatura e Mestrado. Em 25 anos o IPCA tornou-se uma referência nacional e tem uma dinâmica importante para o desenvolvimento da região, em grande medida fruto da visão do recém-desaparecido Professor Doutor João Carvalho, que presidiu ao IPCA até 2016. Em particular a Escola Superior de Tecnologia (EST) foi pioneira em cursos como a Engenharia e Desenvolvimento de Jogos Digitais.

Que atividades tem previstas ao nível de temas como a transformação digital, indústria 4.0, cibersegurança?

O grande desafio da EST é, atualmente, o reconhecimento pela FCT do Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada – 2Ai, um centro de investigação que vai albergar as atividades nesses temas. Vamos iniciar uma pós-graduação em Cibersegurança e Informática Forense, organizamos a Semana Industry 4.0, coordenamos a edição de 2019 do International Symposium on Digital Forensic and Security e participo na organização da CENTERIS 2019 a ter lugar na Tunísia em outubro próximo.

Ilha de Santiago: das praias e das dunas ao turismo inclusivo e diversificado

Depois de assumir a gerência da PraiaTur – Agência de Viagens e Turismo, há três anos, Marvela Rodrigues começou a trabalhar no sentido de implementar na Ilha de Santiago o que há muito ambicionava e idealizava: um turismo histórico e cultural.

Santiago é a maior ilha de Cabo Verde e é conhecida pelas praias e pela cultura crioula portuguesa/africana. É aqui, na Ilha de Santiago, que Marvela sabe que ainda há muito a fazer no que diz respeito ao turismo e que ainda existem muitas valências por explorar. “Santiago não é só praia. Santiago é muito mais. É história e cultura”, diz-nos Marvela Rodrigues.

Santiago é uma das ilhas com melhores condições para um turismo inclusivo e diversificado. Santiago, a primeira ilha de Cabo Verde a ser descoberta, em 1460, tem praias, uma cultura rica e muita história para contar.

Na IV Edição do Somos Cabo Verde 2018, Marvela Rodrigues foi pré-nomeada na categoria de Turismo pelo trabalho que tem feito no sentido de desenvolver o turismo na Ilha de Santiago, com vários projetos turísticos que têm essa ilha como foco.

Falemos do “Projeto Darwin”, a partir do qual desenvolveu o circuito turístico Charles Darwin, evocando a sua passagem por Cabo Verde em 1844. Esse circuito deu origem a um livro da autoria de António Correia e Silva e Zelinda Cohen, “Cabo Verde, o despertar de DARWIN”, que foi lançado em 2017 no Grémio e na BTL- Feira de Turismo, em Lisboa, com uma boa aceitação. Em Cabo Verde, foi lançado na presidência da República em Abril do mesmo ano.

Este projeto vai ao encontro da forte pesquisa que tem feito para desenvolver um turismo histórico e cultural em Santiago, tendo por base a qualidade e veracidade dos dados.

Em Cabo Verde poucas pessoas têm conhecimento da passagem de Charles Darwin pelo país e é este turismo cultural e histórico que Marvela quer promover e desenvolver, quer para os próprios cabo-verdianos quer para quem visita o arquipélago. “Em Cabo Verde temos muito mais para contar”. Para o ano de 2019/2020 este circuito, que precisa de ser requalificado, estará pronto para receber grupos turísticos.

Neste ponto questionámos Marvela Rodrigues sobre as vantagens da nova medida que visa cidadãos da União Europeia a estarem isentos de visto para Cabo Verde em 2019. Esta é uma medida que acarreta vantagens para o turismo em Cabo Verde? Já se fez sentir os efeitos desta medida? “Para já ainda não, até porque a emissão do visto não exigia uma burocracia demorada, não sendo, por isso mesmo, um entrave para quem quisesse visitar Cabo Verde. Quanto às vantagens desta medida, ainda é cedo para se saber se a isenção de visto trará ou não um aumento do turismo”, diz-nos Marvela Rodrigues.

Mas continuemos a falar dos seus projetos. Outro dos projetos em mãos e pronto para arrancar é de cariz sócio educacional. Direcionado para a camada mais jovem, e sabendo que é em criança que se incute valores, Marvela tem já uma parceria com uma escola de Santiago para desenvolver um projeto sobre o turismo nas escolas, desde a pré-primária. O objetivo é ensinar e mostrar aos mais pequenos as mais-valias e as vantagens do turismo para Santiago e para Cabo Verde, e como se pode receber e acolher turistas.

Por outro lado, Marvela Rodrigues também se destaca nos projetos de âmbito social. Tem, igualmente, em carteira, um novo projeto social com mulheres reformadas, visando aproveitar o know-how destas e ajudar jovens mulheres em várias vertentes. Juntamente com outras associações, tem desenvolvido um trabalho junto da comunidade no que diz respeito à inclusão, sobretudo de mulheres. Tem conhecimento que, chegado o momento da reforma ou em casos em que mulheres se ocupam inteiramente das tarefas domésticas, acabam por atravessar situações difíceis ou estados de saúde frágeis. Este projeto, que arranca este ano, servirá para apoiar essas mulheres. Servirá para apoiar as gentes da Ilha de Santiago, não fosse Marvela Rodrigues uma mulher de causas.

“Quanto mais trabalho mais sorte tenho”

E engenheira e desde cedo que está envolvida em projetos de tecnologia e de telecomunicações e hoje dedica-se à consultoria. Que história pode ser contada sobre o seu percurso e quais são as suas motivações?

No nono ano descobri logo qual seria a minha vocação. Um dos resultados de testes psicotécnicos que fiz na época indicava que seria boa enquanto analista de sistemas. Pedi logo ao meu pai que me levasse a ver um computador ao LNEC e assim que vi o primeiro computador apaixonei-me, estávamos na década de 80. Como sempre gostei de coisas diferentes, andei sempre a dizer aos meus amigos que seria analista de sistemas. Quando entrei na faculdade ingressei em matemática aplicada, algo que até preocupou a minha família: “afinal, o que é que ela vai fazer em matemática”?

Tive a sorte de, em 1990, sair do primeiro curso que existiu no Instituto Superior Técnico de Lisboa, o de Matemática Aplicada à Ciência de Computação. Ingressei logo na banca e tive sempre um excelente enquadramento. Comecei em ciência da computação e rapidamente cheguei a chefe de equipas e foi aí que percebi que adorava gerir pessoas.

Quando decidi criar a minha empresa já tinha arrecadado contactos e conhecia bem o mercado. O meu pai já era empresário e quando disse que seria a minha vez não foi algo inesperado, aliás, na área de consultoria é uma evolução normal. Criar a própria empresa é um dos dois caminhos possíveis. Acredito piamente que as coisas se fazem melhor com qualidade e daí a minha paixão pela consultoria na qualidade do software. Se tivermos um bom processo, escalamos de forma diferente e criamos valor aos clientes. Era uma área onde já era reconhecida e por isso abrir a minha empresa foi fácil.

Considero que tive sorte quando comecei ciência da computação, em 1990, quando ninguém sabia o que isso era. A componente da matemática sempre me foi fácil, a abstração e a formalização agradam-me. Fui realizando projetos enquanto gestora de projeto para organizar a entrega e acabei na consultoria porque gosto de organizar/ajudar a reorganizar as empresas dos outros.

Acredito que as metas são importantes e, por isso, liguei a minha consultoria aos standards para haver uma certificação no fim. Deste modo, fui-me dedicando à certificação em qualidade de software, que é a minha área de origem.

Gosto de trabalhar com pessoas e a consultoria de processos implica a gestão de mudança da vida das pessoas que executam ou são afetadas por esses processos.

O que a levou a escolher uma área como a tecnologia para construir uma carreira?

Na minha família “Letras são tretas”, venho de uma família de engenheiros e militares. Pais engenheiros químicos, irmão mais velho químico, irmã agrónoma, lá acabei no IST. Penso que não poderia ser de outra forma…

Como surgiu a Quasinfalível que hoje já conta com nove anos de existência?

A Quasinfalível surge do meu gosto pela engenharia de software e pelo facto de, tendo sido consultora/gestora de projeto ao longo de 20 anos, conhecer bem o mercado e ter boa imagem junto dele.

As grandes empresas na altura não se preocupavam em ter departamentos dedicados à engenharia de software e daí ter querido apostar nisto. No entanto, não me lembro de acordar e de pensar “vou criar a minha empresa”.  foi algo muito natural, quase como um passo que tinha que ser dado. Nunca tive medo porque tinha contactos e até tive a sorte de, logo no início, ter tido um grande projeto para começar.

Qual foi o maior desafio profissional que já enfrentou?

Os projetos trazem-nos sempre desafios. O maior desafio foi enfrentado na Nigéria, em Lagos, que não é uma cidade fácil. Uma mulher em África – sinónimo de vida muito restringida -, nem à rua podia sair sem ser de carro. A falta de respeito no ambiente de trabalho foi das coisas mais difíceis de gerir. Outro episódio que me marcou também, embora de forma diferente, foi no Brasil, onde estive envolvida num projeto de reestruturação de uma equipa de consultoria em que a minha missão era despedir e contratar outras pessoas, e depois ter que deixar tudo a funcionar; foram nove meses repletos de stress.

Na sua opinião, o acesso a cargos de topo ainda são lugares mais vedados às mulheres? 

Sim, pelo menos no meu meio, que é um meio de engenharia, onde os homens são claramente a maioria. Existem programas internacionais como o girlsintech (https://girlsintech.org/) para combater essa tendência, mas que não têm resultado. A pirâmide não é alimentada de baixo, por isso, a probabilidade é baixa mesmo admitindo que não há discriminação. Talvez faltem mais incentivos para que mais mulheres escolham a tecnologia como carreira.

Que características elege como as principais para se alcançar o sucesso?

99% de transpiração, 1% de inspiração. E sobretudo estar atento. Quanto mais treino mais sorte tenho, – este é claramente um lema de vida – o sucesso vem, indubitavelmente, do trabalho. Tudo o que alcancei foi sempre através de muito trabalho e não conheço outra realidade.

Como é que se define enquanto empresária? Sente que é diferente de quando trabalhava noutras empresas?

Obviamente que é muito diferente ser empresária do que ser assalariada. A responsabilidade de ter dinheiro para pagar salários é a grande diferença. Ter de pensar no futuro enquanto se garante o presente não é fácil.

Gosto de pensar que me preocupo com as pessoas com quem trabalho, que tento criar ambientes que são propícios a uma pessoa acordar de manhã e ter vontade de vir trabalhar.

Foi difícil dar este passo? Que conselho gostaria de deixar a quem está a pensar fazer mudanças a nível profissional?

Não foi muito difícil o primeiro, mas há muitos que custam muito mais do que o primeiro. Tudo aquilo que temos de fazer é sair da nossa zona de conforto.

Conselhos… Preparem-se para o pior. Existirão dias que tudo vai ser ainda pior. Construam uma empresa assente em coisas de que gostam realmente de fazer, porque se faltar o dinheiro, pelo menos, divertem-se; aprendam os básicos de contabilidade, vocabulário destas matérias, proficiência com números; trabalhem em rede; troquem serviços com outros consultores e avaliem os vossos valores. Trabalhem com pessoas que partilhem desses valores, senão não vai funcionar bem.

“Porquê adaptares-te se nasceste para te destacares?”

A sua empresa é especializada no estudo de perfis de energia, integração de sistemas e gestão de consumos de grandes instalações elétricas. Este projeto surgiu na sua vida num momento em que sentiu a necessidade de dar o próximo passo. “Construí a minha carreira profissional de forma a conseguir obter a experiência e os conhecimentos fundamentais para fundar a minha própria empresa”, começa por nos dizer Helena Patacão.

Nessa altura, relembra, o país atravessava uma crise financeira e económica. Mesmo assim, decidiu arriscar e dar este passo. “A minha filha tinha apenas quatro anos. Sendo eu mãe solteira, este foi, sem dúvida, um grande desafio quer na minha carreira profissional quer na minha vida pessoal”, diz-nos.

Conta com 14 anos de experiência neste mercado, é líder na criação de novas estratégias de negociação focadas no mercado elétrico, e já foi distinguida com 7 prémios de liderança desde 2004. Podemos dizer que a veia empreendedora já nasceu consigo? Questionámo-la. Helena Patacão acredita que sim. Sabe desde pequena que o seu perfil a indicava como líder e lembra-se, ainda na escola primária, de começar a liderar trabalhos e grupos. “Quer o sentido de responsabilidade quer o sentido de independência chegaram muito cedo à minha vida, pois desde sempre ambicionei a liderança. Acredito que é uma capacidade inata, e que um bom líder tem de reunir determinadas características na sua personalidade. O bom carácter, o sentido de responsabilidade e de justiça, e a independência na tomada de ações e decisões são fatores determinantes no meu sucesso como líder e empreendedora”, realça.

A sua ânsia pela independência levou-a a querer começar a trabalhar cedo e ir viver sozinha. Queria ser autónoma, e aos 21 anos já tinha a cargo uma equipa de 30 pessoas. Como é que concilia, no seu dia a dia, ser mãe solteira, sem ajuda de familiares, com a sua vida de empresária? “Acima de tudo é necessária muita disciplina, rigor na gestão de tempo, espírito de sacrifício e a capacidade de saber gerir prioridades. Sou guiada pelo sucesso e não me permito falhar como mãe. Ser mãe todos os dias, mimar, dar banho, cozinhar, acompanhar os trabalhos escolares, brincar, e observar a evolução da minha filha, que é o grande amor da minha vida. Sacrifico muitas vezes o tempo que seria necessário para realizar algumas reuniões ou para terminar algum trabalho importante, mas sendo ela a minha prioridade, opto por depois de um dia cansativo, e após ela já estar a dormir, ficar até altas horas da noite a trabalhar para poder cumprir com as metas que estabeleço e as responsabilidades que assumo”.

Praticante e treinadora de Karaté, a nossa entrevistada não tem dúvidas que as artes marciais, as quais fazem parte da sua vida desde os sete anos de idade, também influenciaram na sua maneira de ser e na sua capacidade para liderar. “O espírito de luta e de competição, o espírito de equipa e os desafios associados ao Karaté e às artes marciais vão ao encontro da pessoa que sou. Capacidades desenvolvidas como a perseverança, necessária para nunca desistir, a superação dos limites físicos da dor e cansaço, bem como a capacidade de concentração, tornaram-se um modo intrínseco à minha forma de estar na vida e à minha personalidade. É desta forma que me é possível superar as dificuldades e adversidades da vida sem lamentações e vencer qualquer obstáculo”.

Mas quem é, afinal, Helena Patacão, enquanto mulher e enquanto profissional? “Em qualquer circunstância sou sempre grata e humilde, quer na aprendizagem quer no relacionamento com o próximo. Sou exigente comigo mesma e estou em constante auto análise, auto crítica e melhoria evolutiva, porque acima de tudo é um dever dar o exemplo, como mulher, mãe e profissional”, realça Helena Patacão.

Para a nossa entrevistada, um líder tem de ser uma pessoa humana, com capacidade para perceber que os negócios e as empresas são feitas de pessoas.

Mas que características julga cruciais para alcançar o sucesso? Desde sempre que Helena usa a expressão “o dinheiro é a recompensa do trabalho e o sucesso é a recompensa de um excelente trabalho”.

Partindo desse seu princípio, diz-nos que é importante definir que posição pretendemos ocupar no mercado de trabalho, se queremos ser mais um número ou queremos atingir a excelência. “No entanto, para atingir a excelência é preciso saber identificar o elemento diferenciador e aplicá-lo no meio que nos rodeia, sabendo como utilizar e aproveitar as próprias capacidades”.

E que verdadeiros desafios enfrenta uma mulher líder e empreendedora nos dias de hoje? Para a nossa entrevistada existe uma dificuldade acrescida e os desafios são muito maiores pelo facto de se ser mulher, sobretudo nesta área: uma área técnica e associada, maioritariamente, ao sexo masculino. “Já vemos algumas mulheres com alguma influência em cargos de liderança, no entanto, quando falamos de administração de empresas, esta, ainda é exercida em grande parte por homens. É gratificante ser respeitada, reconhecida e distinguida neste meio, mas precisamos de mais mulheres empreendedoras”, realça.

DE PORTUGAL PARA OS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

Depois de uma restruturação e adaptação da empresa, Helena Patacão irá agora apostar na sua internacionalização e integração em mercados estrangeiros, com grande foco nos Emirados Árabes Unidos, onde terá sede própria, mas sem descurar o trabalho em Portugal.

Especializada em gestão eficiente de energia de edifícios na indústria, Helena Patacão tem trabalhado, em Portugal, para grandes empresas e clientes de renome e alerta para a responsabilidade sócio-económica-ambiental: “é imperativo a construção de sustentabilidade e independência energética, como medida de responsabilidade sócio ambiental e mudança de mentalidades”.

Irá agora aplicar os seus conhecimentos e desenvolver projetos nos Emirados Árabes Unidos.

O Dubai, que será o centro de operações para trabalhar com o médio oriente, foi a escolha natural por reunir as melhores condições dentro da conjuntura atual económica mundial e pelo seu potencial de desenvolvimento e crescimento. “Identifico-me com as suas estratégias, cultura, leis e metas, e admiro as práticas de liderança da família real do Dubai. Reúnem todas as condições que necessito para ser melhor e mais criativa, e acredito que o meu perfil, conhecimentos e experiência, sejam uma mais-valia e que possa fazer a diferença numa sociedade que incentiva e apoia a mulher empreendedora”.

Dentro da evolução do próprio mercado elétrico, e uma vez que a legislação já permite a produção de energia elétrica para autoconsumo, existem cada vez mais empresas no mercado que apresentam propostas e soluções aos clientes. “Torna-se crucial analisar, apurar e estudar o perfil energético, introduzir medidas de alteração de práticas comportamentais, observando as condições técnicas e legais, para que as empresas, face à oferta tão diversificada e disparidade de preços com que se deparam, obtenham as garantias necessárias para a execução dos seus projetos”. É aqui que a Helena Patacão Investments lidera, pois além de viabilizar a negociação, defendendo os interesses do cliente e garantindo o melhor rácio-performance de qualquer medida a ser implementada, viabiliza financeiramente a operação evitando o investimento de capitais próprios por parte do cliente. “Garanto sempre que o cliente está a obter a melhor solução técnica e financeira”, diz-nos.

Para Helena Patacão, as empresas portuguesas sentem cada vez mais as dificuldades financeiras que advêm das exigências da competitividade dos mercados e das imposições fiscais. “Estas dificuldades levam à procura incessante por parte dos gestores a repensarem as suas estratégias por forma a se adaptarem a um ciclo de sobrevivência que estrangula a liquidez financeira”.

O desenvolvimento de projetos nos Emirados Árabes Unidos terá os seus desafios, uma vez que cada mercado tem as suas especificidades. No entanto, para Helena Patacão, é necessário adaptar o modelo de negócio às necessidades e realidades de cada mercado, e ganha-se quando se descobre a necessidade em falta e se preenche uma lacuna. “Aplico a minha técnica em que identifico «o que está em falta e o que está errado». É com base na resposta que proporciono a estas duas questões, que assento a base das minhas estratégias e realizo operações de negócio de sucesso”.

Assim, o maior desafio será mesmo ser bem-sucedida no Dubai, emirado que conquista inúmeros prémios de liderança mundial em diversas áreas. “Este é um desafio ambicioso e que exige alguma coragem. Numa das minhas visitas ao Dubai, uma personalidade notável mundialmente reconhecida, que se tornara meu bom amigo, disse-me, utilizando uma frase do conhecido Dr. Seuss… “Porquê adaptares-te se nasceste para te destacares?” (“Why fit in when you were born to stand out?”). “Esta é agora a minha principal diretriz, e, sem dúvida, o maior incentivo para acreditar que esta aposta tem tudo para vencer”, conclui a nossa entrevistada.

Quem é Helena Patacão

Helena Patacão estimula a versatilidade por considerar que enriquece a personalidade e fortalece o carácter.

É Treinadora de Karaté e fundou a classe KAMAE de defesa pessoal para mulheres que ensina a prática de movimentos e técnicas de reação utilizadas para preservar a integridade física e emocional da mulher.

É também adepta participante em diversos eventos de competição do desporto automóvel, onde também já conquistou alguns prémios.

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